10 adolescentes que lutaram contra Hitler na Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial foi um dos momentos mais tristes de toda a história da humanidade. As pessoas em todo o mundo na época ficaram horrorizadas com as ações de Adolf Hitler e da ideologia nazista. Jovens e adolescentes não foram uma exceção. Pessoas muito novas em todo o mundo queriam fazer o que pudessem para impedir os horrores de Hitler. Os seguintes 10 adolescentes extraordinários arriscaram suas vidas para lutar contra a ideologia nazista e salvar os perseguidos e oprimidos.

10. Jack Lucas

Jack Lucas, de quatorze anos, estava ansioso para ir à guerra. Ele mentiu sobre sua idade e forjou a assinatura de sua mãe nos documentos de alistamento. Lucas conseguiu se qualificar como um atirador dos fuzileiros navais. No entanto, não demorou muito para os oficiais perceberem que Lucas era menor de idade. Eles ameaçaram mandá-lo para casa, mas o jovem contou-lhes que ele simplesmente se alistaria novamente no exército. Os oficiais lhe deram então um cargo seguro: dirigir um caminhão de transporte no Havaí.

Três anos se passaram e Lucas não viu nenhum combate. Ele estava preocupado com o fato de nunca realmente ver alguma ação. Então o jovem se colocou em um navio para Iwo Jima e logo estava lutando contra soldados japoneses. Lá, duas granadas caíram na sua trincheira. Lucas disse a seus companheiros fuzileiros navais para correr, e mergulhou nas granadas. Uma explodiu.

Lucas mal conseguiu sobreviver à explosão. Ele precisou passar por 26 operações para reparar seus ferimentos. Mesmo depois de suas cirurgias, Lucas ainda tinha mais de 200 peças de estilhaços embutidas em seu corpo. Ele foi aposentado pelos fuzileiros navais e premiado com a Medalha de Honra.

 

9. Zinaida Martynovna Portnova

Zinaida Portnova tinha quinze anos quando o exército alemão invadiu a Bielorrússia. Sua avó teve uma discussão com um dos soldados, e ele bateu nela. Este incidente deixou Portnova com um profundo ódio pelos nazistas, e ela se juntou a um movimento de resistência subterrânea.

Portnova começou a distribuir propaganda soviética, coletar armas para tropas soviéticas e relatar movimentos de tropas alemãs. Dentro de um ano, ela aprendeu a usar armas e explosivos. Portnova ajudou a explodir vários edifícios, que mataram mais de 100 alemães.

Depois disso, ela começou a trabalhar como assistente de cozinha, dando comida envenenada para as tropas alemãs. Portnova tornou-se imediatamente suspeita. Ela defendeu sua inocência e comeu um pouco da comida envenenada para provar que não havia nada de errado. Como não ficou doente, Portnova foi libertada.

No entanto, ela ficou extremamente doente em seu caminho para casa e mal se recuperou. Quando Portnova não voltou ao trabalho, os alemães perceberam que ela realmente os havia envenenado e então começaram a procurá-la.

Portnova tornou-se uma batedora do exército e foi capturada em uma de suas missões. Durante seu interrogatório, ela pegou a arma do oficial nazista e atirou nele e nos outros dois soldados. Embora Portnova tenha tentado escapar, ela foi capturada, torturada e executada. Ela tinha 17 anos.

 

8. Stefania Podgorska

Stefania Podgorska (foto acima, à direita), de dezesseis anos, foi trabalhar para uma família judaica, a Diamants, depois que seu pai morreu. Ela se aproximou dos Diamants e mudou-se para a casa deles. Infelizmente, Hitler logo invadiu a Polônia e os Diamants foram forçados a viver em um gueto.

Podgorska voltou para a casa de sua família depois que sua mãe e seu irmão foram enviados para campos de trabalho forçado. Ela tinha que cuidar de sua irmã de seis anos. As irmãs eram pobres, e tinham que vender roupas para se alimentar.

No entanto, quando Podgorska descobriu que as pessoas no gueto iam morrer, ela sabia que precisava ajudá-los. Ela se ofereceu para abrigar vários judeus – incluindo Max Diamant, o filho de seus antigos empregadores. Podgorska logo estava abrigando 13 pessoas judias.

Ela arrumou um emprego em uma fábrica e usou o dinheiro para alugar uma casa maior. Mas ainda era difícil sustentar 15 pessoas. Podgorska começou a confeccionar camisolas por dinheiro e comida, que ela muitas vezes tinha que comprar no mercado negro. Ela vivia com medo constante de que alguém descobrisse seu segredo, então ela parou de falar com pessoas fora de sua casa.

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Um dia, soldados alemães entraram em sua casa e disseram a Podgorska que ela tinha que deixar a casa dentro de duas horas. Ela se recusou a sair. Podgorska sabia que, se fosse embora, todos os 13 judeus morreriam. Felizmente, os soldados alemães nunca voltaram.

Oito meses depois, o exército soviético veio e liberou a cidade de Podgorska. Todos os judeus foram finalmente libertados depois de dois anos e meio se escondendo. Max Diamant e Podgorska acabaram se casando e se mudando para os Estados Unidos.

7. Simone Segouin

Simone Segouin, de dezoito anos, estava determinada a ajudar a livrar a França do exército alemão. Ela se juntou à resistência francesa e começou a atrapalhar os nazistas, da forma que pudesse. Sua primeira missão foi roubar uma bicicleta de um soldado alemão. Ela conseguiu. O veículo foi pintado, e Segouin a usou para enviar mensagens.

Em breve, ela assumiu missões mais difíceis. Seu tenente pediu-lhe para ajudá-lo a explodir uma ponte. Segouin recebeu uma arma e ordenou a guarda da área contra os alemães. Ela não teve que disparar um tiro, mas seu tenente admirou sua bravura. Então, Segouin foi autorizada a fazer trabalhos mais perigosos.

Ela se juntou a seus colegas membros da resistência quando estes explodiram pontes e descarrilaram trens. No final da guerra, Segouin se tornou um soldado. Ela lutou na batalha para libertar Chartres, sua cidade natal, e ajudou a capturar 25 soldados alemães. Segouin se juntou às tropas francesas em sua marcha a Paris e ajudou a libertar a capital francesa também.

 

Foi promovida a tenente e recebeu a Croix de Guerre por seu heroísmo.

6. Bernard Bouveret

Bernard Bouveret tinha dezesseis anos quando se juntou ao Serviço Secreto Suíço. No começo, ele apenas transmitiu mensagens e informou sobre os movimentos dos soldados alemães. No entanto, ele logo se tornou um contrabandista. Ele e 14 outras pessoas passaram a transportar granadas, pólvora, microfilmes e pessoas para a Suíça, onde elas estariam seguras.

Era um trabalho perigoso que precisava ser feito de noite. No entanto, havia um toque de recolher entre as 11h da noite e as 5h da manhã. Os soldados alemães disparariam em qualquer pessoa que vissem durante esse período. De fato, um dos amigos de Bouveret foi abatido durante uma missão.

No entanto, Bouveret e seu grupo continuaram a levar fugitivos para a fronteira suíça, onde eles eram alojados com famílias de acolhimento. Essas famílias ajudaram os fugitivos a se aproximarem da Suíça, onde poderiam ser alojados em campos de internação. Bouveret e seu grupo salvaram centenas de pessoas.

Infelizmente, Bouveret foi apanhado pelos alemães em 1943 e enviado ao campo de concentração de Dachau. O jovem, porém, sobreviveu. Ele permaneceu em Dchau até ser libertado pelos Aliados em 1945.

 

5. Charlotte Sorkine

Aos 17 anos, Charlotte Sorkine era a mais jovem membro do grupo de resistência francesa. Ela criou milhares de documentos falsos para pessoas perseguidas pelos nazistas e levou grupos de pessoas procuradas para fora do país. Sorkine ajudou seu próprio pai a escapar do país. No entanto, ela decidiu ficar. Ela queria fazer tudo o que pudesse para ajudar a lutar contra os soldados alemães.

Depois que Marianne Cohn foi presa, torturada e morta pelos nazistas, Sorkine assumiu seus deveres. Ela ajudou a trazer dezenas de crianças para a Suíça, onde elas estariam seguras. Sorkine continuou a fazer documentos e levar as pessoas à segurança até que muitos membros de seu grupo de resistência fossem presos.

Então ela se juntou a um grupo de resistência diferente que se concentrava nos combates. Sorkine obteve e transportou armas, plantou explosivos em lugares onde soldados alemães se encontravam e participou ativamente da libertação de Paris.

Após a guerra, Sorkine recebeu muitos prêmios por suas ações, incluindo a Medalha da Resistência e a Croix du combattant volontaire de la Résistance.

4. Sonia Butt

 

Sonia Butt, de dezessete anos, se juntou à Women’s Auxiliary Air Force no dia em que ela se tornou elegível para o serviço. Dentro de dois anos, chamou a atenção do Executivo de Operações Especiais, que estava procurando potenciais espiãs femininas.

Ela literalmente caiu de paraquedas no norte da França para atuar como intermediária entre as tropas aliadas e a resistência francesa. Butt também era responsável por descobrir novas informações. Ela teve que jantar com oficiais alemães e flertar com eles para consegui-las.

Butt era especialista em explosivos, e ela usou as informações que conseguiu para explodir pontes e comboios alemães. Depois que o oficial de armas da unidade foi morto, ela assumiu os seus deveres e treinou novos recrutas em armas e explosivos.

Seu trabalho tinha muitos perigos. Certa vez, ela foi emboscada por alemães a caminho de enviar uma mensagem. Eles a derrubaram de sua moto e a interrogaram. Os soldados a espancaram até ela sangrar e depois a estupraram. Eles a deixaram sangrando no chão, e ela se refugiou em um celeiro próximo. No dia seguinte, ela entregou a informação que estava carregando e retornou da mesma maneira que havia chegado.

Após a guerra, Butt recebeu um MBE (Membro da Mais Excelente Ordem do Império Britânico). Ela se casou com um colega agente, e o casal mudou-se para o Canadá.

 

3. Masha Bruskina

Masha Bruskina, de dezessete anos de idade, era membro da resistência de Minsk, na Rússia. Ela se ofereceu como voluntária em um hospital que cuidava de soldados feridos do Exército Vermelho. Bruskina fez mais do que cuidar dos feridos. Ela ajudou os soldados a escapar, conseguindo para eles roupas civis e falsos documentos de identidade.

Porém, um de seus pacientes delatou-a aos alemães. Bruskina foi capturada e torturada por vários dias, mas ela se recusou a dizer os nomes de outros membros do seu grupo. Ela foi condenada a ser enforcada publicamente.

Bruskina foi exibida pelas ruas, mas ela caminhou calmamente até a morte. Quando ela foi colocada no banquinho, ela virou as costas para a multidão. Isso irritou os carrascos, que queriam que a jovem ficasse com seu rosto voltado para as pessoas. Eles tentaram forçá-la a se virar, mas não tiveram sucesso.

O corpo de Bruskina ficou pendurado por três dias antes que os alemães permitissem que a cidade a enterrasse.

2. Truus Oversteegen

 

A família inteira de Truus Oversteegen discordava da ideologia nazista, então eles ajudaram os povos judeus e os refugiados políticos a atravessar ilegalmente a fronteira entre a Alemanha e os Países Baixos. Truus, de dezesseis anos (foto acima, à direita) estava ansiosa para fazer mais. Quando um membro da resistência holandesa pediu-lhe que ela se juntasse a eles, ela aproveitou a chance. Oversteegen começou com missões simples – suas primeiras tarefas eram a distribuição de folhetos e jornais ilegais e buscar ajuda para os refugiados.

Mas Oversteegen logo assumiu missões mais sérias. Ela entrou em campos de concentração, forneceu documentos falsos e extraiu crianças judaicas. Oversteegen e seus colegas membros da resistência encontraram esconderijos para as crianças.

Oversteegen foi então convidada a se juntar à resistência armada, e ela prontamente aceitou. A jovem recebeu treinamento militar e aprendeu como atirar. Seu primeiro trabalho era flertar com soldados alemães e levá-los para a floresta. Lá, eles seriam baleados por outros membros da resistência. Logo, Oversteegen estava atirando em soldados e explodindo pontes.

Suas ações irritaram os alemães, que ofereceram 50 mil florins (mais de 150.000 dólares hoje) por sua captura. Ela nunca foi pega.

1. Adolfo Kaminsky

Adolfo Kaminsky abandonou a escola aos 13 anos para ajudar sua família. Ele trabalhava para um tintureiro de roupas – algo semelhante a uma limpeza a seco moderna. Kaminsky passou horas aprendendo a remover manchas de tecido, e ele desenvolveu um amor pela química. Ele começou a ler livros de química e a realizar experimentos em casa. O jovem também passava os fins de semana trabalhando para um químico em um laticínio.

 

Os nazistas invadiram seu país quando ele tinha 16 anos, mas Kaminsky e sua família evitaram a permanência em um campo de concentração. Eles tiveram que ir para o subsolo para sobreviver.

Um dia, o pai de Kaminsky enviou-o para pegar documentos falsos de um grupo de resistência judaica. Quando Kaminsky chegou lá, ele foi informado de que o grupo estava lutando para remover uma tinta azul dos documentos. Ele disse a eles que usassem ácido lático, um truque que ele havia aprendido no laticínio. Funcionou, e Kaminsky foi convidado a se juntar à resistência.

Em seu aniversário de 19 anos, Kaminsky salvava a vida de milhares de pessoas fazendo documentos falsos: cartões de identidade que não mostravam que eles eram judeus, passaportes estrangeiros e bilhetes de trem. Ele nunca recebeu um centavo por seu trabalho. Ele só queria ajudar as pessoas desfavorecidas. Kaminsky continuou seu trabalho após a Segunda Guerra Mundial, fornecendo documentos falsos para pessoas carentes em todo o mundo.

Fonte: [Listverse] [via]

O fotógrafo judeu que enterrou fotos de um gueto para que os nazistas não as encontrassem

Até 1939, o polonês Henryk Ross vivia tranquilamente trabalhando como fotojornalista na cidade de Lodz. A vida dele e de outros milhares de judeus mudaria completamente após as tropas de Adolf Hitler tomarem o país e instituírem em Lodz o segundo maior gueto controlado pelos alemães.

Com cerca de 160 mil moradores, o gueto de Lodz só ficava atrás do de Varsóvia, a capital polonesa, em número de habitantes. A princípio, a câmera fotográfica de Henryk foi confiscada pelos oficiais nazistas, mas a habilidade de fotografar viria a se tornar interessante para o regime.

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Cartaz na entrada do gueto avisa: “Judeus – Entrada proibida”

Ross passou a trabalhar tirando fotos para os documentos de identidade dos judeus confinados no gueto, além de ser obrigado a registrar a realidade que os nazistas queriam mostrar ao mundo: os judeus trabalhando e mostrando como o isolamento em Lodz era produtivo.

Apesar de usufruir de privilégios por causa do cargo, Henryk não se sentia confortável e logo passou a arriscar a vida, secretamente registrando o dia a dia do gueto. Graças à ajuda de sua mulher, que ficava de guarda para evitar que ele fosse descoberto, o fotógrafo conseguiu fazer cerca de 6 mil imagens.

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Garoto procurando comida

Em 1944, quando começou a correr a notícia de que Hitler pretendia acabar com o gueto, matando todos os moradores, Henryk decidiu enterrar todas as fotografias e negativos que possuía. A caixa com o material ficou enterrada por sete meses, e, apesar do esforço dele para proteger o conteúdo, quase metade se perdeu por causa da umidade.

Em 1945, quando o exército soviético libertou Lodz da ocupação nazista, Henryk Ross e a esposa estavam entre os menos de mil sobreviventes. Dezenas de milhares de judeus tinham sido levados para serem mortos em campos de concentração nos meses anteriores, ou simplesmente morrido de fome.

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Velhos ou doentes demais para trabalhar, judeus são levados do gueto para campo de concentração

Ross conseguiu desenterrar os registros. “Alguém precisava documentar o nosso martírio”, dizia. As fotografias do polonês ajudaram a condenar, em 1961, Adolf Eichmann, tenente-coronel da SS e um dos principais organizadores do Holocausto. Henryk viveu parte de sua vida em Israel e mais tarde se mudou para o Canadá, onde morou até falecer em 1991. Suas fotografias fazem parte da coleção da Galeria de Arte de Ontário e são um documento importante do horror criado pelo regime nazista.

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Menina na rua, provavelmente vendendo pães

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Grupo deixando o gueto rumo a campo de concentração

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Louça deixada para trás por grupo que foi levado para campo de concentração

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Homem caminha entre os escombros de sinagoga destruída pelos nazistas

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Trabalhador na fábrica de couro

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Prisão dentro do gueto servia como passagem antes da deportação para os campos de concentração

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Famílias deixam Lodz rumo a campo de concentração

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Trabalhadores de padaria

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Doente, homem dorme na rua à espera de ajuda

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Restos mortais de pessoas que morreram em Lodz

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Trabalhadores durante horário de almoço

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Alegria em meio a caos: casamento dentro do gueto

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Cadáver abandonado em Lodz

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Mulheres em meio a escombros de sinagoga destruída pelos alemães

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Garotos carregam pães para distribuição dentro do gueto

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Cadáver sendo transportado

Todas as imagens © Henryk Ross/Galeria de Arte de Ontário fonte

10 ASSUSTADORES trechos de diários escritos na Segunda Guerra Mundial

Quando ouvimos relatos de batalhas longas e mortíferas como a Segunda Guerra Mundial, é normal ter uma sensação ruim. No entanto, não importa o que aprendamos sobre a guerra, é difícil realmente imaginar o que as pessoas que passaram por ela enfrentaram. Esses diários podem nos ajudar com isso.

10. Michihiko Hachiya, Hiroshima, 6 de agosto de 1945

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Em 6 de agosto de 1945, uma bomba atômica foi detonada diretamente sobre Hiroshima, no Japão, matando imediatamente cerca de um quarto da população da cidade e expondo o restante a níveis perigosos de radiação. Um funcionário de hospital chamado Michihiko Hachiya estava deitado em sua casa no momento da explosão, a cerca de 1,5 km do centro da detonação. O calor queimou sua roupa e criou graves queimaduras no seu corpo. Seu diário, publicado em 1955, narra suas experiências naquele dia.

“Nós começamos, mas depois de 20 ou 30 passos, eu tive que parar. Minha respiração ficou curta, meu coração batia forte, e minhas pernas cederam sob mim. Uma sede avassaladora me tomou e eu implorei a Yaeko-san para me encontrar um pouco de água. Mas não havia água para ser encontrada. Depois de um tempo, minha força voltou um pouco e fomos capazes de seguir em frente. Eu ainda estava nu e, embora eu não sentisse nem um pouco de vergonha, eu estava perturbado ao perceber que a modéstia tinha me abandonado… Nosso progresso para o hospital foi interminavelmente lento, até que, finalmente, as minhas pernas, duras de sangue seco, se recusaram a me levar mais longe. A força, mesmo a vontade, de ir em frente me abandonou, então eu disse a minha esposa, que estava quase tão gravemente ferida quanto eu, para ir sozinha. Ela se opôs a isso, mas não havia escolha. Ela tinha que ir em frente e tentar encontrar alguém para voltar por mim”.

 

9. Zygmunt Klukowski, Szczebrzeszyn, 21 de outubro de 1942

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Em 20 de janeiro de 1942, 15 altos funcionários nazistas fizeram uma conferência para discutir a implementação de uma “Solução Final” para obliterar o povo judeu. Demorou mais nove meses para o genocídio alcançar a pacata cidade de Szczebrzeszyn, no sudeste da Polônia. Zygmunt Klukowski, o médico-chefe de um pequeno hospital local, fez anotações sobre o horror que presenciou.

“De manhã cedo até tarde da noite assistimos eventos indescritíveis. Soldados armados da SS, gendarmes e a ‘polícia azul’ correram pela cidade à procura de judeus. Judeus foram reunidos no mercado. Judeus foram retirados de suas casas, celeiros, adegas, sótãos e outros esconderijos. Tiros foram ouvidos durante todo o dia. Às vezes, granadas de mão foram jogadas nos porões. Judeus foram espancados e chutados; não fazia diferença se eram homens, mulheres ou crianças pequenas. Todos os judeus serão abatidos. Entre 400 e 500 foram mortos. Poloneses foram forçados a começar a cavar sepulturas no cemitério judaico. A partir de informações que eu recebi, cerca de 2.000 pessoas estão se escondendo. Os judeus presos foram colocados em um trem na estação ferroviária para serem transferidos para um local desconhecido. Foi um dia terrível, eu não posso descrever tudo o que aconteceu. Você não pode imaginar a barbárie dos alemães. Estou completamente acabado e não consigo me encontrar”.

8. Lena Mukhina, Leningrado, 3 de janeiro de 1942

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Dependendo da fonte, estima-se que entre 7 a 20 milhões de civis russos morreram como resultado direto da Segunda Guerra Mundial. Em Leningrado, 750.000 pessoas morreram de fome durante o estado de sítio mantido pelos alemães por mais de dois anos, de setembro de 1941 a janeiro de 1944. Lena Mukhina, de 17 anos, escreveu sobre o Cerco a Leningrado logo no seu início. Conforme o tempo se passou, os moradores foram obrigados a comer ratos, gatos, terra e cola. Houve relatos generalizados de canibalismo.

“Estamos morrendo como moscas aqui por causa da fome, mas ontem Stalin deu mais um jantar em Moscou, em honra ao [Secretário do Exterior britânico, Anthony] Eden. Isso é ultrajante. Eles enchem a barriga lá, enquanto nós nem sequer ganhamos um pedaço de pão. Eles brincam de anfitrião em todos os tipos de recepções brilhantes, enquanto nós vivemos como homens das cavernas, como toupeiras cegas”.

7. Felix Landau, Drohobych, 12 de julho de 1941

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Felix Landau era um membro da SS alemã. Durante a guerra, ele passou a maior parte do tempo servindo no Einsatzkommando, um esquadrão da morte encarregado de exterminar judeus, ciganos, intelectuais poloneses e uma série de outros grupos. Seu notável diário detalha seus crimes terríveis. Abaixo, confira um relato de suas ações na cidade de Drohobych, no oeste da Ucrânia. Vale notar que, depois da guerra, Landau conseguiu escapar da captura até 1959, quando foi levado a julgamento e condenado à prisão perpétua. Ele foi libertado por “bom comportamento” em 1971 e morreu em 1983.

“Às 6:00 da manhã de repente eu fui acordado de um sono profundo. Reportar para uma execução. Tudo bem, então eu vou brincar de carrasco e, em seguida, coveiro, porque não. Não é estranho, você ama batalha e, em seguida, tem que atirar em pessoas indefesas. Vinte e três tiveram de ser baleados, entre eles duas mulheres. Eles são inacreditáveis. Eles até mesmo se recusam a aceitar um copo de água de nós. Eu fui designado artilheiro e tive que atirar em qualquer fugitivo. Nós dirigimos um quilômetro ao longo da estrada fora da cidade e, em seguida, viramos para a direita em uma floresta. Havia apenas seis de nós naquele momento e tivemos que encontrar um local adequado para atirar [nos fugitivos] e enterrá-los. Depois de alguns minutos, encontramos um lugar. Os candidatos à morte receberam pás para cavar a sua própria sepultura. Dois deles estavam chorando. Os outros certamente têm uma coragem incrível. Que diabos se passa pelas suas mentes durante esses momentos? Eu acho que cada um deles abriga uma pequena esperança de que de alguma forma não será morto. Os candidatos à morte são organizados em três turnos, já que não há muitos túmulos. Estranhamente, estou completamente impassível*. Sem piedade, nada. Esse é o jeito que é e, em seguida, está tudo acabado. Meu coração bate um pouco mais rápido quando involuntariamente eu recordo os sentimentos e pensamentos que eu tive quando eu estava em uma situação similar”.

*No sentido de não estar sentindo nenhuma emoção.

6. Leslie Skinner, noroeste da Europa, 4 de agosto de 1944

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O diário do Capitão Leslie Skinner documenta suas experiências do conflito imediatamente após os desembarques do Dia D. Skinner não era um soldado de combate, mas sim um padre servindo como capelão do exército. Conhecido como “Padre Skinner”, seu trabalho era proporcionar conforto espiritual e realizar últimos sacramentos. A parte mais angustiante da sua função envolvia recuperar os corpos dos mortos para dar-lhes um enterro apropriado.

“A pé, localizei tanques. Apenas cinzas e metal queimado no tanque de Birkett. Procurei nas cinzas e encontrei restos de ossos pélvicos. Em outros tanques três corpos ainda dentro. Não foi possível remover os corpos, após muita dificuldade – negócio desagradável – doente”.

“Trabalho temeroso pegar pedaços e remontá-los para a identificação e colocá-los em cobertores para o enterro. Sem infantaria para ajudar. O líder do esquadrão me ofereceu alguns homens para ajudar. Recusei. Quanto menos homens que vivem e lutam em tanques tiverem a ver com este lado das coisas, melhor. Meu trabalho. Este foi mais do que normalmente doente. Realmente indutor de vômitos”.

5. David Koker, Holanda, 4 de fevereiro de 1944

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Enquanto os sobreviventes do Holocausto escreveram uma série de memórias, apenas alguns diários foram recuperados a partir dos campos de concentração. Um deles foi escrito por David Koker, um estudante holandês de ascendência judaica que foi enviado para o Camp Vught no sul da Holanda em fevereiro de 1943. Enquanto a maioria dos prisioneiros do campo de concentração não podia manter um diário, David fez amizade com o gerente do local e sua esposa, o que significa que tinha privilégios. O trecho abaixo descreve Heinrich Himmler, o chefe da SS e um dos principais arquitetos do Holocausto. Himmler visitou Vught em fevereiro de 1944, dando a Koker uma visão inédita do homem responsável por perseguir seu povo.

“Um pequeno homem frágil de aparência insignificante, com um rosto bastante bem-humorado. Boné de pala alto, bigode e óculos pequenos. Eu penso: se você quiser rastrear toda a miséria e horror para apenas uma pessoa, teria que ser ele. Em torno dele, um monte de companheiros com rostos cansados. Homens muito grandes, fortemente vestidos, eles seguem para qualquer canto que ele se vire, como um enxame de moscas, trocando de lugar entre si (eles não ficam parados por nem um momento), movendo-se como um único conjunto. Passa uma impressão fatalmente alarmante. Eles olham para todos os lados sem encontrar nada para se concentrar”.

4. George Orwell, Londres, 15 de setembro de 1940

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Durante a guerra, o famoso escritor George Orwell estava entre os 8,6 milhões de habitantes de Londres. Além de sua obra literária, ele manteve um diário detalhado de suas experiências durante a guerra. O diário é recheado principalmente com discussões políticas, mas de vez em quando possui um relato de ataques aéreos, como o de setembro de 1940, quando a RAF lutava pelo controle dos céus sobre o sul da Inglaterra durante a Batalha da Grã-Bretanha. As pessoas comemoravam quando um avião alemão caia, por medo de que Hitler invadisse a Inglaterra.

“Esta manhã, pela primeira vez, vi um avião abatido. Ele caiu lentamente das nuvens, nariz à frente, como um pássaro baleado lá no alto. Um júbilo formidável entre as pessoas assistindo, pontuado momento sim, momento não com a pergunta: ‘Tem certeza que é alemão?’. Tão intrigantes são as instruções dadas, e tantos os tipos de avião, que ninguém sequer sabe quais são os aviões alemães e quais são os nossos. Meu único teste é que, se um bombardeiro é visto sobre Londres, deve ser alemão, enquanto que um caça é mais provável de ser nosso”.

3. “Ginger”, Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941

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O bombardeio de Pearl Harbor por forças japonesas tornou dois conflitos regionais existentes na Europa e na China em uma Guerra Mundial. Voltado para a base naval norte-americana na costa sul de Oahu na ilha do Havaí, o ataque surpresa deixou 2.403 americanos mortos e foi o catalisador para os Estados Unidos entrarem na guerra. A área de Pearl Harbor não se restringia a militares, no entanto, mas também era habitada por famílias e ilhéus. O trecho de diário abaixo foi escrito por uma menina de 17 anos conhecida como “Ginger”.

“Fui acordada às oito horas da manhã por uma explosão em Pearl Harbor. Levantei-me pensando que algo emocionante provavelmente estava acontecendo por lá. Mal sabia eu! Quando cheguei à cozinha toda a família, excluindo Pop, estava olhando para o Arsenal de Marinha. Ele estava sendo consumido por fumaça preta e mais explosões espantosas… Então eu fiquei extremamente preocupada, assim como todos nós. Mamãe e eu saímos na varanda da frente para dar uma olhada melhor e três aviões passaram zumbindo sobre nossas cabeças, tão perto de nós que poderíamos lhes ter tocado. Eles tinham círculos vermelhos em suas asas. Logo entendemos! Nesse momento as bombas começaram a cair por todo o Hickam. Ficamos nas janelas, não sabendo mais o que fazer, e observamos o fogo trabalhar. Era exatamente como os cinejornais da Europa, só que pior. Vimos um monte de soldados correndo em nossa direção a partir do quartel e, em seguida, uma linha de bombas caiu atrás deles, levando todos para o chão. Fomos inundados em uma nuvem de poeira e tivemos que correr fechar todas as janelas. Enquanto isso, um grupo de soldados tinha entrado em nossa garagem para se esconder. Eles foram totalmente tomados de surpresa e muitos deles não tinham sequer uma arma ou qualquer coisa”.

2. Wilhelm Hoffman, Stalingrado, 29 de julho de 1942

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As batalhas mais importantes e sangrentas da Segunda Guerra Mundial foram travadas na Frente Oriental. Uma delas foi a de Stalingrado, onde um banho de sangue de cinco meses virou a maré em favor da União Soviética. No entanto, antes dos alemães levarem a guerra até essa cidade, eles tinham tidp vitória após vitória e estavam confiantes de que poderiam conquistar a Rússia, como bem expressou Wilhelm Hoffman, um soldado da 94ª Divisão de Infantaria do Sexto Exército alemão:

“O comandante da companhia diz que as tropas russas estão completamente quebradas, e não podem aguentar por mais tempo. Chegar a Volga e tomar Stalingrado não é tão difícil para nós. O Fuhrer sabe qual o ponto fraco dos russos. A vitória não está longe”.

Isso foi em julho. Em dezembro, os alemães é que estavam cercados. Nesse ponto, o diário de Hoffman se torna pessimista sobre as chances de vitória. O relato de 26 de dezembro de 1942 está em contraste gritante com a sua atitude durante o verão:

“Os cavalos já foram comidos. Eu comeria um gato; eles dizem que sua carne também é saborosa. Os soldados parecem cadáveres ou lunáticos, à procura de algo para colocar em suas bocas. Eles já não se cobrem dos ataques russos; não têm a força para caminhar, correr e se esconder. Maldita seja esta guerra!”.

Hoffman morreu em Stalingrado, embora não saibamos exatamente como ou quando.

1. Hayashi Ichizo, Japão, 21 de março de 1945

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No imaginário popular, os pilotos kamikazes japoneses eram todos fanáticos imperialistas ansiosos para se sacrificar por seu país. Oficialmente, é dito que todos se voluntariaram, mas a realidade é que muitos foram essencialmente forçados a cumprir esse papel, como foi o caso do estudante japonês Hayashi Ichizo, chamado pelo exército em 1943 com a idade de 21 anos. Se você acha que ele era muito jovem para se candidatar à morte, saiba que nem sequer era o mais novo entre os kamikazes, título que coube a Yukio Araki, na foto acima segurando seu cachorro, que tinha apenas 17 anos. Em seu diário, Hayashi relatou como foi ser designado para servir como um piloto suicida:

“Para ser honesto, eu não posso dizer que o desejo de morrer pelo imperador é genuíno, que vem do meu coração. No entanto, é decidido por mim que eu morra para o imperador. Não vou ter medo do momento da minha morte. Mas eu estou com medo de como o medo da morte vai perturbar a minha vida… Mesmo para uma vida curta, há muitas memórias. Para alguém que teve uma vida boa, é muito difícil se separar dela. Mas cheguei a um ponto de não retorno. Eu devo mergulhar em um navio inimigo. À medida que a preparação para a decolagem se aproxima, sinto uma forte pressão sobre mim. Eu não acho que eu posso encarar a morte… Eu tentei o meu melhor para escapar em vão. Então, agora que eu não tenho escolha, eu devo ir valentemente”.

Sua missão suicida foi concluída em 12 de abril de 1945, cinco meses antes da rendição do Japão. [Listverse]

A Segunda Guerra Mundial em fotos que você nunca imaginou

Allemagne, Berlin. 2 mai 1945. Le drapeau rouge flotte sur les to”ts du Reichstag

Fotos históricas talvez sejam uma das maiores unanimidades entre as pessoas. Mesmo as que retratam períodos terríveis são aclamadas por todo o mundo.

O fascínio que elas causam provavelmente está no fato de trazerem o passado, e toda nossa história, até o mundo em que vivemos. No caso desta lista, além de toda a importância histórica, as imagens servem como alerta: não podemos repetir nossos erros e permitir que algo tão terrível aconteça de novo.

Apesar das milhares, até mesmo milhões, de fotos que provavelmente foram tiradas durante a Segunda Guerra Mundial serem bastante célebres, um punhado delas nunca se tornou popular. Porém, às vezes são as fotografias menos conhecidas que nos revelam toda a crueldade e a incerteza que as guerras trazem à humanidade.

 

10. Os soldados nazistas muçulmanos

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A imagem acima é a de soldados alemães muçulmanos da era nazista em oração. Eles são da 13ª Waffen-Gebirgs-Division der SS Handschar, uma divisão completamente muçulmana do exército alemão. A unidade, que consistia principalmente de muçulmanos bósnios, foi formada em março de 1943, depois que a Alemanha conquistou a Croácia, que incluía a Bósnia-Herzegovina. Os muçulmanos bósnios foram aceitos na classificação nazista por causa da crença de Heinrich Himmler de que o povo da Croácia era de ascendência ariana, não eslava. Os nazistas também acreditavam que a nova divisão iria ajudá-los a ganhar o apoio da maioria dos muçulmanos em todo o mundo. Com o tempo, a divisão também incluiu croatas católicos romanos, que representavam 10% de suas fileiras.

A unidade foi iniciativa do Grande Mufti Hajj Amin al Husseni. Al Husseni tinha levado um golpe fracassado no Iraque e sido exilado para a Itália e, em seguida, Berlim, onde encorajou bósnios muçulmanos a se juntarem às fileiras do exército alemão. Husseni incentivou os assassinatos de judeus no Norte de África e na Palestina. Ele também queria que a Luftwaffe bombardeasse Tel Aviv. Após a guerra, Husseni fugiu para a França, onde foi preso. Mais tarde, escapou e fugiu para o Egito, onde os Aliados foram desencorajados a prendê-lo novamente por causa de seu “status” no mundo árabe. Husseni morreu em 1974 em Beirute, no Líbano, tendo seu desejo de ser enterrado em Jerusalém negado pelo governo israelense.

9. Mulher francesa tendo o cabelo raspado

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Depois que a França foi libertada no final da II Guerra Mundial, os cidadãos franceses que apoiaram a invasão das tropas alemãs sob qualquer forma foram perseguidos e tiveram suas cabeças vigorosamente raspadas como um símbolo de desonra. A fotografia acima é a de uma mulher cuja cabeça estava sendo raspada em Montelimer, França, em 29 de agosto de 1944. Cerca de 20.000 cidadãos franceses tiveram suas cabeças raspadas em público, a maioria mulheres. A punição foi frequentemente realizada por moradores ou membros da Resistência Francesa e feita em todos os lugares, desde as casas das vítimas até praças públicas na presença de uma grande multidão. Durante o mesmo período, a Alemanha também decretou que as mulheres que tiveram relações sexuais com não arianos ou prisioneiros de guerra deviam ter suas cabeças raspadas.

A ideia de raspar o cabelo das mulheres como forma de punição não teve início durante a 2ª Guerra Mundial – há registros de que este ritual tenha sido feito na Europa durante a Idade Média, quando foi usado como punição para mulheres adúlteras.

8. A mulher chorando nos Sudetos

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Esta é uma das fotografias mais controversas da Segunda Guerra Mundial. Foi também uma ferramenta de propaganda utilizada tanto pelos Aliados quanto por nazistas. A fotografia foi tirada na região dos Sudetos, na Checoslováquia, em outubro de 1938, após a cidade ser capturada e anexada pela Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial começar oficialmente.

A fotografia mostra uma mulher chorando levantando um dos braços para saudar as tropas alemãs invasoras, enquanto a outra mão segura um lenço sobre olhos cheios de lágrimas. A fotografia apareceu em diversos jornais, em diferentes países, com diferentes legendas. Foi publicada pela primeira vez por um jornal alemão, o Võlkischer Beobachter, que afirmava que a mulher estava tão contente pelo avanço dos soldados alemães que não conseguia esconder seus sentimentos. Nos Estados Unidos, um jornal disse que a mulher não conseguia esconder o seu sofrimento enquanto “respeitosamente” saudava Hitler.

7. O homem chorando na França

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No verão de 1940, soldados alemães marcharam em Paris, marcando a derrota da França e o início do “Les Annee Noires” franceses, também conhecidos como “Os anos negros”. No momento em que os soldados alemães começaram a se mover, o governo francês já tinha abandonado a cidade e fugido para Bordeaux, no sul da França, que era o seu último reduto. A data exata em que a foto foi tirada é contestada. Enquanto ela apareceu originalmente em 1941, acredita-se que tenha sido tirada em 1940. O homem da foto, acredita-se, é Monsieur Jerome Barrett, que estava chorando enquanto as bandeiras da França faziam o seu caminho através de Marselha até a África.

A derrota da França durante a Segunda Guerra Mundial foi chocante, e também bastante decepcionante. Antes da guerra, acreditava-se que a França tinha o melhor exército em toda a Europa. Após a queda para a Alemanha, Adolf Hitler insistiu que os documentos que reconheciam a rendição da França deviam ser assinados na floresta de Compiegne, dentro do mesmo vagão de trem em que a Alemanha tinha assinado os documentos de sua própria rendição no final da Primeira Guerra Mundial. O vagão já estava em um museu, mas foi retirado e levado para a floresta para que os documentos pudessem ser devidamente assinados.

6. O Dispositivo

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As bombas atômicas que explodiram sobre Hiroshima e Nagasaki são por vezes mencionadas como as primeiras armas nucleares. Na verdade, as duas bombas foram apenas as primeiras armas nucleares a matar e destruir. A primeira bomba atômica já feita foi o Gadget (O Dispositivo). Ela foi concluída e testada semanas antes de Hiroshima e Nagasaki. O teste, chamado Trinity, foi realizado no Alamogordo Bombing and Gunnery Range, hoje conhecido como White Sands Missile Range, no Novo México, EUA.

A bomba foi colocada em uma torre de vigia na floresta de 30 metros de altura. Três bunkers foram construídos a 9.000 metros de distância da torre, de modo que a iminente explosão pudesse ser observada. Nas primeiras horas de 16 de julho de 1945, o Dispositivo disparou. A explosão resultante enviou ondas de choque através do deserto, vaporizando a torre e produzindo uma gigantesca nuvem em forma de cogumelo a 12.000 metros de altura. Ela produziu um flash brilhante equivalente ao de 10 sóis. O flash foi tão brilhante que foi visto em todo Novo México e partes do Arizona, Texas e México. O calor produzido foi tão forte que observadores a 16 km de distância o compararam a estar em pé na frente de um incêndio barulhento.

5. O menino no gueto de Varsóvia

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Durante o que ficou conhecido como a Revolta do Gueto de Varsóvia, os judeus em Varsóvia, na Polônia, iniciaram uma revolta de 10 dias contra os soldados alemães. Os judeus sabiam muito bem que seriam derrotados, mas se recusaram a desistir sem lutar. “O menino do gueto de Varsóvia” é o nome dado a um menino judeu com não mais do que 10 anos de idade que foi preso por soldados alemães no gueto após o levante ter sido contido.

As mãos do menino não identificado foram levantadas no ar, enquanto um soldado alemão apontava uma metralhadora para ele. Embora a fotografia seja uma das imagens mais divulgadas do Holocausto, ninguém sabe quem é o rapaz ou o que aconteceu com ele. Algumas fontes dizem que ele foi morto em uma câmara de gás no campo de concentração de Treblinka, enquanto outros dizem que ele sobreviveu.

Em 1999, um homem chamado Avrahim Zeilinwarger contatou um museu israelense dizendo que o garoto era seu filho, Levi Zeilinwarger, que teria sido realmente morto em um campo de concentração, em 1943. Em 1978, um homem não identificado entrou em contato com o Jewish Chronicle dizendo que o menino era o filho dele. Em 1977, uma mulher chamada Jadwiga Piesecka alegou que o menino era Artur Dab Siemiatek, que nasceu em 1935.

4. Os Jogos Olímpicos dos campos de concentração

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Por causa da guerra em curso, os Jogos Olímpicos de 1940 e 1944, que deveriam acontecer em Tóquio e Londres, não puderam ser realizados. No entanto, vários campos de prisioneiros na Polônia seguiram em frente com seus próprios Jogos Olímpicos, tanto em 1940 quanto em 1944. Embora muitos dos eventos tenham sido realizados em segredo, os Jogos Olímpicos de 1944 de Woldenberg, realizados no campo em Woldenberg, e outro realizado no acampamento em Gross Born (ambos na Polônia), foram realizados em uma escala muito maior.

369 dos 7.000 prisioneiros no campo de Woldenberg participaram em diversas modalidades, incluindo handebol, basquete e boxe. Esgrima, tiro com arco, salto com vara e dardo não foram autorizados. As bandeiras para os jogos foram feitas com lençóis. Aos vencedores dos eventos esportivos foram dadas medalhas feitas de papelão. Os Jogos Olímpicos de 1944 foram realizados porque os soldados poloneses queriam permanecer em forma e, ao mesmo tempo, honrar Janusz Kusocinski, atleta polonês que venceu a corrida de 10.000 metros nos Jogos Olímpicos de 1932, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

3. O naufrágio do HMAS Armidale

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O HMAS Armidale era uma corveta, um tipo de navio de guerra, de três mastros, e com uma só bateria de canhões (embora tenha sido originalmente construído para ser um caça-minas) a serviço da marinha australiana durante a Segunda Guerra Mundial. Foi encomendado em 11 de junho de 1942, apenas para ser afundado em novembro do mesmo ano. Enquanto estava em uma missão para evacuar soldados e civis de Betano Bay, no Timor, o HMAS Armidale foi descoberto por aviões japoneses, que o atacaram, assim como a seu “irmão”, o navio HMAS Castlemaine. O Armidale foi logo destruído pelos aviões japoneses, forçando seus tripulantes a abandonar o navio. Vinte e um tripulantes, incluindo o capitão, subiram em uma lancha pequena e danificada, onde aguardaram resgate. Uma vez que o resgate nunca veio, eles começaram a remar em direção a águas australianas.

Dois dias depois, outros 29 sobreviventes começaram uma viagem semelhante em um baleeiro danificado que não parava de encher de água. Os sobreviventes se agarraram a uma balsa flutuante enquanto aguardavam o resgate. Depois de vários dias no mar, os homens na lancha foram resgatados junto com os do baleeiro. Mas os homens pendurados na balsa que aparecem na fotografia nunca foram encontrados. A foto mostrada acima foi tirada pelo piloto de um avião de reconhecimento Hudson, que até deixou cair uma mensagem para eles dizendo que seus salvadores estavam a caminho.

2. Yakov Dzhugashvili, o filho de Josef Stalin

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O homem com as mãos no bolso na fotografia acima é Yakov Dzhugashvili, o primeiro filho de Josef Stalin. A foto foi tirada depois que Yakov foi capturado pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Yakov e Stalin não estavam exatamente tendo um bom relacionamento de pai e filho antes do início da guerra. Stalin muitas vezes o insultou e até mesmo o deserdou. Ele também impediu que Yakov mudasse seu sobrenome para Stalin depois que ele mudou o seu.

Quando os alemães perceberam que Yakov era filho de Stalin, tiraram uma fotografia para fins de propaganda, sempre ela. Na parte de trás das fotografias foi colocada uma curta nota dizendo aos soldados soviéticos para que se rendessem assim como o filho de Josef Stalin. Quando os alemães pediram para trocar Yakov por um marechal de campo alemão capturado, Stalin negou, dizendo que ele não trocava tenentes por marechais de campo. Mesmo com seu ódio e as ofensas públicas a seu filho, na verdade, Stalin tentou resgatá-lo duas vezes.

Yakov morreu no campo de concentração de Sachsenhausen em abril de 1943, sob circunstâncias misteriosas. Enquanto arquivos secretos revelam que ele foi baleado por não seguir ordens, outros dizem que ele cometeu suicídio ao encostar em uma cerca eletrificada. Outro relatório afirma que ele foi morto em ação em 1945.

1. A bandeira erguida sobre o Palácio de Reischtag

Allemagne, Berlin. 2 mai 1945. Le drapeau rouge flotte sur les to”ts du Reichstag
Essa não é exatamente uma foto desconhecida. A imagem da bandeira com a foice e o martelo, símbolos do comunismo soviético, tremulando sobre uma Berlim completamente destruída é, na verdade, uma das imagens mais divulgadas do período pós-guerra. Não é de se espantar, afinal, uma guerra fria estava prestes a ser iniciada e as cartas já estavam sendo postas na mesa. Os soviéticos queriam mostrar para todo o mundo que a vitória sobre Hitler era uma conquista do exército vermelho. Mas você sabia que essa foto não é exatamente o que podemos chamar de espontânea?

Levantar uma bandeira sobre o Reichstag teria sido o equivalente russo da bandeira americana na batalha em Iwo Jima, outra célebre imagem de honra e vitória, exceto que, no caso dos soviéticos, a cena foi encenada, um fato que o fotógrafo, Yevgeny Khaldei, confirmou.

A fotografia mostra um jovem soldado russo levantando a bandeira soviética sobre Berlim após a derrota do exército alemão. Yevgeny Khaldei estava em Moscou quando o exército soviético invadiu Berlim, mas ele rapidamente foi para a Alemanha sob as ordens de oficiais soviéticos do alto escalão, possivelmente do próprio Josef Stalin. Suas ordens eram para produzir imagens que mostrassem a vitória soviética na Alemanha. Yevgeny chegou a Berlim e inspecionou vários locais, incluindo o Aeroporto Tempelhof e o Portão de Brandenburgo, antes de se estabelecer no edifício do Reichstag. Yevgeny tirou 36 fotos diferentes da cena, que seria usada como propaganda soviética. Curiosamente, uma unidade do exército soviético tinha inicialmente içado sua bandeira sobre o edifício não muito tempo depois que a cidade foi capturada, mas a imagem não foi registrada por nenhum fotógrafo. [Listverse]

Segunda Guerra Mundial: fotos inéditas (e chocantes)

Um M-10 Tank Destroyer do 636º Batalhão de Tank Destroyer, apoiando o 143º Regimento de Infantaria, 36ª Divisão, em Rohrwiller, 4 de fevereiro de 1945. O extenso dano à igreja da cidade foi provavelmente feito por explosões.

A revista online sobre história da guerraArgunners publicou recentemente uma série de fotos inéditas descobertas nos arquivos do americano Charles Day Palmer, que serviu como general de brigada na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.

As imagens mostram um continente devastado pelas batalhas, conforme as forças americanas se moviam em direção a Berlim.

A maioria das fotos, feitas a pedido dos Estados Unidos, eram confidenciais e consideradas inadequadas para a publicação, visto que muitas são bastante gráficas.Palmer foi autorizado a guardá-las para uso privado depois que as imagens passaram por uma censura, incluindo a remoção de nomes e lugares.

O general, que na Segunda Guerra Mundial serviu durante a invasão da Normandia e a travessia da Linha Siegfried, mais tarde atuou também na Guerra da Coréia. Ele faleceu em 7 de junho de 1999.As fotos de seu acervo pessoal foram recentemente compartilhadas no site da Argunners por seu neto, Daniel Palmer, para honrar as memórias e serviços de seu avô.

Confira algumas delas:

Um soldado americano examina o túmulo de outro soldado americano desconhecido, que foi enterrado pelo inimigo. O primeiro que notou o túmulo o decorou com morteiros e samambaias.

Soldados norte-americanos e alemães mortos em um cemitério antes do enterro, em um local desconhecido. Cada corpo foi colocado em uma capa de colchão. Prisioneiros alemães podem ser vistos fazendo o trabalho de cavar as sepulturas e colocando os corpos dentro delas.

Prisioneiros de guerra da Polícia Militar alemã e agentes da Gestapo na cidade de Estrasburgo são levados a 3ª Divisão de Infantaria. Os prisioneiros estão sendo escoltados pelas Forças Francesas do Interior.

Um M-10 Tank Destroyer do 636º Batalhão de Tank Destroyer, apoiando o 143º Regimento de Infantaria, 36ª Divisão, em Rohrwiller, 4 de fevereiro de 1945. O extenso dano à igreja da cidade foi provavelmente feito por explosões.

Na sequência de um ataque de artilharia norte-americano contra um comboio alemão, cavalos mortos, veículos e equipamentos destruídos podem ser vistos espalhados ao longo da estrada nas proximidades de Lug, na Alemanha. Os alemães estavam tentando escapar do cerco dos 3º e 7º Exércitos.

Uma fábrica de rolamentos rígidos de esferas subterrânea alemã. É mostrada uma linha de polimento e máquinas utilizadas para concluir os rolamentos. Esta imagem pode ter sido feita na vizinhança de Schweinfurt.

Minas M-5 antitanques britânicas foram usadas para explodir caixas de comprimidos alemães. Cerca de 180 kg de TNT foram detonados.

Forças dos EUA tentam recapturar Wingen-sur-Moder, comuna francesa, da 6ª SS-Gebirgsjäger alemã, que se infiltrou durante a noite, desalojando as tropas americanas e capturando um número de prisioneiros. A torre da igreja à esquerda é um mirante alemão, de olho nos soldados norte-americanos.

O capacete e rifle marcam o local de uma vala em uma estrada onde dois soldados da infantaria deram suas vidas para uma unidade do 7º Exército, que abriu uma frente de 80 quilômetros do aeroporto de Saarbrücken para Reno.

Homens do 7º Exército procurando atiradores de elite em Bobenthal, na Alemanha.

Quando este guincho rebocando um Howitzer 155 mm ficou preso na lama em uma estrada, nada menos do que um Bulldozer pode movê-lo.

Caminho de um B-17 conforme fez um pouso forçado em um campo coberto de neve no front do 7º Exército.

Os restos de uma cidade alemã destruída.

Mais destruição de cidade alemã.

Uma ponte alemã é soprada aos céus por engenheiros norte-americanos, destruindo o espaço como uma medida defensiva contra as tropas alemãs.

A rendição do 19º Exército. Com a capitulação final da Alemanha para os Aliados, os soldados alemães que levantaram armas por mais de cinco anos contra quase toda a Europa e os EUA renderam seus rifles para os norte-americanos perto de Landeck, na Áustria. Eles parecem felizes com o “fim”. Granadas de mão e outros equipamentos podem ser vistos empilhados além dos rifles.

Milhares de oficiais alemães e homens podem ser vistos marchando de volta para a estrada a partir da montanha que uma vez defenderam. Embora tenham se rendido sem muita oposição, outras tropas alemãs ofereceram resistência fanática contra cidades-chave ao longo do caminho.

Rendição húngara. As tropas que se renderam ao 7º Exército são reunidas em Garmisch-Partenkirchen, cena dos últimos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados antes da guerra.

Civis alemães no meio de sua cidade.

Edifícios destruídos e queimados na França. Eles foram bombardeados pelos alemães.

Casamata localizada na periferia de um forte. Ela mostra danos, provavelmente causados por incêndio iniciado por um tanque americano durante uma batalha para tomar a fortaleza.

Caminhão francês queima quando sua carga de 800 litros de gasolina explode.

Dano causado quando um cartucho 280 milímetros alemão pousou na área.

Tanque M-4 americano derrubado, ao lado de um Sturmgeschütz IV alemão.

Um tanque destroier passando por um tanque americano que foi nocauteado durante uma batalha quando os americanos retomaram a cidade. Entre os dois veículos blindados, dois médicos coletam o corpo de um soldado americano morto na luta.

O acervo ainda conta com fotografias mais penosas de se olhar, que mostram, por exemplo, restos mortais de soldados. Caso tenha interesse em ver mais imagens, acesse o site da Argunners. [io9]

Sobreviventes pedem justiça no caso do “Contador de Auschwitz”

 

“Não posso perdoá-lo”: assim o sobrevivente de Auschwitz Max Eisen resume suas impressões do primeiro dia do julgamento de Oskar Gröning na pequena cidade de Lüneburg, na Baixa Saxônia. O morador de Toronto, de 86 anos, é um dos mais de 60 autores da ação coletiva contra o ex-sargento da SS, hoje com 93 anos.

Na audiência de terça-feira (21/04), Gröning reconheceu pelo menos sua responsabilidade moral no genocídio perpetrado no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau: “Eu reconheço essa culpa moral aqui, diante das vítimas, com arrependimento e humildade. Sobre a culpa jurídica, os senhores devem decidir.”

Atividades comprometedoras

No período em que trabalhou no campo, de 1942 a 1944, ele admite ter testemunhado uma execução por gás. Entre suas tarefas constava recolher o dinheiro das malas dos detentos chegados ao campo e entregá-lo à organização paramilitar SS, em Berlim – atividade que lhe valeu a alcunha “Contador de Auschwitz” na imprensa alemã.

Malas em Auschwitz: esperança de seguir viagem

Outra atribuição de Gröning era retirar, da rampa aonde chegavam os trens, as bagagens dos designados à câmara de gás. Na visão do Ministério Público, ele ajudou, desse modo, a apagar os vestígios da matança em massa de judeus – por exemplo, os vindos da Hungria no início de 1944. Por isso, é agora acusado de cumplicidade em pelo menos 300 mil casos.

Após um dia longo, Gröning foi um dos primeiros a deixar a sala do tribunal, aparentando fragilidade ao ser levado pelos cuidadores até o automóvel. “Foi muito cansativo para ele”, comenta seu advogado, Hans Holtermann.

“Mas eu acho que ele ficou aliviado de poder falar sobre os seus atos”, diz o jurista, que declinou de opinar se considera o nonagenário suficientemente saudável para participar de todas as 27 audiências programadas.

Ignorância questionada

Gröning “mentiu à beça” no primeiro dia do processo, criticou Max Eisen. “Ele meio que deu a impressão de não estar realmente sabendo. O fato é que [Gröning e seus assistentes] ficavam lá na rampa e não havia como não saberem, já que todo o pessoal da SS morava nas mesmas barracas”, afirmou o sobrevivente.

Eisen tampouco aceita a alegação do idoso de que “estava confuso ao chegar a Auschwitz”. “Eu tinha 15 anos quando cheguei lá, e não estava confuso”, rebateu.

Os avós, a mãe e os três irmãos de Eisen foram para a câmara de gás assim que desembarcaram no campo de extermínio, hoje território polonês. Ele, seu pai e o tio foram selecionados para os trabalhos forçados. Eisen se diz enojado por o réu ter se esquivado de responder ao juiz se, com o seu trabalho na época, ele contribuíra para o extermínio dos judeus.

Max Eisen: “Eu tinha 15 anos quando cheguei a Auschwitz, e não estava confuso”

Culpa real versus “culpa moral”

“Ele tenta lidar com a própria culpa”, relativiza Eva Korr, outra ex-detenta de Auschwitz, vinda dos Estados Unidos para o julgamento na Baixa Saxônia. “Ele poderia ter se escondido nas sombras, como milhares de outros nazistas. Poucos tiveram a coragem de ir a público.”

Assim como parte dos autores do processo, o representante jurídico de 31 deles, Thomas Walther, se revela decepcionado com o depoimento de Oskar Gröning: para os seus clientes, a mera admissão de “culpa moral” soa como um deboche do que realmente aconteceu.

“É preciso entender que os meus clientes têm estado convencidos, pelos últimos 70 anos, da culpa real de um crime extremamente profundo”, afirmou o jurista. “Falar em ‘culpa moral’ diante do assassinato dos seus pais: como é que você se sentiria?”

Tensão no julgamento do “Contador de Auschwitz”

 

Processo começa com debate histórico acalorado do lado de fora do tribunal na pequena cidade de Lüneburg. Enquanto sobreviventes enfatizam importância do julgamento, antifascistas e neonazistas se confrontam.

Houve confusão na longa fila diante do prédio em Lüneburg onde, às 9h30 desta terça-feira (21/04), se iniciou aquele que pode ser o último processo relativo ao Holocausto. O réu é Oskar Groning, de 93 anos, apelidado pela imprensa alemã o “Contador de Auschwitz”.

O espaço na sala do tribunal, para apenas 60 espectadores, foi ocupado por cerca de 40 participantes de um grupo antifascista local, que já haviam chegado às 6h00 da manhã. Sua intenção principal foi assegurar assentos para os parentes dos coautores da ação coletiva, 65 sobreviventes do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau.

Contudo, a segunda meta era garantir que “essa gente” não entrasse, revela Henryk Kuzbik, um dos ativistas, apontando para um grupo de dez neonazistas, que só conseguiram lugar no meio da fila. “Seria insuportável para os familiares ter essa gente aqui. E queríamos mostrar que não há só nazistas.”

O líder informal dos extremistas, Thomas Wulff, que diz pertencer a um “movimento nacionalista”, aproveita a ocasião para travar um acalorado debate sobre a história da Alemanha e o Holocausto com os jornalistas presentes.

“Isso é um julgamento atrasado de vingança pelos Aliados. Não há defesa neste país”, acusa. Segundo ele, Gröning “foi uma vítima da sua época, e agora é uma vítima do sistema judiciário alemão”. Wulff acrescenta que ele próprio foi condenado a pena condicional de um ano e meio “por fazer perguntas”.

Neonazismo se faz presente

Muitos alemães vieram até o Tribunal Regional de Lüneburg para demonstrar sua solidariedade com as vítimas do genocídio perpetrado pelo regime de Adolf Hitler. “É muito importante que esse julgamento esteja acontecendo agora”, observa Meline Dumrese, uma das fundadoras da organização que pleiteou a construção do Memorial do Holocausto em Berlim, em 2005.

Os neonazistas foram acompanhados por Ursula Haverbeck, viúva de um pastor que foi membro da liderança do Partido Nacional-Socialista. Já tendo sido multada várias vezes por negar o Holocausto, ela aparece num vídeo, postado na segunda-feira no YouTube, condenando o processo e convocando outros opositores a assisti-lo.

Além disso, Haverbeck distribuiu um panfleto intitulado “Assassinato em massa no campo de concentração de Auschwitz?”, onde questiona os dados históricos sobre o Holocausto e propõe estimativas mais baixas para o número de judeus executados – um ato considerado ilegal na Alemanha.

Oskar Gröning pretendia combater falsa argumentação de negadores do Holocausto

Negação do Holocausto

Na aglomeração na pequena cidade de Lüneburg, na Baixa Saxônia, Kuzbik e seus companheiros entoam brevemente “Fora nazistas!” e ostentam uma bandeira de Israel. Wulff rebate com “Israel foi fundado por terroristas”. A polícia inicialmente mantém separados os dois grupos, mas acaba ordenando que os extremistas de direita deixem o local.

A ironia desse incidente é que Gröning está sendo julgado por ter ido a público na década de 80, justamente com o fim de rebater os negadores do Holocausto. Ele foi um dos poucos ex-servidores do regime nazista a tomar tal atitude.

Seu testemunho sobre as próprias ações – tanto para os promotores como em extensas entrevistas dadas em 2005 à revista Der Spiegel e outros veículos – forneceram provas substanciais contra diversos antigos oficiais nazistas. Entretanto, essas mesmas informações estão sendo agora empregadas na ação contra ele.

Importância para os sobreviventes

Numa coletiva de imprensa nesta segunda-feira, a húngara Eva Pusztai-Fahidi, sobrevivente do campo de Auschwitz e coautora do processo, explicou o que a iniciativa jurídica representa para ela, pessoalmente:

“Nos 70 anos desde que saí de Auschwitz-Birkenau, uma das coisas mais importantes que me aconteceram foi esse julgamento. É muito importante eu poder vivenciar o julgamento de um homem da SS que serviu em Auschwitz. A questão não é a punição, mas sim o veredicto.”

Para outra sobrevivente, Hedy Bohm, “o importante é que o julgamento esteja acontecendo”. “Meu testemunho vai ser dar um pouco uma voz a meus pais e à minha família, que não estão aqui”, comentou.

Apesar de terem sido banidos do tribunal no primeiro dia do processo, os neonazistas estão sendo esperados também nos dias subsequentes. “Mas nós também vamos estar aqui”, promete Kuzbik. “Vamos estar aqui a cada dia do julgamento.”

Estão programadas 27 audiências em Lüneburg, sendo o veredicto previsto para o fim de julho.

“Contador de Auschwitz” pede perdão

Oskar Gröning, de 93 anos, se declarou cúmplice moral pela morte de milhares de judeus no campo de concentração durante a Segunda Guerra.

Engraçado que ele ainda continua vivo e ainda tem o cinismo de pedir perdão as pessoas que morreram poderia ter feito a mesma coisa que ele fez  com aqueles judeus,mais infelizmente as coisas não sai do nosso jeito,recomendo a leitura da próxima matéria.