Conheça Kate Grant, a 1ª modelo com síndrome de Down a vencer um concurso internacional de beleza

Se os concursos de beleza historicamente acabaram por sublinhar padrões de beleza e de corpo, hoje eles também podem se adaptar e se transformar em um espaço para a inclusão e a desconstrução de tais lógicas irreais e excludentes – e uma pioneira em tal processo definitivamente é a jovem modelo irlandesa Kate Grant. Aos 19 anos, Kate acaba de ganhar o concurso internacional Teen Ultimate Beauty Of The World, que justamente celebra a diversidade. O importante detalhe que faz da vitória de Kate um marco é o fato dela possuir síndrome de Down.

Quarenta candidatas disputaram o concurso, com Kate como representante da Irlanda do Norte. Como nos concursos tradicionais, a modelo passou por uma rodada de entrevistas dos jurados, e depois desfilou pela passarela com diversos modelos.

Acima, Kate desfilando; abaixo, já coroada

Seu sonho de ser uma modelo começou quando ela tinha 13 anos, e desde então ela já trabalhou algumas vezes, sempre tendo de enfrentar o preconceito como sua principal barreira. O convite para o concurso nasceu de um post feito por sua mãe contando do sonho da filha – que acabou viralizando e compartilhado mais de 26 mil vezes.

A conquista foi não só uma vitória simbólica importante, mas também uma vitória pessoal: quando nasceu os médicos disseram que ela teria um futuro muito difícil, que não conseguiria ler e escrever e mal conseguiria falar. A mãe de Kate, Deirdre, disse que pensou nos médicos quando viu a filha discursando após a vitória sobre sua esperança por uma sociedade mais inclusiva e igualitária. “Eu quero que a próxima geração que tenha necessidades especiais saiba o verdadeiro significado de que beleza é que você é, e não sua aparência”, disse Kate. “Bondade, compaixão e sua luz interna, essa é a verdadeira beleza. Se os juízes viram isso em mim, então estou feliz”.

© fotos: reprodução/

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‘Pensava que era a única pessoa com vitiligo’: Winnie Harlow e a representatividade

A modelo canadense Winnie Harlow é um ícone da representatividade na moda: em 2014 ela participou do programa America’s Next Top Model e desde então desfilou para grifes conhecidíssimas. 

A importância de ter alguém como Winnie estrelando grandes campanhas é simples: se a moda ajudou a perpetuar vários padrões de beleza capazes de abalar as mentes de mulheres mundo afora, ela também é responsável por desconstrui-los. 

A modelo, que começou a manifestar o vitiligo (doença que muda a coloração de alguns pontos da pele) ainda criança e até viu amigas se afastarem dela durante a infância, deu uma entrevista à Marie Claire em que deixou claro como a representatividade é importante. 

“Quando era jovem, não sabia nada sobre moda, mas, definitivamente, não me via representada em nenhuma campanha. Durante muito tempo pensei que era a única pessoa na Terra com vitiligo”, contou à revista. 

Winnie chegou a abandonar brevemente a escola aos 14 anos por causa das constantes brincadeiras de mal gosto a respeito de sua doença – colegas chegavam a chama-la de ‘vaca’ e ‘zebra’. Hoje, ela é uma modelo de sucesso e fonte de inspiração para jovens do mundo todo que também precisam enfrentar padrões para terem sua beleza reconhecida. 

Imagens: Reprodução/Instagram/fonte:via

Avó de 76 vive sozinha na Sibéria e cruza o Baikal de patins todo dia para cuidar de animais

Todos os dias, às 5:30 da manhã, a russa Lyubov Morekhodova, de 76 anos, se levanta em meio ao frio da Sibéria, dá um pouco de comida para suas vacas e as leva para pastar numa montanha.

A idade não diminui sua disposição, e ela costuma patinar pelas águas congeladas do grande Lago Baikal para conferir se as vacas estão bem. Lyubov – cujo nome significa Amor – também cuida de alguns cachorros, um gato, galos e galinhas, bezerros e búfalos.

Ela vive sozinha numa pequena casa às margens do Baikal desde 2011, quando o marido faleceu. Engenheira e especialista em tecnologia, ela trabalhou por 42 anos em uma fábrica de Irkutsk, uma das maiores cidades da Sibéria, até se aposentar e decidir voltar para a casa onde passou a infância.

Foi lá mesmo que, mais de 70 anos atrás, o pai de Lyubov fez o par de patins que ela usa desde os 7 anos de idade. Ele cortou uma serra de metal e inseriu as duas metades em pedaços de madeira, criando o dispositivo que Lyubov amarra até hoje em suas Valenki, tradicionais botas de feltro.

“Não gosto dos patins modernos. Eles ficam soltos na região dos tornozelos e meus pés ficam gelados. Os Valenki estão sempre quentes”, conta a senhora, que costumava apostar corridas com os colegas de trabalho usando os mesmos patins.

Lyubov se tornou uma pequena celebridade na Rússia depois que um amigo publicou imagens dela patinando na internet. Vários jornalistas a convidaram para viajar a Moscou para dar entrevistas, mas ela prefere o recolhimento, apesar de não ver problemas em atender as equipes dispostas a ir até a margem do Baikal.

Os filhos, sobrinhos e netos de Lyubov costumam visita-la no verão, mas os pedidos para que ela se mude de volta para a cidade não são capazes de convence-la.

Contemplar o Baikal é o que mais a alegra: “Eu sento sozinha na cozinha. Sento e olho para isso (o lago). Me traz felicidade, bom humor, e sempre penso que se alguém estivesse sentado ao meu lado eu diria ‘Que beleza. Que incrível beleza’”.

A rotina de Lyubov inclui subir e descer até dez vezes um morro para buscar água para ela e os animais. Ela também é ótima no bordado, macramê, crochê e na tecelagem com contas.

Não há nada no Baikal que a assuste. “Não sinto medo aqui. Nem sei do que eu deveria ter”, conta. “A única coisa desagradável são os turistas bêbados dirigindo quadriciclos que sempre dão um jeito de quebrar alguma coisa. Já mataram dois cães e viraram meu barco de cabeça para baixo”, completa.

“Mas eu percebi que não posso fazer muito sobre eles. No verão, vem muita gente para cá. Apenas digo ‘Recolham seu lixo, arrumem a própria bagunça. Não deixem nada para trás, tudo acaba no Baikal”, conta a protetora do lago, que diz viver uma vida feliz junto aos animais. “No verão posso ver minha família, e no inverno estou ocupada demais para ficar entediada”, conclui.

 

Fotos e informações: Siberian Times /fonte:via