Moradores se reúnem em aeroporto para receber imigrantes venezuelanos

Acampamento de venezuelanos é atacado em Roraima

A Venezuela está passando por uma grave crise financeira. Em função disso, o Brasil vem recebendo muitos imigrantes venezuelanos. Apenas em 2018, segundo o IBGE, 10 mil pessoas desembarcaram por aqui.

A principal porta de entrada do país é Roraima, que concentra maior parte de pessoas em busca de uma qualidade de vida melhor. A grande concentração de pessoas acabou gerando conflitos, manifestações xenófobas e  problemas estruturais na cidades do estado do Norte do país. Agora, com um certo atraso, os venezuelanos estão sendo transferidos para outros estados.

Na última quinta-feira (27), por volta de 52 venezuelanos chegaram no município de Chapada, no Rio Grande do Sul. As famílias vão ficar provisoriamente em uma escolha de Linda São Roque, que recebeu melhorias para receber os imigrantes.  

A recepção dos venezuelanos atende ao pedido do prefeito do município Carlos Catto, que considera o acolhimento uma questão humanitária. Ainda no aeroporto, os imigrantes foram recebido por moradores com cartazes desejando boas vindas.

Com 10 mil habitantes, Chapada vai receber do governo federal um repasse mensal de R$ 16 mil pelos próximos seis meses. Esteio, Canoas e Porto Alegre também abrigam imigrantes.

Fotos: reprodução e Fernando Malheiros/fonte:via

A partir de agora o idioma Iorubá é patrimônio imaterial do Rio

O Rio de Janeiro deu um grande passo na afirmação da influência da cultura africana na constituição do Brasil. A partir de agora, o Iorubá foi oficializado como patrimônio imaterial.

O Projeto de Lei, aprovado pela Assembleia Legislativa (Alerj), reforça a importância da preservação da cultura africana como elemento fundamental para a luta contra discriminação racial.

No caso do Rio de Janeiro, isso se dá de forma ainda mais intensa. Segundo dados apresentados pelo IBGE, o estado é dono de uma das maiores concentrações de descendentes e praticantes de religiões negras, especialmente as com elementos das culturas Nagô e Iorubá.

Aliás, os terreiros de Candomblé atuam como verdadeiros guardiões destas expressões culturais. Dentro dos barracões, é muito comum as pessoas se comunicarem utilizando palavras da língua do continente africano. No Candomblé ketu e efon, licença vira àgò e comida se transforma de ajeun e por aí vai.

Daí o significado de manter viva a memória ancestral, especialmente se tratando de um país como o Brasil, fundado por meio da escravidão e que até os dias de hoje insiste em não se reconhecer como uma nação negra da diáspora africana. Ou seja, a eleição do Iorubá como patrimônio imaterial atua em consonância com as ações afirmativas, além de impedir o crescimento do preconceito religioso que persegue o Candomblé, por exemplo.

Historicamente, os iorubás habitavam o reino de Ketu (atual Benim) e o Império de Oyo, na África Ocidental. Até meados de 1815, eles foram trazidos ao Brasil como escravizados, durante o que ficou conhecido como Ciclo da Costa da Mina.

No Brasil, a cultura está presente em todo o território nacional, mas pode ser percebida com mais intensidade na Bahia, sobretudo na capital Salvador. Estima-se que existam 45 milhões de iorubás no mundo, sendo que 40 milhões deles vivem na Nigéria.

Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: João Ramos/Bahiatursa /fonte via

Crianças são obrigadas a serem os próprios ‘advogados’ em tribunais de imigração nos EUA

A Immigration Counseling Service (ICS), uma empresa norte-americana de advocacia sem fins lucrativos especializada em imigração, produziu um curta metragem para ilustrar mais uma monstruosidade posta em prática pelo governo Trump contra imigrantes nos EUA: depois de separar crianças e bebês de suas famílias e colocá-las em verdadeiras jaulas, muitas dessas crianças são postas em tribunais para se defenderem – sem sequer a presença de um advogado. As cenas representadas no curta foram roteirizadas a partir de transcrições de tais sessões nos tribunais de imigração.

Intitulado Unnaccompanied: Alone in America (Desacompanhado: sozinhos na América), o filme é dirigido e produzido pela cineasta Linda Freedman. “Eu me espantei com os obstáculos que as crianças enfrentam sozinhas, e com o desprezo pelos seus direitos básicos”, disse Freedman. “Eu sei em meu coração que o filme irá encontrar aqueles que se levantarão, como sempre fazem, para ajudar seus companheiros humanos na hora em que eles mais precisam”.

https://player.vimeo.com/video/268812608?app_id=122963

No filme, vemos um juiz realizando perguntas para crianças na corte, que naturalmente se mostram incapazes de sequer compreender o que está acontecendo – mas que precisam defender seu futuro sozinhas.

“Você entende do que se tratam esses procedimentos aqui na corte?”, pergunta, no filme, o juiz. Um garotinho diz que não com a cabeça. “Você sabe o que é um advogado? Você tem um advogado?” e a resposta é a mesma, para crianças diversas. São cenas de rachar o coração, e que assombram ainda mais diante do fato de não serem ficção – é uma realidade comum, que vem sistematicamente acontecendo no mais rico país do mundo.

© fotos: reprodução/fonte:via

Canadá está investindo 50 milhões em moradias temporárias para refugiados

A polícia canadense interceptou mais de 20.593 solicitantes de asilo em 2017. O número representa um enorme aumento quando comparado aos pouco mais de 2 mil requerentes de asilo registrados em 2016.

Em parte, essa busca crescente pelo país se explica pelas políticas adotadas pelo presidente americano Donald Trump. Em maio de 2017, Trump teria anunciado que não iria mais oferecer proteção a haitianos nos Estados Unidos. Dessa forma, muitos imigrantes vindos do Haiti tiveram que cruzar a fronteira rumo ao Canadá.

Para lidar com a questão da melhor maneira, o governo do país irá investir 50 milhões de dólares canadenses (cerca de R$ 150 milhões) na construção de moradias temporárias para refugiados. A medida foi anunciada em uma nota oficial emitida por Ahmed Hussen, Ministro de Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá, no dia 1 de junho:

O governo federal reconhece que um aumento no cruzamento irregular de fronteiras colocou novas pressões em algumas províncias para encontrar moradias temporárias para os solicitantes de asilo. (…) Tenho o prazer de anunciar que o Governo do Canadá irá oferecer um valor inicial de $ 5o milhões para as províncias do Quebec, Ontario e Manitoba, que suportaram a maior parte dos custos relativos à moradia temporária.

Além da ajuda às províncias, o governo anunciou ainda a criação de um fundo no valor de 173,2 milhões de dólares canadenses para outros custos relativos às imigrações. “O fundo será usado para apoiar o recebimento de novos pedidos de refúgio, procedimentos de triagem de segurança, processamento de elegibilidade, revisões e intervenções no Conselho de Imigração e Refugiados do Canadá, remoção de requerentes vencidos e detenção e remoção daqueles que representam um risco para a segurança dos canadenses“, declara a nota.

Fotos CC0 Creative Commons /fonte:via

Pela lei atual, imigrante malinês que salvou bebê deveria ser expulso da França

Às vezes, um ato isolado é capaz de expor os paradoxos e a real complexidade de questões imensas que costumeiramente são tratadas de forma simplista e até preconceituosa.

Foi o que se viu diante do gesto verdadeiramente heroico que o imigrante malinês Mamoudou Gassama, de 22 anos, realizou no último sábado, quando escalou quatro andares para salvar uma criança de quatro anos que estava pendurada na sacada de um edifício em vias de cair para uma morte certa.

A cena é angustiante e emocionante mas, diante do final feliz, o ponto nevrálgico da questão se torna o fato de Mamoudou ser, até então, um imigrante ilegal, sem papel – o que, segundo as leis de imigração do atual governo francês, exigiria que o malinês fosse deportado do país.

O presidente Emmanuel Macron, após a façanha salvadora, rapidamente recebeu Mamoudou e concedeu a ele sua cidadania francesa, em um gesto benévolo e justo, mas que expõe não só a complexidade das relações sociais na Europa de hoje, como o preconceito com que se costuma tratar os imigrantes por lá.

Uma exceção foi aberta no caso concreto de Mamoudou, mas a verdade é que ele não é um caso a parte: a sociedade francesa e europeia de modo geral precisa se adaptar, despida de preconceitos e reconhecendo os efeitos do próprio passado colonialista sobre o qual o continente europeu foi levantado no mundo de hoje, e compreender que ela é feita também de imigrantes.

Momoudou chegou no país há poucos meses, vindo de Mali com o sonho de construir uma vida melhor em Paris. Além de se tornar cidadão, o imigrante recebeu também uma medalha por sua bravura, e a oferta de um emprego junto aos bombeiros. Que Mamoudou merece todos os louros e melhorias em sua vida por seu feito, isso é inquestionável – mas a maior homenagem que se pode fazer ao jovem malinês, no entanto, é não trata-lo como uma exceção, e sim como uma oportunidade de se rever a maneira com que a sociedade francês enxerga os imigrantes.

© fotos: divulgação/reprodução/fonte:via