O guia de vinhos surrealista de Salvador Dalí

O pintor catalão Salvador Dalí não era definitivamente uma pessoa usual. Dalí foi um artista no sentido mais amplo do termo, trazendo o surrealismo do movimento que ajudou a criar para cada um de seus gestos, desde pintar até simplesmente passear na rua, comer ou beber um vinho – nada em sua vida parecia estar fora de suas ambições estéticas e poéticas.

O incrível livro de culinária criado pelo pintor e recentemente relançado já mostrava que sua visão artística não tinha limites, e cozinhar para Dalí também era um gesto surrealista. Agora seu guia de vinhos também foi relançado pela editora Taschen e, como não poderia deixar de ser, a marca surrealista do artista se faz presente.

 

Lançado originalmente em 1978 com o sugestivo título Vins de Gala (Os Vinhos de Gala, em homenagem à sua eterna esposa), o livro é ilustrado por mais de 140 imagens criadas por Dalí, e os vinhos de sua seleção são classificados não através dos paradigmas usuais, como aroma, densidade, sabor ou idade, mas sim pelos sentimentos e estados de espírito que cada vinho é capaz de provocar – ao menos através da visão singular do artista.

O sistema de classificação é chamado por Dalí de “Intromissão”, e separa as bebidas em, por exemplo, “vinhos de generosidade”, “vinhos de frivolidade” e “vinhos de sensualidade”, entre outros, “na direção do alcance infinito de nossas almas”, diz Dalí.

O livro encontrava-se fora de catálogo há décadas, e foi enfim relançado. Evidentemente não se trata de um guia para os enólogos mais ortodoxos, e sim para quem deseja se inebriar das possibilidades mais poéticas que essa bebida pode nos oferecer – guiado pelo olhar sempre surrealista de um grande artista.

© fotos: divulgação/fonte:via

Anúncios

Vinícolas em São Paulo que valem uma visita

Não é preciso incluir o Chile ou a Argentina no roteiro para conhecer algumas ótimas vinícolas. Se existem muitas no sul do país, São Paulo também não fica de fora dessa rota e tem boas opções de vinícolas que merecem ser visitadas.

Dependendo do local e da época da visita, é possível combinar a degustação de vinhos com outras atividades, como um jantar harmonizado, um passeio pelo parreiral ou a colheita das uvas. A maior parte das vinícolas fica pertinho da capital paulista e podem ser visitadas durante um bate e volta, embora a experiência de dormir próximo a uma delas seja ainda mais incrível.

Vinícola Marchese Di Ivrea, em Ituverava

Com opções de passeios entre os parreirais, visita à área de vinificação e também ao alambique de grappa, a Vinícola Marchese Di Ivrea promete um dia agitado aos visitantes. Também é possível reservar uma degustação dos rótulos produzidos no local e descobrir que o Brasil sabe produzir ótimos vinhos.

Quinta do Olivardo, em São Roque

Com inspiração nos vinhos portugueses, a Quinta do Olivardo é diferente da maioria das vinícolas brasileiras, que remetem à tradição italiana. Além de apreciar os vinhos produzidos na propriedade, os visitantes também podem provar bolinhos de bacalhau, pastéis de nata e outras delícias portuguesas enquanto escutam o típico som do fado em meio à paisagem serrana.

vinho2

Foto: Reprodução / Foto destaque: Bill Williams/Unsplash

Vinícola Palmeiras, em São Roque

A apenas 60 minutos de São Paulo, a Vinícola Palmeiras conta com um espaço verde e oferece aos visitantes a possibilidade de degustar os produtos produzidos no local. Estão disponíveis vinhos, doces e uma extensa gastronomia produzida com produtos coloniais.

vinho3

Foto: Reprodução

Vinícola Terrassos, em Amparo

Os primeiros vinhedos da Vinícola Terrassos começaram a ser plantados em 2003. De lá para cá, muita coisa foi sendo aprimorada ao longo de testes com cerca de 20 variedades de uvas viníferas. Com restaurante próprio, o espaço recebe turistas em busca das belas paisagens da Serra da Mantiqueira e de uma ótima gastronomia.

vinhos4

Foto: Reprodução Facebook

Vinícola Guaspari, Espírito Santo do Pinhal

Localizada a cerca de 190 km de São Paulo, a Vinícola Guaspari foi fundada por uma família originária da Toscana, na Itália. Construído em 2008, o espaço da vinícola foi planejado para preservar o estilo arquitetônico da região. Desde então, a área do parreiral vem sendo expandida e hoje já conta com 50 hectares de vinhedos próprios.

vinho5

Foto: Reprodução Facebook /fonte:via

Foto: (Divulgação/Internet) /fonte:via

vinícola Ferragut

O território da Adega Família Ferragut visto de cima em Vinhedo SP.A maior adega aberta ao público do município de Vinhedo possui uma propriedade com 5 mil pés de uva. Além de oferecer uma cartela variada de vinhos artesanais e outros produtos, como suco de uva, balinhas de cachaça e geleias, ainda possui uma visita monitorada pela vinícola. “Imagine entrar em um pequeno sítio e uma coruja lhe dar boas-vindas. Ao mesmo tempo contemplar a bela vista de um parreiral. Além disso, conhecer as histórias e a tradição da produção de vinhos” – Assim eles descrevem a visita para o prazer do viajante. (Divulgação/Internet).

Sugestão da leitora Cristileine Leão do blog: Depressaocompoesia

Essa é a garrafa de vinho mais antiga do mundo que se mantém fechada desde o século 4

Tudo bem que vinhos envelhecidos costumam ser mais sofisticados. Porém, ainda não se tem notícia de vinhos com um tempo de guarda de 16 séculos. Apesar disso, é essa a idade da garrafa de vinho mais antiga do mundo, que se mantém fechada desde o século 4, segundo informações do My Modern Met.

Foto: Altera levatur

A garrafa, que ficou conhecida como Römerwein, foi encontrada durante escavações na tumba de um nobre romano, em 1867. Estima-se que a bebida tenha sido produzida entre os anos 325 e 359 da nossa era. Os pesquisadores ainda não sabem precisar o que aconteceria com o líquido caso a garrafa fosse aberta – portanto, ninguém se atreveu a remover sua rolha feita de cera e azeite.

Foto: Immanuel Giel

Com 1,5 litros, a garrafa está exposta atualmente no Museu Histórico de Palatine, em Speyer, Alemanha. Ao Daily Mail, a especialista em vinhos Monika Christmann teria dito que o líquido provavelmente não está estragado, embora não deva ser agradável ao paladar. Além disso, é improvável que a garrafa resguarde ainda suas propriedades etílicas, pois o álcool teria evaporado ao longo do tempo.

Foto: Museu Histórico de Palatine/fonte:via

A Croácia tem uma adega de vinho debaixo d’água aberta ao público – e é tão legal quanto parece

Como se não houvessem razões o bastante para visitar a Croácia, aqui vai mais uma: o país agora abriga uma adega submersa, localizada na península de Pelješac. O lugar se chama Edivo Vina e requer um mergulho no fundo da baía de Mali Ston para ser explorado.

Vinho 2

Isso porquê o as garrafas de vinho são conservadas embaixo da água, mantidas em jarros de barro chamados de anfôras por um ou dois anos antes de poderem ser apreciadas. De acordo com os proprietários, Anto Šegović e Edi Bajurin, essa forma de armazenamento garante todos os elementos de sabor e qualidade da bebida e promove ainda um aroma adicional, o de pinheiro.

CroaciaWine

Além de ver os jarros de barro embaixo da água, os mergulhadores podem ainda conferir um navio afundado que também está localizado na baía. Ele é usado como adega para as ânforas e outras garrafas de vinho, que estão sendo envelhecidas no mar Adriático.

Vinho 3

A ideia de criar a Edivo Vina surgiu há cinco anos. Seus proprietários acreditam que o mar provêm o resfriamento  das garras em condições ideais  e que o silêncio absoluto de suas profundezas melhora a qualidade dos vinhos. Quem visita a adega pode ainda comprar jarros de ânforas antigos, que emergem da água cobertos por conchas, algas e outros seres do mar.

Vinho 1

Vinho 4

Todas as fotos: Reprodução fonte: via

Berço de tintos e rosés, a Espanha esbanja quantidade e qualidade

 
Fernando Bustamante/AP

A Espanha tem atualmente a maior área ocupada por vinhedos no mundo, zona que corresponde a grande parte da Península Ibérica. A variedade de solos e microclimas do país refletem nos diversos tipos de vinho encontrados por lá. Não por acaso, a região é a terceira maior produtora da bebida no mundo — com ênfase em tintos e rosés. Os espanhóis flertam com a bebida predileta do deus Baco desde a época em que os romanos dominaram a área. Há registros de que videiras são cultivadas por lá desde 4.000 a.C.

 

A região que, há mais de um século, é considerada a maior expoente na produção vitivinícola é Rioja — primeira a projetar a bebida espanhola no mercado mundial. Tradicionalmente, os produtores locais definiam a qualidade de seus vinhos pelo uso da madeira: o costume era deixar a bebida armazenada por longos períodos. A partir da década de 1970, a maceração passou a ser o processo mais demorado, e o estágio em madeira ficou mais curto. Nos barris, o carvalho americano passou a ser substituído pelo francês. Com isso, vinhos doces têm conquistado espaço.

Outra região de destaque é Mancha, famosa por conta do escritor Miguel de Cervantes, autor da obra Dom Quixote. No livro, há várias referências à bebida, entretanto, poucos sabem que essa é a maior área vitivinícola contínua do planeta, que abrange 182 municípios em quatro províncias: Albacete, Ciudad Real, Cuenca e Toledo. Segundo um provérbio local, o clima da Mancha é de “nove meses de inverno e três meses de inferno”. Devido à escassez de chuvas, as vinhas são plantadas de modo espaçado e crescem rente ao solo.

Encorpados

Por outro lado, a Cataluña, situada no norte da Espanha, é a região com maior número de Denominações de Origem Qualificada (DOs) do país. Há cerca de trinta anos, vitivinicultores migraram para lá e passaram a produzir tintos de estilo — quase negros, encorpados e concentrados — que acabaram por alcançar alto valor no mercado e atraíram investimentos para a região.

Ribera del Duero, provavelmente a mais importante entre as denominações espanholas, passou a ser conhecida há apenas vinte anos. Hoje, produz rosés a partir da uva granacha e, além disso, disputa a hegemonia dos vinhos tintos com a região da Rioja.

Luis Cañas/Divulgação

Bodegas Luis Cañas (Rioja)

Além dos passeios convencionais, a Luis Cañas oferece cursos como o de “Introdução a Degustação”, destinado a quem quer ter noções básicas para compreender e apreciar mais os vinhos. O curso de degustação e harmonização com chocolates, queijos e geleias atrai bastante público. Esses e outros cursos são ministrados a pequenos grupos, com agendamento prévio.

Finca Antigua/Divulgação

Bodega Finca Antigua (Mancha)

A vinícola mescla tradição e inovação, a começar pelo edifício sede, feito de aço, pedra e cimento — exemplar genuíno da arquitetura de vanguarda. As visitas aos vinhedos começam com uma parada no mirante e seguem por uma rota guiada pelas instalações da bodega. Ao fim, os turistas degustam e conversam sobre os vinhos, produzidos em processo artesanal. Os passeios têm duração média de duas horas e custam por volta de 10 e 40 euros.

Abadal/Divulgação

Abadal (Cataluña)

A bodega oferece diversas atividades relacionadas ao universo do vinho: cursos de degustação, provas comentadas, visitas a vinícolas e passeios por florestas. Na visita guiada com degustação, o turista conhece uma adega datada do século 12 (localizada no porão do edifício sede), e o museu da indústria e dos transportes de vinhos — uma verdadeira turnê pela história da vitivinicultura na região.

Aalto/Divulgação


Aalto (Ribera del Duero)

Uma das poucas com visitas gratuitas, a Aalto oferece ao visitante um passeio completo pelo ciclo da uva na temporada de colheita. Os turistas podem conhecer a zona de recepção e seleção das uvas e o processo de prensagem. A melhor pedida é finalizar a caminhada nas zonas subterrâneas de envelhecimento, onde acontece a degustação dos rótulos da casa. O passeio tem duração média de 90 minutos.