A primeira juíza mulher da NBA e sua história de resistência

Eu sabia que todo mundo estava esperando que eu errasse”. É com essas palavras que Violet Palmer descreve a sensação que sentiu ao fazer sua estreia como juíza de um jogo da NBA, se tornando a primeira mulher a alcançar o feito na principal Liga de Basquete dos EUA e do mundo.

Segundo Violet, quando criança, ela amava ser uma garota, mas não conseguia gostar do que era imposto a ela como ‘coisas de menina’. Mas, quando conseguia praticar esportes, sentia que estava fazendo o que realmente a agradava.

Ela se formou na escola em um período em que o esporte feminino ganhava cada vez mais terreno nos EUA, e conseguiu uma bolsa de estudos para jogar basquete na universidade.

Para ganhar um dinheiro extra durante as férias, Violet começou a fazer parte da mesa de arbitragem durante jogos de basquete masculinos, marcando o placar e as faltas. Algumas vezes os árbitros não compareciam, e foi assim que ela decidiu colocar o uniforme e assumir as responsabilidades de juíza.

O passo seguinte foi atuar como árbitra em jogos femininos na Liga Universitária de Basquete dos EUA. A NBA a convidou para os testes de recrutamento de novos juízes no final de 1995, e ela passou mais de um ano se preparando até a estreia, em 1997.

Foram 18 temporadas, tendo atuado em 919 jogos, até a aposentadoria em 2016. E é claro que o caminho foi repleto de desafios. Violet conta que sentia que muitos juízes se sentiam desconfortáveis com sua presença, achando que teriam de agir diferente ao trabalhar com ela ou que uma mulher não daria conta do recado.

Em 2007, depois de uma década provando jogo após jogo que estava à altura da responsabilidade de ser juíza, Violet esteve no meio de uma grande controvérsia. O ex-jogador e então comentarista de basquete Cedric Maxwell chegou ao absurdo de dizer no ar que ela deveria “voltar para a cozinha” e “trazer ovos com bacon”.

O absurdo repercutiu e fez com que Cedric se retratasse dias depois. “Eu acho que aquilo realmente me deu mais motivação para sair, aprender mais, trabalhar bem, ser profissional e mostrar a todo mundo que eles teriam de se calar, porque eles veriam que eu posso fazer aquilo, assim como qualquer juiz homem nas quadras”, diz Violet.

Lesões nos joelhos foram responsáveis pelo fim da carreira dela nas quadras, mas, após ‘pendurar o apito’, Violet passou a atuar como coordenadora de arbitragem na liga profissional de basquete feminino dos EUA, além de dirigir um curso que forma outras mulheres que querem atuar como juízas.

Além disso, as boas atuações de Violet abriram as portas para outras mulheres que desejavam ser árbitras na NBA. A segunda foi a já aposentada Dee Kantner, e a terceira Lauren Holtkamp, que ainda está na ativa. Quem sabe em breve uma das alunas do curso de Violet não seja a próxima a ocupar esse espaço importante.

Fotos: Reprodução/fonte via

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No Irã, mulheres tiram o lenço e desafiam autoridades

Desde 1979, quando a Revolução Islâmica mudou os rumos do Irã, as mulheres do país são obrigadas a usar o hijab, um conjunto de vestimentas que esconde o corpo e o rosto, sempre que saem em público. Mas o combate à imposição está crescendo.

Desde dezembro, ao menos vinte moradoras da capital Teerã foram detidas por protestar contra a lei, de acordo com fontes locais. Elas seguiram o exemplo de Vida Movahed, que, no fim do ano passado, subiu em uma caixa de fiação elétrica no centro da cidade, tirou o hijab e o pendurou num galho.

Segundo testemunhas, ela ficou lá por cerca de 40 minutos até ser levada pela polícia. De acordo com a advogada Nasrin Sotoudeh, Movahed passou semanas presa por causa do protesto, o que incentivou a onda de apoio.

De acordo com o código penal iraniano, aparecer em público sem o hijab pode resultar em pagamento de multa de 500,000 rials (cerca de R$ 42) ou até dois meses de detenção. Apesar disso, o número de mulheres que desafia a regra tem crescido.

A ativista Masih Alinejad, criadora da campanha My Stealthy Freedom (algo como “Minha Liberdade Escondida”), tem usado suas páginas no Facebook e no Twitter para divulgar imagens dos protestos.

Ao The Guardian, Alinejad declarou que as manifestações não são contra o hijab, mas a favor da liberdade: “A obrigação de usar o hijab é o símbolo mais visível da opressão contra as mulheres no Irã. (…) Essas mulheres não estão protestando contra uma peça de roupa, mas sim por nossa identidade, nossa dignidade e nosso direito de escolha. Nosso corpo, nossa escolha”, declarou.

Fotos via My Stealthy Freedom /fonte:via

Como este restaurante comandado por mulheres está ressignificando as relações de trabalho

Inaugurado em Los Angeles em 2017, o restaurante Kismet tem chamado atenção de público e crítica. Não apenas por seus pratos inspirados na culinária do Oriente Médio, mas também por causa da filosofia de trabalho das sócias Sarah Hymanson e Sara Kramer.


Sarah Hymanson (esq.) e Sara Kramer (dir.)

As duas estão ligadas nas mudanças importantes que têm acontecido nas relações de trabalho nos Estados Unidos. Embora o ramo da gastronomia não tenha a mesma visibilidade de Hollywood, uma espécie de revolução também está acontecendo.

Chefs conhecidos, como Mario Batali e Johnny Iuzzini, foram acusados de conduta imprópria ao comandar suas cozinhas, incluindo machismo frequente e assédio moral e sexual. Apesar de recusar estereótipos sobre um “jeito feminino” de comandar o restaurante, Sarah e Sara concordam que elas fogem ao convencional quando se trata do ramo da gastronomia.

“Obviamente somos mulheres, então tentamos criar um ambiente que encoraje outras mulheres e possibilite a chegada delas em posições de liderança, sem deixar os homens de lado”, diz Sara Kramer ao Refinery29.

Sarah Hymanson aponta que “nem todo mundo se identifica com os gêneros masculino e feminino, então estamos tentando tirar isso da equação quando possível, tratando a todos com o mesmo respeito e dignidade”.

A equipe do Kismet foi formada tendo a diversidade como pedra fundamental, e as chefs não gostam de gritar ou fazer críticas ofensivas na cozinha. “Trabalhamos bastante a linguagem que usamos. Tentamos ser construtivas, e não críticas”, pondera Hymanson.

Kramer ressalta que, em meio às denúncias, o público precisa prestar atenção em quem faz as coisas do jeito certo. “A única maneira de criar mudança é com as próprias mãos. É algo que todos queremos ver, uma mudança cultural. O machismo e a intimidação faziam parte do dia a dia das cozinhas, mas isso está mudando. Eu sinto que é nosso momento”, concluiu.

 

Fotos por Jessica Antola

Com informações do Refinery29  /fonte:via

Conheça as 10 cidades mais igualitárias do Brasil

Dias atrás, a ONG britânica Oxfam lançou a última versão de seu relatório sobre distribuição de renda, apontando que as cinco pessoas mais ricas do Brasil possuem patrimônio equivalente à soma de toda a metade mais pobre da população.

Embora o país esteja entre os mais desiguais do planeta, há alguns exemplos de cidades que vão no sentido contrário. De acordo com dados do Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, elaborado em 2013, quase todas as cidades mais igualitárias do país estão na região Sul, exceção para uma aparição do Sudeste.

O Atlas leva em conta o Coeficiente de Gini, o índice mais aceito na hora de calcular a desigualdade, com uma classificação que varia de 0 (uma sociedade em que todos têm a mesma renda) e 1 (uma sociedade em que uma só pessoa concentra 100% da renda).

No ranking Relatório de Desenvolvimento Humano, elaborado pela ONU a partir de dados de 2015, o Brasil era o décimo país mais desigual do planeta, marcando 0,515 no Coeficiente de Gini. A Ucrânia era o mais igualitário, com 0,241.

Vale lembrar que o Coeficiente de Gini é apenas um dos indicadores que ajudam a analisar a distribuição econômica e a qualidade de vida de um local, e que distorções podem aparecer – locais mais pobres, mas com menos desigualdade, não necessariamente serão melhores que outros mais ricos, mas com problemas na distribuição de renda.

As 10 cidades mais igualitárias do Brasil, de acordo com o Atlas de Desenvolvimento Humano de 2013, são:

1 – São José do Hortêncio (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,28

População – 4.094

2 – Botuverá (SC)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,28

População – 4.468 habitantes

3 – Alto Feliz (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,29

População – 2.917 habitantes

4 – São Vendelino (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,29

População – 1.944 habitantes

5 – Vale Real (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,29

População – 5.118 habitantes

6 – Santa Maria do Herval (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,30

População – 6.053 habitantes

7 – Campestre da Serra (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,31

População – 3.247 habitantes

8 – Tupandi (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,31

População – 3.924 habitantes

9 – Córrego Fundo (MG)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,32

População – 5.790 habitantes

10 – Morro Reuter (RS)

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,32

População – 5.676 habitantes /fonte:via

 

Fotos: Divulgação/Administrações Municipais

Com informações da Exame