Relógio de bolso que esteve no Titanic é encontrado e leiloado por R$ 240 mil

O destino de todos que adentraram o navio R. M. S. Titanic em 10 de abril de 1912 estava traçado para entrar na história – com a maioria saindo da vida para tal. E assim foi para o casal de imigrantes russos Sinai e Miriam Kantor, que saíram da Inglaterra com plenos planos de estudar medicina e odontologia em Nova Iorque. Cinco dias depois do embarque, Miriam seria resgatada em um bote, mas perderia seu marido.

Miriam embarcou com um pouco de dinheiro, seu passaporte, um caderno de viagens, um telescópio e um relógio de bolso. Passados mais de 100 anos como uma impressionante memorabilia que foi devolvida a Miriam e que ficou com a família ao longo de mais de um século, o relógio que era de Sinai e Miriam foi a leilão, sendo arrematado por 57,5 mil dólares – cerca de 240 mil reais. A peça mede cerca de 7,5 centímetros de diâmetro e tem os números escritos em hebraico e uma imagem de Moisés carregando os dez mandamentos a estampando.

Quem deu o lance mais alto foi John Miottel, dono do museu Miottel, que possui outros três relógios recuperados do mais famoso desastre náutico em todos os tempos. Sua ideia é incluí-lo em uma exposição permanente no museu em São Francisco. Apesar do alto preço para um item tão comum e diminuto, não se trata nem de longe do mais caro objeto recuperado do Titanic: em 2017, um violino que pertenceu ao músico Wallace Hartley, da banda do navio, foi leiloado por 1.7 milhões de dólares – o equivalente a mais de 7 milhões de reais.

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Pintura de Da Vinci encontrada em 2011 é vendida por US$450 milhões

 

O leilão da tela “Salvator Mundi” aconteceu na quarta-feira (15) de novembro de 2017 no Rockefeller Center, em Nova York, e durou apenas 19 minutos. A obra representa Jesus Cristo com uma mão em movimento de bênção e a outra segurando um globo de cristal (veja imagem completa abaixo).

Quatro compradores participaram por telefone e um pessoalmente na sede da casa de leilões Christie. Cada lance dos interessados provocava reações de surpresa nos presentes.

O preço alcançado foi de US$450,3 milhões, com as taxas de compra. Esta quantia foi radicalmente maior que o último recorde de obra de arte leiloada, o “Mulheres de Alger” de Picasso, vendida por US$179 em 2015. O comprador de “Salvatore Mundi” ainda não foi identificado publicamente.

Este preço pago pela obra de Da Vinci é ainda mais impressionante levando em conta que o mercado de obras de arte renascentistas está em contração por falta de peças disponíveis para venda. A venda astronômica também traz questionamentos sobre o valor de obras de arte, já que ainda há dúvidas de que o  “Salvatore Mundi” seja de Da Vinci e a obra está em más condições de preservação. Enquanto as mãos estão bem preservadas, o fundo foi manipulado e a superfície da tela foi limpo de forma incorreta, danificando a face e cabelo de Cristo.

Apesar de já ter sido chamada de “Mona Lisa masculino”, o quadro não tem muita semelhança com a composição e estilo de Da Vinci. Especialistas em investimentos em obras de arte se queixaram da demora da Christie em liberar um relatório sobre as condições da peça, e o certificado de garantia de que se trata de um Da Vinci vence em apenas cinco anos. Esta informação foi impressa em letras pequenas atrás do catálogo de venda da obra.

 

Mesmo assim, a pintura atraiu o interesse de muita gente, mostrando que o público não se importa se a pintura é original de Da Vinci ou se é de um de seus pupilos. Na fase de pré-leilão, a peça foi exposta em Hong Kong, Londres, São Francisco e Nova York, e atraiu 27 mil pessoas interessadas em conferir a tela feita no século XVI.

Linha do tempo da obra perdida


A obra foi feita ao redor de 1.500, e alguns estudos realizados por Da Vinci ligam a tela a ele. Em algum momento, o rei Charles I da Inglaterra, um grande colecionador de arte, comprou a pintura. Ela provavelmente ficava no quarto de sua esposa Henriqueta Maria. Charles I foi executado em 1.649 na Guerra Civil Inglesa. Depois de sua morte, a obra foi vendida em 1.651, para John Stone.

Stone ficou com a pintura por nove anos, quando o filho de Charles I voltou do exílio para retomar o trono inglês. A tela foi devolvida para Charles II, e ela provavelmente ficou no Palácio de Whitehall em Londres até o final do século XVIII, passando de Charles II para seu irmão James II. A partir daí sua localização ficou imprecisa.

A pintura ficou em local desconhecido até o século XX, quando foi vendida como um trabalho de Bernardino Luini, um dos pupilos de Da Vince. Em 1.958, a tela foi comprada por apenas mil dólares no valor atual (na época, apenas 45 libras esterlinas).

Apenas em 2005 a pintura acabou em um leilão nos Estados Unidos, mas ainda acreditava-se que se tratava de um trabalho de um dos pupilos de Da Vinci. Depois daquela venda, em 2007 a restauradora Dianne Modestini, do Instituto de Nova York de Belas-artes, lançou um projeto para recuperar a obra, removendo gotas de tinta que haviam sido adicionadas ao painel de madeira para disfarçar batidas e para restaurar tentativas ruins de colar uma rachadura na madeira.

Foi aí que ela percebeu que poderia ter em mãos uma obra de Da Vinci. Especialistas do mundo todo examinaram a peça e concordaram que o autor realmente foi Da Vinci. Em 2011, a tela foi exposta na Galeria Nacional em Londres.

Algo que acrescenta ainda mais valor à tela é a técnica de pintura da pele de Cristo, chamada sfumato. Nela, o artista usa a palma da mão para espalhar tinta na tela. Imagens em infravermelho mostraram que ainda há impressões da mão de Da Vinci na tela, especialmente na testa de Cristo.

Em 2013, a tela foi vendida por US$80 milhões para um negociante suíço, que a vendeu por US$127 milhões em 2014 para o investidor Russo Dmitry Rybolovlev. A obra anterior de Da Vinci vendida por maior preço foi a “Cavalo e Cavaleiro”, por US$11,4 milhões em 2001. fonte:via [Live Science,via New York Times]