Com 30 mil imagens da cultura afro-baiana, fotógrafo vê acervo ameaçado






Filho de uma lavadeira de roupas e um estivador. Nascido e criado na periferia de Salvador. Lázaro Roberto sempre se interessou pelos movimentos e festas populares da capital da Bahia.

Há 30 anos, sua vida se transformou e ele conseguiu, finalmente, realizar o sonho de documentar o que seus olhos tanto se interessavam. Com a fotografia, o artista iniciou a construção de um dos maiores acervos da cultura afro-baiana que se tem notícia.

“Eu sou uma pessoa que nasci em Salvador. Salvador é minha casa. Nasci e cresci vendo essa realidade. Quando eu consegui uma máquina fotográfica para ir à rua, já estava ambientado”, conta em conversa com a reportagem do Hypeness.

O desenvolvimento da consciência negra em Salvador foi retratado pelas lentes de Lázaro

Com a humildade e determinação de quem sabe como funcionam as estruturas sócio-raciais soteropolitanas e brasileiras, Lázaro Roberto luta para manter viva a memória negra da Bahia. “Até os 17 anos, carreguei trouxa de roupa na cabeça pra levar na casa dos brancos. É uma realidade conhecida”, dá o recado.

Ao lado de Raimundo Monteiro e Aldemar Marquês, ele criou o Zumvi Arquivo Fotográfico. Na década de 1990, o local se abrigava em um casão na Igreja Nossa Senhora da Penha, na Ribeira. Diante da falta de patrocínio, o acervo de 30 mil imagens está acomodado em um quarto nos fundos da sua casa no bairro periférico da Fazenda Grande do Retiro.

São 30 mil fotogramas alocados nos fundos da casa de Lázaro em Salvador

O Zumvi Arquivo Fotográfico leva a realidade da fotografia como discussão para as pessoas se verem. Antigamente, a gente não conseguia se ver. A fotografia tem um papel muito importante, com ela podemos ver como eram as coisas no passado e como são hoje. Acho fundamental que as pessoas toquem nas imagens, se observem, se vejam. É meu papel de fotógrafo e da minha entidade, Zumvi Arquivo Fotográfico.

Os registros são diversos e abrangem o período de 1978 a 2013, época onde a cultura da Cidade da Bahia pulsava. Lázaro registrou o nascimento e desenvolvimento do Movimento Negro e nuances do cotidiano peculiar da metrópole. No entanto, o que mais encheu seus olhos foram os passeios na Feira de São Joaquim.

A vida negra do Pelourinho pelo olhar de Lázaro Roberto

Um dos lugares que eu gosto muito de fotografar e estou lá até hoje, é a Feira de São Joaquim. Foi um dos primeiros trabalhos que fiz aqui em Salvador. O primeiro lugar que eu comecei a andar, fotografar muito, mesmo de forma despretensiosa. Fotografo lá desde o final dos anos 1980. Foi o lugar que eu peguei a máquina para ir aos fins de semana. No começo dos anos 1990, um amigo meu historiador viu as fotografias e propôs que fizéssemos um trabalho. Ele é o Jorge Antonio do Espírito Santo. Dentro de um ano, a gente conseguiu fazer uma exposição resgatando o trabalho do negro. De Água de Meninos que eu não conheci, a São Joaquim. Foi um trabalho muito interessante, que me deu página de jornal, participei de seminário, fui pra Recife.

Lázaro tenta explicar algo que se conhece apenas sentindo. A Feira de São Joaquim fica no caminho para a Cidade Baixa e ganhou fama pela diversidade. Entram em cena homens e mulheres, todos negros, andando apressados pra lá e pra cá pelas intermináveis vielas. Os feirantes carregam folhas de todos os tipos, peixes, frutas e camarão seco, enquanto se confundem com o branco e as contas do povo de Candomblé, que sai em busca de elementos para o culto aos orixás.

O Candomblé é alvo dos olhares constantes do fotógrafo

Por meio da fotografia, Lázaro Roberto dava visibilidade aos rostos e histórias destas pessoas. É a máxima de acomodar o protagonismo nas mãos dos donos do espetáculo. 

“A gente questionava a hereditariedade sobre o trabalho do negro. São muitos negros trabalhando lá. Eu construí uma história trabalhando dentro daquela feira. É uma feira muito rica, o trabalho da mulher, os saveiros, as crianças, o artesanato, os produtos de religiosidade de matriz africana. Só de dentro da Feira de São Joaquim, eu possuo mais de três mil fotogramas. Construí uma história”, conta orgulhoso.

A rotina de Paripe na década de 1990. Orgulho de ser negro

Certamente você já se deparou com imagens antigas e contemporâneas da Feira de São Joaquim. Agora, será que se questionou sobre a origem do fotógrafo? Normalmente, tais imagens são capturadas pelo olhar de pessoas brancas, muitas vindas do exterior. Caso do francês Pierre Verger, que por décadas retratou a rotina da Salvador do século 20.  

Mãe Ilda Jitolú no Carnaval de 92, no Curuzu

A qualidade do trabalho de Verger não está em questão, mas enquanto o francês tem livro e fundação, Lázaro Roberto luta para preservar o arquivo de três décadas. “Você percebe que é questão de condição. A fotografia era um espaço para brancos. Eu consegui, com muito custo, produzir muitas imagens e criar o Zumvi Arquivo Fotográfico. Para nos fortalecemos”.

O profissional de 60 anos acredita que o racismo é uma das barreiras para o sucesso maior do Zumvi e fotógrafos negros em geral como Bauer Sá e nomes da nova geração.

Ainda em ritmo de Carnaval…

É uma questão do racismo que existe em Salvador e no Brasil, que impede que o negro avance e consiga seu espaço. Daí a importância da fotografia, porque muita gente não me conhece, sou um fotógrafo começando a ter visibilidade agora. Aqui em Salvador, as pessoas não me conhecem. Então, quando elas veem esse conjunto de imagens de pessoas negras, pensam que eu sou branco! É uma imagem que está incutida na cabeça das pessoas. Hoje eu me sinto mais à vontade, diante da quantidade de fotógrafos negros jovens. Me sinto até mais aliviado.

O grande entrave para Lázaro e outros fotógrafos negros é o acesso. Fotografia é uma profissão cara, os equipamentos, a formação, tudo consome bastante dinheiro. Lázaro conseguiu a primeira máquina em 1982. No caso de Salvador, com 90% da população de homens e mulheres da pele preta, essa disparidade choca e revolta.

Festas populares como a de Iemanjá ganham outro significado com o olhar de fotógrafos negros

“Eu saí documentando a cultura negra e festas populares em Salvador. Foi ali que eu aprendi muito comigo mesmo, com minhas andanças pelas feiras, o Carnaval e o próprio Movimento Negro. Só que, na minha trajetória, não vi fotógrafos negros”.

Lázaro lembra que no início, amigos e conhecidos se espantavam em vê-lo com uma câmera no pescoço. A curiosidade era motivo de chacota. “Acho que foi isso que me deu força para documentar, porque lembro que quando saía com máquina fotográfica, as pessoas me olhavam. Brincavam comigo, ‘você agora é turista, é?’. Depois eu fui entender que não se via negro documentando. A gente via esses instrumentos na mão do branco. Mesmo eu, que já tinha consciência de que queria fazer documentação, memória”.

Questionar também é arte

A Salvador de verdade

Salvador é um dos municípios mais visitados do Brasil. Aliás, soterópolis é a única do Brasil presente em um guia do New York Times com as cidades do mundo para se visitar em 2019. O turismo da região se caracteriza pelas expressões negras e a forte representação histórica presente nas fachadas de casarões e nas intermináveis de igrejas (são 372).

Contudo, a impressão que fica é a de que o negro é utilizado como instrumento de promoção do turismo pelo poder público. E só. A mesma Salvador das baianas do acarajé e da cor esmeralda dos mares, é a de Periperi e Uruguai, bairros que sofrem com a falta de investimento. Lázaro faz questão de contar estas histórias.

A Feira de São Joaquim ainda é um dos lugares favoritos do fotógrafo

“No Carnaval, você vê o negro fazendo o pior trabalho, segurando corda para os brancos brincarem. Você vê toda a cidade vendendo para ver se consegue uma grana. Eu fotografei muita palafita, que aqui em Salvador também chamamos de alagado. Você vê esse tipo de moradia e depois vai na Barra, Pituba ou Caminho das Árvores [bairros de classe média alta] e nota as diferenças. Eu não optei, tive que fotografar minha própria realidade”, salienta.  

O negro tem que ser o protagonista do Carnaval

Uma questão de visibilidade

Embora grande parte do arquivo fotográfico de Salvador tenha sido registrado por pessoas brancas, Lázaro Roberto sabe do poder de seu trabalho na autoestima negra. Durante todo esse tempo, ele foi percebendo os impactos da visibilidade e como a fotografia pode se tornar importante instrumento de mudança.

“Por isso digo que sou fotógrafo documentarista. Estava nas festas populares, estava no Carnaval, no Movimento negro, em palestras, dentro destes espaços, na rua. Eu conheço a minha casa. Eu pego minha máquina e vou à feira, festas populares. Eu fui, enquanto negro, construindo essas memórias. Estou atento ao apartheid que há dentro de Salvador”.

A Salvador que não está no guia de turismo

A festa predileta de Lázaro é a Lavagem do Bonfim, que acontece toda a segunda quinta-feira do mês de janeiro. A segunda maior festa popular da Bahia cultua o santo católico, mas também presta respeitos à Oxalá. Homens e mulheres, o povo de santo, baianas do acarajé, todos sobem a Colina Sagrada para celebrar a fé. O festejo começa em frente à Igreja da Conceição da Praia e depois do Culto Ecumênico, segue por oito quilômetros até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

Eu fotografo a lavagem há muito tempo. Do tempo que tinham carroças, a gente chegava lá cedo e ainda é, apesar de tudo, uma das festas que o povo consegue mexer com toda a cidade. Antigamente, você via muitas peculiaridades na festas. As carroças, os vendedores de rolete de cana, pessoas vendendo chapéu. Você via durante os oito quilômetros de festa uma novidade atrás da outra. Bandinhas, qualquer um saía. Hoje tá tudo mudado. Organizou demais. Não se organiza povo. Quando se organiza demais, se perdem algumas tradições.

Lázaro não cansa de clicar a Lavagem do Bonfim

Sabe a consciência negra? Ela se reflete em dias como a Lavagem do Bonfim e o 2 de Fevereiro. Tem coisa que melhor que uma criança da periferia ter o retrato feito por um fotógrafo profissional? Melhor, que esse fotógrafo entenda as origens e o que significa ter a pele da cor da noite. Não é uma questão de caridade. É construção coletiva e empatia.

A consciência do meu trabalho é muito importante para uma consciência negra. Eu sempre digo que a minha própria fotografia me deu consciência. Quando eu comecei a fotografar na rua, foi aí que eu vi que minha cidade era negra. Eu praticamente vi o Movimento Negro surgir em Salvador. Mas sempre afirmo que foi a minha fotografia que contribuiu muito com a minha consciência racial.

Sobre consciência negra…

Nesse sentido, a democratização proporcionada pela tecnologia não deve ser desconsiderada. Pelo contrário. Os telefones celulares ocupam o espaço de formação, que passa inicialmente pela construção de uma imagem positiva.

A democratização da fotografia, até chegar hoje com o celular, fez com que as pessoas se fotografassem mais. Existem muitos fotógrafos engajados, principalmente dentro do Movimento Negro, fazendo um trabalho de desconstrução da nossa imagem do tempo da escravidão. A imagem dos meios de comunicação, que a Globo usa na novelas e filmes.   Hoje, a gente enquanto negro fotografando, pode desconstruir essa imagem. Na moda, a gente não via negro, hoje já os negros estão desfilando. A imagem corre o mundo e você percebe que pode estar ali. Reverbera para outras pessoas que podem conhecer sua beleza. Inclusive, é um trabalho que eu enquanto fotógrafo, tento fazer. Desconstruir essa imagem de homens e mulheres tidos como feios. Você ressignifica a imagem, trazendo para o campo da beleza. A fotografia tem um papel fundamental na luta antirracista que a gente vem travando há séculos. Dentro do empoderamento dos jovens, das pessoas. É importante você saber usar o instrumento, saber usar a fotografia para desconstruir imagens negativas.

Lázaro luta para que seu acervo não se perca

Do total de 30 mil fotos, cerca de 20 mil são feitas por Lázaro. O restante se divide entre parceiros com o Jônatas Conceição (falecido em 2009), um dos diretores do Ilê Aiyê e parte dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia. Outro nome é Luiz Orlando, que morreu em 2006 e ficou conhecido pela militância no cinema negro. Lázaro Roberto cuidada das fotografias sozinho e conta com a ajuda de parceiros como o sobrinho José Carlos.

Você pode ajudar Lázaro a manter a cultura afro-baiana viva em um país onde o racismo é regra. Eles estão ainda com uma campanha de financiamento coletivo e os detalhes estão aqui . 

E o Movimento Negro não se constrói sem mulheres

Falta muita coisa para que o Zumvi se projete, se firme dentro dessa cidade. Agora, a gente precisa muito de um espaço. Funcionamos numa pequena sala no fundo quintal da minha casa. Na nossa batalha e luta, temos conseguido pouca coisa do governo por conta da burocracia do Estado. Por isso, estamos procurando outros setores e pessoas. Estamos em campanha de financiamento coletivo, mas não conseguimos atingir nem 20% da meta. Estamos em busca de parceria com o pessoal o Movimento Negro. Muitos nos apoiam, principalmente os mais antigos, mas ainda não conseguimos botar o acervo no lugar que ele tem que chegar.


Fotos: Lázaro Roberto/Divulgação/fonte:via

Cowboy negro: Django da vida real prendeu 3 mil foras da lei no Velho Oeste dos EUA

Bass Reeves, o Django da vida real, prendeu mais de 3 mil criminosos em sua carreira com um dos primeiros delegados negros dos Estados Unidos. Em conflito, Reeves matou 14 pessoas e jamais levou um tiro sequer, falecendo de causas naturais em 1910, aos 72 anos.

Se o diretor de cinema Quentin Tarantino costuma utilizar a ficção para realizar vinganças históricas que não aconteceram na vida real – como no caso de Bastardos Inglórios e o assassinato de Adolf Hitler e a cúpula nazista no filme – , em Django Livre, a força negra se afirmando contra uma sociedade escravocrata talvez não fosse totalmente ficcional. O personagem vivido por Jamie Foxx nas telas traz muitas semelhanças com a incrível história de Bass Reeves, que em 1875 se tornou um dos primeiros delegados negros dos EUA.

Bass Reeves

Reeves nasceu escravo em 1838 no estado de Arkansas, e quando fugiu de seu “dono” foi viver entre os índios norte-americanos das tribos Creek e Seminole, onde aprendeu bastante do conhecimento nativo, como tornou-se fluente na língua das tribos – esse conhecimento seria determinante para que fosse selecionado como delegado, a fim de que pudesse negociar e se comunicar com os nativos.

Acima, a turma de delegados eleita com Bass (o primeiro à esquerda da primeira fila, com uma bengala)

Sua reputação como um delegado destemido, persistente e dono de uma inteligência capaz de ludibriar até mesmo os mais temidos bandidos tornou-se lenda, ao ponto que criminosos chegaram a se entregar simplesmente ao saberem que estavam sendo perseguidos por Reeves.

Estátua para Bass Reeves no Arkansas

© fotos: divulgação/fonte:via

A paixão de fotógrafo é registrar as mais incríveis portas espalhadas pelo mundo

As portas são não somente a entrada física e objetiva para um lugar, mas também a própria abertura e revelação do espírito do local – assim pensa o fotógrafo belga Paschal Mannaerts. Viajando há mais de dez anos pelo mundo e registrando com sua câmera as mais diversas culturas, são fascínio pela arquitetura e seus símbolos o atraiu aos poucos a começar a fotografar as portas dos países e lugares que visitava.

Para Paschal, as portas são símbolos do desconhecido, da descoberta, da hospitalidade e da passagem. Assim, inspirado, intrigado, e impactado ele fotografou portas em lugares tão variados quanto Cuba, Vietnã, Etiópia e Índia – e aqui ele divide um pouco sua coleção de portas e emoções conosco, a partir de um post original no site Bored Panda.

© fotos: Paschal Mannaerts/fonte:via

Os jamaicanos estão acusando o chef Jamie Oliver de apropriação cultural

Imagine só um estrangeiro chegar no Brasil e apresentar uma nova receita para o acarajé. Melhor, pense em sua reação ao se deparar com versões atualizadas do prato típico da Bahia. Sem camarão ou com azeite doce ao invés de dendê. É desta forma que muitos jamaicanos estão se sentindo com o novo lançamento de Jamie Oliver.

O chef britânico, aquele mesmo que criticou o brigadeiro brasileiro, está sendo acusado de apropriação cultural por causa de sua nova versão do jerk rice. Aos que não sabem, o jerk rice é um patrimônio da gastronomia jamaicana. Sua história remete ao período da escravidão, quando negros preparavam um composto de carnes, jerk, em grelhas improvisadas em buracos na terra.

Com o passar do tempo, a iguaria ganhou outros contornos, mas sem deixar as raízes de lado. Entre as tradições estão os temperos, como a pimenta-da-jamaica e sal, base de quase todas as receitas. Por fim, o jerk rice leva outros 30 tipos de ervas e especiarias, como tomilho, alho, canela, cebolinha e noz-moscada.

Além de apresentar uma nova versão da comida, Jamie Oliver resolveu dar um novo nome ao prato, agora punchy jerk rice. O problema é que ele não pediu autorização para o batismo e tampouco para alterar os ingredientes originais e isso não pegou nada bem entre os jamaicanos que vivem em bairros de Londres. Voltemos ao acarajé

Oliver trocou a pimenta-da-jamaica por jalapeño, dispensou as ervas e especiarias e colocou apenas sal, gengibre e alho. A escolha do chef fez com que o Ministro do Trabalho britânico, Dawn Butler, se manifestasse. Em sua conta no Twitter, o político criticou Oliver pela escolha do nome da nova ‘comida de microondas’

“Estou pensando como o jerk rice original é feito. Não se trata de mudar o nome apenas para vender produtos e ganhar dinheiro. Seu jerk rice não é bom. Isto é apropriação cultural e precisa acabar”, disse no Twitter.  

O jornal Metro resolveu caminhar por uma comunidade de jamaicanos no Sul de Londres com a novidade de Jamie Oliver. As reações, bom, o vídeo abaixo deixa bem claro que a aceitação não foi das melhores.

Em sua defesa, o chef celebridade salientou que sua intenção não era se apropriar indevidamente do jerk rice. Segundo Oliver, o objetivo era mostrar para as pessoas de onde veio sua inspiração. O britânico finalizou dizendo ter provado diversos sabores e especiarias do mundo todo e aprendido diferentes técnicas para misturar na comida do dia a dia.

Fotos: Reprodução/fonte:via

Dia do Amigo: 9 grandes amizades que mudaram a história para sempre

A amizade é um fenômeno das reações humanas que desperta muita curiosidade. Talvez pela não existência de regras para que ela aconteça. Você já deve ter se deparado com pessoas de personalidades distintas dividindo uma cerveja no bar e histórias décadas a fio.

Como o ser humano é um bicho curioso, recentemente uma pesquisa norte-americana encabeçada pela Universidade da Califórnia buscou entender os sentimentos gerados quando se está na presença daquela pessoa que mora do lado esquerdo do peito.

Os genes dos humanos exercem algum papel relevante na eleição das amizades? Sim e não. Vamos lá, a pesquisa avaliou seis genes humanos e entre eles dois ganharam mais destaque, o DRD2 – vinculado ao desenvolvimento do alcoolismo e o CYP2A, aqui relacionado com o metabolismo de defesa contra substâncias como a nicotina.

Bom, o DED2 interveio diretamente na produção de neurotransmissores como serotonina, associada ao estado de ânimo e a dopamina, fundamental para a conservação da motivação, do aprendizado e atenção. Conclusão, para os estudiosos, estes elementos comprovam que na amizade não se busca apenas humor ou carisma, mas sobretudo elementos que completem os sentimentos.

Trocando em miúdos, amigo é aquela pessoa que chega em para preencher a parte que falta. No sentido mais poético, afinal de contas mesmo que diga-se que a felicidade deve ser construída sem dependência dos outros, é muito melhor quando se tem companhia para seguir pela estrada.

Para celebrar o Dia do Amigo, o Hypeness elegeu os nove amigos mais inseparáveis. São figuras das artes, política, mas que em comum possuem a vontade de estar ao lado do outro. Isso não significa a ausência de brigas ou rompimento, mas como diria o poeta, o importante é o triunfo do amor.

1. Lennon & McCartney

Provavelmente a parceria mais frutífera da história da música pop. Os dois rapazes de Liverpool são um perfeito retrato das nuances da amizade. Um canhoto. O outro destro. De um lado a guitarra. Do outro o baixo. Não importa, Paul e John se uniram por meio da paixão pela música.

Responsáveis pela criação de uma das bandas mais importantes de todos os tempos, os Beatles, a dupla dividiu por quase uma década a composição dos maiores sucessos musicais. Sabe aquele lance de individualizar duplas? Com Lennon e McCartney é bem esta a pegada. Lado a lado por tanto tempo, é impossível desassociar a existência de um do outro.

Claro, houveram momentos de turbulência, especialmente nos últimos anos dos Fab Four. Quem não se lembra das brigas homéricas entre eles pela imprensa? Rolou até uma música, How do You Sleep, com John literalmente chamando Paul para a briga.

Entretanto, o que ficam são os momentos de ternura. Por isso a história por trás de Hey Jude não pode ser deixada de lado. O final da relação entre John e Cynthia Lennon deixou muito abalado o filho do casal. Então com cinco anos, Julian não conseguia conviver com a ideia do fim do casamento do pai.

Percebendo a confusão na mente do garoto Paul, bastante próximo do jovem, resolveu visitá-lo em Londres. No caminho, como de costume,  tornou a pensar em uma nova canção. Ao chegar começou a cantarolar Hey Julian’, enquanto improvisava a letra.

“Hey Jules, don’t make it bad, take a sad song and make it better” (Ei Julian, não se sinta mal, ouça uma música triste para se sentir melhor). O tempo passou e Hey Jules se transformou no clássico Hey Jude. Falando com os repórteres, Macca admitiu sempre lembrar de John, assassinado na década de 1980, quando canta Hey Jude.

2. Tina Turner & Cher

Estamos diante de duas divas da música pop. Cada uma a sua maneira, a dupla conserva mais de 50 anos de companheirismo. Neste tempo todo foram tantos momentos de confidências que é difícil escolher. Claro, não dá pra deixar de lado Shame, Shame, Shame, que marcou o ano de 1975 com estas duas mulheres dividindo os palcos.

Outro momento interessante foi uma entrevista recente realizada no programa de Oprah Winfrey. O esperado encontro entre as duas rainhas do show biz foi marcado por uma resposta ‘mais Cher impossível’. Perguntada por Oprah sobre os efeitos da idade ela respondeu, “é uma merda”, arrancando risos efusivos de Tina.

“A primeira vez em que Tina e eu trabalhamos juntas ela veio ao estúdio e eu estava esperando, você sabe, algo mais Tina Turner. Mas ela me chega vestindo uma camiseta calça e sapatos de salto. Porém quando ela começou a falar e eu ouvi aquela voz!”, revelou Cher.

“Ela ficava olhando pra mim como se pensasse ‘nossa, de onde saiu essa pessoa?’, lembra Tina.

3. Roberto Carlos & Erasmo Carlos

“Em outra encarnação eu gostaria de novamente ser parceiro, amigo, compadre, companheiro e irmão do Roberto”. A emotividade presente na confidência de Erasmo sobre a amizade com Roberto Carlos dá o tom de uma das relações mais belas da música popular brasileira.

A proximidade é tanta que algumas pessoas chegam a se questionar se os dois não seriam irmãos. Não são. Na verdade, Roberto e Erasmo, como a própria música diz são ‘amigos de fé, irmãos camaradas’.

Atravessando boa parte do século 20, a história se inicia no Rio de Janeiro, especificamente na Tijuca. Eram os anos 1950, auge do rock e Elvis Presley. Por intermédio do amigo Arlênio Lívio, Roberto Carlos foi levado ao encontro de um grupo de amigos que curtiam rock no Bar do Divino.

Chegando lá esbarrou com outro fã de rock’n’roll, Erasmo. O resto é história. Mas vale dizer que deste companheirismo surgiu nada menos do que a Jovem Guarda, até hoje considerada o sustentáculo do rock brasileiro.

4. Serena Williams & Meghan Markle

Você pode até não saber, mas a amizade entre Serena e Meghan vem de muito tempo. Aliás, relação entre a tenista e a atriz – atual Duquesa de Sussex, está sendo descrita por aí como uma ‘amizade empoderadora’. Isso pelo tamanho da representatividade de ambas.

Com 35 títulos de Grand Slam, Serena Williams é considerada a maior tenista de todos os tempos. Mulher negra, sempre levou consigo a importância do combate ao racismo. Recentemente a norte-americana suscitou um importante debate sobre maternidade ao retornar ao esporte depois de ser mãe.

Meghan não deixa barato também. Famosa por sua trajetória como atriz, com direito a participações em séries como CSI, Markle defende conceitos feministas. “Tenho orgulho de ser mulher e feminista”. Depois do casamento com o príncipe Harry a Duquesa de Sussex é apontada como fundamental para a modernização da família real britânica.

Apesar dos laços de amizade, as duas não eram vistas em público desde o NY Fashion Week, por causa da distância física mesmo. Meghan se mudou para Londres e Serena vive na Flórida. Mas não há nada que a distância possa mudar e no tão esperado casamento real lá estava Serena Williams, exuberante com seu longo vestido, como uma das principais convidadas da amiga querida.

5. Gil & Caetano

‘Caetano das Luzes’ e ‘Gilberto Misterioso’. Gil é nascido em Salvador, mas cresceu em Ituaçu, cidade do interior da Bahia. Desde pequeno dizia querer ser ‘musgueiro e pai de menino’. Já Caetano nasceu em Santo Amaro da Purificação, cidade do Recôncavo Baiano. Ainda criança dava pistas de que seria um homem diferente dos outros. Aliás, foi ele quem escolheu o nome de sua irmã, Maria Bethânia.

A amizade entre os dois começou antes mesmo do primeiro encontro. Na década de 1960 um então jovem Gilberto Gil participava semanalmente de um programa de TV. Caê acompanhava com afinco e todo mundo sabia, inclusive sua mãe, Dona Canô, que dizia, “Caetano, venha ver aquele preto que você gosta”.

“Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente”, escreveu Veloso em trecho de seu livro Verdade Tropical.

O tão esperado encontro aconteceu já nos tempos de Salvador, pouco antes da revolução iniciada nos palcos do Teatro Castro Alves. O contato entre Gil e Caetano foi intermediado pelo produtor Roberto Sant’anna e Caetano foi logo elogiando as canções e Gil. Daquele jeito que só ele sabe fazer. Nós aqui ficamos imaginando um sorriso cheio de ternura vindo de Gilberto.

Dali em diante são 50 anos de amizade, companheirismo e claro, criações artísticas. O primeiro passo dado por eles foi o movimento tropicalista, marcado por uma verdadeira revolução na música e também na estética. Jorge Ben, Tom Zé, Gal Costa, todos seguiram os comandos da dupla de baianos em um movimento marcado pela contracultura.

Ao final da década de 1960, Gil e Caê passaram por momentos difíceis. Com o aumento da repressão provocada pela ditadura militar foram presos no Rio de Janeiro e depois exilados em Londres. Apesar do momento difícil, especialmente para Caetano, os dois se apoiaram e dividiram a mesma casa com suas mulheres e filhos.

Na volta o Brasil, apesar de tudo, foi presenteado com nada menos do que os Doces Bárbaros, quando Caetano e Gil convocaram Gal e Bethânia para uma turnê nacional. Outro momento catártico da nossa música.

“Com relação a Caetano, o que sinto não chamaria de medo. É respeito”, Gilberto Gil.

6. Malala & Varaidzo Kativhu

A história de vida da jovem paquistanesa Malala é um exemplo para todos nós. A prêmio Nobel é um vento que sopra esperança em tempos tão complexos. Agora, assim como todo mundo, ela não deixa de ser uma mulher dando os primeiros passos na vida adulta. Ou seja, Malala também precisa dos amigos por perto.

As notícias são escassas, mas podemos assegurar que ela encontrou uma companheira daquelas nos corredores da Universidade de Oxford. Trata-se de Varaidzo Kativhu, uma youtuber com quem Malala passa horas saboreando pratos de comida indiana e ouvindo Beyoncé e Rihanna.

Elas são tão grudadas, que no Dia dos Namorados foram juntas em uma espécie de jantar das amigas. Não é lindo?

“Um ano e meio depois e minha melhor amiga é ninguém menos do que Malala Yousafzai, vencedora do prêmio Nobel!”

7. Angela Davis & Toni Morrison

Entre os nomes mais importantes do século 20, Toni Morrison e Angela Davis foram responsáveis por um pensamento feminista interseccional. A ideia era propor uma visão que fizesse um recorte para a realidade vivida pelas mulheres negras. Sempre com uma postura combativa, inclusive contra o FBI, estas duas mulheres negras se encontraram na militância há mais de 40 anos. Desde então cultivam uma das amizades mais notáveis do mundo.

A luta pelos direitos civis da população negra no mundo todo saiu ganhando. Veja, no caso de Davis, o pensamento de Morrison foi fundamental para o entendimento melhor sobre a escravidão, por exemplo.

“Com ela foi possível imaginar a escravidão muito diferente. A escravidão não destruiu a humanidade dos escravizados. Claro que a escravidão foi terrível, mas com Morrison conseguir perceber que estas pessoas conseguiram encarar o sistema escravocrata ao manterem sua humanidade”.

8. Betty Davis & Jimi Hendrix

A relação entre eles é do tamanho do impacto causado por ambos na música mundial. Dono de personalidades fortes e uma presença de palco poucas vezes vista na história, Betty Davis e Jimi Hendrix nutriram uma amizade tão complexa quanto o momento revolucionário surgido na década de 1960.

Durante o período Betty foi bastante influenciada pelo modo de fazer música de Hendrix – naquele tempo já se mostrando um virtuoso guitarrista. Percebendo a importância do momento, esta mulher de voz forte e fundamental para o desenvolvimento do feminismo, bebeu na fonte do rock produzido pelo guitarrista norte-americano para criar um novo estilo: o Jazz Fusion.

Em 1969 os jornais debatiam o perfil violento e explosivo de Miles Davis e os efeitos de tais características no casamento com Betty. O destempero respingou na amizade entre ela e Jimi. Miles não tinha dúvidas, os dois eram amantes. Nem a insistência de Betty e Hendrix de formar uma colaboração entre os três mudava a cabeça do músico.

Para tristeza de todos Jimi Hendrix morreu aos 27 anos vítima do abuso de drogas. Com isso o trabalho entre os três não pode se materializar e a amizade complexa entre Davis e Hendrix teve um final melancólico. Aliás, a tristeza pode ser percebida na expressão consternada de Betty Davis durante o enterro do amigo.

9. Tina Fey & Amy Poehler

Estas duas são uma espécie de Thelma e Louise do século 21. Elas foram líderes de uma das fases mais gloriosas do clássico humorístico Saturday Night Live.

Mas a amizade entre Tina e Amy nasceu tempos antes da fama. É uma relação de outros carnavais e que foi germinada há mais de 20 anos. Estes dois rostos engraçadíssimos se cruzaram em uma escola de teatro. Aqui pra nós, imagine só a peripécias cometidas por estas mulheres antes da fama.

Um dos momentos mais engraçados e afetuosos protagonizados por Tina e Amy foi durante o Globo de Ouro de 2014. Era a terceira vez em que as duas comandavam a cerimônia deste célebre prêmio do cinema mundial, mas as expectativas permaneciam altas. Não deu outra, elas arrasaram.

Na ocasião as atrizes usaram da acidez proporcionada pelo humor para comentar as acusações de estupro contra Bill Cosby. “Em ‘Caminhos da Floresta’ Cinderela foge do príncipe, Rapunzel é salva da torre por seu príncipe e a Bela Adormecida pensa que estava só tomando um café com Bill Cosby”, disseram arrancando risos da plateia.

Fotos: Reprodução/fonte:via

Em decisão histórica Nigéria oficializa a proibição da mutilação genital feminina

A mutilação genital feminina na Nigéria é um tema que está em voga há algum tempo. De um lado estão os defensores a manutenção de tradições. Do outro mulheres e pessoas que acreditam na importância de cessar práticas machistas.

Em meio ao cenário de debate, o presidente Goodluck Jonathan aprovou criminalização da mutilação genital feminina na Nigéria. Considerado o último ato de seu mandato, já que Jonathan foi derrotado no pleito eleitoral por Muhammadu Buhari, a lei federal representa uma mudança de postura do país da África Ocidental.

A medida, que também prevê punição aos homens que abandonarem suas mulheres e filhos, vai contribuir para a diminuição deste hábito mutilatório. De acordo com levantamento feito por entidades de defesa dos direitos humanos, a mutilação feminina atingiu 25% das mulheres nigerianas entre 15 e 49 anos. A ONU revelou em 2014 que o ato gera infertilidade, perda do prazer sexual, além de oferecer risco de morte causado por possíveis infecções.

Cercada por um debate que envolve tradição, mas também direito ao próprio corpo, a proibição da mutilação feminina traduz uma mudança oriunda do desenvolvimento social. Não se trata de um fim aos costumes tradicionais, mas de uma adequação aos tempos modernos.

“É crucial que continuemos com os esforços de mudanças de visões culturais que permitem a violência contra a mulher. Só assim esta prática agressiva terá um fim”, declarou ao The Guardian Stella Mukasa, diretora do núcleo de Gênero, Violência e Direitos do Centro de Pesquisas da Mulher.

Foto: Pixabay/fonte:via

Fotógrafo registra mais de 50 tribos e culturas ameaçadas de extinção pelo mundo

Foi em uma viagem ao Bornéu, em 2013, que o fotógrafo polonês Adam Koziol encontrou um propósito nobre e impactante para o seu trabalho. Conversando com um dos últimos remanescentes do povo Iban, Koziol percebeu que, com o progresso e as mudanças atravessadas pelo país, mais de 3 mil anos de cultura e tradição estavam em vias de simplesmente desaparecer. Assim, tornou-se o motivo de seu trabalho registrar tribos e culturas praticamente esquecidas e ameaçadas de extinção por todo o mundo.

Suas fotos visam registrar não só as pessoas como também as marcas e símbolos de tais culturas, como formas de reconhecimento e documentação de elementos formadores de tais povos. Tatuagens, marcas no corpo, ornamentos e vestimentas são um dos focos mais importantes da lente de Koziol, que busca, com suas fotos, chamar a atenção para o perigo de extinção desses povos e de sua história.

Tendo registrado mais de 50 tribos, seu próximo passo é realizar um livro, não só revelando suas comovente fotografias como também detalhando a história e a memória de cada povo, para que, ao menos um pouco, tais imensidões culturais não desapareçam jamais.

© fotos: Adam Koziol /fonte:via