Lêmures são agora a espécie de primata mais ameaçada do planeta

A ignorância humana é aparentemente múltipla e infinita, mas uma das maneiras mais eficazes de medi-la é através das consequências das ações humanas sobre o planeta – em especial sobre outros animais com os quais dividimos a Terra. De acordo com a organização União Internacional pela Conservação da Natureza, o mais ameaçado primata do planeta hoje é o lêmure, aproximando-se da extinção por conta exclusiva da ação humana.

Nativos de Madagascar, o único lugar do mundo onde os lêmures existem na natureza, cerca de 94% das 111 espécies e subespécies do animal correm sério risco de extinção atualmente. Dos grupos do animal que ainda existem, somente seis não correm sério risco de extinção, e o eventual desaparecimento do animal pode significar ameaças severas à biodiversidade de Madagascar como um todo. Para além da caça, que vende a carne do animal como iguaria, a maior ameaça aos lêmures é a perda de seu habitat natural, por efeito da ação humana.

O corte ilegal de madeira, produções agrícolas destrutivas, mineração, produção de carvão e outras atividades vem determinando o processo de extinção do simpático animal. A situação é grave mas, segundo especialistas, ainda é possível contorna-la. Organizações como a IUCN, a Primate Specialist Group e a Global Wildlife Conservation vêm trabalhando arduamente para conscientizar o mundo desta e de tantas outras ameaças – e divulgar a questão ou colaborar com tais grupos já é um primeiro passo para salvar os lêmures, e tantos outros animais.

© fotos: reprodução/fonte:via

Após quase serem extintas, ariranhas reaparecem nos rios da Amazônia

Os esforços para proteger espécies ameaçadas de extinção ganharam a atenção do noticiário no fim do século XX, e, apesar de muitas delas terem sucumbido frente à ganância humana, há exemplos que nos ajudam a manter a fé em dias melhores na nossa relação com a natureza.

É o caso de um estudo recente que indica que as ariranhas, que chegaram as ser consideradas localmente extintas nos rios da Bacia Amazônica, estão voltando a habitar a região, após terem sua população quase que dizimada pela caça.

O estudo, liderado pela bióloga Natália Pimenta, nasceu graças à observação de índios baniwa, que há alguns anos têm observado o retorno das ñeewi, palavra que usam para se referir às ariranhas. Inicialmente, os índios, que vivem na Bacia do Içana, começaram a encontrar carcaças de peixes com marcas de mordidas de um bicho que eles não eram capazes de reconhecer. Com o passar do tempo, os sinais aumentaram, e muitos moradores chegaram a ver as ariranhas na região.

O animal não era registrado por lá desde os anos 1940, quando caçadores se espalhavam pela Amazônia para matar animais e vender suas peles. Alguns estudos indicam que mais de 23 milhões de animais, de diferentes espécies, foram mortos entre 1904 e 1969.

De acordo com Natália Pimenta em entrevista à BBC Brasil, as ariranhas eram encontradas em toda a América do Sul, da Venezuela ao sul da Argentina, mas a caça fez com que os animais ficassem restritos a poucas áreas, como o Pantanal e alguns rios amazônicos. Elas têm reaparecido também na Bolívia, na Colômbia e nas Guianas.

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Em defesa dos animais ‘feios’: por que você deveria se engajar nesta causa

Ninguém quer deixar os golfinhos ou os pandas entrarem em extinção.

Eles são lindos, fofos e a humanidade ficaria mais triste sem esses animais.

Mas quem aí levanta a bandeira para proteger o peixe-bolha (foto abaixo) e outros bichos de beleza duvidosa?

A ONG Ugly Animals Preservation Society cumpre justamente esse papel.

A organização foi criada pelo comediante Simon Watt e faz piadas sobre um assunto sério. Graças a ele, a preservação dos animais é abordada de maneira divertida e fica bem longe daquele velho estereótipo de “ecochato”.

Simon realiza turnês pela Europa onde apresenta um show com foco na preservação de espécies “feias”. Estes espetáculos são compostos de seis atos com duração de 10 minutos, cada um comandado por um comediante, que defende um animal feio diferente.

Ao final dos espetáculos, o público é convidado a eleger seu próprio mascote desprovido de beleza.

A ONG usa o lema “Não podemos ser todos pandas” para alertar que há muitos animais que sofrem com o perigo de extinção, mas são negligenciados por campanhas convencionais.

Além do tenebroso peixe-bolha, considerado o animal mais feio do mundo (embora a história não seja bem assim), vários outros mascotes já foram defendidos pela instituição, incluindo o dugongo, o rato-toupeira-pelado e a horrenda rã-do-titicaca.

Nos últimos 10 anos, a população de botos da Amazônia diminuiu pela metade

Duas espécies de botos habitam a bacia amazônica: o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) – aquele que “espalha filhos” pelo Brasil; e o boto-preto (Sotalia fluviatilis), ou tucuxi. As lendas em torno destes animais são muitas, mas elas podem ser tudo que resta sobre eles em alguns anos.

O alarme foi dado pelo  Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Segundo o instituto, a população do boto-cor-de-rosa teria caído pela metado nos últimos 10 anos. A situação do boto-preto é ainda pior: a mesma queda ocorreu em apenas nove anos. Graças a isso, as espécies são consideradas quase em extinção.

Um estudo que analisa a queda populacional dos cetáceos nos últimos 22 anos foi publicado no início de maio na revista científica PLOS ONE. Foram analisadas as contagens mensais de botos realizadas pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, entre 1994 e 2017.

De acordo com a revista Superinteressante, um dos responsáveis por esse fenômeno pode ser o peixinho no seu prato. Isso acontece porque a carne de boto-cor-de-rosa é usada há anos como isca na Amazônia. Segundo a Radioagência Nacional, cerca de dois mil botos são mortos anualmente para servir de isca para pesca da piracatinga que, embora proibida, continua ocorrendo.

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Vítimas das pesca com redes, restam somente 12 golfinhos ‘vaquita’ vivos no planeta

A extinção completa de espécies pode nos parecer um evento restrito a uma antiguidade distante, mas a verdade é que tal processo está ocorrendo com diversos animais enquanto este texto está sendo lido. Uma das espécies mais ameaçadas do mundo é o simpático golfinho “Vaquita”, conhecido como o “panda dos mares” por sua coloração escura ao redor dos olhos. Indícios apontam que restam somente 12 exemplares do Vaquita vivos, na natureza – e de que a extinção completa da espécie pode acontecer ainda esse ano.

O Vaquita é um golfinho pequeno, que vive na parte norte do Golfo da Califórnia, gosta de águas quentes e vive de modo geral uma vida solitária. Essa opção, no entanto, vem se tornando uma condição diante da diminuição radical da espécie ao longo dos últimos anos: em 1997 havia contabilizados cerca de 600 golfinhos da espécie; no ano passado, o número chegou a 30, caindo para 12 em 2018 – e assim compreende-se o temor de que os Vaquitas simplesmente deixem de existir.

Exemplos de Vaquitas presos em redes de pescadores

A principal ameaça a espécie não é diretamente a sua caça, mas certos métodos de pesca tanto na Califórnia quanto no México, principalmente o uso de redes de emalhar – que costumam prender o pequeno golfinho. Ainda que o uso dessa rede seja proibido no México, assim como a própria pesca do peixe Totoaba (principal “alvo” dos pescadores e suas redes), o lucro sugerido pela venda do Totoaba no mercado ilegal faz com que a prática siga acontecendo no Golfo – e assim vão desaparecendo os últimos Vaquitas.

Além das legislações e da tentativa de se educar pescadores e a própria população, algumas medidas vem sendo estudadas para se tentar evitar o desaparecimento dos “pandas dos mares”. Grupos de atuação já sugerem a captura dos últimos Vaquitas para tentar a reprodução em cativeiro, mas o alto nível de estresse para os animais durante o processo pode ser também uma ameaça aos poucos exemplares que restam. Enquanto isso, a monitoração no Golfo continua, como continua a ganância que pode fazer desaparecer uma espécie animal diante de nossos olhos.

Abaixo, um curto documentário em inglês sobre a luta para salvar o Vaquita.

© fotos: divulgação/fonte:via

Tartaruga de moicano que respira pelos órgão genitais é um dos animais mais ameaçados

A tartaruga da espécie Mary River (Elusor macrurus) é tipo aquele seu amigo esquisitão com quem todo mundo simpatiza, mas que ninguém entende direito.

Para começar, os animais da espécie têm um moicano feito de algas – algo bem incomum na natureza. Mas as coisas ficam ainda mais esquisitas quando a gente lembra que essa tartaruga respira pelos genitais.

Apesar de suas particularidades – ou por causa delas – a tartaruga Mary River está sendo ameaçada de extinção. Segundo um levantamento realizado pela Zoological Society of London’s, a espécie foi classificada em 29º lugar em uma lista de 100 répteis vulneráveis.

Sua habilidade de respirar pela cloaca faz com que a tartaruga possa permanecer até 72 horas submersa, segundo uma publicação do site Inhabitat. O animal é endêmico da região de Queensland, na Austrália, e foi muito usado como bichinho de estimação no país durante os anos 60 e 70 – o que provavelmente contribuiu para que a espécie fosse ameaçada.

 

Fotos © Chris Van Wyk/fonte:[via]

Imagens raras mostram o porco que era considerado ‘mais feio do mundo’ na Indonésia

Imagens raras do “porco mais feio do mundo” foram capturadas na Indonésia, oferecendo uma visão para uma espécie pouco conhecida que se acredita estar à beira da extinção.

O porco da espécie Sus verrucosus já poderia ser considerado extinto na natureza, pois seu número tem caído desde o início da década de 1980 devido a caça e perda de habitat florestal, de acordo com o Chester Zoo, com sede no Reino Unido.

Os machos são distinguidos por três grandes pares de verrugas nos rostos que crescem à medida que envelhecem, o que significa que os porcos mais velhos têm as verrugas mais proeminentes.

Para flagrá-los, pesquisadores britânicos e indonésios colocaram câmeras escondidas nas florestas da ilha de Java no Sudeste Asiático. O objetivo era obter um senso mais claro dos níveis populacionais e encontrar formas de impulsionar a conservação da espécie altamente ameaçada.

“Até se temia que todos estivessem extintos até que sua existência fosse confirmada pelas câmeras do zoológico”, informou o zoo ao lançar as imagens.

A pesquisa “poderia eventualmente ser usada para estabelecer novas leis de proteção para as espécies na Indonésia, pois, atualmente, elas são bastante falhas no país asiático”, acrescentou.

Os porcos – que são encontrados apenas em Java – são semelhantes em tamanho aos javalis europeus, mas são mais delgados e têm cabeças mais longas, disse o zoológico.

“Os machos têm três pares de enormes verrugas nos rostos”, disse Johanna Rode-Margono, coordenadora do programa de campo do sudeste do sudeste da Ásia.

“São essas características que os levaram a ser carinhosamente rotulados como” o porco mais feio do mundo “, mas certamente para nós e nossos pesquisadores, eles são bastante bonitos e impressionantes”.

 

Imagens: Reprodução/fonte:[via]