Aos 90 anos, ele decidiu realizar o sonho de realizar uma graduação

Carlos Augusto Manço sempre teve o sonho de cursar a faculdade de arquitetura. Sem condições financeiras para bancar uma faculdade quando começou a vida profissional, ele optou por um curso técnico, mas rápido e barato, mas agora está se dedicando a realizar o sonho antigo. Detalhe: aos 90 anos de idade.

Morador de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Carlos Augusto fez um curso técnico em desenho industrial e trabalhou por cinco anos no Departamento de Água e Esgoto da cidade, até conseguir emprego no campus local da USP (Universidade de São Paulo), na qual desenhou obras de expansão da faculdade até se aposentar.

“Sempre gostei da profissão, até pelo contato que tinha com engenheiros e arquitetos no tempo que estive na USP, mas devido a situação financeira não consegui fazer faculdade e por isso, fiz o curso técnico”, contou ao site da Barão de Mauá, faculdade onde estuda.

“Fui recebido muito bem por todos os colegas de classe e estou muito empolgado com o que estou aprendendo. Tenho vontade de fazer tudo!”, relatou o aposentado, que contou com o incentivo da família para se matricular.

 De acordo com a neta, Isabella, o falecimento da esposa, no ano passado, foi um grande baque para Carlos, depois de 62 anos de união. “Foi muito impactante. Agora tentamos dar novos incentivos à vida dele e um deles é a faculdade”, disse ao portal ACidade ON.

Os 90 anos não impedem que Carlos Augusto tenha uma vida ativa. Além da faculdade, ele cursa pintura livre na USP. Seu objetivo, após se formar como arquiteto, é colaborar com outros profissionais da área. Enquanto isso, ele vai inspirando colegas de sala e desconhecidos que também lutam por um sonho.

 
Anúncios

Os bizarros conselhos sexuais de um manual banido há 300 anos no Reino Unido

No começo da vida sexual, muita gente busca por conselhos sobre o que fazer ou não na cama. Com o tempo, a gente acaba descobrindo que não existe certo ou errado entre quatro paredes, desde que haja consentimento. Mesmo assim, os conselhos deste manual provavelmente parecerão estranhos para qualquer um.

Escrito há cerca de 300 anos por um autor desconhecido que usava o pseudônimo de Aristóteles, o livro “Aristotle’s Masterpiece Completed In Two Parts, The First Containing the Secrets of Generation” (que poderia ser traduzido como “A obra-prima de Aristóteles, feita em duas partes, contendo a primeira os segredos da procriação“) tem conselhos que nem a sua avó daria. As dicas são acompanhadas de xilogravuras explicativas para que ninguém fique em dúvidas sobre o que o autor pretendia dizer…

Confira algumas das preciosidades encontradas na obra, cheia de fundamento científico (só que ao contrário):

Segredos da alimentação

Para os homens que pretendem procriar, o manual recomenda uma dieta à base de raízes e aves que cantam. As mulheres, no entanto, deveriam evitar comidas gordurosas e temperos, pois isso deixaria seus corpos mais quentes – e, pelo visto, ninguém queria ver mulher fogosa por aí…

Sobre a aparência dos filhos

De acordo com as crenças do autor do manual, a aparência dos filhos não tem nenhuma relação com o nosso código genético. Ela depende mesmo é da imaginação da mãe que, portanto, deveria focar o pensamento no marido e encará-lo fortemente para que a criança se pareça ao pai. Também é importante que as mulheres “não deitem com animais”, já que assim poderiam dar à luz a monstros. Então tá, né?

O gênero dos bebês

Decidir o gênero dos futuros bebês de um casal é mais simples do que você imaginava. Segundo o manual, a mulher precisaria deitar-se sobre o lado esquerdo para ser mãe de uma menina após o sexo. Se desejasse um filho homem, bastaria fazer o contrário, virando-se para o lado direito.

Os atros também pesam nessa balança. Para engravidar de um menino, a melhor época é “quando o sol está em Leão e a Lua, em Virgem, Escorpião ou Sagitário”. Para as meninas, o melhor é quando a “a Lua está na fase minguante, em Libra ou em Aquário”.

Foto: Hanson’s Auction House/Divulgação/fonte:via

Inteligência artificial decifra alguns mistérios do antigo manuscrito de Voynich


Usando inteligência artificial, pesquisadores da Universidade de Alberta (Canadá) deram um grande passo para desvendar o significado de um documento que vem sendo indecifrável há cem anos: o manuscrito de Voynich.

Nomeado em homenagem a Wilfrid Voynich, um comerciante de livros que colocou suas mãos no texto em 1912, o manuscrito de 240 páginas tem 600 anos e está preenchido com uma linguagem aparentemente codificada e ilustrações esquisitas, confundindo linguistas e criptógrafos há décadas.

Criptograma mais importante do mundo

 

O manuscrito de Voynich contém centenas de páginas frágeis, sendo que algumas estão faltando. Escrito à mão, o texto vai da esquerda para a direita e a maioria das páginas também possui desenhos, como plantas, figuras humanas nuas e símbolos astronômicos.

É difícil decifrar o seu significado porque o documento está escrito em um código desconhecido para disfarçar uma linguagem que não sabemos qual é – uma dupla incógnita que se revelou, até agora, impossível de se resolver.

Considerado o criptograma mais importante do mundo, foi examinado por incontáveis mentes profissionais e amadoras, inclusive criptógrafos que trabalharam decifrando comunicações inimigas na Segunda Guerra Mundial.

Várias teorias foram levantadas ao longo dos anos, incluindo que o documento foi criado usando esquemas de criptografia semialeatórios; anagramas; ou sistemas de escrita em que as vogais foram removidas. Alguns até sugeriram que o manuscrito é uma “pegadinha” altamente elaborada.

A primeira batalha foi ganha

Já que as máquinas estão aí para dominar o mundo mesmo, pelo menos podemos usá-las a nosso favor. Tendo em vista que muitos seres humanos falharam na tarefa, estava na hora de recorrer a um cérebro que poderia processar esse texto com o escrutínio necessário: a inteligência artificial.

Os cientistas da computação Greg Kondrak, especialista em processamento de linguagem natural, e Bradley Hauer, seu estudante de pós-graduação, decidiram fazer o teste. O primeiro passo era descobrir o idioma do manucristo criptografado. Para esse fim, uma inteligência artificial (IA) estudou o texto da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, escrito em 380 línguas diferentes, procurando por padrões.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a2/Voynich_Manuscript_%28147%29.jpg

Em seguida, a IA passou para o Voynich, concluindo com uma alta taxa de certeza que o texto foi escrito em hebraico codificado. Kondrak e Hauer ficaram surpresos, uma vez que entraram no projeto pensando que ele havia sido elaborado a partir do árabe.

A segunda batalha está em curso

Ótimo, está em hebraico. Mas como esse hebraico foi codificado? O segundo passo da pesquisa foi testar hipóteses de criptografia propostas por cientistas ao longo do tempo. A principal delas é que o texto havia sido criado com alfagramas, ou seja, a palavra é substituída por um anagrama ordenado alfabeticamente (por exemplo, MANUSCRITO seria ACIMNORSTU).

https://i2.wp.com/www.bibliotecapleyades.net/ciencia/imagenes_manuscrito/manuscrito031.jpg

Armados com o conhecimento de que o texto foi originalmente codificado em hebraico, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo que poderia levar esses anagramas a criar palavras hebraicas reais. “Mais de 80% das palavras existiam em um dicionário hebreu, mas não sabíamos se faziam sentido juntas”, contou Kondrak.

Para o passo final, os pesquisadores decifraram a frase de abertura do manuscrito, apresentando-a a um colega cientista da computação e falante nativo de hebraico, Moshe Koppel. Decepcionantemente, Koppel disse que ela não formava uma frase coerente em hebraico.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/Voynich_Manuscript_%2899%29.jpg

Novamente com a ajuda do computador, no entanto, depois de algumas correções ortográficas, a frase foi convertida em uma sentença em hebraico que pode ser traduzida para o inglês (e agora para o português): “She made recommendations to the priest, man of the house and me and people” ou “Ela fez recomendações para o padre, o homem da casa, eu e as pessoas”.

Vencendo a guerra

Essa é uma maneira muito bizarra de se abrir um manuscrito de 240 páginas, mas pelo menos faz algum sentido.

De acordo com Kondrak, o significado completo do texto não será conhecido até que historiadores de hebraico antigo tenham a chance de estudar o texto decifrado.

Além disso, a equipe está planejando aplicar o seu algoritmo a outros manuscritos antigos, destacando o potencial da IA nesse campo de estudo.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/63/Voynich_Manuscript_%2836%29.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Voynich_Manuscript_%28105%29.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4b/Voynich_Manuscript_%28109%29.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a6/Voynich_Manuscript_%2812%29.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f2/Voynich_Manuscript_%2823%29.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/Voynich_Manuscript_%28141%29.jpg

Resultado de imagem para manuscrito de Voynich

https://vivimetaliun.files.wordpress.com/2018/03/84944-image_1195_1e-voynich-manuscript.jpg?w=444

https://vivimetaliun.files.wordpress.com/2018/03/614cf-el-manuscrito-voynich.jpg?w=444

https://i2.wp.com/www.gazetadopovo.com.br/ra/mega/Pub/GP/p4/2016/08/26/CadernoG/Imagens/Cortadas/1006227_quarter-klnD-U20771339086i4G-1024x768@GP-Web.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0f/68r.jpg

https://k09.kn3.net/B3D924DDF.jpg

fonte:[via][Gizmodo]

Livro explica como relação com os animais influenciou a vida de Frida Kahlo

Frida Kahlo é reconhecida por sua força e por uma vida marcada por incidentes de saúde – a artista sobreviveu à poliomelite quando criança e sofreu um grave acidente de ônibus aos 18 anos, que a deixou com diversas sequelas. Porém, pouco se fala sobre outro aspecto fundamental na vida de Frida: seu amor pelos animais.

Lançado recentemente, o livro “Frida Kahlo and Her Animalitos“, da escritora Monica Brown, com ilustrações de John Parra, busca retratar essa faceta da artista mexicana. Voltada para crianças, a obra explora a maneira como essa relação com diferentes espécies de animais ajudou a moldar o caráter e a personalidade de Frida.

Em sua Casa Azul, a artista convivia com um papagaio, uma águia, dois macacos, duas tartarugas, três cachorros, um gato e até um cervo. Em algumas das páginas da história, a autora conta que Frida era colorida como seu papagaio, enquanto outro trecho a retrata como uma mulher independente como um gato.

As ilustrações também são um show à parte e relembram o melhor da vida e da obra da artista. Espia só!

Fotos: Brain Pickings /fonte:[via]

Todos os meses, as drags queens leem historinhas para as crianças em biblioteca de NY

O que crianças e drag queens têm em comum? Ambos são absurdamente felizes e adoram coisas coloridas e reluzentes. Interesses em comum à parte (ou não), a Biblioteca Pública do Brooklyn, em Nova York, vem dando um verdadeiro show de diversidade, com um projeto chamado Drag Queen Story Hour no qual convida drag queens para lerem histórias infantis para crianças uma vez por mês.

A iniciativa foi criada em 2015 pela escritora Michelle Tea e a Radar Productions, uma organização sem fins lucrativos na cidade de São Francisco. O evento reuniu crianças e drags que, além de lerem histórias também pintaram os rostos dos pequenos. O sucesso foi imenso e depois de sua primeira edição, o evento se espalhou por outras cidades americanas, como Los Angeles e Nova York.

Eu vi no Facebook uma publicação sobre o projeto”, disse Rachel Aimee, coordenadora da Drag Queen Story Hour em Nova York, ao The New York Times. “E assim que eu vi disse: ‘Uau, é isso o que eu estava esperando”.

O Drag Queen Story Hour tem entrada gratuita e ensina as crianças sobre diversidade desde cedo de uma maneira descontraída, diminuindo as chances de futuramente existirem pessoas preconceituosas no mundo.

Faz parte do mundo infantil ser imaginativo. Se as crianças tivessem permissão para se enfeitar todos os dias, elas fariam. Eu não acho que elas fiquem pensando em suposições de gênero. Eles estão apenas vendo o drag queens como outras pessoas que são sendo imaginativas’, afirmou.

Vale dizer que vários dos livros lidos são tradicionais e outros nem tanto, pois abordam temas como casamento gay e pessoas transgênero. Um dos favoritos da multidão foi “My Princess Boy”, um conto sobre um jovem que gosta de se vestir como uma menina e ainda é amado por sua família.

Após todas as leituras há também uma rodada de debates sobre os livros onde as crianças dão suas opiniões a respeito.

Eis uma ótima maneira de gerar reflexão nos pequenos, hein?

 

Imagens: Reprodução/fonte:[via]

Real Gabinete Português de Leitura (RJ): a quarta biblioteca mais bonita do mundo

Da beleza paradisíaca à desigualdade social infernal, o Rio de Janeiro é uma cidade essencialmente em paradoxo. Dona uma das geografias mais bonitas do planeta em contraste com a desigualdade social extrema, a antiga capital do império e da república hoje se vê em terrível abandono.

Da praia ao asfalto sujo, da montanha ao trânsito infernal, do verde das matas à violência, o Rio de Janeiro é uma cidade de extremos, e o centro do Rio é um dos símbolos desses paradoxos, onde o passado e o presente se cruzam constantemente, entre a miséria e o luxo, como que significando a própria cidade em verdade.

 

Em meio ao centro do Rio, no número 30 de uma rua apropriadamente batizada de Luis de Camões, o abandono da cidade se encontra com aquilo de mais rico que a humanidade pode possuir – literal e simbolicamente. Um dos mais belos edifícios da cidade, o Real Gabinete Português de Leitura, como uma das joias da coleção de prédios antigos do centro, se contrasta em absoluto com a deselegância das novas construções, a sujeira e a pobreza que também compõe hoje o ecossistema da cidade. Quando se entra nele, porém, tudo se transforma, como o lugar mágico que é.

 

Eleito em 2014 a quarta biblioteca mais bonita do mundo, o Real Gabinete tem sua fachada inspirada no monumental Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa – feita com pedras trazidas de navio de Portugal para o Rio – e, como muitos dos prédios mais antigos do centro do Rio, tudo em sua arquitetura e decoração lembra Portugal – foi aqui, afinal, que a corte portuguesa desembarcou em massa para fugir de Napoleão, em 1808, com cerca de 15 mil pessoas.

O Real Gabinete em 1887, ano da conclusão do edifício

Em 1837, quando a instituição foi fundada, o Rio de Janeiro já não era há 16 anos capital do reino de Portugal, e o Brasil era independente há 15 anos, mas a influência portuguesa e a transformação da cidade já estavam mais do que dadas. Foi quando um grupo de 43 imigrantes decidiu por criar uma biblioteca para troca e ampliação de conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes de rememorar, ilustrar e viver o espírito lusitano no Rio.

O busto de Luís de Camões com o Real Gabinete ao fundo

A construção do edifício só foi concluída em 1887, e o Real Gabinete Português tornou-se um marco arquitetônico e cultural da presença aqui de Portugal. Assim, as quatro estatuas que recebem os visitantes na fachada do edifício não poderiam ser outras: Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante Dom Henrique e Vasco da Gama. Na mesma fachada, quatro medalhas lembram grandes escritores lusitanos: Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett.

O prédio foi aberto à visitação pública em 1900, e o elenco de corriqueiros visitantes ilustres do passado não deixa também à desejar – era comum encontrar nomes como Machado de Assis, Olavo Bilac e João do Rio percorrendo suas prateleiras atrás de volumes ou livros raros.

Não por acaso, as cinco primeiras sessões oficiais da Academia Brasileira de Letras, fundada por Machado de Assis, foram realizados no Real Gabinete. Além de possuir o maior acervo de obras portuguesas fora de Portugal – e uma extensa coleção de livros raros – o local é, por dentro, ainda mais espetacular e belo do que por fora; é, portanto, um excelente cenário para qualquer reunião.

O silêncio dominante no interior do prédio se contrasta com a beleza gritante de sua decoração. Para além da beleza que naturalmente uma enorme coleção de livros em prateleiras traz para qualquer lugar, cada mesa, cadeira, cada adorno, cada prateleira de madeira esculpida, cada quatro na parede traz ao lugar a aura de um verdadeiro museu – e não é por acaso, pois o local abriga, além dos mais de 350 mil livros estrangeiros e nacionais, uma vasta coleção de pinturas.

Antes de procurar qualquer livro dentro do Real Gabinete, porém, a primeira recomendação ao visitante, ao adentrar o salão de leitura, é olhar para cima: além de um candelabro espetacular adornando o teto do salão, uma incrível claraboia em ferro e vidro – reza a lenda ser a primeira desse tipo no Brasil – transforma ainda mais a experiência de visitar essa biblioteca em uma experiência única, como observar os vitrais das mais belas igrejas europeias.

É nesse necessário que diariamente cerca de 150 pessoas encontram a tranquilidade de um outro tempo para estudar, pesquisar e trabalhar, tendo à mão o acervo todo informatizado do local, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18hs, com a ajuda dos bibliotecários e bibliotecárias profissionais. A visita e a consulta ao acervo de modo geral pode ser feito por “qualquer um do povo”, como uma espécie de lema da biblioteca pública que é o Real Gabinete Português.

A consulta é realizada no Salão da Biblioteca. Localizado muito próximo à Praça Tiradentes e ao Largo do São Francisco (assim como da Av. Passos e da Rua da Carioca), são diversos os ônibus que passam próximos à biblioteca. As estações de metrô da Uruguaiana e Presidente Vargas ficam, cada uma, a pouco mais de 300 metros do local.

É claro que, tendo em seu acervo livros como um exemplar da primeira edição de Os Lusíadas, de Camões (publicado em 1572) além de diversos outros livros portugueses do século XVI e muitos manuscritos importantes (incluindo o manuscrito da comédia Tu, Só Tu, Puro Amor, de Machado de Assis), nem todos os volumes da biblioteca podem ser acessados diretamente. Ainda assim, com a devida autorização especial, é possível que investigadores e especialistas acessem também tais raridades do acervo.

 

Pelo título de “depósito legal” da literatura portuguesa conferido ao local – o único, hoje em dia, fora de Portugal que possui tal encargo – , anualmente o Real Gabinete recebe um exemplar de cada obra publicada em Portugal para seu acervo. São em média 6 mil novos exemplares por ano para ampliar ainda mais a biblioteca como de fato a maior embaixada da literatura portuguesa no mundo.

 

Mais do que a quarta biblioteca mais bonita do mundo e de possuir esse impressionante acervo, o Real Gabinete Português é também um centro de estudos, e por esse motivo oferece uma porção de cursos, conferências e palestras, em sua maioria ligadas à literatura, com especial enfoque na cultura e na produção luso-brasileira. Além de visitar ou estudar, é possível se associar à instituição, como pessoa física ou jurídica, e com isso ganhar uma série de privilégios, como usar a biblioteca, participar dos cursos e atividades, votar na assembleia, além de poder levar para casa exemplares do acervo por até 15 dias, contato que tenham sido publicados depois de 1950 – além, é claro, de manter viva essa joia da cultura e da arquitetura no coração do Rio de Janeiro.

 

Ao fim da visita, sair do edifício e voltar a circular pelo centro do Rio é se confrontar novamente com a dura e incrível realidade da cidade, bela e pobre, violenta e espetacular, que rodeia o Real Gabinete Português. Porém, da mesma forma que nunca se sai de um livro da mesma forma que se entrou, uma visita a esse que é um dos mais interessantes, importantes e bonitos locais de uma cidade tão cheia de pontos turísticos e histórias é sempre um passeio transformador, como uma viagem no tempo ao passado que formou, para o bem e o mal, o Rio de Janeiro, Portugal e o Brasil – e, ao mesmo tempo, para o futuro que essa cidade verdadeiramente merece.

 

© fotos: divulgação/Fonte:[ via ]

Clementinum: por dentro de uma das mais lindas bibliotecas do mundo

O mundo está cheio de bibliotecas incríveis, mas uma delas se destaca das demais. É a biblioteca barroca localizada no complexo Clementinum, em Praga, na República Tcheca. Eleita pelos leitores do Bored Panda como a mais bonita do mundo, ela foi construída em 1722 e pode muito bem fazer parte de um roteiro turístico pela cidade.

Foto via

O complexo fica próximo da Ponte Carlos, um dos principais pontos turísticos da cidade, no centro histórico de Praga (por sinal, dá para comer um doce incrível por lá!). A construção histórica ocupa uma área de 2 hectares e é considerada um dos maiores complexos arquitetônicos da Europa. Erguido em estilo barroco, o edifício abriga cerca de 20 mil livros.

Em 1781, o diretor Karel Rafael Ungar criou no local uma coleção com as mais importantes obras da literatura tcheca, que ficou conhecida como Biblioteca Nationalis. Alguns dos livros raros da coleção foram até mesmo enviados para o Google para fazer parte do Google Books, onde devem estar disponíveis em breve. Além das paredes repletas de literatura, o teto também ganhou um toque de arte com os afrescos do pintor Jan Hiebl.

Fotos: Klementinum

Foto: Bruno Delzant

Descubra mais sobre esta incrível biblioteca, clicando aqui./fonte:via

Programa estimula crianças a ler praticando em fazenda de animais resgatados

A maioria das crianças adora a companhia de animais – e muitos deles também desfrutam desta proximidade. Graças a isso, o The Alice Sanctuary decidiu dar uma forcinha para aumentar ainda mais a relação entre os pequenos e os bichanos. Durante um dia por semana, o espaço recebe crianças que estão aprendendo a ler para praticar lendo para alguns dos seus 100 residentes – porcos, cabras, vacas e outras espécies.

O projeto, que funciona todas as quartas-feiras desde o dia 5 de julho, começou de forma inusitada. De acordo com o site The Dodo, a ideia de ler para os animais surgiu quando o porco Oliver machucou a pata e precisou ficar de repouso. Para entretê-lo os voluntários começaram a ler para ele, que parecia apreciar a ideia.

Após o incidente, os voluntários pensaram que a iniciativa poderia ir mais longe. Como o espaço recebe crianças com frequência, surgiu a ideia de convidar os pequenos a praticar a leitura junto com os animais, estimulando o convívio entre as espécies e o interesse nos livros. Desde então, todas as quartas-feiras as crianças são bem-vindas no espaço.

Ler em voz alta para os residentes não só aumenta a cura e amor entre nossos resgatados, mas expande o mundo para os jovens explorarem e serem criativos. Contar histórias para ouvidos que não irão criticar ou julgar a maneiras que nós lemos ou exploramos nossa imaginação“, diz uma publicação na página do Facebook do Santuário.

Todas as fotos: The Alice Sanctuary/Reprodução Facebook /fonte:via

Artista constrói incrível réplica do Partenon com 100 mil livros proibidos ao redor do mundo

O Partenon é um dos mais conhecidos monumentos da história humana, talvez o maior ícone da Grécia Antiga. O templo, dedicado à deusa Atena, também simboliza a democracia criada pelos gregos. Uma artista argentina construiu, na Alemanha, um Partenon feito de livros proibidos, como símbolo da liberdade de expressão.

O local escolhido por Marta Minujín foi a praça Friedrichsplatz, em Kassel, na Alemanha. Foi lá que, em 1933, membros do Partido Nazista queimaram mais de dois mil livros que eles consideravam ir contra o “espírito alemão”. A grande maioria deles tinha sido escrito por comunistas ou judeus.

Para escolher as obras que seriam utilizadas, Marta contou com a ajuda de pesquisadores da Universidade de Kassel, que organiza a exposição de arte Documenta. Eles listaram livros que foram banidos ao redor do mundo, incluindo O Pequeno Príncipe (Argentina) e Alice no País das Maravilhas (China).

Uma lista de 170 títulos foi publicada na internet, e pessoas de vários países do mundo doaram exemplares para a construção do Partenon. Livros pornográficos ou o Mein Kampf não foram considerados. Ao final da exposição, que deve ficar aberta até setembro, o público poderá levar as obras para casa.

Foi o mesmo que aconteceu em 1983, quando Marta Minujín realizou um trabalho muito parecido em seu país natal, a Argentina, para celebrar o fim do governo militar, que havia proibido livros de autores como Sigmund Freud, Karl Marx, Jean-Paul Sartre, Ernest Hemingway, Jorge Luis Borges e Michel Foucault.

 

Todas as fotos: Reprodução/fonte:via

Pessoas do mundo inteiro estão enviando livros pra botar novamente de pé uma biblioteca destruída pelo ISIS

Não é por acaso que a maioria dos regimes totalitários atacam e muitas vezes destroem as instituições de ensino e os meios pelos quais o aprendizado se dá: universidades, escolas e bibliotecas costumam ter de se submeter à loucura de tais regimes ou à destruição, pois se o conhecimento é o mais eficiente caminho para a liberdade, a ignorância é irmã do autoritarismo. Assim, quando o grupo terrorista ISIS tomou conta da cidade iraquiana de Mosul, em 2014, seus militantes rapidamente saquearam a universidade local e incendiaram sua biblioteca.

Acima, a universidade e sua biblioteca antes do ataque

Centenas de milhares de livros e manuscritos foram destruídos – incluindo, além dos livros em diversas línguas, mapas históricos, periódicos da era Otomana, manuscritos ancestrais e até mesmo um exemplar do Corão, livro sagrado muçulmano, do século IX. Depois de tomarem a universidade, os militantes do ISIS obrigaram os professores a reescreverem os livros didáticos, adaptando-os à nova realidade e ao novo sistema de ensino que seria imposto com o califado que agora governaria a região.

A biblioteca, depois do ataque © Mohamed El-Shahed

Aos poucos, porém, as forças de segurança foram retomando os arredores da cidade e boa parte de Mosul voltou a pertencer ao povo iraquiano. Com isso, um blogueiro anônimo começou uma campanha tão bonita quanto foi terrível o que ocorreu na universidade, para recuperar a biblioteca e principalmente seu acervo. O blogueiro, conhecido como Mosul Eye (Olho de Mosul), se formou e era professor na universidade – que foi fundada em 1967 e é uma das mais importantes da região. Assim que o bairro onde a universidade está localizada foi retomado e liberado, um mutirão começou a reformar o local.

Mais de 2 mil volumes foram recuperados ainda intactos do incêndio e, através de vendedores locais, doações da população e também doações de todo o mundo, cerca de 10 mil livros já foram reunidos para a nova biblioteca – o plano é chegar a 200 mil, para enfim reabri-la.

 

© Sabah Arar/AFP/Getty Images

Até mesmo um festival foi organizado para ajudar na reconstrução. Todo tipo de livro está sendo aceito, e a ideia reabrir a biblioteca de Mosul no início de 2018.

© Ali Al-Baroodi

Precisamos reconectar Mosul com o resto do mundo”, disse Mosul Eye, “Precisamos que o mundo mantenha o mesmo interesse por nós que tinham quando o ISIS tomou a cidade. Não nos abandone agora”.

© fotos: Mosul Eye/reprodução/fonte:via