Idoso entra na universidade e quer dar aulas em escola onde trabalha como vigia

Manoel Castro dos Reis passou quase cinco décadas fora das salas de aula. Hoje com 60 anos, o morador de Araguaína-TO precisou abandonar os estudos quando tinha 13, e há algum tempo trabalha como vigia em uma escola da cidade. Agora, ele espera voltar para a classe, dessa vez como professor.

Manoel parou de estudar em 1972, quando concluiu a quarta série e a família decidiu mudar de cidade e ele precisou começar a trabalhar. Em 2004, ele definiu que retomaria os estudos e realizou o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), obtendo o certificado do Ensino Fundamental. Três anos depois, fez o mesmo com o Ensino Médio.

No ano passado, Manoel decidiu prestar o Enem e conseguiu a nota necessária para se matricular em História na Universidade Federal do Tocantins. Hoje ele concilia os estudos com o expediente em uma Escola Municipal, e tem como grande objetivo poder dar aulas por lá daqui a quatro anos.

Uma bonita coincidência foi seu filho, Ítalo, de 17 anos, ter prestado Enem no mesmo ano que o pai e também ser aprovado para estudar na Universidade Federal do Tocantins, no curso de Química. Os dois vão para a faculdade juntos e compartilham o sonho de mudar de vida graças aos estudos.

Fotos: Reprodução/TV Anhanguera / Rede Globo /fonte:via

Terroristas ‘têm mais medo de crianças que estudam do que de exércitos’, diz sobrevivente de atentado

Combater o terrorismo é uma das mais complicadas tarefas com as quais os governos e sociedades atuais precisam lidar. Muito além da religião, o problema é grave e precisa ser tratado sem estereótipos. E, segundo um sobrevivente do terror, a educação é a melhor resposta.

O paquistanês Ahmad Nawaz tem apenas 17 anos, mas experiência de vida suficiente para falar e ser ouvido com atenção. Em dezembro de 2014, seis homens com armas e bombas invadiram sua escola, no nordeste do país, e fizeram 132 vítimas fatais, entre amigos e até o irmão de Ahmad.

Ele ficou gravemente ferido, mas sobreviveu. E hoje atua como ativista, dando palestras sobre o tema em escolas de diversos países. Ele estava estudando na escola militar quando o ataque aconteceu, e tinha como um dos objetivos matar terroristas. Hoje, acha que “nunca vamos conseguir derrotar o terrorismo com armas. Temos de tentar derrotar aquela ideologia”.

Ahmad durante palestra sobre terrorismo

Quando ainda estava no hospital, Ahmad viu uma notícia sobre 800 adolescentes e jovens britânicos que deixaram o país natal para se juntar ao Estado Islâmico. Foi aí que decidiu que deveria conversar com estudantes de vários países para compartilhar seus pensamentos.

Eles têm mais medo das crianças que estudam do que dos governos e exércitos. Sabem que o futuro de uma sociedade está nas escolas, por isso é que nos atacaram”, afirma Ahmad, numa declaração ao Público que sintetiza boa parte de seus pensamentos sobre o assunto.

Ele acredita que pessoas com baixos níveis de instrução são mais fáceis de serem influenciadas por extremistas, e que já ouviu de alunos ingleses e portugueses que suas palestras os fizeram repensar algumas posições.

O jovem recebeu diversos prêmios por seu ativismo em defesa da educação

O mundo enfrenta tantos problemas, o extremismo, a desigualdade de gênero, tantas pessoas privadas dos seus direitos humanos mais básicos. Perante todas as tragédias há duas opções. Uma é ficarmos calados. A segunda, a única na verdade, é tomar uma posição, falar”, diz o paquistanês, que tem dicas para quem não sabe bem como agir.

Defender alguém que está a ser alvo de racismo, lutar contra crimes de ódio ou injustiças. Primeiro procurem à vossa volta, comecem por vocês mesmos e pelos problemas na vossa comunidade, depois podem olhar de forma mais abrangente para a sociedade”.

São palavras ditas a adolescentes em idade escolar, mas que podem ser absorvidas por pessoas de qualquer idade dispostas a fazer sua parte por um mundo melhor.


/fonte:viaFotos: Divulgação Com informações do Público

Doutrinador? Paulo Freire tem estátua na Suécia ao lado de Neruda e Angela Davis

Quem não nasceu ontem por aqui sabe que o Brasil ama odiar seus mais importantes filhos da pátria. São diversos os exemplos de grandes brasileiros reconhecidos e celebrados em todo o mundo – menos por aqui. E nenhum outro nome é tão celebrado no mundo e, ao mesmo tempo, tão perseguido em seu próprio país como o educador Paulo Freire.

Além de ser reconhecido por lei como o Patrono da Educação Brasileira e de ser o terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no mundo, Paulo Freire é o brasileiro mais homenageado e laureado em todos os tempos, com mais de 35 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades em todo o planeta. Por acreditar que as populações mais pobres e oprimidas poderiam e deveriam recuperar sua humanidade através da educação, em seu próprio país ele vem cada vez mais sendo retratado como um mero doutrinador.

O educador brasileiro Paulo Freire

Um exemplo de tal reconhecimento internacional é a simbólica estátua de Paulo Freire em uma praça em Estocolmo, na Suécia. A estátua o localiza junto de outros seis nomes, reconhecidos como alguns dos mais importantes pensadores do século 20.

Estão ao lado de Freire na homenagem a feminista e sexóloga sueca Elise Ottesen-Jensen, a escritora sueca Sara Lidman, a intelectual e ativista pelos direitos negros norte-americana Angela Davis, o cientista e ecologista sueco Georg Borgström, o poeta chileno Pablo Neruda e o ditador chinês Mao Tsé-Tung.

 A presença de Mao na estatua é evidentemente controversa e deslocada, e já houve intensos debates pela retirada do ditador da homenagem. A justificativa é o fato de seu “Livro Vermelho” ser, na prática, um dos mais influentes e vendidos trabalhos de teoria política do século.

Ainda assim, e especialmente diante da forte tradição democrática e progressista de um país como a Suécia, o significado da estátua é saber da importância do trabalho de Paulo Freire, que com sua “Pedagogia do Oprimido”, transformou e fundamentou um processo de transformação social em diversos lugares do mundo, como um dos mais importantes educadores da história.

Triste é pensar que, talvez pelo Brasil jamais ter se importado com a educação como se importava Paulo, é que hoje por aqui seu trabalho é cada vez mais perseguido – enquanto seguimos lançando a educação do país ao desespero.  

© fotos: reprodução/fonte:via

Aos 87 anos, ela escreveu seu TCC à mão e agora está formada em nutrição

Aos 87 anos, Luíza Valencic Ficara se formou no curso de nutrição. Perto de celebrar nove décadas de vida, a imigrante italiana radicada em Jundiaí escreveu o TCC inteiro à mão.

Luíza se formou pelo Centro Universitário Padre Anchieta, na cidade do interior de São Paulo. Com a cabeça branquinha e um sorriso de satisfação estampado no rosto, a ítalo-brasileira recebeu o certificado enquanto era aplaudida de pelo público presente.

Segundo o G1, dona Luísa nasceu na Itália e chegou na América do Sul fugindo da Segunda Guerra Mundial. Ao longo da vida no lado sul do continente americano, ela morou em três países antes de se mudar para Jundiaí, onde vive há 40 anos.

A idosa encontrou na educação uma forma de se manter ativa

O ímpeto de se dedicar novamente aos estudos nasceu a partir de duas perdas. Depois de ficar viúva e da morte da irmã, ela resolveu manter a cabeça ativa e se matriculou na faculdade.

“Não adianta ficar em casa que começam as dores. Dores crônicas, dores de saudade. Ter a casa vazia traz tudo isso”, destacou.

Como se pode imaginar, a turma ficou sem acreditar quando a idosa entrou na sala de aula. Mas, logo as coisas se ajeitaram e ela garante ter feito muitas amizades ao longo dos seis anos de curso.

Passado o espanto, Luísa foi abraçada pelos colegas de classe durante o curso

“Ganhei muitos abraços do mestre de cerimônia e da turma toda. Foi lindo”, celebrou.

O TCC foi super elogiado pelos professores membros da banca avaliadora. Durante a pesquisa, ela discutiu o fluxo da cana-de-açúcar no Brasil. Escrever à mão foi a única forma possível para colocar as ideias em prática. Com 87 anos, dona Luísa não se dá muito bem com a tecnologia.

Fotos: Artfinaleventos/Divulgação/fonte:via

Estudantes de MT cancelam viagem para pagar tratamento de colega

Alunos da Escola Municipal de Agropecuária de Tanguro, em Querência, no interior do Mato Grosso, deram um show de solidariedade. A turma decidiu cancelar e doar o dinheiro de uma viagem para o tratamento do colega.

Robson Emidio faz parte de uma turma multisseriada, com estudante do sétimo ano fundamental e das três séries do ensino médio.

Depois de ser selecionado para o Programa Jovem Aprendiz do Grupo AMAGGI, ele foi surpreendido com um diagnóstico médico mostrando que seu número de plaquetas estava abaixo.

Preocupados com a situação de Robson, os colegas procuraram a coordenadora da escola, Cleisa Silene Rosa Sales, para comunicar sobre a decisão de doar o dinheiro da viagem para o tratamento médico do amigo.

Feliz e ao mesmo tempo surpreso com a atitude dos amigos, Robson não conseguiu segurar o choro ao receber a notícia. Agora, ele está em Goiânia com a mãe e uma professora dando sequência ao tratamento.

Por fim, uma boa notícia. Por causa da solidariedade, os alunos ganharam ônibus e alimentação para fazer o passeio até o Parque das Águas Quentes.

“O passeio que seria bem simples, com dinheiro regrado, vai ser melhor do que a gente imaginava. A gente não esperava que fosse acontecer isso. Jamais imaginamos, mas a gente agradece a todos que estão ajudando.”

Fotos: Reprodução/Facebook/fonte:via

Projeto dá novos e positivos usos para gaiolas apreendidas da caça ilegal

 

Você provavelmente concorda que a caça ilegal de animais deve ser combatida e que é importante libertar os animais enclausurados para prazer humano, certo? Mas já parou para pensar no que fazer com as gaiolas que (ainda bem) ficam vazias depois disso?

A questão foi levantada no Grupo de Escoteiros de Treviso, uma cidade de Santa Catarina. Foi assim que nasceu o projeto “Quem ama deixa voar”, em parceria com a Polícia Militar Ambiental do estado e com o Instituto do Meio Ambiente.

Em conjunto com o ateliê Maria Lamparina, os escoteiros pegam as gaiolas, que antes estavam abandonadas em depósitos, e as transformam em luminárias, porta-velas, floreiras, comedouros para animais, jardins suspensos ou o que mais a imaginação permitir.

As gaiolas reformadas serão expostas na praça da cidade e posteriormente distribuídas em estabelecimentos comerciais de Treviso, para que sua utilidade seja permanente.

Além do aspecto lúdico da transformação dos materiais, é uma ação de conscientização ambiental importante para as crianças e adolescentes do Grupo de Escoteiros, que, antes de colocar a mão na massa, recebem explicações sobre as origens das gaiolas apreendidas e a importância de preservar a vida silvestre.

Fotos via Maria Lamparina /fonte:via

Filho de faxineira, cearense que catava latinhas vai estudar em Harvard

Professor do Cariri trabalhou como catador e foi selecionado para lecionar numa das mais tradicionais universidades do mundo — Foto: Valéria Alves/TV Verdes Mares

Não faz muito tempo que o cearense Ciswal Santos, de Juazeiro do Norte, catava latinhas nas ruas para vender e usar o dinheiro para comprar apostilas e completar os estudos da faculdade. Ele se tornou professor de ciência da computação e agora vai para Harvard participar de um projeto para gerar energia solar a baixo custo.

Valdenora, a mãe de Ciswal, trabalhava como faxineira, e ele começou a trabalhar ainda na adolescência para ajudar a pagar as contas. Ele entrou na faculdade de Física logo aos 16 anos, mas o emprego em um mercado, que na época pagava R$20 por semana, não era o suficiente para pagar materiais como livros e apostilas.

Professor cearense é selecionado para dar aulas na universidade Harvard, nos Estados Unidos — Foto: Valéria Alves/TV Verdes Mares

O cearense contou ao G1 que passou a andar pelos bares de Juazeiro do Norte para catar as latinhas que ficavam jogadas pelo chão e vender para cooperativas de reciclagem. Ele chegou perto de desistir, mas recebeu apoio do dono de um dos bares em que ele recolhia as latas.

Me senti um nada e chorei. Contei a ele o motivo, ele colocou a mão no meu ombro e disse que eu não precisava me envergonhar e que não era mais para ir lá tão tarde, e sim usar o tempo para estudar mais, porque ele guardaria as latinhas para eu pegar pela manhã“, relata.

Harvard

Ciswal um equipamento capaz de reduzir o consumo de energia elétrica de casas de 4 pessoas em até 70%. Hoje, o aparelho é orçado em R$2,2 mil, mas ele pretende otimizar o projeto para que ele fique ainda mais barato: “Já tive contato com pessoas que desenvolvem tecnologia asiática – que está bem a nossa frente – e podemos fazer uso dessa tecnologia para reduzir o custo do equipamento para R$ 1,2 mil, mas o objetivo final é baratear para um salário mínimo”, disse ao G1.

O projeto fez com que Ciswal fosse selecionado para receber gratuitamente aulas de professor da Universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo. Serão 18 meses de aulas on-line, que podem se estender por mais 18. Os novos conhecimentos devem ajudar o cearense a aprimorar sua criação.

Ao fim do período letivo com os professores de Harvard, Ciswal poderá correr atrás de recursos públicos ou privados para tirar o projeto do papel – o regulamento da Universidade não permite que isso seja feito em paralelo às aulas.

Ciswal escolheu o ensino à distância para continuar próximo de suas duas filhas. Ele acompanhará as aulas por videoconferência, das 23h às 2h no horário local, e vai viajar para Cambridge, nos EUA, a cada seis meses para fazer provas e outras avaliações.

(Foto: Alana Soares/Agência Miséria /fonte:via)