Cientistas descobrem gravuras rupestres que podem dar pistas de civilização perdida

Desenhos feitos em paredes de cavernas no oeste da Índia, que há anos são reverenciados como mensagens divinas pelos habitantes locais, podem ser a pista inicial para a descoberta de uma antiga civilização jamais estudada antes.

A região de Konkan, no estado de Maharashtra, conta com dezenas de vilarejos cheios de petróglifos (desenhos rupestres em pedras). Alguns deles estavam em cavernas que foram transformadas em templos pela população local, mas a grande maioria estava escondida sob terra e lama.

Os desenhos foram encontrados em 52 vilarejos, mas só em cinco deles os moradores sabiam da existência das gravuras. Pesquisadores indianos ficaram sabendo dos petróglifos graças a fotografias tiradas por estudantes locais, curiosos para entender do que se tratavam as imagens.

De acordo com os arqueólogos envolvidos no projeto, os petróglifos devem ter sido feitos por volta de 10 mil a.C. Eles são parecidos com outras pinturas rupestres já achadas em outras partes do mundo e retratam majoritariamente pessoas e animais.

Os pesquisadores acreditam que a antiga civilização local baseava-se na caça e na coleta de alimentos, já que há desenhos relacionados a esses temas, mas não à agricultura. Nenhuma imagem relacionada a cultivo agrícola foi localizada.

Entre os desenhos foram encontrados representações de pássaros, tubarões, baleias e tartarugas. Uma questão que intriga os cientistas é que também há pinturas de animais parecidos com hipopótamos e rinocerontes, que, desde que a ciência pode registrar, vivem na África, e não na Ásia.

Um dos objetivos dos pesquisadores agora é entender se os autores dos desenhos viveram na África antes de migrar para a região que conhecemos como Índia, ou se é possível que animais pré-históricos parecidos com os hipopótamos e rinocerontes atuais tenham vivido na Ásia.

Fotos: reprodução/fonte:via

Com 73 mil anos, desenho encontrado na África do Sul, pode ser o mais antigo da história

A descoberta feita por arqueólogos do que pode ser o desenho mais antigo da história reafirma a constatação de que a África é o berço da humanidade. De acordo com a revista Nature, um grupo de pesquisadores encontraram em um sítio arqueológico da África do Sul rabiscos feitos há pelo menos 73 mil anos.

A peça possui padrões vermelhos com traços cruzados e estava depositada na Caverna de Blombos, cerca de 300 km distante da Cidade do Cabo. Os autores acreditam que o desenho demonstra a capacidade dos primeiros Homo Sapiens da região de fazerem desenhos em superfícies diversas. Para isso eram utilizadas diferentes técnicas.

A Caverna de Blombos chama a atenção de arqueólogos há décadas. Em 1991, o local foi alvo das primeiras escavações e desde então revelou inúmeras evidências do pioneirismo cultural da humanidade, como artefatos primitivos com 70 e 100 mil anos de história. São contas de conha, peças gravadas em tons de ocre e até ferramentas fabricadas a partir de uma forma cimentada de areia fina e cascalho.

O feito foi realizado por Christopher Henshilwood, pesquisador membro da Universidade de Bergen, na Noruega. Até então, os desenhos rupestres mais antigos vinham do sítios de Chauvet, na França, El Castillo, Espanha, Apollo 11, na Namíbia e Maros, que fica Indonésia. Todos eram 30 mil anos mais jovens do que a pedra encontrada na África do Sul.

O Brasil também possuía um dos registros mais antigos da humanidade. O Museu Nacional, completamente destruído por um incêndio no Rio de Janeiro, abrigava o crânio de Luzia – a humana mais antiga a ter vivido no Brasil.

Com características similares aos habitantes do continente africano, ela morou no país sul-americano entre 11 e 12 mil anos. A ossada foi encontrada na década de 1970, em uma gruta no sítio arqueológico de Lapa Vermelha, na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.

Foto: Reprodução /fonte via

Nossos antepassados se relacionaram com neandertais – e há um pouco deles em cada um de nós

Encontrar os primeiros passos dados na trilha que a humanidade traçou até os dias de hoje é um dos desafios mais intrigantes da ciência. Grandes pesquisadores têm se dedicado a essa questão há séculos, e, embora ainda estejamos longe de decifrar o enigma, algumas certezas vão se confirmando. E uma delas é que os Homo Sapiens e os Neandertais fizeram sexo muito tempo atrás.

A imagem básica que se tem da evolução é aquela linha em que primatas foram se tornando bípedes até se tornarem o que conhecemos como humanos, mas a ciência sabe que se trata de um caminho muito mais complexo, com diferentes espécies se desenvolvendo e extinguindo, até que sobramos nós, os Homo sapiens.

Entre teorias descartadas e outras que continuam sendo consideradas, a mais aceita indica que o Homo Sapiens e os homens de Neandertal surgiram a partir de um ancestral comum na África, e depois seguiram caminhos distintos (Diferentemente do que algumas pessoas pensam, o Homo Sapiens não é uma evolução dos Neandertais).

Paleontologistas tentam desvendar o motivo que fez com que os neandertais tenham se extinguido, enquanto os Homo Sapiens seguem vivos até hoje – com uma população que deve ultrapassar os 10 bilhões de habitantes nas próximas décadas.

Se há algum tempo o darwinismo sugeria a hipótese de que os neandertais fossem menos desenvolvidos cognitivamente, a ideia tem caído por terra graças a achados arqueológicos que mostram que a espécie também era capaz de criar ferramentas, usar ornamentos e até de desenvolver práticas funerárias.

Como dito, a ideia mais aceita dentro da comunidade científica é a de que os Homo Sapiens e os Neandertais surgiram de um ancestral comum na África há cerca de 500 mil anos. Os neandertais teriam migrado para a Europa e continuado a evoluir por lá, depois se expandindo rumo à Ásia, enquanto os Homo Sapiens permaneceram na África por um bom tempo.

Um dos grandes desafios para quem tenta decifrar a humanidade é o fato de que nossos feitos só começaram a ser registrados há cerca de seis mil anos, o que deixa os arqueólogos e paleontólogos com um intervalo enorme a ser investigado.

E a análise do DNA de fósseis tem representado um grande salto para a ciência. E é graças à genética que podemos saber que, ao longo dos milhares de anos em que neandertais e Homo Sapiens coexistiram, eles se encontraram, se relacionaram, fizeram sexo e reproduziram.

Estima-se que os encontros eram raros, mas deixaram um traço genético que permanece presente até hoje. Todos os humanos modernos, excetuando aqueles de ancestralidade 100% africana, têm de 1% a 2% de traços genéticos de neandertais.

É difícil precisar quando essas relações aconteceram, mas os cientistas estimavam que os encontros rolaram há 50 mil anos, graças à análise do DNA de um fóssil de neandertal encontrado numa caverna na Croácia. Ele compartilhava mutações genéticas com os europeus e asiáticos de hoje.

Uma unha de neandertal encontrada na Sibéria, cuja análise genética encontrou material relacionado ao dos Homo Sapiens, mudou o paradigma científico: estima-se que o indivíduo tenha vivido há 100 mil anos, o que pode indicar que houve uma migração de Homo Sapiens muito antes do que é imaginado.

Ainda há muito mais dúvidas do que certezas, mas o avanço da ciência e da análise genética indicam que, nos próximos anos, devemos encontrar muitas outras peças do quebra-cabeças da humanidade. Inclusive que expliquem melhor o neandertal que há em cada um de nós.

Imagens: Museu de História Natural/fonte:via

Cientistas recriam rosto de rainha indígena que antecedeu os Incas

Alargadores de ouro nas orelhas, cabelo preto bem liso, um pouco grisalho, e feições fortes. É mais ou menos assim que cientistas imaginam que era a aparência de uma importante nobre do povo Wari, que viveu no Peru séculos antes do Império Inca. As informação são da National Geographic.

Trata-se daquela que ficou conhecida como Rainha de Huarmey, em referência ao local onde seu fóssil foi encontrado em 2012. Os arqueólogos acreditam que ela pertencia à elite dos Wari, pois seu esqueleto estava acompanhado por joias, frascos e ferramentas para tecelagem feitas de ouro.

A Rainha foi encontrada numa tumba onde se encontram mais 57 mulheres nobres, sendo quatro rainhas ou princesas. A Rainha de Huarmey tinha uma câmara só para ela, com os ornamentos de ouro para as orelhas, um machado de cobre e um cálice de prata.

O exame de seu esqueleto aponta que ela passou a maior parte da vida sentada, mas que, do tronco para cima, era bem ativa: acredita-se que ela era especialista na tecelagem, o que lhe conferia um status todo especial entre os Wari.

Isso porque roupas eram consideradas mais valiosas que ouro ou prata por antigas culturas andinas por causa do imenso trabalho que tecê-las requeria. Acredita-se que algumas delas levavam até três gerações para serem terminadas.

A reconstrução foi feita pelo arqueólogo Oscar Nilsson, especialista em obras do tipo, que decidiu trabalhar de forma bastante manual, em oposição às restaurações digitais que costumam ser feitas.

Ele usou uma impressora 3D para criar uma réplica do crânio da Rainha. Depois, usou dados que ajudam a estimar a espessura dos músculos faciais para recriar o rosto, com fotografias de indígenas que ainda vivem na região como base.

O trabalho de reconstrução levou 220 horas no total, de acordo com Nilsson, que, para recriar o penteado, usou cabelo verdadeiro de mulheres andinas vendido em um mercado de material para perucas – o cabelo original da Rainha foi encontrado ainda preservado.

“Trabalho com isso há 20 anos e já vi muitos projetos fascinantes”, conta o arqueólogo, “mas esse é mesmo algo diferente. Eu simplesmente não poderia dizer não”, completa, em entrevista à National Geographic.

 

Fotos: Oscar Nilsson

Com informações da National Geographic