Artista ilustra as doces memórias de sua infância e o resultado vai te emocionar

O artista ítalo-inglês Omario2d faz sucesso por suas ilustrações capazes de transmitir emoções e nos transportar para lugares imaginários ou guardados na memória.

Embora a infância de cada um tenha dezenas de particularidades, também há lembranças que muita gente compartilha. É difícil pensar em alguém que não se identificaria com ao menos uma das ilustrações que Omario criou inspirado em suas próprias infância e adolescência.

Se quiser acompanhar o trabalho de Omario você pode segui-lo no Instagram ou no Facebook, ou até mesmo comprar suas artes no Etsy.

Imagens: Reprodução/Omario2d /fonte:via

Anúncios

Filmes encontrados no lixo mostram a vida de oficiais poloneses prisioneiros dos nazistas

Era uma noite de inverno em 1999 e Olivier Rempfer, então com 19 anos, caminhava pela cidade onde vive, Cagnes-sur-Mer, no sudeste da França, depois de passar uma noite com amigos na cidade vizinha de Saint-Laurent-du-Var. Uma caixa de madeira em cima de um recipiente de lixo chamou sua atenção. Curioso, ele abriu a caixa e viu vários objetos cilíndricos embrulhados em papel.

Rempfer esperou até chegar em casa para desembrulhar os objetos e, quando ele o fez, encontrou antigos rolos de filme preto e branco de 35mm. Segurando as tiras de filme contra a luz, ele viu uniformes, quartéis, torres de vigia e homens em trajes no palco. Supondo que as fotos deviam ter sido tiradas durante as filmagens de um filme de guerra, e os homens neles para serem atores, Rempfer deixou a caixa de lado e tratou de esquecer da história.

Anos depois, seu pai, Alain Rempfer, encontrou a caixa. O velho Rempfer, um fotógrafo, também não tinha certeza do que os negativos do filme mostravam, mas em 2003, quando ele comprou um scanner de filme, resolveu dar uma olhada mais de perto nas cerca de 300 imagens. “Rapidamente percebi que eram fotos reais, históricas, tiradas durante a guerra em um campo de concentração”, disse. “O nome da marca ‘Voigtländer’ foi escrito na borda do filme. Esse nome não me era familiar em filmes, mas eu sabia que o Voigtländer era um fabricante alemão de câmeras”.

Rempfer procurou alguma pista sobre onde as fotos poderiam ter sido tiradas. Uma mostrava um caminhão com vários homens sentados dentro e, na parte de trás, era possível ler as palavras “PW CAMP MURNAU” em letras brancas, depois as letras “PL”. Uma pequena pesquisa mostrou que, de 1939 a 1945, a cidade alemã de Murnau era o local de uma prisão de guerra para oficiais poloneses.

Pai e filho estudaram as fotografias de perto e com fascínio. “Todos esses jovens olhavam diretamente para nós através da câmera, durante o tempo em que viviam no acampamento”, disse Alain. “E nós não sabemos seus nomes ou como era a vida diária deles, não sabemos nada sobre suas esperanças, seus sentimentos”. Foi uma experiência estranha, como se alguém tivesse desligado o som e os deixassem assistindo a um filme mudo.

O pai e o filho decidiram que um site seria a melhor maneira de mostrar as imagens ao mundo. Eles esperavam que as imagens atingissem qualquer um que pudesse estar interessado nelas, mas especialmente membros da família dos ex-prisioneiros de guerra que talvez estivessem procurando informações ou pudessem reconhecer alguém nas fotos.

Fotos: Arquivo/fonte:via

Designer cataloga azulejos e gradis de Olinda para que eles não sejam esquecidos

Em uma cidade com um vasto passado cultural como Olinda, em Pernambuco, a arquitetura em seus detalhes e elementos decorativos podem contar e significar parte importante da história e da memória da cidade. Em Olinda especialmente as características arquitetônicas de tal forma narram e simbolizam elementos e forças locais que o centro histórico hoje é tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e reconhecido como Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco. Foi nesse rico cenário que a designer gráfica Renata Paes cresceu, e é essa identidade gráfica arquitetônica que ela quis preservar em seu mais recente trabalho.

Filha de um arquiteto preservacionista, Renata desde pequena costumava caminhar com o pai pela cidade, reparando em ladrilhos, azulejos, cobogós, gradis e tantos outros detalhes que compõem a impactante arquitetura olindense. “Quando tive que escolher meu trabalho de conclusão de curso, percebi quanto essa memória gráfica permeava minha infância”, ela disse. O catálogo Memória Gráfica da Arquitetura de Olinda, lançado em 2017, é o resultado de sua pesquisa, mas também dessa vida de caminhadas e observações pelo centro histórico, traduzida em um registro fotográfico dessa identidade arquitetônica de sua cidade.

A pesquisa de Renata não se deu somente caminhando pela ruas, mas também entrando nas casas, conversando com as pessoas, recebendo indicações e ouvindo histórias – vivendo na prática o que ela própria já sentia: a relação entre o design e o afeto, a relação entre as pessoas, suas casas e sua cidade. Os detalhes e objetos arquitetônicos remetiam a lembranças, sonhos, a passados que já não existem mais – à própria história das pessoas e, assim, de Olinda.

Para Renata, o catálogo se tornou, portanto, não só um registro fotográfico e visual, mas também um levante da própria importância de um patrimônio cultural. A história de uma cidade está também inscrita nos adornos, portões, gradis e cobogós de suas casas – e agora em seu catálogo. Memória Gráfica da Arquitetura de Olinda está disponível na plataforma Cidades Educadoras, e também na memória e nos corações dos moradores da cidade.

 

© fotos: Renata Paes/fonte:via