Aposentada ensina português e ‘adota’ imigrantes africanos como filhos em SP

Se a língua pode ser a primeira barreira para um refugiado ou imigrante, a saudade e a distância da família são as barreiras incontornáveis e fundamentais para o recomeço em um novo país. Para alguns imigrantes que chegam em São Paulo, em especial no bairro da Mooca, a aposentada Sonia Altomar oferece uma calorosa e transformadora ajuda para amenizar essas duas questões: além de há seis anos dar aulas voluntárias de português para os imigrantes que vivem na casa de acolhida Arsenal da Esperança, Sonia indica aos alunos outros cursos, vagas de emprego, os visita doentes ou simplesmente oferece um ombro amigo em momentos difíceis.

O laço afetivo entre Sonia e seus alunos é tamanho que muitos a chamam de “minha mãe brasileira”. Tudo começou quando ela liderava um projeto de alfabetização para pessoas em situação de rua, e viu a chegada dos imigrantes haitianos. Por ser formada em português e francês, Sonia os pode ajudar especialmente, e a urgência com que precisavam aprender nossa língua comoveu a professora, que desde então não parou mais a ajudar quem chega ao Brasil.

Todos os seus ex-alunos, em especial os que melhoraram de vida e conseguiram um emprego, relatam o tratamento especial e carinhoso que Sonia oferece. No Arsenal da Esperança hoje são 1.200 pessoas que recebem cama, banho, alimentação, cuidados com a saúde, além de cursos – a maioria vive em situação de rua. Paradoxalmente o filho de Sonia vive na Alemanha, mas sua atribulada agenda por aqui a impede de visita-lo tanto quanto gostaria – são muitos os que precisam de suas aulas e ajudas em São Paulo. Sonia muitas vezes vai até o empregador, a fim de oferecer uma chancela especial para que seu aluno seja contratado.

Ela garante que só vai parar de ajudar quando seu corpo não mais permitir, se oferecendo como um exemplo perfeito de como melhor lidar com a questão dos imigrantes em qualquer lugar do mundo: com educação, empatia, dedicação e afeto. A humanidade, como um todo, agradece – em qualquer lugar do mundo.

© fotos: reprodução/fonte:via

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Moradores se reúnem em aeroporto para receber imigrantes venezuelanos

Acampamento de venezuelanos é atacado em Roraima

A Venezuela está passando por uma grave crise financeira. Em função disso, o Brasil vem recebendo muitos imigrantes venezuelanos. Apenas em 2018, segundo o IBGE, 10 mil pessoas desembarcaram por aqui.

A principal porta de entrada do país é Roraima, que concentra maior parte de pessoas em busca de uma qualidade de vida melhor. A grande concentração de pessoas acabou gerando conflitos, manifestações xenófobas e  problemas estruturais na cidades do estado do Norte do país. Agora, com um certo atraso, os venezuelanos estão sendo transferidos para outros estados.

Na última quinta-feira (27), por volta de 52 venezuelanos chegaram no município de Chapada, no Rio Grande do Sul. As famílias vão ficar provisoriamente em uma escolha de Linda São Roque, que recebeu melhorias para receber os imigrantes.  

A recepção dos venezuelanos atende ao pedido do prefeito do município Carlos Catto, que considera o acolhimento uma questão humanitária. Ainda no aeroporto, os imigrantes foram recebido por moradores com cartazes desejando boas vindas.

Com 10 mil habitantes, Chapada vai receber do governo federal um repasse mensal de R$ 16 mil pelos próximos seis meses. Esteio, Canoas e Porto Alegre também abrigam imigrantes.

Fotos: reprodução e Fernando Malheiros/fonte:via

Banksy começa série de grafites em Paris sobre crise dos refugiados

Através de sua conta no Instagram, o mais famoso e misterioso grafiteiro do mundo confirmou serem de sua autoria dois novos trabalhos que apareceram nas ruas de Paris. Banksy postou as imagens e, na legenda de outra imagem, ainda explicou em parte a razão de ter decidido por tomar as ruas da capital francesa: “50 anos dos levantes de 1968 em Paris. O local de nascença da arte do estêncil moderna”. Como de costume, os novos grafites de Banksy tocam sem dó e com força em algumas das mais profundas chagas sociais e políticas da cidade – em especial, na questão dos imigrantes e refugiados.

Um intenso apoiador da causa imigrante, Banksy em seus novos trabalhos aponta para os paradoxos e problemas da dura política de imigração francesa. No primeiro, uma criança negra cobre com um padrão de estampa uma suástica, tendo a seus pés um saco de dormir e um ursinho. Esse trabalho foi feito próximo a um abrigo para refugiados que foi recentemente fechado. No outro, o artista realiza um pastiche de um histórico quadro de Napoleão sobre um cavalo – mas com o imperador francês coberto por uma túnica vermelha.

Um terceiro trabalho também já foi confirmado, dialogando diretamente com o tributo à Maio de 1968 – mas sempre com o olhar crítico inclemente do artista. Debaixo de uma inscrição em que se lê “1968”, o seu tradicional rato veste um laço na cabeça como o da Minnie Mouse, e usa o “8” do ano deitado como as orelhas da ratinha da Disney. Outros trabalhos que surgiram recentemente em Paris ainda estão para serem confirmados.

© fotos: Instagram/reprodução/fonte:via

Pela lei atual, imigrante malinês que salvou bebê deveria ser expulso da França

Às vezes, um ato isolado é capaz de expor os paradoxos e a real complexidade de questões imensas que costumeiramente são tratadas de forma simplista e até preconceituosa.

Foi o que se viu diante do gesto verdadeiramente heroico que o imigrante malinês Mamoudou Gassama, de 22 anos, realizou no último sábado, quando escalou quatro andares para salvar uma criança de quatro anos que estava pendurada na sacada de um edifício em vias de cair para uma morte certa.

A cena é angustiante e emocionante mas, diante do final feliz, o ponto nevrálgico da questão se torna o fato de Mamoudou ser, até então, um imigrante ilegal, sem papel – o que, segundo as leis de imigração do atual governo francês, exigiria que o malinês fosse deportado do país.

O presidente Emmanuel Macron, após a façanha salvadora, rapidamente recebeu Mamoudou e concedeu a ele sua cidadania francesa, em um gesto benévolo e justo, mas que expõe não só a complexidade das relações sociais na Europa de hoje, como o preconceito com que se costuma tratar os imigrantes por lá.

Uma exceção foi aberta no caso concreto de Mamoudou, mas a verdade é que ele não é um caso a parte: a sociedade francesa e europeia de modo geral precisa se adaptar, despida de preconceitos e reconhecendo os efeitos do próprio passado colonialista sobre o qual o continente europeu foi levantado no mundo de hoje, e compreender que ela é feita também de imigrantes.

Momoudou chegou no país há poucos meses, vindo de Mali com o sonho de construir uma vida melhor em Paris. Além de se tornar cidadão, o imigrante recebeu também uma medalha por sua bravura, e a oferta de um emprego junto aos bombeiros. Que Mamoudou merece todos os louros e melhorias em sua vida por seu feito, isso é inquestionável – mas a maior homenagem que se pode fazer ao jovem malinês, no entanto, é não trata-lo como uma exceção, e sim como uma oportunidade de se rever a maneira com que a sociedade francês enxerga os imigrantes.

© fotos: divulgação/reprodução/fonte:via