O que acontece quando o disco ‘África Brasil’, de Jorge Ben, é tocado para crianças em Zâmbia




Lançado por Jorge Ben em 1976, o disco África Brasil viria a significar não só uma guinada fundamental na carreira do cantor e compositor, como se tornaria um dos mais celebrados e reconhecidos discos da música brasileira. Misturando ritmos nacionais, a influência africana com a música negra dos EUA, África Brasil é o momento em que Jorge deixa de tocar violão para passar a se acompanhar na guitarra – e alcançar um de seus trabalhos, rítmica e esteticamente, mais fascinantes, na exata metade da ponte entre o Rio de Janeiro, os EUA e a África. Mas o que acontece quando essa ponte é de fato cruzada? Foi isso que o fotógrafo Leonardo Salomão e Daniella Schuarts foram descobrir.

Em 2015, para realizarem um vídeo a fim de arrecadar doações para a conclusão da construção de um escola na Vila de Mugurameno, na Zâmbia, Leonardo e Daniella decidiram que era a hora de Jorge Ben ir à África – de África Brasil encontrar sua ponta efetivamente africana. Assim, os dois colocaram crianças da escola para escutarem o clássico “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)”, que abre o disco, e reagirem à música – e o resultado é simplesmente comovente.

Ver o balanço e a alegria das crianças do Zâmbia, que jamais haviam escutado Ben ou mesmo a música brasileira, comprova não só a universalidade da música enquanto linguagem afetiva (e a alegria como a prova dos nove da própria vida) como também o quanto Jorge Ben estava certo nesse disco que é uma de suas maiores obras-primas.

Não há maiores detalhes sobre se há outras filmagens de outras músicas – pois, considerando que África Brasil traz em seu repertório canções como “O Filósofo”, “Meus filhos, meu tesouro”, “Taj Mahal”, “O Plebeu”, “Xica da Silva” e “Camisa 10 da Gávea”, seria sensacional ver as crianças reagindo ao disco por inteiro.

© fotos: reprodução/fonte:via

Rio de Janeiro vai receber maior coleção de arte iorubá fora da África

O Monumento a Zumbi do Palmares, localizado na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, é o pilar para que a cidade maravilhosa receba a maior coleção de arte iorubá fora da África.

Centenas de peças e artefatos milenares serão exibidos ao público na Casa de Herança Oduduwa, um centro de estudos da língua iorubá, de arte e claro, ligação permanente entre Brasil e a África iorubana.

A ideia partiu de uma confusão envolvendo o Monumento a Zumbi dos Palmares e o rei de Ifé. Ojaja II, de 44 anos, percebeu certo desconhecimento dos brasileiros sobre os antepassados africanos.

O Monumento a Zumbi é um grande mistério

Em 2015, o então empresário Adeyeye Enitan Babatunde Ogunwusi foi escolhido por integrantes de seis famílias como o rei de Ifé. O susto veio dois anos depois, em meio a uma campanha para unir os iorubás espalhados no mundo.

Ao ver uma mensagem vinda do Brasil, o rei ficou em choque ao notar a semelhança entre seu próprio rosto e nada menos que o Monumento a Zumbi dos Palmares, instalado na Avenida Presidente Vargas no Rio de Janeiro.

Acontece que o busto não retrata Zumbi. O rei de Ifé veio conhecer a escultura de perto em 2018 e se alegrou ao perceber seus traços na cabeça de bronze. A turnê impactou o rei, que consultou os guias espirituais e decidiu enviar para o Brasil imagens e peças do acervo milenar da cidade.

O rei de Ifé se impressionou com o monumento a Zumbi dos Palmares

Não dá para cravar que a imagem em bronze de 3 metros de altura e 800 quilos seja inspirada no rei de Ifé. Desde a inauguração em 1986, o mistério permanece. O jornal O Globo chegou a dizer que não se tratava de uma homenagem ao líder do Quilombo dos Palmares.

“A escultura é réplica de uma cabeça nigeriana esculpida entre os séculos XI e XII. Descoberta em 1938, ela hoje está no British Museum de Londres”.

O mais importante é o estreitamento dos laços entre brasileiros e iorubanos. Também chamados de nagôs, eles foram maioria entre os escravizados pelos portugueses e trazidos ao Brasil Colônia. Os iorubás são fundamentais para o nascimento do Candomblé, da Umbanda e outras religiões de matriz africana.

Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: EBC/fonte:via

Prêmio Nobel vai para ativistas combatentes da violência sexual como arma de guerra

Denis Mukwege e Nadia Murad venceram o Nobel da Paz de 2018

Nesta edição, o Prêmio Nobel da Paz reconheceu a luta de ativistas contra a violência sexual. Nadia Murad, ex-escrava sexual do grupo extremista Estado Islâmico e o médico ginecologista Denis Mukuwege, foram os homenageados.

O anúncio foi realizado na manhã desta sexta-feira (5), em Oslo, na Noruega.  Aos olhos da comissão julgadora, os esforços para acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra e o conflito armado devem ser reconhecidos.

Com apenas 25 anos, Nadia Murad possui uma história de vida impressionante. A jovem se tornou ativista dos direitos humanos do povo yazidi depois sobreviver a três meses de escravidão sexual no Iraque. Ela escapou do cativeiro imposto por membros do Estado Islâmico em 2014.

Desde então, Nadia lidera uma campanha mundial para impedir o tráfico de seres humanos e combater a escravização sexual. Seu objetivo é libertar o grupo étnico-religioso yazidis, considerados ‘traidores’ pelo EI. Pelo menos 3 mil mulheres yazidis foram vítimas de estupro no Iraque.

Desde que se libertou, além do Prêmio Nobel Nadia Murad foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico Humano.

Denis Mukwege, de 63 anos, é o ‘doutor milagre’. O ginecologista dedicou grande parte de sua vida em combater a incidência de violência sexual na República Democrática do Congo. O médico tratou mais de 30 mil vítimas de ataques, se colocando como um dos grandes especialistas no tratamento de lesões sexuais graves.

Mukwege montou um hospital com mais de 300 leitos e um sistema para auxiliar financeiramente estas mulheres no recomeço de suas vidas. O médico chegou a sofrer um atentado, mas não se deixou abater.

O ‘doutor milagre’ não poupa críticas ao abuso sofrido por mulheres durante guerras. Para ele, o estupro é uma “arma de destruição em massa”. Estima-se que 6 milhões de pessoas tenham morrido desde o início da guerra civil na República Democrática do Congo.

Quando a notícia sobre o Nobel foi recebida, Denis estava em cirurgia. Logo depois, disse que podia “ver nas faces de muitas mulheres como estão felizes de serem reconhecidas”.

Para a presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen, a edição de 2018 do Nobel envia ao mundo a mensagem de que “as mulheres, que constituem metade da população, são usadas como armas de guerra e precisam de proteção. Os responsáveis devem ser responsabilizados e punidos”.

Fotos: Reprodução/fonte:via

A partir de agora o idioma Iorubá é patrimônio imaterial do Rio

O Rio de Janeiro deu um grande passo na afirmação da influência da cultura africana na constituição do Brasil. A partir de agora, o Iorubá foi oficializado como patrimônio imaterial.

O Projeto de Lei, aprovado pela Assembleia Legislativa (Alerj), reforça a importância da preservação da cultura africana como elemento fundamental para a luta contra discriminação racial.

No caso do Rio de Janeiro, isso se dá de forma ainda mais intensa. Segundo dados apresentados pelo IBGE, o estado é dono de uma das maiores concentrações de descendentes e praticantes de religiões negras, especialmente as com elementos das culturas Nagô e Iorubá.

Aliás, os terreiros de Candomblé atuam como verdadeiros guardiões destas expressões culturais. Dentro dos barracões, é muito comum as pessoas se comunicarem utilizando palavras da língua do continente africano. No Candomblé ketu e efon, licença vira àgò e comida se transforma de ajeun e por aí vai.

Daí o significado de manter viva a memória ancestral, especialmente se tratando de um país como o Brasil, fundado por meio da escravidão e que até os dias de hoje insiste em não se reconhecer como uma nação negra da diáspora africana. Ou seja, a eleição do Iorubá como patrimônio imaterial atua em consonância com as ações afirmativas, além de impedir o crescimento do preconceito religioso que persegue o Candomblé, por exemplo.

Historicamente, os iorubás habitavam o reino de Ketu (atual Benim) e o Império de Oyo, na África Ocidental. Até meados de 1815, eles foram trazidos ao Brasil como escravizados, durante o que ficou conhecido como Ciclo da Costa da Mina.

No Brasil, a cultura está presente em todo o território nacional, mas pode ser percebida com mais intensidade na Bahia, sobretudo na capital Salvador. Estima-se que existam 45 milhões de iorubás no mundo, sendo que 40 milhões deles vivem na Nigéria.

Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: João Ramos/Bahiatursa /fonte via

Lei anti-plástico reduz em 67% morte de animais marinhos por sufocamento no Quênia

São muitas as notícias sobre a adoção de políticas anti-plástico por países europeus. Contudo, pouco se fala sobre medidas aplicadas por nações fora do ciclo priorizado por redes de notícias internacionais.

O exemplo desta vez chega direto do Quênia, que há um ano intensificou o combate a um dos maiores poluentes do meio ambiente. Por meio de uma lei em vigor desde agosto proibindo a fabricação, venda e o uso de sacolas plásticas, o país da África Oriental está colhendo bons frutos.

Um dos principais exemplos é a redução do número de mortes de animais marinhos por sufocamento provocados por sacolas. Para se ter ideia, antes do veto 3 a cada 10 animais eram encontrados mortos nos oceanos. Desde abril os níveis haviam caído para 1 entre 10. Decréscimo de 67% nos índices.

A fiscalização do governo queniano é dura e prevê multa de mais de 100 mil reais, além de quatro anos de prisão para quem fabricar, comercializar ou usar sacolas plásticas no país.

O avanço é digno de elogios, pois o Quênia já esteve entre os maiores exportadores de sacolas plásticas do mundo. Os objetos são nocivos ao ambiente por dependerem de recursos naturais não-renováveis, como petróleo e gás natural, além de precisarem de cerca de 450 anos para se decompor.

No Brasil o assunto também está em pauta e o Rio de Janeiro já anunciou o banimento dos canudinhos plásticos em bares e restaurantes. Quem desobedecer vai arcar com punição de R$ 3 mil.

“A gente acha que é uma coisa bem simbólica e fizemos pressão para essa matéria ser votada na Semana do Meio Ambiente. É um grande presente a cidade vai receber”, disse ao Globo João Senise, coordenador de mobilização da Meu Rio.

Foto: Pixabay/fonte:via

Fotos captam o poder e a beleza dos rituais religiosos no Congo

Com conflitos políticos ameaçando a segurança da população diariamente, muitos moradores da República Democrática do Congo recorrem à Igreja Católica em busca de apoio e segurança para protestar contra o governo local. Assim, os padres congoleses se tornaram símbolo de resistência pacífica num país marcado pela violência.

O fotojornalista Hugh Kinsella Cunningham, que vive em Londres, passou um mês no país africano para registrar a força dos congoleses que resistem, aproveitando para mostrar a resiliência e a força dos habitantes em vez da “imagem de pena que a geração anterior de fotógrafos estabeleceu”.

Hugh visitou todas as igrejas envolvidas na resistência política, acompanhando dezenas de missas todos os dias, começando às 6h da manhã. “O Congo é um país difícil de se registrar, com fotógrafos sendo vistos com suspeita em todo lugar. Muitos dos padres relutaram em falar comigo, o que é compreensível, já que devido a eventos recentes vários deles têm sido monitorados pelo regime”, disse em entrevista.

Após o período no Congo, Hugh concluiu que a Igreja provem estrutura e esperança aos moradores dos locais mais pobres do país. Além disso, os padres se mostram figuras de autoridade mais acessíveis e acolhedoras que o governo jamais poderia ser. “E quanto mais suas histórias atraírem interesse internacional, mais o governo perceberá que não pode se safar ao reprimir com violência os protestos liderados pelos membros da Igreja”, conclui.

Todas as fotos © Hugh Kinsella Cunningham /fonte:via

Caçadores invadem reserva de rinocerontes e acabam devorados por leões

Um grupo de caçadores invadiu ilegalmente uma reserva de rinocerontes e acabou sendo devorado pelos leões. De acordo com informações do jornal inglês Daily Mail, acredita-se que pelo menos três homens tenham sido comidos pelos felinos. Eles vivem no resort Sibuya Game Reserve, no Cabo Oriental, África do Sul.

Não se sabe ao certo como tudo aconteceu, mas pela quantidade de sangue encontrada, é possível dizer que os três foram comidos pelos leões. No entanto, é complicado chegar ao número exato.

Os funcionários da reserva, localizada em um lugar com vegetação densa, dizem ter encontrado três pares de sapato, uma cabeça e partes de corpos e membros cobertos por sangue. Além disso, foram recolhidos armamentos pesados, como rifles, cortadores e até um machado. É provável que os objetos sejam usados para cortar chifre de rinocerontes.

“Encontramos armas pesadas e comida suficiente para dias, então suspeitamos que eles estavam mesmo atrás dos nossos rinocerontes. Os leões são os nossos vigilantes e guardiões, eles encontraram o grupo errado e acabaram virando refeição. Ficamos tristes pela perda de qualquer vida, mas isso envia uma mensagem clara aos caçadores de que eles nem sempre sairão vencedores”, relatou Nick Fox, proprietário do resort.

O rinoceronte é um dos principais alvos da caça ilegal no mundo. Só este ano, nove foram assassinados em reservas por pessoas em busca de seus chifres.

Fotos: Reprodução/Sibuya Game Reserve/fonte:via