Encontram água em lua de Júpiter, aumentando a chance de vida fora da Terra

Nossa eterna busca por vida fora da Terra ganhou uma nova, imensa e molhada possibilidade – ou, ao menos, um novo cenário possível. Trata-se de Europa, um dos principais satélites de Júpiter, onde cientistas acreditam existir, por debaixo da superfície de gelo, um imenso oceano com mais de 100 km de profundidade. E foi lá que, em 1997, a nave Galileu detectou flutuações e variações violentas no campo magnético. Era como se algo tivesse atingido a Galileu e, passados mais de 20 anos, os cientistas enfim concluíram do que se tratava – e essa descoberta sinaliza ainda mais para a possibilidade de vida na Europa de Júpiter.

Segundo os experimentos do cientista planetário Xianzhe Jia, da Universidade de Michigan, nos EUA, a explicação para a “trombada” na nave seria uma erupção de vapor e água quente de proporções inacreditáveis – com cerca de 190 km de altura. Tratam-se de gêiseres presentes na Europa, como nascentes termais que entram em erupção periodicamente, como tantas que existem na Terra. O oceano do satélite de Júpiter é considerado um dos locais mais promissores para se encontrar vida, ainda que microscópica, fora do nosso planeta azul.

Duas ilustrações de como funcionam as erupções em Europa

O Satélite Hubble já havia fotografado um desses gêiseres, conhecidos como “plumas”, em 2016 – e através delas torna-se possível coletar amostras da água do satélite. No fundo desse oceano, de onde as plumas se originam, a temperatura seria suportável graças a atividade vulcânica, e assim a vida poderia ser possível. É por isso que a missão não-tripulada Clipper decolará em 2022 para concentrar seus esforços na coleta de tais amostras. Se a coleta der certo, será possível confirmar se as condições para vida em Europa realmente existem – e aí, quem sabe, não vai se aproximando o dia em que faremos contato.

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O universo é uma obra de arte: Parece pintura do Van Gogh, mas é a superfície de Júpiter

Na letra fria e objetiva da ciência, Júpiter é um planeta gasoso, não composto primariamente por matéria sólida, mas sim principalmente de hidrogênio, formando o maior planeta do sistema solar – duas vezes e meia maior do que a massa de todos os outros planetas somados. Quando visto de perto, porém – como fez e fotografou a sonda Juno, enviada pela NASA – Júpiter se revela na verdade como uma obra de arte.

 

O quinto planeta mais próximo do sol possui uma imensa atmosfera, a maior do sistema solar, com mais de 5 mil km de altitude, que permanece permanentemente coberta por nuvens de cristais de amônia em ventanias e tempestades intensas. Esses movimentos das faixas atmosféricas do planeta formam os incríveis desenhos abstratos na face de Júpiter, criando assim imagens e cores espetaculares feito fossem telas impressionista – como se Van Gogh ou Monet tivessem pessoalmente desenhado a face do planeta com seus pinceis.

 

Uma dessas tempestades oferece a característica gráfica mais marcante do planeta: a “grande mancha vermelha”, uma tempestade anticiclônica permanente, maior em quase três vezes que o planeta Terra.

A sonda Juno foi enviada ao espaço em 2011, e no início desse ano as imagens de Júpiter foram liberadas pela NASA. Diversos importantes estudos sobre a formação e composição do planeta e do próprio sistema solar serão fundados e aprofundados a partir das informações recolhidas pela Juno – mas o mais impactante aos nossos olhos e corações é mesmo perceber como a natureza, mesmo a mais de 500 milhões de km da Terra, segue sendo a mais impressionante das artistas.

 

© fotos: NASA/fonte:via