Atlas reúne mapas de grandes obra da literatura, com ‘Senhor dos Anéis’ e ‘On The Road’

Se na maior parte dos clássicos da literatura são os personagens, o enredo e as reviravoltas que formam o espírito do livro, em algumas obras um outro elemento se destaca como parte determinante de uma história: o lugar. Basta pensar na Terra Média das história de J. R. R. Tolkien para entender que, em certos casos, o cenário onde o livro se dá é tão importante quanto a própria aventura em si – como um personagem protagonista. Um novo livro, intitulado The Writer’s Map (ou O Mapa do Escritor, em tradução livre) reúne justamente aos apaixonados pela literatura literalmente o mapa de tais lugares – os mapas desenhados de diversos cenários imortais da literatura.

Capa do livro O Mapa do Escritor

Entre o mapa de A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, de Walden Pond, imortalizado no clássico Wolden ou A vida nos Bosques, de Henry David Thoreau, e ainda de Utopia, de Thomas Moore ou a rota de On The Road, de Jack Kerouac, o livro reúne também ensaios e escritos sobre o tema.

Acima, o mapa da rota de On The Road; abaixo, Walden Pond, de Henry David Thoreau

Diversos mapas foram feitos pelos próprios autores e publicados nos livros originais, outros permaneceram secretos por décadas no arquivo pessoal dos escritores, enquanto foram feitos posteriormente, por ilustradores que se debruçaram na própria história.

Mapa de The Swiss Family Robinson, de Johann David Wyss

Mapa de The Magicians, de Lev Grossman

Mapa de A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson

Trata-se de uma verdadeira tradição literária, explorada e ilustrada pelo livro. Da realidade à pura imaginação, o estabelecimento de universos imensos e complexos pelos autores é literalmente um mundo à parte do nosso amor por tais livros – um mundo que merece ser devidamente explorado, de mapa em punho e coração na leitura.

Rascunho de Abi Elphinstone

© fotos: reprodução/fonte:via

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Escritor indígena recebe prêmio de literatura infantojuvenil

Desde 2008, a lei exige que as escolas brasileiras incluam em seu currículo a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. O cumprimento da norma, no entanto, ainda é um entrave, visto que há poucos professores realmente preparados para abordar o assunto.

Em muitos casos, os docentes apenas repetem conteúdos sobre os quais já ouviram, se tornando intermediários de um discurso que, por vezes, é repleto de estereótipos. Não seria interessante se, ao invés disso, crianças e adolescentes pudessem estudar sobre a cultura indígena através de livros escritos por pessoas destas etnias?

Daniel Munduruku é um destes autores que despontam na literatura infantojuvenil. Nascido em Belém, Pará, na etnia Munduruku, ele acaba de receber o prêmio Vida e Obra, na categoria Letras: Literatura Infantojuvenil, da Fundação Bunge.

A premiação existe desde 1955 e já consagrou nomes como Jorge Amado e Hilda Hist. Daniel é o mais recente agraciado com o prêmio, no valor de R$ 150 mil. Este não é o único título acumulado por ele: formado em filosofia e com doutorado e pós-doutorado em educação, Daniel é autor de mais de 50 livros que retratam a cultura indígena, tendo recebido também os prêmios Jabuti, em 2017, e Tolerância.

O Diário de Myriam: relato de menina sobre guerra síria chega ao Brasil graças a mobilização infantil

Myriam Rawick tem 13 anos hoje. Entre os 6 e os 12, ela escreveu um diário sobre o que via e sentia sendo uma criança de Aleppo, na Síria, uma das cidades mais afetadas pelo confronto entre governo e opositores, parte de uma guerra civil que já dura mais de sete anos.

A ideia de registrar as vivências de Myriam partiu da mãe da garota, e ganharam a mentoria do jornalista Philippe Lobjois quando ela tinha 8 anos. Foi o francês quem ajudou a transformar os relatos em livro e voltou para seu país em busca de uma editora disposta a publica-lo.

Foi assim que nasceu o livro “O diário de Myriam“, elogiado internacionalmente e comparado até a “O Diário de Anne Frank”. E a obra ganhou um combustível extra para ser traduzida para o português, em lançamento recente da editora DarkSide.

Alunos de uma escola pública de Osasco (SP) ficaram sabendo sobre o livro durante uma aula de informática, ao acessar o site de conteúdo infantil Joca. Interessadas em poder ler as histórias de Myriam, elas enviaram dezenas de cartas à redação do portal pedindo pela tradução do livro.

Estudantes de outros colégios, públicos e particulares, também escreveram para o Joca. A equipe do jornal decidiu procurar editoras dispostas a publicar a obra, e descobriu que a DarkSide já estava interessada no livro de Myriam.

Algumas cartinhas até foram publicadas na edição brasileira do livro para registar para sempre a movimentação dos estudantes. “O Diário de Myriam” pode ser comprado online, pela Saraiva ou pela Amazon.

Fotos: reprodução/fonte:via

Literatura de Cordel passa a ser Patrimônio Cultural do Brasil

Paraty (RJ) - O casal de cordelistas Marialva Bezerra, a Querindina, e Fernando Rocha, o Macambira, vieram da cidade de Esperança, na Paraíba, para a 12ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Preparem seus corações, pois a literatura de cordel foi declarada Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi tomada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A notícia é um afago aos corações dos apaixonados por este estilo literário tão característico da cultura brasileira. Quem nunca reparou nestes livrinhos coloridos dispostos nas bancas de jornal?

O reconhecimento da literatura de cordel como patrimônio da cultura brasileira foi recebida com alegria pelo presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. O cearense Gonçalo Ferreira da Silva – com mais de 300 cordéis escritos, disse ao jornal O Globo que “aguardava com ansiedade o reconhecimento do Iphan, porque a literatura de cordel alcançou um nível muito bom”.

Literatura de cordel agora é patrimônio cultural do

Aliás, a ABLC possui 40 membros e foi fundada em 1988. A entidade entrou com o pedido ao Iphan em 2010. O presidente garante que no Brasil existem pelo menos cerca de 60 cordelistas, 20 deles no Rio de Janeiro. A obra do Bispo do Rosário também foi tombada.

Para escritoras e pesquisadores a decisão é fundamental para acabar de vez com o preconceito que por décadas cercou o gênero literário. O título pode fazer com que o cordel conquiste espaço em eventos de literatura pelo país.

“Por ter esse caráter de uma tradição popular, de livros que são feitos de uma forma mais artesanal, com materiais mais baratos, existe esse preconceito. Só que na verdade, enquanto discurso poético, o cordel é muito rico e refinado, porque necessita de uma técnica de métrica e rima”, explica ao G1 Maria Alice Amorim, que estudou literatura de cordel no mestrado e doutorado.

A literatura de cordel remete ao XVI, quando impulsionada pelo Renascimento, ganhou popularidade com a impressão de folhetos. Era a forma encontrada para a perpetuação de manifestações orais. O nome cordel vem justamente de forma com que os folhetos eram expostos, em cordas ou barbantes.

No Brasil o cordel é popular, sobretudo, no Nordeste. O músico e poeta nordestino Patativa do Assaré foi um dos grandes expoentes do gênero. Seus escritos traçam um paralelo entre a vida no sertão e na cidade.

“Geme de dor, se aquebranta
E dali desaparece
O sabiá só parece
Que com a seca se encanta
Se outro pássaro canta
O coitado não responde;
Ele vai não sei pra onde
Pois quando o inverno não vem
Com o desgosto que tem
O pobrezinho se esconde.”

Foto: Reprodução/Dinoleta/fonte:via

Cada vez que você faz um pedido você ganha um livro neste restaurante

Um bife à milanesa e um ‘Cem Anos de Solidão’, por favor“. Não é exatamente assim que os pedidos são feitos no restaurante Traveler, mas poderia ser.

O local abriu suas portas em Connecticut, nos Estados Unidos, durante os anos 70. Seu proprietário era um grande amante de livros e, ao ver as estantes de sua casa cheias de obras literárias, decidiu que era hora de compartilhar o conhecimento com seus clientes. Assim, a cada pedido efetuado no restaurante, as pessoas ganhavam também um livro.

Embora tenha trocado de administração em 1993, a tradição continuou. De acordo com o Bored Panda, o local distribui entre mil e dois mil livros por semana – e já compartilhou mais de 2,5 milhões de títulos com os clientes. Junto com a refeição, cada pessoa pode levar entre uma e três obras.

Atualmente, os clientes podem escolher entre cerca de nove mil livros dispostos pelas estantes do restaurante. Em ocasiões especiais, o local costuma oferecer um menu para duas pessoas com entrada, prato principal, sobremesa e bebida por US$ 40 (cerca de R$ 150) – nada mal, considerando que o cliente ainda leva três livros de brinde, não é mesmo?

Foto: Nancy O/Tripadvisor /fonte:via

Professor cria biblioteca com rodas para espalhar seu amor pela literatura às crianças

Antonio La Cava, um professor italiano de literatura, decidiu que depois de 42 anos de ensino, poderia fazer ainda mais para espalhar seu amor pela leitura às crianças. Então, em 2003, ele comprou uma moto usada e a modificou para criar uma biblioteca móvel que abriga 700 livros. Ele está viajando na “Bibliomotocarro” desde então.

A cada semana, ele viaja para aldeias de difícil acesso na Itália, ao som de um órgão que anuncia sua chegada. Quando ouvem a música, as crianças correm para a biblioteca móvel com entusiasmo, já que aparência do veículo é bastante similar a um caminhão de sorvete.

A rota de oito paradas de La Cava leva mais de 500 quilômetros cada viagem, o que ele faz sem apoio de nenhum órgão do governo ou ONG. A viabilização do projeto é inteiramente de sua responsabilidade e possui como único objetivo oferecer opções de leitura às crianças.

Em uma entrevista, La Cava explicou que sua experiência no sistema escolar o fez sentir que havia uma maneira melhor de ensinar as crianças a amar os livros, dizendo: “Um desinteresse pela leitura geralmente começa em escolas onde a técnica é ensinada, mas é não sendo acompanhado pelo amor. Ler deve ser um prazer, não um dever”.

Imagens: Reprodução

Todos os meses, as drags queens leem historinhas para as crianças em biblioteca de NY

O que crianças e drag queens têm em comum? Ambos são absurdamente felizes e adoram coisas coloridas e reluzentes. Interesses em comum à parte (ou não), a Biblioteca Pública do Brooklyn, em Nova York, vem dando um verdadeiro show de diversidade, com um projeto chamado Drag Queen Story Hour no qual convida drag queens para lerem histórias infantis para crianças uma vez por mês.

A iniciativa foi criada em 2015 pela escritora Michelle Tea e a Radar Productions, uma organização sem fins lucrativos na cidade de São Francisco. O evento reuniu crianças e drags que, além de lerem histórias também pintaram os rostos dos pequenos. O sucesso foi imenso e depois de sua primeira edição, o evento se espalhou por outras cidades americanas, como Los Angeles e Nova York.

Eu vi no Facebook uma publicação sobre o projeto”, disse Rachel Aimee, coordenadora da Drag Queen Story Hour em Nova York, ao The New York Times. “E assim que eu vi disse: ‘Uau, é isso o que eu estava esperando”.

O Drag Queen Story Hour tem entrada gratuita e ensina as crianças sobre diversidade desde cedo de uma maneira descontraída, diminuindo as chances de futuramente existirem pessoas preconceituosas no mundo.

Faz parte do mundo infantil ser imaginativo. Se as crianças tivessem permissão para se enfeitar todos os dias, elas fariam. Eu não acho que elas fiquem pensando em suposições de gênero. Eles estão apenas vendo o drag queens como outras pessoas que são sendo imaginativas’, afirmou.

Vale dizer que vários dos livros lidos são tradicionais e outros nem tanto, pois abordam temas como casamento gay e pessoas transgênero. Um dos favoritos da multidão foi “My Princess Boy”, um conto sobre um jovem que gosta de se vestir como uma menina e ainda é amado por sua família.

Após todas as leituras há também uma rodada de debates sobre os livros onde as crianças dão suas opiniões a respeito.

Eis uma ótima maneira de gerar reflexão nos pequenos, hein?

 

Imagens: Reprodução/fonte:[via]