Chocante: Hóspedes racistas abandonam piscina de hotel após menina negra entrar na água

O caso de racismo envolvendo uma criança de 4 anos – vítima de discriminação em um hotel de luxo em São Paulo, é o exemplo perfeito da forma de agir deste preconceito no Brasil.

Ser negro neste país é conviver com o risco de ser ofendido por causa da cor de sua pele a qualquer momento. Não importa, seja em uma simples ida até o supermercado ou para entrar no prédio onde mora, invariavelmente olhares e cochichos emergirão.

Um relato publicado no Universa, mostra outra característica da discriminação. Algumas vezes o racismo sequer pede licença. O caso aconteceu em uma tarde do domingo ensolarada no Hotel Fasano, em Porto Feliz, cerca de 100 km da capital paulista. Ava, de 4 anos, estava acompanhada pelos pais, quando toda sorridente foi para a piscina querendo fazer amigos.

Logo de cara, foi rejeitada pelas crianças brancas. “Você não está vendo que eu estou aqui?”, indagou uma delas, mostrando que desde cedo o racismo faz parte do, digamos, plano educacional de muitas crianças caucasianas do país.  

Luzinete da Silva Leandro, de 41 anos, é uma mulher negra, que trabalha como babá com a família. Calejada e possivelmente vítima de uma imensidão de preconceitos raciais, ela logo sacou o que se passava e pediu para a garota se afastar dos pequenos racistas.

Comprovando a tese que racismo vem de berço, as mães das crianças não repreenderam seus filhos, pelo contrário, insinuaram que Ava teria ‘micose’ ou algum outro tipo de ‘doença contagiosa’. Para completar, as madames se referiram a criança como ‘esse tipo de gente’.

Uma amiga de Maria – mãe da criança, ficou com Ava na piscina. Pasmem, as outras mães pegaram seus filhos e deixaram o espaço.

“Me deu raiva, vontade de chorar, me senti humilhada. Porque é como se não fôssemos gente. Como se negros só existissem para servir seus palacetes. Jamais para dividir a piscina”, disse Luzinete.

O Fasano emitiu uma nota lamentando o ocorrido. O hotel disse ainda que ‘“repudia qualquer ato de discriminação” e “reafirma seu compromisso em defesa do respeito humano e da diversidade e se coloca à disposição das autoridades para auxiliar na elucidação dos fatos”.

É importante ser dito que o Hotel Fasano Boa Vista é um point frequentado pela elite paulista. O espaço está localizado dentro de um condomínio de alto padrão onde a amiga de Maria tem uma casa. Racismo não existe?

Fotos: Reprodução/fonte:via

Menino de 6 anos é barrado na sala de aula por usar dreads

O racismo não dá descanso e nem faz distinção entre crianças e adultos. Presente em todos os campos da sociedade, o preconceito se manifesta de forma perversa. Nos Estados Unidos, um garoto de 6 anos foi impedido de entrar na escola por estar usando dreadlocks.

O caso aconteceu na Book Christian Academy, que como era esperado, negou a adoção de práticas racistas. “Obviamente, eu não sou racista. Em nossa escola, nossa música é ‘Jesus ama as criancinhas do mundo, vermelhas, amarelas e brancas, elas são preciosas em seu olhar,’”, se justificou o fundador da escola John Butler Book.  

Os tais conceitos de diversidade não foram vistos na filmagem feita pelo pai do jovem de 6 anos. Em vídeo divulgado nas redes sociais com mais de 500 mil visualizações, é possível ver C.J. sendo impedido de entrar na escola.

“Leve-o pra casa e corte o cabelo dele”, exige o fundador.

Aliás, o racismo da instituição está presente no livro de regras. De acordo com o pai do garotinho, a família recebeu em casa uma cartilha estabelecendo que os meninos “não podem ter dreads, moicanos, desenhos ou cabelo tingido”.

Ao contrário do que dizem os representantes da Book Christian Academy, o julgamento de uma criança negra por meio de sua aparência é sim racismo. Negros e negras que adotam os dreads como estilo precisam conviver com uma série de perguntas equivocadas e preconceituosas sobre o cabelo.

O que os racistas de plantão desconhecem é que dreads carregam em seus cilindros uma ligação com a ancestralidade, algo negado por sistêmicas práticas discriminatórias como a desta escola de Orlando, nos Estados Unidos.

Três exemplos inspiradores da beleza dos dreads:

1 – Djavan

2- Gilberto Gil

3- Dodô

Fotos: Reprodução/fonte:via

Ele já convenceu 200 membros da KKK a deixar o grupo por meio da conversa

A Ku Klux Klan é um dos movimentos mais racistas dos Estados Unidos. Com ideais de supremacia branca e anti-imigratórios, a KKK protagonizou ao longo dos anos alguns dos eventos mais nefastos da história.

Vista com desprezo pela maioria da população, a seita é alvo do músico Daryl Davis, que há mais de 30 anos se debruça em tentar entender os motivos da adoção de práticas racistas e opressivas ao mesmo tempo em que convence membros a abandonarem a organização.

Mesmo se tratando de pensamentos extremos o que chama a atenção é o ímpeto de um homem negro em buscar o diálogo como ferramenta de enfrentamento do racismo. Pelo menos no caso de Daryl a tática se mostra bastante efetiva, já que em três décadas mais de 200 pessoas se desfiliaram da KKK.

“Eu sempre questionei como alguém que nunca teve contato comigo geraria um sentimento de ódio e agressividade apenas pela cor da minha pele”, disse em entrevista publicada no Bore Panda.  

Entre as 200 pessoas que deixaram de fazer parte da Ku Klux Klan está Roger Kelly, conhecido como Grand Dragon e que acabou se tornando amigo próximo e padrinho da filha de Daryl.

Com mais de três décadas de luta contra o racismo, este músico de 60 anos escreveu o livro sobre sua jornada, Klan-destine Relationships e o documentário Accidental Courtesy.

Fotos: Reprodução/fonte:via