Plantio tradicional de quilombolas se torna patrimônio cultural do país

Saber valorizar nossa própria cultura e reconhecer o que temos de bom é essencial para a construção de uma nação mais justa e preocupada com sua história. Nesta semana já demos um passo importante, quando a literatura de cordel foi declarada Patrimônio Cultural do Brasil e, agora podemos comemorar mais uma vez, já que o sistema tradicional agrícola da região do Vale do Ribeira – São Paulo, foi reconhecido como como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As comunidades quilombolas são formadas predominantemente por negros, descendentes ou ex escravizados, que vivem em um sistema rural, dependem da terra para seu próprio sustento e valorizam muito a ancestralidade, tradições e práticas culturais próprias. Neste aspecto, reconhecer este sistema ancestral de agricultura é também valorizar pessoas que sempre habitaram nessas terras.

Estima-se que hoje existam cerca de 88 comunidades quilombolas na região do Vale do Ribeira, onde está os 7% que ainda restam da Mata Atlântica. Ivy Wies, assessora técnica do Instituto Socioambiental (ISA), afirma que isso dará segurança aos órgãos governamentais em relação à autorização ao plantio nessas terras, valorizando a alimentação saudável que este sistema oferece.

O Brasil é campeão mundial no consumo dos agrotóxicos, portanto declarar este tipo de agricultura patrimônio cultural do Brasil, é uma luz no fim do túnel, para que a gente volte a repensar a alimentação dos brasileiros, já que terra e diversidade é o que não faltam. O sistema de agricultura quilombola é baseado na permacultura, que não permite apenas uma alimentação balanceada e sustentável, como garante o sustento dessas pessoas e mantém o solo da região saudável, o que não acontece no sistema industrial.

Foto 1 e 3: Unsplash

Foto 2: reprodução Incra/fonte:via

São Paulo ganha escola de hortas para pessoas em situação de rua

O Brasil tem mais de 100 mil pessoas oficialmente registradas como ‘Em situação de rua’. Só em São Paulo são ao menos 15 mil. Ao mesmo tempo, há um potencial pouco explorado nas grandes cidades: a agricultura urbana é capaz de empregar pessoas e fornecer alimento de qualidade a um preço acessível para a população.

Um projeto na capital paulista que tem como objetivo unir as duas pontas acaba de ser lançado: trata-se da Horta Social Urbana, que oferece formação em agricultura urbana para pessoas em situação de rua, atendidas nos Centros Temporários de Acolhimento (CTAs) e Centros de Acolhida.

O curso, cuja primeira turma terá aulas na Horta Escola Lucy Montoro, inclui capacitações em técnicas de permacultura e agroecologia, unindo os conhecimentos mais modernos em relação à cultura de alimentos à necessidade de usar a terra de forma sustentável e maximizar o uso de recursos naturais para evitar desperdício.

Além das aulas, o projeto também prevê a criação de hortas urbanas em terrenos baldios e telhados de condomínios comerciais e residenciais, sempre de forma orgânica e gerando renda para os trabalhadores.

O programa Horta Urbana Sustentável foi proposto pelo ex-prefeito Joao Dória e segue o modelo de parceria com empresas privadas, permitindo que o projeto saia do papel sem que a prefeitura precise investir recursos próprios.

Fotos: reprodução/Prefeitura de São Paulo /fonte via

Bayer quer acabar com nome ‘Monsanto’ para tentar limpar sua barra

A fusão entre a Bayer e a Monsanto, anunciada em setembro de 2016, criou a maior companhia integrada de pesticidas e sementes do planeta. O negócio foi estimado na casa dos 249 bilhões de reais e deu ao grupo alemão o controle de todos os produtos da marca.

Dois anos após a compra a Bayer acaba de anunciar a supressão do nome da Monsanto. Ou seja, a partir de agora todas as sementes e pesticidas produzidas pela empresa norte-americana serão comercializadas com a logo da gigante de medicamentos.

A notícia causou revolta de entidades de defesa do meio ambiente e agricultores, que acusam a Bayer de tentar se distanciar da Monsanto, durante décadas alvo de manifestações e protestos sobre os efeitos nocivos para a saúde e ambiente causados por seus produtos.

A Bayer se pronunciou dizendo que a própria Monsanto já havia estudado trocar seu nome, mas por razões desconhecidas isso não se concretizou. O presidente da companhia alemã criticou ainda o que chamou de “frentes ideológicas”.

“Estamos ouvindo os que nos criticam para trabalharmos, porém o progresso não deve ser detido pelo fortalecimento das frentes ideológicas”, finalizou Werner Baumann.

As agências responsáveis pela regulamentação da concorrência nos Estados Unidos e Europa autorizaram a fusão, mas exigiram que a Bayer vendesse parte de suas atividades à rival BASF. O negócio faz da nova empresa a maior do setor e dona de um faturamento perto dos 20 bilhões de euros.

Presente na lista das 10 companhias mais odiadas da América, a Monsanto foi fundada em 1901 pelo químico John Francis Queeny e desde a década de 1990 se destacou na química agrícola. Sua má reputação foi construída pela presença na linha de produção itens como o Roundup, um dos herbicidas mais usados do mundo apesar de ser classificado como cancerígeno.

Fotos: foto 1: Wikipédia/foto 2: Pixabay/fonte:via