Direção 5 estrelas: A melhor motorista do Uber no Brasil é uma mulher

Uma motorista do Uber de Maringá, no Paraná, é a primeira mulher do Brasil a receber cinco estrelas no aplicativo. Nem de longe a conquista está relacionada com a máxima machista que de mulheres são mais cuidadosas.

Glaucia Stocki dirige pelo aplicativo há um ano e sete meses no Paraná. A conquista do título se deu pelas avaliações positivas de nada menos que 500 passageiros consecutivos.

As estrelas foram entregues pelo tratamento respeitoso, direção segura, assuntos interessantes (sem polêmicas e reclamações constantes sobre o trânsito), limpeza e trajeto certeiro.

Que sirva de incentivo para a adesão de mais mulheres

Em entrevista ao Maringá Post, Glaucia diz que começou a se dedicar ao ver a nota próxima dos cinco pontos. “Confesso que minha maior motivação foi mostrar que as mulheres também são muito boas ao volante”, explica.

A motorista pontua que nunca pediu para os clientes fazerem qualquer tipo de avaliação, até porque esta é uma prática vetada pela equipe do Uber.

“Eu tratava todo mundo da melhor maneira, buscava assuntos interessantes e fora de polêmica. Ficava quieta quando percebia que era isso que o cliente queria, além de manter o carro sempre muito limpo, fazer o melhor trajeto e ser cuidadosa no trânsito”, comenta.

O prêmio rendeu uma gratificação de R$ 5 mil e outros prêmios. A condutora comemorou o fato em um vídeo postado no YouTube.

A notícia abre caminho para uma reflexão importante sobre sexismo. A Universidade de Stanford nos Estados Unidos, fez um estudo mostrando que mulheres recebem até 7% menos do que homens. A discriminação, segundo os especialistas, é provocada pelo entendimento de que mulheres dirigem mais devagar que homens.

Foto: Reprodução/fonte:via

Anúncios

Maruja Mallo: uma das maiores pintoras surrealistas da história esquecida por ser mulher

Não é preciso esforço maior do que uma busca no Google para perceber que o mundo das artes é predominantemente masculino. E também não é preciso nenhuma inteligência rara para concluir que tal predomínio não passa de mais um entre os infinitos sintomas da misoginia e do machismo que reinaram e ainda reinam em todo e qualquer contexto de poder, influência e dinheiro.

Escolha qualquer movimento artístico relevante do século 20 que se perceberá não só a protagonismo quase exclusivo de artistas homens como também, com um pouquinho mais de dedicação em sua pesquisa, se descobrirá também uma série de artistas mulheres que orbitavam ao redor do movimento, com tanto talento quanto a maioria desses protagonistas, porém completamente eclipsadas.

É esse o caso do movimento surrealista que, para além de seus notáveis como André Breton e Salvador Dali, tinha em Maruja Mallo uma de suas mais importantes artistas – que permanece pouco lembrada pela história pelo simples fato de ser uma surrealista mulher.

Maruja Mallo à época do movimento surrealista

Nascida em 1902 na região da Galícia, na Espanha, Ana Maria Gómez González Mallo teve, desde o início, seu trabalho celebrado pela originalidade e a qualidade com que ajudou a forjar vanguarda espanhola nos anos 1920. Mallo tornou-se amiga de Dali no início dessa década, na Real Academia de Belas Artes em Madrid, quando juntos se tornaram parte da chamada “Geração de 27”, grupo inicialmente de poetas que surgiu dos círculos literários espanhóis da época. O grupo não era restrito aos escritores, e trazia, além de Maruja e Dali, outros nomes como o cineasta Luis Buñuel ligados à “geração”.

Acima, Maruja em seu ateliê; abaixo, pintura de Dali mostrando o pintor com Maruja em um café espanhol

Era um grupo variado e amplo em estilos, mas muito pouco diverso em gênero: Maruja era uma das pouquíssimas mulheres da vanguarda espanhola, e mais do que somente pertencer ao grupo, ela se destacava, tendo seu trabalho como pintora celebrado pela crítica da época (ficou conhecida como “a pintora de quatorze almas”, pela profundidade de suas obras) e até mesmo por seus pares. É sabido que Breton e Dali, fundadores do movimento surrealista, eram misóginos que acreditavam que o talento era uma prerrogativa exclusiva dos homens; ainda assim, foi Breton um dos primeiros a comprar um dos quadros de Maruja. Aos poucos, no entanto, seu nome foi desaparecendo da história.

Pintura de Maruja

Quando explodiu a Guerra Civil na Espanha, em 1936, a sanguinária devastação não só das liberdades como de seu próprio país fez com que Maruja decidisse se exilar, partindo para a Argentina em uma viagem que significaria também o ocaso de seu reconhecimento artístico. Conta a história que a decisão de sair ao exílio fez com que seus pares surrealistas não só a desprezassem como passassem a objetivamente boicotar seu trabalho e o reconhecimento de sua participação no movimento, e assim teve início o desaparecimento de Maruja Mallo do legado surrealista.

Como era peculiar entre os surrealistas, a exuberância, a extroversão e a provocação também eram marcas do comportamento de Maruja, que mesmo vivendo exilada em outro continente, rapidamente tornou-se célebre no jetset e na vida cultural de Buenos Aires – e, sempre viajando, também em Nova Iorque, Paris e até no Rio de Janeiro. Maruja fez novos amigos, entre eles Andy Warhol, e seguiu pintando: abandonou a temática surrealista e social que marcou seu trabalho ainda na Espanha, e passou a pintar o corpo feminino, temáticas oceânicas e até mesmo a mitologia feminina.

Acima, Maruja com Warhol; abaixo, uma de suas pinturas femininas e oceânicas

Enquanto isso, na Europa, aos poucos Maruja foi sendo transformada em um mero “mascote” surrealista – uma espécie de “musa”, que namorou diversos nomes importantes da cena da época, mas sem maior relevância própria e profissional. Quando retornou à Espanha, em 1962, a realidade política, social e principalmente artística já era outra: sua geração havia “passado”, a imprensa espanhola ou não a conhecia ou não a compreendia, e seu comportamento exótico – outrora celebrado, e ainda visto como marca da genialidade em um artista como Dali – fez com que Maruja um tanto deixasse de estampar os textos da crítica ou as revistas de arte para se tornar um exótico personagem de colunas de fofoca.

Maruja Mallo faleceu em 1995, em Madri, aos 93 anos, e agora, com as tantas revisões críticas que o ressurgimento do movimento feminista vem realizando, sua real posição na história, como uma das melhores e mais importantes artistas do primeiro momento das vanguardas espanholas e do movimento surrealista, pode ser enfim definida. Basta colocar tal revisão na perspectiva de todos os movimentos do passado para facilmente concluir que Maruja é, no entanto, somente uma entre as tantas artistas que, mesmo que tardiamente, merecem também os louros do reconhecimento.

© fotos: divulgação/fonte:via

Mãe decide desenhar para marido entender porque ela acorda irritada e exausta

Kirs é casado com Mattea Goff, com quem tem duas filhas, Seleste, de 5 anos, e Aurora, de 5 meses. Há pouco tempo, ele perguntou à mulher por que ela sempre acordava tão cansada e irritada.

Irritada, Mattea (que está amamentando) resolveu, literalmente, desenhar para o marido porque acorda sempre cansada. Os desenhos mostram Kris dormindo o tempo todo, enquanto a esposa tem o sono interrompido por vários fatores.

Mattea precisa acordar no meio da noite para amamentar a filha de 5 meses de hora em hora. Além disso, enquanto o homem sonha com os anjos, ela tem dificuldade de se concentrar no sono por causa de pensamentos variados. Todos relacionados com Aurora, claro.

Apesar de amadores, os desenhos publicados no Facebook mostram uma realidade vivida pela maioria das mulheres casadas e com filhos. A disparidade é provocada principalmente pela influência do machismo, que naturaliza o fato de mulheres assumirem todas as responsabilidades da casa.

“Quando mostrei os desenhos para o meu marido pela primeira vez, ele achou engraçado. Mas tanto ele quanto eu ficamos surpresos ao ver o quanto eles viralizaram!”, disse ao Buzzfeed.

Fotos: Reprodução/fonte:via

Lutando pelo óbvio: mobilização reivindica trocadores em banheiros masculinos

Hypeness

Os efeitos do machismo, dos padrões desiguais e da normatização de gênero podem ser percebidos em diversas camadas de nossas vidas – até mesmo na arquitetura de banheiros. Com um post o americano Donte Palmer revelou um exemplo evidente dessa lamentável realidade: o fato de praticamente nenhum banheiro masculino oferecer trocadores para que os pais possam trocar a fralda de seus filhos e filhas. A foto mostra o esforço de Donte ao ter que fazer a troca com seu filho sobre suas pernas.

Hypeness

No post, Donte fala sobre como ele com frequência precisa fazer o malabarismo da foto para conseguir trocar a fralda do filho em um banheiro público. “É como se não existíssemos”, ele diz enquanto pai. E esse claramente não é um problema circunscrito ao estado da Flórida, nos EUA, de onde Donte escreve – por todo o mundo, inclusive no Brasil, restaurantes e todo tipo de estabelecimento público não oferece um local limpo e seguro dentro do banheiro masculino para que os pais possam realizar a troca.

Hypeness

Aos 31 anos, Donte com seu post se tornou a face de um movimento que exige que os banheiros instalem trocadores nos banheiros masculinos. Trata-se, para além da afirmação politica e cultural, de uma necessidade real, seja para que as tarefas possam ser divididas entre o pai e a mãe, seja para os tantos pais que passam uma parte do tempo sozinho com seus filhos possam cuidar das crianças quando na rua. Na página de Donte no Instagram ele vem compartilhando outros pais que aderiram ao movimento e postaram fotos em situações similares.

Pode parecer um detalhe, mas é em verdade um símbolo e uma necessidade óbvia – algo que precisa urgentemente ser corrigido.

© fotos: Instagram/fonte:via

Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência obstétrica no Brasil

Não há dúvidas, ser mulher no Brasil é uma missão arriscada. Morar em dos países mais machistas do mundo é conviver diariamente com todos os tipos de agressões. Entre elas está uma prática comum, mas silenciosa e que atinge cada vez mais mulheres.

Um levantamento feito pela pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado, comandado pela Fundação Perseu Abramo e o Sesc, aponta que uma em cada quatro mulheres já foi vítima de violência obstétrica.

Parte dos costumes de uma sociedade acostumada com métodos opressivos, ela atinge a paciente por meios e formas diversas e caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos da mulher pelos profissionais da saúde. Desumanização, abuso de medicamentos, ofensas e até mesmo abusos sexuais, são tipificados como violência obstétrica.

Para jogar luz sobre o assunto, as advogadas Maria Luiza Gorga e Ana Paula Cury produziram um estudo acompanhado de um ensaio fotográfico registrando as formas de agressões obstétricas. Violência obstétrica: o que é e os direitos da parturiente mostra frases proferidas com frequência em consultórios médicos Brasil adentro.

“Cala a boca. Fica quieta senão eu vou te furar todinha”.

“Se você continuar com essa frescura, eu não vou te atender”.   

“Na hora de fazer, você gostou né?!”

Os exemplos acima fazem parte do estudo e são manifestações explícitas de casos de violência obstétrica. Entretanto, nem sempre é assim. Em muitas ocasiões, o método acontece de forma velada e travestido de supostos protocolos institucionais. O viés racial também se faz presente na história.

Entre mulheres negras, é comum ouvir relatos de médicos que recusam a aplicação de anestesias ou que realizam o exame de toque de forma dolorosa. Segundo elas, estes profissionais se valem de uma máxima racista de que a mulher negra “é mais forte”.

Cerca de 60% das mulheres vítimas de morte materna são negras. É necessário dizer que a morte materna, em 90% das situações, pode ser evitada com o atendimento correto. Em 2015, o caso de Rafaela Cristina Souza dos Santos, de 15 anos, chamou a atenção do país todo.

Mulher e negra, a adolescente acabou morrendo depois de dar à luz em uma maternidade do Rio de Janeiro. O atendimento (ou a falta dele) foi negligente, fazendo Rafaela esperar cinco horas pelos médicos. Ela foi forçada a escolher pelo parto normal e o método só foi descartado quando os médicos perceberam que Rafaela apresentava um quadro de eclampsia. Tarde demais para a cesariana.

“O espaço do cuidado e da assistência à saúde, assim como os seus profissionais, deveria garantir minimamente que as mulheres tivessem os seus riscos de adoecer e morrer reduzidos, no entanto, por conta de uma estrutura de sociedade opressora, desigual e preconceituosa, coloca a vida das mulheres em risco a cada momento que elas entram nos serviços de saúde”, afirma Emanuelle Goes – enfermeira e coordenadora do Programa de Saúde das Mulheres Negras – Odara Instituto da Mulher Negra.

Para denunciar, reúna o máximo de provas que puder, faça um Boletim de Ocorrência ou uma denúncia por escrito ao Conselho Regional de Medicina de sua cidade.

Fotos: Reprodução /fonte via

Pesquisador de tartarugas tem prêmio cassado por foto com mulheres de biquíni

A entrega do prêmio Herpetólogo de Destaque precisou ser cancelada depois do surgimento de fotos de mulheres de biquíni relacionadas com Richard Vogt. De acordo com matéria do jornal Folha de São Paulo, o cientista especializado há mais de 20 anos no estudo de tartarugas, teve a honraria em reconhecimento ao seu trabalho retirada depois de queixas de membros do comitê julgador.

Durante a palestra no evento, chancelado pela Liga Americana de Herpetologia, Henry Mushinsky – professor emérito da University of South Florida, pediu a colocação de tarjas para impedir a exibição de partes dos corpos das mulheres em trajes de banho. Para o educador, a exibição das imagens poderia causar constrangimentos.

A apresentação seguiu com as tarjas, mas sem autorização de Vogt, que criticou a atitude. Willem Roosenburg, pesquisador da Universidade de Ohio e atual presidente da Liga, assegura que a colocação das tarjas foi feita sem consenso entre membros do comitê.

As fotografias são de pesquisadoras e estudantes, que enquanto interagem com as tartarugas, são fotografas em roupas consideradas impróprias. Segundo algumas pesquisadoras, que preferiam não se identificar, o professor Vogt fazia piadas recorrentes de cunho sexual em suas apresentações.

O fato gerou uma série de críticas nas redes sociais. Em função da grande repercussão negativa, membros do comitê científico se reuniram e resolveram retirar o prêmio. Apesar de algumas fotografias mostrarem homens, entre eles o próprio pesquisador, a mudança foi feita, de acordo com Roosenburg, por causa das constatações de constrangimento.

“O professor é conhecido por possuir comportamento inapropriado em relação às mulheres. Infelizmente, o professor tem uma reputação de longa data de usar fotos inapropriadas em suas apresentações e a decisão de censurá-las foi tomada por essas atitudes serem consideradas ofensivas e não profissionais”, relatou.

Em e-mail enviado ao New York Times, Richard Vogt se defendeu dizendo não “haver nenhuma conotação sexual ou indecência nas fotos. É muito triste que isso tenha acontecido comigo, membro do comitê há mais de 50 anos”.

A objetificação do corpo feminino, assim como casos de assédio contra mulheres no campo da ciência não são novidade e já fizeram parte da pauta do movimento #MeToo. A revista norte-americana Quartz dá conta que mais da metade de mulheres estudantes de medicina em 2018 disseram ter sofrido algum tipo de abuso durante a graduação.

Em 2014, um estudo apontou que ao menos 64% dos cientistas acusados de comportamento sexual inapropriado cometeram os atos ilícitos enquanto trabalhavam. Os assédios ocorreram durante coleta de dados e em pesquisa de campo.

Por outro lado, a censura também pode ser um sério indício de hiper sexualização do corpo da mulher por parte do comitê que decidiu pelo veto. Sem uma apuração mais aprofundada do caso fica difícil emitir algum juízo de valor. O corpo nu de uma mulher, assim como de biquíni, não deveria ser objeto de censura nem, tampouco, de comentários sexuais ou abusos. Resta saber, no caso relatado, se a objetificação partiu de um lado, de outro, ou de ambos.

Fotos: Reprodução /fonte:via

Em decisão histórica Nigéria oficializa a proibição da mutilação genital feminina

A mutilação genital feminina na Nigéria é um tema que está em voga há algum tempo. De um lado estão os defensores a manutenção de tradições. Do outro mulheres e pessoas que acreditam na importância de cessar práticas machistas.

Em meio ao cenário de debate, o presidente Goodluck Jonathan aprovou criminalização da mutilação genital feminina na Nigéria. Considerado o último ato de seu mandato, já que Jonathan foi derrotado no pleito eleitoral por Muhammadu Buhari, a lei federal representa uma mudança de postura do país da África Ocidental.

A medida, que também prevê punição aos homens que abandonarem suas mulheres e filhos, vai contribuir para a diminuição deste hábito mutilatório. De acordo com levantamento feito por entidades de defesa dos direitos humanos, a mutilação feminina atingiu 25% das mulheres nigerianas entre 15 e 49 anos. A ONU revelou em 2014 que o ato gera infertilidade, perda do prazer sexual, além de oferecer risco de morte causado por possíveis infecções.

Cercada por um debate que envolve tradição, mas também direito ao próprio corpo, a proibição da mutilação feminina traduz uma mudança oriunda do desenvolvimento social. Não se trata de um fim aos costumes tradicionais, mas de uma adequação aos tempos modernos.

“É crucial que continuemos com os esforços de mudanças de visões culturais que permitem a violência contra a mulher. Só assim esta prática agressiva terá um fim”, declarou ao The Guardian Stella Mukasa, diretora do núcleo de Gênero, Violência e Direitos do Centro de Pesquisas da Mulher.

Foto: Pixabay/fonte:via