Obra-prima dos Racionais, ‘Sobrevivendo no Inferno’ vira livro

Depois de ser anunciado como leitura obrigatória para o vestibular da Unicamp de 2020, o mais importante disco de rap do Brasil e um dos mais impactantes acontecimentos da música brasileira se tornará enfim um livro: Sobrevivendo no Inferno, lançado pelos Racionais MC’s em 1997, será lançado no dia 31 de outubro pela Companhia das Letras como uma extensão e um aprofundamento da obra-prima do grupo paulistano.

Composto por Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay, foi Sobrevivendo no Inferno que transformou os Racionais de um fenômeno localizado dentro da cena de rap da época em uma das mais populares e importantes bandas do Brasil.

O livro terá 160 páginas, trazendo fotos clássicas e inéditas, informações, textos de apresentação, além das próprias músicas que formam o disco. “Foi com ‘Sobrevivendo no Inferno‘ que a juventude negra e periférica se formou. Por causa deste disco muita gente se graduou em autoestima e não entrou para a faculdade do crime”, diz o poeta Sérgio Vaz, medindo a importância do quinto disco dos Racionais.

Apesar de ter sido lançado pela gravadora independente Cosa Nostra, o disco alcançou a incrível marca de 1,5 milhões de cópias vendidas, tornando-se o mais bem sucedido disco do gênero no país – e colocando o rap no centro do cenário musical brasileiro. “Diário de Um Detento”, “Fórmula Mágica da Paz”, “Capítulo 4, Versículo 3” e “Mágico de Oz” são algumas das música que compõe esse repertório incontornável para se pensar não só o rap brasileiro, mas também a própria realidade dos presídios e da vida nas periferias do Brasil.

© fotos: reprodução/fonte:via

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O Diário de Myriam: relato de menina sobre guerra síria chega ao Brasil graças a mobilização infantil

Myriam Rawick tem 13 anos hoje. Entre os 6 e os 12, ela escreveu um diário sobre o que via e sentia sendo uma criança de Aleppo, na Síria, uma das cidades mais afetadas pelo confronto entre governo e opositores, parte de uma guerra civil que já dura mais de sete anos.

A ideia de registrar as vivências de Myriam partiu da mãe da garota, e ganharam a mentoria do jornalista Philippe Lobjois quando ela tinha 8 anos. Foi o francês quem ajudou a transformar os relatos em livro e voltou para seu país em busca de uma editora disposta a publica-lo.

Foi assim que nasceu o livro “O diário de Myriam“, elogiado internacionalmente e comparado até a “O Diário de Anne Frank”. E a obra ganhou um combustível extra para ser traduzida para o português, em lançamento recente da editora DarkSide.

Alunos de uma escola pública de Osasco (SP) ficaram sabendo sobre o livro durante uma aula de informática, ao acessar o site de conteúdo infantil Joca. Interessadas em poder ler as histórias de Myriam, elas enviaram dezenas de cartas à redação do portal pedindo pela tradução do livro.

Estudantes de outros colégios, públicos e particulares, também escreveram para o Joca. A equipe do jornal decidiu procurar editoras dispostas a publicar a obra, e descobriu que a DarkSide já estava interessada no livro de Myriam.

Algumas cartinhas até foram publicadas na edição brasileira do livro para registar para sempre a movimentação dos estudantes. “O Diário de Myriam” pode ser comprado online, pela Saraiva ou pela Amazon.

Fotos: reprodução/fonte:via

Gênio? Para filha, Steve Jobs foi só mais um homem a cometer abandono parental

É sabido que o talento e o carisma de Steve Jobs no comando da Apple eram proporcionais à dureza de seu temperamento e à exigência que mantinha com seus funcionários. O que não se sabia, no entanto, é que tal dureza também se fazia presente em sua vida familiar, e que sua relação com sua filha não era nada fácil. A revelação é um dos pontos mais agudos do livro Small Fry, livro de memórias de Lisa Brennan-Jobs, filha que o fundador da Apple teve aos 23 anos de idade, e que por anos negou tanto a paternidade quanto seu sustento.

Lisa e sua mãe, a artista Chrisann Brennan, viveram uma vida dura, contando com ajudas de vizinhos, até Jobs assumir a paternidade. “Eu era uma mancha em sua espetacular ascensão, já que a nossa história não se encaixava com a narrativa de grandeza e virtude que ele queria para si mesmo”, escreveu Lisa.

Acima, o jovem Steve Jobs; abaixo, ele com Lisa

A filha, no entanto, não condena o pai, dizendo que ele era “desajeitado” e extremamente sincero para tais situações, que estava tentando lhe passar o que lhe acreditava, e que, por fim, o perdoa. Ela passou a viver com ele na adolescência, e antes de morrer o pai lhe pediu perdão, ela conta.

Acima, o livro de Lisa; abaixo, ela com o pai

O restante da família que Jobs – que viria a se casar com Lauren Powell Jobs – afirmou que leu o livro com tristeza, por não se tratar da maneira com que recordam da relação. “Ele a amava e se arrependeu por não ter sido o pai que deveria ter sido em sua infância”, disse Mona Simpson, irmã de Steve. A mãe de Lisa, no entanto, não só defende o livro da filha como afirma que ela não incluiu todas as coisas ruins.

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O emocionante casamento da ex-escrava sexual do ISIS que se tornou símbolo global de luta

Aos 21 anos, Nadia Murad foi capturada e mantida como escrava sexual do ISIS. Tudo aconteceu em 2014, no Iraque, quando ela e mais 7 mil mulheres yazidi foram sequestradas pelo grupo terrorista islâmico.

Antes de ser mantida em cativeiro pelos radicais, a jovem enfrentava dificuldades no vilarejo em que vivia com a família. O fato de seguir uma religião minoritária, segundo Nadia, não era bem visto pelos vizinhos adeptos do islã. Cinco de seus oito irmãos e a mãe foram mortas no período.

“Não é fácil contar a nossa história. Cada vez que falamos, revivemos os terríveis momentos”, conta Murad.  

Depois da obscuridade nas mãos do ISIS, Nadia conseguiu escapar pelo jardim da casa de um dos sequestradores na cidade iraquiana de Mosul. Na sequência, obteve asilo na Alemanha e tempo para apresentar sua história nas Organização das Nações Unidas.

Desde a conquista da liberdade, Nadia Murad reúne esforços para livrar outras pessoas das mãos dos terroristas. A mulher está no comando de um grupo de reconstrução da cidade de Sinjar e mantém conversas com setores de direitos humanos da ONU.

Em postagem no Facebook, ela surpreendeu a todos aos anunciar que está noiva de Abid Shamdenn, ex-intérprete do exército dos Estados Unidos.

“Ontem foi dia especial para mim e Abid. Nós estamos muito gratos e felizes com todo o apoio recebido de nossa família e amigos. Nos encontramos durante tempos difíceis em nossas vidas, mas conseguimos encontrar o amor enquanto lutávamos em uma batalha árdua”, declarou.

Estima-se que mais de 5 mil pessoas da etnia yazidi tenham sido alvo do ISIS apenas em 2014. A ONU garante existir um genocídio em curso contra povos desta etnia no Iraque e Síria. Em 2016, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação de uma comissão investigativa para a coleta de provas sobre a presença do ISIS em solo iraquiano.

Amal Clooney, advogada internacional de direitos humanos, está exercendo importante papel na luta contra práticas criminosas adotadas pelo ISIS. A norte-americana de ascendência libanesa está à frente de processo que exige a condenação do grupo islamista na Corte Internacional de Direitos Humanos. Amal é autora do prefácio do livro The Last Girl, escrito por Nadia Murad

“Devemos desconstruir o ISIS expondo sua brutalidade e levando os criminosos para enfrentar a justiça individualmente”, declarou Amal na sede da ONU, em Nova York.

Fotos: Reprodução /fonte:via

Kama Sutra ganha nova versão ilustrada por uma mulher e vai muito além do sexo

Kama Sutra de Vatsyayana ou simplesmente Kama Sutra é aquele livro que ficou conhecido no ocidente como um verdadeiro tratado sobre posições sexuais. Mas, na verdade, a obra vai muito além disso.

Escrito há cerca de 2 mil anos, o texto pode ser considerado como um livro de instruções sobre o sexo, o amor e a busca da felicidade na sociedade indiana da época. Entre seus conselhos, estão dicas para escolher um parceiro com quem possa viver de maneira virtuosa e como construir um lar feliz para ambos.

O que pouco se fala é sobre a parte mais “moralista” do livro, segundo a qual, homens e mulheres devem ser educados nas 64 artes e ciências antes de se entregarem aos prazeres da carne. Estes ofícios incluem tatuagem, magia e até mesmo ensinar papagaios a falar.

Pela primeira vez, a obra ganha ilustrações de uma mulher. Lançada pela Folio Society, a edição foi ilustrada por Victo Ngai. Natural de Hong Kong, ela já é considerada uma das melhores profissionais de sua área com menos de 30 anos e empresta seu estilo a esta edição limitada da obra. Ao invés de desenhos muito explícitos, a versão traz ilustrações que apenas sugerem o erotismo, segundo os editores.

Apenas 750 cópias do livro foram impressas. Cada uma delas é numerada e está sendo vendida pelo equivalente a £ 395 (cerca de R$ 2.000).

A obra é vendida em uma caixa própria e traz 25 ilustrações em preto e branco representando diferentes posições sexuais, além de uma impressão assinada pela própria artista. Veja abaixo algumas das imagens encontradas nas páginas deste novo Kama Sutra:

Imagens: Victo Ngai /fonte:via

A história da catadora de lixo que contou com o filho de 11 anos para aprender a ler e escrever

Mãe de sete filhos a catadora de lixo Sandra Maria de Andrade ficou sem saber ler e escrever até os 42 anos de idade. Abandonada pela mãe a mulher foi obrigada a priorizar o trabalho ante os estudos.

Ao longo da vida Sandra fez de tudo um pouco, atuou na lavoura, fazendo faxina e na fase adulta, depois de ter sido agredida pelo marido, se sentiu desconfortável por não saber escrever nem o próprio nome.

Após de ter frequentado sem sucesso uma turma de jovens adultos Sandra Maria, moradora da periferia de Natal, capital do Rio Grande do Norte, contou com a ajuda do filho de 11 anos para superar as dificuldades.

Dia após dia Damião Sandriano de Andrade Regio chegava da escola com livros emprestados pela biblioteca e lia ao lado da mãe. Com o avanço da leitura Sandra começou a escrever as primeiras letras e formar palavras.

“Eu tomava banho, deitava na rede, ele vinha e me chamava para ler. Eu queria ver os desenhos, mas também queria aprender as letras. Ficava curiosa”, conta em entrevista publicada pela BBC Brasil.

O tempo passou e hoje, quase dois anos depois do início da parceria, a dupla já leu mais de 100 livros e Sandra tirou uma nova carteira de identidade, desta vez com seu nome assinado.

Infelizmente o analfabetismo ainda é uma realidade que atinge 7,2% da população de 15 anos ou mais. Segundo o IBGE o Brasil possui 11,8 milhões de analfabetos. A desigualdade permanece como um dos fatores principais. No Sudeste a taxa de pessoas que não sabem ler e escrever é de 3,8%, já no Nordeste o número salta para 14,8%, a maior do Brasil.

O racismo estruturante também deixa sua contribuição no cenário. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que negras e negros respondem por quase 10% dos analfabetos, enquanto o déficit entre os brancos é de 4,2%.

Fotos: Reprodução/TV Globo/fonte:via

Os bizarros conselhos sexuais de um manual banido há 300 anos no Reino Unido

No começo da vida sexual, muita gente busca por conselhos sobre o que fazer ou não na cama. Com o tempo, a gente acaba descobrindo que não existe certo ou errado entre quatro paredes, desde que haja consentimento. Mesmo assim, os conselhos deste manual provavelmente parecerão estranhos para qualquer um.

Escrito há cerca de 300 anos por um autor desconhecido que usava o pseudônimo de Aristóteles, o livro “Aristotle’s Masterpiece Completed In Two Parts, The First Containing the Secrets of Generation” (que poderia ser traduzido como “A obra-prima de Aristóteles, feita em duas partes, contendo a primeira os segredos da procriação“) tem conselhos que nem a sua avó daria. As dicas são acompanhadas de xilogravuras explicativas para que ninguém fique em dúvidas sobre o que o autor pretendia dizer…

Confira algumas das preciosidades encontradas na obra, cheia de fundamento científico (só que ao contrário):

Segredos da alimentação

Para os homens que pretendem procriar, o manual recomenda uma dieta à base de raízes e aves que cantam. As mulheres, no entanto, deveriam evitar comidas gordurosas e temperos, pois isso deixaria seus corpos mais quentes – e, pelo visto, ninguém queria ver mulher fogosa por aí…

Sobre a aparência dos filhos

De acordo com as crenças do autor do manual, a aparência dos filhos não tem nenhuma relação com o nosso código genético. Ela depende mesmo é da imaginação da mãe que, portanto, deveria focar o pensamento no marido e encará-lo fortemente para que a criança se pareça ao pai. Também é importante que as mulheres “não deitem com animais”, já que assim poderiam dar à luz a monstros. Então tá, né?

O gênero dos bebês

Decidir o gênero dos futuros bebês de um casal é mais simples do que você imaginava. Segundo o manual, a mulher precisaria deitar-se sobre o lado esquerdo para ser mãe de uma menina após o sexo. Se desejasse um filho homem, bastaria fazer o contrário, virando-se para o lado direito.

Os atros também pesam nessa balança. Para engravidar de um menino, a melhor época é “quando o sol está em Leão e a Lua, em Virgem, Escorpião ou Sagitário”. Para as meninas, o melhor é quando a “a Lua está na fase minguante, em Libra ou em Aquário”.

Foto: Hanson’s Auction House/Divulgação/fonte:via