Mulheres paquistanesas vão poder votar pela primeira vez na história

As eleições no Paquistão podem estar cercadas de dúvidas sobre sua legitimidade, entretanto o fato das mulheres estarem votando pela primeira vez é motivo de alegria.

O compartilhamento de uma fotografia feita pelo jornalista Iftikhar Firdous de paquistanesas se dirigindo aos centros de votação viralizou nas redes sociais e deixou muita gente comovida e esperançosa por uma mudança em relação ao lugar ocupado pelas mulheres na sociedade.

O voto feminino no Paquistão é uma conquista recente. De outubro do ano passado para ser preciso. O órgão de direitos humanos da ONU publicou um relatório atestando que as paquistanesas estão proibidas de exercer o direito ao voto por causa de tradições históricas do país.

Mas o cenário está se alterando e pelo menos 10% dos votos registrados neste pleito serão de mulheres. Tem mais, se as expectativas não forem atingidas, os resultados das regiões onde o exercício é permitido serão anulados.

Todavia é preciso estar atenta e forte, já que a BBC divulgou que alguns homens estão impedindo as mulheres de votar. A justificativa é de que o voto feminino vai contra os conceitos do Islã.

Ah, mas é bom eles irem se habituando, já que pelo menos 200 mulheres estão se candidatando aos cargos eletivos.

Foto: Reprodução/Twitter/fonte:via

A espécie de cão selvagem que tem sistema democrático de votos para decidir quando caçar

O escritor inglês George Orwell em seu livro A Revolução dos Bichos foi um dos que melhor apontaram como o comportamento animal poderia servir de alegoria para se avaliar as relações políticas humanas. Em tempos de ataque à democracia, em que a escolha popular parece valer nada ou menos, um estudo a respeito dos mabecos, espécie de cachorro selvagem africano, descobriu que tais alegorias podem, nesse caso, ir além da metáfora, e servir literalmente como lição – pois os mabecos votam para escolher seu líder e a hora em que devem caçar.

 

Segundo os cientistas de um uma frente de preservação dos predadores de Botswana, junto a cientistas de importantes universidades do mundo, esses cães selvagens reúnem-se em “assembleias”, e “elegem” uma liderança e os próximos passos do coletivo.

Através de um peculiar sistema de votos, decidem se querem partir, se devem ficar onde estão, e quem será o líder, que terá direito a comer primeiro – mantendo assim a possibilidade de equilíbrio dentro do grupo, evitando a hegemonia absoluta dos animais dominantes sobre o resto dos mabecos.

A pesquisa nasceu do intrigante comportamento dos animais durante e depois de tais reuniões. O primeiro mistério se deu diante do fato de que, ainda que o hábito de reunir-se em grupos de forma energética e vibrante seja um ritual presente nos 68 casos e coletivos estudados, somente um terço desses coletivos saia de fato para caçar e migrar depois das reuniões – o resto permanecia onde estava. Foi aí que, analisando o comportamento dos animais em tais encontros, descobriu-se que o que acontecia ali era de fato uma votação.

 

O processo eleitoral começa quando um mabeco convoca, através de gestos específicos e ritualizados, que o grupo migre. O voto é aberto, e acontece através de uma espécie de espirro, uma exalação nasal que emite um som.

Foram esses sons a única variável mensurável que indicava o resultado – se o grupo saia ou não, durante a pesquisa, e se o propositor se tornava depois o líder.

Como boa metáfora, a descoberta a respeito da democracia entre os cães selvagens africanos também aponta os problemas e falhas que todo sistema de eleição possui. Segundo a pesquisa, quanto mais alto dentro da hierarquia do grupo for o animal que se “candidata” a liderar o grupo em uma nova caçada, maiores as chances de sua proposta ser aceita.

Se o sistema de votação dos mabecos é justo e verdadeiramente representativo, isso é um debate mais amplo e futuro, mas eles parecem respeitar sempre a vontade popular.

 

 

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