Os jamaicanos estão acusando o chef Jamie Oliver de apropriação cultural

Imagine só um estrangeiro chegar no Brasil e apresentar uma nova receita para o acarajé. Melhor, pense em sua reação ao se deparar com versões atualizadas do prato típico da Bahia. Sem camarão ou com azeite doce ao invés de dendê. É desta forma que muitos jamaicanos estão se sentindo com o novo lançamento de Jamie Oliver.

O chef britânico, aquele mesmo que criticou o brigadeiro brasileiro, está sendo acusado de apropriação cultural por causa de sua nova versão do jerk rice. Aos que não sabem, o jerk rice é um patrimônio da gastronomia jamaicana. Sua história remete ao período da escravidão, quando negros preparavam um composto de carnes, jerk, em grelhas improvisadas em buracos na terra.

Com o passar do tempo, a iguaria ganhou outros contornos, mas sem deixar as raízes de lado. Entre as tradições estão os temperos, como a pimenta-da-jamaica e sal, base de quase todas as receitas. Por fim, o jerk rice leva outros 30 tipos de ervas e especiarias, como tomilho, alho, canela, cebolinha e noz-moscada.

Além de apresentar uma nova versão da comida, Jamie Oliver resolveu dar um novo nome ao prato, agora punchy jerk rice. O problema é que ele não pediu autorização para o batismo e tampouco para alterar os ingredientes originais e isso não pegou nada bem entre os jamaicanos que vivem em bairros de Londres. Voltemos ao acarajé

Oliver trocou a pimenta-da-jamaica por jalapeño, dispensou as ervas e especiarias e colocou apenas sal, gengibre e alho. A escolha do chef fez com que o Ministro do Trabalho britânico, Dawn Butler, se manifestasse. Em sua conta no Twitter, o político criticou Oliver pela escolha do nome da nova ‘comida de microondas’

“Estou pensando como o jerk rice original é feito. Não se trata de mudar o nome apenas para vender produtos e ganhar dinheiro. Seu jerk rice não é bom. Isto é apropriação cultural e precisa acabar”, disse no Twitter.  

O jornal Metro resolveu caminhar por uma comunidade de jamaicanos no Sul de Londres com a novidade de Jamie Oliver. As reações, bom, o vídeo abaixo deixa bem claro que a aceitação não foi das melhores.

Em sua defesa, o chef celebridade salientou que sua intenção não era se apropriar indevidamente do jerk rice. Segundo Oliver, o objetivo era mostrar para as pessoas de onde veio sua inspiração. O britânico finalizou dizendo ter provado diversos sabores e especiarias do mundo todo e aprendido diferentes técnicas para misturar na comida do dia a dia.

Fotos: Reprodução/fonte:via

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Dia do Amigo: 9 grandes amizades que mudaram a história para sempre

A amizade é um fenômeno das reações humanas que desperta muita curiosidade. Talvez pela não existência de regras para que ela aconteça. Você já deve ter se deparado com pessoas de personalidades distintas dividindo uma cerveja no bar e histórias décadas a fio.

Como o ser humano é um bicho curioso, recentemente uma pesquisa norte-americana encabeçada pela Universidade da Califórnia buscou entender os sentimentos gerados quando se está na presença daquela pessoa que mora do lado esquerdo do peito.

Os genes dos humanos exercem algum papel relevante na eleição das amizades? Sim e não. Vamos lá, a pesquisa avaliou seis genes humanos e entre eles dois ganharam mais destaque, o DRD2 – vinculado ao desenvolvimento do alcoolismo e o CYP2A, aqui relacionado com o metabolismo de defesa contra substâncias como a nicotina.

Bom, o DED2 interveio diretamente na produção de neurotransmissores como serotonina, associada ao estado de ânimo e a dopamina, fundamental para a conservação da motivação, do aprendizado e atenção. Conclusão, para os estudiosos, estes elementos comprovam que na amizade não se busca apenas humor ou carisma, mas sobretudo elementos que completem os sentimentos.

Trocando em miúdos, amigo é aquela pessoa que chega em para preencher a parte que falta. No sentido mais poético, afinal de contas mesmo que diga-se que a felicidade deve ser construída sem dependência dos outros, é muito melhor quando se tem companhia para seguir pela estrada.

Para celebrar o Dia do Amigo, o Hypeness elegeu os nove amigos mais inseparáveis. São figuras das artes, política, mas que em comum possuem a vontade de estar ao lado do outro. Isso não significa a ausência de brigas ou rompimento, mas como diria o poeta, o importante é o triunfo do amor.

1. Lennon & McCartney

Provavelmente a parceria mais frutífera da história da música pop. Os dois rapazes de Liverpool são um perfeito retrato das nuances da amizade. Um canhoto. O outro destro. De um lado a guitarra. Do outro o baixo. Não importa, Paul e John se uniram por meio da paixão pela música.

Responsáveis pela criação de uma das bandas mais importantes de todos os tempos, os Beatles, a dupla dividiu por quase uma década a composição dos maiores sucessos musicais. Sabe aquele lance de individualizar duplas? Com Lennon e McCartney é bem esta a pegada. Lado a lado por tanto tempo, é impossível desassociar a existência de um do outro.

Claro, houveram momentos de turbulência, especialmente nos últimos anos dos Fab Four. Quem não se lembra das brigas homéricas entre eles pela imprensa? Rolou até uma música, How do You Sleep, com John literalmente chamando Paul para a briga.

Entretanto, o que ficam são os momentos de ternura. Por isso a história por trás de Hey Jude não pode ser deixada de lado. O final da relação entre John e Cynthia Lennon deixou muito abalado o filho do casal. Então com cinco anos, Julian não conseguia conviver com a ideia do fim do casamento do pai.

Percebendo a confusão na mente do garoto Paul, bastante próximo do jovem, resolveu visitá-lo em Londres. No caminho, como de costume,  tornou a pensar em uma nova canção. Ao chegar começou a cantarolar Hey Julian’, enquanto improvisava a letra.

“Hey Jules, don’t make it bad, take a sad song and make it better” (Ei Julian, não se sinta mal, ouça uma música triste para se sentir melhor). O tempo passou e Hey Jules se transformou no clássico Hey Jude. Falando com os repórteres, Macca admitiu sempre lembrar de John, assassinado na década de 1980, quando canta Hey Jude.

2. Tina Turner & Cher

Estamos diante de duas divas da música pop. Cada uma a sua maneira, a dupla conserva mais de 50 anos de companheirismo. Neste tempo todo foram tantos momentos de confidências que é difícil escolher. Claro, não dá pra deixar de lado Shame, Shame, Shame, que marcou o ano de 1975 com estas duas mulheres dividindo os palcos.

Outro momento interessante foi uma entrevista recente realizada no programa de Oprah Winfrey. O esperado encontro entre as duas rainhas do show biz foi marcado por uma resposta ‘mais Cher impossível’. Perguntada por Oprah sobre os efeitos da idade ela respondeu, “é uma merda”, arrancando risos efusivos de Tina.

“A primeira vez em que Tina e eu trabalhamos juntas ela veio ao estúdio e eu estava esperando, você sabe, algo mais Tina Turner. Mas ela me chega vestindo uma camiseta calça e sapatos de salto. Porém quando ela começou a falar e eu ouvi aquela voz!”, revelou Cher.

“Ela ficava olhando pra mim como se pensasse ‘nossa, de onde saiu essa pessoa?’, lembra Tina.

3. Roberto Carlos & Erasmo Carlos

“Em outra encarnação eu gostaria de novamente ser parceiro, amigo, compadre, companheiro e irmão do Roberto”. A emotividade presente na confidência de Erasmo sobre a amizade com Roberto Carlos dá o tom de uma das relações mais belas da música popular brasileira.

A proximidade é tanta que algumas pessoas chegam a se questionar se os dois não seriam irmãos. Não são. Na verdade, Roberto e Erasmo, como a própria música diz são ‘amigos de fé, irmãos camaradas’.

Atravessando boa parte do século 20, a história se inicia no Rio de Janeiro, especificamente na Tijuca. Eram os anos 1950, auge do rock e Elvis Presley. Por intermédio do amigo Arlênio Lívio, Roberto Carlos foi levado ao encontro de um grupo de amigos que curtiam rock no Bar do Divino.

Chegando lá esbarrou com outro fã de rock’n’roll, Erasmo. O resto é história. Mas vale dizer que deste companheirismo surgiu nada menos do que a Jovem Guarda, até hoje considerada o sustentáculo do rock brasileiro.

4. Serena Williams & Meghan Markle

Você pode até não saber, mas a amizade entre Serena e Meghan vem de muito tempo. Aliás, relação entre a tenista e a atriz – atual Duquesa de Sussex, está sendo descrita por aí como uma ‘amizade empoderadora’. Isso pelo tamanho da representatividade de ambas.

Com 35 títulos de Grand Slam, Serena Williams é considerada a maior tenista de todos os tempos. Mulher negra, sempre levou consigo a importância do combate ao racismo. Recentemente a norte-americana suscitou um importante debate sobre maternidade ao retornar ao esporte depois de ser mãe.

Meghan não deixa barato também. Famosa por sua trajetória como atriz, com direito a participações em séries como CSI, Markle defende conceitos feministas. “Tenho orgulho de ser mulher e feminista”. Depois do casamento com o príncipe Harry a Duquesa de Sussex é apontada como fundamental para a modernização da família real britânica.

Apesar dos laços de amizade, as duas não eram vistas em público desde o NY Fashion Week, por causa da distância física mesmo. Meghan se mudou para Londres e Serena vive na Flórida. Mas não há nada que a distância possa mudar e no tão esperado casamento real lá estava Serena Williams, exuberante com seu longo vestido, como uma das principais convidadas da amiga querida.

5. Gil & Caetano

‘Caetano das Luzes’ e ‘Gilberto Misterioso’. Gil é nascido em Salvador, mas cresceu em Ituaçu, cidade do interior da Bahia. Desde pequeno dizia querer ser ‘musgueiro e pai de menino’. Já Caetano nasceu em Santo Amaro da Purificação, cidade do Recôncavo Baiano. Ainda criança dava pistas de que seria um homem diferente dos outros. Aliás, foi ele quem escolheu o nome de sua irmã, Maria Bethânia.

A amizade entre os dois começou antes mesmo do primeiro encontro. Na década de 1960 um então jovem Gilberto Gil participava semanalmente de um programa de TV. Caê acompanhava com afinco e todo mundo sabia, inclusive sua mãe, Dona Canô, que dizia, “Caetano, venha ver aquele preto que você gosta”.

“Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente”, escreveu Veloso em trecho de seu livro Verdade Tropical.

O tão esperado encontro aconteceu já nos tempos de Salvador, pouco antes da revolução iniciada nos palcos do Teatro Castro Alves. O contato entre Gil e Caetano foi intermediado pelo produtor Roberto Sant’anna e Caetano foi logo elogiando as canções e Gil. Daquele jeito que só ele sabe fazer. Nós aqui ficamos imaginando um sorriso cheio de ternura vindo de Gilberto.

Dali em diante são 50 anos de amizade, companheirismo e claro, criações artísticas. O primeiro passo dado por eles foi o movimento tropicalista, marcado por uma verdadeira revolução na música e também na estética. Jorge Ben, Tom Zé, Gal Costa, todos seguiram os comandos da dupla de baianos em um movimento marcado pela contracultura.

Ao final da década de 1960, Gil e Caê passaram por momentos difíceis. Com o aumento da repressão provocada pela ditadura militar foram presos no Rio de Janeiro e depois exilados em Londres. Apesar do momento difícil, especialmente para Caetano, os dois se apoiaram e dividiram a mesma casa com suas mulheres e filhos.

Na volta o Brasil, apesar de tudo, foi presenteado com nada menos do que os Doces Bárbaros, quando Caetano e Gil convocaram Gal e Bethânia para uma turnê nacional. Outro momento catártico da nossa música.

“Com relação a Caetano, o que sinto não chamaria de medo. É respeito”, Gilberto Gil.

6. Malala & Varaidzo Kativhu

A história de vida da jovem paquistanesa Malala é um exemplo para todos nós. A prêmio Nobel é um vento que sopra esperança em tempos tão complexos. Agora, assim como todo mundo, ela não deixa de ser uma mulher dando os primeiros passos na vida adulta. Ou seja, Malala também precisa dos amigos por perto.

As notícias são escassas, mas podemos assegurar que ela encontrou uma companheira daquelas nos corredores da Universidade de Oxford. Trata-se de Varaidzo Kativhu, uma youtuber com quem Malala passa horas saboreando pratos de comida indiana e ouvindo Beyoncé e Rihanna.

Elas são tão grudadas, que no Dia dos Namorados foram juntas em uma espécie de jantar das amigas. Não é lindo?

“Um ano e meio depois e minha melhor amiga é ninguém menos do que Malala Yousafzai, vencedora do prêmio Nobel!”

7. Angela Davis & Toni Morrison

Entre os nomes mais importantes do século 20, Toni Morrison e Angela Davis foram responsáveis por um pensamento feminista interseccional. A ideia era propor uma visão que fizesse um recorte para a realidade vivida pelas mulheres negras. Sempre com uma postura combativa, inclusive contra o FBI, estas duas mulheres negras se encontraram na militância há mais de 40 anos. Desde então cultivam uma das amizades mais notáveis do mundo.

A luta pelos direitos civis da população negra no mundo todo saiu ganhando. Veja, no caso de Davis, o pensamento de Morrison foi fundamental para o entendimento melhor sobre a escravidão, por exemplo.

“Com ela foi possível imaginar a escravidão muito diferente. A escravidão não destruiu a humanidade dos escravizados. Claro que a escravidão foi terrível, mas com Morrison conseguir perceber que estas pessoas conseguiram encarar o sistema escravocrata ao manterem sua humanidade”.

8. Betty Davis & Jimi Hendrix

A relação entre eles é do tamanho do impacto causado por ambos na música mundial. Dono de personalidades fortes e uma presença de palco poucas vezes vista na história, Betty Davis e Jimi Hendrix nutriram uma amizade tão complexa quanto o momento revolucionário surgido na década de 1960.

Durante o período Betty foi bastante influenciada pelo modo de fazer música de Hendrix – naquele tempo já se mostrando um virtuoso guitarrista. Percebendo a importância do momento, esta mulher de voz forte e fundamental para o desenvolvimento do feminismo, bebeu na fonte do rock produzido pelo guitarrista norte-americano para criar um novo estilo: o Jazz Fusion.

Em 1969 os jornais debatiam o perfil violento e explosivo de Miles Davis e os efeitos de tais características no casamento com Betty. O destempero respingou na amizade entre ela e Jimi. Miles não tinha dúvidas, os dois eram amantes. Nem a insistência de Betty e Hendrix de formar uma colaboração entre os três mudava a cabeça do músico.

Para tristeza de todos Jimi Hendrix morreu aos 27 anos vítima do abuso de drogas. Com isso o trabalho entre os três não pode se materializar e a amizade complexa entre Davis e Hendrix teve um final melancólico. Aliás, a tristeza pode ser percebida na expressão consternada de Betty Davis durante o enterro do amigo.

9. Tina Fey & Amy Poehler

Estas duas são uma espécie de Thelma e Louise do século 21. Elas foram líderes de uma das fases mais gloriosas do clássico humorístico Saturday Night Live.

Mas a amizade entre Tina e Amy nasceu tempos antes da fama. É uma relação de outros carnavais e que foi germinada há mais de 20 anos. Estes dois rostos engraçadíssimos se cruzaram em uma escola de teatro. Aqui pra nós, imagine só a peripécias cometidas por estas mulheres antes da fama.

Um dos momentos mais engraçados e afetuosos protagonizados por Tina e Amy foi durante o Globo de Ouro de 2014. Era a terceira vez em que as duas comandavam a cerimônia deste célebre prêmio do cinema mundial, mas as expectativas permaneciam altas. Não deu outra, elas arrasaram.

Na ocasião as atrizes usaram da acidez proporcionada pelo humor para comentar as acusações de estupro contra Bill Cosby. “Em ‘Caminhos da Floresta’ Cinderela foge do príncipe, Rapunzel é salva da torre por seu príncipe e a Bela Adormecida pensa que estava só tomando um café com Bill Cosby”, disseram arrancando risos da plateia.

Fotos: Reprodução/fonte:via

Em decisão histórica Nigéria oficializa a proibição da mutilação genital feminina

A mutilação genital feminina na Nigéria é um tema que está em voga há algum tempo. De um lado estão os defensores a manutenção de tradições. Do outro mulheres e pessoas que acreditam na importância de cessar práticas machistas.

Em meio ao cenário de debate, o presidente Goodluck Jonathan aprovou criminalização da mutilação genital feminina na Nigéria. Considerado o último ato de seu mandato, já que Jonathan foi derrotado no pleito eleitoral por Muhammadu Buhari, a lei federal representa uma mudança de postura do país da África Ocidental.

A medida, que também prevê punição aos homens que abandonarem suas mulheres e filhos, vai contribuir para a diminuição deste hábito mutilatório. De acordo com levantamento feito por entidades de defesa dos direitos humanos, a mutilação feminina atingiu 25% das mulheres nigerianas entre 15 e 49 anos. A ONU revelou em 2014 que o ato gera infertilidade, perda do prazer sexual, além de oferecer risco de morte causado por possíveis infecções.

Cercada por um debate que envolve tradição, mas também direito ao próprio corpo, a proibição da mutilação feminina traduz uma mudança oriunda do desenvolvimento social. Não se trata de um fim aos costumes tradicionais, mas de uma adequação aos tempos modernos.

“É crucial que continuemos com os esforços de mudanças de visões culturais que permitem a violência contra a mulher. Só assim esta prática agressiva terá um fim”, declarou ao The Guardian Stella Mukasa, diretora do núcleo de Gênero, Violência e Direitos do Centro de Pesquisas da Mulher.

Foto: Pixabay/fonte:via

Fotógrafo registra mais de 50 tribos e culturas ameaçadas de extinção pelo mundo

Foi em uma viagem ao Bornéu, em 2013, que o fotógrafo polonês Adam Koziol encontrou um propósito nobre e impactante para o seu trabalho. Conversando com um dos últimos remanescentes do povo Iban, Koziol percebeu que, com o progresso e as mudanças atravessadas pelo país, mais de 3 mil anos de cultura e tradição estavam em vias de simplesmente desaparecer. Assim, tornou-se o motivo de seu trabalho registrar tribos e culturas praticamente esquecidas e ameaçadas de extinção por todo o mundo.

Suas fotos visam registrar não só as pessoas como também as marcas e símbolos de tais culturas, como formas de reconhecimento e documentação de elementos formadores de tais povos. Tatuagens, marcas no corpo, ornamentos e vestimentas são um dos focos mais importantes da lente de Koziol, que busca, com suas fotos, chamar a atenção para o perigo de extinção desses povos e de sua história.

Tendo registrado mais de 50 tribos, seu próximo passo é realizar um livro, não só revelando suas comovente fotografias como também detalhando a história e a memória de cada povo, para que, ao menos um pouco, tais imensidões culturais não desapareçam jamais.

© fotos: Adam Koziol /fonte:via

‘Ibaré Lewá’: ensaio fotográfico retrata amizade bonita entre Orixá e natureza

O Orixá é uma divindade. Mas o Orixá também é energia presente nos elementos da natureza. Na água doce dos rios e cachoeiras; na salgada dos mares; em meio aos caminhos de florestas e matas, fato é que ‘kosi ewe kosi orisà’. ‘Sem folha não há orixá’.

Entre suas inúmeras filosofias o Candomblé tem como alicerce a preservação da natureza, exatamente com dissemos acima. Mesmo com esta postura amigável e de incentivo ao cuidado com o meio ambiente, a religião seguida por uma parcela considerável da população negra brasileira ainda é alvo de visões equivocadas, repletas de estereótipos e preconceitos.

Ora, quem aí não ouviu alguém se dirigir ao culto aos Orixás de forma pejorativa e até com menosprezo? Para especialistas isso se dá pela presença do racismo na sociedade brasileira. Em função de conceito criminalizatório de tudo que se refere ao negro.

Em artigo publicado no Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro o coordenador de imprensa do Sisejufe Roberto Ponciano chama a atenção justamente para este fator gerador inclusive da intolerância religiosa.

“O ataque aos cultos afro-brasileiros, na verdade, é apenas a ponta do iceberg do racismo velado que existe neste país. A lei do racismo é um avanço, mas, de fato, apenas jogou para debaixo do tapete a sujeira. O preconceito contra o negro não é só preconceito de pele, ele se perpetua porque é, acima de tudo, preconceito contra a cultura negra e contra o legado do negro no Brasil”, analisa.

Diante deste cenário ainda preocupante é fundamental o espaço para iniciativas e obras que tenham como proposta a exaltação dos componentes de formação da cultura negra no Brasil. Neste sentido não há exemplo mais apropriado do que o Ibaré Lewá, que unindo arte, fotografia e religiosidade oferece ao público as cores, os sons, os cheiros e as linguagens artísticas dos Orixás, grandes inspiradores para o projeto.

Em iorubá, língua falada especialmente em países da África Ocidental, entre eles a Nigéria, ibaré lewá quer dizer amizade bonita entre uma pessoa e seu ancestral. Ancestralidade tão bem retratada pela colaboração entre Erica Azeviche, expoente do cenário artístico brasileiro e formada em Artes do Corpo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e a fotógrafa francesa Claire Jean.

Para entender os resultados deste trabalho é preciso voltar no tempo para o ano de 2012, quando Erica, devidamente diplomada pela PUC, vivenciou os costumes Ketu e Efon com a Iyalorisá Maria Helena Ti Yoba na casa de Candomblé Àse Egbé Òmò Yoba Tunde, de Pirituba, na Zona Oeste de São Paulo. Na ocasião a artista e candomblecista aprofundou pesquisas de costumes africanos da antiga civilização iorubana que chegou ao Brasil por meio de pessoas trazidas na condição de escravos.

Tais atividades existem hoje no país em mosaicos culturais de encontros entre africanos, indígenas, portugueses etc. Trocando em miúdos, a cultura africana é a semente base para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Tendo isso em  mente, durante seus rituais iniciáticos Erica Azeviche teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre seus ancestrais africanos, neste caso, a rainha da sociedade Elekô Yoba.

Por meio de fotografias, a francesa Claire Jean — parceira no projeto — compartilha seu olhar em lentes que vislumbram o corpo nu em sua naturalidade, assim como pontua a existência humana como parte da natureza e não como um ser que a tem. Para compor este cenário nada mais coerente que apresentar o corpo humano entre árvores, sementes, terra, fogo, ar, etc. Um lugar de Orixá, um lugar em que são as forças da natureza que se mostram ao lado de outras maneiras de existir.

Realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria do Estado da Cultura, o projeto Ibaré Lewá já foi exposto em Santos, na Galeria de Artes Braz Cubas, em Cubatão, no Parque Anilinas e no Centro Cultural São Paulo.

O que se vê ao longo das fotografias são retratos de rara beleza. Como não se deixar levar pela singularidade de Obaluaê – Orixá responsável pela cura das chagas e doenças, desfilando seus mistérios no meio do matagal? Aliás, amor é tudo o que inunda os corações ao avistar a representação de Oxum – Orixá das águas doces, colhendo seus lírios na beira de uma cachoeira.  

Para facilitar o acesso às obras, a exposição também está disponível aqui: https://www.facebook.com/ibarelewa/

Fotos: Claire Jean/Guilherme Godoy/reprodução/fonte:via

Choque de Cultura da vida real: Caminhoneiro estraga relíquia arqueológica no Peru

As linhas de Nazca são localizadas ao sul do Peru, entre os Vales de Ingenho e Nazca e são consideradas um dos patrimônios da humanidade desde 1994. No final de janeiro, um caminhão saiu da estrada e danificou três das figuras. Segundo o Ministério da Cultura do país, a área afetada tem 100 metros de comprimento por 50 de largura.

Criadas por uma civilização que viveu no atual território do Peru entre 300 a.C. e 800 d.C., as misteriosas linhas de Nazca intrigam geólogos e historiadores de todo o mundo. Os 500 geóglifos desenhados no chão árido representam animais, plantas e formas geométricas numa área de 490 quilômetros quadrados. Algumas das imagens chegam até 270 metros de diâmetro.

De acordo com o Ministério da Cultura do Peru, que fez uma inspeção no local, a passagem do caminhão criou “faixas profundas” no local. Depois de danificar as linhas de Nazca, o motorista do caminhão voltou para a estrada e continuou seu caminho.

Uma pessoa, que também viajava pelo local, gravou tudo com o celular e o vídeo foi publicado nas redes sociais. O motorista foi localizado cerca de três horas depois, perto da cidade de Nazca. Inicialmente, ele seria condenado a uma prisão preventiva de nove meses e a pagar uma multa equivalente a R$ 4,9 mil. No entanto, decidiu-se que não havia provas suficientes de que ele havia entrado no sítio arqueológico propositalmente e foi liberado.

Ele ainda será julgado e pode ficar até seis anos preso.

 

Imagens: Reprodução/fonte:[via]

Diáspora: imigrantes (não modelos) celebram a influência da cultura africana na Europa

Desde 2015, a fotógrafa Dagmar van Weeghel se dedica a registrar retratos que contam histórias. Seus assuntos preferidos são temas relacionados à migração e identidade. Muitos de seus trabalhos prestam homenagem à população negra e à força cultural da África.

Diáspora, sua mais recente série, retrata homens e mulheres africanos que imigraram para a Europa. De acordo com um relato escrito por Dagmar para o site Bored Panda, a série foi inspirada por seu marido do Zimbábue, que se mudou para a Europa há nove anos. O restante da inspiração partiu de uma viagem à Andaluzia, no sul da Espanha, onde a presença moura deixou fortes raízes culturais.

A estética das imagens é inspirada nas aquarelas do pintor Josep Tapiró Baró e tem também influências do orientalismo, segundo a própria fotógrafa. Os retratos são criados de forma a exaltar a influência da cultura africana na Europa e desmistificar o olhar distorcido que costuma ser lançado sobre o continente.

Ao oferecer outra perspectiva, espero inspirar as pessoas a aprender mais sobre a nossa história compartilhada e, finalmente, espero mudar a forma como as pessoas vêem o mundo e aos outros“, escreveu ela.

Confira também outros trabalhos da fotógrafa!

 

Fotos © Dagmar van Weeghel  /fonte:via