Templo asteca secreto é descoberto graças a terremoto de grande proporção

Do coração da tragédia que se sucedeu no México com o terremoto de magnitude 7,1 que atingiu o país no final do ano passado surgiu uma grande descoberta arqueológica. Cerca de 370 pessoas morreram com abalo, que também danificou a pirâmide principal do sítio arqueológico de Teopanzolco, em Morelo, a 85 quilômetros da capital. Foi para avaliar os danos nas construções astecas do sítio, em especial o impacto estrutural sobre a pirâmide, que pesquisadores encontraram um templo até então secreto, no interior da estrutura principal.

Indícios sugerem que o templo tenha sido construído em tributo a Tláloc, o deus asteca da chuva. A importância da descoberta se dá não somente pelo templo propriamente, mas por sua idade: a estrutura remonta ao período entre os anos 1150 e 1200, tornando-se assim a mais antiga construção descoberta naquele sítio, e evidenciando que a presença humana na região se deu pelo menos dois séculos antes do que havia até então sido comprovada. A pirâmide principal data do século XIII.

O local descoberto após o terremoto

O templo descoberto mede, segundo os arqueólogos, cerca de 6 metros por 4 metros, e no local foram também encontrados artefatos de cerâmica e um queimador de incenso. Infelizmente os danos provocados na estrutura principal da construção fez com que o chão do santuário afundasse por conta do terremoto, deformando-o e tornando-o instável.

Arqueólogo trabalhando no local

Por enquanto os danos estão sendo avaliados e os planos para restauração começam a ser traçados – até lá infelizmente a visitação no local tornou-se impossível.

© fotos: reprodução/fonte:via

Mapa raro dá mais pistas de como funcionava a civilização asteca

Você conhece a história: em 1492, Cristóvão Colombro ‘descobriu’ a América, dando início ao processo de colonização europeia em nosso continente. A região do México era então dominada pelo Império Asteca, que, em 1521 se rendeu aos espanhóis.

Pouco se sabe sobre o início do processo de transição, quando ainda havia muitos nativos ocupando a região, mas já sob o poder do reino espanhol. Agora, um mapa datado de algum ano entre 1570 e 1595, que pode dar pistas sobre o assunto, foi disponibilizado na internet.

O arquivo passou a fazer parte do acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA, e pode ser visto online aqui. Há menos de 100 documentos como esse, e poucos podem ser acessados pelo público dessa forma.

O mapa mostra como era a posse de terras e a genealogia de uma família que habitava a região central do México, cobrindo uma área que começa ao norte da Cidade do México e se estende por mais de 160 km, chegando até onde hoje fica Puebla.

A família é identificada como De Leon, tendo como origem um comandante chamado de Lorde-11 Quetzalecatzin, que governou a área até mais ou menos 1480. Ele é representado pela figura sentada num trono vestino roupa vermelha.

O mapa está escrito em náuatle, o idioma utilizado pelos astecas, e demonstra que a influência espanhola atuou para rebatizar os descendentes da família de Quetzalecatzin, justamente para De Leon. Alguns líderes indígenas foram rebatizados com nomes cristãos e ainda ganharam um título de nobreza: “don Alonso” e “don Matheo”, por exemplo.

O mapa deixa claro que as culturas asteca e hispânica estavam se mesclando, pois há símbolos para rios e estradas utilizados em outros materiais cartográficos dos indígenas, ao mesmo tempo em que se vê as localizações de igrejas e lugares batizados com nomes em espanhol.

Os desenhos no mapa são exemplo das técnicas artísticas dominadas pelos astecas, assim como suas cores: foram usados pigmentos e tinturas naturais, como Maya Azul, uma combinação de folhas da planta Índigo e argila, e Carmim, feita a partir de um inseto que vivia em cactos.

Para ver o mapa em detalhes, basta acessar sua página dentro do site da Biblioteca do Congresso dos EUA.

Com informações de John Hessler no blog da Biblioteca do Congresso dos EUA.

 

Fotos: Reprodução/Biblioteca do Congresso dos EUA/fonte:via