Arqueólogos revelam provas de que mulher foi papa

Arqueólogos conseguiram provas substanciais de que uma mulher ocupou o cargo mais importante da Igreja Católica. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Flinders, na Austrália.

Para os pesquisadores, a história acerca existência de uma papisa – alimentada desde a Idade Média, é sim real. Entre as provas sustentando os argumentos está a confecção de moedas em homenagem à papisa.

De um lado das moedas analisadas está o nome do imperador Luis II. Do outro, um monograma que representa o nome IoHANIs, o que, de acordo com os pesquisadores, pode ser lido como Iohannes. O monograma foi assinado pelo papa vigente.

“Nessa época [850 d.C.], não existe, oficialmente, nenhum papa com o nome de Iohannes. Mas há muitos registros de Iohannes Anglicus, a papisa”, afirma Michael E. Habicht, autor de Papisa Joana: O Pontificado Encoberto de uma Mulher ou uma Lenda?, em entrevista à AH.

De acordo com o Habicht, a história oficial apresentada pela Igreja sempre foi suspeita. O autor ressalta que a ligação das moedas ao nome de João VIII, que reinou de 872 até 882, é bastante frágil. “Esse papa tem um monograma diferente. E uma análise grafológica apoia a conclusão de que são diferentes assinaturas, de duas pessoas diferentes”, encerra.

Durante a Idade Média, muito se comentou sobre esta história, que acabou caindo em descrença com o passar dos séculos. Apenas no ano de 1099, o dominicano Jean de Mailly, que não deu nome à ela, falou sobre a vida de Joana.

Pesquisadores dizem que Joana se disfarçou de homem para ascender na hierarquia católica, até conseguir ser eleita papa. Ela teria reinado entre 885 e 857, como João (Iohannes, em latim).  O disfarce foi descoberto durante uma procissão, quando o suposto papa João se sentiu mal e deu à luz no meio da rua. O fato causou grande indignação e Joana foi aprisionada e teve o nome removido de todos os documentos da Igreja Católica.

Joana nasceu na Idade Média, em janeiro de 814. Membra de uma família de camponeses, ela era filha de um missionário da Igreja Católica. Historiadores dizem que a jovem tinha o hábito de questionar os cânones de seu tempo. Joana morreu logo após o nascimento da criança, aos 42 anos.

A trajetória da papisa chamou a atenção do cinema. Na década de 1970, a atriz Liv Ullman protagonizou um filme sobre o assunto. Em 2009, a papisa voltou às telonas com produção dirigida pelo cineasta alemão Sonke Wortmann. O longo se baseou no livro Papisa Joana, da inglesa Donna Woolfolk Cross.

Até os dias de hoje a Igreja Católica não permite mulheres em cargos de liderança.

Fotos: Reprodução/fonte:via

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A bailarina Baderna e a história de resistência por trás dessa palavra

Por trás de toda e qualquer palavra, das mais simples às mais exóticas, existe uma história. A etmologia ou a origem de um termo, gíria ou expressão pode ir muito além de meras premissas linguísticas, e revelar traços culturais, sociais e até mesmo econômicos sobre um país, uma época ou uma pessoa. Poucas palavras, no entanto, possuem efetiva e objetivamente uma história tão concreta, e ligada a uma fascinante personagem real e especifica quanto a palavra “baderna”.

Segundo o dicionário, “baderna” é um substantivo feminino, de origem brasileira, com função pejorativa, que quer dizer “situação em que reina a desordem; confusão, bagunça”. Sabemos, no entanto, que a baderna é justificativa utilizada para todo tipo de repressão por autoridades, dos professores aos policiais, contra os alunos mais alegres, as festas populares, as reuniões mais efusivas e a acaloradas, a alegria desenfreada, as manifestações políticas ou tudo que sai da retidão contida da ordem. Assim como muitas badernas propriamente, essa é uma palavra exclusivamente brasileira – que só existe no português.

Houve um período, porém, mais especificamente na segunda metade do século XIX no Rio de Janeiro, em que Baderna era simplesmente o nome de uma bailarina. Por trás desse signo de desordem existiu uma mulher forte, talentosa e fascinante – e um séquito de seguidores que a admirava e defendia ruidosamente. Ainda que não tenha destaque nos anais da história da dança nem muitas vezes seja sequer lembrada, foi pelo seu estilo e talento, aliado a um coquetel de preconceito, misoginia e também resistência, mobilização e comoção que seu nome se imortalizou há tempos nos dicionários nacionais. Sua história, no entanto, vai muito além do mero verbete.

Marietta Baderna nasceu na cidade de Castel San Giovanni, província de Piacenza, no norte da Itália, em 1828. Filha de Antônio Baderna, médico e músico nas horas vagas, rapidamente seu destino artístico se traçou, com dedicação especial ao balé, estreando aos 12 anos nos palcos suas sapatilhas. Rapidamente Baderna passaria a fazer parte da companhia de dança do teatro Scala, de Milão e, aos 21 já se destacava como “prima ballerina assoluta” (ou primeira bailarina absoluta) com sucesso por toda a Itália, participando de diversas turnês em outros países europeus.

A rebeldia, pelo que se relata, corria no sangue de Marietta, e seu pai, em pleno contexto de ocupação austríaca na Itália, se afirmava publicamente como um entusiasmado defensor do movimento democrático que corria a conturbada Europa dos meados do Século XIX. À época da resistência, no entanto, os rebeldes revolucionários mantinham como forma de protesto a decisão de que não houvesse vida artística no país enquanto durasse a ocupação – e, militante que era, Marietta seguiu tal orientação. A perseguição política direta sofrida pelos apoiadores do movimento democrático era intensa, e assim Antônio e sua filha entenderam que era hora de cruzar o Atlântico. A família Baderna desembarcou em exílio no Brasil em 1849.

O país que se tornou casa da militante Marietta era ainda um conservador império escravocrata (o que, no fundo, ainda segue sendo), governado por Dom Pedro II. Com seu talento, rapidamente Baderna estreou como bailarina em palcos brasileiros (mais precisamente em 29 de setembro de 1849, com o balé “Il Ballo delle Fate”), um acontecimento de tal forma celebrado que, à época, seu sucesso por aqui foi capaz de ofuscar até mesmo a luz das grandes divas do canto. Marietta em pouco tempo se tornou, no Brasil, uma estrela.

Baderna não era, porém, revolucionária somente em suas orientações políticas, mas também em seus costumes: gostava de festejar, de beber, de sexo e, por mais que dançasse nos salões tradicionais, a jovem gostava mesmo era de rua. Foi nas ruas que conheceu a resistência dos escravos, e principalmente que se apaixonou pelas danças que coreografavam tal resistência nos corpos das mulheres negras. A sensualidade e a força dos ritmos e danças africanas rapidamente foram assimilados por Baderna, que passou a não só frequentar as reuniões populares como principalmente a incorporar à delicadeza do balé os passos do lundu, da cachuca e da umbigada – e assim, aos poucos foi mudando sua forma de dançar e se tornando uma bailarina do povo.

À beleza fria da técnica do balé ela acrescentou um certo furor pélvico, a sugestão da sensualidade, da força e da alegria das danças que conhecera nas ruas. A reação foi intensa e imediata: no lugar do impoluto, comedido e tedioso público da alta sociedade que antes lhe assistia, ao importar para o balé as danças de rua Marietta trouxe aos teatros a classe operária, os trabalhadores, os mais pobres, que celebravam sua presença, sua sensualidade e seu gestual em cena feito torcedores de futebol. A bailarina passou a ser conhecida como Maria Baderna, e seus seguidores eram os “baderneiros”. Quando entrava em cena, o público aplaudia efusivamente, batia com os pés no chão e gritava seu nome: Baderna.

Rapidamente o sucesso de Baderna, e principalmente a reconhecível presença da cultura negra em sua dança, fez com que a crítica conservadora, os empresários e a pudica sociedade imperial atacassem a bailarina com furor equivalente ao que sua dança provocava no povo – que passava a se reconhecer numa fina e “elevada” forma de expressão artística. Baderna começou a ser posta em papeis menos importantes, ao fundo do palco, ou mesmo a ser banida de espetáculos, e cada vez que percebiam o boicote, os baderneiros tratavam de se expressar ruidosamente. Se, em sua chegada aos palcos brasileiros, os jornais da época utilizavam seu nome como sinônimo de elegância, com seu sucesso popular a palavra baderna passou a ser utilizada para significar bagunça, desordem e depravação.

Aos poucos as cortinas dos palcos foram se fechando, os pagamentos cessaram, os contratos começaram a desaparecer, e o impedimento a seu nome se solidificou – a outrora estrela italiana da dança se transformara em musa do povo, dos ritmos negros, da cultura popular, e assim se definiu seu ocaso. Segundo a biografia Maria Baderna, a bailarina de dois mundos, do italiano Silverio Corvisieri, ela “vivia livremente demais para o Brasil de Pedro II”. A perseguição que sofrera na Itália de certa forma se reproduzia no Brasil; Baderna foi ao Recife, mas lá também foi boicotada – e, enquanto os poderosos de plantão tentavam expulsá-la do país, os trabalhadores, estudantes, jovens e escravos a viam como a expressão de um Brasil melhor, mais popular, mais livre: pelas mãos e pela dança de uma imigrante, enxergavam nela um Brasil mais efetivamente brasileiro.

O fim de sua vida permanece um tanto nebuloso. Dizem que teria voltado à Itália depois da morte de seu pai por febre amarela, ou que Antônio não teria morrido, e voltado à Europa com ela, e Baderna teria passado a dar aulas de dança até sua morte, em 1870. A rebelde que desafiou o conservadorismo por amor à dança, por alegria e por sincero interesse nas manifestações populares não viveu para ver a abolição da escravatura no Brasil nem a premissa da mistura entre a dita alta cultura e a cultura popular se tornar base para as mais profundas revoluções artísticas e éticas na cultura nacional.

A mística ao redor de sua vida, no entanto, nos faz hoje pensar no potencial revolucionário que a arte, enquanto um provável espelho dos anseios, desejos, fúrias e expressões de uma população, pode possuir. Ao levar o povo para dentro dos nobres teatros e salões – estética ou literalmente – e se tornar alvo dos esforços conservadores, Baderna expôs o quanto as elites e os poderosos em verdade lutam contra a educação, a expressão e a libertação, mesmo que simbólica, das camadas populares. A dança de Baderna era também uma luta, contra a igualmente precisa coreografia que até hoje desqualifica e diminui o que vem de tais camadas.

O sequestro de seu nome, no entanto, pode ser visto ao fim de tudo como um involuntário tributo às avessas. Os baderneiros podem ser vistos hoje em muitos casos também e ainda como sinônimos de resistência contra tal sinistra dança conservadora e elitista – se valendo do que a imprensa insiste em chamar de baderna para atacar a hipocrisia vigente que esconde o massacre contra tudo que a bailarina, com seu corpo, afirmava enquanto força: a cultura negra, a sexualidade, o feminino, o popular. Maria Baderna se diluiu como artista na força transformadora da dança enquanto gesto, enquanto corpo em movimento, para se transformar em uma palavra mal apropriada e mal criada, mas que, revista em sua origem, se revela com um sentido paralelo profundo em potencial, de resistência e liberdade.

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Alunos do Nordeste vencem 59 das 75 medalhas de Olimpíada de História da Unicamp

Nas finais da Olimpíada de História da Unicamp, quem fez a diferença foram os alunos oriundos do Nordeste. Com especial destaque para os estados do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte, 59 das 75 medalhas entregues ficaram com alunos da região. Na Olimpíada participam alunos do 8o e 9o anos do ensino fundamental e de todos os anos do ensino médio.

311 equipes participaram da final, em um total de 1,2 mil integrantes. O resultado final premiou o estado do Ceará com 25 medalhas (11 de bronze, 9 de prata e 5 de ouro), Pernambuco com 15 medalhas (6 de bronze, 5 de prata e 4 de ouro), Rio Grande do Norte com 13 medalhas (7 de bronze, 5 de prata e 1 de ouro), Bahia com 4 medalhas (3 de bronze e 1 de prata) e Paraíba com 2 medalhas (1 de bronze e 1 de prata). Entre os quatro estados mais premiados, o único de fora do Nordeste foi São Paulo, com 10 medalhas, em quarto lugar no número de medalhas.

Seis etapas foram atravessadas até as finais desde a fase inicial, que contava com 57,5 mil alunos inscritos. A final foi realizada através de uma prova dissertativa no último sábado, dia 18.

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História comprova que cerveja foi criada e desenvolvida por mulheres

História é poder. Por isso, quase sempre ela é contada do ponto de vista de quem justamente possui o poder – um seleto grupo formado quase que absolutamente por homens. Não é por acaso, assim, que simplesmente desconhecemos que grandes invenções que giraram a roda da história foram feitas por mulheres. Do primeiro programa de computador à tecnologia Wi-Fi, passando pela geladeira até o bote salva-vidas, foram criações feitas por mulheres que superaram as limitações impostas pelas culturas e até leis vigentes e se imortalizaram com invenções verdadeiramente revolucionárias – e muitas permanecem pouquíssimo reconhecidas.

Mas e se um dos maiores símbolos do que entendemos como “masculinidade”, esse conceito fundado e afundado em tantos clichês, tiver sido criado, desenvolvido e aprimorado por mulheres? Na rasa e boçal definição do que seria o universo dito masculino, certamente a cerveja ocupa um lugar simbólico de destaque no repertório daquilo que expressaria o que é “ser um homem”. Corroborando justamente a fragilidade dessa masculinidade suposta, a historiadora e sommelier de cerveja inglesa Jane Peyton – autora de três livros sobre a bebida e um sobre pubs ingleses – revela que até menos de dois séculos atrás, cerveja era, em todos os sentidos, coisa de mulher.

A conclusão veio após anos de extensa pesquisa para o desenvolvimento de um novo livro. Segundo Peyton, de modo geral e nas regiões mais diversas do mundo a cerveja era vista desde sua criação como um alimento – uma parte do cardápio que, logo, era também parte das ditas “tarefas domésticas” reservadas às mulheres. Mais do que uma criação feminina, a feitura da cerveja foi por séculos tarefa exclusiva das mulheres. O que inicialmente era visto como um afazer da casa, rapidamente se tornou uma especialidade muito apreciada – e em pouco tempo a cerveja passou a ser uma bebida feita por mulheres também pelo fato delas conhecerem os segredos das diversas receitas e basicamente fabricarem uma bebida melhor.

A pesquisa de Peyton remete há cerca de 10 mil anos, e confirma que se temos por todo o mundo tantas refinadas variações de sabores da bebida, isso se deve ao trabalho feminino. Na Mesopotâmia e na Suméria há pelo menos 7 mil anos eram justamente esses conhecimentos especiais e exclusivos que faziam da cerveja uma invenção exclusivamente das mulheres, que também tinham o monopólio da administração das tabernas – sim, os bares da época eram lugar “de mulher”.

Não é por acaso que, de modo geral, nas sociedades antigas a cerveja era considerada um presente de uma deusa – e nunca de um deus masculino.

Duas representações (acima, estátua milenar; abaixo, vitral moderno) de Ninkasi, deusa suméria da Cerveja

A cerveja dos vikings era feita por mulheres em torno do século 8 antes de Cristo, e da mesma forma em todas as sociedades do norte da Europa. Na Inglaterra as mulheres faziam a bebida em casa, e a vendiam como um meio de incrementar o orçamento familiar – eram conhecidas como “Alewifes”, ou esposas-Ale.

E foi a Inglaterra um dos mais importantes lugares para a popularização total da bebida,  através do hábito de tomar cerveja em todas as refeições – inclusive no café – praticado pela rainha Elizabeth I, uma amante inveterada da bebida. “Uma refeição perfeita é feita com pão, queijo e cerveja”, costumava dizer a soberana.

Apesar do apreço da Rainha pela bebida, e da identificação total da cerveja com as mulheres que prevalecia de forma inconteste no imaginário cultural de grande parte do mundo no século XV, estima-se que foi nessa época que o desenvolvimento e a fabricação da bebida começou a ser retirado das mãos e do universo feminino e aos poucos a ser ressignificado como um elemento masculino.

No contexto da crise da Idade Média e do início do capitalismo, os movimentos considerados “hereges” pelo estado e pela igreja eram ferozmente perseguidos – e isso incluía toda e qualquer tipo de irmandade ou organização feminina. Foi assim que teve início o que ficou conhecido como período de Caça às Bruxas, e foi também sob esse pretexto que a feitura da cerveja foi aos poucos sendo retirada de mãos femininas – e, segundo Peyton, boa parte do imaginário mais comum que define a figura de uma bruxa nasce do contexto da fabricação de cervejas. Sim, muitas bruxas eram, na verdade, mulheres cervejeiras.

A pesquisa de Peyton explica: para fabricar a bebida, era necessário um grande caldeirão. Quando a bebida começava a fermentar, o líquido no caldeirão passava a borbulhar e se mover diante de nossos olhos – feito fosse uma poção mágica (o que não deixa de ser, se pensarmos no efeito que uma grande quantidade de cerveja pode provocar). Para mexer o caldeirão, um pedaço grande de madeira com um ramo na ponta era utilizado – muito similar a uma vassoura. Por fim, por trabalharem com cereais como o malte, tratava-se de um contexto propício para o surgimento de ratos – e nada melhor para espantar ratos do que um gato. Caldeirão, poção mágica, vassoura e gato: todos os elementos de uma bruxa estavam lá.

Muitas das mulheres acusadas de bruxarias e mortas em milhares nas fogueiras da perseguição eram, na verdade, as melhores fabricantes de cerveja da Idade Média. A vassoura era pendurada na porta das casas, para indicar que ali se vendia cerveja.

A perseguição às mulheres não tinha, no entanto, um verdadeiro propósito religioso, e sim o objetivo de conter as potenciais revoltas populares e garantir o controle do poder das elites ameaçado pelos levantes da época. Além disso, como o apreço pela bebida já era disseminado e popular, ao invés de condenar também a cerveja como fruto de bruxaria, condenavam-se somente suas fabricantes – as mulheres – enquanto os homens iam aos poucos aprendendo a desenvolver a bebida, passando a lucrar o dinheiro que antes era exclusivo de mulheres. Tal processo de apropriação se deu desde o século XV até meados do século XVIII.

Quando começou a se dar a Revolução Industrial, as novas tecnologias e métodos de fabricação diminuíram de modo geral a necessidade da participação feminina na feitura da cerveja. A fabricação em larga escala passou a ser possível, em uma época em que o trabalho fora de casa era quase que exclusivamente masculino. Como se não bastasse, mulheres não podiam ser donas de propriedades nem pedir empréstimo em bancos – o que as impedia de, por exemplo, abrir sua própria fábrica de cerveja. No final do século XVIII, não só a feitura havia se tornado um trabalho totalmente masculino, como os bares e o próprio imaginário ao redor da cerveja.

Mas o fato fundamental apresentado pela pesquisa de Peyton é que o DNA da cerveja é feminino. Diante do predominante filtro de preconceito e sexismo que pauta o olhar sobre os contextos sociais e comportamentais da humanidade, a afirmação da pesquisa de Peyton – uma das mais respeitas historiadoras de cerveja do mundo – ganha especial importância, revelando o quanto tais preconceitos são baseados na mais pura, direta e literal ignorância – utilizada de forma funcional, em nome da manutenção de poderes e riquezas dos poderosos de sempre.

Dá próxima vez, portanto, que se supor que uma mulher prefere beber vinho somente por ser mulher, ou que se partir do princípio que mulheres não devem beber cerveja por se tratar de uma bebida “masculina”, vale lembrar de toda a trajetória essencialmente feminina que levou a a bebida a se tornar preferencial em todo o mundo. Se hoje tomamos cerveja como forma de lazer e prazer, é graças ao trabalho das mulheres – das bruxas que nada fizeram além de nos apresentar uma verdadeira invenção divina; o presente de uma deusa.

© fotos/artes: reprodução/fonte:via

Templo indiano de 2 mil anos tem imagem de bicicleta

Acredita-se que as bicicletas foram inventadas há cerca de 200 anos.

Embora existam diversas versões sobre o surgimento do veículo, é pouco provável que ele tenha se desenvolvido antes do século 19. Será mesmo?

Uma imagem de uma bicicleta encontrada em um templo indiano construído há 2.000 anos causou furor na internet ao ser mostrada em um vídeo publicado no Youtube pelo canal Phenomenal Travel Videos.

A descoberta foi feita no Templo de Panchavarnaswamy, construído durante o período Chola, na Índia. Nas imagens, capturadas pelo indiano Praveen Mohan, é possível ver nitidamente uma pessoa andando de bicicleta esculpida em uma das colunas do templo.

Apesar de toda a atenção recebida pelo fato, a explicação para o achado parece ser simples. Segundo o Extra, a construção foi reformada nos anos 1920, quando as bicicletas eram bastante populares no país. A hipótese é corroborada quando vemos que a área ao redor da escultura parece ter uma cor diferente do restante da parede em que ela se encontra.

Entretanto, não há nenhuma confirmação sobre quando ou como a imagem de uma bicicleta foi parar no local. Provavelmente, trata-se apenas de uma licença poética de um dos responsáveis pela reforma…

Fotos: Reprodução Youtube; exceto quando especificado /fonte:via

Centralia: a surreal história da cidade que está em chamas desde 1962

Colocar fogo no lixo que se amontoava no aterro sanitário era uma prática comum em Centralia, uma pequena cidade da Pensilvânia, nos EUA. Até que em 1962, a prefeitura local inaugurou um novo aterro, localizado sobre uma mina de carvão desativada.

No fim de maio daquele ano, os moradores começaram a se queixar do mau cheiro que se espalhava pela cidade de cerca de 1500 habitantes. A administração municipal convocou alguns bombeiros para colocar fogo nos dejetos e apaga-lo em sequência. Foi uma ideia tão ruim que fez de Centralia uma cidade fantasma.

Os bombeiros até conseguiram apagar o fogo, mas ele insistiu em voltar a arder nos dias seguintes. O que não se sabia é que, no subsolo, as chamas se espalhavam por uma rede de túneis da mina abandonada.

Durante os esforços para controlar o fogo, especialistas foram convocados e perceberam que algumas fendas ao redor do aterro sanitário estavam exalando monóxido de carbono em quantidades típicas de incêndios em minas de carvão.

O incidente aconteceu há mais de 50 anos, mas o fogo continua ardendo, e acredita-se que não deve apagar pelos próximos 200. Os moradores de Centralia passaram quase duas décadas vivendo normalmente, ainda que não pudessem visitar a zona onde ficava o aterro.

Mas, a partir do início da década de 80, a situação começou a ficar ainda mais complicada. Um garoto de 12 anos quase morreu ao ser tragado para um buraco de 1,2 m de largura e mais de 40 m de profundidade que se abriu de repente no quintal da casa onde ele vivia.

O risco de morte para os moradores começou a preocupar a população, e o Congresso norte-americano reservou mais de 42 milhões de dólares para pagar indenizações e fazer com que os cidadãos de Centralia deixassem a cidade. A maioria deles aceitou, mas alguns se recusaram a deixar suas casas.

Hoje, há sete pessoas vivendo em Centralia. O governo tentou obriga-los a sair, mas, diante das recusas, chegou a um acordo em 2013: eles poderão viver lá até os últimos de seus dias, mas, depois que falecerem, suas residências passarão a pertencer ao Estado, que segue buscando a evacuação total.

A cidade se tornou uma atração turística, e há até quem diga que ela inspirou a criação da série de jogos Silent Hill. Entre os locais preferidos dos visitantes estão grandes fendas nas ruas que seguem emanando gás, e também um trecho de rodovia que foi interditado por causa dos buracos e desníveis que surgiram com o tempo.

Hoje, ela é conhecida como Graffitti Highway, ou Rodovia do Grafite, porque, desde meados dos anos 2000, muitos turistas aproveitam o espaço livre para deixar suas marcas, entre desenhos de órgãos sexuais, imagens artísticas e mensagens reflexivas.

Fotos via Wikimedia Commons/fonte:via

Cientistas descobrem qual a última refeição de homem que viveu há 5 mil anos ao vasculhar múmia

Mais de 5300 anos atrás, a vida de um homem chegou ao fim enquanto ele se deslocava pelos Alpes entre as atuais Itália e Áustria. Encontrado em 1991, seu corpo foi preservado graças à neve, e hoje a ciência é capaz de apontar até qual foi sua última refeição.

Batizado de Ötzi, em referência ao Vale de Ötztal, local onde foi descoberto, o homem é uma das múmias mais antigas que a ciência conhece, e vem sendo estudado há quase 30 anos.

Entre as conclusões dos cientistas está a causa da morte de Ötzi, que foi atingido por uma flecha perto do ombro, lesionando uma artéria e o fazendo sangrar até perder totalmente os sentidos. A ponta da flecha continua cravada no local, e biólogos acreditam que ele estava caçando, provavelmente junto de um ou dois companheiros, antes de ser atingido em confronto com um grupo rival.

Um estudo recente analisou seu estômago e concluiu que a última refeição do homem foi composta por carne de íbex, uma cabra típica dos Alpes, e de veado, além de trigo e um pouco de folhas de um tipo de samambaia – que os cientistas acreditam ter sido ingerida como remédio, como parte da refeição ou mesmo por acidente, depois de serem usadas para embalar as carnes.

Os testes de laboratório indicam que a carne foi consumida fresca ou levemente desidratada. De acordo com os cientistas, a dieta de Ötzi era especialmente rica em gorduras, sendo que 46% do material encontrado em seu estômago era composto de gordura animal.

Por viver em uma região em que as temperaturas baixas eram comuns, faz sentido que sua dieta fosse rica em gordura, ótima fonte de energia. E esse conhecimento não era o único de Ötzi, que teria morrido com idade entre 30 e 45 anos.

Ele morreu vestindo três camadas de roupas, incluindo casaco e sapatos feito de couro – os sapatos tinham a parte superior em couro de veado e a sola de pele de urso, à prova d’água e em formato largo, que facilitava o caminhar pela neve. Tufos de grama envolviam os pés dentro do calçado, servindo de isolante térmico.

Ao ser encontrado, Ötzi continuava carregando os mesmos artefatos que há 5300 anos, tão bem preservados quanto seu corpo: um machado de madeira com lâmina de cobre, uma faca feita de rocha e madeira, uma aljava com algumas flechas e um arco maior que seu próprio corpo – ele media 1,65m.

Outro detalhe interessante são as 57 marcas no corpo de Ötzi, parecidas com tatuagens, e em pontos que coincidem com os da acupuntura, alguns exatamente no mesmo lugar, outros próximos deles, o que pode indicar um conhecimento científico primitivo impressionante.

Atualmente, uma reconstrução do corpo de Ötzi, feita por artistas holandeses, está exposta no Museu de Arqueologia de Bolzano, na Itália, junto dos artefatos que foram encontrados com ele. Paralelo a isso, cientistas continuarão estudando seus restos mortais em busca de novas descobertas.

Fotos via Museu de Arqueologia de Bolzano /fonte:via