Imagens esculpidas em pedra 13.000 anos atrás mostram impacto de cometa e mini Era do Gelo

Símbolos antigos esculpidos em pedra em um sítio arqueológico na Turquia contam a história de um impacto devastador que desencadeou uma mini Era do Gelo no nosso planeta, mais de 13.000 anos atrás.A evidência, conhecida como Pedra do Abutre, sugere que vários fragmentos do cometa atingiram a Terra por volta de 11.000 aC.

O impacto

As esculturas foram descobertas em Gobekli Tepe, um sítio arqueológico no sul da Turquia, que os especialistas acreditam agora que pode ter sido um antigo observatório.Software de computador foi usado para combinar inscrições de animais – interpretados como símbolos astronômicos – a padrões de estrelas.

Os pesquisadores sugerem que o desastre ocorreu em 10.950 aC. Outras evidências encontradas em um núcleo de gelo na Groenlândia indicam um impacto aproximadamente no mesmo período.O cataclismo deu início a um clima frio que durou 1.000 anos.

Astrônomos antigos

“Parece que Gobekli Tepe foi, entre outras coisas, um observatório para monitorar o céu noturno”, disse o pesquisador Martin Sweatman, da Escola de Engenharia da Universidade de Edimburgo, na Escócia. “Um de seus pilares parece ter servido como um memorial para este evento devastador – provavelmente o pior dia da história desde o final da Idade do Gelo”.

As esculturas parecem ter permanecido importantes para Gobekli Tepe durante milênios, indicando um evento que teve um impacto muito sério e duradouro.Uma série de símbolos na pedra sugerem que as mudanças de longo prazo no eixo de rotação da Terra foram registradas pelos primeiros astrônomos usando uma forma inicial de escrita.A descoberta também apoia a teoria de que a Terra experimenta períodos em que impactos de cometa são mais prováveis, devido à órbita do planeta.

fonte: [via NewScientist]

A primeira casa desenhada por Gaudí vai virar museu e isso já é motivo suficiente pra visitar Barcelona

O pai do modernismo catalão, Antoni Gaudí, finalmente ganhará seu próprio museu na restaurada Casa Vicens, em Barcelona. Ela é a primeira residência construída pelo artista e é considerada um dos primeiros exemplos da arquitetura Art Nouveau.

Cotada como Patrimônio Mundial, a Casa Vicens está fechada desde 2015 para se transformar em museu e abrirá para o público pela primeira vez no segundo semestre de 2017.

Gaudí tinha apenas 31 anos quando o fabricante de tijolos e azulejos  Manuel Vicens i Montaner lhe encomendou a construção dessa casa. Erguida entre 1883 e 1885, ela foi o primeiro grande trabalho do arquiteto e marcou o lançamento de uma nova era da arquitetura. Para conservar a marca do artista, seus quartos não foram mobiliados. De acordo com o diretor do museu, Joan Abellà, não existiam fotos de como a casa havia sido decorada em 1885 e por isso optou-se por não mobiliá-la.

Um bom motivo para visitar Barcelona, não?

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Foto © Valery Egorov / Shutterstock

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Foto © Casa Vicens

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Foto © engineervoshkin / Shutterstock

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Foto © engineervoshkin / Shutterstock

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Foto © Casa Vicens

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Foto © Casa Vicens  fonte: via

Esta vila medieval fazia enterros a prova de zumbis

Zumbis parecem uma preocupação moderna, mas a verdade é que já fazem séculos que as pessoas têm medo de cadáveres levantando de suas sepulturas para atormentar os vivos.Na Inglaterra, arqueólogos encontraram evidências de métodos medievais de enterro que parecem ter sido realizados para evitar que os mortos caminhassem.

A descoberta

Os pesquisadores revisitaram um poço de restos humanos desenterrados em Wharram Percy, uma aldeia abandonada em Yorkshire, de quase 1.000 anos atrás.Os cadáveres foram queimados e mutilados após a morte, e os arqueólogos ofereceram duas explicações possíveis para isso: ou a condição dos cadáveres era devido ao canibalismo, ou os corpos foram desmembrados para garantir que não se tornassem “zumbis”.

O principal autor do estudo, Simon Mays, biólogo que estuda esqueletos da Inglaterra Histórica, disse que a ideia de que os ossos “são os restos de cadáveres queimados e desmembrados para impedi-los de levantar de suas sepulturas parece se encaixar melhor com as evidências”.

Literatura

Quando os ossos foram escavados pela primeira vez na década de 1960, eles foram originalmente interpretados como datando de cemitérios mais antigos, talvez da era romana, inadvertidamente perturbados e reenterrados por aldeões no final da Idade Média.

No entanto, datação por radiocarbono mostrou que os ossos eram contemporâneos com a cidade medieval, e análises químicas revelaram que os esqueletos eram de pessoas locais.Na época, os aldeões acreditavam que a reanimação poderia ocorrer quando indivíduos que tinham uma força vital forte cometiam maldades antes da morte, ou quando os indivíduos experimentavam uma morte repentina ou violenta.

Para impedir que esses cadáveres assombrassem os vivos, textos medievais ingleses sugerem que os corpos eram desenterrados, queimados e mutilados.


Walking Dead

O que aconteceu com os cadáveres após a morte poderia muito bem ser uma cena atual de um filme zumbi sangrento.Os ossos de Wharram Percy vieram de pelo menos 10 pessoas entre as idades de 2 e 50. Padrões sugerem que os corpos foram incendiados quando os ossos ainda tinham carne neles. Os cientistas também encontraram marcas de corte consistentes com desmembramento e decapitação após a morte.

“Se estamos certos, então esta é a primeira boa evidência arqueológica que temos dessa prática”, disse Mays. “Ela nos mostra um lado negro das crenças medievais e fornece um lembrete gráfico de como a visão medieval do mundo era diferente da nossa”.

Mistérios

Há ainda alguns mistérios sobre os ossos, como a forma como os restos acabaram juntos neste poço em particular, especialmente desde que abrangem os séculos 11 a 13. Também não está claro por que, se os corpos eram temidos, foram reenterrados em um contexto doméstico.

Reconstrução da vila

Além disso, os “zumbis”, pelo menos de acordo com fontes escritas em inglês, eram comumente associados a homens adultos, mas esqueletos de ambos os sexos e até crianças foram encontrados no poço.

Segundo Stephen Gordon, um estudioso de crenças sobrenaturais medievais e modernas, evidências escritas nas crônicas inglesas se concentram em homens, mas representam apenas uma das realidades da crença cotidiana.

“Um bispo do Sacro Império Romano, Burcardo de Worms, escrevendo por volta de 1000 dC, alude ao fato de que as crianças que morreram antes do batismo, ou mulheres que morreram no parto, andavam após a morte e precisavam ser ‘transfixadas’”, Gordon disse ao portal LiveScience.

Ele também apontou para outro caso relatado pelo cronista boêmio Neplach de Opatovice, do século 14, em que um cadáver feminino errante teve de ser cremado. “Como tal, é possível que as pessoas acreditassem realmente que mulheres podiam andar após a morte”, sugere.Fonte: [LiveScience]

A incrível história do médico que salvou a própria vida realizando uma cirurgia em si mesmo

Por mais saudável, bem informado e dedicado à saúde que uma pessoa seja, a verdade é que todo mundo, em algum momento, precisará de um médico – inclusive os próprios médicos. Pois o que fazer quando se está em um dos pontos mais isolados da terra, e quem precisa de uma intervenção cirúrgica urgente é justamente o único médico da expedição? A história do médico soviético Leonid Rogozov é a resposta para essa paradoxal e surreal situação.

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De setembro de 1960 a outubro de 1962, Leonid foi o único médico de um time de treze pesquisadores a servirem na base soviética de Novolazarevskaya, na Antártica. Nas primeiras horas do dia 29 de abril de 1961, o paradoxo se deu, e quem desperteu sentindo-se nauseado, fraco e febril foi Leonid.

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à direita, Leonid na Antártica

Horas depois, uma forte dor em seu abdômen indicou que o médico estava tendo uma crise de apendicite. Nenhum medicamento funcionou, e sua condição piorou intensamente ao longo do dia. Intensas nevascas, aliadas ao fato de que nenhuma outra base de nenhum outro país possuía um avião na região – e a base soviética mais próxima estava localizada a 1.600 quilômetros de distância – não deixaram nenhuma outra opção: ele mesmo realizaria a operação em si. Leonid tinha 27 anos.

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E assim a cirurgia se deu. Leonid contou com a ajuda de um meteorologista e um motorista para lhe para lhe passar os instrumentos e segurar um espelho – a fim de que pudesse enxergar as partes parcialmente cobertas – e, se valendo de uma anestesia local, ele extraiu seu próprio apêndice – que, segundo o próprio, estouraria em questão de horas.

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A cirurgia correu bem, com somente dois incidentes: Leonid feriu sem querer uma parte de seu intestino grosso, que precisou ser suturada e, cerca de 40 minutos após o início do procedimento, precisou parar e descansar um pouco, por estar em vias de desmaiar. Quatro horas depois, o corte de 12 centímetros em seu abdômen estava fechado, e seu apêndice, devidamente extraído. Passada uma semana da cirurgia, os pontos foram tirados e Leonid voltou normalmente ao trabalho.

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O médico soviético voltaria a Leningrado no final de 1962, onde trabalhou como cirurgião em um hospital até vir a falecer, em 2000, aos 66 anos. Seu legado, no entanto, permanece, não só por sua história ter mudado a política de exames prévios e de equipe desse tipo de expedição, como também do destemor e da técnica que sua autocirurgia exigiu.

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© fotos: divulgação

Descendentes e ex-escravos ricos que voltaram para a Africa

De praxe pensamos que os descendentes dos escravos eram pobres. No final do Séc. XIX, muitos escravos alforriados voltaram para a África e até hoje são chamados de comunidades brasileiras. Muitos se enriqueceram e tornaram-se as elites africanas, principalmente na cidade de Lagos.

Abaixo fotos tiradas no Brasil, Nigéria e Benin, dessa interessante história desconhecida de muitos – ex-escravos e descendentes que se tornaram ricos comerciantes, médicos, advogados, políticos, donos de muitas propriedades.

Essa pintura é de Debret (1839). Retrata o oficial de barbeiro no Brasil, que quase sempre era negro ou mulato. O europeu chocava com tal, mas o habitante do Rio de Janeiro utilizava vários trabalhos realizados por escravos. O barbeiro podia ser ao mesmo tempo, um cabeleireiro, um cirurgião que utiliza bisturi e um destro aplicador de sanguessugas, técnica bem utilizada como anestesia. Segundo os viajantes Th. Lindley e Wetherell, na Bahia, os barbeiros eram de músicos a arrancadores de dentes.
A esquerda, escrava doméstica. Artur Gomes Leal com sua ama-de-leite Mônica, 1860. A direita, escravo alforriado. Carte visite (Coleção Francisco Rodrigues, Fundação joaquim Nabuco, Recife).

Escrava de ganho, vendendo frutas no Brasil, cerca de 1860. (Museu Imperial, Petrópolis)

Crioula, 1885. O termo crioulo, nesse caso, é denominação principalmente linguística africana, mas também para denominar grupos étnicos em várias regiões da África. A direita, Iorubá (grupo étnico da África Ocidental, sendo o segundo maior grupo da Nigéria) com escoriações características, fotografado em Salvador em 1885. (Coleção Tempostal, Salvador).

Escravos do eito numa fazenda fluminense por volta de 1885 (Museu Imperial, Petrópolis).

Costureiras brasileiras em Abeokutá (capital do estado de Ogun, na Nigéria), sec. XIX (Société des Missions Africaines, Roma). Com certeza retornaram a terra África.

Os homens mais ricos da comunidade brasileira, ou seja, ex-escravos do Brasil que voltaram a África, mandavam seus filhos para estudar na Europa ou na Bahia. Assim se formaram os primeiros médicos e advogados da Nigéria, como Plácido e Honório Assumpção. As carreiras de funcionário do governo colonial inglês e em empresas estrangeiras atraíam muito dos chamados “brazilian descendants”. Os irmãos acima adotaram o nome iorubá Alakija. Parte da família voltou para a Bahia no começo do sec. XX. (Documento da família fotografado por Pierre Verger).

Acima, capela de bambu, primeira igreja Católica de Lagos (cidade portuguesa no distrito de Faro), 1872. Sentado entre dois missionários francesesm de chapéu, está o padre Antônio, ex-escravo do prior do Carmo do Salvador. Abaixo, sagração do católico de Lagos, Monsenhor Lang, em 1902. (Société des Missions Africaines, Roma).

Decoração dos festejos da abolição: sob os retratos de D. Pedro II e da Rainha Vitória, vêem-se as armas do Império do Brasil, ladeadas pelas bandeiras inglesa e brasileira. (Société des Missions Africaines, Roma).

Acima, comitê brasileiro dos festejos da abolição, reunindo os membros mais representativos da elite brasileira em Lagos. Abaixo, atores da peça “The Mysterious Ring”, drama em cinco atos, apresentada em 5 de outubro de 1888, como parte dos festejos lagosianos pela Abolição da Escravatura. Os brasileiros em Lagos eram grandes aficionados do teatro clássico e da música lírica (Société des Missions Africaines, Roma).

Família brasileira em Lagos. (Société des Missions Africaines, Roma).

 

Mulheres da comunidade brasileira de Lagos. No brasil no sec. XIX, as africanas admiravam seguir a moda européia.

Grupo de mulheres iorubá no final do sec. XIX, com roupas tradicionais, “adirés” e panos da costa. (Société des Missions Africaines, Roma)

A esquerda, Hypolito dos Reis, nascido na África, filho do brasileiro Papai Muda Lugar (que devia seu nome ao fato de ser mestre de dança em Lagos). Hypolito acaba indo para a Bahia. A direita, membro da família Martins (documento da família).


A esquerda, Porfirio Maxwell Assumpção Alakija, filho de Marcolino. Nascido na África, instalou-se na Bahia, onde foi professor de inglês e onde colaborou com Nina Rodrigues. Foto feita em Lagos. A direita, Plácido Assumpção (Sir. Adeyemo Alakija). Nascido em Aneokutá, em 1884, foi educado em escola católica em lago, seguindo depois para a Inglaterra, onde se formou em Direito criminal. Foi um dos poucos advogados da comunidade brasileira a ocupar cargo influente nos quadros do governo colonial. Teve participação significativa na vida política de Lagos. Convertido ao anglicanismo, foi dirigente da sociedade secreta Reformed Ogboni, antiga sociedade iorubá, causa de séries divergências da Igreja Anglicana. Foto tirada na Bahia, por volta de 1911. (Documentos da família, fotografados por Pierre Verger). Interressante como, poucos anos após a abolição, um negro consegue uma ascensão social tão expressiva.

Acima, família Suberu, em Ondo (maior cidade do Estado de Ondo, na Nigéria). Abaixo, famíliaFragoso. Ambas, ex-escravas no Brasil. (Documento da família)

Sentado, Lucio Mendes da Costa. Foi escravo na Bahia, voltou para Lagos e depois retornou a Bahia, morrendo em Cachoeira. Seu filho, Cypriano Lucio Mendes, de pé, comerciava “carne do sertão” (charque) importada do Brasil. Rico, consta que possuía cinquenta casas e que teria perdido a fortuna em um naufrágio (documentos da família).

Família Mendes, no Rio de Janeiro. Parte dessa família está em Lagos, parte em Cachoeira, na Bahia, e parte no Rio de Janeiro. (Foto cedida pela família em Lagos. A mesma foto foi encontrada em Cachoeira)

Cosmos Anthonio, nascido em Lagos em 1889, de mãe baiana, fotografado aos 76 anos, em Oshogbo (capital e a maior cidade do Estado de Osun, na Nigéria). Sua avó materna, Felicidade Maria de Sant’Anna, era uma princesa Ijexá, retornada do cativeiro no Brasil e que comerciava com a Bahia. A direita, Dominga Ariike Anthonio, esposa de Cosmos e brasileira de Lagos.

A esquerda, João Esan da rocha em foto anterior a 1870, tirada no Brasil. Vendido como escravo aos 10 anos, comprou sua alforria aos 30 anos. Voltou para Lagos com sua mulher e seu filho e tornou um rico comerciante (Coleção família Rocha-Thomas). A direita, Louisa Angélica Nogueira da Rocha, em foto de cerca de 1870, mulher de João Esan, com seu filho Cândido da Rocha. Cândido tornou-se um grande comerciante de ouro. Tinha cavalos de corrida e luxuosas carruagens. Seu irmão, Moysés da rocha, estudou medicina em Edimburgo e especializou-se em doenças tropicais. Foi um fecundo jornalista, estreitamente ligado a Igreja Católica (foto Pierre Verger, coleção família Rocha-Thomas).

Família de João Angelo Campos, comerciante e uma das maiores fortunas de Lagos no sec. XIX. Teve grande participação na vida política e cultural da cidade. (Société des Missions Africaines, Roma).

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Acima, João Angelo Campos, em foto tirada na Bahia, em casa de sua afilhada Ana Cardoso. Abaixo, duas casas de propriedade da família. A da esquerda, construída em 1897, pertenceu a Romão Campos, comerciante que deu nome a Campos Square, centro do brairro brasileiro em Lagos. (Société des Missions Africaines, Roma).
As fotos e informações acima foram tiradas do livro:
Da senzala ao sobrado: arquitetura brasileira na Nigéria e na república popular do Benin/Mariano Carneiro da Cunha, Ed. USP.

A Majestosa Civilização de Cush

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O antigo reino de Kush (ou Cuche) dominava uma região africana ao sul do Egito, na época chamada Núbia, que hoje faz parte do Sudão. A princípio era uma colônia egípcia, mas depois conseguiu sua independência e dominou o Egito e boa parte do vale do rio Nilo. A civilização de Kush reunia a cultura egípcia e a de outros povos africanos.

Os cuchitas, como seu povo era chamado, eram africanos negros, agricultores na maioria, mas entre eles havia também artesãos e mercadores. Às vezes capturavam pessoas de outros povos e tornavam os cativos seus escravos.O reino de Kush era muito rico, possuía minas de ouro e terras cultiváveis. Além disso, ficava numa ótima localização para comerciar com outros povos. Os cuchitas transportavam mercadorias pelo rio Nilo e também por estradas que levavam ao mar Vermelho. Vendiam ouro, incenso, marfim, ébano, óleos, penas de avestruz e pele de leopardo.

A Núbia originalmente era parte do Egito antigo. Durante o século XV a.C., o Egito dividiu a Núbia em duas partes. Kush era a parte sul.Por volta do século XI a.C., o Egito enfraqueceu e, no século VIII a.C., os cuchitas o conquistaram, mas não conseguiram dominá-lo por muito tempo. No século VII a.C., os assírios, da Ásia, os repeliram de volta à Núbia.

Assim, Kush tornou-se um reino menor do vale do Nilo por quase mil anos. E, em aproximadamente 350 da era cristã, o reino de Aksum acabou por liquidar Kush.Os cushitas, em épocas mais recentes, ocupavam o sul do Nilo com seu impressionante exército de arqueiros.

Cush foi o local do Jardim do Éden. Gen. 2: 11-14 – “Um rio saía do Éden para regar o jardim, e de lá se dividia em quatro braços. O primeiro chama-se Fison: é aquele que rodeia toda terra de Hévila, onde existe ouro; e o ouro dessa terra é puro, e nela se encontram também o bdélio e a pedra de ônix. O segundo rio chama-se Geon: ele rodeia toda a terra de Cush. O terceiro rio chama-se Tigre e corre pelo oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.”

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As tumbas de alguns reis de Kush fazem parte de um sítio arqueológico no norte do Sudão.

Nos escritos do Antigo Testamento, Cush é conhecido também por Núbia e muitas vezes citado como Etiópia.

Os historiadores gregos Homero e Heródoto deixaram registrados que os cushitas povoaram o Egito, a Arábia, a Palestina, a Ásia Ocidental e a Índia. Foram considerados, por Heródoto, como os mais altos, os mais bonitos; de maior longevidade entre as raças humanas e os mais justos dos homens. São citados nos anais de todas as civilizações. A arte de embalsamento, pelo qual são famosos os faraós egípcios, teve sua origem na civilização Cushita.

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O Império de Cush construiu três vezes mais pirâmides que os egípcios e possuíram a cerâmica mais bela do mundo, assim considerada por todos os povos, inclusive os gregos.

A economia cushita era baseada em pedras preciosas, madeira de ébano, marfim, e também diversos produtos que contribuíram decisivamente para a manutenção e crescimento da civilização egípcia.

A 25ª dinastia do Egito é conhecida como dinastia etíope, em 712 a.C., porque o Egito foi conquistado pelo Império Cushita que governava o Egito e a Núbia.

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A primeira capital do Império Cushita foi à cidade de Kerma, anterior a 5.000 a.C, considerada a cidade mais antiga da África, cujo tamanho compreendia 62 acres e possuindo mais de 200 casas, e edifícios maciços do tijolo que foram devotados ao comércio e às artes, com um templo e um palácio.

A segunda capital foi Napata, um centro sagrado e devotado aos deuses. O templo fundado em Jebal Barkal, uma montanha sagrada, transformou-se na fonte de reivindicações de Núbia ao trono egípcio.

Os reis de Núbia invadiram o Egito e estabeleceram a 25ª dinastia. O império de Núbia abrangeu a Síria no norte à Núbia no sul. Os reis de Núbia ajudaram o estado de Israel em seu esforço de guerra contra os Assírios. A terceira capital foi Meroé, a sua linhagem real durou mil anos. A cultura de Núbia em Meroé combinou tradições egípcias.

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As mulheres tiveram papel proeminente na sociedade cushita, ocupando posições de poder e prestígio. Ao contrário das rainhas do Egito que possuíam o poder derivado dos seus maridos, as rainhas de Cush eram governantes independentes. Cush era uma sociedade matriarcal no período de Meroé. Os historiadores acreditam que em Meroé, uma das capitais do império cushita, nunca um homem reinou. O título de Candances para as rainhas foi originado do vocábulo ‘kentace’, e existiu por mais de quinhentos anos. Quatro dessas rainhas: Shanakdakete, Amanirenas, Amamishakete, Amamitere foram guerreiras temidas e comandaram seus bravos exércitos.

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A Rainha Amamishaketo e seu companheiro

A rainha Amanirenas reinou na cidade Meroé e quando o imperador romano Augustus tentou impor um imposto aos cushitas, Amanirenas e seu filho Akinidad, realizaram um ataque violento a um forte romano na cidade Asuan. Augustus mandou as tropas romanas; comandadas pelo general Peroneus, retaliaram, mas, encontraram uma forte resistência de Amanirenas comandando as tropas que derrotou os romanos e os obrigaram a negociar a paz. Os cushitas detiveram o avanço dos romanos na África, e colocaram um busto de César Augustus enterrado debaixo de uma entrada em um templo. Nesta maneira, todos que entraram pisariam em sua cabeça.

A rainha Amanirenas era alta, muito forte e cega de um olho; venceu as tropas romanas no ano 23 a.C., obrigando Roma a trocar embaixadores e fecharam um acordo, onde Roma devolveu um território cushita, anteriormente pago em imposto. Outras rainhas também enfrentaram as tropas romanas.

O exército africano de Cush derrotou inimigos egípcios, gregos e romanos.A civilização de Cush, com seu alfabeto, comércio e triunfos arquitetônicos é considerada por alguns estudiosos, como superior às civilizações mais desenvolvidas do mundo antigo.

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Em 1917, há exatos 100 anos, acontecia a primeira greve geral no Brasil

Não é possível medir ainda os efeitos da greve geral que acontece hoje, dia 28 de abril de 2017, em oposição às reformas trabalhistas propostas pelo atual governo federal e aprovadas pela câmara. É, porém, fácil concluir que o embate entre patrões e trabalhadores não é de hoje, e que, ainda que muita coisa tenha mudado, falta um bocado – especialmente hoje – para que as leis trabalhistas sejam justas e devidamente cumpridas, não somente em favor dos mais poderosos. Não é por acaso que a primeira greve geral do Brasil completa 100 anos em 2017.

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Em julho de 1917, o comércio e os trabalhadores da indústria realizaram uma das abrangentes e longas greves da história do Brasil. Iniciada em São Paulo, rapidamente a greve se estendeu ao Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e outros estados brasileiros.

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Operários paralisam os trabalhos em fábrica paulista

Inspirada em ideias anarquistas, e contando com o apoio da imprensa libertária da época, a grave aconteceu no contexto da primeira guerra mundial, quando a exportação intensa de alimentos provocou uma diminuição na oferta para consumo interno e, com isso, trazendo forte alta no preço dos produtos no país.

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Nessa época, não havia uma legislação geral que protegesse o trabalhador brasileiro – e, como sempre, a prosperidade da indústria e dos empresários não trouxe melhoras aos trabalhadores. O salário aumentava muito abaixo do crescimento do custo de vida, e diversos trabalhadores, imigrantes e brasileiros, trabalhavam em condições precárias, atravessando jornadas desumanas e recebendo salários incapazes de prover condições mínimas de vida às famílias.

Cerca de 70 mil pessoas aderiram à paralização.

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Ao fim, aumentos de salário foram concedidos, e a grande vitória foi o reconhecimento dos movimentos operários e das organizações como instâncias legítimas – muitos outros acordos, porém, não foram cumpridos.

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Ação da polícia durante a greve de 1917

Algumas exigências da época, como o fim do trabalho infantil, a regulamentação de um dia fixo para o pagamento, o direito à associação entre trabalhadores e a regulamentação de jornadas corretas de trabalho, podem hoje parecer anacrônicas. O fato, porém, é que, com as devidas adaptações da passagem do tempo, a luta por condições de trabalho e vida menos exploratórias e mais humanas permanece a mesma, cem anos depois.

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© fotos: divulgação

Nefertiti

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Nefertiti (c. 1380 – 1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito, esposa principal do faraó Amenófis IV, mais conhecido como Aquenáton.

Raízes familiares

As origens familiares de Nefertiti são pouco claras. O seu nome significa “a mais Bela chegou”, o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni (império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia), filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amenófis III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do rei, num gesto de amizade daquele império para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou um nome egípcio e os costumes do país.

Contudo, nos últimos tempos tem vingado a hipótese de Nefertiti ser egípcia, filha de Ay, alto funcionário egípcio responsável pelo corpo de carros de guerra que chegaria a ser faraó após a morte de Tutancâmon. Aye era irmão da rainha Tié, esposa principal do rei Amenófis III, o pai de Aquenáton; esta hipótese faria do marido de Nefertiti o seu primo. Sabe-se que a família de Aye era oriunda de Akhmin e que este tinha tido uma esposa que faleceu (provavelmente a mãe de Nefertiti durante o parto), tendo casado com a dama Tié.

De igual forma o nome Nefertiti, embora não fosse comum no Egito, tinha um alusão teológica relacionada com a deusa Hathor, sendo aplicado à esposa real durante a celebração da festa Sed do rei (uma festa celebrada quando este completava trinta anos de reinado).

Casamento com Amenófis

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Não se sabe que idade teria Nefertiti quando casou com Amenófis (o futuro Aquenáton). A idade média de casamento para as mulheres no Antigo Egipto eram os treze anos e para os homens os dezoito. É provável que tenha casado com Amenófis pouco tempo antes deste se tornar rei.

O seu marido não estava destinado a ser rei. Devido à morte do herdeiro, o filho mais velho de Amenófis III, Tutmés, Amenófis ocupou o lugar destinado ao irmão. Alguns autores defendem uma co-regência entre Amenófis III e Amenófis IV, mas a questão está longe de ser pacífica no meio egiptológico. A prática das co-regência era uma forma do rei preparar uma sucessão sem problemas, associando um filho ao poder alguns anos da sua morte.

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Nos primeiros anos do reinado de Amenófis começaram a preparar-se as mudanças religiosas que culminariam na doutrina chamada de “atonismo” (dado ao facto do deus Aton ocupar nela uma posição central). Amenófis ordenou a construção de quatro templos dedicados a Aton junto ao templo de Amon em Karnak, o que seria talvez uma tentativa por parte do faraó de fundir os cultos dos dois deuses. Num desses templos, de nome Hutbenben (Casa da pedra Benben), Nefertiti aparece representada como a única oficiante do culto, acompanhada de uma filha, Meketaton. Esta cena pode ser datada do quarto ano do reinado, o que é revelador da importância religiosa desempenhada pela rainha desde o início do reinado do seu esposo.

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No ano quinto do reinado, Amenófis IV decidiu mudar o seu nome para Aquenáton, tendo Nefertiti colocado diante do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, “perfeita é a perfeição de Aton”. Nefertiti passou a partir de então a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constituído por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas egípcias.

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The Nefertiti bust Nefertiti – statue

Durante algum tempo defendeu-se que Aquenáton teria introduzido pela primeira vez na história do mundo o conceito do monoteísmo, impondo às classes sacerdotais e populares o conceito de um só deus, o deus do sol, onde o disco solar representava o deus sol que regia sobre tudo na face da terra. Hoje em dia porém considera-se que seria um henoteísmo exacerbado.

Os muitos templos que celebravam os deuses tradicionais do Egito foram todos rededicados pelo rei ao novo deus por ele imposto. Especula-se que esta pequena revolução, entre outros possíveis objetivos, possa ter servido para consolidar e engrandecer ainda mais o poder e importância do faraó. Após o reinado de Aquenáton, o Egito antigo voltaria às suas práticas religiosas politeístas.

Nefertiti em Aquetáton

Aquenáton decidiu, igualmente a construção de uma nova capital para o Egito dedicada a Aton, que recebeu o nome de Aquetáton (“O Horizonte de Aton”). A cidade situava-se a meio caminho entre Tebas e Mênfis, sendo o lugar onde se encontram hoje as suas ruínas conhecido como Amarna. A cidade foi inaugurada no oitavo reinado de Aquenáton. Demorando apenas 3 anos para ficar pronta!

Um talatat (bloco de pedra) de Hermópolis (perto de Amarna) mostra a rainha Nefertiti a destruir o inimigo do Egito, personificado por mulheres prisioneiras, numa cena que até então tinha sido reservada aos reis desde os tempos da Paleta de Narmer.

Vida familiar

Nefertiti teve seis filhas com Aquenáton: Meritaton, Meketaton, Anchesenamon, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Pensa-se que as três primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as três últimas em Aquetáton entre o sexto e o nono ano de reinado.

A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do décimo segundo ano de reinado, como mostra uma cena que representa Aquenáton e Nefertiti a chorar diante do leito de morte da filha, essa filha teria morrido afogada. Durante o reinado de Aquenáton espalhou-se por todo Egipto uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como “doença mágica” que matou 3 filhas do casal, além de quase ceifar a vida de Tutancâmon.

A família real é representada em várias estelas em cena de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em mãos com o símbolo do ankh. Trata-se de representações até então não presentes na arte egípcia.

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Um aspecto que gera alguma perplexidade nestas representações são os crânios alongados dos membros da família real. Aquenáton, por exemplo, surge em estátuas e relevos como um homem muito diferente da norma e representado fora dos padrões rígidos da cultura milenar da época, exibindo femininos e andróginos, com uma cintura fina, porém com quadris largos e coxas decididamente femininas. Além disso, em várias obras os seus seios são aparentes. A sua face também aparece alongada e com lábios carnudos, femininos e sensuais. Para alguns estas características indicariam que a família sofreria de síndrome de Marfan, enquanto que outros consideram tratar-se de uma mera tendência estética exagerada, que visava criar novos padrões estéticos à semelhança do que tinha acontecido no campo da religião, segundo historiadores, Aquenáton queria mostrar nessas esculturas que somos muito mais que imagens, e pedia para ser retratado dessas formas para escandalizar os co-cidadãos, e também pelo fato de querer mostrar que ele era o “Grande esposo real” de Nefertiti, que assumiu a direção do Egipto como co-regente, deixando Aquenáton livre para ser o sumo sacerdote de Aton, as únicas imagens reais de Aquenáton e Nefertiti foram esculpidas em suas tumbas mortuárias, onde mostram claramente que Nefertiti era a mulher mais bela da época e Aquenáton não tinha os traços dos egípcios conhecidos.

Com Kia, uma esposa secundária, Aquenáton teve dois filhos, Nebnefer, que morreu durante o surto de peste e Tutancaton que depois que voltou á Tebas foi obrigado a mudar seu nome para Tutancâmon, pois depois da morte de Aquenáton, o Deus Aton, foi proscrito por alguns anos. Kia teria morrido no parto de Tutancâmon, e a mesma serviu apenas para dar a Aquenáton dois filhos homens para continuar o reinado, visto que Nefertiti não conseguia gerar filhos varões.

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São suas estátuas de Amenófis III com 18 metros de altura, consideradas as maiores esculturas do Egito.  As estatuas protegiam o templo do faraó que foi completamente destruído.

O desaparecimento da rainha

Nefertiti acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amenófis ela esvanece e não é mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscrições e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.

Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objectos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a visão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável foi o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.

Uma hipótese que procura explicar o silêncio das fontes considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Nefernefernuaton. Esta mudança estaria relacionada com a sua ascensão ao estatuto de co-regente. Ainda segundo a mesma hipótese quando Aquenáton faleceu Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Semencaré e governou como faraó durante cerca de dois anos. Há ainda outra hipótese, como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o braço direito de Aquenáton, sua morte teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o Projeto do “Deus Único” representado por Aton, cerca de dois anos depois, Aquenáton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti – Meritaton, foi elevada ao estatuto de “grande esposa real”. O seu reinado foi curto, pois segundo historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas, Tutancâmon então com 9 anos e sua outra irmã Anchesenamon com 11 anos.

Porém, muitos especialistas acreditam que esta pessoa foi um filho de Aquenáton. Já outros egiptólogos, como o professor David O’Oconnor da Universidade de Nova York (Universidade de Nova Iorque), especulam: Poderia se tratar de amor entre iguais, entre dois homens, dadas as características singulares de Aquenáton?

O busto de Nefertiti

A 6 de Dezembro de 1912 foi encontrado em Amarna o famoso busto da rainha Nefertiti, por vezes também designado como o “busto de Berlim” em função de se encontrar na capital alemã. A descoberta foi da responsabilidade de uma equipe arqueológica da Sociedade Oriental Alemã (Deutsche Orient Gesellchaft) liderada por Ludwig Borchardt (1863-1938). A peça foi encontrada na zona residencial do bairro sul da cidade, na casa e oficina do escultor Tutmés.

O busto de Nefertiti mede 50 cm de altura, tratando-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea incrustada; Ludwig Borchardt julgou que esta se teria desprendido quando encontrou o busto, mas estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada para não causar inveja as deusas.

Segundo o costume da época os achados de uma escavação eram partilhados entre o Egito e os detentores da licença de escavação. O busto de Nefertiti acabaria por ser enviado para a Alemanha, onde foi entregue a James Simon, uma dos patrocinadores da expedição. Contudo, a forma como saiu do Egito é pouco clara e alvo de disputas. Atualmente o Egito alega que Borchardt escondeu a peça, versão contraposta à que alega que os responsáveis pelas antiguidades egípcias não deram importância ao busto, deixando-o partir. Em 1920 a obra foi doada ao Museu Egípcio de Berlim, onde passou a ser exibida a partir de 1923, tornando-se uma das atrações da instituição.

Até então, as representações conhecidas da rainha, mostravam-na com um crânio alongado, sendo a rainha vista como uma mulher que provavelmente sofria de tuberculose. O busto revelou-se determinante na alteração da percepção da rainha, que muitas mulheres dos anos 30 procurariam imitar em bailes de máscaras.

Durante a Segunda Guerra Mundial a Alemanha retirou as peças dos museus de Berlim para colocá-las em abrigos. O busto de Nefertiti foi guardado num abrigo na Turíngia, onde permaneceu até ao fim da guerra até que o exército americano o levou para Wiesbaden. Em 1956 o busto regressou a Berlim Ocidental.

A alegada múmia de Nefertiti

Em Junho de 2003 a egiptóloga Joanne Fletcher da Universidade de York anunciou que ela e a sua equipe teriam identificado uma múmia como sendo a rainha Nefertiti.

Em 1898 o egiptólogo Victor Loret descobriu o túmulo do rei Amenófis II no Vale dos Reis. Como foi o trigésimo quinto túmulo a ser encontrado, este recebeu a designação de “KV35” na moderna egiptologia (King Valley´s 35). Para além da múmia deste rei, encontraram-se onze múmias numa câmara selada do túmulo. Três destas múmias foram deixadas no local, devido ao seu elevado estado de deterioração, tendo as restantes sido levadas para o Museu Egípcio. Duas múmias eram de mulheres e a terceira de um rapaz.

Uma peruca encontrada neste túmulo junto a uma das múmias chamou a atenção de Joanne Fletcher que a identificou com as perucas de estilo núbio utilizadas no tempo de Aquenáton. Para Fletcher, especialista em cabelos, esta peruca foi usada por Nefertiti. Para além disso, o lóbulo da orelha estava furado em dois pontos (uma marca da realeza), com impressões de uma tiara no crânio. A múmia não tinha cabelo o que corresponderia à necessidade de Nefertiti manter o cabelo raspado para poder utilizar a coroa azul e também para proteger-se contra piolhos e o calor do Egito na época retratada.

Contudo, a arcada dentária da múmia estava identificada como sendo de uma mulher de vinte e cinco anos, o que torna pouco provável tratar-se de Nefertiti. Mas, logo depois se reparou outro detalhe interessante, os ossos da múmia estavam juntos e sólidos, o que só pode significar que a múmia tinha entre trinta e trinta e cinco anos, o que de novo levanta a possibilidade desta ser a múmia de Nefertiti.

A misteriosa múmia foi teoricamente golpeada na boca destruindo boa parte de seu rosto. Os ferimentos mostravam que tal golpe foi realizado depois da mumificação, quando possíveis homens teriam entrado na tumba, mas não há uma pista do porque. A explicação para o golpe foi que, na tentativa de apagar Aquenáton da história egípcia, teriam golpeado a rainha na boca, impedindo que seu ka entrasse no pós-vida, como uma vingança.Todas as jóias que a ligavam com a realeza foram roubadas. Mas ainda assim através do raio-X foi possível identificar os famosos ‘pinos de Nefer’ usados pela rainha Nefertiti e também usados na mumificação de membros da família real. O cérebro da múmia também foi preservado, uma característica da décima oitava dinastia(a dinastia em qual Aquenáton governou).

Baseados nos estudos da Dra. Joanne Fletcher, era bastante provável que a múmia fosse de Nefertiti. Com isso, ela conseguiu permissão do governo egípcio para realizar um exame de DNA. Infelizmente, o exame mostrou que a múmia não era de Nefertiti, mas sim da irmã dela. As buscas pela múmia de Nefertiti continuam.

Via: wikipedia

Rainha Nefertari

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Nefertari foi uma grande rainha egípcia, esposa de Ramsés II faraó do Egito, cujo nome significa a mais bela, a mais perfeita e é muitas vezes seguida pelo epíteto amada de Mut. Nasceu aproximadamente em 1290 a.C. e morreu em 1254 a.C..Uma das muitas grandiosas rainhas da Nubia, Nefertari é anunciada como a rainha que se casou para a paz.

Os pais de Nefertari são desconhecidos, pressupõe-se que a sua origem foi uma família humilde. Uma possibilidade é que fosse filha do General Nakhtmin e de Mutnodjmet.

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Pintura parietal representado Nefertari, no seu túmulo.

Ramsés II desposou-a antes de suceder a Seti I e embora este tenha vivido muito mais tempo que ela e tido outras mulheres esta foi sempre designada excepcionalmente como a favorita.

Existem registos da sua presença numa festa em Luxor onde foi apresentada nos seguintes termos: A princesa, rica em louvores, soberana da graça, doce no amor, senhora das duas terras, a perfeita, aquela cujas mãos seguram os sistros, aquela que alegra o seu pai Amom, a mais amada, a que usa a coroa, a cantora de belo rosto, aquela cuja palavra dá plenitude. Tudo quanto pede se realiza, toda a realidade se cumpre em função do seu desejo e conhecimento, todas as suas palavras despertam alegria nos rostos, ouvir a sua voz permite viver.

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Interpretando as escrituras à letra Nefertari teria dado quatro filhos e duas filhas a Ramsés II. Mas, por vezes, a noção de filho corresponde a um título. Ao longo do seu reinado, Ramsés II adoptou um número consideravel de filhos régios e filhas régias, o que levou certos egiptólogos a crer que tinha sido um procriador proverbial.

Papel politico

No primeiro ano do seu reinado Nefertari foi associada a actos importantes. Logo após ter participado na coroação do seu esposo Ramsés II ela foi levada a apresentar-se perante ele em Abidos numa cerimónia em que Nebunenef foi nomeado sumo sacerdote de Amon, assegurando assim a fidelidade deste rico e poderoso clero tebano.

Vê-se nas inscrições egípcias as famosas festas de Min, onde a rainha fazia o ritual das sete voltas em torno do trono do faraó proferindo as formulas mágicas para perpetuar a prosperidade das Duas terras. Este era um ritual sagrado do estado.Tal como outra rainhas antes, Nefertari exerceu um importante papel nas negociações de paz com os povos vizinhos, nomeadamente com os hititas, correspondendo-se com a sua homóloga a rainha do Hatti.

Abu Simbel, Templo de Nefertari.

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Esfinge, construída sobre uma única pedra

 Em 06 de dezembro de 1912 uma equipe liderada pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt encontrou o agora famoso busto de Nefertiti em Amarna, no Egito. Em 1913.

Segredos de Nefertari

  • O texto está escrito em hieróglifos, palavra de origem grega que significa Escrita Sagrada. Essa escrita foi inventada por volta de 3.000 a.C., e sua última inscrição data de 394 d.C. Seu significado só foi decifrado em 1822, graças à redescoberta da Pedra de Roseta por soldados franceses, em um forte no Egito, anos antes. A Roseta tem 114 centímetros de altura por 72 centímetros de largura e contém um decreto real de Ptolomeu V(210-181 a.C.)inscrito em dois idiomas – grego e egípcio – e em três escritas diferentes, pois o texto egípcio aparece também em caracteres demóticos, uma forma de escrita cursiva abreviada. A comparação entre elas levou à decifração dos hieróglifos e ao surgimento de uma nova ciência: a Egiptologia.

    A escrita dos hieróglifos utiliza imagens em lugar de letras, e sua estrutura é formada por três tipos de caracteres: os figurativos (ou determinativos), pictogramas que são cópia direta dos objetos que representam; os simbólicos, ideogramas que expressam ideias abstratas; e os fonéticos, 24 sinais que podiam formar palavras de duas sílabas (biliterais) ou três (triliterais), cuja pronúncia é hoje desconhecida. Essas palavras eram acompanhadas por um sinal determinativo que atribuía um sentido ao conjunto de símbolos escritos.

    O texto e os desenhos reproduzidos aqui estão na parede sul do quarto C da tumba da rainha Nefertari (c. 1290-1254 a.C.). As paredes foram escavadas nas rochas de calcário, revestidas com reboco de gesso, e as pinturas têm cores vibrantes – vermelho, amarelo, verde e azul –, contrastando com o branco e o preto dos fundos e contornos. Cerca de 520 metros quadrados foram pintados contando a história da rainha.

    Neste detalhe, Nefertari, principal esposa de Ramsés II, está jogando o Senet, jogo popular na época. Como ela está sem parceiro, egiptólogos especulam que estaria jogando com seu próprio destino. O instrumento que a rainha tem na mão também é um hieróglifo e um instrumento musical, espécie de chocalho, símbolo da deusa Mut, protetora da rainha. Segue em hieróglifos o nome do sistrum, um chocalho ritual, com o seu determinativo, uma imagem da deusa Mut e a transliteração. O texto contém dois grandes hieróglifos determinativos, a imagem da rainha e o jogo que ela tem à sua frente (Senet), que informam o que a rainha está fazendo. Para os egípcios, o tamanho dos símbolos refletia a importância dos personagens, sendo as figuras maiores sempre as dos “donos” das tumbas.

    Margaret Marchiori Bakosé professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autora de O que são os hieróglifos (Brasiliense, 2009) e Fatos e mitos do antigo Egito (EDIPUC, 2009).

    A preferida de Ramsés

    O texto data da XIX Dinastia (1293-1185 a.C) e foi escrito no 24° ano do  governo de Ramsés II (1279-1212 a.C). A tumba está localizada no Vale das Rainhas, em Tebas, na margem esquerda do Rio Nilo. Existem cerca de 90 tumbas escavadas nessa área. Pouco se sabe dessa rainha, exceto que foi sempre a principal. Mãe do primeiro filho de Ramsés II (que teve mais de uma centena de filhos) e de outros cinco (sendo duas meninas), entre eles Merneptah (1212-1202 a.C.), seu sucessor.

    Solução:

     “A Osíris, a Grande Esposa do Rei do Alto e do Baixo Egito, Nefertari, amada de Mut, Senhora das Duas Terras, perante Osíris, Verdadeiro de Voz, o Grande Deus”.

Nefertiti jogando Senet

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Ramses II e Nefertari via :wikipedia

Ramsés II

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Ramsés II foi o terceiro faraó da XIX dinastia egípcia, uma das dinastias que compõem o Império Novo. Reinou entre aproximadamente 1279 a.C. e 1213 a.C. O seu reinado foi possivelmente o mais prestigioso da história egípcia tanto no aspecto económico, administrativo, cultural e militar. Foi também um dos mais longos reinados da história egípcia. Houve 11 Ramsés no reino do Egito, mas apenas ele foi chamado de Ramsés, o Grande.

Vida familiar

Ramsés II era filho do faraó Seti I e da rainha Tuya. A família de Ramsés não era de origem nobre: o seu avô, Ramsés I, era um general de Horemheb, o último rei da XVIII dinastia que o nomeou seu sucessor.

Aos dez anos Ramsés recebeu o título de “filho primogénito do rei”, o que correspondia a ser declarado herdeiro do trono. Seu pai introduziu-o no mundo das campanhas militares quando era ainda adolescente e Ramsés acompanhou-o contra os Líbios e em campanhas em Canaã e Sinai.

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Cairo - Uma pirâmide de mais de 3.000 anos de um vizir do faraó Ramsés II foi encontrada em Luxor, no sul do Egito

Esposas e filhos

Julga-se que pelo menos dez anos antes da morte do pai, Ramsés já era casado com Nefertari e Isitnefert. A primeira seria a mais importante e célebre das várias esposas que Ramsés teve na sua vida, tendo sido a grande esposa real até sua morte, no ano 24 do reinado de Ramsés. Nefertari, que possui o túmulo mais famoso do Vale das Rainhas, deu à luz o primeiro filho de Ramsés, Amenófis, conhecendo-se pelo menos mais três filhos e duas filhas de ambos. As pesquisas documentam seis filhos com Nefertari.

Isetnefert é menos conhecida que Nefertari, estando sua presença melhor atestada no Baixo Egipto. Com ela, Ramsés teve um filho que partilhava o seu nome, para além dos príncipes Khaemuaset e Merneptá (este último tornou-se seu sucessor devido à morte prematura dos filhos mais velhos de Ramsés). Khaemuaset foi sumo-sacerdote de Ptah na cidade de Mênfis e foi responsável pela organização das festas Sed celebradas em honra do pai. A festa Sed celebrava-se em geral no trigésimo aniversário de reinado do faraó e visava simbolicamente regenerar o seu poder; sabe-se que Ramsés celebrou catorze festas deste tipo, a primeira no ano 30, as seguintes num intervalo de cerca de três anos e no final da sua vida celebrou várias praticamente a cada ano. Khaemuaset era um amante de antiguidades e dedicou-se a mandar restaurar vários edifícios. Foi também responsável por mandar construir galerias subterrâneas em Sakara, onde eram sepultados os bois de Ápis.

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Ramsés foi também casado com sua irmã mais nova Henutmiré (segundo alguns autores seria sua filha em vez de irmã) e com três das suas filhas, Meritamon, Bentanat e Nebet-taui. Após a paz com os hititas, Ramsés recebeu uma filha do rei Hatusilli III como presente. Com ela casou no ano 34 do seu reinado. Seu nome hitita é desconhecido, mas sabe-se que adotou o nome egípcio de Maathorneferuré. Sete anos depois desse casamento, esposou outra princesa hitita, sobre a qual nada se sabe.

Campanhas militares

Batalha de Kadesh

Ramsés sucedeu ao pai em 1279 ou 1278. No plano internacional os hititas, que viviam no que é hoje a Turquia, surgem como rivais do império egípcio no corredor sírio-cananeu.

No ano 4 do seu reinado, Ramsés conduz uma expedição militar exploratória que alcança a Fenícia. No rio Cão, perto da moderna Beirute, manda erguer um estela, cujo texto é hoje ilegível.

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No ano seguinte inicia-se a guerra propriamente dita com os hititas. Ramsés atravessa a fronteira egípcia em Sila e um mês depois chega aos arredores da cidade de Kadesh, perto do rio Oronte, com o objectivo de expulsar os hititas do norte da Síria.

O exército egípcio estava dividido em quatro unidades, que receberam o nome de um deus da mitologia egípcia: Amon, Ré, Ptah e Set. O exército aguardou nos arredores de Kadesh, desejoso por cercar a cidade. Dois hititas que se apresentam como desertores (mas que na realidade eram espias), enganam os egípcios, afirmando que os hititas ainda estão bem longe de Kadesh. Ramsés decide então avançar com a unidade Amon que lidera, desconhecendo que os hititas estavam escondidos a leste de Kadesh. Subitamente, a unidade Amon é cercada pelos hititas.

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Segundo o relato egípcio, o “Poema de Kadesh” gravado nas paredes dos templos de Karnak, Luxor, Abidos, Abu Simbel e no Ramesseum, Ramsés foi abandonado pelos soldados e, sozinho na sua carruagem, fica frente a frente dos hititas. O rei, desolado por ter sido abandonado, faz uma prece a Amon, lamentando-se por seu destino. Amon escuta sua prece e Ramsés transforma-se em guerreiro todo-poderoso que enfrenta completamente sozinho os hititas.

A realidade, porém, encontra-se distante desse relato irreal ao serviço da propaganda faraónica. Julga-se que os egípcios foram obrigados a recuar, não tendo tomado Kadesh, mas os reforços chegaram a tempo de o salvar.

Esfinge de Ramsés II/Tutmósis III.

Nos próximos anos do reinado continuam os combates com os hititas na Síria Palestina. No ano 16 do reinado de Ramsés, Mursili III, filho mais novo de Muwatalli II, foi deposto pelo seu tio Hatusilli III. Após várias tentativas de recuperar o trono, Mursili foge para o Egipto. Hatusilli III exigiu a sua deportação imediata, mas como essa foi recusada por Ramsés, os hititas mantinham mais um motivo para continuar com sua hostilidade.

No ano 21 do reinado de Ramsés, um tratado de paz procurou terminar o conflito. Esse tratado é conhecido nas suas duas versões, a hitita, escrita em tabuinhas de argila em cuneiforme babilónio e encontrada em Boghaz-Koi e a egípcia, gravada em duas estelas em Tebas. As razões para o tratado estariam relacionadas não só com a não resolução do conflito, mas também com o receio que gerava a ascensão da Assíria. Nos termos do tratado os dois impérios prometem ajudar-se em caso de agressão externa e dividem zonas de influência: Canaã e Sinai ficam sob domínio egípcio e a Síria, para os hititas.

Monumentos

Ramsés é o faraó que deixou o maior legado em termos de monumentos. O soberano apropriou-se de obras de faraós do passado (incluindo dos faraós do Império Antigo, mas sobretudo do faraó Amenófis III), que apresentou como suas, mandou concluir edifícios e lançou as suas próprias obras. Entre as obras concluídas por Ramsés II encontram-se a sala hipóstila do templo de Karnak em Tebas e o templo funerário do seu pai em Abidos.

Foi também Ramsés um dos responsáveis pela destruição dos templos da cidade de Amarna, que eram os últimos vestígios da era de Aquenáton, faraó que pretendia fazer de Aton a divindade suprema. Os blocos de pedra destas estruturas foram reutilizados na cidade de Hermópolis Magna, situada na margem oposta de Amarna.

Pi-Ramsés

Pi-Ramsés ou Per-Ramsés (“A Casa de Ramsés”) foi a capital do Egito durante o reinado de Ramsés e até ao fim da XX dinastia. Não foi descoberta até ao momento a localização exata da cidade, mas sabe-se que era na região oriental do Delta.

A cidade foi erguida sobre uma aglomeração fundada por Seti I no começo do reinado de Ramsés. Para lá são transferidos obeliscos e nela se erguem templos dedicados às principais divindades egípcias, como Amon, Ré e Ptah. Dois séculos depois as suas estátuas e obeliscos da cidade foram transferidas para Tânis, a nova capital da XXI dinastia.

As razões que explicam esta mudança de capital são as raízes familiares do faraó na região do Delta, para além da sua localização estar mais próxima do principal centro de intervenção militar desta época, a Síria-Palestina, que separava o Egito dos hititas.

Templos na Núbia

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Na Núbia Ramsés mandou construir vários templos. Dois dos mais famosos, escavados na rocha, encontram-se em Abu Simbel, perto da segunda catarata do Nilo.

O maior destes dois templos (Grande Templo ou Templo de Ramsés) penetra sessenta metros na rocha. É dedicado a Ramsés, associado a Amon-Ré, Ptah e Ré-Horakhti). Possui na entrada quatro estátuas de Ramsés com mais de 20 metros de altura, que o retratam em diferentes fases da sua vida. Passada a entrada do templo encontra-se um sala hipóstila onde se acham oito estátuas de Osíris. A versão egípcia da Batalha de Kadesh está representada no templo. O segundo templo (Pequeno Templo), a norte do Grande Templo, é dedicado a Nefertari (associada a Hathor). Na sua fachada encontram-se quatro estátuas de Ramsés e duas de Nefertari.

O templo foi construído por Ramsés II para comemorar sua vitória na batalha de Kadesh (ca. 1274 aC). É dedicado ao culto de Ramsés próprios (os faraós eram considerados deuses) e as divindades mais importantes do antigo Egito, Amon, Rá e Ptah. Estes três deuses tinham o seu capital e ao longo da história do antigo Egito foram altamente reverenciado. Rá era o chefe do Grupo dos nove de Heliópolis, Amon chefe da Tríade de Tebas e do grande deus Ptah de artesão Mênfis. Ao lado dos três representa Ramsés como o quarto grande deus do Egito. A construção do templo começou em 1284 para aproximadamente. C. e durou cerca de 20 anos, até 1264 a. C.

Ele é um dos seis templos construídos ou escavado na rocha, que foram construídas na Núbia durante o longo reinado de Ramsés II. O objetivo do templo era impressionar os vizinhos ao sul e reforçar a influência da religião egípcia na região. A fachada do templo é de 33 metros de altura por 38 metros de largura e é guardado por quatro estátuas sentadas, cada uma das quais é de cerca de 20 metros de altura, esculpida diretamente na rocha. Todas as estátuas representam Ramsés II, sentado em um trono com a coroa dupla do Alto e Baixo Egito. A estátua do lado esquerdo da entrada foi danificada por um terremoto, dividindo. Com a deslocalização do templo foi discutido sobre a possibilidade de reconstruir ou não, de finalmente se decidir, uma vez que estava indo embora. Você também pode ver muitas estátuas menores ao pé das quatro estátuas principais, representando vários membros da família do rei, sua mãe, sua esposa e alguns de seus descendentes.

Templo de Luxor

Templo que fica no centro de Luxor consagrado à triade de deuses tebanos – Amon, Mut e Khonsu. Ao obra foi em grande parte teminada por Amenófis III, da 18ª Dinastia, mas ganhou acréscimos no reinado de Ramsés II, da 19ª Dinastia e tambem por Alexandre o Grande a ainda no século 13 foi erguida a Mesquita de Abu al-Haggag que continua intacta.

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Templo de Karnak

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Compexo onde fica o Templo de Amon, consagrado ao rei dos deuses. Construído ao longo de 1.500 anos é uma das maiores realizações arquitetônicas da humanidade, sua construção teve início modestamente na 11ª Dinastia, mas diversos faraós fizeram acréscimos a fim de deixar sua marca no templo mais importante do país.

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No meio do assombroso Salão Hipóstilo de 5.600m², cujas 134 colunas tem diâmetro de 10m e atingem 24m de altura, torna-se evidente que a Basílica de São Pedro (Roma) e a Catedral de São Paulo (Londres) poderiam tranquilamente caber nos 40ha desse templo e sobraria espaço para 8 edifícios de igual tamanho. 

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Maior santuário religioso da Antiguidade, Karnak é ligado por uma esplanada de mais de 3km de extensão ás margens do Nilo (nos velhos tempos ladeada de esfinges) ao Templo de Luxor, seu santuário-irmão localizado mais ao sul.

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Em 2013, durante escavações a leste do Grande Templo, uma equipe de arqueólogos egícios e alemães descobriu uma estátua de Ramsés II, no templo da deusa Bastet, com 1,95 m de altura e 1,60 m de largura, de granito vermelho. Na parte trazeira da figura, há hieroglifos com o nome de Ramsés II. O templo de Bastet está localizado na colina de Bubastis, um dos sítios arqueológicos mais antigos do país, a cerca de 85 km a noroeste do Cairo, onde foram descobertos objetos que datam da IV dinastia (de 2630 a 2500 a.C.). Além da estátua de Ramsés II, os arqueólogos encontraram a estátua de um alto funcionário do governo egípcio do período da dinastia XIX, com 35 cm de altura, feita de arenito.

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O interior do templo tem um layout semelhante à maioria dos templos do antigo Egito, com salas menores com o aproximar do santuário. O primeiro quarto contém oito estátuas de Ramsés elevados a Deus, tomando a forma de Osíris. Estas estátuas estão ligados às colunas. Nas paredes você pode ver impressões com cenas das vitórias egípcios na Líbia, Síria e Núbia. O santuário contém três estátuas de deuses Rá, Ptah, Amon e Ramsés, todos sentados. O templo foi construído em tal direção que os dias 21 de outubro e 21 de fevereiro (61 dias antes e 61 dias após o solstício de inverno, respectivamente) sol penetrou no santuário, localizado na parte de trás do templo, e iluminar o rostos de Amon Rá e Ramsés, deixando apenas o rosto do deus Ptah no crepúsculo, ele era considerado o deus das trevas. Diz-se que estas datas correspondem aos dias do aniversário do rei e sua coroação, embora sem dados comprobatórios. Após o deslocamento do templo, verificou-se que o fenômeno solar ocorre uma diferença de dias a partir de Outubro original 22 e 20 de fevereiro (60 dias antes e 60 dias após o solstício). 

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Devido à construção da barragem de Assuã para criar Lago Nasser e o conseqüente aumento do nível do Nilo era necessário realocar vários templos, incluindo aqueles que estavam na beira do rio. Uma equipe internacional importante tratado de grandes blocos e remontado em um lugar seguro todo o templo, como um quebra-cabeça gigante. Em 1959, ele iniciou uma campanha internacional de angariação de fundos para salvar os monumentos da Núbia, como alguns deles estavam em perigo de desaparecer sob a água, como resultado da construção da barragem de Assuã. Os países participantes foram recompensados com alguns pequenos templos da Núbia. O salvamento dos templos de Abu Simbel começou em 1964 e custou a soma de US $ 36 milhões. Entre 1964 e 1968, os templos foram desmontados para ser reconstruída em uma área próxima, 65 metros de altura e cerca de 200 metros de distância. No entanto, este projeto, o templo continua a deteriorar-se por causa da erosão causada pelo vazamento das águas do Lago Nasser.

Templo de Nefertari

Enquanto o Grande templo de Abu Simbel é um templo com estatuária excessiva e de tamanho exorbitante, o templo de Nefertari parece ser baseado no templo funerário da rainha Hatshepsut (1520 aC.). O templo é muito simples e construído em dimensões bastante inferiores às do templo de Ramsés.
O pequeno templo de Abu Simbel, localizado 150 metros a norte do templo maior, foi construído em honra à sua esposa preferida, Nefertari, e é dedicado à deusa do amor e da beleza, Hathor. A fachada do templo representa no total seis estátuas, de dez metros cada uma, todas com a perna esquerda mais à frente da direita em posição de marcha. Duas delas são de Nefertari (uma de cada lado da entrada) e cada uma dessas estátuas está ladeada por duas estátuas de Ramsés. A ordem dos colossos da esquerda para a direita é a seguinte:
Ramsés II com a coroa do Alto Egito e a barba postiça;
Nefertari com características da deusa Hathor, disco solar entre 2 altas plumas e cornos de vaca;
Ramsés II com a coroa branca do Alto Egito e a barba postiça;
Ramsés II com a coroa dupla da união do alto e baixo Egito e barba postiça;
Nefertari com características da deusa Hathor, disco solar entre 2 altas plumas e cornos de vaca;
Ramsés II com o nemes, a coroa atef e a barba postiça.
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Na fachada existem também pequenas imagens das crianças reais, representações dos príncipes entre as pernas do faraó, e das princesas entre as pernas da rainha. A porta de acesso ao templo está decorada com inscrições do nome do faraó, e representações do faraó a fazer oferendas às deusas Hathor e Ísis.
Quando se entra no templo encontra-se uma sala quadrada com 11 metros de comprimento e 10,8 metros de largura com seis pilares colocados em duas filas, na frente dos quais está representada a cabeça da deusa Hathor e nos outros lados dos pilares tem figuras da casal real e de outros deuses. Sobre a cabeça da deusa Hathor estão escritas histórias do faraó ou da rainha, separadas por fórmulas de adoração às deusas: Mut, Ísis, Satis, Hathor, Anukis e Urethekau. Esta sala possui três portas que levam a uma câmara transversal estreita e esta, por sua vez, tem ligação com duas câmaras laterais inacabadas e com o santuário.
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O Templo de Luxor , junto às margens do Nilo, foi iniciado por Amenofis II., engrandecido por Tutmosis III e terminado por Ramsés II. durante o período de maior riqueza e poder do Egipto Antigo. Por isso são inumeráveis as colunas, estátuas, pátios, mesquitas, santuários, etc., que aí ainda se podem admirar hoje.
As câmaras laterais não têm decoração, pensando-se que deveriam servir como armazém de objectos utilizados em cerimônias religiosas.O santuário tem uma estátua da deusa Hathor saliente da rocha entre dois pilares de Osíris e nas paredes estão representadas cenas de oferendas.

Abu Simbel permaneceu soterrada pelas areias do deserto até 1812, ano em que foi descoberta por Jean-Louis Burckhardt. A construção da grande barragem de Assuão alterou o nível das águas do Nilo, razão pela qual os templos foram desmontados, cortados em 1036 blocos e montados num local mais alto entre os anos de 1964 e 1968, numa campanha internacional promovida pela UNESCO.

Em Uadi es-Sebua Ramsés mandou construir um novo templo dedicado a Ré e a si próprio. Na direcção dos trabalhos esteve Setau, vice-rei da Núbia, que recrutou homens das tribos locais para a construção. No mesmo local Ramsés ordenou a reconstrução de um templo erguido por Amenófis III que fora danificado durante a era de Amarna.

Ramesseum

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O templo funerário de Ramsés é conhecido como o Ramesseum. Situado na margem ocidental de Tebas estava dedicado ao deus Amon e ao próprio faraó, encontrando-se hoje num estado bastante deteriorado. O templo era famoso pela estátua colossal de Ramsés em posição sentada (da qual apenas restam fragmentos). Nas paredes do templo foram representados eventos como a Batalha de Kadesh e a celebração da festa do deus Min, assim como uma procissão dos numerosos filhos do faraó. No local foi descoberto um papiro que continha a obra literária “Conto do Camponês Eloquente” e textos de carácter médico.

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Morte

Ramsés faleceu no ano 67 do seu reinado, quando já teria mais de noventa anos. O Egipto conseguiu continuar a exercer controle sobre Canaã e Sinai até a parte final da XX dinastia.

O túmulo de Ramsés foi construído no Vale dos Reis (KV7), necrópole de eleição dos faraós do Império Novo, tendo sido preparado pelo seu vizir do sul, Pasar. Embora seja maior que o túmulo do seu pai, o túmulo não é tão ricamente decorado e encontra-se hoje danificado. Do seu espólio funerário restam poucos objectos, que estão espalhados por vários museus do mundo.

A múmia do faraó foi encontrada num túmulo colectivo de Deir el-Bahari no ano de 1881. Em 1885 a múmia foi colocada no Museu Egípcio do Cairo onde permanece até hoje. Em 1976 a múmia de Ramsés realizou uma viagem até Paris onde fez parte de uma exposição dedicada ao faraó e onde foi sujeita a análises com raios X. Na capital francesa uma equipe composta por cento e dez cientistas foi responsável por tentar descobrir as razões pelas quais a múmia se degradava progressivamente. Os cientistas atribuíram esta degradação à acção de um cogumelo, o Daedela Biennis, que foi destruído com uma irradiação de gama de cobalto 60. As análises revelaram que Ramsés sofria de doença dentária e óssea.

Curiosidades

Em 1976, a múmia do Faraó Ramsés precisou ser levada a Paris, onde foi tratada contra uma infestação de fungos. Nessa ocasião, foi providenciado um passaporte para a múmia em que constava sua ocupação: “Rei falecido”. Chegando à França, ao desembarcar no aeroporto de Le Bourget, em Paris, a múmia de Ramsés foi pomposamente saudada com honras militares destinadas a monarcas e chefes de estado.

Titulatura

Como se fazia no Antigo Egito, Ramsés tinha um série de nomes que compunham a sua titulatura. Ramsés é o seu nome de nascimento e significa “nascido de Rá” ou “filho de Rá”. O seu prenome, isto é, o nome que este assumiu quando se tornou faraó foi Usermaet-rá Setepenrá, o que é traduzido como “Poderosa é a justiça de Rá – Escolhido por Rá”. via via

O vale dos reis era a necrópole dos faraós do Império Novo. A partir de Tutmosis I (1500 a.C) os faraós passaram a escavar os túmulos profundamente nas montanhas de Tebas, na esperança de impedir que ladrões roubassem seus inestimáveis pertences que eram enterrados junto com eles. Os corredores e câmaras mortuários são magnificamente ornamentados e decorados com pinturas rituais e relatos simbólicos da jornada para a vida após a morte.

Entre as muitas tumbas reais escavadas no vale dos Reis,somente a de Tutankamon foi encontrada intacta. Ao visitante resta especular, com tristeza, a respeito de tudo o que deve ter desaparecido com as pilhagens dos túmulos dos faraós mais poderosos, como Ramsés II, mas as imagens incrustada nas paredes dos túmulos vale a visita, são realmente impressionantes.

A tumba de sete câmaras de Nefertari, mulher de Ramsés fica no vale das Rainhas e é tida por historiadores da arte como uma das mais requintadas– uma vívida e delicadamente trabalhada prova do amor do faraó à sua esposa favorita entre as 40 que possuía. Infelizmente quando estive no Egito esta não estava aberta a visitação.

Via: wikipedia