Este transplante de rosto é o mais bem sucedido até agora

Cameron Underwood passou por 25 horas de cirurgia em janeiro de 2018 para receber um novo rosto. Ele foi o paciente que recebeu este transplante com mais agilidade até agora, e isso significou uma ótima recuperação. “Eu tenho um nariz, uma boca e consigo sorrir, falar e comer alimentos sólidos de novo”, comemora ele.

O médico responsável pelo procedimento e que acompanha a recuperação do rapaz norte-americano, Eduardo D. Rodriguez, conta que a rapidez em receber o novo rosto fez toda a diferença. A cirurgia aconteceu apenas 18 meses depois da tentativa de suicídio do jovem de 26 anos, o período mais curto entre ferimento e cirurgia já registrado nos EUA.

Ele entrou para a fila de transplante em julho de 2017 e um doador compatível foi identificado apenas seis meses depois.

“Cameron não viveu com este ferimento por uma década ou mais como a maior parte dos nossos transplantados. Como resultado, ele não teve que lidar com muitos problemas psicossociais que frequentemente acabam em depressão severa, vício em drogas e outros comportamentos potencialmente destrutivos”, explica ele.

Rodriguez realizou este procedimento pela terceira vez em sua carreira, com a ajuda de 100 profissionais de várias áreas diferentes. A enorme operação aconteceu no centro de saúde NYU Langone, em Manhattan, Nova York. Detalhes sobre a recuperação de Cameron foram anunciados na última semana pelo hospital.

Durante a cirurgia, o médico transplantou e reconstruiu a mandíbula superior e inferior do jovem, incluindo seus 32 dentes e gengiva. O céu da boca, pálpebras inferiores e nariz foram substituídos e sua língua passou por reconstrução. Ele recebeu uma rede metálica abaixo dos globos oculares, para reconstruir o assoalho da órbita.

Uma técnica pioneira do procedimento foi a impressão em 3D de uma guia que ajudou na retirada das estruturas necessárias do rosto do doador e na inserção dos tecidos, ossos e nervos nos pontos corretos do rosto do transplantado.

Confira no vídeo abaixo uma animação publicada pelo centro de saúde NYU Langone sobre o procedimento:

Ferimento

Cameron Underwood (direita) antes do incidente

Cameron é da cidade de Yuba, na Califórnia, e enfrentava depressão desde o final da adolescência. Em junho de 2016, aos 24 anos, a doença progrediu, e depois de recorrer ao álcool para tentar amenizar suas dores, ele acabou se ferindo com uma arma de fogo.

Ele sobreviveu, mas ficou sem a maior parte da mandíbula, nariz e dentes. Apesar de passar por várias cirurgias de reconstrução convencional, ele continuava impedido de ter uma vida normal. Cameron não conseguia falar e se alimentava por um tubo.

Um dia, sua mãe, Beverly Baily-Potter, leu uma matéria jornalística sobre um programa de transplante de face do centro de saúde NYU Langone. Ela imediatamente entrou em contato com o diretor do programa, Rodriguez, e conseguiu agendar uma consulta. Beverly e seu filho atravessaram os EUA para realizar o procedimento em Nova York.

Recuperação

Cameron ficou 60 dias internado no hospital depois sua grande cirurgia. Depois, passou por mais oito meses de reabilitação em que recuperou os movimentos dos músculos do novo rosto, passou por mais procedimentos para alinhar os dentes e reaprendeu a falar e comer alimentos sólidos.

Sua reabilitação em Nova York durou um mês, e ele finalmente pode continuar a luta em casa. Mesmo assim, ele ainda viaja uma vez por mês para Nova York para acompanhamento médico. Cameron ainda vai passar por três a cinco anos de fisioterapia.

A sensação no seu rosto ainda é limitada, e o médico a comparou com estar sob efeito de novocaína. Este anestésico é muito utilizado em cirurgias locais e cirurgias odontológicas. Seu corpo ainda precisa aceitar seu novo rosto e seu cérebro precisa se adaptar a ele.

“Sou muito grato por ter um transplante de rosto porque isso me dá uma segunda chance na vida. Eu tenho conseguido voltar para atividades que amo, como ficar ao ar livre, praticar esportes e passar tempo com meus amigos e familiares”, descreveu ele na coletiva de imprensa organizada pelo hospital em que a cirurgia aconteceu.

Rodriguez elogiou a atitude do jovem, que ajudou em sua rápida recuperação: “no final, tudo depende do paciente. Cameron se esforçou e cumpriu os compromissos necessários”.

“Espero conseguir voltar a trabalhar logo e algum dia começar uma família”, concluiu Cameron.

Confira abaixo o vídeo que mostra o processo de recuperação pós-transplante de Cameron:

O doador

Will Fisher

Esta história também é especial por conta da ligação entre a mãe do doador e Cameron. Sally Fisher diz que só conseguiu sobreviver à dor de perder o filho por saber que ele continuaria a viver através de Cameron.

As leis nos Estados Unidos permitem o contato entre a família do doador e o receptor, e Sally pediu para conhecer Cameron logo após a morte de seu filho, em janeiro de 2018. O reencontro entre as duas famílias só aconteceu depois de terminada a primeira fase de recuperação de Cameron, em novembro de 2018.

Will Fisher era campeão de xadrez e um aspirante a escritor e diretor de cinema. Ele estudava na Universidade Johns Hopkins e faleceu inesperadamente no último dia de 2017. Will havia se cadastrado como doador de órgãos.

“A morte do meu filho foi uma tragédia”, afirmou Sally na coletiva de imprensa. “Ser parte dessa experiência tem sido uma fonte de força para mim durante um momento muito difícil”, continuou ela.

Cameron tentou expressar a gratidão que sente pelo presente que recebeu de Will. “Eu quero que Sally e sua família saibam o quanto minha família e eu apreciamos o presente deles. Eu sempre vou honrar o legado de Will”, afirmou ele.

Veja abaixo a jornada de Cameron desde o seu ferimento em 2016 até a recuperação em novembro de 2018:

Transplantes de rosto

Desde o primeiro transplante de rosto em 2005, mais de 40 deles já foram realizados no mundo todo. Eles já aconteceram na França, Estados Unidos, Espanha, Turquia e China.

A primeira pessoa a receber um transplante de rosto no mundo foi a francesa Isabelle Dinoire, que foi atacada por seu labrador quando estava desacordada ao tomar uma overdose de remédios para dormir em uma tentativa de suicídio. Seu cão ficou desesperado ao vê-la inconsciente e acabou ferindo gravemente o seu rosto.

Claro que em 13 anos de procedimentos muitos avanços técnicos aconteceram, e os médicos conseguem lidar com os casos mais complexos com maior precisão e melhores resultados funcionais e estéticos.
fonte:via[
BBC, USA Today, Health.com]

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A análise de evidências de 3.700 anos mostra que um meteoro ou um cometa explodiu sobre o Oriente Médio nesse período. A destruição na região, uma faixa de terra chamada Middle Ghor, ao norte do Mar Morto, foi avassaladora. “A explosão devastou em um instante cerca de 500 km2 ao norte do Mar Morto, não apenas eliminando 100% das cidades e vilas, mas também retirando os solos agrícolas dos campos outrora férteis e cobrindo o leste de Middle Ghor com uma salmoura superaquecida de sais de anidrido do Mar Morto empurrados para a paisagem pelas ondas de choque do evento”, escreveram os pesquisadores em um artigo que foi apresentado na reunião anual das Escolas Americanas de Pesquisa Oriental.

Entre as evidências que os cientistas utilizaram para chegar até a explosão estão peças de cerâmica de 3.700 anos que têm algumas características bastante incomuns. A superfície da cerâmica, por exemplo, foi transformada em vidro. A temperatura do evento também teria sido tão alta que pedaços de zirconita dentro da cerâmica se transformaram em gás, algo que requer uma temperatura de mais de 4.000 graus Celsius, diz ao portal Live Science Phillip Silvia, arqueólogo de campo e supervisor de escavação do projeto Tall el-Hammam, que fez a descoberta. No entanto, apesar de intenso, o calor não durou o suficiente para queimar peças de cerâmica inteiras, deixando partes relativamente ilesas sob a superfície.

Datações por radiocarbono no local indicam também que paredes de tijolos de barro desapareceram de repente há cerca de 3.700 anos, deixando apenas fundações de pedra.

“Com base nas evidências arqueológicas, demorou pelo menos 600 anos para que a região se recuperasse suficientemente da destruição e contaminação do solo antes que a civilização pudesse se estabelecer novamente no leste da região de Middle Ghor”, escreveram os pesquisadores no artigo apresentado. Entre os lugares destruídos estava Tall el-Hammam, uma cidade antiga que cobria 36 hectares de terra.

Explosão cósmica

Segundo os pesquisadores, o único evento que ocorre naturalmente capaz de causar um padrão tão incomum de destruição é uma explosão cósmica, algo que ocorreu ocasionalmente ao longo da história da Terra, como a explosão em 1908 em Tunguska, na Sibéria.

Além disso, Silvia aponta que escavações e levantamentos arqueológicos em outras cidades dentro da área afetada sugerem uma súbita perda de vida há cerca de 3.700 anos, outra possível evidência de um evento catastrófico. Até agora, nenhuma cratera foi encontrada nas proximidades, e não está claro se o culpado foi um meteoro ou cometa que explodiu acima do solo.

O fato de que apenas 500 quilômetros quadrados de terra terem sido destruídos indica que a explosão ocorreu em uma baixa altitude, possivelmente não mais de 1 km acima do solo. Em comparação, a explosão aérea de Tunguska danificou 2.150 quilômetros quadrados de terra.

Ao contrário do evento Tunguska de 1908, porém, essa explosão ocorreu em uma área altamente povoada para a época, e pode ter matado entre 40.000 e 65.000 pessoas que habitavam o Middle Ghor, uma planície circular de 25 quilômetros de largura na Jordânia.

Os pesquisadores teorizam que o desastre pode ter sido descrito na Bíblia como a destruição da cidade de Sodoma – Tall el-Hammam é uma candidata a ser a famosa “Cidade do Pecado”, destruída pela ira celestial de acordo com o livro de Gênesis.

Os resultados da equipe são preliminares e a pesquisa ainda está em andamento.

fonte:via[Live Science, Sputnik News, RT]

Idoso entra na universidade e quer dar aulas em escola onde trabalha como vigia

Manoel Castro dos Reis passou quase cinco décadas fora das salas de aula. Hoje com 60 anos, o morador de Araguaína-TO precisou abandonar os estudos quando tinha 13, e há algum tempo trabalha como vigia em uma escola da cidade. Agora, ele espera voltar para a classe, dessa vez como professor.

Manoel parou de estudar em 1972, quando concluiu a quarta série e a família decidiu mudar de cidade e ele precisou começar a trabalhar. Em 2004, ele definiu que retomaria os estudos e realizou o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), obtendo o certificado do Ensino Fundamental. Três anos depois, fez o mesmo com o Ensino Médio.

No ano passado, Manoel decidiu prestar o Enem e conseguiu a nota necessária para se matricular em História na Universidade Federal do Tocantins. Hoje ele concilia os estudos com o expediente em uma Escola Municipal, e tem como grande objetivo poder dar aulas por lá daqui a quatro anos.

Uma bonita coincidência foi seu filho, Ítalo, de 17 anos, ter prestado Enem no mesmo ano que o pai e também ser aprovado para estudar na Universidade Federal do Tocantins, no curso de Química. Os dois vão para a faculdade juntos e compartilham o sonho de mudar de vida graças aos estudos.

Fotos: Reprodução/TV Anhanguera / Rede Globo /fonte:via

10 fotografias incríveis do concurso da National Geographic de 2018

A National Geographic é praticamente um sinônimo de imagens belíssimas do nosso planeta. O concurso anual de fotografia da revista é um evento de prestígio e disputa acirrada, com os juízes tendo a difícil tarefa de premiar apenas algumas de milhares de fotos de tirar o fôlego.

O grande vencedor deste ano foi Jassen Todorov, um violinista e professor de música na Universidade Estadual de São Francisco (EUA), cuja foto aérea mostra um vasto cemitério de veículos no Deserto de Mojave, no sul da Califórnia. Jassen fez o clique vencedor com uma Nikon D810, uma lente de 70-200 mm e um monomotor Piper Warrior.

A área é bem conhecida por ser um depósito de aeronaves aposentadas, onde o ar seco evita a corrosão dos aviões antes de eles serem desmantelados por suas peças. O que muitos não sabem, no entanto, é que há um enorme trecho de terra nas proximidades reservado para carros.

“Unreal”, por Jassen Todorov


Esses milhares de carros da Volkswagen e Audi estão “abandonados” no meio do Deserto de Mojave, na Califórnia. São modelos fabricados entre 2009 e 2015, projetados para enganar os testes de emissões de gases do efeito estufa exigidos pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Após o escândalo, a Volkswagen recolheu milhões de veículos.

“Enduring Spirit”, por Derek Jerrell


O icônico bisão americano é um símbolo de força, liberdade e resistência. Este clique capta os desafios diários do animal durante o inverno, como as temperaturas extremas e neve profunda. O próprio Jerrel enfrentou condições precárias para fazer a foto, a fim de encontrar um ponto de vista que não alterasse o comportamento do bisão.

“Firefall in Yosemite Valley”, por Sarah Bethea


Todo mês de fevereiro, o pôr-do-sol atinge o ângulo certo sobre o vale de Yosemite para iluminar as quedas d’água, resultando em um efeito espetacular como o da imagem acima. Bethea fotografou esse evento há dois anos, durante um breve intervalo de luz em um dia chuvoso.

“Cotton Candy, Fog Waves”, por David Odisho


Escolha do público na categoria “Lugares”: ondas de neblina varrendo o Condado de Marin em um dia de verão, cobrindo o Monte Tamalpais, na Califórnia (EUA).

“Baby Teeth”, por Yaron Schmid


Escolha do público na categoria “Vida Selvagem”, essa imagem capta filhotes de leão mordendo a cauda de sua mãe no Serengeti.

“Breathing”, por Bence Mate


Um urso marrom rosna para avisar sua presença a um intruso na floresta.

“Night Statics”, por Hernando Alonso Rivera Cervantes


Erupção vulcânica do Colima, o mais ativo no México e um dos mais ativos da América, durante uma noite fria de inverno.

“Under Ice”, por Viktor Lyagushkin


Mergulho no Mar Branco, na Rússia.

“Halfway Home”, por Cameron Black


Um elefante vagueia por águas infestadas de crocodilos para se reunir com seu rebanho no final do dia. As marcas temporárias da água em seu corpo enfatizam seu progresso enquanto caminha até a floresta vizinha.

“Best Friends”, por Heather Nicole


Filhotes de urso brincando no Parque Nacional e Reserva do Lago Clark, no Alasca (EUA).

Para conferir mais imagens vencedoras do concurso, acesse o site da National Geographic. [BoredPanda]fonte:via

Apesar de parecer um sistema de raízes, esta imagem da foto é um modelo perfeito da árvore brônquica de um paciente da Califórnia. O homem de 36 anos sofria com um sério problema cardíaco e tossiu este coágulo.

A imagem foi publicada na revista New England Journal of Medicine, e foi registrada pelos médicos Gavitt A.Woodard e Georg M. Wieselthaler.

O paciente sofria há muito tempo com insuficiência cardíaca, com fração de ejeção de apenas 20%. Isso significa que apenas 20% do seu sangue era movimentado pelo ventrículo esquerdo. O ideal é entre 50 e 70% de ejeção, e pessoas com menos de 40% já sofrem com dificuldade de oxigenação sanguínea. Ele tinha um stent na aorta e um marca-passo permanente.

“Um equipamento Impella de auxílio ventricular foi implantado para gerenciar insuficiência cardíaca aguda, e infusões contínuas de heparina foram iniciadas para a anticoagulação sistêmica”, dizem os médicos na publicação.

Veja abaixo como o Impella ajuda na movimentação do sangue preso no ventrículo:

Sangramento interno

Na semana seguinte o paciente teve vários episódios de hemoptise, expectoração de sangue proveniente dos pulmões, traqueia e brônquios. Ele também teve estresse respiratório e recebeu oxigênio suplementar. Durante uma crise extrema de tosse, o paciente expectorou espontaneamente o modelo da árvore brônquica direita.

O paciente foi extubado e não teve mais episódios de hemoptise, mas uma semana depois faleceu por complicações da sua insuficiência respiratória.

O uso do Impella no coração exige anticoagulantes para deixar o sangue mais fino e prevenir a formação de coágulos. Mas existe o risco de sangramento interno. Neste caso, o sangue do sistema respiratório parece ter se acumulado na árvore brônquica direita, formado um coágulo e depois foi expulsa pela tosse do paciente.

Muitas proteínas fibrinogênio no sangue

A equipe de Wieselthaler examinou o coágulo e percebeu que a arquitetura dos brônquios continuou tão perfeita que foi até possível identificar que ela veio do lado direito. Eles chegaram à esta conclusão ao analisar o número de ramificações e seu alinhamento.

O coágulo provavelmente não se quebrou durante a expulsão porque tinha uma alta concentração de fibrinogênio, uma proteína no plasma que ajuda a formar coágulos.

O paciente estava com uma infecção que piorou sua insuficiência cardíaca e também causou um aumento na quantidade de fibrinogênio no sangue. O resultado foi um coágulo borrachudo.

“Estamos surpresos. É uma curiosidade que você não pode nem imaginar. Quero dizer, isso é muito, muito, muito raro”, diz o Wieselthaler ao Atlantico.

fonte:via [The New England Journal of Medicine, Atlantico, Gizmodo]

Desenho inédito de da Vinci deve ser vendido por mais de US$ 15 milhões

Leonardo da Vinci foi um gênio muito à frente de seu tempo. Alguns de seus projetos só conseguiram sair do papel graças a mais de 500 anos de desenvolvimento tecnológico, e os frutos de seu talento continuam sendo descobertos até hoje.

O caso mais recente é de um desenho datado de 1492, quando o artista tinha 40 anos, que só foi descoberto em 2016, enquanto um especialista em da Vinci vasculhava uma coleção particular francesa.

Obra recém-descoberta de da Vinci será leiloada em breve

A obra é bem representativa da versatilidade do genial italiano: de um lado há a ilustração, feita de caneta e tinta, de São Sebastião amarrado a uma árvore. No verso, da Vinci anotou resultados de experimentos científicos sobre a luz de velas.

Em 2016, a casa de leilões Tajan avaliou a obra em cerca de US$15,8 milhões, mas o valor estimado cresceu bastante nos últimos tempos, especialmente depois que a pintura Salvator Mundi, que passou séculos sendo considerada perdida, foi leiloada por incríveis US$450 milhões, aumentando a expectativa pelo valor do desenho de São Sebastião.

‘Salvator Mundi’ fez multiplicar o interesse pelas obras inéditas de da Vinci

O nome de da Vinci será ainda mais lembrado no mundo da arte que o normal a partir de 2019: entre 24 de outubro do ano que vem e 24 de fevereiro de 2020, o Louvre vai realizar uma “exposição sem precedentes” das obras do renascentista, em homenagem aos 500 anos de seu falecimento.

Fotos: Reprodução/Wikimedia Commons/fonte:via

Arte e ativismo do chinês Ai Weiwei ocupam Oca do Ibirapuera

Ditadura, refugiados e direitos sociais. Impossível separar a obra de Ai Weiwei das questões urgentes que a sociedade, desde seu nascimento, vive. “Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos” é uma das frases que se leem na parede da Oca do Ibirapuera, em São Paulo. O espaço recebe a primeira e maior exposição do artista chinês já realizada. Por ali é possível conhecer sua história, desde os tempos de seu pai – também artista e ativista – até ver os trabalhos mais recentes feitos aqui no Brasil.

Intitulada Ai Weiwei Raiz, a mostra começa fora dos portões do Ibirapuera. A obra Forever Bicycles (Bicicletas Forever) recebe o público que chega ao parque e já mostra a que veio o artista. Com estrutura formada por 1500 bicicletas, a instalação faz referência às repetições, muito usadas no trabalho do artista e à marca chinesa de bicicletas Forever, muito presente em sua infância. O trabalho impressiona  e já antecipa o senso de simetria, grandiosidade e repetição que Weiwei se vale em tantos trabalhos.

Pode tirar 3 horas do seu dia para ver a mostra com paz no coração. A linha do tempo logo na entrada nos faz ter a noção do contexto em que o artista nasce e por que sua arte só teria sentido de forma a garantir sua liberdade e expor as injustiças do mundo. A história do pai de Weiwei, Ai Qing, já é recheada de embates políticos.

Poeta e integrante do Partido Comunista Chinês, ele viveu uma época em que era estimulado que os artistas se expressassem. Logo após o nascimento de Weiwei, em 1957, o governo inicia uma Campanha Antidireitista para reprimir indivíduos considerados “de direita” dentro e fora do Partido Comunista Chinês. Qing é então denunciado e exilado com a esposa e o filho de 1 ano para o nordeste da China. Somente em 1979, Qing é reabilitado e se torna presidente da Associação de Escritores. Na mesma época, Weiwei funda Stars, primeiro movimento artístico contra as políticas estéticas do governo. Os artistas do grupo fazem uma exposição do lado de fora do Museu Nacional de Arte da China.

Em 1983, o artista se muda para Nova York e lá começa uma nova fase em sua carreira. O contato com o trabalho de Marcel Duchamp e Andy Warhol é inspirador e ele, entre faculdade de artes e trabalhos de carpinteiro e cuidador de crianças, ele fazia muitas fotos. Os registros renderam seu famoso trabalho New York fotografias. Em 1993 seu pai adoece ele volta à China.


Novamente em casa, o artista constrói um estúdio, que seria seu primeiro projeto arquitetônico. Funda ainda estúdio de arquitetura FAKE Designe faz curadoria, juntamente com Feng Boyi, da exposição de arte Fuck Off.

Na Oca, seus trabalhos chamam atenção pelas denúncias sociais, feitas em larguíssima escala. A obra Straight (Reto) é exibida pela primeira vez em sua forma completa, é uma instalação feita com 164 toneladas de vergalhões de aço recuperados dos escombros de escolas de Sichuan (China) após o forte terremoto que abalou a China em 2008. Depois do desastre, o governo não quis contar ou divulgar o número de mortos. O fato trouxe questionamentos sobre o padrão de qualidade e segurança das escolar chinesas, então a obra vem para exibir o descaso público no país. Na exposição, uma série de vídeos mostram o duro processo até a conclusão da obra, quando Ai recrutou voluntários e encabeçou uma investigação cidadã para compilar nomes e informações das vítimas estudantis. Na Oca, um espaço exibe a lista com os nomes das 5.385 crianças mortas.


Outras obras históricas e muito conhecidas de Weiwei ganham os espaços da Oca.
Sunflower Seeds (Sementes de Girassol) é um trabalho impressionante que teve milhões de sementes de girassol feitas de porcelana e pintadas à mão por 1600 artesãs chinesas – em sua maioria mulheres. Ali estão várias questões, desde o debate sobre a produção em massa do mundo capitalista que muitas vezes parte da China, até a perda da individualidade, passando também por uma referência ao Mao Tse Tung. Em seu governo se usava o exemplo de que Mao era o sol e todos os chineses os girassóis que se voltavam a ele.


Claramente o governo chinês não é muito fã do trabalho de Weiwei. Ele já teve estúdios demolidos – alguns com aviso prévio e outros sem nenhum -, foi preso e espancado pela polícia e, 2010, foi colocado em prisão domiciliar sob suposta investigação de crimes econômicos. O artista estava a caminho de Hong Kong, onde faria uma festa para a demolição de seu recém-construído estúdio em Shanghai. Após muita tortura psicológica e anos privado de sua liberdade, em 2015 Weiwei conseguiu seu passaporte de volta.

Saindo da China, ele próprio sentiu o peso de se refugiar. Daí começa uma jornada para documentar e expor a realidade das muitas famílias que tentam uma vida longe da guerra. Ele e sua equipe visitaram 40 campos de refugiados em 23 países como Líbano, Grécia, Quênia, Bangladesh, além da fronteira entre o México e os Estados Unidos. O trabalho resultou em um documentário, em séries fotográficas e na instalação gigante “Lei da Jornada (Protótipo B)”, que representa os barcos usados para fuga de refugiados. Impressionante a dimensão e precisão do trabalho.


Outra parte essencial da exposição é a passagem do artista pelo Brasil. Ai passou alguns meses em terras brasileiras conhecendo comunidades, artesãos, manifestações culturais e nossa natureza. Vale tirar 25 minutos para assistir o vídeo onde ele mostra o processo de produção de um molde em tamanho real de um pequi-vinagreiro, espécie de árvore típica da Mata Atlântica baiana atualmente em risco de extinção. Ele escolheu um exemplar da árvore em Trancoso, na Bahia, e mandou as partes para compor a obra na China. O molde perfeito de seu próprio corpo, deitado em um colchão ao lado de uma modelo brasileira, está na mostra. A passagem pelo Brasil também rendeu instalações de couro com frases sobre escravidão e racismo.

Tem uma frase atribuída a Picasso que diz que a arte não está aí para decorar paredes; ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo. Apesar de Ai já ter dito em entrevistas que considera a geração de Picasso muito autoindulgente, a declaração do espanhol descreve bem seu trabalho – e sua potência no combate às injustiças.

Ai Weiwei Raiz tem curadoria de Marcello Dantas e, depois de São Paulo, ainda deve circular pelos CCBBs de Belo Horizonte, de 5 de fevereiro a 15 de abril de 2019, e Rio de Janeiro, de 20 de agosto a 4 de novembro de 2019.
fonte:via