Guitarrista do Queen divulga fotos inéditas com Freddie Mercury em livro

Ver de perto os bastidores de uma das mais incríveis, bem sucedidas e espetaculares bandas de rock de todos os tempos foi privilégio para poucos. Por isso o livro que o guitarrista Brian May, um dos fundadores do Queen, lançou recentemente com as fotos que tirou das turnês de sua banda ao lado de John Deacon, Roger Taylor e Freddie Mercury rapidamente desapareceu das livrarias. Agora uma nova edição, trazendo ainda mais fotos, do livro “Queen in 3-D” ganhará as prateleiras.

May registrava frequentemente a trajetória de sua banda desde o início até o auge do sucesso, e esse material foi transformado no livro. A camaradagem, o bom humor, a alegria, o sucesso e os shows, tudo foi devidamente registrado em fotos, que mostram o que quase ninguém tinha acesso na história de uma das maiores bandas de todos os tempos. O gênio e a doçura de Freddie Mercury aparecem em boa parte das fotos, como registro da intimidade de um dos grandes cantores do século XX.

Uma atração especial dessa nova edição do livro são as imagens que May vêm fazendo dos bastidores da filmagem de “Bohemian Rhapsody”, o aguardado filme que contará a carreira da banda desde os esforços do início até o histórico show no Live Aid, em 1985, considerado por muitos como a maior apresentação ao vivo de uma banda de rock em todos os tempos. Brian e Roger podem ser vistos ao lado dos atores que os viverão nas telas, assim como de Rami Malek, ator que viverá Mercury na cinebiografia. O filme está previsto para ser lançado nos EUA em novembro desse ano.

© fotos: Brian May/fonte:via

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Nova versão de luxo do ‘Álbum Branco’ traz Beatles em climão de Acústico MTV

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Se, no ano passado, o relançamento em nova mixagem comemorando os 50 anos do clássico disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, ficou em primeiro lugar nas paradas mundiais, naturalmente esse ano é a vez do “Álbum Branco”.

Lançado originalmente em 22 de novembro de 1968, intitulado oficialmente como The Beatles somente, o disco ficou em primeiro lugar à época em todo mundo, superando em muito a marca das 20 milhões de cópias vendidas, sendo celebrado como um dos melhores discos de todos os tempos. Assim, uma versão especial recheada de atrações especiais está sendo finalizada para ganhar as lojas do mundo todo em comemoração pelas cinco décadas desse disco duplo e histórico.

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Sendo o disco seguinte ao celebrado Sgt. Pepper’s, a expectativa era alta pelo novo lançamento dos Beatles em 1968. Entre fevereiro e abril desse ano a banda esteve em Rishikesh, na Índia praticando meditação transcendental no ashram do guru Maharishi Mahesh Yogi, e foi lá que a maioria das músicas que viriam a formar o disco que ficou conhecido como “Álbum Branco” foi composta.

Em verdade John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr voltaram da Índia com cerca de 100 novas canções, que também viriam a formar o disco Abbey Road, e os primeiros discos solos de Lennon, McCartney e Harrison. Ao chegar de viagem, a banda se encontrou na casa de George para gravar as primeiras demos com essas novas canções.

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Tais gravações são conhecidas entre os beatlemaníacos mais dedicados há décadas, por meio de lançamentos piratas conhecidos como Beatles Unplugged – por terem sido gravadas na casa de George somente com violões. E elas, agora devidamente tratadas por Giles Martin, filho do genial produtor da banda George Martin, são parte das novidades da caixa que celebrará os 50 anos do Álbum Branco.

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Além das 27 faixas acústicas, a caixa trará 50 versões inéditas das músicas, em takes que não entraram no disco. As 40 faixas originais, é claro, também estarão na caixa, remixadas e remasterizadas.

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A banda durante as sessões de gravação do disco

A caixa de 50 anos do Álbum Branco, portanto, será lançada em três diferentes versões: Super deluxe, com 6 CDs e um Blu-ray, Deluxe, com 3CDs e 4 LPs, e Standard Vinyl, com 2 LPs. Junto um livro especial com fotos e informações sobre o disco virá encartado na caixa. A versão Super Deluxe custa, em pré-venda, 159,98 dólares.

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Trata-se de compra obrigatória para os amantes da banda, da música em geral, até mesmo da história – e que os bolsos beatlemaniacos se preparem, pois ano que vem tem os 50 anos do Abbey Road.

© fotos: reprodução/fonte:via

Vídeo inédito mostra Lennon e Harrison tocando juntos após fim dos Beatles

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Os anos 1960 não acabaram nada bem para os Beatles. Depois de reinarem absolutos no cenário da música e da cultura, os quatro rapazes de Liverpool atravessavam uma verdadeira tormenta.

As coisas já não eram mais como antes e nem mesmo os ensaios e sintonia de outros tempos foi suficiente para impedir brigas quentes no seio do grupo mais famoso da história. Tudo começou durante as sessões de gravação do Álbum Branco, por volta de 1968. McCartney estava insatisfeito com a presença de Yoko Ono, levada por John Lennon, que de tão apaixonado, não conseguia ficar longe da amada.

Os embates eram frequentes entre os dois e sobrou inclusive para George Harrison e Ringo Starr. Durante uma sessão, diante de inúmeros desentendimentos, Harrison resolveu chamar Eric Clapton para tocar em While My Guitar Gently Weeps.

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O anúncio oficial do fim do sonho foi feito por McCartney. De forma surpreendente, o baixista foi sucinto ao confirmar que estava de saída da banda. A notícia deixou Lennon revoltado, pois nos bastidores tinha sido ele o primeiro a largar o barco.

A confusão gerou processos e troca de farpas entre Lennon e McCartney. John foi bastante agressivo e em seu primeiro disco solo lançou a ácida How do You Sleep? (Como você dorme?, em português) com um desfile de críticas ao ex-amigo.

Mais de 40 anos depois, uma fato interessante surge. O canal oficial de Lennon divulgou um vídeo inédito de John e George tocando juntos na gravação da faixa. A revelação faz parte da divulgação do lançamento de Imagine – Ultimate Collection. O clipe está disponível no YouTube e vem emocionando os fãs.

Aliás, quando a poeira baixou, Paul e John fizeram as pazes antes da morte trágica de Lennon – assassinado por Mark Chapman na porta do Edifício Dakota, em Nova York. Em entrevista recente, Macca disse ter se sentido aliviado por ter aparado as arestas com o amigo antes de sua morte. O fato ficou conhecido como Lost Weekend (fim de semana perdido).

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Obra-prima dos Racionais, ‘Sobrevivendo no Inferno’ vira livro

Depois de ser anunciado como leitura obrigatória para o vestibular da Unicamp de 2020, o mais importante disco de rap do Brasil e um dos mais impactantes acontecimentos da música brasileira se tornará enfim um livro: Sobrevivendo no Inferno, lançado pelos Racionais MC’s em 1997, será lançado no dia 31 de outubro pela Companhia das Letras como uma extensão e um aprofundamento da obra-prima do grupo paulistano.

Composto por Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay, foi Sobrevivendo no Inferno que transformou os Racionais de um fenômeno localizado dentro da cena de rap da época em uma das mais populares e importantes bandas do Brasil.

O livro terá 160 páginas, trazendo fotos clássicas e inéditas, informações, textos de apresentação, além das próprias músicas que formam o disco. “Foi com ‘Sobrevivendo no Inferno‘ que a juventude negra e periférica se formou. Por causa deste disco muita gente se graduou em autoestima e não entrou para a faculdade do crime”, diz o poeta Sérgio Vaz, medindo a importância do quinto disco dos Racionais.

Apesar de ter sido lançado pela gravadora independente Cosa Nostra, o disco alcançou a incrível marca de 1,5 milhões de cópias vendidas, tornando-se o mais bem sucedido disco do gênero no país – e colocando o rap no centro do cenário musical brasileiro. “Diário de Um Detento”, “Fórmula Mágica da Paz”, “Capítulo 4, Versículo 3” e “Mágico de Oz” são algumas das música que compõe esse repertório incontornável para se pensar não só o rap brasileiro, mas também a própria realidade dos presídios e da vida nas periferias do Brasil.

© fotos: reprodução/fonte:via

Robert Plant se encanta com baterista japonesa de 8 anos tocando clássico do Led Zeppelin

A japonesa Yoyoka Soma, uma talentosa baterista de somente 8 anos de idade, já havia provocado espanto quando, há dois meses, um vídeo com sua participação em um concurso de bateristas e percussionistas mulheres ganhou a internet.

A firmeza e a precisão com as baquetas na mão com que executava uma impressionante canção de sua escolha fez com que a pequena Soma se agigantasse e conquistasse a todos os milhões que assistiram o tal vídeo.

https://player.vimeo.com/video/263985244?app_id=122963

Recentemente, no entanto, uma pessoa verdadeiramente especial também se encantou com Soma – e sua reação diante da jovem baterista foi filmada e transformada em um vídeo igualmente viral.

A música que Soma havia escolhido para seu vídeo no concurso era nada menos que Good Times Bad Times, do Led Zeppelin – uma das levadas mais lendárias da história, defendida originalmente por seu baterista preferido, o incrível John Bonham. Acontece que o furor provocado pela qualidade da execução da pequena baterista era tamanha que o próprio Robert Plant, em um programa de rádio, assistiu a Soma tocando a música de sua banda – e mais: ele já conhecia a menina e sua baquetas.

“Que fantástico! Eu já vi isso outro dia. Ouça isso!”, diz Plant logo de cara, com um largo sorriso no rosto – para em seguida colocar os óculos como quem quer ver melhor para poder crer naquilo que está soando aos seus ouvidos. “É tecnicamente uma coisa realmente difícil de fazer”, comenta Plant, não sem soltar gritos de excitação diante da execução e da felicidade (e facilidade) com que Soma toca. O apresentador não se furta a perguntar a Plant o que todos que assistem ao vídeo pensam: o que John Bonham diria diante de tal encantadora prodígio? “Acho que ele ficaria espantado e realmente orgulhoso. É incrível”, responde Plant.

O vídeo original de Soma foi realizado para a sétima edição do concurso Hit Like a Girl – 2018 – algo como “Bata como uma garota”, competição anual entre percussionistas mulheres. A categoria em que Soma, que é uma das finalistas, concorre é de bateristas com menos de 18 anos. O resultado do concurso ainda não foi anunciado – mas Soma já saiu com um grande prêmio: de ter, aos 8 anos, Robert Plant em pessoa encantado com seu talento.

© fotos: reprodução/fonte:via

De Jobim a Hermeto: 7 discos brasileiros de jazz que você deveria conhecer

Nascido na virada entre o século 19 e o século 20 nas comunidades negras de Nova Orleans, nos EUA, da fusão entre a música clássica europeia e os ritmos e culturas africanas, o jazz é visto como a forma de arte norte-americana por excelência – espécie de baseball da música popular.

Uma das forças mais revolucionárias da música de modo geral é, no entanto, desconhecer fronteiras e se permitir a mistura, a contaminação e a renovação feito um vírus que passa pelo ar – e, assim, o fato do jazz ser um símbolo da identidade cultural e artística dos EUA não impede em nada que o estilo possa se afirmar com grandeza em outros países, como por exemplo o Brasil.

Não há dúvidas que Brasil e EUA são os dois maiores produtores de música popular em todo o mundo, e naturalmente que a força do jazz também alcançou os ouvidos brasileiros de forma incontornável – e sem a “influência do jazz” por aqui c não haveria, por exemplo, a Bossa Nova da forma que ela se deu. Não é por acaso, portanto, o impacto imenso da própria Bossa brasileira nos EUA, e o sucesso de alguns dos nossos maiores nomes por todo o mundo.

A verdade é que, no fim das contas e no deleite dos nossos ouvidos, um ritmo tão abrangente como o jazz rapidamente se torna um ritmo do mundo – e como temos por aqui uma boa parte dos maiores músicos do planeta, é natural que o Brasil também tenha sua coleção de clássicos insuperáveis do estilo. É claro que tudo se transforma, se amplia e se mistura (algo que a música brasileira sabe fazer como ninguém) e o jazz no Brasil oferece elementos, possibilidades e inovações próprias, que o diferem das tradições norte-americanas e ampliam seus limites – essa é parte importante de sua força e graça. No Brasil quase que necessariamente o jazz é significado pela mistura com ritmos, sons e estilos nacionais.

Assim, separamos aqui 7 grandes discos brasileiros de jazz, que merecem ser descobertos, redescobertos, ou simplesmente ouvidos como exemplos a serem celebrados das possibilidades infinitas que a música possui, e que o Brasil sabe exercer tão bem. Não se trata de uma lista fechada ou definitiva – se você sentiu falta de algum álbum, comente e amplie a seleção. E não esqueça de dar play em cada um desses clássicos do jazz brasileiro – e, consequentemente, da música universal.

1. Getz/Gilberto – João Gilberto e Stan Getz (1963)

 

Não é exagero afirmar que o encontro entre o saxofonista americano Stan Getz e o violonista brasileiro João Gilberto revolucionou tanto a música brasileira quanto a americana, e colocou a Bossa Nova no mapa mundial de forma incontornável e perpétua. Um dos discos de jazz mais vendidos em todos os tempos (com mais de 2 milhões de cópias somente em 1964), Getz/Gilberto tem em seu sucesso de crítica proporção equivalente ao de vendas.

O minimalismo do violão, dos ritmos e da voz de João Gilberto (com as nobres presenças de Tom Jobim nos pianos e maioria das composições, Sebastião Neto no baixo, Milton Banana na bateria, Astrud Gilberto nos vocais e o grande Phil Ramone como engenheiro de som completando o time) se misturam ao lirismo melódico e a improvisação onírica dos sopros de Getz para forjar aquilo que se tornaria a definição estética da Bossa Nova para os ouvidos do mundo – através do charme cool da voz de Astrud. Getz/Gilberto venceu os Grammys de Melhor disco instrumental de Jazz, Melhor Gravação e Disco do ano.

2. Coisas – Moacir Santos (1965)

Misturando jazz com ritmos africanos e brasileiros com elegância, experimentação, singularidade e força, Coisas, o primeiro disco do gênio Moacir Santos é provavelmente o maior disco de jazz do Brasil. Lançado em 1965 (quando a Bossa Nova já era uma força consolidada no mundo), Coisas traz suas dez faixas como forças musicais amorfas, que não podem ser nomeadas para não serem reduzidas ao significado banal de um mero título.

É por isso que as faixas são intituladas “coisas” numeradas, e no entanto apresentadas fora da ordem sugerida: “Coisa Nº 4” abre o disco com elegância, que se encerra com a deliciosa “Coisa Nº 8”. Melodicamente brilhante, ritmicamente riquíssimo em timbres e harmonias inovadoras e amplas (e um dos LPs mais raro e caros do Brasil em sua versão original) Coisas, de Moacir Santos é uma obra-prima do jazz em qualquer língua, país ou época.

3. Wave – Tom Jobim (1967)

Após se libertar das amarras estilísticas e comerciais do título de “pai” da Bossa Nova, o nome maior da música brasileira passou a realizar uma música só sua, que lhe permitia superar estilos e ritmos com a fluidez e a contundência concedida somente aos grandes gênios de todos os tempos. Wave, disco de Tom Jobim de 1967 com arranjos e regências do maestro alemão Claus Ogerman (e, na ficha técnica, nomes como Ron Carter no baixo, Dom Um Romão na bateria, Urbie Green no trombone), é seu trabalho de maior sucesso comercial nos EUA.

Tendo alcançado o 5º lugar das paradas de jazz da Billboard, clássicos como a faixa-título e “Triste” ganham em Wave seu primeiro registro. Com uma das mais lindas capas de todos os tempos, o disco remete à Bossa Nova mas explora sentimentos estéticos e rítmicos tão variados e amplos quanto seria o sol da música que Tom Jobim ofereceria ao mundo – concedendo ao jazz a honra de também estar presente entre as forças musicais que regeriam a imensidão melódica desse gênio maior.

4. A Bad Donato – João Donato (1970)

 

O compositor acreano João Donato garante que quando entrou em estúdio para gravar seu oitavo disco simplesmente não sabia muito o que queria – e, influenciado pela explosão do soul e do funk americanos de nomes como James Brown e Sly Stone, acabou por experimentar com a psicodelia através de sonoridades mais eletrônicas através do piano, órgãos e teclados. Com o estímulo do grande Eumir Deodato (que, após ouvir algumas demos do que viria a ser o disco, se ofereceu para fazer os arranjos) desse primeiro impulso então indefinido nasceu um dos discos mais influentes da música brasileira.

A Bad Donato, de 1970, promove o encontro de ritmos brasileiros com o jazz, o rock, o funk, o fusion, a música negra e o eletrônico. Autor de todas as faixas, Donato contou com a participação de músicos como Bud Shank, Oscar Castro Neves e Dom Um Romão para forjar A Bad Donato, nascido do desejo bruto e do acaso, mas que mesclou a música brasileira com a força e a contundência do funk e da música negra da época como nenhum outro.

5. Prelude – Eumir Deodato (1973)

Para se medir a dimensão do trabalho de Eumir Deodato, basta olhar a lista de artistas com quem esse pianista, arranjador, compositor e produtor brasileiro já trabalhou (ou ouvir qualquer um de seus discos). Deodato produziu ou arranjou para nomes como Tom Jobim, Aretha Franklin, Frank Sinatra, Tony Bennett, Roberta Flack, Wes Montgomery, João Donato, Wilson Simonal, Kool & The Gang, Björk – e a lista de fato nem começou. Em 1973 juntou-se aos gigantes Ron Carter, Stanley Clarke, John Tropea e Billy Cobham para realizar Prelude.

Impulsionado pelo imenso sucesso de sua versão funkeada para “Also Sprach Zarathustra (2001)”, de Richard Strauss (que chegou a 2a colocação na Billboard, atrás somente de “Killing Me Softly”, de Roberta Flack, que tinha também arranjo de Deodato), o disco vendeu milhões de cópias, levando ao mundo o piano elétrico e rítmico de Deodato como condutor das ricas texturas, as belas cordas e sopros sobre a sempre grooveada base rítmica que fizeram desse disco um imenso sucesso – e um clássico.

6. Africadeus – Naná Vasconcelos (1973)

 

Reduzir a música do grande Naná Vasconcelos a um rótulo como “jazz” é sem dúvida um crime estético inafiançável. Mas, se o jazz no Brasil se tornou sinônimo de mistura de ritmos, através também da afirmação da força percussiva tão peculiar à música de cá em encontro com outros estilos, seria imperdoável deixar Naná Vasconcelos de fora. O maior percussionista do mundo em todos tempos (eleito 8 vezes o melhor do mundo pela revista especializada DownBeat) e vencedor de 8 grammys, Naná é um desses milagres da arte e da música – um gênio que iluminou o sem-fim das possibilidades a que a musicalidade brasileira e mundial pode chegar.

Africadeus é seu primeiro disco solo, no qual o berimbau conduz a afirmação da cultura africana como a espinha dorsal de toda nossa cultura – ocidental, das Américas, brasileira. Uma obra-prima profundamente brasileira da música universal, para além de qualquer rótulo.

7. Slaves Mass – Hermeto Pascoal (1977)

 

Mestre multi-instrumentista e espécie de guardião de toda a pluralidade infinita que a música universal (sempre a partir da música brasileira) pode alcançar, se alguém pode ser chamado de gênio esse alguém é Hermeto Pascoal. “Quando toco jazz, sou um músico de jazz”, ele disse, e em Slave Masses, seu quinto disco, de 1977, Hermeto toca praticamente tudo – flauta, sax, guitarra, piano, Fender Rhodes, clavinete, gaita, violão e mais.

Juntam-se a ele outros grandes, como Airto Moreira, Ron Carter, Raul de Souza, Chester Thompson, Flora Purim e mais, para fazer de Slaves Mass um caldeirão de fusões rítmicas e estilísticas vanguardista, trazendo samba, baião, choro ao encontro com o jazz – através da experimentação e o improviso que fizeram com que até Miles Davis, que gravou duas músicas de Hermeto, declarasse publicamente sua imensa admiração pelo bruxo de Alagoas.

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Com 50 mil LPs e 40 mil CDs, ela tem uma das maiores coleções de música latina do mundo

Tudo começou aos 18 anos, quando a colecionadora espanhola Alejandra Fierro Eleta, hoje mais conhecida como Gladys Palmera, foi passar um ano no Panamá, terra natal de sua mãe. Lá ela comprou os primeiros discos de música latina, e desde então nunca mais parou. Cha-cha-cha, boogaloo, mambo, salsa, chegando ao pop e ao rock, a paixão pela música da América Latina moveu Gladys a construir uma das maiores coleções de música latina do mundo.

Sua relação com a América Latina e sua música, no entanto, vem de sua infância: por ser filha de uma mãe panamenha e por seu pai ter trabalhado muito por aqui, ela aos 4 anos já era uma apreciadora dos ritmos e estilos locais. O tempo passou, e hoje, entre LPs, CDs, e discos de 78 e 45 rotações, sua coleção já chegou a cerca de 100 mil peças musicais – com 50 mil vinis, 40 mil CDs e o restante em compactos.

Sua casa hoje é, para Gladys, como um museu aberto da essência da América Latina, reunindo discos de todas as eras, estilos e praticamente de todos os países do continente.


O “museu” de Gladys fica na cidade de San Lorenzo de El Escorial, na Espanha e, ainda que hoje seja sua casa, seu desejo é que, no futuro, não somente ela, seus amigos e familiares possam desfrutar dessa imensidão de musicalidade latina, mas que venha a dividi-la com todos.

É por isso que seu plano é um dia doar sua coleção para uma instituição, a fim de que todo mundo possa compreender a dimensão da música da América Latina, mergulhando nas raízes e na história de tais ritmos e estilos.

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