Menina que nasceu sem as mãos é bicampeã em concurso de caligrafia nos EUA

Se desconhecer limites de qualquer tipo para alcançar objetivos apesar das dificuldades pode ser uma definição de superação, poucas histórias serão tão perfeitamente ilustrativas de tão força quanto a da jovem estudante americana Anaya Ellick. Atual vencedora do concurso de caligrafia “Nicholas Maxim para Excelência em Caligrafia Cursiva”, Anaya superou outros 50 alunos de diversas escolas do país, para conquistar o certificado, o troféu e o prêmio de 1 mil dólares – cerca de 3,7 mil reais. O imenso detalhe que faz do feito de Anaya um verdadeiro épico é o fato da jovem não possuir as duas mãos.

Hoje com 9 anos, Anaya nasceu sem as duas mãos, e nunca quis usar próteses que, segundo ela, lhe atrapalhavam para as mais diversas tarefas. Dessa forma, ela foi descobrindo e desenvolvendo técnicas para conseguir realizar atividades como desenhar e, claro, escrever.

A estudante do terceiro ano fundamental segura o lápis com o braço direito e, com o cotovelo esquerdo, estabiliza o papel sobre a mesa – é assim que ela desenha sua caligrafia campeã.

O espanto, no entanto, não para por aí: essa é a segunda vez que Anaya ganha o concurso; sua primeira vitória foi em 2016, quando ainda cursava o 1º ano. No Greenbrier Christian Academy, colégio na cidade de Chesapeake, no estado da Virgínia, nos EUA – onde ela estuda -, Anaya virou de fato uma inspiração. “O merecido primeiro lugar de Anaya nos lembra o que a determinação e o trabalho duro podem alcançar. Estamos bastante orgulhosos dela e de suas realizações. Parabéns Anaya por sua conquista, você inspira a todos!”, disse o post oficial da escola comentando seu feito.

O Nicholas Maxim é parte da competição nacional de caligrafia Zaner-Bloser, premiando em caligrafia os alunos com algum tipo de necessidade especial.

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Frida Kahlo, Van Gogh, Picasso… O que a caligrafia nos conta sobre grandes artistas

Baseando-se em análises sobre a escrita de uma pessoa para avaliar sua personalidade, a grafologia existe desde o século 18, rodeada em controvérsia, utilizando padrões de caligrafia, características e estilos para supostamente definir traços profundos sobre o autor.

Não há comprovações científicas ou validações empíricas sobre sua eficácia, e de modo geral a grafologia é vista como uma pseudociência. Trata-se, ainda assim, ao menos de uma metodologia interessante e até divertida para se pensar a personalidade de alguém – uma prática que ainda é feita até hoje.

Se pensarmos na escrita de grandes artistas, sua caligrafia e seu estilo podem ser vistos como uma extensão artística de seu trabalho – e foi pensando nisso que o site Artsy convidou a grafóloga Kathi McKnight para avaliar a escrita de alguns grandes gênios do passado.

1. Vincent Van Gogh

Baseada em uma carta que Van Gogh escreveu a um amigo em junho de 1888, quando tinha 35 anos, segundo a grafóloga sua escrita enviesada e elegante indica o desejo de artista de escrever, apesar de estar consumido pelo trabalho. O jeito que o artista escreve “I” (ou “eu”) indicaria a solidão do pintor holandês, como uma “desconexão emocional e distante”. A maneira que escreve a palavra “presente”, inclinada à extrema direita da margem, pode indicar sinais de depressão. Quando assina a carta, porém, a maneira com que cruza a letra T indica, em contraste, seu poder pessoal, assim como tamanho grandioso de sua assinatura indica sua confiança.

2. Frida Kahlo

Analisando duas cartas de Frida para seu marido Diego Rivera, destaca-se, para Kathi, o quão legível é a letra da artista – sem pressa, de forma metódica. Os pingos na letra I indicam atenção aos detalhes, enquanto as letras P e R indicam poder intelectual e excelente coordenação entre os olhos e as mãos.

3. Pablo Picasso

Em um cartão escrito para a grande escritora e sua amiga Gertrude Stein quando esta vivia em Paris, março de 1913, a natureza brusca e apressada de sua escrita sugere, segundo a grafóloga, que Picasso estaria com pressa para colocar seus pensamentos no papel, confirmando assim uma mente muito ágil. A escrita no cartão aponta um momento otimista na vida do pintor, e o os cortes longos nas letras T indicam carisma, confiança e muita energia emocional. O formato da letra T sugere teimosia, enquanto o M e o N apontam para sua especial inteligência.

4. Michelangelo Buonarroti

A análise da grafia do mestre da renascença Michelangelo se baseou em uma carta que o artista escreveu a seu pai em 1508. A escrita de Michelangelo, para Kathi, é artística e quase musical, e a exatidão e retidão com que escrevia sugerem estabilidade. Os espaços entre letras e palavras podem ser sinais de forte intuição. A inclinação em 45 graus de letras e palavras apontam para uma mente corajosa, que só enxerga problemas e não soluções.

 

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