Cientistas fazem grande descoberta, mas causam polêmica por drogas em experimento com polvos

A revista Current Biology resolveu entender o que se passa na cabeça dos polvos. Os animais são conhecidos por serem antissociais e apenas procuram companhia para procriar.

Entretanto, o neurocientista Gul Dölen e o biólogo Eric Edsinger conseguiram descobrir uma parte mais oculta, mostrando que os polvos não são assim tão reclusos. Na verdade, eles possuem um lado sociável armazenado em seus genes.

“Acreditamos que, no caso dos polvos, era vantajoso ser associal, então esse mecanismo é suprimido, exceto quando se acasalam”, conta Dölen.

Embora a descoberta seja importante para o entendimento das mentes destes animais chamados no passado pelo filósofo australiano Peter Godfrey-Smith de a coisa “mais próxima de uma inteligência extraterrestre que podemos encontrar na Terra”, o método utilizado pelos cientistas está causando polêmica.

Para entender como a mente dessas criaturas funciona, os cientistas recorreram ao MDMA, popularmente conhecido como ecstasy. A droga é usada pelos seres humanos com frequência e ficou famosa pelos efeitos pró-sociais.

Entre pessoas, o ecstasy contribui para o aumento da serotonina, dopamina e ocitocina, produzindo a necessidade de se aproximar e interagir. Isso também aconteceu com os polvos, que ao entrar em contato com a substância diluída junto com a água do aquário, intensificaram o contato com um polvo preso dentro de uma câmara.

Os resultados geraram mais uma polêmica. Após resultados animadores, os pesquisadores pretendem utilizar polvos para testes de drogas experimentais, assim como é feito com os roedores.

Foto: Reprodução/fonte:via

Garota pré histórica teve pais de diferentes espécies humanas – e isso muda tudo

Mesmo quando um conjunto enorme de evidências científicas apontam para um lado, não se pode descartar a possibilidade de novas descobertas mudarem o que se acredita saber. E isso foi colocado a prova por um recente achado arqueológico.

Uma mulher que viveu há 90 mil anos tinha metade do DNA Neandertal, e a outra metade Denisova (uma possível espécie de hominídeo que teria vivido na Sibéria). A descoberta foi feita através de uma análise de genoma de um osso encontrado em uma caverna siberiana e divulgada na revista científica Nature.

É a primeira vez que cientistas identificam um indivíduo cujos pais pertenciam a grupos humanos diferentes, o que pode mudar muita coisa sobre o que se acredita a respeito da evolução humana.

A variação genética em humanos modernos e antigos já sugeria a alguns cientistas que cruzamentos entre Neandertais e Denisovos (e até Homo sapiens) poderia ter acontecido, mas nenhuma evidência científica jamais havia sido descoberta.

40% do DNA de Denny, como a mulher foi apelidada, correspondia ao material genético Neandertal, e outros 40% ao material genético Denisovo. O sequenciamento também permitiu afirmar que se trata de uma mulher, que morreu com ao menos 13 anos de idade.

Por um momento, os cientistas não sabiam dizer se Denny era propriamente filha de um membro de cada espécie, ou se seus pais faziam parte de uma população formada por híbridos entre Neandertais e Denisovos, mas, durante os estudos, eles tiveram a certeza de que ela era mesmo filha de um membro de cada linhagem.

Foto da caverna: Bence Viola/Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology/fonte:via

Maior biblioteca de magia e ocultismo do mundo digitaliza seu acervo

Fundada em 1957, a Biblioteca de Ritman, ou Bibliotheca Philosophica Hermetica, só foi aberta ao público em 1984. Seu fundador, Joost Ritman, começou a juntar livros raros sobre espiritualidade quando ainda era adolescente, iniciando com uma edição do século 17 de Aurora, do filósofo alemão Jakob Böhme.

Em junho de 2016, Dan Brown, escritor e autor de livros como O Código Da Vinci e Anjos e Demônios e que havia feito várias pesquisas por lá durante seus processos criativos, anunciou uma doação de 300 mil euros para que a Biblioteca pudesse digitalizar seu acervo e tornar as obras acessíveis a um público maior.

Dos cerca de 4600 livros da Biblioteca de Ritman, pouco mais de 2100 já estão disponíveis online e podem ser acessados através do site Embaixada da Mente Livre. Há diversos estudos sobre temas como alquimia, astrologia, magia e outros temas caros ao ocultismo.

É importante ressaltar que as obras estão escritas em diferentes idiomas europeus, com predominância para textos em latim. Há também livros em inglês, francês, alemão e holandês, e a forma mais fácil de filtrar as buscas no catálogo é selecionar por Lugar de Publicação.

Imagens: reprodução/Bibliotheca Philosophica Hermetica /fonte  via

Terrenos baldios transformados em áreas cultivadas ajudam a combater depressão

As doenças psicológicas têm afetado cada vez mais pessoas no mundo. A depressão é uma das mais comuns, com especialistas estimando que ela se torne a segunda doença mais comum do mundo até 2020 – 5,8% da população brasileira, ou 11,5 milhões de pessoas, é diagnosticada com o problema.

A relação das pessoas com as cidades em que vivem e a força cada vez maior da urbanização são dois dos pontos que podem explicar por que a depressão é diagnosticada com tanta frequência, e um estudo realizado na Filadélfia (EUA) dá uma base científica para essa impressão.

De acordo com a pesquisa, realizada por especialistas da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, a presença de terrenos baldios, onde o mato e lixo de acumulam e a sensação de abandono toma conta, é um fator que pode desencadear a doença. Nos EUA, 15% das áreas urbanas são apontadas como desocupadas.

No estudo, os pesquisadores recrutaram moradores da Filadélfia que vivem próximos a terrenos que estavam abandonados, mas que faziam parte de um programa de revitalização e seriam transformados em áreas cultivadas em breve.

Eles fizeram entrevistas antes e depois dos procedimentos acontecerem e descobriram que, para pessoas que vivem a até 400 metros das chamadas ‘áreas verdes’ apresentam chance 41,5% menor de desenvolver a depressão do que aqueles que vivem próximos a terrenos baldios.

A mesma equipe tinha divulgado uma pesquisa em fevereiro que demonstrava que os casos de violência armada caíram 29% nas regiões próximas a terrenos abandonados depois que estes passavam por transformações e se tornavam áreas verdes.

Os resultados do novo estudo são ainda mais impressionantes ao considerar apenas pessoas que vivem em bairros abaixo da linha de pobreza. Dentro desse recorte, os índices de pessoas com depressão chegou a cair 68% depois de os terrenos serem limpos e cultivados.

“Espaços abandonados são um fator importante que coloca os moradores em um risco maior de depressão e stress, e pode explicar por que as disparidades socioeconômicas persistem ao analisar as doenças psicológicas”, diz Eugenia C. South, uma das pesquisadoras envolvidas com o projeto.

Além de revitalizar áreas plantando áreas verdes, os pesquisadores também escolheram alguns terrenos para serem limpos, mas sem o cultivo de grama ou outras vegetações. Nesses casos, a diferença dos índices de depressão quase não mudaram, o que indica que a simples limpeza pode não influenciar tanto.

“Essa descoberta dá apoio à ideia que a exposição a ambientes naturais pode fazer parte da restauração da saúde mental, particularmente para pessoas vivendo em ambientes urbanos caóticos e estressantes”, comenta John MacDonald, coautor do estudo.

Fotos: Voluntários atuando em Jardins Comunitários. Reprodução/Creative Commons/fonte:via

Nossos antepassados se relacionaram com neandertais – e há um pouco deles em cada um de nós

Encontrar os primeiros passos dados na trilha que a humanidade traçou até os dias de hoje é um dos desafios mais intrigantes da ciência. Grandes pesquisadores têm se dedicado a essa questão há séculos, e, embora ainda estejamos longe de decifrar o enigma, algumas certezas vão se confirmando. E uma delas é que os Homo Sapiens e os Neandertais fizeram sexo muito tempo atrás.

A imagem básica que se tem da evolução é aquela linha em que primatas foram se tornando bípedes até se tornarem o que conhecemos como humanos, mas a ciência sabe que se trata de um caminho muito mais complexo, com diferentes espécies se desenvolvendo e extinguindo, até que sobramos nós, os Homo sapiens.

Entre teorias descartadas e outras que continuam sendo consideradas, a mais aceita indica que o Homo Sapiens e os homens de Neandertal surgiram a partir de um ancestral comum na África, e depois seguiram caminhos distintos (Diferentemente do que algumas pessoas pensam, o Homo Sapiens não é uma evolução dos Neandertais).

Paleontologistas tentam desvendar o motivo que fez com que os neandertais tenham se extinguido, enquanto os Homo Sapiens seguem vivos até hoje – com uma população que deve ultrapassar os 10 bilhões de habitantes nas próximas décadas.

Se há algum tempo o darwinismo sugeria a hipótese de que os neandertais fossem menos desenvolvidos cognitivamente, a ideia tem caído por terra graças a achados arqueológicos que mostram que a espécie também era capaz de criar ferramentas, usar ornamentos e até de desenvolver práticas funerárias.

Como dito, a ideia mais aceita dentro da comunidade científica é a de que os Homo Sapiens e os Neandertais surgiram de um ancestral comum na África há cerca de 500 mil anos. Os neandertais teriam migrado para a Europa e continuado a evoluir por lá, depois se expandindo rumo à Ásia, enquanto os Homo Sapiens permaneceram na África por um bom tempo.

Um dos grandes desafios para quem tenta decifrar a humanidade é o fato de que nossos feitos só começaram a ser registrados há cerca de seis mil anos, o que deixa os arqueólogos e paleontólogos com um intervalo enorme a ser investigado.

E a análise do DNA de fósseis tem representado um grande salto para a ciência. E é graças à genética que podemos saber que, ao longo dos milhares de anos em que neandertais e Homo Sapiens coexistiram, eles se encontraram, se relacionaram, fizeram sexo e reproduziram.

Estima-se que os encontros eram raros, mas deixaram um traço genético que permanece presente até hoje. Todos os humanos modernos, excetuando aqueles de ancestralidade 100% africana, têm de 1% a 2% de traços genéticos de neandertais.

É difícil precisar quando essas relações aconteceram, mas os cientistas estimavam que os encontros rolaram há 50 mil anos, graças à análise do DNA de um fóssil de neandertal encontrado numa caverna na Croácia. Ele compartilhava mutações genéticas com os europeus e asiáticos de hoje.

Uma unha de neandertal encontrada na Sibéria, cuja análise genética encontrou material relacionado ao dos Homo Sapiens, mudou o paradigma científico: estima-se que o indivíduo tenha vivido há 100 mil anos, o que pode indicar que houve uma migração de Homo Sapiens muito antes do que é imaginado.

Ainda há muito mais dúvidas do que certezas, mas o avanço da ciência e da análise genética indicam que, nos próximos anos, devemos encontrar muitas outras peças do quebra-cabeças da humanidade. Inclusive que expliquem melhor o neandertal que há em cada um de nós.

Imagens: Museu de História Natural/fonte:via

Mistério sobre o desaparecimento da aviadora Amelia Earhart pode chegar ao fim

Amelia Earhart, aviadora considerada uma das pioneiras do empoderamento feminino, foi a primeira mulher a voar sozinha sobre o Atlântico. Durante uma viagem em 1937, a pilota e seu navegador, Fred Noonan, desapareceram sem deixar rastros. Os dois e o avião sumiram quando sobrevoavam o oceano Pacífico a caminho da ilha Howland.

Na falta de uma justificativa oficial, desde então acredita-se que ela não encontrou a ilha, ficou sem combustível e caiu nas profundezas do oceano. Porém, os corpos ou destroços da aeronave nunca foram encontrados para justificar o acontecido.

Nova pesquisa acredita ter encontrado ossada da famosa pilota americana Amelia Earhart

Três anos depois, em 1940, um grupo britânico que explorava a ilha encontrou uma caveira que possivelmente era de Amelia, já que por perto havia um sapato feminino uma garrafa do licor Benedictine, bebida que a pilota, levava consigo para as viagens, além instrumento naval usado pelo navegador Fred Noonan. Os ossos encontrados foram então enviados às ilhas Fiji para serem analisados pelo doutor DW Hoodless, que acreditava serem de um homem. Daí as teorias sobre Amelia foram deixadas de lado.

Os estudos sobre ossos estavam bastante no início, então é possível que esta análise tenha sido equivocada. Um novo estudo publicado na revista científica Forensic Anthropology, intitulado “Amelia Earhart e a Ossada de Nikumaroro”, chega com uma nova visão: segundo os cientistas, a ossada bate 99% com o tipo físico de Earhart.

Amelia foi a primeira mulher a sobrevoar o Atlântico

Publicado pela Universidade da Flórida e conduzido pelo professor Richard Jantz, da Universidade do Tennessee, o estudo se valeu de fotografias de Amelia, assim como suas habilitações para dirigir e pilotar avião. Todas as informações foram colocadas em um software moderno para compará-los com o peso e estatura de Earhart. Até mesmo uma costureira com experiência em trajes históricos foi consultada para analisar as roupas de Earhart e assim precisar o comprimento das pernas e a circunferência da cintura da pilota.

A pesquisa descobriu que os ossos era de um corpo de mulher, descendente de europeus e com altura acima da média feminina, tal e qual a pilota. “Essa análise revela que Earhart é mais parecida com a ossada de Nikumaroro do que 99% dos indivíduos em uma ampla amostragem de referência”, diz o estudo. “Até que evidências definitivas sejam apresentadas dizendo que os restos mortais não são os de Amelia Earhart, o argumento mais convincente até o momento é de que são dela”, escreve Jantz.

Pesquisadores acreditam que tem 99% de chance da ossada ser de Amelia

 

Fotos: domínio público e Harris & Ewing/Library of Congress/fonte:[via]

Brotos e flores de 110 milhões de anos são descobertos no Maranhão

Um achado que pode ajudar a entender como era a região do Vale do Parnaíba, no Maranhão, milhões de anos atrás: Rafael Lindoso, pesquisador do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), localizou flores pré-históricas que podem ter brotado até 110 milhões de anos atrás.

As escavações, feitas em Brejo, cidade a 314 km de São Luís, fazem parte de uma pesquisa que busca entender como era o clima da região muito tempo atrás, quando temperaturas elevadas e ar muito seco compunham a paisagem com imensas lagoas de água salobra.

Lindoso encontrou os botões florais em uma espécie de lama petrificada, e parecem representar “os primeiros momentos evolutivos de espécies de plantas florais que conhecemos hoje, tais como as orquídeas ou as margaridas”, de acordo com o IFMA.

O pesquisador ressalta que, durante o trabalho, foram identificadas relações entre a flora fóssil de Brejo e a que existia, no mesmo período, 110 milhões de anos atrás, no sul dos Estados Unidos, o que reforça a hipótese de que os continentes possuíam ligações terrestres.

Rafael Lindoso ressalta que estudos sobre restos de plantas fósseis no Maranhão são extremamente raros, e que eles podem mesmo apontar para as mudanças climáticas ocorridas na região.

“Entre os materiais identificados em nosso estudo temos representantes das coníferas que, atualmente, estão restritas a latitudes mais altas, portanto mais frias. Por outro lado, o mesmo conjunto de plantas fósseis (e microfósseis) que encontramos indica um clima árido ou semiárido para a região durante o período Cretáceo Inferior”, comentou.

“Assim, no Maranhão de 110 milhões de anos atrás, plantas que hoje habitam zonas mais frias estavam adaptadas a climas mais áridos naquela época”, conclui o professor.

 

Fotos: Divulgação/IFMA/fonte:via