Artista cria primeira street art na Amazônia contra o desmatamento e pelas populações indígenas

amazoniart2

No lugar de latas de spray e tinta na parede, projeções contra qualquer tipo de superfície. Assim funciona o que o artista Philippe Echaroux chama de Street Art 2.0 (Arte de rua 2.0), a forma de expressão que escolheu para seguir com sua arte utilizando a tecnologia para expandir possibilidades e caminhos. E o primeiro local que Philippe escolheu para realizar sua arte de rua foi justamente onde (ainda) não há rua: na floresta amazônica.

amazoniart8

Para lembrar a todos dos males da devastação florestal e dos seguidos desrespeitos e crimes contra as populações indígenas, o artista decidiu por projetar nas árvores da floresta rostos de membros da tribo Suruí, grupo indígena brasileiro dos estados de Rondônia e Mato Grosso – vítimas constantes da devastação e dos caçadores de ouro na região.

amazoniart9

“Quando você corta uma árvore, é como se estivesse matando um homem”, afirma Philippe, apontando o sentido mais profundo que sua arte ilumina – nas árvores, de forma impactante, bela, contundente e inesquecível, o rosto da floresta.

amazoniart7
amazoniart6
amazoniart5
amazoniart4
amazoniart1
amazoniart2
amazoniart3

Todas as fotos © Philippe Echaroux / fonte:via

Anúncios

Último sobrevivente de sua tribo, índio aparece isolado em vídeo feito pela Funai

Antes da chegadas das caravelas portuguesas ao que se conhece hoje pelo Estado da Bahia, a população indígena reinava soberana nas terras brasileiras. Com o passar dos séculos estes números na casa dos milhões foram recuando, recuando, até atingir níveis preocupantes.

Estudos realizados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e publicados na EBC, comprovam que em 13 anos 891 indígenas foram assassinados no Brasil. Só em 2015, 137 perderam a vida no território nacional. Os maiores registros de mortes no período chegam do Mato Grosso Sul, onde 36 índios foram mortos. Sendo 34 deles do sexo masculino.

O cenário genocida se dá principalmente pela disputa de terra e fez com que um homem viva nos dias atuais em completo isolamento. Para entender esta história é preciso retroceder aos anos 1980, tempo em que a tribo dos Tanaru sofria com ataques de fazendeiros e seus capangas em Rondônia.

Em 1995 veio o grande golpe, a dizimação quase que completa do povoado. Só sobrou um índio. Justamente o que é visto vagando solitário nas matas da região Norte a procura de um rumo.

O conteúdo é resultado de um acompanhamento de duas décadas dos hábitos do ‘índio do buraco’. O trabalho feito pela Fundação Nacional do Índio (Funai) mostra o homem, sempre sozinho, caçando, se alimentando e cultivando alimentos agrícolas, como milho e banana.

Considerado o ‘homem mais sozinho do mundo’, o índio Tanaru foi alvo de 57 ações de monitoramento da Funai e durante o percurso foram encontradas 48 moradias, que devem ter sido construídas no tempo em os membros da tribo eram vivos.

“Esse homem, que a gente desconhece, mesmo perdendo tudo, como o seu povo e uma série de práticas culturais, provou que, mesmo assim, sozinho no meio do mato, é possível sobreviver e resistir a se aliar com a sociedade majoritária. Eu acredito que ele esteja muito melhor do que se, lá atrás, tivesse feito contato”, disse em comunicado Altair Algayer, coordenador da Funai.

Fotos: Divulgação/FUNAI/fonte:via

Fotógrafa registra casamento indígena na taiga selvagem da Mongólia

A fotógrafa que se identifica como BatzayaPhotography viajou para a Mongólia com alguns amigos de profissão e, além de fazerem um tour fotográfico padrão pela Mongólia, foram também convidados para um casamento da tribo Tsaatan nas remotas montanhas da taiga, lar de renas nômades e de nativos do local. Os jovens casais chegavam montando lindos cavalos brancos em vez de um carrão preto. “Fiquei imaginando o quão diferente é da cerimônia de casamento ocidental”, conta.

Foi uma experiência cultural e aventureira indescritível, começando a viagem a partir da cidade capital da Mongólia, se reunindo com um guia de fotografia da Mongólia e equipe de aventura. No dia seguinte, o grupo voou para a cidade de Murun, o centro administrativo da província de Khovsgol. “Fiquei impressionada quando vi pela primeira vez as minivans 4WD russas no aeroporto local e senti que algo selvagem e aventureiro estaria à nossa espera nos próximos dias”, descreve.

Casamento tradicional da tribo Tsaatan na taiga selvagem mongol

No dia seguinte, o grupo empacotou os equipamento de fotografia e todos os nossos pertences e partiram montados a cavalo. “A rena é o transporte principal do povo Tsaatan, mas não poderem ser usadas como transporte no verão. Então selamos os cavalos e nos encontramos as montanhas da taiga do norte da Mongólia”, conta. “Nós chegamos à tribo Tsaatan em East Taiga, havia algumas tendas, renas, pessoas Tsaatan e seus filhos. Esperávamos que os pastores de renas parecessem mais como os índios americanos, mas eles são tsaatanos mongóis, pessoas Dukha que mantêm suas antigas tradições e ainda vivem a vida primitiva nas montanhas”.

O caminho para o casamento

O grande dia chegou e o fotógrafo acompanhou tudo, desde os preparativos até o final da cerimônia. Batdalai, noiva de 20 anos de idade, e seu jovem noivo é de 18 anos, receberam muitos convidados e parentes. “Os tsaatanos seguem a lei natural para viver e, na dura condição de vida das altas montanhas, eles não têm oportunidade suficiente para conhecer seus parentes”. No dia especial, todos os parentes, crianças e outros visitantes se reúnem.

Na tenda da noiva, os mais velhos têm que se sentar ao norte, simbolizando que eles estão respeitando os mais antigos. O pai do noivo tem que pedir ao pai da noiva para deixar o filho se casar com a filha – este é outro elemento da tradição do casamento. Assim que o pai da noiva aprova o casamento, tudo começa oficialmente. “Outra tradição interessante é que o pai da noiva não concorda com facilidade, ele está agindo como se ele não quisesse deixar sua filha se casar”.

Finalmente, depois de muito tempo implorando, o pai concordou e pegou seu lenço de seda para expressar sua concordância. Tudo na tenda tem significados simbólicos, a mesa de casamento e a comida também, a refeição tradicional, o huushuur, tem que ser oferecido primeiro, depois outras refeições e bebidas. “Eles falam sobre a vida do jovem casal, incluindo quantas renas eles possuirão, o que fazer no caso dos pais ficarem doentes e muito mais coisas para o futuro”.

Era como um conto de fadas em que o noivo procura em sua mulher amada no cavalo branco. Os pertences da noiva são mínimos demais em comparação com os ocidentais, mas havia todas as coisas necessárias para viver nas montanhas.

Rodearam a tenda três vezes enquanto ofereciam leite de rena ao espírito da natureza, à natureza dos elementos xamânicos e à tradição viva dos mongóis.

O homem mais velho tem que tocar o prato principal de cordeiro na mesa e depois oferecer um pedaço de carne de carneiro a todos os visitantes.

Tem até luta na cerimônia.

Depois disso, o casal é convidado para a tenda de novo para trocarem de roupa, o que significa algo profundo que agora eles oficialmente possuem sua nova casa e é hora de se estabelecerem.

Os visitantes davam presentes de casamento ao casal e o estranho era pendurar o dinheiro local, tugriks mongóis, como presente. É um casamento indígena muito misterioso.

“Foi uma maneira incrível de experimentar a cultura da Mongólia, o estilo de vida da tribo étnica e do casamento, além de descobrir o canto mais remoto, a região selvagem da taiga e fotografar todos eles. Foi inacreditável”.

Fotos: BatzayaPhotography/fonte:via