Cientistas descobrem cânion gigante sob gelo da Antártida

Um grupo de cientistas acaba de fazer uma descoberta que pode ajudar e muito no entendimento do fluxo do gelo. Durante um longo trabalho de pesquisas com o auxílio de radares, os cientistas encontraram cânions gigantes congelados abaixo das camadas de gelo da Antártida.

Ao todo são três cânions e o maior possui mais de 350 quilômetros de comprimento e 35 de largura. O trio está localizado próximo da alta cordilheira de gelo, uma divisão que vai do Pólo Sul em direção ao oeste da Antártida. As divisões são similares com as encontradas na América do Norte.

“Estes cânions canalizam gelo a partir do centro do continente, os transportando para a costa. Contudo, em função das mudanças climáticas, esperamos que este gelo derreta e deságue no mar mais rápido do que esperado”, explica para BBC Kate Winter, co-autora dos estudos.

Segundo o ensaio, capitaneado pelo projeto britânico PolarGAP, os cânions gigantes de gelo podem ter ganhado forma durante o período glacial, quando o continente gelado vivia uma outra configuração sistêmica.

“Esta descoberta é incrível. A região do Polo Sul é uma das mais conhecidas em toda a Antártida. Nosso trabalho vai incentivar novas pesquisas sobre o processo geológico de criação de montanhas antes mesmo da presença da camada de gelo na Antártida”, comemorou Fausto Ferraccioli, um dos principais nomes do PolarGAP.

Foto: Reprodução/Inhabitat/fonte:via

Anúncios

O que são estes blocos de gelo na Antártida?

Nós costumamos imaginar a Antártida como um grande deserto de gelo, mas o continente frio possui formações naturais tão incríveis quanto todos os outros. A imagem acima, intitulada “Icy Sugar Cubes” (algo como ‘cubos de açúcar gelados’), foi tirada na Antártida em 1995, em um voo sobre a costa inglesa na península da Antártida do Sul.

O British Antarctic Survey, organização responsável pelas pesquisas britânicas no continente gelado, digitalizou recentemente a foto e ganhou o prêmio geral na competição de fotografia científica anual da Royal Society em 2017 (veja os outros vencedores aqui). Mas como essas enormes formações retangulares apareceram na paisagem do continente?

De acordo com Ted Scambos, glaciologista e cientista principal da equipe de ciência do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos EUA, a foto parece representar uma área de “gelo de fluxo rápido e flutuante”, em entrevista ao portal Live Science.

O que faz as formações aparecerem são os constantes movimentos das massas de gelo, que estão sempre fluindo e esbarrando umas nas outras. “Uma enorme placa de gelo começa a flutuar”, diz Scambos, “e, inicialmente, porque ela é muito espessa, ela se espalha lateralmente [de lado a lado], criando profundas covas de fluxo. Mais tarde, com mais fluxo, o gelo começa a esticar longitudinalmente, e a superfície da neve se rompe perpendicularmente às primeiras calhas”, explica.

É como se o gelo procurasse por onde seguir seu caminho. Ao fazer isso e esbarrar em outras placas, ele acaba formando estes caminhos entre os blocos que são vistos na imagem. Primeiro, as fendas aparecem paralelamente ao movimento para a frente do gelo, criando uma série de fendas horizontais. Mais tarde, outra série de rachaduras aparece perpendicular à direção do fluxo de gelo, completando a grade estranhamente regular.

A imagem oferece pistas que podem ajudar a sabermos em que direção o gelo estava fluindo. “As calhas que correm mais perpendiculares à aeronave são um pouco mais antigas, mais cheias de neve – eu acho que elas são paralelas à direção do fluxo”, aponta Scambos. A explicação é que estas aberturas existem a mais tempo, portanto mais tempestades de neve passaram por elas, preenchendo-as.

“Os cortes mais acentuados que fazem os blocos, mais na direção do voo do avião, são mais novos”, acredita o pesquisador. Ou seja, o gelo provavelmente fluía ao longo dos caminhos mais rasos, e os cortes mais profundos e retos apareceram mais recentemente.

Quantos segredos como esse o continente gelado ainda esconde?

fonte:[via] [Live Science]

Fóssil de floresta de 280 milhões de anos é descoberta na… Antártida

Um toco fossilizado de árvore de 280 milhões de anos ainda ligado às suas raízes na Antártida.
Você se lembra de aprender sobre o Gondwana nas aulas de geografia? Estamos falando de quando o planeta Terra era dividido em apenas dois supercontinentes, sendo que Gondwana incluía a maior parte dos continentes do hemisfério sul hoje.

Ou seja, a Antártida fazia parte deste supercontinente.E, cerca de 400 milhões a 14 milhões de anos atrás, era muito diferente: árvores floresciam perto do Polo Sul.

Um novo estudo de colaboração internacional descobriu, inclusive, fósseis detalhados de algumas dessas árvores, que podem nos ajudar a entender como o local se tornou o mundo gelado que conhecemos atualmente.

Mais quente e mais verde

Quando olhamos para a paisagem branca da Antártida, é difícil imaginar florestas exuberantes. Porém, a verdade é que a região possui um longo histórico de vida vegetal.

“A Antártida preserva uma história ecológica de biomas polares que varia em cerca de 400 milhões de anos, basicamente toda a história da evolução das plantas”, disse Erik Gulbranson, paleoecologista da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, nos EUA.

No passado, o continente era muito mais verde e muito mais quente, embora as plantas que viviam nas baixas latitudes do sul tivessem que lidar com invernos de 24 horas de escuridão por dia, e verões durante os quais o sol nunca se punha, exatamente como é hoje.

Gulbranson e sua equipe querem estudar, em particular, um período de cerca de 252 milhões de anos atrás, durante a extinção em massa do Permiano-Triássico.

Ontem x hoje

Durante esse evento, quase 95% das espécies da Terra morreram. A extinção provavelmente foi conduzida por emissões maciças de gases de efeito estufa vindos da atividade de vulcões, que aumentaram as temperaturas do planeta para níveis extremos e causaram a acidificação dos oceanos.

Se isso parece familiar, é porque é. Essa situação do passado lembra, em partes, as mudanças climáticas contemporâneas, menos extremas, mas igualmente impulsionadas por gases de efeito estufa.

A descoberta

No ano passado, Gulbranson e sua equipe encontraram a floresta polar mais antiga registrada na região antártica. Eles ainda não dataram precisamente essa floresta, mas ela provavelmente floresceu há cerca de 280 milhões de anos, até que foi soterrada de repente em cinzas vulcânicas, que a preservaram até o nível celular.

As plantas estão tão bem conservadas que alguns dos blocos de construção de aminoácidos que compõem as proteínas das árvores ainda podem ser extraídos.

Gulbranson, um especialista em técnicas de geoquímica, afirmou ao portal Live Science que estudar esses blocos de construção químicos pode ajudar a esclarecer como as árvores lidavam com as estranhas condições de luz solar das latitudes do sul, bem como os fatores que permitiram que essas plantas prosperassem.

Que plantas eram estas?

Antes da extinção em massa, as florestas polares da Antártida eram dominadas por um tipo de árvore do gênero Glossopteris.

As Glossopteris dominavam toda a paisagem abaixo do paralelo 35 S – um círculo de latitude que atravessa duas massas terrestres, a ponta sul da América do Sul e a ponta sul da Austrália.

De acordo com Gulbranson, essas plantas gigantes tinham entre 20 a 40 metros de altura, com folhas largas e planas mais longas do que o antebraço de uma pessoa.

Próximos passos

Os pesquisadores vão retornar em breve à Antártida para realizar mais escavações em dois locais, que contêm fósseis de um período abrangente de antes a após a extinção do Permiano.

Neste período posterior, as florestas não desapareceram, e sim simplesmente mudaram. Glossopteris se extinguiu, mas uma nova mistura de árvores de folhas perenes e decíduas, incluindo parentes das árvores Ginkgo atuais, passou a embelezar a paisagem.

“O que estamos tentando pesquisar é o que causou exatamente essas transições. É isso que não sabemos muito bem”, disse Gulbranson.

A resposta provavelmente está nos afloramentos escarpados dos Montes Transantárticos, onde as florestas fósseis foram encontradas. Uma equipe que inclui membros dos Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Itália e França vai acampar neste local por meses, realizando inúmeros passeios de helicóptero para os afloramentos, conforme o clima impiedoso da Antártida permitir.

fonte: [via] [LiveScience]