‘Mande mais vinho’, diz esta placa de mais de 2 mil anos descoberta por cientistas

Mudam-se as tradições, os poderes, as liturgias, as mitologias, as comemorações, as festas, mas, ao longo dos milênios, uma coisa não muda: o medo de acabar a bebida. Desde no mínimo ano 600 a.C. que se sabe que, sem vinho, não há festa. Uma mensagem registrada em um óstraco – pedaço de cerâmica utilizado antigamente para registrar informações – foi recentemente decifrado, e uma das mensagens dizia um pedido que é até hoje repetido mundo a fora: “Mande mais vinho”.

A peça foi encontrada em 1965, mas só uma parte havia sido traduzida até então. Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel – região onde o artefato foi originalmente encontrado – descobriram no verso da peça essa outra mensagem, que havia se tornado invisível e, através do uso de tecnologia multiespectral, puderam ler o pedido, entre singelo e desesperado, do soldado hebreu Hananyahu para seu amigo Elyashiv.

Há, na mensagem, outros comentários sobre bebidas alcoólicas, e a afirmação de que Hananyahu irá ajudar o amigo no que for preciso. Não houve confirmação de que se a promessa do soldado foi papo de bêbado, nem se Elyashiv de fato levou mais vinho – ou, como também é comum até hoje, apareceu de mãos vazias para a festa.

© fotos: reprodução;fonte:via

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As incríveis ruínas esquecidas de Mrauk, na Birmânia

Através das belas colinas de Rakhine, na Birmânia Ocidental, encontra-se um local arqueológico pouco conhecido – a cidade medieval de Mrauk. Uma vez a capital do poderoso império Arakan, Mrauk é agora uma aldeia sonolenta onde os pastores de cabra pastoreiam seus animais, os fazendeiros trabalham em seus campos e as mulheres pegam água dos poços localizados entre as centenas de templos antigos e temploss budistas que os Reis de Mrauk ergueram durante o auge da cidade.


Steffen /Flickr

O reino Mrauk foi fundado em 1430 pelo rei Min Saw Mon e permaneceu a capital por mais de trezentos e cinquenta anos, até 1785. No seu auge, Mrauk controlou a metade de Bangladesh e a parte ocidental da Baixa Birmânia. Sua fama se espalhou por toda a Europa, onde se tornou conhecida como uma cidade de esplendor oriental depois que o missionário e viajante português, Fray Sebastien Manrique, publicou um relato vívido na coroação do rei Thiri Thudhamma em 1635 e sobre o Tribunal Rakhine.


Jean-Marie Hullot/Flickr

À medida que a cidade crescia, o rei e os habitantes ricos construíam muitas pagodas e templos budistas. Alguns ainda são usados como locais de culto, e estes são os principais atrativos de Mrauk. Mas o local não possui fácil acesso. Não há aeroporto, e a única maneira de chegar lá é por um barco, que leva cerca de 7 a 8 horas.


Stefan Munder/Flickr

Uma coisa que separa Mrauk de outros sites arqueológicos populares é a vida local aqui que corre bem no coração deste site histórico. Nenhum dos templos em Mrauk está fechado e pode ser explorado de dentro para fora.

Veja algumas fotos:

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Anne Dirkse/Flickr fonte:via

Um fóssil de dinossauro com mais de 100 mil anos foi descoberto em uma mina no Canadá

Em 2011, Shawn Funk trabalhava como operador de um equipamento de escavação em uma mina em Alberta, no Canadá. O dia seria apenas mais um de sua carreira se ele não tivesse encontrado por acaso com algo mais duro do que as pedras: um fóssil de dinossauro com cerca de 110 mil anos.

A descoberta do animal fez com que se desse início às escavações na área. Diferentemente da maioria dos fósseis encontrado até hoje, que não passam de ossos ou dentes, neste caso o dinossauro havia sido fossilizado inteiro, segundo revelaram pesquisadores à National Geographic. A edição de junho de 2017 da revista relata a descoberta deste dinossauro conhecido como “nodossauro”.

Estima-se que o animal tenha pesado mais de 1.300 kg e tivesse um comprimento de mais de 5 metros. O nodossauro estava fossilizado do focinho aos quadris de maneira perfeita: é quase como olhar uma escultura de um dinossauro. A diferença é que ele é real.

O fóssil do animal, assim como os de outros dinossauros, pode ser visto por quem visitar o museu canadense Royal Tyrrell durante a exposição Grounds for Discovery. A mostra teve início em maio deste ano e está atraindo pessoas de todas as idades interessadas nestes lagartos gigantes.

Um vídeo publicado pela National Geographic (em inglês) mostra mais dessa descoberta:

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Foto destaque © Robert Clark/National Geographic Fonte:via

Arqueólogos descobrem os restos de um enorme templo asteca em meio à capital mexicana

Uma das mais populosas capitais do mundo, a Cidade do México foi construído sobre os vestígios e resquícios da civilização asteca, que ocupava o país entre os séculos XIV e XVI. Assim, qualquer buraco mero cavado em solo mexicano corre o risco de revelar um tesouro arqueológico desse impressionante passado da região. E foi isso que se deu nessa quarta-feira: uma enorme estrutura circular foi descoberta, criada em homenagem ao deus asteca do vento, ao lado de uma parte de uma espécie de campo onde o ritual de um jogo de bola mesoamericano onde era praticado o antigo esporte.

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Com o nome de Ehécatl-Quetzalcóatl, pelas proporções da descoberta é possível concluir que a construção era de um tamanho grandioso – algo em torno de 34 metros de altura por 4 de largura. O campo provavelmente possuía cerca de 50 metros de comprimento, e foi nele que o primeiro espectador estrangeiro do tal esporte, o conquistador espanhol Hernán Cortés assistiu uma partida, a convite de Moctezuma, o último imperador asteca.

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Próximo ao campo, num espécie de local ritualístico ligado ao esporte, foi também encontrado um poço oval com 32 conjuntos de ossos cervicais, provavelmente de decapitações realizadas como oferendas. Pesquisadores afirmaram que tais construções foram realizadas provavelmente entre 1486 e 1502.

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O templo Ehécatl-Quetzalcóatl, descobertas dentro do terreno de um hotel chamado Catedral, destruído em 1985 em um grande terremoto, será transformado em um sítio-museu, e se tornou o mais novo tesouro a fazer parte do complexo arqueológico Templo Mayor – até que se cave mais um buraco na Cidade do México, e de lá brote um novo tesouro.

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A impressionante carta da esposa de Aldous Huxley após injetar LSD no marido em seu leito de morte

O escritor inglês Aldous Huxley não foi somente um desbravador da literatura, mas também da consciência humana. Autor de clássicos imortais como Admiravel Mundo Novo e As Portas da Percepção, Huxley explorou o uso de alucinógenos como a mescalina, o LSD e outros psicodélicos a fim de expandir a consciência e descobrir, através da abertura justo das portas da percepção, novos horizontes do pensamento humano. A experiência com drogas psicodélicas foi tão importante para Huxley, que o autor planejou deixar a vida em uma viagem de LSD – e, com a ajuda de sua mulher, assim o fez.

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Laura e Aldous Huxley

Aldou Huxley morreu em novembro de 1963 – curiosamente no mesmo dia em que o presidente dos EUA John Kennedy foi assassinado – depois de três anos de luta contra um câncer e, após o diagnóstico derradeiro de um médico, horas antes de sua morte, conforme seu pedido, sua mulher, Laura, lhe injetou diversas doses de LSD. Em uma impressionante carta endereçada ao irmão de Huxley, Laura conta em detalhes como se deu a morte de um dos grandes autores do século XX, sob o efeito do ácido.

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O jovem Huxley

“Eu fui avisada de que pela manhã ele poderia ter convulsões perturbadoras, próximo ao fim, ou algum tipo de contração pulmonar, com ruídos. As pessoas tentaram me preparar para reações físicas horríveis que ocorreriam. Nada disso aconteceu, na realidade o cessar da respiração não foi em nada dramático, pois aconteceu tão lentamente, tão gentilmente, como uma peça musical simplesmente encerrando em um sempre piu piano dolcement”, ela escreveu. “As cinco pessoas presentes na sala disseram que foi a mais serena e bonita morte. Ambos os médicos e a enfermeira disseram jamais ter visto alguém em tais condições físicas ir embora tão completamente sem dor ou sofrimento”, escreveu Laura Huxley.

Mais adiante, na carta, ela descreve o último momento em que Aldous reagiu às suas palavras, no qual ela passou a incentiva-lo que deixasse a vida com calma e sem dor. “‘Vá, vá, deixe ir, querido; pra frente e adiante. Vá na direção da luz. Por vontade própria e consciente você está indo, e está indo de forma linda. Está fazendo isso com tanta beleza – indo na direção de um amor maior. É tão gracioso e lindo. Leve e livre. Você está indo na direção de algo melhor, de um amor maior’, eu disse a ele, bem perto de seu ouvido. Então perguntei se ele estava me ouvindo, e ele apertou a minha mão. Algum tempo depois ele me pediu que não mais fizesse perguntas, que estava tudo bem”.

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Por fim, ela comenta sobre a sensação que pairou sobre todos, de que havia sido uma morte especialmente tranquila e bonita. “Nunca saberemos se tudo isso foi uma autossugestão nossa, ou se foi real, mas certamente todos os sinais e nossos sentimentos internos deram a indicação de que foi lindo, pacífico e leve”.

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Aldous Huxley morreu aos 69 anos em sua casa, em Los Angeles, da forma que quis – o que parece ser realmente uma saída bonita para a própria vida. A carta na integra, em inglês, está nesse link – e pode ser ouvida, também em inglês, no vídeo abaixo, lida pela própria Laura.

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Menina vendida como escrava que virou afilhada da rainha Vitória é uma prova de como os negros são apagados da História

Tratados muitas vezes pelos registros da história como uma massa homogênea, uma multidão sem identidade, a história dos negros e negras negociados como escravos é obviamente feita de indivíduos que, como todos, possuíam idiossincrasias, talentos, angústias e anseios.

A incrível vida de Sarah Forbes Bonetta, que em 1848 estava prestes a ser executada Serra Leoa pelo rei Ghezo, quando foi salva por um capitão do exército inglês para se tornar afilhada da rainha Victoria é um dos milhões de exemplos.

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Quando soube que a menina, que perdera os pais em um ataque do rei Ghezo à tribo de Egbado, da qual fazia parte, seria executada, o capitão Frederick E. Forbes convenceu o rei a salvá-la e oferecê-la como um presente à rainha Victoria. Ao receber o “presente”, Victoria se impressionou com a extraordinária inteligência da garota, e a criou no meio da alta classe inglesa como sua afilhada.

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Bela, brilhante e dotada de muitos talentos – aos oito anos já falava um inglês impecável, aprendendo também instrumentos diversos – Sarah foi um forte exemplo, mesmo para a rainha, de como as ideias de superioridade racial não faziam sentido.

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Aos 18 anos, Sarah se casou um empresário de origem Iorubá, como ela, e retornou à Serra Leoa, para ter 3 filhos e se tornar professora.

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Ela porém jamais perdeu contato com a rainha, que se tornaria também madrinha de uma de suas filhas – a menina, assim como a mãe, também possuía grande talento para a música e para as línguas.

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Pouco se conta hoje sobre a história de Sarah, mas sua trajetória extraordinária nos lembra da força e dos horrores sofridos pelos povos negros, escravizados e arrancados de suas próprias identidade, que tiveram que lutar contra tudo e todos para simplesmente poderem ser quem são.

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© fotos: reprodução,fonte: via

Bibliotecas em países europeus reúnem diversos livros de madeira

Você já ouviu falar em xilotecas? São catálogos de diferentes tipos de madeira, geralmente com milhares de amostras, que também arquivam informações diversas sobre a espécie a qual pertencem.

Mas no leste europeu, as xilotecas ganharam ares diferentes. Elas foram transformadas em verdadeiras bibliotecas, e seus livros não são nada comum. Após coletadas na natureza, as amostras eram usadas para fazer uma espécie de capa e contracapa, porém sem folhas ou histórias no seu interior.

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Eles serviam para armazenar diversos tipos de objetos referentes à árvore da qual a madeira havia sido extraída, como folhas, sementes, flores e galhos. Em alguns, as descrições da árvore e os tipo de doenças da espécie também foram incluídas. E então, eram organizadas em prateleiras, como se fosse uma biblioteca comum, com a lombada do livro voltada para o público.

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Existem dezenas de xilotecas ao redor do mundo, sendo que a maior coleção pertence a Samuel James, e fica na Universidade de Yale, com mais de 60 mil amostras diferentes de madeiras.

Imagens © Wikimedia fonte: via

6 ruínas misteriosas construídas por antigas civilizações que você precisa conhecer

Quando pensamos em antigas civilizações e suas ruínas misteriosas, logo vem a nossa cabeça o legado deixado pelos incas no Peru, ou então as mais de cem pirâmides construídas no Egito, certo?

Pois apesar destes serem alguns dos casos mais conhecidos, existem muitos outros lugares espalhados pelo mundo que ainda intrigam o ser humano, seja pela inteligência ou pelo mistério que o envolvam.

São inúmeras estruturas existentes que costumam desafiar arqueólogos, paleontólogos e historiadores de todo o mundo por seu contexto bastante incomum, que geram dúvidas das mais diversas.

Como explicar Stonehenge, por exemplo, onde dezenas de blocos de pedras gigantes foram empilhados milhões de anos atrás? E como teria sido o transporte delas até o local? Ou até mesmo no caso das pirâmides no Egito, onde aproximadamente 2,3 milhões de blocos que pesavam entre 2,5 e 80 toneladas foram erguidos a uma altura de até 147 metros para a construção da pirâmide de Quéops, em 2250 a.C?

Então, se você é fã de um bom mistério, vai gostar da seleção que fizemos abaixo, com uma lista de seis ruínas, templos e objetos misteriosos espalhadas pelo mundo.

1. Stonehenge (Salisbury, Inglaterra)

Estima-se que essa estrutura composta por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter cinco metros de altura e a pesar quase cinquenta toneladas levou mais de trinta milhões de horas para ficar pronta, tendo sido sua construção dividida em três fases (3100 a.C, 2150 a.C. e 2075 a.C.).

Os mistérios que envolvem tanto sua construção como função são inúmeros, mas acredita-se que o local era usado para estudos astronômicos, mágicos e/ou religiosos. E em junho, quando ocorre o solstício de verão no hemisfério norte, o sol nasce exatamente sobre a pedra principal do monumento.

2. Moais (Ilha de Páscoa, Chile)

Os Moais são 887 estátuas gigantes, feitas de imensos blocos de pedra que representam cabeças e troncos. Possuem em média 4 metros de altura, e alguns chegam a pesar mais de 80 toneladas e, apesar das muitas teorias que tentam explicar sua existência, ninguém sabe exatamente como ou porque os Rapa Nui, antigos habitantes da ilha, dedicaram tanto tempo e esforço na construção dessas estruturas.

Muitas destas estátuas estavam enterradas e foram escavadas, descobrindo que, além de cabeça, os moais tinham um tronco também, que vivia “escondido” abaixo do solo.

3. Pedras Guia (Geórgia, Estados Unidos)

As Pedras Guias, que também são conhecidas como o “Stonehenge norte-americano”, foram construídas em 1979, o que as torna bem jovens perto dos outros monumentos da nossa lista. Aqui, o mistério não fica por conta da sua construção, já que nos anos 70 já era possível levantar uma estrutura como esta, mas sim por quem a construiu e porquê. Elas foram encomendadas por um desconhecido sob o pseudônimo de R.C. Christian, que comprou um grande terreno e contratou uma empresa para que construísse a estrutura.

Nas seis pedras de granito que compõe o monumento, há frases gravadas nos seguintes idiomas: inglês, russo, hebreu, chinês, espanhol, hindi, suaíli e árabe, além de uma mensagem na parte superior da estrutura escrita em babilônio, sânscrito, grego clássico e hieróglifos egípcios. Teorias da conspiração apontam que a estrutura está relacionada com as metas da Nova Ordem Mundial.

4. Puma Punku (Tiwanaku, Bolívia)

Puma Punku é parte de um complexo em Tiwanaku, um dos mais importantes sítios arqueológicos da Bolívia. Até hoje, estudiosos não conseguiram desvendar como toda aquela estrutura foi erguida, já que pedras de 130 toneladas foram transportadas por cerca de 10km numa época em que tecnologias essenciais como a roda ainda não existiam.

Durante seu apogeu, acredita-se que Puma Punku era um local maravilhoso, frequentado por sacerdotes e pela elite. A compreensão da natureza deste complexo arqueológico ainda é limitada, devido à sua antiguidade, falta de provas escritas e o atual estado de elevada deterioração, tanto pelo desgaste natural mas também devida à depredação causada por visitantes e saqueadores.

5. Esferas de Pedra (Ilha de Cãno, Costa Rica)

As Esferas de Pedra são um conjunto de mais de 300 esferas localizadas na Ilha de Cãno, na Costa Rica. Desde 1930, centenas de bolas de pedra têm sido documentadas no local, variando de alguns centímetros a mais de 2 metros de diâmetro, podendo pesar mais de 15 toneladas.

Quase todas estavam enterradas, e são feitas de granodiorito, uma rocha magmática semelhante ao granito, e acredita-se que foram criadas por volta do ano 600, sendo a maioria datada depois do ano 1000, mas antes da Colonização das Américas.

6. Pirâmide Kukulkan (Chichén Itzá, México)

No ano passado, arqueólogos anunciaram a descoberta de uma estrutura no interior do Templo de Kukulcán, que fica ruínas maias de Chichén Itzá, no México. Trata-se da estrutura original da pirâmide, por cima da qual foram construídas outras duas estruturas que deram o formato atual do monumento. De acordo com especialistas, as estruturas podem ter sido construídas uma em cima da outra por vários motivos, incluindo a deterioração ou uma homenagem a novos líderes.

O Templo de Kukulcán foi construído no século XII d. C., e sua estrutura conta com nove patamares, quatro fachadas, cada uma com uma escadaria central de 91 andares, e um templo no patamar superior. Uma das inúmeras curiosidades sobre a pirâmide é que se observarmos o amanhecer no horizonte do mesmo ponto durante um ano, é possível ver o sol aparecendo em diversas posições ao longo do período. Uma prova de que os maias possuíam conhecimento de astronomia, já que isso ocorre devido aos movimentos da Terra, de rotação sobre o eixo e translação ao redor do sol.

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A história do homem cuja cabeça está exposta em uma faculdade de Medicina

A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa tem algo bizarro em exposição, e estamos falando basicamente da cabeça de um homem chamado Diogo Alves, que foi morto em 1841.

A cabeça amarelada e conservada em um vidro, como se fosse um animal qualquer, mostra o semblante de Alves, que está de olhos abertos e parece assustadoramente tranquilo.

Para os médicos, professores e alunos que vivem no local, a cabeça é só mais um item cotidiano, mas, para quem visita a instituição, é impossível passar por Diogo Alves com indiferença, até mesmo porque o cara é reconhecido como o primeiro assassino em série de Portugal e o último criminoso a ser condenado por enforcamento no país.

Assassino famoso

Alves nasceu em Galiza, em 1810, e se mudou para Lisboa ainda jovem, à procura de trabalho. Foi jovem também que ele acabou achando a vida do crime bem mais interessante. Esperto, ele costumava assaltar fazendeiros humildes que iam até o centro de Lisboa vender seus produtos. Basicamente, Alves esperava o fim do dia e roubava todo o dinheiro que esses fazendeiros tinham arrecadado. Em seguida, matava suas vítimas e atirava seus corpos no Aqueduto das Águas Livres.

A polícia acreditava estar diante de uma onda de suicídios e acabou não investigando as cerca de 70 pessoas mortas pelo criminoso. Para os investigadores da época, não fazia sentido que um assassino tivesse interesse apenas em vendedores pobres.

Não se sabe ao certo o motivo que fez com que Alves deixasse de matar pessoas e jogá-las no Aqueduto, mas, quando parou com essa estratégia criminal, ele formou uma gangue e, com a ajuda de outros ladrões, passou a invadir residências particulares. Seus dias de criminalidade acabaram depois de ele ser preso por invadir a casa de um médico e matar todos os moradores, em fevereiro de 1841.

A partir de sua prisão e de sua condenação é que surgem alguns pontos da história de Alves que não batem muito bem com o que aconteceu de verdade. Há dados históricos que mostram, por exemplo, que mais seis pessoas foram condenadas à forca em Portugal depois dele, entre os anos de 1842 e 1845 – o país não pratica mais a pena de morte desde 1867.

Outro ponto que parece ter sido criado para gerar curiosidade sobre a cabeça do criminoso é o fato de que ele não foi o primeiro assassino em série do país – esse título pertence, na verdade, a Luísa de Jesus, de Coimbra, que matou 28 recém-nascidos e foi enforcada em 1772.

Frenologia

O fato é que, apesar dos furos na história lendária desse assassino, não importa quem foi mesmo o primeiro serial killer do país ou a última pessoa a morrer na forca – a cabeça em exposição é a de Alves.

A cabeça do criminoso foi preservada por causa dos estudos sobre frenologia, que foram introduzidos pelo médico alemão Franz Joseph Gall nos anos de 1700. Vista como pseudociência atualmente, a frenologia buscava estudar partes do cérebro que julgava ter relações com os traços da personalidade de uma pessoa – essa área de pesquisa acreditava, por exemplo, que a cabeça de uma pessoa criminosa tinha nódulos cerebrais que poderiam ser apalpados.

Foi com a intenção de estudar a cabeça de uma pessoa que teve um grande histórico criminal que os médicos conservaram essa parte do corpo de Alves. Não se sabe ao certo se pesquisas frenológicas foram, de fato, realizadas no cérebro do criminoso – outra cabeça, a de Francisco Mattos Lobo, contemporâneo de Alves e morto por matar quatro pessoas e um cachorro, foi motivo de estudo e está preservada na mesma universidade, embora não receba tantas visitas como a de Alves.

O assassino em série português é tão famoso que sua vida criminosa inspirou um livro em quadrinhos, uma biografia, uma história de ficção e o filme mudo “Os Crimes de Diogo Alves”, de 1911.

 

Encontrados restos pré-humanos de 7,2 milhões de anos

Segundo um novo estudo internacional, a linhagem comum dos grandes símios e humanos pode ter se dividido várias centenas de milhares de anos antes do que pensávamos.Os pesquisadores analisaram dois fósseis de Graecopithecus freybergi usando tecnologia de ponta e chegaram à conclusão de que eles pertencem a pré-humanos. Isso indica que a divisão da linhagem humana ocorreu no Mediterrâneo Oriental e não na África, como supúnhamos.

A pesquisa foi liderada por Madelaine Böhme, do Centro Senckenberg para Evolução Humana e Paleoambiente da Universidade de Tübingen (Alemanha), e Nikolai Spassov, da Academia Búlgara de Ciências (Bulgária), e também envolveu equipes da Grécia, Canadá, França e Austrália. Os resultados foram publicados em dois artigos na revista PLOS ONE.

A antiga suposição

Os chimpanzés atuais são os parentes vivos mais próximos dos seres humanos. Onde viveu o último ancestral comum entre nós e eles é uma questão central e altamente debatida na paleoantropologia.Até onde sabíamos, as linhagens divergiram cinco a sete milhões de anos atrás. Os primeiros pré-humanos teriam se desenvolvido na África.

 

De acordo com a teoria de 1994 do paleoantropólogo francês Yves Coppens, a mudança climática na África Oriental poderia ter desempenhado um papel crucial nessa separação.

O novo cenário

A nova pesquisa delineia um cenário diferente para o início da história humana. A equipe analisou dois espécimes conhecidos do hominídeo fóssil Graecopithecus freybergi: uma mandíbula inferior achada na Grécia (foto acima), e um pré-molar superior encontrado na Bulgária.Usando tomografia computadorizada, eles visualizaram as estruturas internas dos fósseis e demonstraram que as raízes dos pré-molares estão amplamente fundidas.

“Enquanto os grandes macacos têm duas ou três raízes separadas e divergentes, as raízes de Graecopithecus convergem e são parcialmente fundidas – o que é característico dos humanos modernos, dos humanos primitivos e de vários pré-humanos, incluindo Ardipithecus e Australopithecus“, disse Böhme.

A mandíbula inferior tem características adicionais de raiz dentária, sugerindo que a espécie Graecopithecus freybergi pode pertencer à linhagem pré-humana. “Ficamos surpresos com os nossos resultados, já que os pré-humanos eram conhecidos apenas na África subsaariana”, complementou Jochen Fuss, estudante de doutorado na Universidade de Tübingen que conduziu esta parte do estudo.

Um pré-molar superior encontrado na Bulgária

Onde tudo aconteceu

Além disso, Graecopithecus é várias centenas de milhares de anos mais velho do que o mais antigo potencial pré-humano da África, o Sahelanthropus do Chade.A equipe de pesquisa datou os fósseis na Grécia e Bulgária com métodos físicos e obteve uma idade quase sincronizada para ambos – 7,24 e 7,175 milhões de anos.

Isso é no início do Messiniano, uma era que termina com a dessecação completa do Mar Mediterrâneo.“Essa data nos permite mover a divisão humana-chimpanzé para a área do Mediterrâneo”, explica David Begun, paleoantropologista da Universidade de Toronto, no Canadá, e coautor do estudo.

Do Saara ao Mediterrâneo

Tal como acontece com a teoria da África Oriental, a evolução dos pré-humanos pode ter sido impulsionada por mudanças ambientais dramáticas.O deserto do Saara no norte da África se originou há mais de sete milhões de anos. A equipe concluiu isso com base em análises geológicas dos sedimentos em que os dois fósseis foram encontrados. Embora geograficamente distantes do Saara, os sedimentos de cor vermelha são muito finos e podem ser classificados como poeira de deserto. Uma análise dos isótopos de urânio, tório e chumbo em partículas de poeira individuais mostrou uma idade entre 0,6 e 3 bilhões de anos, e infere uma origem no norte da África.

Além disso, o sedimento empoeirado tem um alto teor de sais diferentes. “Estes dados documentam pela primeira vez um Saara se espalhando 7,2 milhões de anos atrás, cujas tempestades no deserto transportaram poeiras vermelhas e salgadas para a costa norte do Mar Mediterrâneo”, afirmaram os pesquisadores.Esse processo também é observável hoje. No entanto, a quantidade de poeira que chegava no passado excede em mais de dez vezes a que chega hoje no sul da Europa, comparável à situação na atual zona do Sahel na África.

Uma imagem de microscópio eletrônico de uma partícula de poeira arrastada pelo vento

Clima e vegetação

Os pesquisadores sugeriram que, contemporâneo ao desenvolvimento do Saara no norte da África, um bioma de cerrado se formou na Europa.Usando uma combinação de novas metodologias, eles estudaram fragmentos microscópicos de carvão vegetal e partículas de silicato de plantas, chamados fitolitos. Muitos dos fitótios identificados derivam de gramíneas e particularmente daquelas que usam a via metabólica da fotossíntese C4, que é comum nas pastagens e savanas tropicais atuais.

A disseminação mundial dessas gramíneas começou há oito milhões de anos no subcontinente indiano – sua presença na Europa era até então desconhecida. O registro de fitolitos fornece evidências de secas severas, e a análise de carvão vegetal indica incêndios recorrentes. Em resumo, um ambiente de savana, que se encaixa com as girafas, gazelas, antílopes e rinocerontes que foram encontrados junto com Graecopithecus.

“A formação incipiente de um deserto no norte da África mais de sete milhões de anos atrás e a disseminação de savanas no sul da Europa pode ter desempenhado um papel central na divisão das linhagens humanas e chimpanzés”, disse Böhme.

Fonte:[Phys]