A mensagem fundamental da imagem de uma criança de 20 metros colocada na fronteira entre o México e os EUA

Enquanto a maioria de nós sonha com a diluição de fronteiras e a integração harmoniosa entre povos e países, alguns sombrios líderes sonham com muros – sem se comover com os milhões de futuros ainda por vir que podem ser também separados simbólica e concretamente por tais muros.

Essa foi a inspiração do artista francês JR para sua última criação: uma instalação que traz a imagem de uma criança mexicana de 20 metros, debruçando-se sobre a fronteira dos EUA com o México.

JR e sua instalação na fronteira

A obra foi inaugurada propositalmente na mesma semana em que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o encerramento do programa DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), criado por Barack Obama, programa que permite a permanência de crianças sem visto mas que nasceram no país ou chegaram pequenos aos EUA. Trump passou ao congresso americano a tarefa de resolver o problema que ele mesmo criou com o fim do programa, para que se crie uma nova solução para o dilema.

https://i1.wp.com/oladobomdavida.com/wp-content/uploads/2017/09/a-mensagem-fundamental-da-imagem-de-uma-crianca-de-20-metros-colocada-na-fronteira-entre-o-mexico-e-os-eua.jpg

A criança que serviu de inspiração e imagem para a reprodução em proporções monumentais existe: trata-se de um menino de doze anos, que vive na cidade de Tecate, no México.

Imagem relacionada

JR garante que a instalação não foi diretamente uma reação à decisão de Trump, mas a coincidência acende ainda mais o debate sobre imigração, central no atual cenário político americano – especialmente depois das diversas declarações de natureza xenofóbica por parte do presidente durante a campanha e da promessa da construção do muro na fronteira – para crianças como a da imagem, as fronteiras não existem, e é esse o sonho ceifado pelos poderosos, lembra JR.

 

© arte: JR/fotos: divulgação/fonte:via

Garoto de 16 anos cria iglus a partir de coletes salva-vidas para chamar atenção para as condições de vida de refugiados

Muitas vezes os refugiados são tratados nos noticiários internacionais como simplesmente números, e nada mais. O mínimo de sensibilidade e empatia nos lembra, no entanto, que se tratam de pessoas, tendo de sair de seus países de origem para simplesmente sobreviverem, arriscando a própria vida para tentarem chegar a outro país.

O artista inglês Achilleas Souras não esquece dessa dura realidade por trás dos dados, e resolveu transformar os coletes salva-vidas descartados, um dos símbolos dessas vidas em travessia, em abrigos e pontos de chegada para os refugiados.

Souras tem somente 16 anos, e suas obras de arte são iglus construídos justamente com tais coletes. “Quando eu pego um colete, ele deixa de ser somente um material. Quando você segura o colete e sente o cheiro do mar, você olha as coisas por um prisma diferente, e percebe que cada colete representa uma vida humana”, ele disse. Muitos dos coletes que usa foram coletados na costa da ilha grega de Lesbos – um dos locais de entrada na Europa mais almejados pelos refugiados.

Souras trabalhando em seus iglus

O jovem artista inglês já expôs seus iglus no Museu Marítimo de Barcelona, cidade onde hoje mora, e agora também criou uma dessas construções de coletes para uma instalação na Semana de Design de Milão, na Itália.

A instalação foi batizada de SOS Salve Our Souls (SOS Salvem Nossas Almas) e utilizou mil coletes para ser construída. “Esses são problemas globais, que afetam a todos nós, e nós temos que tentar resolve-los pelo bem de todos”, afirmou, desejoso de que seus iglus possam de fato ser utilizados em operações de resgate.

 

© fotos: divulgação fonte:via