Conheça o ar condicionado de 4 mil anos atrás

Lidar com as condições climáticas impostas pela natureza é uma missão que a humanidade enfrenta desde que começou a se espalhar pela Terra. Localizado numa região onde as temperaturas costumam passar dos 40°C no verão e com uma rica história que data de milênios, o Irã guarda relíquias históricas (e atuais) desse desafio.

Falamos do badgir, palavra persa que significa literalmente “apanhador de vento”, mas também pode ser traduzida como “torre de vento”. É um tradicional elemento arquitetônico usado para criar ventilação natural nos edifícios e tem sido usado há pelo menos quatro mil anos nas construções iranianas.

O badgir é uma estrutura alta, que lembra chaminés, e está presente em muitas casas antigas no Irã, especialmente em cidades mais próximas ao deserto de Lute, considerado o lugar mais quente da Terra.

O seu funcionamento segue um conceito relativamente simples e que está explicado no nome: ele “capta” a brisa e a redireciona para o interior das casas, às vezes até os cômodos por onde as pessoas circulam, às vezes para o subsolo, onde os alimentos costumam ser guardados.

estudos que indicam que o badgir é capaz de reduzir a temperatura interna em até 10 graus Celsius. As torres de vento são encontradas especialmente no Irã, mas também em países como Egito, Paquistão e Índia, além de outros locais do Oriente Médio.

Aliás, a origem do badgir é alvo de “disputa” entre egípcios e iranianos. Há pinturas datadas de 1300 A.C que mostram uma estrutura parecida com a torre de vento na casa do Faraó Nebamun. Já ruínas de um templo persa datadas de 4000 A.C têm estruturas parecidas com chaminés, mas sem nenhum tipo de cinza, o que faz estudiosos iranianos acreditarem que se tratam de badgires.

Como o ar frio desce e o ar quente sobe, o badgir não apenas faz com que a brisa exterior entre nas edificações, como também conta com uma abertura para fazer com que o ‘bafo’ interior saia. Assim, a torre é capaz de resfriar as casas mesmo quando não está ventando.

Apesar de eficientes (e de não consumirem energia elétrica), as torres de vento tem sido cada vez mais deixadas de lado, já que muitas moradias tradicionais são deixadas para trás em troca de apartamentos modernos e com aparelhos de ar-condicionado que conhecemos.

Muitas das casas antigas foram compradas e demolidas. Por outro lado, várias outras seguem preservadas, sendo que muitas se tornaram hotéis ou pousadas que têm como mote oferecer ao visitante uma espécie de visita ao passado.

Fotos via Wikimedia Commons/fonte:via

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No Irã, mulheres tiram o lenço e desafiam autoridades

Desde 1979, quando a Revolução Islâmica mudou os rumos do Irã, as mulheres do país são obrigadas a usar o hijab, um conjunto de vestimentas que esconde o corpo e o rosto, sempre que saem em público. Mas o combate à imposição está crescendo.

Desde dezembro, ao menos vinte moradoras da capital Teerã foram detidas por protestar contra a lei, de acordo com fontes locais. Elas seguiram o exemplo de Vida Movahed, que, no fim do ano passado, subiu em uma caixa de fiação elétrica no centro da cidade, tirou o hijab e o pendurou num galho.

Segundo testemunhas, ela ficou lá por cerca de 40 minutos até ser levada pela polícia. De acordo com a advogada Nasrin Sotoudeh, Movahed passou semanas presa por causa do protesto, o que incentivou a onda de apoio.

De acordo com o código penal iraniano, aparecer em público sem o hijab pode resultar em pagamento de multa de 500,000 rials (cerca de R$ 42) ou até dois meses de detenção. Apesar disso, o número de mulheres que desafia a regra tem crescido.

A ativista Masih Alinejad, criadora da campanha My Stealthy Freedom (algo como “Minha Liberdade Escondida”), tem usado suas páginas no Facebook e no Twitter para divulgar imagens dos protestos.

Ao The Guardian, Alinejad declarou que as manifestações não são contra o hijab, mas a favor da liberdade: “A obrigação de usar o hijab é o símbolo mais visível da opressão contra as mulheres no Irã. (…) Essas mulheres não estão protestando contra uma peça de roupa, mas sim por nossa identidade, nossa dignidade e nosso direito de escolha. Nosso corpo, nossa escolha”, declarou.

Fotos via My Stealthy Freedom /fonte:via