Erosão provoca avanço do mar e reduz território de São Paulo

A Ilha do Cardoso fica no extremo sul do litoral de São Paulo. O local atrai turistas pela presença abundante de golfinhos e claro, suas praias paradisíacas. Talvez os visitantes e moradores da região não tenham percebido, mas o avanço do mar – em curso há cerca de 60 anos, engoliu 1 quilômetro do estado de São Paulo.

O fenômeno se dá por um processo de erosão considerado natural e que está extinguindo a Enseada da Baleia. Os efeitos causaram redução de dois metros na largura da faixa de areia, além do isolamento de um vilarejo com 15 famílias.

Estudos feitos por pesquisadores estimam que em um mês, a nova barra, responsável pela conexão entre o Estuário de Ararapira ao Oceano Atlântico, vá atingir um quilômetro de extensão. O que deve alterar o ecossistema da região e isolar definitivamente os moradores.

Membros do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) emitiram os primeiros alertas em 2009, atestando a probabilidade da consolidação das erosões para 2018. Os apontamentos foram feitos baseados em imagens de satélite.

As fotografias impressionam e dão clareza sobre a diminuição da faixa de areia dividindo a enseada do oceano, agravada pelo avanço de uma frente-fria nos últimos dias. Em entrevista ao G1, a professora Maria Cristina de Souza afasta possíveis interferências provocadas pela ação do homem.

“A dinâmica daquela região é instável, da água do estuário avançando para o mar. No passado, já ocorreram outras aberturas e acreditamos que, em breve, ocorrerá o assoreamento [deposição de sedimentos] na antiga barra, na divisa com o Paraná”, encerra.

A Defesa Civil disse estar monitorando a situação e que criou um plano de emergência para a mudança das casas habitadas pelas 50 pessoas. O Parque Estadual da Ilha do Cardoso, a Fundação Florestal e o Instituto Geológico, estes dois últimos subordinados à Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, também avaliam os impactos no ecossistema.

“Por terra, não tem como chegar mais até elas [moradores da região]. Entretanto, todas as 15 famílias que moram naquela comunidade se movimentam de barco, são autossustentáveis e já estão acostumadas às distâncias da região”, pontuou Edison Nascimento, gestor do Parque Estadual Ilha do Cardoso.

De qualquer maneira, Cananéia, cidade histórica localizada no continente, está em alerta. O secretário do Meio Ambiente Erick Willy disse ter mobilizado sua equipe para atuar caso a situação fuja do controle.

Fotos: foto 1: Divulgação/Defesa Civil /foto 2: Edison Nascimento/Fundação Florestal/fonte:via

Anúncios

Programa troca lixo reciclável por dinheiro em Santos

Quase todo mundo sabe da importância da reciclagem de lixo, mas, na prática, pouca gente adere ao hábito de separar os resíduos secos (sem falar nas áreas onde não há coleta seletiva): um estudo de 2017 aponta que apenas 13% do lixo que poderia ser reciclado no Brasil realmente tem esse destino.

Por isso é necessário destacar iniciativas que contribuem para mudar esse quadro. É o caso do Club do Condomínio, criado em Santos, no litoral de São Paulo, para incentivar síndicos de prédios a convencer os moradores a separar os resíduos.

Para isso foi criada uma espécie de moeda virtual, chamada bio-coin. A cada quilo de material recolhido por recicladores parceiros da iniciativa o prédio recebe 1 bio-coin, que equivale a 20 centavos. A cada 5000 bio-coins acumulados, o condomínio pode fazer o resgate de mil reais para ser usado nos serviços que o síndico considerar necessários.

O projeto foi lançado em julho deste ano e já conta com 372 condomínios cadastrados – a meta é chegar até 500 ao final de 2018 e 1000 antes de o Club completar um ano.

De acordo com o Club do Condomínio, prédios com 100 moradores geram 40 quilos de material reciclável por dia. Assim, em um mês o condomínio separaria 1200 kg de resíduo sólido, o equivalente a 1200 bio-coins. Em um ano, a quantia chegaria a 14.400 bio-coins, equivalente a R$2880.

Imagens: Marcelo Martins/Prefeitura de Santos/fonte:via

Perseguindo a inovação, ela descobriu como transformar cocô de vaca em roupas

Todo mundo sabe que o esterco é importante para adubar terras e torna-las férteis para a produção de alimentos, mas uma startup holandesa descobriu uma utilidade inovadora e totalmente surpreendente para o cocô de vacas: tecido para roupas do dia a dia.

Acredite: é mais interessante e menos nojento do que você está pensando. A iniciativa é da Mestic, empresa criada por Jalila Essaïdi, especialista em biocultura que promete atacar dois problemas de uma só vez: a poluição de rios causada pelo excesso de excrementos animais ligado à pecuária e os efeitos ao meio ambiente trazidos pela indústria têxtil.

“Nós vemos o esterco como material residual, uma coisa nojenta e fedida. Mas os processo de fabricação de outros tecidos também não são nada limpos ou bonitos no começo. Você precisa mostrar às pessoas a beleza oculta na transformação da celulose”, disse Jalila ao Guardian.

A empreendedora explica que o esterco é composto por 80% de água, e o resto é basicamente celulosa, vinda do capim e dos grãos dos quais os animais se alimentam. O processo de fabricação separa o material líquido do sólido, e tira do primeiro os solventes que transformam o segundo em tecido.

O método é mais eficiente energeticamente do que o tradicional porque não precisa usar altas pressões para soltar as fibras, já que o estômago das vacas já iniciou esse processo.

Mas a pergunta que certamente passa pela cabeça de todo mundo que fica sabendo da empreitada da Mestic é a mesma: as roupas são fedidas? Bem, de acordo com este teste feito por uma rede de televisão holandesa, não.

Eles levaram as peças às ruas e pediram que transeuntes tentassem identificar qualquer coisa de diferente em seu odor. A resposta geral foi de que não, e as pessoas afirmaram que usariam as roupas, mesmo depois de saber do que elas eram feitas.

Por enquanto, as roupas da Mestic só foram criadas em coleções experimentais, mas a empresa está em contato com fabricantes que se mostraram dispostas a utilizar o tecido em seus produtos, mas ainda não sabem como contornar o efeito adverso que a ideia de vestir algo feito a partir de esterco causaria nos consumidores.

Para inovar e empreender, é preciso ter coragem, ousadia e acreditar na sua própria essência e potencial. Por isso, o Hypeness uniu forças com o programa Shark Tank Brasil, do Canal Sony, para contar histórias e dar dicas inspiradoras de quem conseguiu usar experiência de vida, muito trabalho e criatividade para ter sucesso com um negócio próprio. Para tentar convencer os investidores, que no programa procuram negócios originais e inovadores, os empreendedores precisam se superar e, fora dos estúdios, a realidade não é diferente. Acompanhe estas histórias e inspire-se!

Fotos: Divulgação/Mestic/fonte:via

Ela transforma roupas velhas e sem caimento em peças estilosas e exclusivas

Você sabia que a indústria da moda é a segunda maior poluidora industrial, perdendo apenas para o petróleo e que o norte americano costuma jogar fora cerca de 70 quilos de roupas todos os anos? Foi essa preocupação, somada com a necessidade de economizar dinheiro, que fizeram com que a norte americana Sarah Tyau passasse a dar nova vida às roupas velhas, que já tinham o lixo como destino certo.

Ela, que é mãe de 3, começou a reciclar as peças de roupa antigas que encontrava em brechós e com a sua família, logo que sua primeira filha nasceu e, desde então essa tornou-se sua ideologia. Com o tempo escasso e sem nunca ter feito um curso de corte e costura, Sarah já conquistou mais de 135 mil seguidores no Instagram e tem mostrado que suas habilidades não são poucas.

Escandalizada com o fato de que as marcas de fast fashion costumam lançar cerca de 52 mini coleções todos os anos (uma por semana), ela decidiu diminuir seu impacto no meio ambiente e inspira as pessoas a fazerem o mesmo. Sua dica? “Comprar peças clássicas mais intemporais e misturá-las com algumas peças da moda aqui e ali. Dessa forma, você não joga fora tantas roupas e nem sempre precisa comprar constantemente para continuar na moda”, disse ao site Bored Panda.

Com um canal no Youtube onde ensina a fazer transformações geniais em roupas que ninguém daria nada, ela já possui quase 5o mil inscritos e agora planeja sua própria linha de roupas, sempre mantendo a mesma ideologia e, com os lucros destinados às crianças carentes.

Autodidata, consciente e direta, Tyau deixa um recado: As roupas, como qualquer outra coisa materialista, não lhe dão felicidade duradoura, mas apenas um momento fugaz de excitação. Em vez de dar tanta importância ao que você veste, quanto custa ou qual marca de grife você está usando, concentre-se em ser gentil, ter integridade e moral e você sempre estará na moda”.

Fotos: Sarah Tyau /fonte:via

Ele foi dar uma volta na praia e encontrou uma embalagem de Kolynos de mais de 20 anos

A Kolynos é uma das marcas de creme dental mais conhecidas entre os brasileiros. O produto desembarcou por aqui em meados de 1917 e até a década de 1990, reinou soberano.

Aposentada há mais de 20 anos, a Kolynos ainda pode ser encontrada por aí, mas, infelizmente, não no formato tradicional. Uma fotografia tirada por Alexandre Menezes, com o tubo de creme dental jogado na praia, viralizou e nos faz pensar sobre urgência da instauração de métodos sustentáveis de reciclagem de lixo.

Segundo matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, cerca de 56% dos municípios brasileiros utilizam depósitos inadequados para se livrar do lixo produzido. Com isso, cenas como a da praia não vão deixar de ser comuns tão cedo.

A inércia do poder público esbarra em uma questão vital, o tempo de decomposição. Por exemplo, 20 anos parece muito para nós humanos, entretanto para uma embalagem de alumínio não é nada. Um tubo como o da Kolynos demora 200 anos para desaparecer.

De olho na situação, a ONU Meio Ambiente e a Coalizão de Embalagens – formada por 23 associações signatárias do Acordo Setorial de Embalagens em Geral, lançaram o movimento Separe. Não Pare.

O intuito é de mobilizar a população brasileira a separar e descartar corretamente os resíduos domésticos. A expectativa do grupo é diminuir em 22% a quantidade de embalagens enviadas aos aterros sanitários do Brasil até o fim de 2018. Entre as medidas incentivadoras está a intensificação da coleta seletiva e dos pontos de entrega de lixo no bairros.

O plástico também está na mira dos ambientalistas. No Rio de Janeiro, a Câmara autorizou a proibição do uso de canudinhos plásticos em bares e outros estabelecimentos comerciais da capital fluminense. A tendência deve ser adotada por outras cidades brasileiras. O meio ambiente agradece.

Foto: Reprodução/fonte:via

Pesquisador de tartarugas tem prêmio cassado por foto com mulheres de biquíni

A entrega do prêmio Herpetólogo de Destaque precisou ser cancelada depois do surgimento de fotos de mulheres de biquíni relacionadas com Richard Vogt. De acordo com matéria do jornal Folha de São Paulo, o cientista especializado há mais de 20 anos no estudo de tartarugas, teve a honraria em reconhecimento ao seu trabalho retirada depois de queixas de membros do comitê julgador.

Durante a palestra no evento, chancelado pela Liga Americana de Herpetologia, Henry Mushinsky – professor emérito da University of South Florida, pediu a colocação de tarjas para impedir a exibição de partes dos corpos das mulheres em trajes de banho. Para o educador, a exibição das imagens poderia causar constrangimentos.

A apresentação seguiu com as tarjas, mas sem autorização de Vogt, que criticou a atitude. Willem Roosenburg, pesquisador da Universidade de Ohio e atual presidente da Liga, assegura que a colocação das tarjas foi feita sem consenso entre membros do comitê.

As fotografias são de pesquisadoras e estudantes, que enquanto interagem com as tartarugas, são fotografas em roupas consideradas impróprias. Segundo algumas pesquisadoras, que preferiam não se identificar, o professor Vogt fazia piadas recorrentes de cunho sexual em suas apresentações.

O fato gerou uma série de críticas nas redes sociais. Em função da grande repercussão negativa, membros do comitê científico se reuniram e resolveram retirar o prêmio. Apesar de algumas fotografias mostrarem homens, entre eles o próprio pesquisador, a mudança foi feita, de acordo com Roosenburg, por causa das constatações de constrangimento.

“O professor é conhecido por possuir comportamento inapropriado em relação às mulheres. Infelizmente, o professor tem uma reputação de longa data de usar fotos inapropriadas em suas apresentações e a decisão de censurá-las foi tomada por essas atitudes serem consideradas ofensivas e não profissionais”, relatou.

Em e-mail enviado ao New York Times, Richard Vogt se defendeu dizendo não “haver nenhuma conotação sexual ou indecência nas fotos. É muito triste que isso tenha acontecido comigo, membro do comitê há mais de 50 anos”.

A objetificação do corpo feminino, assim como casos de assédio contra mulheres no campo da ciência não são novidade e já fizeram parte da pauta do movimento #MeToo. A revista norte-americana Quartz dá conta que mais da metade de mulheres estudantes de medicina em 2018 disseram ter sofrido algum tipo de abuso durante a graduação.

Em 2014, um estudo apontou que ao menos 64% dos cientistas acusados de comportamento sexual inapropriado cometeram os atos ilícitos enquanto trabalhavam. Os assédios ocorreram durante coleta de dados e em pesquisa de campo.

Por outro lado, a censura também pode ser um sério indício de hiper sexualização do corpo da mulher por parte do comitê que decidiu pelo veto. Sem uma apuração mais aprofundada do caso fica difícil emitir algum juízo de valor. O corpo nu de uma mulher, assim como de biquíni, não deveria ser objeto de censura nem, tampouco, de comentários sexuais ou abusos. Resta saber, no caso relatado, se a objetificação partiu de um lado, de outro, ou de ambos.

Fotos: Reprodução /fonte:via

Alunos da Ufam fizeram ensaio dentro do ônibus para relatar desafios da graduação

Quem usa o transporte público para estudar sabe o quanto é difícil chegar no horário. Agora, imagine só se você é aluno da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e precisa atravessar todos os dias a maior área verde de zona urbana do Brasil. A terceira do mundo.

Para celebrar esta conquista, muitas vezes mais desafiadora do que uma defesa de tese de sucesso, os estudantes de administração da Ufam resolveram apostar na criatividade e realizaram o ensaio de colação de grau dentro de um ônibus.

O book no coletivo foi recebido com muitas risadas pelos colegas de universidade, que se encantaram com a criatividade dos formandos. E claro, como a ideia era ser fiel aos acontecimentos da vida real, as fotografias foram tiradas por Marcos Albuquerque com o busão em movimento  e com os alunos em pé. Sim, a vida como ela é.

“Não que não fosse legal fazer um book fotográfico em um hotel, mas não era minha realidade como aluno. Seriam fotos lindas, mas a minha realidade não foi essa. Minha realidade é a Ufam”, relatou ao G1 Rafael Barros, que convenceu mais 22 amigos a comprarem sua ideia.

A Universidade Federal do Amazonas possui uma área verde de aproximadamente 6,7 milhões de m². O caminho dos alunos não é nada fácil e, além de passar horas dentro do ônibus, eles precisam conviver com animais silvestres. O percurso de ida e volta para o campus é de 12 quilômetros.

A colação de grau está marcada para o dia 15 de agosto.

Fotos: Marcos Albuquerque/Reprodução /fonte:via