Mãe diz que filho não arruma ‘dates’ por conta do feminismo e acusações de assédio; internet não perdoa

Apesar das boas intenções, a ingenuidade de uma mãe, temperada com pitadas de conservadorismo e uma boa porção de desconhecimento a respeito do que é o movimento #MeToo nos EUA e a afirmação feminina em denúncia contra os abusos sexuais fez de um post que visava “divulgar” as qualidades de seu filho solteiro uma isca perfeita para a fábrica de memes que é a internet. A mãe claramente também não sabia como a internet funcionava, e seu post original se transformou na matéria prima para uma hilária onda de memes.

No post, a mãe compartilhou uma foto do filho em um uniforme da marinha, com a seguinte legenda: “Esse é meu filho. Ele se formou em primeiro, ganhou um prêmio na United Service Organization, foi o primeiro na escola. Ele é um cavalheiro e respeita as mulheres. Ele não sai para encontros pelo atual clima de falsas acusações sexuais por feministas radicais com um machado prontas para destruir”. EU VOTO #HimToo” e, no lugar da hashtag #MeToo, que no movimento significa “eu também”, como alguém que também sofreu abusos, ela criou uma nova: #HimToo, ou Ele também. Ao invés de responder com agressividade, a internet percebeu a ingenuidade da mãe, e respondeu com humor, replicando o mesmo texto escrito pela mãe, com imagens diversas e bem humoradas.

Ao fim, o próprio Pieter Hanson, o marinheiro em questão, respondeu da melhor maneira possível – e a história se completou bem sucedida, com o deboche peculiar ao mundo virtual resolvendo o hilário dilema original. “Essa é minha mãe. Às vezes pessoas que amamos fazem coisas que nos machucam sem perceber. Vamos contornar isso. Eu respeito e acredito nas mulheres, e nunca apoiaria um movimento #EleTambém. Eu sou um orgulhoso veterano da marinha, e Twitter, seu jogo de memes foi perfeito”, respondeu – para alegria da internet, que concluiu com precisão e carinho: “Agora você é NOSSO filho”, disse um post.

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Emma Watson pede acesso global ao aborto em carta aberta

Emma Watson na estreia de 'A bela e a fera', em Los Angeles — Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Emma Watson defendeu mais uma vez o acesso global ao aborto. Em comunicado, a atriz homenageou uma mulher indiana cuja a morte ajudou a legalizar o método na Irlanda.

A estrela de Harry Potter pediu que ações sejam tomadas para colocar um ponto final ações que seguem restringindo o acesso ao aborto. A britânica se pronunciou por meio de carta aberta, dizendo que a dentista de 31 anos possibilitou “uma histórica vitória feminista que incentiva a luta pela justiça reprodutiva em todo o mundo”.

Savita Halappanavar faleceu em 2012, depois de sofrer um aborto séptico, pois um hospital irlandês se recusou em terminar sua gravidez. O fato gerou grande revolta e intensificou a campanha pela legalização do aborto no em um país extremamente católico.  

“Ainda há trabalho a ser feito. O aborto gratuito, seguro, legal e local é necessário em todo o mundo”, disse Emma em carta publicada no site de moda Porter.

Atualmente, o aborto é proibido em 125 países, afetando 42% das mulheres do mundo. Uma pesquisa publicada em 2018 pelo Instituto Guttmacher mostra que a maioria das restrições estão localizadas em países em desenvolvimento.

No caso, o STF abriu espaço para o debate sobre a legalização acatando uma ação proposta pelo PSOL e da Anis – Instituto de Bioética – que pede a descriminalização do procedimento até o terceiro mês de gravidez em todos os casos.

O Brasil autoriza o aborto em apenas três casos, quando a mulher sofre um estupro, quando o feto é anencéfalo ou se a gestão representa risco para a vida da mulher. Entretanto, a Pesquisa Nacional do Aborto (PNA) mostra que em 2015, cerca 500 mil mulheres realizaram um aborto clandestino. O Ministério da Saúde fala de 9,5 milhões a 12 milhões de abortos inseguros por meio de remédios, chás abortivos ou procedimentos em clínicas clandestinas entre 2008 e 2007.  /fonte:via

Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência obstétrica no Brasil

Não há dúvidas, ser mulher no Brasil é uma missão arriscada. Morar em dos países mais machistas do mundo é conviver diariamente com todos os tipos de agressões. Entre elas está uma prática comum, mas silenciosa e que atinge cada vez mais mulheres.

Um levantamento feito pela pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado, comandado pela Fundação Perseu Abramo e o Sesc, aponta que uma em cada quatro mulheres já foi vítima de violência obstétrica.

Parte dos costumes de uma sociedade acostumada com métodos opressivos, ela atinge a paciente por meios e formas diversas e caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos da mulher pelos profissionais da saúde. Desumanização, abuso de medicamentos, ofensas e até mesmo abusos sexuais, são tipificados como violência obstétrica.

Para jogar luz sobre o assunto, as advogadas Maria Luiza Gorga e Ana Paula Cury produziram um estudo acompanhado de um ensaio fotográfico registrando as formas de agressões obstétricas. Violência obstétrica: o que é e os direitos da parturiente mostra frases proferidas com frequência em consultórios médicos Brasil adentro.

“Cala a boca. Fica quieta senão eu vou te furar todinha”.

“Se você continuar com essa frescura, eu não vou te atender”.   

“Na hora de fazer, você gostou né?!”

Os exemplos acima fazem parte do estudo e são manifestações explícitas de casos de violência obstétrica. Entretanto, nem sempre é assim. Em muitas ocasiões, o método acontece de forma velada e travestido de supostos protocolos institucionais. O viés racial também se faz presente na história.

Entre mulheres negras, é comum ouvir relatos de médicos que recusam a aplicação de anestesias ou que realizam o exame de toque de forma dolorosa. Segundo elas, estes profissionais se valem de uma máxima racista de que a mulher negra “é mais forte”.

Cerca de 60% das mulheres vítimas de morte materna são negras. É necessário dizer que a morte materna, em 90% das situações, pode ser evitada com o atendimento correto. Em 2015, o caso de Rafaela Cristina Souza dos Santos, de 15 anos, chamou a atenção do país todo.

Mulher e negra, a adolescente acabou morrendo depois de dar à luz em uma maternidade do Rio de Janeiro. O atendimento (ou a falta dele) foi negligente, fazendo Rafaela esperar cinco horas pelos médicos. Ela foi forçada a escolher pelo parto normal e o método só foi descartado quando os médicos perceberam que Rafaela apresentava um quadro de eclampsia. Tarde demais para a cesariana.

“O espaço do cuidado e da assistência à saúde, assim como os seus profissionais, deveria garantir minimamente que as mulheres tivessem os seus riscos de adoecer e morrer reduzidos, no entanto, por conta de uma estrutura de sociedade opressora, desigual e preconceituosa, coloca a vida das mulheres em risco a cada momento que elas entram nos serviços de saúde”, afirma Emanuelle Goes – enfermeira e coordenadora do Programa de Saúde das Mulheres Negras – Odara Instituto da Mulher Negra.

Para denunciar, reúna o máximo de provas que puder, faça um Boletim de Ocorrência ou uma denúncia por escrito ao Conselho Regional de Medicina de sua cidade.

Fotos: Reprodução /fonte via

A primeira juíza mulher da NBA e sua história de resistência

Eu sabia que todo mundo estava esperando que eu errasse”. É com essas palavras que Violet Palmer descreve a sensação que sentiu ao fazer sua estreia como juíza de um jogo da NBA, se tornando a primeira mulher a alcançar o feito na principal Liga de Basquete dos EUA e do mundo.

Segundo Violet, quando criança, ela amava ser uma garota, mas não conseguia gostar do que era imposto a ela como ‘coisas de menina’. Mas, quando conseguia praticar esportes, sentia que estava fazendo o que realmente a agradava.

Ela se formou na escola em um período em que o esporte feminino ganhava cada vez mais terreno nos EUA, e conseguiu uma bolsa de estudos para jogar basquete na universidade.

Para ganhar um dinheiro extra durante as férias, Violet começou a fazer parte da mesa de arbitragem durante jogos de basquete masculinos, marcando o placar e as faltas. Algumas vezes os árbitros não compareciam, e foi assim que ela decidiu colocar o uniforme e assumir as responsabilidades de juíza.

O passo seguinte foi atuar como árbitra em jogos femininos na Liga Universitária de Basquete dos EUA. A NBA a convidou para os testes de recrutamento de novos juízes no final de 1995, e ela passou mais de um ano se preparando até a estreia, em 1997.

Foram 18 temporadas, tendo atuado em 919 jogos, até a aposentadoria em 2016. E é claro que o caminho foi repleto de desafios. Violet conta que sentia que muitos juízes se sentiam desconfortáveis com sua presença, achando que teriam de agir diferente ao trabalhar com ela ou que uma mulher não daria conta do recado.

Em 2007, depois de uma década provando jogo após jogo que estava à altura da responsabilidade de ser juíza, Violet esteve no meio de uma grande controvérsia. O ex-jogador e então comentarista de basquete Cedric Maxwell chegou ao absurdo de dizer no ar que ela deveria “voltar para a cozinha” e “trazer ovos com bacon”.

O absurdo repercutiu e fez com que Cedric se retratasse dias depois. “Eu acho que aquilo realmente me deu mais motivação para sair, aprender mais, trabalhar bem, ser profissional e mostrar a todo mundo que eles teriam de se calar, porque eles veriam que eu posso fazer aquilo, assim como qualquer juiz homem nas quadras”, diz Violet.

Lesões nos joelhos foram responsáveis pelo fim da carreira dela nas quadras, mas, após ‘pendurar o apito’, Violet passou a atuar como coordenadora de arbitragem na liga profissional de basquete feminino dos EUA, além de dirigir um curso que forma outras mulheres que querem atuar como juízas.

Além disso, as boas atuações de Violet abriram as portas para outras mulheres que desejavam ser árbitras na NBA. A segunda foi a já aposentada Dee Kantner, e a terceira Lauren Holtkamp, que ainda está na ativa. Quem sabe em breve uma das alunas do curso de Violet não seja a próxima a ocupar esse espaço importante.

Fotos: Reprodução/fonte via

Californiana é a 1ª skatista mulher a completar ‘manobra insana’ em pista de Tony Hawk

O lendário Tony Hawk, responsável por colocar o skate em outro patamar, possui uma das pistas mais desafiadoras para os praticantes deste esporte radical. Localizada em Vista, na Califórnia, o percurso foi alvo de um feito histórico.

A jovem Lizzie Armanto, de 25 anos, conquistou o posto de primeira skatista do sexo feminino a completar a famosa ‘manobra insana’ do percurso projetado por Hawk. O movimento é dos mais desafiadores e consiste em um giro completo de 360 graus em uma pista construída em formato cilíndrico.

O nome insano não nasceu de graça, pois durante a manobra, a norte-americana chegou a ficar de cabeça para baixo, fazendo muitas pessoas lembrarem do globo da morte. Apesar de ter caído no meio da primeira tentativa, Lizzie não se deu por vencida e botou pra quebrar na segunda volta.

A execução perfeita impressiona, principalmente no momento em que ela fica em pé, de cabeça para baixo, totalmente suspensa. O feito histórico foi celebrado com entusiasmo pela skatista de 25 anos.

Lizzie Armanto nasceu em Santa Mônica, Califórnia. Os passos iniciais no skate foram dados em 2007, quando conquistou o primeiro lugar na Copa do Mundo de Skate. Ao longo de 10 anos, ela ganhou mais de 30 prêmios, entre eles o ouro na primeira edição feminina do X Games, em Barcelona.

Foto: Commons Media/fonte:via

Esta ministra foi de bicicleta até o hospital para dar à luz

A Nova Zelândia é realmente um lugar de mulheres inspiradoras. Primeiro, o país da Oceania elegeu a chefe de governo mais jovem do mundo. Como se não fosse suficiente, Jacinda Ardern se tornou a primeira ocidental a dar à luz enquanto está no poder.

A estrelinha da inspiração desta vez vai para Julie Anne Ganter, que na 42ª semana de gravidez, pedalou até hospital para o nascimento de seu filho. A Ministra para as Mulheres foi atendida por uma parteira no centro médico de Auckland – maior cidade do país – e publicou um texto sobre a experiência na página do Instagram.

“Estamos muito felizes em anunciar a chegada do nosso filho. Depois do longo trabalho de parto, passamos por um procedimento tranquilo e prático. Queremos agradecer aos funcionários do hospital e a todos que nos apoiaram”, encerrou.  

Com carreira centrada no ambientalismo e no uso da bicicleta como meio de transporte, Julie decidiu pedalar por volta de 1 quilômetro de sua casa até o hospital municipal para destacar suas propostas de políticas públicas. A história repercutiu positivamente entre os veículos de comunicação e nas redes sociais.

A primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern, que acaba de retornar ao trabalho depois de seis semanas, aproveitou para elogiar a atitude da colega. A Ministra para as Mulheres vai tirar três meses de licença.

“Muito feliz em saber da chegada de um novo integrante ao grupo de brincadeiras do Parlamento. Espero que aproveite os primeiros dias muito especiais”, publicou no Twitter.

Foto: Reprodução/fonte:via

Pesquisador de tartarugas tem prêmio cassado por foto com mulheres de biquíni

A entrega do prêmio Herpetólogo de Destaque precisou ser cancelada depois do surgimento de fotos de mulheres de biquíni relacionadas com Richard Vogt. De acordo com matéria do jornal Folha de São Paulo, o cientista especializado há mais de 20 anos no estudo de tartarugas, teve a honraria em reconhecimento ao seu trabalho retirada depois de queixas de membros do comitê julgador.

Durante a palestra no evento, chancelado pela Liga Americana de Herpetologia, Henry Mushinsky – professor emérito da University of South Florida, pediu a colocação de tarjas para impedir a exibição de partes dos corpos das mulheres em trajes de banho. Para o educador, a exibição das imagens poderia causar constrangimentos.

A apresentação seguiu com as tarjas, mas sem autorização de Vogt, que criticou a atitude. Willem Roosenburg, pesquisador da Universidade de Ohio e atual presidente da Liga, assegura que a colocação das tarjas foi feita sem consenso entre membros do comitê.

As fotografias são de pesquisadoras e estudantes, que enquanto interagem com as tartarugas, são fotografas em roupas consideradas impróprias. Segundo algumas pesquisadoras, que preferiam não se identificar, o professor Vogt fazia piadas recorrentes de cunho sexual em suas apresentações.

O fato gerou uma série de críticas nas redes sociais. Em função da grande repercussão negativa, membros do comitê científico se reuniram e resolveram retirar o prêmio. Apesar de algumas fotografias mostrarem homens, entre eles o próprio pesquisador, a mudança foi feita, de acordo com Roosenburg, por causa das constatações de constrangimento.

“O professor é conhecido por possuir comportamento inapropriado em relação às mulheres. Infelizmente, o professor tem uma reputação de longa data de usar fotos inapropriadas em suas apresentações e a decisão de censurá-las foi tomada por essas atitudes serem consideradas ofensivas e não profissionais”, relatou.

Em e-mail enviado ao New York Times, Richard Vogt se defendeu dizendo não “haver nenhuma conotação sexual ou indecência nas fotos. É muito triste que isso tenha acontecido comigo, membro do comitê há mais de 50 anos”.

A objetificação do corpo feminino, assim como casos de assédio contra mulheres no campo da ciência não são novidade e já fizeram parte da pauta do movimento #MeToo. A revista norte-americana Quartz dá conta que mais da metade de mulheres estudantes de medicina em 2018 disseram ter sofrido algum tipo de abuso durante a graduação.

Em 2014, um estudo apontou que ao menos 64% dos cientistas acusados de comportamento sexual inapropriado cometeram os atos ilícitos enquanto trabalhavam. Os assédios ocorreram durante coleta de dados e em pesquisa de campo.

Por outro lado, a censura também pode ser um sério indício de hiper sexualização do corpo da mulher por parte do comitê que decidiu pelo veto. Sem uma apuração mais aprofundada do caso fica difícil emitir algum juízo de valor. O corpo nu de uma mulher, assim como de biquíni, não deveria ser objeto de censura nem, tampouco, de comentários sexuais ou abusos. Resta saber, no caso relatado, se a objetificação partiu de um lado, de outro, ou de ambos.

Fotos: Reprodução /fonte:via