Austrália além da natureza: 10 animais que você não imagina encontrar por lá

Quando pensamos em animais da Austrália, geralmente não vamos além dos cangurus, coalas e aranhas gigantescas, mas essas espécies emblemáticas representam apenas uma fração da vida selvagem do país. Na verdade, a Austrália é dos 17 países que são classificados como megadiversos, com mais animais vertebrados não peixes (incluindo mamíferos, aves, répteis e anfíbios) do que 95% dos outros locais do mundo.

10. Camelo selvagem

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Os camelos não são, definitivamente, nativos da Austrália. Ainda assim, a Austrália tem mais camelos selvagens do que qualquer outro país do mundo, incluindo aqueles onde os camelos são nativos – estima-se que hajam 1,2 milhões deles por lá.

Importados do Afeganistão, Arábia e Índia em 1800, camelos selvagens foram liberados aos milhares quando foram substituídos pelo transporte motorizado no início do século XX. Além de danificar cercas de fazendas e outras infraestruturas agrícolas, camelos são uma ameaça para muitas das espécies vegetais e animais nativas da Austrália. Seu consumo de pasto e de água pode degradar severamente habitats naturais que são vitais para a sobrevivência de outras espécies, especialmente durante períodos de seca.

 

Esforços recentes para controlar a população de camelos selvagens da Austrália têm sido centrados no abate de suas populações em todo o outback – interior desértico australiano que cobre boa parte do país. Entre 2009 e 2013, a cooperação entre pastores, representantes de governo e proprietários de terras aborígenes reduziu a população por um número estimado de 160 mil camelos.

9. Pinguim-azul

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Enquanto pinguins são frequentemente associados com climas mais frios daqueles que normalmente imaginamos quando pensamos na Austrália, as costas do sul do país entre Perth e Sydney são a casa da menor espécie de pinguins do mundo. Encontrados apenas no sul da Austrália e Nova Zelândia, o pinguim-azul tem apenas 33 centímetros de altura e pesa 1 kg. Também conhecidos como pinguins-fada, esses carinhas comem o seu peso corporal em peixes, lulas e krill todos os dias para compensar a energia que gastam nadando.

Apesar de bastante comuns nas águas e ilhas do sul, as populações de pinguins-azuis no continente passaram por declínios severos durante as últimas décadas. Em terra, os gatos e cães que vagueiam pelas praias recreativas muitas vezes os caçam, enquanto no mar, as principais ameaças vêm da sobrepesca, redes e derrames de petróleo. Ainda assim, várias grandes colônias permanecem ativas no continente, sendo que é possível observá-las nas proximidades de Sidney e Melbourne.

8. Dragão-marinho-comum

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Embora não sejam nem de longe tão ferozes como seu nome sugere, esses dragões do mar ainda são impressionantes. Seu nome vem do formato de seu corpo, camuflagem que permite que o dragão-marinho-comum se misture perfeitamente com o ambiente. Este efeito é ampliado quando eles nadam e ficam parecidos com as algas que os rodeiam.

Embora sejam parentes dos cavalos-marinhos, os dragões-marinhos têm várias diferenças de seus primos. Enquanto os machos das duas espécies assumem a responsabilidade de cuidar dos filhotes, dragões-marinhos carregam seus ovos em um compartimento esponjoso sob suas caudas ao invés das bolsas dos cavalos-marinhos. Outra diferença é que os dragões-marinhos são incapazes de usar suas caudas para agarrar objetos. Encontrados principalmente nas águas do sul da Austrália, os dragões-marinhos vivem em profundidades rasas, entre 3 metros e 50 metros, tornando-os especialmente populares entre mergulhadores.

7. Quokka

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Você já deve ter visto estes marsupiais extremamente simpáticos em algum viral recente da internet. Uma das menores espécies de wallaby, quokkas são uma espécie vulnerável cujas populações têm sido dizimadas por predadores como cães selvagens e raposas, bem como pela perda de seu habitat para os humanos.

Hoje, quokkas são encontrados principalmente em áreas protegidas no meio do mar como as ilhas Rottnest e Bald. Embora muitas vezes os quokkas se aproximem dos seres humanos com curiosidade e pareçam amigáveis com seus sorrisos adoráveis, esses animais não devem ser tocados ou alimentados. Na verdade, eles são considerados particularmente suscetíveis a doenças por comer alimentos “humanos”.

Ao contrário de muitos marsupiais, quokkas são capazes de subir em árvores. Além disso, as reservas de gordura armazenada em suas caudas permitem que esses animais sobrevivam por longos períodos sem água. Como herbívoros, eles também distinguem-se de outras espécies procurando alimento, ao invés de simplesmente pastar.

6. Numbat

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Parecido com um cruzamento entre um esquilo e um tamanduá, os numbats são tão bonitinhos quantos os quokkas – mesmo que não sejam tão populares nas redes sociais. Também conhecido como “tamanduás listrados”, numbats são encontrados somente na Austrália. Ao contrário dos nossos tamanduás, no entanto, eles são marsupiais. Esses animais são especialmente incomuns, porque estão entre os dois únicos marsupiais australianos que são exclusivamente ativos durante o dia. Diferentemente da maioria dos marsupiais, no entanto, as numbats fêmeas não têm uma bolsa real.

O numbat é uma espécie em extinção. Sua população foi substancialmente reduzida pela predação de gatos e raposas, bem como a perda de habitat em função da atividade agrícola e de incêndios florestais. Hoje, apenas cerca de 1.000 numbats permanecem em estado selvagem. Como parte do esforço para proteger a espécie e aumentar a consciência a respeito de sua situação, o governo lhe deu o título de mamífero oficial da Austrália Ocidental.

5. Brachionichthys hirsutus

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Além de sua aparência incomum, o spotted handfish (Brachionichthys hirsutus) da Austrália é conhecido por usar suas barbatanas para andar em vez de nadar. Ele prefere viver em ambientes rochosos ou arenosos do fundo do mar, onde usa suas barbatanas como mãos para caminhar em busca de pequenos crustáceos e vermes para comer.

Sua aparência incomum também fica por conta de sua coloração tipicamente vibrante, geralmente vermelho-fogo com azul e marcações brancas na barbatana ou rosa-creme com vermelho, laranja e manchas marrons.

Infelizmente, esta é outra espécie ameaçada. As razões para o declínio de suas populações não são bem conhecidas, mas algumas teorias incluem a predação de seus ovos, contaminação por metais pesados e perda de habitat pelo desmatamento que polui a água com lodo.

No máximo, sua população em estado selvagem é atualmente de 1.000 exemplares, embora muitas pessoas acreditem que os números não passem da casa das centenas. Sua maior chance de sobrevivência depende da melhoria da qualidade da água do estuário do rio Derwent, onde sua população é concentrada e o número de espécies invasoras que comem seus ovos, como estrelas do mar e caranguejos, é reduzido.

4. Raposa voadora

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A raposa voadora é o maior morcego conhecido pelo homem, com uma envergadura que pode ter mais de um metro. A Austrália é o lar de quatro principais espécies de raposa voadoras, incluindo a vermelha-pequena, a preta, a cabeça-grisalha e raposa-voadora-de-óculos.

Das quatro, as variedades de cabeça-grisalha e de óculos são consideradas espécies vulneráveis. Como muitas ameaçadas, o maior perigo para a sua sobrevivência vem dos seres humanos destruindo o seu habitat. Elas também são ameaçadas pela sua dependência de pólen e néctar de eucaliptos, que florescem irregularmente de ano a ano.

Raposas-voadoras são uma “espécie-chave”, o que significa que os papéis que desempenham são vitais para a saúde dos ecossistemas que habitam. Elas ajudam a polinizar as flores e dispersar sementes e sua sobrevivência é especialmente importante para a manutenção de ambientes ameaçados, incluindo os Wet Tropics e as Gondwana Rainforests da Austrália.

3. Tubarão-elefante

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Batizado por causa do formato distintivo de seus focinhos, tubarões-elefantes são, na verdade, peixes de aparência estranha. Habitantes das águas do sul entre a Austrália e Nova Zelândia, os tubarões-elefante podem atingir até 1,5 metros de comprimento. Vivendo em profundidades de pelo menos 200 metros, usam seus narizes como detectores de metais para encontrar crustáceos no fundo macio e lamacento do oceano.

Também chamado de “peixe-elefante”, eles estão mais intimamente relacionados com a família das arraias do que com os tubarões. Suas barbatanas dorsais dianteiras têm espinhos serrilhados longos, que acredita-se serem venenosos, um meio de protegê-los de tubarões e outros peixes maiores.

Os cientistas acreditam que os tubarões-elefante podem ser os animais com a evolução mais lenta entre todos os vertebrados conhecidos, tendo sofrido poucas alterações desde centenas de milhões de anos atrás. Como todos os outros tubarões e raias, eles têm esqueletos feitos de cartilagem ao invés de osso, uma característica incomum em vertebrados que evoluíram mais recentemente. Seu sistema imunitário é simples, com apenas um tipo de célula auxiliar imunológica. Como fósseis vivos, tubarões-elefante representam um link para um passado distante da Terra e os animais que já habitaram os oceanos antigos.

2. Varano-gigante

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Varanos-gigantes (ou perentes) são os maiores lagartos da Austrália, alcançando comprimentos de mais de 2,5 metros. Estes lagartos também são extremamente rápidos, atingindo velocidades de até 40 quilômetros por hora. Embora se desloquem normalmente com todas as quatro pernas, às vezes usam apenas suas duas patas traseiras.

Enquanto seu tamanho e velocidade tornem os perentes predadores formidáveis de coelhos, pássaros, pequenos marsupiais e até mesmo grandes cobras venenosas, eles não estão no topo da cadeia alimentar. Além de serem predados por grandes águias, eles são também uma fonte tradicional de carne para os aborígenes.

1. Bilby-grande

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Os maiores membros de uma família de marsupiais que vivem debaixo da terra chamados de “bandicoots”, os bilbies-grandes são os únicos sobreviventes das seis espécies de marsupiais que viviam nas regiões áridas e semiáridas da Austrália. Com seus antigos habitats reduzidos em 80%, são classificados como “vulneráveis” a nível nacional e como “em perigo” em Queensland.

Um século atrás, os bilbies sofreram um declínio em sua população quando as intervenções humanas na agricultura substancialmente alteraram e reduziram seus habitats. A ameaça mais significativa para estes animais vem do gado doméstico, ovelhas e coelhos, que dependem da mesma comida que bilbies – coelhos também competem com bilbies pelo terreno para fazerem suas tocas. Estes marsupiais são conhecidos por sua impressionante habilidade de cavar, usando seus antebraços fortes e garras para criar túneis em espiral de até 3 metros de comprimento e 2 metros de profundidade.

Os bilbies também são importantes para a cultura aborígene. Eles aparecem significativamente em histórias da criação do “Sonho”, contos que ligam o passado e o presente, assim como o povo aborígine e a terra. Para algumas tribos, bilbies representam um totem, um símbolo da natureza que faz parte da identidade da comunidade. São as ações dos imigrantes europeus, em vez do povo aborígine, que são responsáveis ​​pela diminuição da população destes animais. [via]

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Artista de 7 anos surpreende o mundo com suas obras

Aelita Andre (nascido em 9 de janeiro de 2007) é um artista abstrato australiana conhecida por seu estilo de pintura surrealista e sua tenra idade. Ela começou a pintar quando envelhecida nove meses, e seu trabalho foi apresentado publicamente em uma exposição coletiva logo após ela completar dois anos. Sua primeira exposição individual foi inaugurado em Nova York, em junho de 2011, quando ela tinha quatro anos de idade.

Andre nasceu de pai australiano Michael Andre e mãe russa Nikka Kalashnikova. Como um bebê, muitas vezes ela viu seus pais, ambos os próprios artistas, trabalhar em telas no chão. Ela aprendeu a pintar antes que ela pudesse andar, vários meses antes de seu primeiro aniversário. Ela e sua família moram atualmente em Melbourne.

Carreira
Começo

Detalhe de Coral Nébula, uma das pinturas que apareceram no The Prodigy of Color.
A mãe de André, acreditando que sua filha ser uma criança prodígio, mostrou algumas das pinturas de André para um curador de arte baseada em Melbourne, quando a menina tinha 22 meses de idade. Impressionado com o trabalho, o curador concordou em incluí-lo em uma exposição coletiva na Galeria Brunswick Street, e ele começou a anunciar o show com pinturas de André, antes que ele soube de sua age.Although ele ficou surpreso, ele manteve sua promessa de apresentar o trabalho . O show abriu pouco depois de seu segundo aniversário e também contou com a fotografia do Kalashnikova. Vários meses depois, André e seus pais visitaram Hong Kong, onde ela vendeu sua pintura mais cara até hoje por US $ 24.000.

The Prodigy of Color
Primeira exposição individual de André, The Prodigy of Color, correu 4-25 de Junho de 2011. Agora Gallery, uma galeria no Chelsea. Continha 24 de suas pinturas, cada um à venda por entre $ 4.400 e US $ 10.000. A imprensa apelidou de “o Pee-wee Picasso”, depois de nove das obras vendidas por um total de mais de US $ 30.000. De acordo com a BBC, essas vendas poderão fazer a four-year-old “o mais jovem artista nunca profissional”.

Universo Secreto
Segunda exposição individual de André, Segredo Universo, decorreu de 12 junho – 3 julho 2012 at Agora Gallery.

Estilo e recepção crítica [editar]
Os críticos de arte têm notado o trabalho de Andre, classificado como o expressionismo abstrato, por seu emprego do surrealista técnicas de automatismo e acidentalismo. Ela pinta com acrílicos e muitas vezes adiciona objetos tridimensionais, incluindo cascas, galhos, e as penas, para as telas. Os compradores de sua arte em seu show de Nova York comentou favoravelmente sobre a simplicidade e riqueza das pinturas na textura. Uma série de grandes fontes de notícias, incluindo o tempo, a BBC, The Washington Post, o The Sydney Morning Herald, ABC News, e o New York Post, têm geralmente responderam favoravelmente ao trabalho de Andre e para o seu sucesso precoce. Vários deles comparou a Jackson Pollock, Salvador Dalí e Pablo Picasso. Pelo menos um outro, The New York Times, reconheceu sua notoriedade, mas comentou que suas pinturas “são quase romance a partir de uma observação formal, nem fornecem acrescentou que significa abaixo da superfície.” Ele também observou que, apesar de sua exposição de 2009 em Melbourne não estava em uma galeria de vaidade, a operação da Galeria Agora pay-for-show gerou controvérsia sobre a legitimidade de sua fama internacional. No entanto, o interesse que os coletores e os meios de comunicação mostrou, em sua exposição na Ágora resultou em cada pintura no show estão sendo vendidos dentro de duas semanas, o que indica que o show contribuiu para o crescimento de sua reputação internacional.

Não é foto! Artista usa dedo para criar paisagens hiper-realistas

Á primeira vista, as imagens que você vai ver nessa matéria parecem fotos de geleiras e icebergs flutuando nas águas tranquilas e congelantes. A verdade, porém, é um tanto mais interessante que isso: todas essas cenas, na realidade, se tratam de desenhos gigantescos, pintados à mão… ou melhor, pintados com as pontas dos dedos.

A criadora dessas paisagens impressionantes e hiper-realistas, aliás, é a artista americana Zaria Forman. Suas obras geralmente se estendem por uma parede inteira e o melhor de tudo é que ela não usa uma ferramentas de desenho sequer, apenas as palmas das mãos e os dedos, para borrar o pigmento pastel no papel.

Forman é uma artista com consciência ambiental, por isso são sempre abordados em seus trabalhos temas relacionados ao assunto, como os problemas que enfrentamos em termos de conservação da água, o derretimento do gelo polar e do aumento do nível do mar.

Em entrevista ao site Bored Panda, a artista foi questionada sobre o que inspira tanta perfeição em suas criações e o porquê da escolha de seus temas. E a resposta, com certeza, explica o que vemos em seus trabalhos: “eu simplesmente quero retratar a paisagem da forma mais honesta que eu puder, de uma forma que permita que os espectadores se sintam transportados para um local remoto que nunca teria a chance de conhecer.”

Conheça um pouco da criação dessa americana, com um talento inquestionável:

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O mundo perdido do Monte Roraima

Monte Roraima

 

Descoberto apenas no século XIX, o monte Roraima foi escalado pela primeira vez em 1884, por uma expedição britânica chefiada por Everard Ferdinand im Thurn. Entretanto, apesar das diversas expedições posteriores, sua fauna, flora e geologia permanecem largamente desconhecidas. A história de uma dessas incursões inspirou sir Arthur Conan Doyle a escrever o livro O Mundo Perdido, em 1912.nota 1 Com o desenvolvimento do turismo na região, especialmente a partir da década de 1980, o monte Roraima tornou-se um dos destinos mais populares para os praticantes de trekking, devido ao ambiente singular e às condições relativamente fáceis de acesso e escalada. O trajeto mais utilizado é feito pelo lado sul da montanha,nota 2 através de uma passagem natural à beira de um despenhadeiro. A escalada por outros pontos, no entanto, exige bastante técnica, mas permite a abertura de novos acessos.O Monte Roraima é uma montanha localizada na América do Sul, natríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Constitui um tepui, um tipo de monte em formato de mesa bastante característico doPlanalto das Guianas. Delimitado por falésias de cerca de 1.000 metros de altura, seu platô apresenta um ambiente totalmente diferente da floresta tropical e da savana que se estende a seus pés. Assim, o alto índice pluviométrico promoveu a formação depseudocarstes e de numerosas cavernas, além do processo delixiviação do solo. A flora adaptou-se a essas condições climáticas e geológicas com um elevado grau de endemismo, onde encontram-se diversas espécies de plantas carnívoras – que retiram dos insetos capturados os nutrientes que faltam no solo. A fauna também é marcada por um acentuado endemismo, especialmente entre répteis eanfíbios. Esse ambiente é protegido no território venezuelano peloParque Nacional Canaima e no território brasileiro pelo Parque Nacional do Monte Roraima. Seu ponto culminante eleva-se no extremo sul, no estado venezuelano de Bolívar, a 2810 metros de altitude. O segundo ponto mais alto, com 2772 metros, localiza-se ao norte do platô, em território guianense, próximo ao marco de fronteiraentre os três países.

Toponímia

O monte Roraima é denominado em espanhol como tepuy Roraima ou cerro Roraima. No entanto, a grafia correta seriaRoroima. Seu ponto culminante é a Maverick Stone, nome dado em virtude de sua semelhança com o veículo de mesmo nome, fabricado pela Ford.

 

Localização

O monte Roraima está localizado no norte da América do Sul, na porção leste do Planalto das Guianas, mais precisamente na Serra de Pacaraíma, na região do planalto coberto pela Gran Sabana. Divide-se entre três países: Brasil a leste (5% de sua área), Guiana ao norte (10%) e Venezuela ao sul e oeste (85%). nota 3 Administrativamente, é parte do estado brasileiro de Roraima (localizado na cidade de Uiramutã), da região de guianense (conselho de vizinhança de Mazaruni/Lower Berbice Essequibo) e do estado venezuelano de Bolívar (município de Gran Sabana). A parte venezuelana do monte está inserida noParque Nacional Canaima e a brasileira no Parque Nacional do Monte Roraima. Outrostepuis ao redor do monte Roraima: tepui Kukenán a oeste, tepui Yuruaní a noroeste e tepui Wei-Assipu a leste.

Apesar de estar localizado numa região remota da América do Sul, o acesso ao monte Roraima é relativamente fácil pelo lado venezuelano.2 Isso ocorre pela proximidade com uma rota internacional – composta pela Autopista 10 na Venezuela e pela Rodovia BR-174no Brasil – que liga a cidade venezuelana de Carúpano, na costa do Caribe, à cidade brasileira de Cáceres, na divisa com a Bolívia. Essa rota passa a oeste do monte Roraima, cruzando a Gran Sabana, e serve muitas vilas e aldeias. Porém, tanto pelo lado brasileiro quanto pelo lado guianense, a região é totalmente isolada e pouco povoada, acessível apenas por vários dias de caminhada pela floresta ou por pequenas pistas de pouso locais.

 

O monte Roraima é um tepui, um tipo de platô cercado por falésias, típico doPlanalto das Guianas.7 A montanha tem formato de arco no sentido norte-sul-leste-oeste com um estreitamento central causado pela presença de um grande circo natural em seu flanco noroeste.1 Falésias retilíneas de até 1.000 metros de altura compõem a maior parte de suas outras faces, como a sul, sudeste, leste, nordeste e noroeste – essas duas últimas faces imitam a proa de um navio avançando sobre floresta, sendo por isso mesmo denominado “a proa”.1 4 7 8 No extremo sul da montanha, uma parte da falésia rompeu-se e formou um imponente monólitonatural: o Tök-Wasen.4 As falésias tem suas bases cercadas por encostas íngremes, mas pouco elevadas nas faces sul e leste, que se estendem rapidamente em altas planícies de cerca de 1.200 metros de altura, cobertas pelaGran Sabana. Por outro lado, as faces norte e oeste formam vales curtos que conduzem a um planalto de cerca de 600 metros, ocupados pela floresta tropical.

 

Vista do cume do platô, com umaárea pantanosa ao centro.

O cume sub-horizontal do platô tem pouco mais de 10 quilômetros de comprimento e largura máxima de 5 quilômetros – para uma superfície de 33 a 50 km² – e mantem-se acima dos 2.200 metros (com uma média de 2.600 a 2.700 metros). Sua superfície exibe formações pseudocársticas esculpidas pelas condições climáticas, estruturas ruiniformes, grutas e desfiladeiros, batizados com nomes como “Labirinto”, “Vale dos Cristais”, as “Jacuzzis”, etc.4 11 Uma dessas formações, a “Maverick Stone”, corresponde ao ponto culminante da montanha, com 2.810 metros de altura. Localizada na extremidade sul do planalto, a formação é também o ponto mais alto do estado de Bolívar – o ponto mais alto da Venezuela é o Pico Bolívar, com 4.978 metros de altura – e da Gran Sabana,12 sendo o quarto ponto mais alto do Planalto das Guianas – atrás do Pico da Neblina, do Pico 31 de Março e do Cerro Marahuaca. A 8,25 quilômetros ao norte do cume, uma outra elevação, com 2.772 metros de altura, determina o ponto mais alto da Guiana, na fronteira com a Venezuela. Finalmente, ao norte do planalto, a 2.734 metros de altitude, encontra-se o marco datríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.15

Geologia e hidrologia

Interior da Cueva Ojos de Cristal.

O planalto do Monte Roraima é composto por arenito, um tipo de rocha sedimentar formada no período Proterozoico – cerca de 1,7 a 2 bilhões de anos –, denominado “Formação Roraima” composta por 98% de grãos de sílica.Ele é recoberto por camadas de argila, conglomerados e diques de diorito, datados do período mesozoico. Essa massa rochosa, uma das mais antigas da Terra, repousa sobre uma base de granito e gnaisse que inicialmente abrangia boa parte do Planalto das Guianas, mas foi fraturada e reduzida aos tepuis atuais pela ação da erosão e de movimentos tectônicos ao longo dos últimos 180 milhões de anos. Essa rocha contem significativos depósitos de quartzo – no chamado “Vale dos Cristais”, as elevadas concentrações desse mineral formam um “tapete” de vários centímetros de cristais brancos e rosados. O arenito, erodido pelas condições climáticas, pode assumir o formato de monolitos ou de caos de blocos, assemelhando-se a animais, objetos e outros – chamados popularmente de “golfinho”, “tartaruga”, “macaco”, “igreja” ou mesmo “labirinto”. O solo proveniente da rocha matriz de arenito é bastante ácido, pobre em nutrientes e muito fino. Com efeito, o constante processo de lixiviação promovido pelos cursos d’água impede a fixação de nutrientes e de partículas e consequentemente a formação de camadas consistentes de solo.

No interior do platô, inúmeras cavernas e sumidouros conferem ao monte Roraima uma estrutura pseudocárstica.Essas cavernas formam uma verdadeira rede, denominada “Monte Roraima Sur” (“Monte Roraima Sul”) Com 10.820 metros de extensão e um desnível de 72 metros, é a maior caverna de quartzo do mundo. Com um mapeamento realizado entre 2003 e 2005, foi possível constatar sua conexão com a “Cueva Ojos de Cristal”, distante 2.410 metros e explorada por uma equipe de espeleólogos eslovacos em 2003. Em suas paredes, formaram-se diversosespeleotemas e agrupados de estalactites de até 50 centímetros de comprimento inclinadas na direção oposta às correntes de ar e cuja origem é desconhecida. As cavernas formaram-se a partir da infiltração de águas superficiais através da rocha. Assim, o nível de água em seu interior é fortemente dependente das precipitações na superfície do planalto – um período prolongado de estiagem pode secar os cursos d’água e as cascatas subterrâneos. A água que flui do monte Roraima, pelas cachoeiras ou por via subterrânea, dá origem a diversos rios perenes ou sazonais. Ao sul, os principais são o rio Kukenan e o rio Arabopó, que se juntam à bacia do Orinoco através do rio Caroni, na Venezuela.Ao sul, forma diversos córregos que alimentam o rio Kako, subafluente do Essequibo, através do rio Mazaruni, na Guiana. Por fim, ao leste, encontra-se a nascente do brasileiro rio Cotingo, subafluente do rio Amazonas.

Fauna e flora

 

Vegetação do planalto: Cyrilla racemiflora (folhas vermelhas) e umaHuperzia (“tufos” verdes).

 

Floresta tropical ao pé das falésias.

A fauna e a flora dos tepuis é largamente desconhecida devido à exploração tardia dessa região da América do Sul e novas espécies são descobertas a cada ano.As espécies identificadas são marcadas pelo forte endemismo – em especial a fauna –, o que indica ameaça ou risco iminente deextinção.

Ao pé da montanha e ao fundo dos penhascos estende-se uma floresta tropical de folhas persistentes, formada por espécimes de 25 a 45 metros de altura (algumas podem atingir os 60 metros). A vegetação é dominada por Cyatheales, Bromeliaceae, Eriocaulaceae e Arecaceae.2Uma característica dessa floresta é a presença da Bonnetia roraimae, espécie endêmica utilizada pelos pesquisadores como referência para demarcar os limites da zona ecológica oriental dos tepuis. Devido à sua posição (abaixo das falésias), essa floresta exibe grande variedade de epífitas – espécies vegetais que crescem sobre outras árvores. Já nas falésias, onde o solo é mais arenoso e o clima mais frio, a vegetação é composta por bromeliáceas de espécies muito similares às andinas, como as do gênero Brocchinia, Cottendorfia e Navia. Ao norte, leste e oeste, estende-se um prolongamento setentrional da floresta amazônica; enquanto que ao sul, a paisagem é mais aberta, como uma savana (a Gran Sabana).

A vegetação sobre o planalto faz parte da zona ecológica do pantepui e permanece grandemente desconhecida. Três tipos de vegetação são encontradas em toda a parte e crescem entre a rocha nua: árvores, epífitas e savanas secas ou pantanosas.2 As espécies endêmicas são abundantes na região, como Stegolepis guianensis, Orectanthe sceptrum,Bejaria imthurnii, Stomatochaeta condensata, Thibaudia nutans, Connellia augustae, Connellia quelchii, Tillandsia turneri,Bonnetia roraimae e Epidendrum secundum, além de samambaias e plantas carnívoras adaptadas às peculiaridades do solo, como Heliamphora nutans, Brocchinia reducta, Brocchinia tatei, Drosera roraimae, Utricularia quelchii e Utricularia humboldtii. Essas últimas retiram dos insetos capturados o nitrato necessário ao seu desenvolvimento e ausente no solo arenoso e lixiviado onde crescem. As florestas que crescem ao longo dos cursos d’água e voçorocas são caracterizadas pela pouca diversidade de espécies, com árvores de porte médio (8 a 15 metros de altura) de folhas coriáceas, especialmente adaptadas às condições adversas da região.2 A rocha nua é colonizada por algas, líquens ecianobactérias.10

 

Anomaloglossus roraima

A fauna ao pé da montanha é composta por diversas espécies de mamíferos. Essa grande diversidade é registrada especialmente na floresta amazônica, onde podem ser encontrados preguiças-de-bentinho, tamanduás-bandeiras, tamanduás-mirins,antas, tatus-canastras, capivaras, pacas, caititus, cachorros-vinagres, cutias,quatis, juparás, gogós-de-solas, veados, onças, jaguarundis, gatos-do-mato,suçuaranas, gatos-maracajás e ainda primatas, como macacos-da-noite, bugios,bizogues, uacaris-pretos, caiararas e parauacus.2 Outras espécies apresentam menor incidência, como alguns marsupiais (gambá-de-orelha-branca, cuíca-de-cauda-grossa e marmosa), mamíferos carnívoros (guaraxaim e furão), roedores(rato-da-cana e rato-do-mato), três espécies do gênero Rhipidomys e outras duas do gênero Cavia.2

A avifauna é representada por centenas de espécies, das quais as mais comuns são a marreca-toicinho, o falcão-de-coleira, o periquito-de-bochecha-parda, o peixe-frito-pavonino, a corujinha-de-roraima, a coruja-buraqueira, o tico-tico, otucaninho-verde, além de cinco espécies de beija-flor, entre outros. Algumas dessas espécies são endêmicas dessa região da América do Sul e são restritas às circunvizinhanças dos tepuis. É o caso do taperuçu-dos-tepuis, do beija-flor-do-tepui, da corruíra-do-tepui, o inhambu-do-tepui, da tiriba-de-cauda-roxa, do periquito-dos-tepuis, do bacurau-dos-tepuis, do asa-de-sabre-canela, do topetinho-pavão, do brilhante-veludo, do barranqueiro-de-roraima, do torom-de-peito-pardo, do anambé-de-whitely, do cabeça-branca e do dançarino-oliváceo.2

Devido à pouca mobilidade em relação às outras espécies, répteis e anfíbios apresentam grandes diferenças entre os indivíduos encontrados na base e no topo do monte Roraima. Assim, enquanto as espécies que habitam a floresta ao pé do planalto são bastante comuns, como a iguana-verde, lagartos do gênero Tupinambis e serpentes como a jararaca, asurucucu, a cobra-coral e a jiboia-constritora; aquelas encontradas no topo são mais específicos, como os anurosOreophrynella nigra e Oreophrynella quelchii.

A fauna cavernícola é representada por muitas espécies de morcegos, guácharos, gafanhotos, aranhas e lacraias.Este delicado ecossistema subterrâneo é ameaçado pelo trânsito de pessoas na superfície: ao longo dos anos, os detritosproduzidos por turistas e exploradores são levados pela chuva para os subterrâneos, gerando o acúmulo de matéria orgânica altamente poluente. Essas interferências externas causam um desequilíbrio ecológico, que pode ser verificado pela proliferação de microorganismos no interior das cavernas.

Histórico

 

Litografia de Robert Hermann Schomburgk, de 1840, retrata os tepuis, com o Monte Roraima à direita.

O monte Roraima foi descoberto pelos europeus em 1595, durante a colonização espanhola e britânica dessa parte da América do Sul. A “montanha de cristal”impossível de escalar e de onde surgiam numerosas cascatas – conforme descrição do poeta, oficial e explorador britânico Walter Raleigh –3 pode ser o monte Roraima. Outros aventureiros, em busca do Eldorado, também fizeram incursões pela região, que foi habitada por pelo menos 10 mil anos por povos ameríndios – atualmente, o entorno da montanha é habitada pelos Pemons, descendentes dos Caraíbas, que estabeleceram-se na região há cerca de 300 anos. Entretanto, outros autores assinalam que a descoberta do Monte Roraima teria ocorrido em 1838 por Robert Hermann Schomburgk, um cientista e explorador alemão. Seguindo a nordeste a partir das florestas da então Guiana Inglesa, Schomburgk teria sido o primeiro a avistar a montanha, durante uma expedição patrocinada pela Royal Geographical Society. Em 1845, ele retornaria à região para estudar a flora local, assinalando que o topo do monte parecia inacessível devido às suas altas falésias. Outra expedição semelhante foi realizada em 1864 pelo naturalista e botânico alemão Carl Ferdinand Appun. A mesma rota foi utilizada em 1869 e 1872 pelo geólogo britânico Charles Barrington Brown. Chegando à extremidade sudeste do Monte Roraima, Brown observou a presença de altos pináculos de rocha nesta área e propôs a subida à montanha através de um balão. Outra expedição, liderada por Flint e Edginton, chegou à montanha em 1877 e também anotou o caráter impenetrável das falésias ao norte, leste e sul (já exploradas nos dias atuais).3 Henry Whitely, que estudou a avifauna da região, observou que o cume do monte poderia ser atingido pela face meridional com a ajuda de cordas e escadas – ao contrário do vizinho Tepui Kukenán, cujo ponto mais alto parecia ser acessível apenas por meio de um balão a partir do sudeste, devido aos ventos predominantes.

 

Praticantes de trekking atingem o cume do Monte Roraima.

Apesar de suas paredes verticais tornarem o acesso muito difícil, este foi o primeiro grande tepui a ser escalado. Everard im Thurn e Harry Perkins lideraram uma expedição, patrocinada pela Royal Geographical Society, que atingiu o pico em 18 de dezembro de 1884 – graças, em parte, às sugestões e comentários fornecidos por Henry Whitely. A equipe localizou uma passagem até então desconhecida mesmo pelos Pemons, que diziam que o topo das falésias permaneciam desconhecidos desde o início do mundo.8 Logo novas expedições – formadas por botânicos, zoólogos e geólogos – foram realizadas a fim de explorar e estudar a flora e fauna (em grande parte desconhecidas) e a peculiar geologia da região: Frederick Vavasour McConnell e John Joseph Quelch, em 1894 e 1898; três expedições da Boundary Commission, em 1900, 1905 e 1910; Koch Grumberg, em 1911; C. Clementi, em 1916 e G.H. Tate (financiado pelo Museu Americano de História Natural), em 1917.8 As cavernas começaram a ser exploradas por espeleólogos venezuelanos no final de 1930 e, especialmente desde os anos 1970. Seu trabalho mostra que as cavidades subterrâneas, para além de suas grandes dimensões, podem se formar em rochas de quartzo.19 Outros estudos sobre o meio ambiente, incluindo os diversos do naturalista e explorador venezuelano Charles Brewer-Carías, foram responsáveis pela descoberta e classificação das espécies que habitam o planalto.8 Com a expansão do Parque Nacional Canaima para o leste, em 1975, o Monte Roraima e a floresta que o circunda foram declarados áreas totalmente protegidas – que proíbe qualquer atividade humana que não esteja relacionada à pesquisa –, com exceção de uma pequena área, destinada à prática de trekking.2

Devido à descoberta e exploração tardias o Monte Roraima só passou a ser considerado o ponto culminante do Planalto das Guianas em 1931, quando uma comissão multinacional esteve no local para determinar a localização exata da tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.1 3 As falésias ao norte ao nível da “proa” foram escaladas em 1973 pelos alpinistas britânicos Mo Anthoine, Joe Brown, Don Whillans e Hamish MacInnes.6 8 Com a melhoria das condições da estrada de acesso, incluindo sua extensão e pavimentação na década de 1980, o turismo tem se desenvolvido na região.9

A Lenda do Monte Roraima

A lenda do Monte Roraima surgiu na tribo dos índios Macuxi, que ali habitavam. Conta que antigamente não havia nenhuma elevação naquelas terras. Muitas tribos indígenas viviam naquela área plana e fértil onde a caça, a pesca e outros frutos eram abundantes. Porém, num dia, nasceu num local uma bananeira, uma árvore que nunca aparecera ali antes. tornou-se, rapidamente, viçosa e cheia de belos frutos, mas um recado divino foi dado aos pajés: “Ninguém poderia tocar nela ou em seus frutos, pois aquele era um ser sagrado; Se alguém o fizesse, inúmeras desgraças aconteceriam ao povo daquela terra. Todos obedeceram ao aviso que lhes foi dado. Porém, ao amanhecer de um certo dia, a tribo percebeu que haviam cortado a árvore e, em instantes, a natureza revoltou-se. Trovões e relâmpagos rasgavam o céu deixando todos assustados. Os animais fugiam. E do centro da Terra surgiu o Monte Roraima, elevando-se imponente até o céu. Pessoas dizem que até hoje o monte “chora” pela violação no passado.

Parque Nacional

O Parque Nacional do Monte Roraima foi criado pelo então presidente da república do Brasil José Sarney, Decreto N° 97.887, de 28 de junho de 1989.

O Parque Nacional do Monte Roraima localiza-se no estado de Roraima, e tem por objetivo a proteção da flora, fauna e demais recursos naturais da Serra Pacaraíma. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Na Venezuela existe um Parque Nacional englobando o Monte Roraima, é o Parque Nacional Canaima, com aproximadamente 4 milhões de hectares, que é considerado o maior Parque Nacional da América Latina.

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Fonte via: wikipedia

 

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