Com 73 mil anos, desenho encontrado na África do Sul, pode ser o mais antigo da história

A descoberta feita por arqueólogos do que pode ser o desenho mais antigo da história reafirma a constatação de que a África é o berço da humanidade. De acordo com a revista Nature, um grupo de pesquisadores encontraram em um sítio arqueológico da África do Sul rabiscos feitos há pelo menos 73 mil anos.

A peça possui padrões vermelhos com traços cruzados e estava depositada na Caverna de Blombos, cerca de 300 km distante da Cidade do Cabo. Os autores acreditam que o desenho demonstra a capacidade dos primeiros Homo Sapiens da região de fazerem desenhos em superfícies diversas. Para isso eram utilizadas diferentes técnicas.

A Caverna de Blombos chama a atenção de arqueólogos há décadas. Em 1991, o local foi alvo das primeiras escavações e desde então revelou inúmeras evidências do pioneirismo cultural da humanidade, como artefatos primitivos com 70 e 100 mil anos de história. São contas de conha, peças gravadas em tons de ocre e até ferramentas fabricadas a partir de uma forma cimentada de areia fina e cascalho.

O feito foi realizado por Christopher Henshilwood, pesquisador membro da Universidade de Bergen, na Noruega. Até então, os desenhos rupestres mais antigos vinham do sítios de Chauvet, na França, El Castillo, Espanha, Apollo 11, na Namíbia e Maros, que fica Indonésia. Todos eram 30 mil anos mais jovens do que a pedra encontrada na África do Sul.

O Brasil também possuía um dos registros mais antigos da humanidade. O Museu Nacional, completamente destruído por um incêndio no Rio de Janeiro, abrigava o crânio de Luzia – a humana mais antiga a ter vivido no Brasil.

Com características similares aos habitantes do continente africano, ela morou no país sul-americano entre 11 e 12 mil anos. A ossada foi encontrada na década de 1970, em uma gruta no sítio arqueológico de Lapa Vermelha, na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.

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As múmias incríveis que o mundo perdeu no incêndio do Museu Nacional

A verdadeira dimensão da tragédia ocorrido no último domingo com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, não pode ser medida em números, e será percebida por muitos e muitos anos daqui em diante. Permitir a destruição de praticamente todo um acervo científico, antropológico, arqueológico e histórico de mais de 20 milhões de peças significa permitir a destruição do próprio país. Um dentre os milhões de exemplos possíveis do tesouro destruído é o acervo de múmias que estavam no museu.

As múmias do Museu Nacional eram uma das atrações mais populares de seu acervo. Amazônicas, mineiras, egípcias, indígenas ou andinas, a coleção de múmias do Museu era a maior da América Latina, e uma das mais importantes do mundo. A coleção arqueológica egípcia do Museu era a maior e mais antiga da América Latina, e foi para o Museu Nacional que a primeira múmia egípcia foi trazida para o continente.

Uma das múmias mais populares do acervo era a da Princesa egípcia Kherima, que tinha cerca de 2 mil anos e trazia principalmente os dedos dos pés praticamente intactos. Quando foi trazida ao museu, ainda era permitido encostar na múmia, e diversos casos de reações de transe e experiências paranormais foram relatados depois de se encostar em Kherima.

A múmia Kherima

Hoje provavelmente todo esse acervo de múmias está simplesmente perdido, e trata-se somente de uma diminuta parte do que representa a destruição do Museu Nacional.

Assim como o incêndio é uma metáfora quase literal da atual realidade do país, em que o obscurantismo, os interesses financeiros e a mera ignorância colocam a ciência, a pesquisa, a história e a memória como descartáveis, o significado da perda das múmias é também um perfeito reflexo, de tesouros que, depois de resistirem a literalmente milhares de anos, agora foram destruídos pelo descaso, a burocracia, o obscurantismo.

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