Arte e ativismo do chinês Ai Weiwei ocupam Oca do Ibirapuera

Ditadura, refugiados e direitos sociais. Impossível separar a obra de Ai Weiwei das questões urgentes que a sociedade, desde seu nascimento, vive. “Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos” é uma das frases que se leem na parede da Oca do Ibirapuera, em São Paulo. O espaço recebe a primeira e maior exposição do artista chinês já realizada. Por ali é possível conhecer sua história, desde os tempos de seu pai – também artista e ativista – até ver os trabalhos mais recentes feitos aqui no Brasil.

Intitulada Ai Weiwei Raiz, a mostra começa fora dos portões do Ibirapuera. A obra Forever Bicycles (Bicicletas Forever) recebe o público que chega ao parque e já mostra a que veio o artista. Com estrutura formada por 1500 bicicletas, a instalação faz referência às repetições, muito usadas no trabalho do artista e à marca chinesa de bicicletas Forever, muito presente em sua infância. O trabalho impressiona  e já antecipa o senso de simetria, grandiosidade e repetição que Weiwei se vale em tantos trabalhos.

Pode tirar 3 horas do seu dia para ver a mostra com paz no coração. A linha do tempo logo na entrada nos faz ter a noção do contexto em que o artista nasce e por que sua arte só teria sentido de forma a garantir sua liberdade e expor as injustiças do mundo. A história do pai de Weiwei, Ai Qing, já é recheada de embates políticos.

Poeta e integrante do Partido Comunista Chinês, ele viveu uma época em que era estimulado que os artistas se expressassem. Logo após o nascimento de Weiwei, em 1957, o governo inicia uma Campanha Antidireitista para reprimir indivíduos considerados “de direita” dentro e fora do Partido Comunista Chinês. Qing é então denunciado e exilado com a esposa e o filho de 1 ano para o nordeste da China. Somente em 1979, Qing é reabilitado e se torna presidente da Associação de Escritores. Na mesma época, Weiwei funda Stars, primeiro movimento artístico contra as políticas estéticas do governo. Os artistas do grupo fazem uma exposição do lado de fora do Museu Nacional de Arte da China.

Em 1983, o artista se muda para Nova York e lá começa uma nova fase em sua carreira. O contato com o trabalho de Marcel Duchamp e Andy Warhol é inspirador e ele, entre faculdade de artes e trabalhos de carpinteiro e cuidador de crianças, ele fazia muitas fotos. Os registros renderam seu famoso trabalho New York fotografias. Em 1993 seu pai adoece ele volta à China.


Novamente em casa, o artista constrói um estúdio, que seria seu primeiro projeto arquitetônico. Funda ainda estúdio de arquitetura FAKE Designe faz curadoria, juntamente com Feng Boyi, da exposição de arte Fuck Off.

Na Oca, seus trabalhos chamam atenção pelas denúncias sociais, feitas em larguíssima escala. A obra Straight (Reto) é exibida pela primeira vez em sua forma completa, é uma instalação feita com 164 toneladas de vergalhões de aço recuperados dos escombros de escolas de Sichuan (China) após o forte terremoto que abalou a China em 2008. Depois do desastre, o governo não quis contar ou divulgar o número de mortos. O fato trouxe questionamentos sobre o padrão de qualidade e segurança das escolar chinesas, então a obra vem para exibir o descaso público no país. Na exposição, uma série de vídeos mostram o duro processo até a conclusão da obra, quando Ai recrutou voluntários e encabeçou uma investigação cidadã para compilar nomes e informações das vítimas estudantis. Na Oca, um espaço exibe a lista com os nomes das 5.385 crianças mortas.


Outras obras históricas e muito conhecidas de Weiwei ganham os espaços da Oca.
Sunflower Seeds (Sementes de Girassol) é um trabalho impressionante que teve milhões de sementes de girassol feitas de porcelana e pintadas à mão por 1600 artesãs chinesas – em sua maioria mulheres. Ali estão várias questões, desde o debate sobre a produção em massa do mundo capitalista que muitas vezes parte da China, até a perda da individualidade, passando também por uma referência ao Mao Tse Tung. Em seu governo se usava o exemplo de que Mao era o sol e todos os chineses os girassóis que se voltavam a ele.


Claramente o governo chinês não é muito fã do trabalho de Weiwei. Ele já teve estúdios demolidos – alguns com aviso prévio e outros sem nenhum -, foi preso e espancado pela polícia e, 2010, foi colocado em prisão domiciliar sob suposta investigação de crimes econômicos. O artista estava a caminho de Hong Kong, onde faria uma festa para a demolição de seu recém-construído estúdio em Shanghai. Após muita tortura psicológica e anos privado de sua liberdade, em 2015 Weiwei conseguiu seu passaporte de volta.

Saindo da China, ele próprio sentiu o peso de se refugiar. Daí começa uma jornada para documentar e expor a realidade das muitas famílias que tentam uma vida longe da guerra. Ele e sua equipe visitaram 40 campos de refugiados em 23 países como Líbano, Grécia, Quênia, Bangladesh, além da fronteira entre o México e os Estados Unidos. O trabalho resultou em um documentário, em séries fotográficas e na instalação gigante “Lei da Jornada (Protótipo B)”, que representa os barcos usados para fuga de refugiados. Impressionante a dimensão e precisão do trabalho.


Outra parte essencial da exposição é a passagem do artista pelo Brasil. Ai passou alguns meses em terras brasileiras conhecendo comunidades, artesãos, manifestações culturais e nossa natureza. Vale tirar 25 minutos para assistir o vídeo onde ele mostra o processo de produção de um molde em tamanho real de um pequi-vinagreiro, espécie de árvore típica da Mata Atlântica baiana atualmente em risco de extinção. Ele escolheu um exemplar da árvore em Trancoso, na Bahia, e mandou as partes para compor a obra na China. O molde perfeito de seu próprio corpo, deitado em um colchão ao lado de uma modelo brasileira, está na mostra. A passagem pelo Brasil também rendeu instalações de couro com frases sobre escravidão e racismo.

Tem uma frase atribuída a Picasso que diz que a arte não está aí para decorar paredes; ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo. Apesar de Ai já ter dito em entrevistas que considera a geração de Picasso muito autoindulgente, a declaração do espanhol descreve bem seu trabalho – e sua potência no combate às injustiças.

Ai Weiwei Raiz tem curadoria de Marcello Dantas e, depois de São Paulo, ainda deve circular pelos CCBBs de Belo Horizonte, de 5 de fevereiro a 15 de abril de 2019, e Rio de Janeiro, de 20 de agosto a 4 de novembro de 2019.
fonte:via

Terroristas ‘têm mais medo de crianças que estudam do que de exércitos’, diz sobrevivente de atentado

Combater o terrorismo é uma das mais complicadas tarefas com as quais os governos e sociedades atuais precisam lidar. Muito além da religião, o problema é grave e precisa ser tratado sem estereótipos. E, segundo um sobrevivente do terror, a educação é a melhor resposta.

O paquistanês Ahmad Nawaz tem apenas 17 anos, mas experiência de vida suficiente para falar e ser ouvido com atenção. Em dezembro de 2014, seis homens com armas e bombas invadiram sua escola, no nordeste do país, e fizeram 132 vítimas fatais, entre amigos e até o irmão de Ahmad.

Ele ficou gravemente ferido, mas sobreviveu. E hoje atua como ativista, dando palestras sobre o tema em escolas de diversos países. Ele estava estudando na escola militar quando o ataque aconteceu, e tinha como um dos objetivos matar terroristas. Hoje, acha que “nunca vamos conseguir derrotar o terrorismo com armas. Temos de tentar derrotar aquela ideologia”.

Ahmad durante palestra sobre terrorismo

Quando ainda estava no hospital, Ahmad viu uma notícia sobre 800 adolescentes e jovens britânicos que deixaram o país natal para se juntar ao Estado Islâmico. Foi aí que decidiu que deveria conversar com estudantes de vários países para compartilhar seus pensamentos.

Eles têm mais medo das crianças que estudam do que dos governos e exércitos. Sabem que o futuro de uma sociedade está nas escolas, por isso é que nos atacaram”, afirma Ahmad, numa declaração ao Público que sintetiza boa parte de seus pensamentos sobre o assunto.

Ele acredita que pessoas com baixos níveis de instrução são mais fáceis de serem influenciadas por extremistas, e que já ouviu de alunos ingleses e portugueses que suas palestras os fizeram repensar algumas posições.

O jovem recebeu diversos prêmios por seu ativismo em defesa da educação

O mundo enfrenta tantos problemas, o extremismo, a desigualdade de gênero, tantas pessoas privadas dos seus direitos humanos mais básicos. Perante todas as tragédias há duas opções. Uma é ficarmos calados. A segunda, a única na verdade, é tomar uma posição, falar”, diz o paquistanês, que tem dicas para quem não sabe bem como agir.

Defender alguém que está a ser alvo de racismo, lutar contra crimes de ódio ou injustiças. Primeiro procurem à vossa volta, comecem por vocês mesmos e pelos problemas na vossa comunidade, depois podem olhar de forma mais abrangente para a sociedade”.

São palavras ditas a adolescentes em idade escolar, mas que podem ser absorvidas por pessoas de qualquer idade dispostas a fazer sua parte por um mundo melhor.


/fonte:viaFotos: Divulgação Com informações do Público

Fotos raras mostram o dia a dia dos Panteras Negras nos anos 1960 e 1970

Era 1967 e Stephen Shames ainda era um jovem fotojornalista dedicado a usar seu talento com a câmera para chamar atenção para questões sociais que precisavam ser debatidas. E um encontro com Bobby Seale foi fundamental para impulsionar a carreira de Stephen.

Bobby foi um dos fundadores do Partido dos Panteras Negras, uma organização para defesa dos direitos de pessoas negras nascido durante o Movimento dos Direitos Civis.

Foi Bobby quem pediu que Stephen se tornasse fotógrafo oficial dos Panteras, documentando as atividades diárias do grupo com um grau de intimidade que nenhum outro fotojornalista conseguiu atingir – o jovem era a única pessoa de fora do Partido com acesso direto aos ativistas.

À Vice França, Stephen declarou que seu objetivo era “mostrar os Black Panthers a partir de dentro, não simplesmente a documentar as suas lutas, ou a intenção de pegar em armas”, para “revelar o que acontecia nos bastidores e fornecer um retrato mais completo dos ‘Panteras’”.

Algumas das icônicas fotografias clicadas por Stephen estão em exibição em Lille, na França, dentro de ume vento chamado Power to The People. Confira algumas imagens que a Galeria Steven Kasher liberou para divulgar a obra de Stephen Shames.

Fotos por Stephen Shames (Cortesia da Steven Kasher Gallery)/fonte:via

Garota indígena de 13 anos é indicada ‘Nobel infantil’ da paz

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Ela tem apenas 13 anos, mas já está fazendo história ao ser nominada para nada menos do que o Global Children’s Peace Prize, considerado o ‘Nobel infantil da paz’. Natural da reserva indígena de Wikwemikong, em Ontário, no Canadá, Autumn Peltier se destaca pelo trabalho em defesa do meio ambiente.

Mesmo com pouca idade, a jovem já acumula uma ficha curricular que inclui encontro com alguns dos principais líderes mundiais. Peltier esteve na linha de frente de uma marcha em defesa da água, além de ter sido responsável por introduzir o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, na Assembleia Geral das Nações, em 2016.

“Eu gosto de dividir a minha ideia de que a água é sacralizada. A Mãe Terra não precisa da gente, nós é que precisamos dela”, disse a pequena ativista.

O mar de inspirações navegado por Autumn é vasto. Em novembro do ano passado, por exemplo,  ela convidou as pessoas para bloquearem uma estrada no Canadá. O objetivo era chamar a atenção justamente para a proteção da água.

A braveza desta jovem índia se fez valer e, durante o encontro com o premiê canadense, aproveitou para manifestar seu descontentamento com as escolhas do mandatário. A iniciativa surtiu efeito, pois segundo ela, Justin prometeu mudar sua postura.

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“Disse que estava muito brava com as escolhas dele. Ele me respondeu dizendo compreender. Eu comecei a chorar e pensar na água”, falou ao Huffington Post Canadá.

O Prêmio Internacional da Criança elege anualmente uma criança que tenha oferecido contribuição significativa para a defesa dos direitos das crianças e melhorado a vida das que vivem em situação de vulnerabilidade.

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O honraria foi lançada em 2005, durante o Encontro Mundial de Prêmios Nobel da Paz, em Roma, que contou com a presença da UNICEF e da Anistia Internacional. A cerimônia já foi apresentada por nomes como Desmond Tutu e Bob Geldof.

Foto: Reprodução/fonte:via

Hípica de Brasília cria polêmica ao colocar crianças para rabiscar cavalo

A Sociedade Hípica de Brasília, os defensores dos animais e representantes da Escola de Equitação da Hípica estão em um imbróglio envolvendo maus-tratos aos animais e novos métodos de ensino. Tudo se inicia a partir da denúncia da advogada e ativista Ana Paula Vasconcelos contra a adoção de um exercício de ‘rabiscar’ um dos cavalos do local.

“Eles tiveram a brilhante ideia de colocar o cavalo como tela de pintura, dizendo que seria atividade pedagógica. Disseram que era um cavalo resgatado, mas isso não justifica. A crueldade é a mesma”, declarou Ana Paula ao G1.

Em sua defesa a hípica argumenta que a atividade, considerada pedagógica, não agride o animal. Segundo a instituição de ensino esta é uma prática adotada em diversos países do mundo e utiliza tinta atóxica, que sai com água.

A Escola de Equitação da Hípica ressalta que o ato de pintar um cavalo com tinta faz parte das atividades de equoterapia da colônia de férias e incentiva a interação da criança com o animal. O objetivo é trabalhar com jovens que tenham necessidades especiais.

Por outro lado ONGs enxergam o exercício como maus-tratos e resolveram acionar fiscais do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que estivera na escola e não constataram os abusos.

Até o momento a Hípica foi notificada pelo Ibama, mas não autuada. O Ibama pediu a apresentação de um plano pedagógico para decidir se autua ou não. A instituição se pronunciou dizendo que vai apresentar um laudo veterinário para atestar as boas condições dos cavalos.

Foto: Reprodução/Ana Paula Vasconcelos/fonte:via

Arábia Saudita emite primeiras carteiras de motorista para mulheres

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A Arábia Saudita é único país do mundo a não permitir que uma mulher dirija. Contudo esta lei machista e conservadora está prestes a cair, isso pois o governo acaba de anunciar a emissão das primeiras carteiras de motoristas para mulheres em décadas.

De início a lei vai beneficiar um grupo de 10 mulheres que já estavam habilitadas para dirigir em outros países e que partir de 24 de junho vão poder guiar pelas ruas do país árabe. Por meio de comunicado o governo federal confirmou a expedição do documento para este pequeno grupo, além de detalhar como vai funcionar o processo de emissão.

“A Direção Geral de Tráfego começou a substituir as habilitações reconhecidas internacionalmente por carteiras sauditas. Oficialmente em 24 de junho a decisão de permitir que mulheres dirijam na Arábia Saudita será efetivada”, disse o órgão à agência de notícias oficial SPA.

A notícia foi recebida com alegria pelas mulheres sauditas que iniciaram cursos de autoescola em todo o país. De acordo com levantamento oficial a expectativa é que 2 mil vão poder emitir a carteira nas próximas semanas.

O anúncio faz parte dos planos herdeiro saudita Mohammed bin Salman de modernizar a sociedade. Por muito tempo a Arábia Saudita foi um dos países mais reclusos do mundo e por causa de diversas restrições, como a de comandar a própria locomoção, as mulheres eram obrigadas a ter um motorista particular ou um familiar homem que as ajudasse nas tarefas cotidianas.  

É importante ressaltar que o movimento se consolida principalmente pela pressão exercida por ativistas pelos direitos das mulheres, responsáveis por campanhas durante anos contra a proibição. O fato levou o rei Salman bin Abdulaziz al-Saud a comunicar o fim do impedimento em 2017.

Foto: Unsplash/fonte:via