No Irã, mulheres tiram o lenço e desafiam autoridades

Desde 1979, quando a Revolução Islâmica mudou os rumos do Irã, as mulheres do país são obrigadas a usar o hijab, um conjunto de vestimentas que esconde o corpo e o rosto, sempre que saem em público. Mas o combate à imposição está crescendo.

Desde dezembro, ao menos vinte moradoras da capital Teerã foram detidas por protestar contra a lei, de acordo com fontes locais. Elas seguiram o exemplo de Vida Movahed, que, no fim do ano passado, subiu em uma caixa de fiação elétrica no centro da cidade, tirou o hijab e o pendurou num galho.

Segundo testemunhas, ela ficou lá por cerca de 40 minutos até ser levada pela polícia. De acordo com a advogada Nasrin Sotoudeh, Movahed passou semanas presa por causa do protesto, o que incentivou a onda de apoio.

De acordo com o código penal iraniano, aparecer em público sem o hijab pode resultar em pagamento de multa de 500,000 rials (cerca de R$ 42) ou até dois meses de detenção. Apesar disso, o número de mulheres que desafia a regra tem crescido.

A ativista Masih Alinejad, criadora da campanha My Stealthy Freedom (algo como “Minha Liberdade Escondida”), tem usado suas páginas no Facebook e no Twitter para divulgar imagens dos protestos.

Ao The Guardian, Alinejad declarou que as manifestações não são contra o hijab, mas a favor da liberdade: “A obrigação de usar o hijab é o símbolo mais visível da opressão contra as mulheres no Irã. (…) Essas mulheres não estão protestando contra uma peça de roupa, mas sim por nossa identidade, nossa dignidade e nosso direito de escolha. Nosso corpo, nossa escolha”, declarou.

Fotos via My Stealthy Freedom /fonte:via

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Como este restaurante comandado por mulheres está ressignificando as relações de trabalho

Inaugurado em Los Angeles em 2017, o restaurante Kismet tem chamado atenção de público e crítica. Não apenas por seus pratos inspirados na culinária do Oriente Médio, mas também por causa da filosofia de trabalho das sócias Sarah Hymanson e Sara Kramer.


Sarah Hymanson (esq.) e Sara Kramer (dir.)

As duas estão ligadas nas mudanças importantes que têm acontecido nas relações de trabalho nos Estados Unidos. Embora o ramo da gastronomia não tenha a mesma visibilidade de Hollywood, uma espécie de revolução também está acontecendo.

Chefs conhecidos, como Mario Batali e Johnny Iuzzini, foram acusados de conduta imprópria ao comandar suas cozinhas, incluindo machismo frequente e assédio moral e sexual. Apesar de recusar estereótipos sobre um “jeito feminino” de comandar o restaurante, Sarah e Sara concordam que elas fogem ao convencional quando se trata do ramo da gastronomia.

“Obviamente somos mulheres, então tentamos criar um ambiente que encoraje outras mulheres e possibilite a chegada delas em posições de liderança, sem deixar os homens de lado”, diz Sara Kramer ao Refinery29.

Sarah Hymanson aponta que “nem todo mundo se identifica com os gêneros masculino e feminino, então estamos tentando tirar isso da equação quando possível, tratando a todos com o mesmo respeito e dignidade”.

A equipe do Kismet foi formada tendo a diversidade como pedra fundamental, e as chefs não gostam de gritar ou fazer críticas ofensivas na cozinha. “Trabalhamos bastante a linguagem que usamos. Tentamos ser construtivas, e não críticas”, pondera Hymanson.

Kramer ressalta que, em meio às denúncias, o público precisa prestar atenção em quem faz as coisas do jeito certo. “A única maneira de criar mudança é com as próprias mãos. É algo que todos queremos ver, uma mudança cultural. O machismo e a intimidação faziam parte do dia a dia das cozinhas, mas isso está mudando. Eu sinto que é nosso momento”, concluiu.

 

Fotos por Jessica Antola

Com informações do Refinery29  /fonte:via