Artista usa t√©cnica incr√≠vel para criar obras de arte que parecem sair do papel

 

O artista alemão Stefan Pabst começou a desenhar ao cinco anos e, desde aí, nunca mais parou. Seus traços transcenderam numa medida que parecem sair da superfície de onde são criados.

Usando t√©cnicas ¬†3D e o efeito de perspectiva chamado anamorfose, Stefan surpreende com seus desenhos hiperrealistas. Ele conta que ‚Äúpara a grande arte, voc√™ tem que ver as coisas¬†como se voc√™ estivesse vendo pela primeira vez, com a mente aberta e completa como a de uma crian√ßa. Isso √© o que eu tento fazer com meus desenhos em 3D. A t√©cnica √© complicada; voc√™ tem que ter muita imagina√ß√£o. Mas ela √© bem recebida pelos espectadores, e, √†s vezes, eu mesmo me surpreendo com o resultado!‚ÄĚ.

Stefan tem um canal no YouTube onde mostra o seu processo de criação. Abaixo você assiste a uma compilação destes vídeos, além de uma seleção de imagens, como a foto de seu filho que ganhou um par de olhos extras para o Halloween.

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Todas as imagens via Stefan Pabst

Sem brinquedos, roupas ou gadgets: o que mudou na vida da fam√≠lia que ficou um ano sem comprar nada

A ciência já explicou por que todos nós deveríamos investir em experiências e não em coisas . O casal norte-americano Scott e Gabby Dannemiller sempre soube disso e foi também por esse motivo que, em 2003, eles largaram tudo por uma missão na Guatemala. Mas o tempo passou, dois filhos nasceram e, quando se deram conta, estavam mergulhados em compromissos, contas e compras. Debaixo de uma montanha de coisas, eles haviam deixado de lado as reais experiências.

“Havia essa necessidade constante de comprar mais. Nós precisávamos de uma casa maior, de um carro diferente, roupas diferentes“, contou Gabby ao Today. Mas quando se deram conta disso, não pensaram duas vezes antes de decidir dar um basta na situação. O casal decidiu fazer um curioso experimento em que ficou um ano sem comprar roupas, gadgets ou brinquedos novos. E no lugar disso, novas vivências para eles e para as crianças.

As regras eram simples:

1. Nada de roupas, acessórios ou gadgets novos;

2. Se algo estragou, deve ser consertado e n√£o descartado;

3. Todos os presentes deveriam ser experiências e não coisas.

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Pois bem, Gabby come√ßou a emprestar roupas de amigas, as crian√ßas descobriram que viagens e parques de divers√£o s√£o muito mais divertidos que bonecas e jogos e Scott se adaptou √†s regras, ap√≥s algumas dificuldades ‚Äď quando sua mala de trabalho quebrou, ele precisou recorrer √† uma mochila de rodinhas infantil cor lavanda que estava no dep√≥sito. E a usou o resto do ano para viajar a neg√≥cios.

Mas se compras estavam proibidas, o que as crianças levariam de presente para seus amiguinhos que fazem aniversário? O casal veio com uma ideia brilhante e nada de jogos: um pacote de balas e uma garrafa de refrigerante diet e a explosão estava feita. Que experiência incrível para a criançada! E no aniversário dos pequenos, mais experiência: o garoto foi para um jogo de hockey, cujo ingresso foi doado por amigos da igreja que a família frequenta, e a menina foi curtir um hotel especial, hospedagem resgatada com os pontos de um cartão fidelidade de Scott.

Durante o ano de desafio, a mudança foi brusca e a adaptação, nada fácil. Mas ao final do período, a família afirma ter voltado a enxergar a beleza da experiência e com certeza aprendeu a viver bem com menos. “Mais do que qualquer coisa, nós queremos que as pessoas pensem sobre o que é importante em suas vidas“, afirmou Gabby.

E ent√£o, topa o desafio?

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Todas as fotos © Arquivo Pessoal

Por que este homem se isolou da sociedade com seu cachorro por 25 anos

 

25 anos pode parecer tempo demais para se dedicar a um projeto ‚Äď e conseguimos at√© imaginar que muita gente que est√° lendo esse post ainda n√£o completou seu primeiro quarto de s√©culo ‚Äď mas, quando se tem uma paix√£o, o tempo passa voando. Aos 67 anos, o artista americano¬†Ra Paulette √© a prova disso.

Ele ficou conhecido após passar 25 anos praticamente isolado da sociedade, na companhia de seu cachorro. Mas se engana quem pensa que ele ficou esse tempo inteiro sem se dedicar a nada: durante o período, Ra Paulette se manteve sempre em atividade esculpindo os arenitos em meio ao deserto, no México, para criar cavernas fantásticas, que são verdadeiras obras de arte.

Apesar de nunca ter estudado arquitetura, engenharia ou escultura, ele j√° esculpiu um total aproximado de 12 cavernas, grande parte delas a pedido de¬†residentes da regi√£o. Recentemente, um documentarista descobriu o trabalho do artista e passou tr√™s anos acompanhando suas cria√ß√Ķes, o que deu origem ao document√°rio Cavedigger e alavancou o trabalho de Ra Paulette a outro patamar. Hoje, algumas de suas cavernas est√£o √† venda por quase¬†US$ 1 milh√£o.

Dá o play para conhecer sobre o trabalho do artista:

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Todas as fotos © Ra Paulette

Artista faz ‚Äúmagia‚ÄĚ com fotos encantadoras dos esquilos que passeiam no seu quintal

O sueco Geert Weggen começou há alguns anos a fotografar da janela de sua cozinha os esquilos que passeiam quase todos os dias ao redor de sua casa. E nunca mais parou.

Os roedores, em sua maioria selvagens s√£o fonte de inspira√ß√£o para Geert, que declara: ‚Äúnormalmente eu fico entediado depois de fazer algo por alguns anos, mas n√£o com isso‚ÄĚ. Esse trabalho j√° foi divulgado em 30 pa√≠ses e publicado em dois livros.¬†‚ÄúEu tento trazer um pouco de magia, maravilha e felicidade com o meu trabalho, que √© feito de¬†fotos reais e n√£o do Photoshop‚ÄĚ.

E nós acreditamos que Geert alcançou o seu objetivo. Olha só:

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Est√ļdio a c√©u aberto

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Viagem

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Cabeça iluminada

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Jeito f√°cil de comer

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Vendedor de kiwi

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Por aqui

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Companheiros de bar

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O fotógrafo

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Se mantendo aquecido

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Dança animada

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Nova viagem

Todas as imagens © Geert Weggen

Incr√≠vel anima√ß√£o mostra como o v√≠cio em smartphones pode estar afetando nossa vida

 

O que voc√™ faz quando n√£o tem nada para fazer, est√° em uma fila ou aguardando alguma coisa? √Č bem prov√°vel que nesses momentos voc√™ saque o celular do bolso e fique navegando por redes sociais e aplicativos, sem objetivo fixo. Usar o celular se tornou mais do que um h√°bito: um v√≠cio. Sabe como isso afetou a sociedade?

Em uma sarc√°stica anima√ß√£o, o canal do YouTube Min Alxe mostra como fomos segados pelos poderes do smartphone e como a realidade virtual se mesclou (e at√© mesmo se sobrep√īs) √† vida real.

Assista ao vídeo. Você identifica seus amigos, familiares e você mesmo nesses personagens?

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Todas as fotos © YouTube/Reprodução

10 produtos criativos para quem gosta de receber amigos em casa e √© amante de design

Receber os amigos √© sempre um momento bom, mas n√£o basta apenas abrir as portas, √© preciso tamb√©m saber receber bem os convidados e fazer com que eles se sintam em casa. E os amantes do design saem na frente no quesito ‚Äúanfitri√£o perfeito‚ÄĚ, j√° que est√£o sempre de olho em novidades para deixar os convidados ainda mais √† vontade. Confere s√≥ algumas delas que separamos aqui.

1. Sofá que acomoda até seis pessoas

Lembra da √ļltima vez que voc√™ recebeu visitas inesperadas e quase morreu para deixar todo mundo confort√°vel? O sof√°-cama ‚ÄúWe Are Family‚ÄĚ (em portugu√™s, ‚ÄúSomos Fam√≠lia‚ÄĚ) promete dar uma m√£ozinha nesses momentos, principalmente naqueles casos em que os amigos resolvem ficar para dormir. Al√©m de sof√°, ele acomoda at√© 6 pessoas no ch√£o da sua sala.

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2. Para arrasar na cozinha

O Meld é um kit que inclui um aparelho que substitui o botão do seu fogão, um clipe que mede a temperatura dos pratos em tempo real e um aplicativo para celular que permite você controlar a temperatura de cozimento dos pratos manualmente. A promessa é que, com o dispositivo, qualquer um se transforme em um verdadeiro chef e nunca mais erre a temperatura dos pratos. Seus convidados agradecem, é claro.

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Fotos: Divulgação

3. Apimentando as coisas

Além de receber os amigos com uma comidinha deliciosa, a apresentação do prato e dos acessórios de cozinha também é essencial. Para isso, a dica é esse moedor de pimenta em formato de bonequinho de chef de cozinha super fofo.

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4. Escritório que vira bar

Transforming Bar Desk, criada pelo designer Jonathan Odom. O conceito é simples: permitir que quem vive em apartamentos pequenos tenha um móvel que se transforme na hora de receber amigos. Assim, a mesma mesa usada para trabalhar acaba virando uma área de bar para receber quem você quiser com muito estilo.

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Foto © Jonathan Odom

5. Parede de quadro negro

O efeito pode ser conseguido com folha adesiva preta opaca ou tinta¬†acr√≠lica fosca preta. Investir em uma parede assim pode ser divertido e suas visitas ainda poder√£o deixar um recadinho, se sentindo parte da decora√ß√£o do ambiente. √Č super simples e n√£o tem erro.

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6. Balanço

Se você achava que estava faltando alguma coisa na sua sala, esse balanço pode resolver o problema. Aconchegante, ele fará seus amigos se sentirem em casa e ainda dá um toque descontraído a qualquer ambiente.

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7. Xícara feita com grãos de café

Se voc√™ ama receber os amigos para um expresso, ent√£o est√° na hora de conhecer o¬†Kaffeeform, um conjunto de pires e x√≠cara criados com gr√£os de caf√© reutilizados. Desenvolvido pelo designer¬†Julian Lechner ap√≥s 5 anos de pesquisa de materiais, o produto promete manter o¬†aroma da bebida¬†e o conjunto de¬†quatro¬†x√≠caras e quatro¬†pires sai por¬†‚ā¨¬†60¬†(cerca de R$ 250).

Foto: Divulgação.

8. Essa mesa surpresa

Voc√™ chamou os amigos para uma jantinha relax em casa, mas estava todo mundo animado demais. Que tal transformar o ambiente com esse m√≥vel vers√°til que se transforma em mesa de sinuca? √Č a surpresa que seus amigos esperavam para querer voltar sempre na sua casa.

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Foto: Divulgação. 

9. Geladeira com chopeira

Oferecer aos convidados cerveja sempre gelada é praticamente uma obrigação de qualquer bom anfitrião e essa geladeira vintage promete ajudar você a fazer isso com muito estilo. A ideia genial é da empresa Northstar.

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Fotos: Divulgação.

10. Mesa sem cadeiras

A Abachus é uma mesa diferente, pelo simples fato de que ela dispensa cadeiras, banquinhos e afins. Com três encostos que são capazes de sustentar até seis pessoas, a mesinha promete criar um ambiente descontraído para você curtir com os amigos em casa.

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Foto: Divulgação.

Dumpster Diving: conhe√ßa o movimento de pessoas que vivem e se alimentam do que encontram no lixo

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Era um domingo à tarde em que caminhava pela Rua Barão de Itapetininga, centro de São Paulo. A loja de uma conhecidíssima rede de fast food acabara de encerrar o expediente, deixando em frente às portas fechadas uma montanha de sacos com os resíduos do dia. Não deu cinco minutos para dois moradores de rua tomarem conta do pedaço.

Miseravelmente felizes com a atividade do momento, eles abriam embalagens e montavam suas vers√Ķes personalizadas de famosos sandu√≠ches ‚Äď aqueles que a freguesia costuma chamar pelo n√ļmero. Saboreavam, sorriam, confraternizavam. As sobras do banquete de sobras eram deixadas de lado e prontamente bicadas por uma gangue de pombas que permanecia ali de sentinela.

Pensei em registrar a cena com uma foto. Me contive por julgar não ter um propósito justificável. Qual seria? Ostentar o smartphone? Ganhar likes compartilhando uma imagem degradante? Já tinha até esquecido do episódio, mas lembrei dele no exato momento em que recebi essa pauta aqui e parei para refletir sobre como abordar o dumpster diving.

Em uma livre tradu√ß√£o ao p√© da letra, o termo significa ‚Äúmergulho na lixeira‚ÄĚ. Trata-se de um estilo de vida sustentado pelo ato de catar itens do lixo. N√£o para encaminhar a centros de reciclagem como fazem os carroceiros brasileiros, que s√£o os grandes respons√°veis pelo reaproveitamento de materiais descartados nas nossas cidades. O objetivo do dumpster diving √© o consumo pr√≥prio. Em bom portugu√™s, √© viver da xepa.

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Assim como no caso dos cidad√£os que avistei naquele domingo, em origem a pr√°tica estava relacionada exclusivamente a quest√Ķes econ√īmicas. E muitas vezes ainda est√°. Em S√£o Paulo, s√≥ tapando os olhos ou se abstendo do espa√ßo p√ļblico em condom√≠nios e shoppings para n√£o ver gente dormindo na rua e revirando lixeiras. Entretanto, o comportamento recebeu nome e sobrenome de subcultura em pa√≠ses como Estados Unidos, Canad√° e Inglaterra¬†ao conquistar adeptos que n√£o necessariamente vivem na indig√™ncia.

O dumpster diving é praticado em países mais desenvolvidos que o nosso por pessoas que até podem estar passando por dificuldades financeiras, mas que somam a elas uma motivação ideológica. O objetivo é criar um contraponto à overdose de consumo e à cultura do desperdício tão disseminadas na sociedade atual. Foi essa a maneira que alguns encontraram para sobreviver gastando menos e reduzindo pegadas ecológicas no planeta.

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Cada busca por mantimentos pode ser um evento. Muitos se agregam para ir √†s ruas, com encontros organizados pela internet em f√≥runs e redes sociais. O Facebook apresenta uma por√ß√£o de grupos onde os participantes fazem contato e trocam informa√ß√Ķes sobre suas descobertas.

Algumas dicas para iniciantes encontradas na web seguem o b√°sico do bom senso. Usar luvas, verificar se n√£o h√° ratos dentro da lixeira e higienizar os alimentos encontrados, por exemplo. Outras s√£o mais espec√≠ficas, como evitar a coleta de mel√Ķes. Eles podem absorver l√≠quidos que apodrecem a fruta por dentro sem que isso fique vis√≠vel na casca.

Para conseguir produtos alimentícios de qualidade, uma tática usada é circular durante o dia por corredores de supermercados observando datas de validade. Quando estiver próxima do vencimento, é bem possível que o produto vá para a lixeira naquela mesma noite. Basta retornar mais tarde e encher o carrinho, mochila ou porta-malas do carro. Isso pode ser visto no documentário Dive!, que apresenta um recorte da cena do dumpster diving em Los Angeles:

Segundo os envolvidos retratados no filme, existe uma ética na atividade. Três princípios básicos devem ser observados. O primeiro é nunca levar das lixeiras mais do que precisa, a não ser que seja para encaminhar a alguém. A ideia é não reproduzir o desperdício que estão combatendo. O segundo princípio é que a pessoa que chegar antes à lixeira tem preferência sobre os achados. Mas compartilhá-los com os demais é um dever moral. E o terceiro é sempre deixar o lugar mais limpo do que encontrou.

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N√£o h√° unanimidade sobre o enquadramento da atividade na lei. Varia de pa√≠s para pa√≠s e de caso para caso. De maneira geral, o descarte de materiais √© entendido como abandono de propriedade. Aquela hist√≥ria do ‚Äúachado n√£o √© roubado‚ÄĚ que aprendemos na inf√Ęncia. No Brasil, o ditado √© legalmente v√°lido desde que esse achado n√£o tenha sido perdido.

Mas existe uma pol√™mica jur√≠dica em torno das quest√Ķes de privacidade contidas nos sacos de lixo. Por exemplo, voc√™ considera aquilo que intencionalmente joga fora como ainda sendo de sua posse? Se tem valor, por que foi rejeitado? At√© onde v√£o os limites dessa propriedade?

Algu√©m que n√£o cuida da forma como se livra de itens pessoais poderia temer a hip√≥tese de um catador mal intencionado utilizar os dados de um boleto encontrado na sua lixeira para estelionato. Mas isso seria a exce√ß√£o da exce√ß√£o √† regra e configuraria um crime comum. No dumpster diving, os alvos priorit√°rios s√£o estabelecimentos comerciais e n√£o se trata de furtar algo que est√° na prateleira. Os caras s√≥ querem consumir um iogurte, p√£o ou carne que n√£o mais ser√° colocado √† venda. Produtos cujo prov√°vel destino ser√° um aterro sanit√°rio. E a pol√≠cia acaba tolerando, desde que n√£o haja den√ļncias ou flagrantes de invas√£o de propriedade. O problema √© que muitos cercam suas lixeiras para impedir que sejam reviradas. E muitos pulam a cerca.

Em 2013, tr√™s homens foram presos em Londres por estarem se apropriando de tomates, cogumelos e queijos que tinham sido descartados nas depend√™ncias de um supermercado. A den√ļncia fora an√īnima, mas o √≥rg√£o de l√° equivalente ao Minist√©rio P√ļblico daqui levou o caso adiante por entender que havia interesse p√ļblico no processo. E isso gerou uma chuva de protestos contra a marca nas redes sociais. Ap√≥s muita press√£o popular e um pouco tamb√©m por parte da empresa, a acusa√ß√£o acabou sendo retirada. Para evitar maiores danos √† imagem institucional, o CEO da rede varejista foi inclusive ao The Guardian dar a sua vers√£o da hist√≥ria.

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O denominador comum nas buscas s√£o alimentos ainda em condi√ß√Ķes de consumo. Mas comer de gra√ßa √© apenas uma das portas de entrada nesse mundo. A coleta pode incluir roupas, m√≥veis e objetos para o lar. Aparatos tecnol√≥gicos substitu√≠dos pela mais nova vers√£o de si mesmos tamb√©m entram na mira. Se for poss√≠vel reusar, √© pass√≠vel de catar. H√° quem consiga reduzir substancialmente suas transfer√™ncias de moeda com a pr√°tica di√°ria. E h√° tamb√©m quem consiga faturar com ela.

Neste ano a Wired contou a história de Matt Malone, um programador que mora em Austin, no Texas, e se considera um dumpster diver profissional. Apesar de ter um emprego regular, Matt ganha mais dinheiro por hora com a venda dos artigos que cata em lixeiras do que com seu salário. Essa reportagem do Chicago Tribune também mostra o exemplo do carpinteiro Greg Zanis, que afirma obter uma remuneração extra de dezenas de milhares de dólares por ano apenas vendendo o que coleta.

Comercializar achados e, provavelmente, usar o dinheiro para adquirir novos produtos. N√£o parece muito alinhado com os princ√≠pios contraculturais de boicotar o consumo e reduzir impactos no meio ambiente, concorda? Pois bem, o dumpster diving √© um universo heterog√™neo. A pr√°tica pode seguir uma gama antag√īnica de motiva√ß√Ķes, que v√£o desde o combate √† acumula√ß√£o de recursos (conhecido como freeganismo) at√© a pr√≥pria gera√ß√£o de recursos, passando pela simples falta de recursos. O √ļnico ponto de intersec√ß√£o entre pessoas com objetivos t√£o distintos est√° entre a tampa e o fundo da lixeira. N√£o √© √† toa que um dos grupos no Facebook deixa expresso j√° na descri√ß√£o do perfil a proibi√ß√£o de negociar itens por ali.

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Voltemos ao Brasil. Para n√≥s, o dumpster diving parece coisa de gringo. Ou uma realidade exclusiva de quem vive a extrema pobreza. O senso comum por essas bandas afirma que s√≥ se faz isso por necessidade, n√£o por op√ß√£o. Em tese, atacando nossos problemas de desigualdade social e econ√īmica, ningu√©m mergulharia na lixeira como a dupla do Centro que juntava hamb√ļrgueres, alface, queijo e molho especial. Em tese.

Se existe gente aproveitando o que encontra no lixo, ent√£o existe quem jogue fora algo aproveit√°vel. Segundo o Minist√©rio do Meio Ambiente, cada brasileiro produz mais de 1 kg de res√≠duos por dia. Poder√≠amos falar sobre obsolesc√™ncia programada ou sobre como a necessidade de ter o √ļltimo gadget do momento anda de m√£os dadas com o lixo eletr√īnico, mas fiquemos no item que √© mais sens√≠vel a qualquer um: comida.

O Instituto Akatu afirma que 60% do total de res√≠duos produzidos no Brasil s√£o materiais org√Ęnicos. E aponta uma s√©rie de dicas para aproveitar melhor os alimentos em casa. Se todos segu√≠ssemos, j√° seria um grande passo para reduzir danos. Mas nossas resid√™ncias s√£o apenas a parada final de um modelo industrial que trata perdas como pe√ßas da engrenagem.

De acordo com a ONG Banco de Alimentos, o desperd√≠cio est√° presente em toda a cadeia produtiva do ramo aliment√≠cio, sendo a maior parte durante o manuseio, transporte e comercializa√ß√£o. Algu√©m poderia perguntar: por que os respons√°veis em cada etapa n√£o doam o que n√£o conseguem aproveitar? As empresas respondem amparadas no risco de serem penalizadas caso algu√©m se intoxique com uma doa√ß√£o. Talvez ent√£o a C√Ęmara dos Deputados ou o Senado pudesse elaborar uma lei que desenrolasse isso? Bem, projeto tramitando at√© existe. Se √© eficaz ou n√£o, fato √© que n√£o tem sido colocado em pauta nas discuss√Ķes atuais do Poder Legislativo.

Devemos cobrar parlamentares, claro. Mas sempre existem caminhos alternativos. Temos visto uma por√ß√£o de a√ß√Ķes transformadoras promovidas voluntariamente por pessoas comuns. S√£o projetos independentes que, quando analisados em conjunto, formam um cen√°rio inovador, onde o consumo irracional e o desperd√≠cio irrespons√°vel d√£o lugar √† no√ß√£o de interdepend√™ncia, compartilhamento e reaproveitamento. Aqui tem exemplo. Se n√£o quisermos que lixeiras sejam locais prop√≠cios ao mergulho, precisaremos de cada vez mais encontros entre a consci√™ncia e a m√£o na massa como esses.

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Foto destaque via; Imagem 01 ©dr Ozda via; Imagem 02 ©Paul Cooper via; Imagem 03 via; Imagens 04, 05 e 06 via; Imagem 07 via; Imagem 08 via; Imagem 09 via; Imagem 10 via; Imagem 11 ©Joe Fornabaio|The New York Times via; Imagens 12 e 13 ©Simone Weichselbaum|New York Daily News via; Imagem 14 via; Imagem 15 via; Imagem 16 via; Imagem 17 via; Imagem 18 via

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Nefertiti (c. 1380 Р1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito, esposa principal do faraó Amenófis IV, mais conhecido como Aquenáton.

Raízes familiares

As origens familiares de Nefertiti s√£o pouco claras. O seu nome significa “a mais Bela chegou”, o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Imp√©rio Mitanni (imp√©rio que existiu no que √© hoje a regi√£o oriental da Turquia), filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amen√≥fis III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o har√©m do rei, num gesto de amizade daquele imp√©rio para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou um nome eg√≠pcio e os costumes do pa√≠s.

Contudo, nos √ļltimos tempos tem vingado a hip√≥tese de Nefertiti ser eg√≠pcia, filha de Ay, alto funcion√°rio eg√≠pcio respons√°vel pelo corpo de carros de guerra que chegaria a ser fara√≥ ap√≥s a morte de Tutanc√Ęmon. Aye era irm√£o da rainha Ti√©, esposa principal do rei Amen√≥fis III, o pai de Aquen√°ton; esta hip√≥tese faria do marido de Nefertiti o seu primo. Sabe-se que a fam√≠lia de Aye era oriunda de Akhmin e que este tinha tido uma esposa que faleceu (provavelmente a m√£e de Nefertiti durante o parto), tendo casado com a dama Ti√©.

De igual forma o nome Nefertiti, embora não fosse comum no Egito, tinha um alusão teológica relacionada com a deusa Hathor, sendo aplicado à esposa real durante a celebração da festa Sed do rei (uma festa celebrada quando este completava trinta anos de reinado).

Casamento com Amenófis

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N√£o se sabe que idade teria Nefertiti quando casou com Amen√≥fis (o futuro Aquen√°ton). A idade m√©dia de casamento para as mulheres no Antigo Egipto eram os treze anos e para os homens os dezoito. √Č prov√°vel que tenha casado com Amen√≥fis pouco tempo antes deste se tornar rei.

O seu marido não estava destinado a ser rei. Devido à morte do herdeiro, o filho mais velho de Amenófis III, Tutmés, Amenófis ocupou o lugar destinado ao irmão. Alguns autores defendem uma co-regência entre Amenófis III e Amenófis IV, mas a questão está longe de ser pacífica no meio egiptológico. A prática das co-regência era uma forma do rei preparar uma sucessão sem problemas, associando um filho ao poder alguns anos da sua morte.

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Nos primeiros anos do reinado de Amen√≥fis come√ßaram a preparar-se as mudan√ßas religiosas que culminariam na doutrina chamada de “atonismo” (dado ao facto do deus Aton ocupar nela uma posi√ß√£o central). Amen√≥fis ordenou a constru√ß√£o de quatro templos dedicados a Aton junto ao templo de Amon em Karnak, o que seria talvez uma tentativa por parte do fara√≥ de fundir os cultos dos dois deuses. Num desses templos, de nome Hutbenben (Casa da pedra Benben), Nefertiti aparece representada como a √ļnica oficiante do culto, acompanhada de uma filha, Meketaton. Esta cena pode ser datada do quarto ano do reinado, o que √© revelador da import√Ęncia religiosa desempenhada pela rainha desde o in√≠cio do reinado do seu esposo.

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No ano quinto do reinado, Amen√≥fis IV decidiu mudar o seu nome para Aquen√°ton, tendo Nefertiti colocado diante do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, “perfeita √© a perfei√ß√£o de Aton”. Nefertiti passou a partir de ent√£o a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constitu√≠do por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas eg√≠pcias.

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The Nefertiti bust Nefertiti – statue

Durante algum tempo defendeu-se que Aquenáton teria introduzido pela primeira vez na história do mundo o conceito do monoteísmo, impondo às classes sacerdotais e populares o conceito de um só deus, o deus do sol, onde o disco solar representava o deus sol que regia sobre tudo na face da terra. Hoje em dia porém considera-se que seria um henoteísmo exacerbado.

Os muitos templos que celebravam os deuses tradicionais do Egito foram todos rededicados pelo rei ao novo deus por ele imposto. Especula-se que esta pequena revolu√ß√£o, entre outros poss√≠veis objetivos, possa ter servido para consolidar e engrandecer ainda mais o poder e import√Ęncia do fara√≥. Ap√≥s o reinado de Aquen√°ton, o Egito antigo voltaria √†s suas pr√°ticas religiosas polite√≠stas.

Nefertiti em Aquet√°ton

Aquen√°ton decidiu, igualmente a constru√ß√£o de uma nova capital para o Egito dedicada a Aton, que recebeu o nome de Aquet√°ton (“O Horizonte de Aton”). A cidade situava-se a meio caminho entre Tebas e M√™nfis, sendo o lugar onde se encontram hoje as suas ru√≠nas conhecido como Amarna. A cidade foi inaugurada no oitavo reinado de Aquen√°ton. Demorando apenas 3 anos para ficar pronta!

Um talatat (bloco de pedra) de Hermópolis (perto de Amarna) mostra a rainha Nefertiti a destruir o inimigo do Egito, personificado por mulheres prisioneiras, numa cena que até então tinha sido reservada aos reis desde os tempos da Paleta de Narmer.

Vida familiar

Nefertiti teve seis filhas com Aquen√°ton: Meritaton, Meketaton, Anchesenamon, Neferneferuaton, Neferneferur√© e Setepenr√©. Pensa-se que as tr√™s primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as tr√™s √ļltimas em Aquet√°ton entre o sexto e o nono ano de reinado.

A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do d√©cimo segundo ano de reinado, como mostra uma cena que representa Aquen√°ton e Nefertiti a chorar diante do leito de morte da filha, essa filha teria morrido afogada. Durante o reinado de Aquen√°ton espalhou-se por todo Egipto uma peste, al√©m de um surto de mal√°ria, conhecido na √©poca como “doen√ßa m√°gica” que matou 3 filhas do casal, al√©m de quase ceifar a vida de Tutanc√Ęmon.

A fam√≠lia real √© representada em v√°rias estelas em cena de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em m√£os com o s√≠mbolo do ankh. Trata-se de representa√ß√Ķes at√© ent√£o n√£o presentes na arte eg√≠pcia.

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Um aspecto que gera alguma perplexidade nestas representa√ß√Ķes s√£o os cr√Ęnios alongados dos membros da fam√≠lia real. Aquen√°ton, por exemplo, surge em est√°tuas e relevos como um homem muito diferente da norma e representado fora dos padr√Ķes r√≠gidos da cultura milenar da √©poca, exibindo femininos e andr√≥ginos, com uma cintura fina, por√©m com quadris largos e coxas decididamente femininas. Al√©m disso, em v√°rias obras os seus seios s√£o aparentes. A sua face tamb√©m aparece alongada e com l√°bios carnudos, femininos e sensuais. Para alguns estas caracter√≠sticas indicariam que a fam√≠lia sofreria de s√≠ndrome de Marfan, enquanto que outros consideram tratar-se de uma mera tend√™ncia est√©tica exagerada, que visava criar novos padr√Ķes est√©ticos √† semelhan√ßa do que tinha acontecido no campo da religi√£o, segundo historiadores, Aquen√°ton queria mostrar nessas esculturas que somos muito mais que imagens, e pedia para ser retratado dessas formas para escandalizar os co-cidad√£os, e tamb√©m pelo fato de querer mostrar que ele era o “Grande esposo real” de Nefertiti, que assumiu a dire√ß√£o do Egipto como co-regente, deixando Aquen√°ton livre para ser o sumo sacerdote de Aton, as √ļnicas imagens reais de Aquen√°ton e Nefertiti foram esculpidas em suas tumbas mortu√°rias, onde mostram claramente que Nefertiti era a mulher mais bela da √©poca e Aquen√°ton n√£o tinha os tra√ßos dos eg√≠pcios conhecidos.

Com Kia, uma esposa secund√°ria, Aquen√°ton teve dois filhos, Nebnefer, que morreu durante o surto de peste e Tutancaton que depois que voltou √° Tebas foi obrigado a mudar seu nome para Tutanc√Ęmon, pois depois da morte de Aquen√°ton, o Deus Aton, foi proscrito por alguns anos. Kia teria morrido no parto de Tutanc√Ęmon, e a mesma serviu apenas para dar a Aquen√°ton dois filhos homens para continuar o reinado, visto que Nefertiti n√£o conseguia gerar filhos var√Ķes.

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São suas estátuas de Amenófis III com 18 metros de altura, consideradas as maiores esculturas do Egito.  As estatuas protegiam o templo do faraó que foi completamente destruído.

O desaparecimento da rainha

Nefertiti acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado por√©m, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amen√≥fis ela esvanece e n√£o √© mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscri√ß√Ķes e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.

Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objectos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a visão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável foi o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.

Uma hip√≥tese que procura explicar o sil√™ncio das fontes considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperur√© Nefernefernuaton. Esta mudan√ßa estaria relacionada com a sua ascens√£o ao estatuto de co-regente. Ainda segundo a mesma hip√≥tese quando Aquen√°ton faleceu Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperur√© Semencar√© e governou como fara√≥ durante cerca de dois anos. H√° ainda outra hip√≥tese, como os sacerdotes de Amon n√£o aceitavam o Deus Aton como √ļnico do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o bra√ßo direito de Aquen√°ton, sua morte teria desestabilizado o fara√≥ que tinha em sua figura o apoio indiscut√≠vel para o Projeto do “Deus √önico” representado por Aton, cerca de dois anos depois, Aquen√°ton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primog√™nita com Nefertiti – Meritaton, foi elevada ao estatuto de “grande esposa real”. O seu reinado foi curto, pois segundo historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na √©poca foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas, Tutanc√Ęmon ent√£o com 9 anos e sua outra irm√£ Anchesenamon com 11 anos.

Por√©m, muitos especialistas acreditam que esta pessoa foi um filho de Aquen√°ton. J√° outros egipt√≥logos, como o professor David O’Oconnor da Universidade de Nova York (Universidade de Nova Iorque), especulam: Poderia se tratar de amor entre iguais, entre dois homens, dadas as caracter√≠sticas singulares de Aquen√°ton?

O busto de Nefertiti

A 6 de Dezembro de 1912 foi encontrado em Amarna o famoso busto da rainha Nefertiti, por vezes tamb√©m designado como o “busto de Berlim” em fun√ß√£o de se encontrar na capital alem√£. A descoberta foi da responsabilidade de uma equipe arqueol√≥gica da Sociedade Oriental Alem√£ (Deutsche Orient Gesellchaft) liderada por Ludwig Borchardt (1863-1938). A pe√ßa foi encontrada na zona residencial do bairro sul da cidade, na casa e oficina do escultor Tutm√©s.

O busto de Nefertiti mede 50 cm de altura, tratando-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea incrustada; Ludwig Borchardt julgou que esta se teria desprendido quando encontrou o busto, mas estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada para não causar inveja as deusas.

Segundo o costume da √©poca os achados de uma escava√ß√£o eram partilhados entre o Egito e os detentores da licen√ßa de escava√ß√£o. O busto de Nefertiti acabaria por ser enviado para a Alemanha, onde foi entregue a James Simon, uma dos patrocinadores da expedi√ß√£o. Contudo, a forma como saiu do Egito √© pouco clara e alvo de disputas. Atualmente o Egito alega que Borchardt escondeu a pe√ßa, vers√£o contraposta √† que alega que os respons√°veis pelas antiguidades eg√≠pcias n√£o deram import√Ęncia ao busto, deixando-o partir. Em 1920 a obra foi doada ao Museu Eg√≠pcio de Berlim, onde passou a ser exibida a partir de 1923, tornando-se uma das atra√ß√Ķes da institui√ß√£o.

At√© ent√£o, as representa√ß√Ķes conhecidas da rainha, mostravam-na com um cr√Ęnio alongado, sendo a rainha vista como uma mulher que provavelmente sofria de tuberculose. O busto revelou-se determinante na altera√ß√£o da percep√ß√£o da rainha, que muitas mulheres dos anos 30 procurariam imitar em bailes de m√°scaras.

Durante a Segunda Guerra Mundial a Alemanha retirou as peças dos museus de Berlim para colocá-las em abrigos. O busto de Nefertiti foi guardado num abrigo na Turíngia, onde permaneceu até ao fim da guerra até que o exército americano o levou para Wiesbaden. Em 1956 o busto regressou a Berlim Ocidental.

A alegada m√ļmia de Nefertiti

Em Junho de 2003 a egipt√≥loga Joanne Fletcher da Universidade de York anunciou que ela e a sua equipe teriam identificado uma m√ļmia como sendo a rainha Nefertiti.

Em 1898 o egipt√≥logo Victor Loret descobriu o t√ļmulo do rei Amen√≥fis II no Vale dos Reis. Como foi o trig√©simo quinto t√ļmulo a ser encontrado, este recebeu a designa√ß√£o de “KV35” na moderna egiptologia (King Valley¬īs 35). Para al√©m da m√ļmia deste rei, encontraram-se onze m√ļmias numa c√Ęmara selada do t√ļmulo. Tr√™s destas m√ļmias foram deixadas no local, devido ao seu elevado estado de deteriora√ß√£o, tendo as restantes sido levadas para o Museu Eg√≠pcio. Duas m√ļmias eram de mulheres e a terceira de um rapaz.

Uma peruca encontrada neste t√ļmulo junto a uma das m√ļmias chamou a aten√ß√£o de Joanne Fletcher que a identificou com as perucas de estilo n√ļbio utilizadas no tempo de Aquen√°ton. Para Fletcher, especialista em cabelos, esta peruca foi usada por Nefertiti. Para al√©m disso, o l√≥bulo da orelha estava furado em dois pontos (uma marca da realeza), com impress√Ķes de uma tiara no cr√Ęnio. A m√ļmia n√£o tinha cabelo o que corresponderia √† necessidade de Nefertiti manter o cabelo raspado para poder utilizar a coroa azul e tamb√©m para proteger-se contra piolhos e o calor do Egito na √©poca retratada.

Contudo, a arcada dent√°ria da m√ļmia estava identificada como sendo de uma mulher de vinte e cinco anos, o que torna pouco prov√°vel tratar-se de Nefertiti. Mas, logo depois se reparou outro detalhe interessante, os ossos da m√ļmia estavam juntos e s√≥lidos, o que s√≥ pode significar que a m√ļmia tinha entre trinta e trinta e cinco anos, o que de novo levanta a possibilidade desta ser a m√ļmia de Nefertiti.

A misteriosa m√ļmia foi teoricamente golpeada na boca destruindo boa parte de seu rosto. Os ferimentos mostravam que tal golpe foi realizado depois da mumifica√ß√£o, quando poss√≠veis homens teriam entrado na tumba, mas n√£o h√° uma pista do porque. A explica√ß√£o para o golpe foi que, na tentativa de apagar Aquen√°ton da hist√≥ria eg√≠pcia, teriam golpeado a rainha na boca, impedindo que seu ka entrasse no p√≥s-vida, como uma vingan√ßa.Todas as j√≥ias que a ligavam com a realeza foram roubadas. Mas ainda assim atrav√©s do raio-X foi poss√≠vel identificar os famosos ‘pinos de Nefer’ usados pela rainha Nefertiti e tamb√©m usados na mumifica√ß√£o de membros da fam√≠lia real. O c√©rebro da m√ļmia tamb√©m foi preservado, uma caracter√≠stica da d√©cima oitava dinastia(a dinastia em qual Aquen√°ton governou).

Baseados nos estudos da Dra. Joanne Fletcher, era bastante prov√°vel que a m√ļmia fosse de Nefertiti. Com isso, ela conseguiu permiss√£o do governo eg√≠pcio para realizar um exame de DNA. Infelizmente, o exame mostrou que a m√ļmia n√£o era de Nefertiti, mas sim da irm√£ dela. As buscas pela m√ļmia de Nefertiti continuam.

Via: wikipedia

Rainha Nefertari

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Nefertari foi uma grande rainha egípcia, esposa de Ramsés II faraó do Egito, cujo nome significa a mais bela, a mais perfeita e é muitas vezes seguida pelo epíteto amada de Mut. Nasceu aproximadamente em 1290 a.C. e morreu em 1254 a.C..Uma das muitas grandiosas rainhas da Nubia, Nefertari é anunciada como a rainha que se casou para a paz.

Os pais de Nefertari s√£o desconhecidos, pressup√Ķe-se que a sua origem foi uma fam√≠lia humilde. Uma possibilidade √© que fosse filha do General Nakhtmin e de Mutnodjmet.

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Pintura parietal representado Nefertari, no seu t√ļmulo.

Ramsés II desposou-a antes de suceder a Seti I e embora este tenha vivido muito mais tempo que ela e tido outras mulheres esta foi sempre designada excepcionalmente como a favorita.

Existem registos da sua presença numa festa em Luxor onde foi apresentada nos seguintes termos: A princesa, rica em louvores, soberana da graça, doce no amor, senhora das duas terras, a perfeita, aquela cujas mãos seguram os sistros, aquela que alegra o seu pai Amom, a mais amada, a que usa a coroa, a cantora de belo rosto, aquela cuja palavra dá plenitude. Tudo quanto pede se realiza, toda a realidade se cumpre em função do seu desejo e conhecimento, todas as suas palavras despertam alegria nos rostos, ouvir a sua voz permite viver.

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Interpretando as escrituras √† letra Nefertari teria dado quatro filhos e duas filhas a Rams√©s II. Mas, por vezes, a no√ß√£o de filho corresponde a um t√≠tulo. Ao longo do seu reinado, Rams√©s II adoptou um n√ļmero consideravel de filhos r√©gios e filhas r√©gias, o que levou certos egipt√≥logos a crer que tinha sido um procriador proverbial.

Papel politico

No primeiro ano do seu reinado Nefertari foi associada a actos importantes. Logo após ter participado na coroação do seu esposo Ramsés II ela foi levada a apresentar-se perante ele em Abidos numa cerimónia em que Nebunenef foi nomeado sumo sacerdote de Amon, assegurando assim a fidelidade deste rico e poderoso clero tebano.

V√™-se nas inscri√ß√Ķes eg√≠pcias as famosas festas de Min, onde a rainha fazia o ritual das sete voltas em torno do trono do fara√≥ proferindo as formulas m√°gicas para perpetuar a prosperidade das Duas terras. Este era um ritual sagrado do estado.Tal como outra rainhas antes, Nefertari exerceu um importante papel nas negocia√ß√Ķes de paz com os povos vizinhos, nomeadamente com os hititas, correspondendo-se com a sua hom√≥loga a rainha do Hatti.

Abu Simbel, Templo de Nefertari.

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Esfinge, constru√≠da sobre uma √ļnica pedra

 Em 06 de dezembro de 1912 uma equipe liderada pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt encontrou o agora famoso busto de Nefertiti em Amarna, no Egito. Em 1913.

Segredos de Nefertari

  • O texto est√° escrito em hier√≥glifos, palavra de origem grega que significa Escrita Sagrada. Essa escrita foi inventada por volta de 3.000 a.C., e sua √ļltima inscri√ß√£o data de 394 d.C. Seu significado s√≥ foi decifrado em 1822, gra√ßas √† redescoberta da Pedra de Roseta por soldados franceses, em um forte no Egito, anos antes. A Roseta tem 114 cent√≠metros de altura por 72 cent√≠metros de largura e cont√©m um decreto real de Ptolomeu V(210-181 a.C.)inscrito em dois idiomas ‚Äď grego e eg√≠pcio ‚Äď e em tr√™s escritas diferentes, pois o texto eg√≠pcio aparece tamb√©m em caracteres dem√≥ticos, uma forma de escrita cursiva abreviada. A compara√ß√£o entre elas levou √† decifra√ß√£o dos hier√≥glifos e ao surgimento de uma nova ci√™ncia: a Egiptologia.

    A escrita dos hier√≥glifos utiliza imagens em lugar de letras, e sua estrutura √© formada por tr√™s tipos de caracteres: os figurativos (ou determinativos), pictogramas que s√£o c√≥pia direta dos objetos que representam; os simb√≥licos, ideogramas que expressam ideias abstratas; e os fon√©ticos, 24 sinais que podiam formar palavras de duas s√≠labas (biliterais) ou tr√™s (triliterais), cuja pron√ļncia √© hoje desconhecida. Essas palavras eram acompanhadas por um sinal determinativo que atribu√≠a um sentido ao conjunto de s√≠mbolos escritos.

    O texto e os desenhos reproduzidos aqui est√£o na parede sul do quarto C da tumba da rainha Nefertari (c. 1290-1254 a.C.). As paredes foram escavadas nas rochas de calc√°rio, revestidas com reboco de gesso, e as pinturas t√™m cores vibrantes ‚Äď vermelho, amarelo, verde e azul ‚Äď, contrastando com o branco e o preto dos fundos e contornos. Cerca de 520 metros quadrados foram pintados contando a hist√≥ria da rainha.

    Neste detalhe, Nefertari, principal esposa de Rams√©s II, est√° jogando o Senet, jogo popular na √©poca. Como ela est√° sem parceiro, egipt√≥logos especulam que estaria jogando com seu pr√≥prio destino. O instrumento que a rainha tem na m√£o tamb√©m √© um hier√≥glifo e um instrumento musical, esp√©cie de chocalho, s√≠mbolo da deusa Mut, protetora da rainha. Segue em hier√≥glifos o nome do sistrum, um chocalho ritual, com o seu determinativo, uma imagem da deusa Mut e a translitera√ß√£o. O texto cont√©m dois grandes hier√≥glifos determinativos, a imagem da rainha e o jogo que ela tem √† sua frente (Senet), que informam o que a rainha est√° fazendo. Para os eg√≠pcios, o tamanho dos s√≠mbolos refletia a import√Ęncia dos personagens, sendo as figuras maiores sempre as dos ‚Äúdonos‚ÄĚ das tumbas.

    Margaret Marchiori Bakosé professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autora de O que são os hieróglifos (Brasiliense, 2009) e Fatos e mitos do antigo Egito (EDIPUC, 2009).

    A preferida de Ramsés

    O texto data da XIX Dinastia (1293-1185 a.C) e foi escrito no 24¬į ano do¬† governo de Rams√©s II (1279-1212 a.C). A tumba est√° localizada no Vale das Rainhas, em Tebas, na margem esquerda do Rio Nilo. Existem cerca de 90 tumbas escavadas nessa √°rea. Pouco se sabe dessa rainha, exceto que foi sempre a principal. M√£e do primeiro filho de Rams√©s II (que teve mais de uma centena de filhos) e de outros cinco (sendo duas meninas), entre eles Merneptah (1212-1202 a.C.), seu sucessor.

    Solução:

    ¬†‚ÄúA Os√≠ris, a Grande Esposa do Rei do Alto e do Baixo Egito, Nefertari, amada de Mut, Senhora das Duas Terras, perante Os√≠ris, Verdadeiro de Voz, o Grande Deus‚ÄĚ.

Nefertiti jogando Senet

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Ramses II e Nefertari via :wikipedia

Ramsés II

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Rams√©s II foi o terceiro fara√≥ da XIX dinastia eg√≠pcia, uma das dinastias que comp√Ķem o Imp√©rio Novo. Reinou entre aproximadamente 1279 a.C. e 1213 a.C. O seu reinado foi possivelmente o mais prestigioso da hist√≥ria eg√≠pcia tanto no aspecto econ√≥mico, administrativo, cultural e militar. Foi tamb√©m um dos mais longos reinados da hist√≥ria eg√≠pcia. Houve 11 Rams√©s no reino do Egito, mas apenas ele foi chamado de Rams√©s, o Grande.

Vida familiar

Rams√©s II era filho do fara√≥ Seti I e da rainha Tuya. A fam√≠lia de Rams√©s n√£o era de origem nobre: o seu av√ī, Rams√©s I, era um general de Horemheb, o √ļltimo rei da XVIII dinastia que o nomeou seu sucessor.

Aos dez anos Rams√©s recebeu o t√≠tulo de “filho primog√©nito do rei”, o que correspondia a ser declarado herdeiro do trono. Seu pai introduziu-o no mundo das campanhas militares quando era ainda adolescente e Rams√©s acompanhou-o contra os L√≠bios e em campanhas em Cana√£ e Sinai.

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Cairo - Uma pir√Ęmide de mais de 3.000 anos de um vizir do fara√≥ Rams√©s II foi encontrada em Luxor, no sul do Egito

Esposas e filhos

Julga-se que pelo menos dez anos antes da morte do pai, Rams√©s j√° era casado com Nefertari e Isitnefert. A primeira seria a mais importante e c√©lebre das v√°rias esposas que Rams√©s teve na sua vida, tendo sido a grande esposa real at√© sua morte, no ano 24 do reinado de Rams√©s. Nefertari, que possui o t√ļmulo mais famoso do Vale das Rainhas, deu √† luz o primeiro filho de Rams√©s, Amen√≥fis, conhecendo-se pelo menos mais tr√™s filhos e duas filhas de ambos. As pesquisas documentam seis filhos com Nefertari.

Isetnefert √© menos conhecida que Nefertari, estando sua presen√ßa melhor atestada no Baixo Egipto. Com ela, Rams√©s teve um filho que partilhava o seu nome, para al√©m dos pr√≠ncipes Khaemuaset e Mernept√° (este √ļltimo tornou-se seu sucessor devido √† morte prematura dos filhos mais velhos de Rams√©s). Khaemuaset foi sumo-sacerdote de Ptah na cidade de M√™nfis e foi respons√°vel pela organiza√ß√£o das festas Sed celebradas em honra do pai. A festa Sed celebrava-se em geral no trig√©simo anivers√°rio de reinado do fara√≥ e visava simbolicamente regenerar o seu poder; sabe-se que Rams√©s celebrou catorze festas deste tipo, a primeira no ano 30, as seguintes num intervalo de cerca de tr√™s anos e no final da sua vida celebrou v√°rias praticamente a cada ano. Khaemuaset era um amante de antiguidades e dedicou-se a mandar restaurar v√°rios edif√≠cios. Foi tamb√©m respons√°vel por mandar construir galerias subterr√Ęneas em Sakara, onde eram sepultados os bois de √Āpis.

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Ramsés foi também casado com sua irmã mais nova Henutmiré (segundo alguns autores seria sua filha em vez de irmã) e com três das suas filhas, Meritamon, Bentanat e Nebet-taui. Após a paz com os hititas, Ramsés recebeu uma filha do rei Hatusilli III como presente. Com ela casou no ano 34 do seu reinado. Seu nome hitita é desconhecido, mas sabe-se que adotou o nome egípcio de Maathorneferuré. Sete anos depois desse casamento, esposou outra princesa hitita, sobre a qual nada se sabe.

Campanhas militares

Batalha de Kadesh

Ramsés sucedeu ao pai em 1279 ou 1278. No plano internacional os hititas, que viviam no que é hoje a Turquia, surgem como rivais do império egípcio no corredor sírio-cananeu.

No ano 4 do seu reinado, Ramsés conduz uma expedição militar exploratória que alcança a Fenícia. No rio Cão, perto da moderna Beirute, manda erguer um estela, cujo texto é hoje ilegível.

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No ano seguinte inicia-se a guerra propriamente dita com os hititas. Ramsés atravessa a fronteira egípcia em Sila e um mês depois chega aos arredores da cidade de Kadesh, perto do rio Oronte, com o objectivo de expulsar os hititas do norte da Síria.

O exército egípcio estava dividido em quatro unidades, que receberam o nome de um deus da mitologia egípcia: Amon, Ré, Ptah e Set. O exército aguardou nos arredores de Kadesh, desejoso por cercar a cidade. Dois hititas que se apresentam como desertores (mas que na realidade eram espias), enganam os egípcios, afirmando que os hititas ainda estão bem longe de Kadesh. Ramsés decide então avançar com a unidade Amon que lidera, desconhecendo que os hititas estavam escondidos a leste de Kadesh. Subitamente, a unidade Amon é cercada pelos hititas.

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Segundo o relato eg√≠pcio, o “Poema de Kadesh” gravado nas paredes dos templos de Karnak, Luxor, Abidos, Abu Simbel e no Ramesseum, Rams√©s foi abandonado pelos soldados e, sozinho na sua carruagem, fica frente a frente dos hititas. O rei, desolado por ter sido abandonado, faz uma prece a Amon, lamentando-se por seu destino. Amon escuta sua prece e Rams√©s transforma-se em guerreiro todo-poderoso que enfrenta completamente sozinho os hititas.

A realidade, porém, encontra-se distante desse relato irreal ao serviço da propaganda faraónica. Julga-se que os egípcios foram obrigados a recuar, não tendo tomado Kadesh, mas os reforços chegaram a tempo de o salvar.

Esfinge de Ramsés II/Tutmósis III.

Nos próximos anos do reinado continuam os combates com os hititas na Síria Palestina. No ano 16 do reinado de Ramsés, Mursili III, filho mais novo de Muwatalli II, foi deposto pelo seu tio Hatusilli III. Após várias tentativas de recuperar o trono, Mursili foge para o Egipto. Hatusilli III exigiu a sua deportação imediata, mas como essa foi recusada por Ramsés, os hititas mantinham mais um motivo para continuar com sua hostilidade.

No ano 21 do reinado de Rams√©s, um tratado de paz procurou terminar o conflito. Esse tratado √© conhecido nas suas duas vers√Ķes, a hitita, escrita em tabuinhas de argila em cuneiforme babil√≥nio e encontrada em Boghaz-Koi e a eg√≠pcia, gravada em duas estelas em Tebas. As raz√Ķes para o tratado estariam relacionadas n√£o s√≥ com a n√£o resolu√ß√£o do conflito, mas tamb√©m com o receio que gerava a ascens√£o da Ass√≠ria. Nos termos do tratado os dois imp√©rios prometem ajudar-se em caso de agress√£o externa e dividem zonas de influ√™ncia: Cana√£ e Sinai ficam sob dom√≠nio eg√≠pcio e a S√≠ria, para os hititas.

Monumentos

Ramsés é o faraó que deixou o maior legado em termos de monumentos. O soberano apropriou-se de obras de faraós do passado (incluindo dos faraós do Império Antigo, mas sobretudo do faraó Amenófis III), que apresentou como suas, mandou concluir edifícios e lançou as suas próprias obras. Entre as obras concluídas por Ramsés II encontram-se a sala hipóstila do templo de Karnak em Tebas e o templo funerário do seu pai em Abidos.

Foi tamb√©m Rams√©s um dos respons√°veis pela destrui√ß√£o dos templos da cidade de Amarna, que eram os √ļltimos vest√≠gios da era de Aquen√°ton, fara√≥ que pretendia fazer de Aton a divindade suprema. Os blocos de pedra destas estruturas foram reutilizados na cidade de Herm√≥polis Magna, situada na margem oposta de Amarna.

Pi-Ramsés

Pi-Rams√©s ou Per-Rams√©s (“A Casa de Rams√©s”) foi a capital do Egito durante o reinado de Rams√©s e at√© ao fim da XX dinastia. N√£o foi descoberta at√© ao momento a localiza√ß√£o exata da cidade, mas sabe-se que era na regi√£o oriental do Delta.

A cidade foi erguida sobre uma aglomera√ß√£o fundada por Seti I no come√ßo do reinado de Rams√©s. Para l√° s√£o transferidos obeliscos e nela se erguem templos dedicados √†s principais divindades eg√≠pcias, como Amon, R√© e Ptah. Dois s√©culos depois as suas est√°tuas e obeliscos da cidade foram transferidas para T√Ęnis, a nova capital da XXI dinastia.

As raz√Ķes que explicam esta mudan√ßa de capital s√£o as ra√≠zes familiares do fara√≥ na regi√£o do Delta, para al√©m da sua localiza√ß√£o estar mais pr√≥xima do principal centro de interven√ß√£o militar desta √©poca, a S√≠ria-Palestina, que separava o Egito dos hititas.

Templos na N√ļbia

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Na N√ļbia Rams√©s mandou construir v√°rios templos. Dois dos mais famosos, escavados na rocha, encontram-se em Abu Simbel, perto da segunda catarata do Nilo.

O maior destes dois templos (Grande Templo ou Templo de Rams√©s) penetra sessenta metros na rocha. √Č dedicado a Rams√©s, associado a Amon-R√©, Ptah e R√©-Horakhti). Possui na entrada quatro est√°tuas de Rams√©s com mais de 20 metros de altura, que o retratam em diferentes fases da sua vida. Passada a entrada do templo encontra-se um sala hip√≥stila onde se acham oito est√°tuas de Os√≠ris. A vers√£o eg√≠pcia da Batalha de Kadesh est√° representada no templo. O segundo templo (Pequeno Templo), a norte do Grande Templo, √© dedicado a Nefertari (associada a Hathor). Na sua fachada encontram-se quatro est√°tuas de Rams√©s e duas de Nefertari.

O templo foi constru√≠do por Rams√©s II para comemorar sua vit√≥ria na batalha de Kadesh (ca. 1274 aC). √Č dedicado ao culto de Rams√©s pr√≥prios (os fara√≥s eram considerados deuses) e as divindades mais importantes do antigo Egito, Amon, R√° e Ptah. Estes tr√™s deuses tinham o seu capital e ao longo da hist√≥ria do antigo Egito foram altamente reverenciado. R√° era o chefe do Grupo dos nove de Heli√≥polis, Amon chefe da Tr√≠ade de Tebas e do grande deus Ptah de artes√£o M√™nfis. Ao lado dos tr√™s representa Rams√©s como o quarto grande deus do Egito. A constru√ß√£o do templo come√ßou em 1284 para aproximadamente. C. e durou cerca de 20 anos, at√© 1264 a. C.

Ele √© um dos seis templos constru√≠dos ou escavado na rocha, que foram constru√≠das na N√ļbia durante o longo reinado de Rams√©s II. O objetivo do templo era impressionar os vizinhos ao sul e refor√ßar a influ√™ncia da religi√£o eg√≠pcia na regi√£o. A fachada do templo √© de 33 metros de altura por 38 metros de largura e √© guardado por quatro est√°tuas sentadas, cada uma das quais √© de cerca de 20 metros de altura, esculpida diretamente na rocha. Todas as est√°tuas representam Rams√©s II, sentado em um trono com a coroa dupla do Alto e Baixo Egito. A est√°tua do lado esquerdo da entrada foi danificada por um terremoto, dividindo. Com a deslocaliza√ß√£o do templo foi discutido sobre a possibilidade de reconstruir ou n√£o, de finalmente se decidir, uma vez que estava indo embora. Voc√™ tamb√©m pode ver muitas est√°tuas menores ao p√© das quatro est√°tuas principais, representando v√°rios membros da fam√≠lia do rei, sua m√£e, sua esposa e alguns de seus descendentes.

Templo de Luxor

Templo que fica no centro de Luxor consagrado à triade de deuses tebanos РAmon, Mut e Khonsu. Ao obra foi em grande parte teminada por Amenófis III, da 18ª Dinastia, mas ganhou acréscimos no reinado de Ramsés II, da 19ª Dinastia e tambem por Alexandre o Grande a ainda no século 13 foi erguida a Mesquita de Abu al-Haggag que continua intacta.

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Templo de Karnak

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Compexo onde fica o Templo de Amon, consagrado ao rei dos deuses. Constru√≠do ao longo de 1.500 anos √© uma das maiores realiza√ß√Ķes arquitet√īnicas da humanidade, sua constru√ß√£o teve in√≠cio modestamente na 11¬™ Dinastia, mas diversos fara√≥s fizeram acr√©scimos a fim de deixar sua marca no templo mais importante do pa√≠s.

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No meio do assombroso Sal√£o Hip√≥stilo de 5.600m¬≤, cujas 134 colunas tem di√Ęmetro de 10m e atingem 24m de altura, torna-se evidente que a Bas√≠lica de S√£o Pedro (Roma) e a Catedral de S√£o Paulo (Londres) poderiam tranquilamente caber nos 40ha desse templo e sobraria espa√ßo para 8 edif√≠cios de igual tamanho.¬†

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Maior santuário religioso da Antiguidade, Karnak é ligado por uma esplanada de mais de 3km de extensão ás margens do Nilo (nos velhos tempos ladeada de esfinges) ao Templo de Luxor, seu santuário-irmão localizado mais ao sul.

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Em 2013, durante escava√ß√Ķes a leste do Grande Templo, uma equipe de arque√≥logos eg√≠cios e alem√£es descobriu uma est√°tua de Rams√©s II, no templo da deusa Bastet, com 1,95 m de altura e 1,60 m de largura, de granito vermelho. Na parte trazeira da figura, h√° hieroglifos com o nome de Rams√©s II. O templo de Bastet est√° localizado na colina de Bubastis, um dos s√≠tios arqueol√≥gicos mais antigos do pa√≠s, a cerca de 85 km a noroeste do Cairo, onde foram descobertos objetos que datam da IV dinastia (de 2630 a 2500 a.C.). Al√©m da est√°tua de Rams√©s II, os arque√≥logos encontraram a est√°tua de um alto funcion√°rio do governo eg√≠pcio do per√≠odo da dinastia XIX, com 35 cm de altura, feita de arenito.

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O interior do templo tem um layout semelhante √† maioria dos templos do antigo Egito, com salas menores com o aproximar do santu√°rio. O primeiro quarto cont√©m oito est√°tuas de Rams√©s elevados a Deus, tomando a forma de Os√≠ris. Estas est√°tuas est√£o ligados √†s colunas. Nas paredes voc√™ pode ver impress√Ķes com cenas das vit√≥rias eg√≠pcios na L√≠bia, S√≠ria e N√ļbia. O santu√°rio cont√©m tr√™s est√°tuas de deuses R√°, Ptah, Amon e Rams√©s, todos sentados. O templo foi constru√≠do em tal dire√ß√£o que os dias 21 de outubro e 21 de fevereiro (61 dias antes e 61 dias ap√≥s o solst√≠cio de inverno, respectivamente) sol penetrou no santu√°rio, localizado na parte de tr√°s do templo, e iluminar o rostos de Amon R√° e Rams√©s, deixando apenas o rosto do deus Ptah no crep√ļsculo, ele era considerado o deus das trevas. Diz-se que estas datas correspondem aos dias do anivers√°rio do rei e sua coroa√ß√£o, embora sem dados comprobat√≥rios. Ap√≥s o deslocamento do templo, verificou-se que o fen√īmeno solar ocorre uma diferen√ßa de dias a partir de Outubro original 22 e 20 de fevereiro (60 dias antes e 60 dias ap√≥s o solst√≠cio).¬†

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Devido √† constru√ß√£o da barragem de Assu√£ para criar Lago Nasser e o conseq√ľente aumento do n√≠vel do Nilo era necess√°rio realocar v√°rios templos, incluindo aqueles que estavam na beira do rio. Uma equipe internacional importante tratado de grandes blocos e remontado em um lugar seguro todo o templo, como um quebra-cabe√ßa gigante. Em 1959, ele iniciou uma campanha internacional de angaria√ß√£o de fundos para salvar os monumentos da N√ļbia, como alguns deles estavam em perigo de desaparecer sob a √°gua, como resultado da constru√ß√£o da barragem de Assu√£. Os pa√≠ses participantes foram recompensados com alguns pequenos templos da N√ļbia. O salvamento dos templos de Abu Simbel come√ßou em 1964 e custou a soma de US $ 36 milh√Ķes. Entre 1964 e 1968, os templos foram desmontados para ser reconstru√≠da em uma √°rea pr√≥xima, 65 metros de altura e cerca de 200 metros de dist√Ęncia. No entanto, este projeto, o templo continua a deteriorar-se por causa da eros√£o causada pelo vazamento das √°guas do Lago Nasser.

Templo de Nefertari

Enquanto o Grande templo de Abu Simbel √© um templo com estatu√°ria excessiva e de tamanho exorbitante, o templo de Nefertari parece ser baseado no templo funer√°rio da rainha¬†Hatshepsut¬†(1520 aC.). O templo √© muito simples e constru√≠do em dimens√Ķes bastante inferiores √†s do templo de Rams√©s.
O pequeno templo de Abu Simbel, localizado 150 metros a norte do templo maior, foi construído em honra à sua esposa preferida, Nefertari, e é dedicado à deusa do amor e da beleza, Hathor. A fachada do templo representa no total seis estátuas, de dez metros cada uma, todas com a perna esquerda mais à frente da direita em posição de marcha. Duas delas são de Nefertari (uma de cada lado da entrada) e cada uma dessas estátuas está ladeada por duas estátuas de Ramsés. A ordem dos colossos da esquerda para a direita é a seguinte:
Ramsés II com a coroa do Alto Egito e a barba postiça;
Nefertari com características da deusa Hathor, disco solar entre 2 altas plumas e cornos de vaca;
Ramsés II com a coroa branca do Alto Egito e a barba postiça;
Ramsés II com a coroa dupla da união do alto e baixo Egito e barba postiça;
Nefertari com características da deusa Hathor, disco solar entre 2 altas plumas e cornos de vaca;
Ramsés II com o nemes, a coroa atef e a barba postiça.
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Na fachada existem tamb√©m pequenas imagens das crian√ßas reais, representa√ß√Ķes dos pr√≠ncipes entre as pernas do fara√≥, e das princesas entre as pernas da rainha. A porta de acesso ao templo est√° decorada com inscri√ß√Ķes do nome do fara√≥, e representa√ß√Ķes do fara√≥ a fazer oferendas √†s deusas Hathor e √ćsis.
Quando se entra no templo encontra-se uma sala quadrada com 11 metros de comprimento e 10,8 metros de largura com seis pilares colocados em duas filas, na frente dos quais est√° representada a cabe√ßa da deusa Hathor e nos outros lados dos pilares tem figuras da casal real e de outros deuses. Sobre a cabe√ßa da deusa Hathor est√£o escritas hist√≥rias do fara√≥ ou da rainha, separadas por f√≥rmulas de adora√ß√£o √†s deusas:¬†Mut, √ćsis,¬†Satis, Hathor,¬†Anukis¬†e¬†Urethekau. Esta sala possui tr√™s portas que levam a uma c√Ęmara transversal estreita e esta, por sua vez, tem liga√ß√£o com duas c√Ęmaras laterais inacabadas e com o santu√°rio.
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O Templo de Luxor , junto às margens do Nilo, foi iniciado por Amenofis II., engrandecido por Tutmosis III e terminado por Ramsés II. durante o período de maior riqueza e poder do Egipto Antigo. Por isso são inumeráveis as colunas, estátuas, pátios, mesquitas, santuários, etc., que aí ainda se podem admirar hoje.
As c√Ęmaras laterais n√£o t√™m decora√ß√£o, pensando-se que deveriam servir como armaz√©m de objectos utilizados em cerim√īnias religiosas.O santu√°rio tem uma est√°tua da deusa Hathor saliente da rocha entre dois pilares de Os√≠ris e nas paredes est√£o representadas cenas de¬†oferendas.

Abu Simbel permaneceu soterrada pelas areias do deserto até 1812, ano em que foi descoberta por Jean-Louis Burckhardt. A construção da grande barragem de Assuão alterou o nível das águas do Nilo, razão pela qual os templos foram desmontados, cortados em 1036 blocos e montados num local mais alto entre os anos de 1964 e 1968, numa campanha internacional promovida pela UNESCO.

Em Uadi es-Sebua Rams√©s mandou construir um novo templo dedicado a R√© e a si pr√≥prio. Na direc√ß√£o dos trabalhos esteve Setau, vice-rei da N√ļbia, que recrutou homens das tribos locais para a constru√ß√£o. No mesmo local Rams√©s ordenou a reconstru√ß√£o de um templo erguido por Amen√≥fis III que fora danificado durante a era de Amarna.

Ramesseum

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O templo funer√°rio de Rams√©s √© conhecido como o Ramesseum. Situado na margem ocidental de Tebas estava dedicado ao deus Amon e ao pr√≥prio fara√≥, encontrando-se hoje num estado bastante deteriorado. O templo era famoso pela est√°tua colossal de Rams√©s em posi√ß√£o sentada (da qual apenas restam fragmentos). Nas paredes do templo foram representados eventos como a Batalha de Kadesh e a celebra√ß√£o da festa do deus Min, assim como uma prociss√£o dos numerosos filhos do fara√≥. No local foi descoberto um papiro que continha a obra liter√°ria “Conto do Campon√™s Eloquente” e textos de car√°cter m√©dico.

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Morte

Ramsés faleceu no ano 67 do seu reinado, quando já teria mais de noventa anos. O Egipto conseguiu continuar a exercer controle sobre Canaã e Sinai até a parte final da XX dinastia.

O t√ļmulo de Rams√©s foi constru√≠do no Vale dos Reis (KV7), necr√≥pole de elei√ß√£o dos fara√≥s do Imp√©rio Novo, tendo sido preparado pelo seu vizir do sul, Pasar. Embora seja maior que o t√ļmulo do seu pai, o t√ļmulo n√£o √© t√£o ricamente decorado e encontra-se hoje danificado. Do seu esp√≥lio funer√°rio restam poucos objectos, que est√£o espalhados por v√°rios museus do mundo.

A m√ļmia do fara√≥ foi encontrada num t√ļmulo colectivo de Deir el-Bahari no ano de 1881. Em 1885 a m√ļmia foi colocada no Museu Eg√≠pcio do Cairo onde permanece at√© hoje. Em 1976 a m√ļmia de Rams√©s realizou uma viagem at√© Paris onde fez parte de uma exposi√ß√£o dedicada ao fara√≥ e onde foi sujeita a an√°lises com raios X. Na capital francesa uma equipe composta por cento e dez cientistas foi respons√°vel por tentar descobrir as raz√Ķes pelas quais a m√ļmia se degradava progressivamente. Os cientistas atribu√≠ram esta degrada√ß√£o √† ac√ß√£o de um cogumelo, o Daedela Biennis, que foi destru√≠do com uma irradia√ß√£o de gama de cobalto 60. As an√°lises revelaram que Rams√©s sofria de doen√ßa dent√°ria e √≥ssea.

Curiosidades

Em 1976, a m√ļmia do Fara√≥ Rams√©s precisou ser levada a Paris, onde foi tratada contra uma infesta√ß√£o de fungos. Nessa ocasi√£o, foi providenciado um passaporte para a m√ļmia em que constava sua ocupa√ß√£o: “Rei falecido”. Chegando √† Fran√ßa, ao desembarcar no aeroporto de Le Bourget, em Paris, a m√ļmia de Rams√©s foi pomposamente saudada com honras militares destinadas a monarcas e chefes de estado.

Titulatura

Como se fazia no Antigo Egito, Rams√©s tinha um s√©rie de nomes que compunham a sua titulatura. Rams√©s √© o seu nome de nascimento e significa “nascido de R√°” ou “filho de R√°”. O seu prenome, isto √©, o nome que este assumiu quando se tornou fara√≥ foi Usermaet-r√° Setepenr√°, o que √© traduzido como “Poderosa √© a justi√ßa de R√° – Escolhido por R√°”. via via

O vale dos reis era a necr√≥pole dos fara√≥s do Imp√©rio Novo. A partir de Tutmosis I (1500 a.C) os fara√≥s passaram a escavar os t√ļmulos profundamente nas montanhas de Tebas, na esperan√ßa de impedir que ladr√Ķes roubassem seus inestim√°veis pertences que eram enterrados junto com eles. Os corredores e c√Ęmaras mortu√°rios s√£o magnificamente ornamentados e decorados com pinturas rituais e relatos simb√≥licos da jornada para a vida ap√≥s a morte.

Entre as muitas tumbas reais escavadas no vale dos Reis,somente a de Tutankamon foi encontrada intacta. Ao visitante resta especular, com tristeza, a respeito de tudo o que deve ter desaparecido com as pilhagens dos t√ļmulos dos fara√≥s mais poderosos, como Rams√©s II, mas as imagens incrustada nas paredes dos t√ļmulos vale a visita, s√£o realmente impressionantes.

A tumba de sete c√Ęmaras de Nefertari, mulher de Rams√©s fica no vale das Rainhas e √© tida por historiadores da arte como uma das mais requintadas‚Äď uma v√≠vida e delicadamente trabalhada prova do amor do fara√≥ √† sua esposa favorita entre as 40 que possu√≠a. Infelizmente quando estive no Egito esta n√£o estava aberta a visita√ß√£o.

Via: wikipedia

Rainha Hatshepsut

 

Hatchepsut ou Hatshepsut foi uma grande esposa real, regente e fara√≥ do Antigo Egito. Viveu no come√ßo do s√©culo XV a.C, pertencendo √† XVIII Dinastia do Imp√©rio Novo. O seu reinado, de cerca de vinte e dois anos, corresponde a uma era de prosperidade econ√īmica e relativo clima de paz.

Origens familiares

Hatshepsut nasceu em Tebas. Era a filha mais velha do rei Tutmés I (Tutmósis I) e da rainha Amósis.Quando o seu pai morreu Hatshepsut teria cerca de quatorze anos (para alguns egiptólogos teria dezenove anos). Casou com seu meio-irmão, Tutmés II, seguindo um costume que existia no Antigo Egito que consistia em membros da família real casarem entre si. Após a morte de Tutmés II, cujo reinado é pouco conhecido, o enteado de Hatshepsut, Tutmés III, era ainda uma criança que não estava apta a governar. Por esta razão Hatchepsut, na qualidade de grande esposa real do rei Tutmés II, assumiu o poder como regente na menoridade de Tutmés III. Mais tarde, Hatshepsut decidiu assumir a dignidade de faraó e governar em seu direito. No Egito era muito raro ter uma faraó mulher.

Hatshepsut

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Conforme v√™-se em Maru√©jol (2007), Hatshepsut tomava as decis√Ķes por Tutm√©s III, mas o pequeno fara√≥ era respons√°vel pela realiza√ß√£o dos cultos as divindades. No s√©timo ano do reinado de seu meio-irm√£o, Hatshepsut adota o nome Maatkare e considera-se soberana do Egito, adotando os atributos e fara√īnicos como t√≠tulos, nomes, cetros, barba posti√ßa, tanga curta e cauda de touro, al√©m de unificar as duas coroas. Segundo Mokhtar (2010:57), Hatshepsut ‚Äúdeclarou publicamente ser filha do deus nacional Amon-R√°, que se apresentara √† sua m√£e como Tutm√©s I.‚ÄĚ Nos templos de Deir el-Bahari e de Amon-R√° ela consolidou seu poder real atrav√©s de sua paternidade espiritual diante das pessoas mais importantes do Egito, pois Amon-R√° lhe teria confiado o Egito pelo consentimento dos deuses, assim como seu pai carnal lhe teria escolhido herdeira do trono. Hatshepsut passa a governar o Egito, deixando de ser regente para transformar-se em fara√≥. Contudo, ela n√£o substituiu Tutm√©s III, havendo na √©poca algo in√©dito: o poder nas m√£os de dois reis.

Muitos escritores atuais a chamam de usurpadora por causa da tomada do poder. Porém, ao contrário do que se pensa, Hatshepsut não excluiu o rei da história, e em quase todas as imagens produzidas em monumentos o mesmo aparece junto com ela. O calendário egípcio, não obstante, atualizado desde a ascensão de Tutmés III (no antigo Egito iniciava-se a contagem do calendário a partir do zero a cada novo reinado), não foi anulado, prosseguindo a contagem com o reinado dos dois faraós conjuntamente. Maruéjol (2007) acredita que ela estivesse preparando o futuro rei para assumir o trono sozinho no futuro. Não se pode descartar, no entanto, o fato de que após sua morte, Tutmés III procurou apagar seu nome da história, possivelmente por vingança.

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Colunata do Nascimento e est√°tuas de Hatshepsut

‚ÄúA Tutm√≥sis II (1492-1497), cujo reinado deixou poucos vest√≠gios, sucedeu o seu jovem filho, de uma das esposas secund√°rias, Tutm√≥sis III (1479-1425), tendo Hatshepsut, vi√ļva de Tutm√≥sis II, tido, a princ√≠pio, o cargo de regente. Durante os primeiros 20 anos do reinado de Tutm√≥sis III a atividade militar foi m√≠nima e o Egito parece ter perdido bastante terreno na √Āsia. No s√©timo ano de reinado de Tutm√≥sis III, Hatshepsut proclamou-se <> feminino (na ideologia eg√≠pcia n√£o havia lugar para uma rainha reinante) e governou como parceiro e personalidade dominante at√© sua morte, por volta do ano 22, numa co-reg√™ncia com o sobrinho. √Č evidente que Tutm√≥sis III concordou, de certo modo, com tal situa√ß√£o, j√° que durante a maior parte do tempo tinha idade para organizar uma resist√™ncia contra a sua tia, se assim o desejasse.‚ÄĚ (BAINES E M√ĀLEK, 1996:43)

√Č interessante observar a √ļltima afirma√ß√£o de Baines e M√°lek (1996), pois Tutm√©s III poderia realizar uma revolta contra sua tia, mas n√£o o faz. E fica claro o poder da interfer√™ncia da religi√£o no poder pol√≠tico pela ascens√£o de Hatshepsut. Ela teve o apoio dos sacerdotes de Amon, divindade mais importante da √©poca, e proclamou-se fara√≥ conforme a vontade do mesmo para governar num processo chamado teogamia, ou seja, processo em que o deus Amon tem uma rela√ß√£o com outra rainha (portanto, humana) para gerar um novo fara√≥. No caso, ele encontrou-se, na forma de Thutm√©s I, com Ahm√©s, que teria acordado com seu aroma e concebido Hatshepsut. Amon teria consultado doze divindades para decidir sobre a gera√ß√£o desse novo fara√≥. Cenas de tal cria√ß√£o podem ser vistas em seu templo funer√°rio em Deir el-Bahari. O clero de Amon √© o autor desse mito, e ela foi a primeira a utilizar- da teogamia para legitimar seu poder como fara√≥. N√£o era comum no Egito um fara√≥ virar divindade antes de sua morte, pois quando o mesmo falecia entreva para o mundo dos mortos, governado pelo deus Os√≠ris para, ent√£o, entrar para o conjunto de deuses eg√≠pcios a ser cultuado.

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A princ√≠pio, os sacerdotes n√£o estavam de acordo com a proclama√ß√£o de Hatshepsut como fara√≥, mas logo aceitaram a ideia. Provavelmente, o teriam feito pelo temor ao deus Amon e devido √†s riquezas que recebiam da coroa. A rainha realizava muitas doa√ß√Ķes ao clero, o que alimentava suas mordomias. Al√©m disso, eles acreditavam que as decis√Ķes de dela satisfaziam ao deus venerado e, caso n√£o fossem cumpridas, ele jogaria pragas no Egito e acabaria com as colheitas. O per√≠odo de prosperidade e tranquilidade da √©poca fortaleceu o pensamento de que a rainha decidia corretamente.

√Č interessante observar que, diferentemente como ocorria em outras civiliza√ß√Ķes, as mulheres no Egito tinham direitos e autonomia na sociedade, podendo ter posses e participar de tribunais . De acordo com Amodio (2006), nas sociedades ocidentais, as mulheres eram imputadas em um √Ęmbito privado, ao contr√°rio dos homens, que incumbiam-se da vida p√ļblica. A casa e os filhos era o mundo fechado delas, enquanto que seus maridos trabalhavam para levar o sustento √† fam√≠lia, o que incita a considerar que os homens detinham uma condi√ß√£o de poder. Durante a hist√≥ria, a mulher carregava a maldi√ß√£o do mito de Eva, considerada socialmente inferior social e intelectualmente, dependendo a prote√ß√£o masculina.

Inscri√ß√Ķes onde se veem refer√™ncia a Hatshepsut

Para Lopes (2009), em determinados per√≠odos a mulher podia ser equiparada com os homens, podendo ser, juridicamente, considerada detentora de iguais direitos, prerrogativas e responsabilidade dos homens. Poderiam possuir terras, serem herdeiras, redigir testamentos, participar de transa√ß√Ķes comerciais; n√£o perdiam seus direitos ap√≥s o casamento e nem mesmo em casos de div√≥rcio; cumpriam seu papel em tribunais como acusadoras, defensoras ou testemunhas, e poderiam ser penalizadas.

Lopes (2009) tamb√©m lembra que elas normalmente apareciam na hist√≥ria desfrutando-se de prest√≠gio social pelo t√≠tulo de mulher casada. Muito casais com seus filhos eram representados testemunhando a import√Ęncia da mulher e da estrutura familiar. N√£o obstante possu√≠rem uma vida pol√≠tica e religiosa (como sacerdotisas), cada uma poderia ter a sua profiss√£o, registradas at√© em escritos antigos. Neferica-R√°, da 5¬™ dinastia durante o reinado de Sahur√°, e Peseshet, durante o reinado de Amenhotep III, da 18¬™ dinastia, s√£o dois exemplos do espa√ßo conquistado pela mulher na sociedade eg√≠pcia. Podiam exercer tamb√©m cargos de chefia, e as que viviam na realeza desfrutavam de maior prest√≠gio social. Eram conhecidas como adoradoras ou cantoras de Amon, esposas reais, m√£es do fara√≥-deus.

‚ÄúNo Egito, as inscri√ß√Ķes e monumentos em geral levam a crer que as mulheres gozavam de grande considera√ß√£o. As esp√īsas [sic] dos fara√≥s partilhavam, ao que tudo indica, de sua autoridade, e √™sses [sic] soberanos, a fim de manter todo o prest√≠gio dentro da fam√≠lia, desposavam freq√ľentemente as pr√≥prias irm√£s. √ässe [sic] costume perpetuou-se na grega dos Ptolomeus, sendo geralmente conhecido que a famosa Cle√≥patra teve por marido um irm√£o. V√°rias inscri√ß√Ķes, por outro lado, recomendavam aos maridos que tratassem bem as esposas‚ÄĚ [sic]. (LOBO, 1979:61)

Sabe-se por Gonz√°lez (2010) que durante a 2¬™ dinastia, no 15¬ļ ano de reinado de Nineter, foi decidido que as mulheres poderiam reinar no trono do Egito. Merneit, que viveu na dinastia anterior a Nineter, tamb√©m havia determinado essa liberdade anteriormente.

O per√≠odo de paz e riquezas no Egito enquanto Hatshepsut reina √© atestado pelas obras do templo de Amon em Carnac e pelo templo funer√°rio em Tebas. Segundo Gonz√°lez (2010) e Costa (2011) , ela dedicou-se √† administra√ß√£o interna do pa√≠s e nas constru√ß√Ķes de grandes obras. Baines e M√°lek (1996) trabalham com a hip√≥tese de que sua filha estivesse sendo preparada para a co-reg√™ncia no futuro juntamente com Tutm√©s III. Senenmut, um plebeu camareiro e professor de sua filha, torna-se uma das pessoas mais importantes da plebe. Segundo Baines e M√°lek (1996:43), ‚Äúforam recuperadas, em escava√ß√Ķes na zona de Tebas, cerca de 20 est√°tuas de Senenmut, tendo este o privil√©gio √ļnico de ser retratado nos relevos do templo de Deir el-Bahari.‚ÄĚ (grifo nosso) A menina, no entanto, falece pouco tempo ap√≥s a posse do futuro fara√≥.

A arte teve grande repercuss√£o e, para a gl√≥ria de √āmon-R√°, foram erguidos dois obeliscos no templo de Karnak, al√©m de ter realizado uma expedi√ß√£o para Punt. Gonz√°lez (2010) acredita que antes dela nenhum outro rei tenha utilizado tanto a escultura quanto Hatshepsut usou em templo. A expedi√ß√£o ordenada por ela, retratada em Deir el-Bahari durante o nono ano de reinado, teve uma dura√ß√£o de aproximadamente tr√™s anos. A expedi√ß√£o tinha por finalidade comercializar atrav√©s do Mar Vermelho com o pa√≠s Punt, conhecido desde o Imp√©rio Antigo como terra de ouro .

Hatshepsut √© considerada uma das pessoas mais importantes que governou o antigo Egito, tendo uma influ√™ncia que ultrapassou os limites nacionais, mesmo que, posteriormente, seu sucessor tenha desprendido a√ß√Ķes para apagar seu nome da lista de fara√≥s. Faleceu em 1473 a.C., e foi a quinta governanta eg√≠pcia de sua dinastia. Seu corpo est√° sepultado no Vale das Rainhas e seus monumentos foram derrubados ap√≥s sua morte . Segundo Vasques (2005), ap√≥s o Imp√©rio Novo, H√°thor continuou a ser cultuado, assim como outras divindades relacionadas √† cura, como Imhotep e Amenhotep.

Tutm√©s III, quando sobe ao trono como sucessor, procura retirar Hatshepsut da hist√≥ria do Egito como vingan√ßa do acontecimento em sua inf√Ęncia. Mokhtar (2010) relata a hist√≥ria contada pelo pr√≥prio fara√≥ quando, aos trinta anos de idade, descobriu sua voca√ß√£o para o reinado. O fara√≥ diz que durante uma participa√ß√£o como sacerdote em uma cerim√īnia em Karnak juntamente com seu pai, o oficiante, a est√°tua de Amon lhe escolheu como rei do Egito atrav√©s de um or√°culo.

Tutm√©s III √© considerado um dos fara√≥s guerreiro mais importante do antigo Egito. Vale lembrar que ele descende de uma linhagem de guerreiros, visto que h√° um s√©culo e meio aproximadamente os mesmos haviam expulsado ancestrais do pr√≥prio pr√≠ncipe de Kadesh, desencadeando a luta entre Egito e S√≠ria . Uma de suas primeiras campanhas foi contra Megido. Conforme Mokhtar (2010) v√°rias cidades-Estado das regi√Ķes da S√≠ria, Palestina e L√≠bia haviam feito uma forma de alian√ßa e reuniram-se em Megido para tomar o Egito. O pr√≠ncipe de Kadesh, apoiado por outros 150 pr√≠ncipes come√ßa a planejar uma invas√£o ao Egito.

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Pilares da Capela de Hathor.

O rei, no entanto, ap√≥s destruir a mem√≥ria de sua meio-irm√£, reuniu seus soldados juntamente com muitos recrutados do norte e com n√ļbios do sul e surpreendeu os inimigos antes que os mesmos atacassem . Andr√© (2011) especifica que Megido e Kadesh, duas cidades canan√©ias, n√£o aceitaram o levante de Tutm√©s III, havendo possibilidade de esta segunda na√ß√£o ter recebido influ√™ncia do governo de Mittani, tamb√©m rival do fara√≥. Mokhtar (2010) especifica que Megido foi vencido, os opositores obrigados a refugiarem-se nos muros da cidade e a regi√£o meridional da L√≠bia foi dominada pelo Egito. Na verdade o Egito n√£o aproveitou a oportunidade de invadir a cidade com os inimigos j√° vencidos, mas contentou-se em saquear t√£o somente os soldados inimigos ca√≠dos. Ap√≥s sete meses ao redor de Megido, a cidade rende-se aos eg√≠pcios (calcula-se que tenha sido em, aproximadamente, dezembro de 1458).

Al√©m dessas, Baines e M√°lek (1996) apontam que Tutm√©s III realizou v√°rias outras campanhas pelo Pr√≥ximo Oriente para tomar novamente terras palestinas que o Egito perdeu. Durante 20 anos o rei procura conquistar a S√≠ria, sem sucesso pela resist√™ncia dos mitanni. No Eufrates, Tutm√©s III desiste dessa luta. Nos fim de seu reinado, o fara√≥ tamb√©m realizou campanhas na N√ļbia, estabelecendo a sua capital em Napata, perto da 4¬™ Catarata.

Hatchepsut como faraó

No Antigo Egito os anos eram contados a partir da ascensão de uma novo soberano ao poder. Hatchepsut não seguiu esta tradição, tendo preferido inserir-se nos anos de Tutmés III.

No ano 7, Hatchepsut deixa de ser rainha, assumido os cinco nomes que estavam reservados aos faraós. Para legitimar a sua posição, Hatchepsut, junto com os membros do clero de Amon, recorreu a um relato que fazia de si filha do deus Amon-Rá (teogamia). Nas paredes do templo funerário de Hatchepsut, em Deir el-Bahari, está representado o episódio que relata a concepção e nascimento da rainha-faraó.

A mãe de Hatchepsut, Ahmose, encontra-se no palácio real. O deus Amon-Ra observa-a e, depois de consultar um conselho composto por doze divindades, decide que chegou a altura de gerar um novo faraó. O deus toma a aparência do rei Tutmés I, encontrando-a no quarto adormecida. A rainha acorda ao sentir o perfume que emana do corpo do esposo e o Deus Amon-Rá se mostra em toda sua plenitude, Ahmose, cai aos prantos em emoção pela grandiosidade do Deus. O casal une-se sexualmente e depois Amon-Rá informa que a filha que nascerá da união dos dois, governará o Egito em todas as esferas de poder do palácio.

Apesar de n√£o concordarem, os sacerdotes foram obrigados a legitimar a hist√≥ria, pois viviam bem e com muitas mordomias, principalmente por causa das doa√ß√Ķes que a rainha fazia a eles. Acreditaram que se o Deus Amon n√£o ficasse satisfeito com as decis√Ķes da rainha, o Egito sofreria com pragas e colheitas ruins, e ent√£o eles poderiam agir. Mas parece que Amon-R√° estava de acordo com as id√©ias de Hatshepsut, pois ela governou em um per√≠odo de muita prosperidade e tranquilidade.

Após sua morte, aos 37 anos e com 22 anos de reinado, Tutmés III subiu ao trono do Egito. Hatchepsut foi enterrada na tumba KV20.

Acção governativa de Hatchepsut

O governo de Hatchepsut √© habitualmente apresentado como correspondendo a uma era de paz, mas esta imagem tem sido relativizada por alguns investigadores. Pelo menos duas campanhas militares foram conduzidas durante o seu reinado, uma das quais √† N√ļbia, a qual talvez tenha sido liderada pela pr√≥pria Hatchepsut.

Hatchepsut conservou alguns servidores do tempo do seu pai Tutmés I. Dois homens ficaram conhecidos como os ministros mais importantes da rainha: Hapuseneb e Senemut. O primeiro era o sumo sacerdote de Amon, tendo dirigido os vários trabalhos de construção ordenados por Hatchepsut, em particular os que tiveram lugar na cidade de Tebas.

Senemut, um oficial do ex√©rcito de origem modesta, √© por vezes visto como companheiro de Hatchepsut, que n√£o casou enquanto foi fara√≥. Foi chefe do conselho da rainha e preceptor da filha de Hatchepsut, a princesa Neferur√©, com a qual surge representado em v√°rias “est√°tuas-cubo” (est√°tuas nas quais apenas a cabe√ßa emerge de um bloco de pedra).

Nos baixos-relevos do templo de Deir e-Bahari ficou representada a expedição à região do Punt. Esta terra, que se julga corresponder à algures na costa da Somália, era conhecida pelas suas riquezas, como a mirra, o incenso, o ébano, o marfim e os animais exóticos. A expedição parece ter sido pacífica, tendo os egípcios trocado os bens que desejavam por armas e jóias.

Nas paredes do templo √© poss√≠vel ver as cenas que mostram cinco barcos a partir para o Punt seguindo a rota do Mar Vermelho. S√£o calorosamente recebidos pelo rei local, Pa-Rahu, e a sua esposa, Ity, representada como uma senhora obesa. Depois de um banquete, os barcos foram carregados com os produtos. As representa√ß√Ķes mostram √°rvores de incenso, que teriam sido plantadas no recinto do templo de Deir e-Bahari.

Hatchepsut na arte

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No Templo de Hatchepsut (Deir-el-Bahari), existem retratos do seu dia-a-dia mostrando a rainha como uma figura obesa, algo n√£o convencional para a arte eg√≠pcia. Alguns estudiosos acreditam que a rainha foi realmente obesa, outros acreditam que seja uma figura√ß√£o de “matriarcal”. Ainda existem representa√ß√Ķes de Hatchepsut como uma mulher sem seios e barbada. Alguns historiadores acreditam que estas representa√ß√Ķes de Hatchepsut s√£o representa√ß√Ķes feitas por ordem da rainha para ausentar sua figura de fragilidade (aus√™ncia dos seios) e a barba para representar o poder. Tinha h√°bito de misturar pe√ßas masculinas ao seu vestu√°rio para demonstrar autoridade. Hatchepsut foi substitu√≠da por Tutm√©s III, que durante seu reinado apagou diversos tra√ßos de sua co-regente como bustos, afrescos e interrompeu algumas de suas obras quando assumiu o poder.

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A descoberta de Hatchepsut

Tendo em conta que o nome de Hatchepsut foi suprimido das principais listas de reis do Antigo Egipto, desconheceu-se durante muito tempo a exist√™ncia de Hatchepsut. Em meados do s√©culo XIX, quando a Egiptologia se estruturou como campo do saber, iniciou-se a redescoberta da rainha-fara√≥. Em 1922-1923 o egipt√≥logo Herbert Winlock, que realizava escava√ß√Ķes em Deir el-Bahari na √°rea pertencente ao rei Mentuhotep II, encontraria uma s√©rie de est√°tuas de Hatchepsut. Uma parte destas est√°tuas est√£o hoje no Museu Eg√≠pcio do Cairo e no Metropolitan Museum of Art. Recentemente a m√ļmia de Hatchepsut foi localizada atrav√©s de uma pesquisa que contava com testes de DNA, tomografia computadorizada, entre outras 2 m√ļmias, e um grande mist√©rio que envolvia sua morte. Atrav√©s de um dente molar, encontrado em uma caixa mortu√°ria de madeira e com seu nome entalhado, que tamb√©m continha seu f√≠gado mumificado, foi poss√≠vel afirmar que uma das m√ļmias em quest√£o era a de Hatchepsut. Cientistas descobriram tamb√©m que sua morte foi devido a uma infec√ß√£o na gengiva…

O Templo de Milh√Ķes de Anos – Deir-el-Bahari

 

Ao oitavo ano do reinado de Hatchepsut, a grande obra do templo de Milh√Ķes de Anos √© iniciada na margem ocidental de Tebas. O lugar escolhido: – a encosta de uma fal√©sia, onde hoje encontramos os Vale dos Reis e das Rainhas. O templo foi criado para prestar homenagem ao seu Ka, associado ao seu pai Tutm√≥sis I, sendo resid√™ncia tamb√©m de Amon e Hathor.

Também foram construídos, por ordem da Faraó, obeliscos que foram transportados de Assuã até Karnak. Os monumentos com mais de 300 toneladas foram trabalhados nas pedreiras de granito de Assuã. Ao que consta, foram utilizados 7 meses para construir, transportar e erguer os obeliscos, e a presença desses monumentos dissipavam as forças negativas e protegiam o templo, atraindo assim a luz criadora.

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Apagada da História

Depois de sua morte Tutm√©s III subiu ao trono, apagando seu nome do seu templo e substituindo por seu nome, de seu pai ou de seu av√ī.Existem teorias que dizem que Tutm√©s III matou ou ordenou matar Hatchepsut, porem essa teoria n√£o √© muito bem aceita.

 

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