Navio naufragado mais antigo do mundo é descoberto no Mar Negro

2400 anos sob a água, mas ainda praticamente intacto. Acredite se quiser, mas essa é a condição em que arqueólogos encontraram um navio naufragado no Mar Negro, que fica no leste europeu.

A embarcação tem 23 metros de comprimento e os pesquisadores acreditam que tenha sido construída na Grécia Antiga. O navio está com mastro, lemes e bancos de remo bastante preservados, provavelmente por estar a cerca de 1,6km da superfície, num local com pouco oxigênio.

Os arqueólogos acreditam que o navio fosse usado comercialmente, e dizem que só se conhecia embarcações parecidas com essa graças à arte grega, principalmente às pinturas em objetos de cerâmica, como o chamado Vaso de Sereia, que está exposto no Museu Britânico, em Londres.

A intenção dos pesquisadores é que o navio seja mantido onde está e, caso seja estudado, isso aconteça mesmo debaixo do mar. Um pedaço da embarcação foi levada para a Universidade de Southampton, na Inglaterra, e passou por uma datação por carbono, que indicou a idade aproximada de 2400 anos, o que o transforma no navio naufragado mais antigo já descoberto.

A equipe de arqueólogos está em uma missão de três anos que tem como objetivo explorar o Mar Negro e entender melhor como mudanças no nível do mar durante a pré-história impactaram a humanidade. Até agora, mais de 60 navios naufragados foram encontrados durante o processo.

Foto do navio: Divulgação Científica

Foto do vaso via British Museum/fonte:via

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Descoberta de 10 mil anos revela os rituais mortuários dos primeiros brasileiros

Entender como as populações ancestrais lidavam com a morte é também uma maneira de entender a cultura e a própria vida dos primeiros brasileiros, que habitavam nossa região num período entre 8.000 e 10.500 anos atrás. Numa caverna em Matozinhos, cidade de Minas Gerais, num local conhecido como Lapa do Santo, o arqueólogo André Strauss lidera uma série de expedições que descobriram verdadeiros enigmas em restos mortais: falanges de dedos cortadas de forma regular, como peças de lego, ossos quebrados, pinturas feitas com pigmento ocre, restos queimados, remontagem de ossos de partes de esqueletos diferentes ou mesmo de pessoas diferentes.

Os pesquisadores sugerem se tratar de hábitos simbólicos e complexos, sobre possíveis rituais realizados por tais populações com seus mortos. Foi na mesma região, de Lagoa Santa, em Minas Gerais, que o crânio de Luzia, a mais antiga brasileira que se tem notícia, foi encontrado.

Mais de 40 sepultamentos já foram descobertos, e os rituais mortuários na região foram divididos em 3 fases, de acordo com a idade de seus mortos: a primeira, mais simples, em que os mortos foram simplesmente enterrados flexionados; a segunda, de intensa manipulação dos restos, com queimas, amputações, separações ósseas, quebras e encaixes; e a terceira, com ossos desarticulados e quebras propositais.

Acima, crânio manipulado; abaixo, folha impressa em pedra

Na fase 2, crânios foram utilizados como receptáculos para restos de queima e dentes arrancados. A complexidade dos rituais contrasta com a simplicidade dos instrumentos encontrados, e a mistura de ossos de criança com ossos adultos pode indicar, para os pesquisadores, uma demarcação ritualística do ciclo da vida humana – da juventude à velhice. Há ainda muita pesquisa pela frente, e o apontamento da importância de tais investimentos para descobrirmos nossa ancestralidade, e sabermos da onde viemos, para assim, sabermos mais sobre nós e, dessa forma, para onde vamos.

Lâmina de pedra

© fotos: Maurício de Paiva/fonte:via

Cientistas descobrem gravuras rupestres que podem dar pistas de civilização perdida

Desenhos feitos em paredes de cavernas no oeste da Índia, que há anos são reverenciados como mensagens divinas pelos habitantes locais, podem ser a pista inicial para a descoberta de uma antiga civilização jamais estudada antes.

A região de Konkan, no estado de Maharashtra, conta com dezenas de vilarejos cheios de petróglifos (desenhos rupestres em pedras). Alguns deles estavam em cavernas que foram transformadas em templos pela população local, mas a grande maioria estava escondida sob terra e lama.

Os desenhos foram encontrados em 52 vilarejos, mas só em cinco deles os moradores sabiam da existência das gravuras. Pesquisadores indianos ficaram sabendo dos petróglifos graças a fotografias tiradas por estudantes locais, curiosos para entender do que se tratavam as imagens.

De acordo com os arqueólogos envolvidos no projeto, os petróglifos devem ter sido feitos por volta de 10 mil a.C. Eles são parecidos com outras pinturas rupestres já achadas em outras partes do mundo e retratam majoritariamente pessoas e animais.

Os pesquisadores acreditam que a antiga civilização local baseava-se na caça e na coleta de alimentos, já que há desenhos relacionados a esses temas, mas não à agricultura. Nenhuma imagem relacionada a cultivo agrícola foi localizada.

Entre os desenhos foram encontrados representações de pássaros, tubarões, baleias e tartarugas. Uma questão que intriga os cientistas é que também há pinturas de animais parecidos com hipopótamos e rinocerontes, que, desde que a ciência pode registrar, vivem na África, e não na Ásia.

Um dos objetivos dos pesquisadores agora é entender se os autores dos desenhos viveram na África antes de migrar para a região que conhecemos como Índia, ou se é possível que animais pré-históricos parecidos com os hipopótamos e rinocerontes atuais tenham vivido na Ásia.

Fotos: reprodução/fonte:via

Encontraram uma igreja de 16 mil anos submersa em lago na Turquia

Igreja desmoronou após terremoto por volta de 740 d.C. (Foto: Mustafa Şahin/Lake Iznik Excavation Archive)

A humanidade sempre nos surpreende. Nós temos o costume de exaltar a época em que vivemos, achando que somos responsáveis pelas melhores invenções, mas esta descoberta irá te deixar de queixo caído. Uma igreja datada de 390 d.C foi encontrada submersa no lago Iznik, na Turquia, pelo arqueólogo Mustafa Sahin, da Universidade BursaUludağ.

A equipe já procurava a estrutura desde 2014 e precisou usar uma técnica de aspiração para retirar a areia em torno, em busca de artefatos da época. Foi quando eles encontraram várias moedas que remetem aos imperadores romanos Valente e Valentiniano II que governaram entre 364 a 392 d.C., o que indica que a igreja tenha sido construída depois de 390 d.C.

Escavação aquática encontrou escombros a três metros de profundidade (Foto: Mustafa Şahin/Lake Iznik Excavation Archive)

Túmulos humanos também foram encontrados abaixo das paredes da basílica. A teoria do arqueólogo é de que esta imensa estrutura tenha sido construída em homenagem ao santo Neophytos do Chipre, que foi morto pelos romanos em 303 d.C. e que a igreja foi destruída devido a um terremoto, cerca de 400 anos após sua construção.

Após mais de 10 anos procurando a estrutura, arqueólogo contou com a ajuda do governo (Foto: Mustafa Şahin/Lake Iznik Excavation Archive)

Se todas essas informações já são impressionantes por si só, a equipe afirmou que a igreja é apenas uma parte desta importante descoberta da história da humanidade. Eles acreditam que ela tenha sido construída em cima de um templo pagão dedicado ao deus grego Apolo, pois há registros de que o imperador Cómodo, que governou o império romano entre 180 e 192 d.C. construiu uma estrutura do tipo homenageando o deus naquela região! Incrível, não é mesmo.

Fotos: Mustafa Şahin/Lake Iznik Excavation Archive/fonte:via

Altar maia de 1,5 mil anos revela disputa por poder ao estilo ‘Game Of Thrones’

Detalhe do altar maia mostra o rei Chak Took Ich'aak, o governante de La Corona. (Foto: Guatemala's National Museum of Archaeology and Ethnology)

Em um sítio arqueológico localizado na Guatemala descoberto recentemente, um altar de 1,5 mil anos coberto de inscrições ancestrais revelou uma série de tramas, negociatas e acordos políticos na disputa pelo poder do reino Maia – em um enredo que mostra que aquilo que parece pura ficção em Game Of Thrones pode ser um retrato fiel da realidade. O altar, de 1,46 metro por 1,2 em calcário, foi encontrado nas ruínas de La Corona, nos arredores da fronteira com o México e Belize. As inscrições revelam as estratégias da dinastia Kaanul para conquistar o poder.

Inscrições revelam a luta do Reino da Serpente pela conquista do trono maia.  (Foto: Guatemala's National Museum of Archaeology and Ethnology)

Segundo as inscrições, o rei Chak Took Ich’aak é mostrado “sentado e segurando um cetro do qual emergem dois deuses protetores da cidade”. Segundo os pesquisadores, as descobertas indicam que o rei Chak Took Ich’aak governou também a cidade peruana de El Peru-Waka e mostrou as artimanhas que a dinastia Kaanul, conhecida como Reino da Serpente, desenvolveu para derrotar seus rivais no ano de 562 para em seguida dominar as terras baixas maias por dois séculos.

O movimento aconteceu através de alianças com pequenas cidades próximas a Tikal, culminando em um casamento entre uma princesa Kaanul e um Rei da Coroa. “É uma obra de arte de alta qualidade que nos mostra que eles eram governantes entrando em um período de grande poder e que estavam se aliando a outros para competir, neste caso, com Tikal”, disse Tomás Barrientos, co-diretor das escavações. A expansão do Reino da Serpente se deu a partir de sua capital, Dzibanche, até o norte da Guatemala, Belize e o estado mexicano de Campeche. A derrota viria muitos anos depois, para justamente Tikal.

“O altar nos mostra uma parte da história da Guatemala e neste caso, aproximadamente há 1,5 mil anos, diria que uma versão de Game of Thrones da história maia”, explicou Barrientos. Bem, pensando bem, não seria nada mal se criassem uma série dessas, né?

© fotos: reprodução/fonte:via

Encontraram uma biblioteca pública ‘perdida’ há 2 mil anos na Alemanha

Pesquisadores encontraram uma estrutura de dois mil anos na Alemanha, durante escavações para a construção de um centro comunitário de uma igreja. Com 20 metros por 9 metros, após análises e comparações com outras estruturas antigas, a conclusão encontrada pelos pesquisadores foi de que se tratava de uma biblioteca pública, capaz de abrigar cerca de 20 mil pergaminhos.

Inicialmente o local sugeria se tratar de um pátio público, mas uma série de aberturas de 50 a 80 centímetros na parede, similares a outras construções do mesmo tipo feitas em Alexandria e na Roma antiga, a conclusão foi se tratar de uma biblioteca. “Elas são bem particulares em bibliotecas. É possível ver outras do tipo na biblioteca da antiga cidade Éfeso”, afirmou Dirk Schmitz, do Museu Romano-Germânico de Colônia. “Levamos um tempo para identificar os paralelos – nós podíamos ver que as aberturas eram muito pequenas para guardar estátuas. Mas elas eram um tipo de depósito para os pergaminhos”, afirmou.

O fato da estrutura estar localizada no centro da cidade alemã de Colônia foi um dos fatores que levaram os pesquisadores a concluírem se tratar de prédio público – uma biblioteca aberta à visitação. “A estrutura fica no meio de Colônia, no centro comercial, um espaço público no meio da cidade. A construção foi feita com materiais de excelente qualidade, e esse tipo de prédio, por ser tão grande, tende a ser público”, concluiu Schmitz. Diante da descoberta, a equipe do museu agora trabalha pela preservação da estrutura, construída entre 150 e 200 d.C.

© fotos: reprodução/fonte:via

Arqueólogos encontraram o mais antigo registro do épico ‘Odisseia’, de Homero

Uma das capas da Odisseia

A Odisseia é um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga. Acredita-se que seja uma sequência da Ilíada, também tida como obra de Homero. Os dois textos são poemas elaborados ao longo de séculos de tradição oral. A Odisseia relata o regresso de Odisseu, (ou Ulisses, como era chamado no mito romano), que leva dez anos para chegar à sua terra natal, Ítaca, depois da Guerra de Troia, que também havia durado dez anos. Por isso a paravra Odisseia em português tem o sentido de viagens longas e épicas.

Não é o texto completo, mas treze versos onde Odisseu conversa com seu amigo Eumaeus

Arqueólogos desenterraram uma antiga placa gravada com 13 versos da Odisséia na antiga cidade de Olímpia, no sul da Grécia. Este pode ser o registro mais antigo do poema épico, disse o Ministério da Cultura da Grecia. Acredita-se que a placa de argila tenha sido escrita no século 3 dC, durante a era romana. Se esta data for confirmada, a peça pode ser o mais antigo registro escrito do trabalho de Homero já descoberto na Grécia”, anunciaram. O trecho, tirado do livro 14, descreve o retorno de Ulisses à sua ilha natal de Ítaca.

A placa foi descoberta após três anos de escavações de superfície pelos Serviços Arqueológicos Gregos, em cooperação com o Instituto Alemão de Arqueologia. A relíquia foi encontrada perto das ruínas do Templo de Zeus, onde aconteciam os Jogos Olímpicos, na península Peloponeso.

Uma das capas da Odisseia

Composto oralmente durante o século VIII aC, o poema épico foi transcrito durante a era cristã para o pergaminho, do qual apenas alguns fragmentos foram descobertos no Egito. Os pesquisadores comemoram o que chamaram de “uma grande peça arqueológica, epigráfica, literária e histórica”.

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