Embaixador alemão não consegue entender como brasileiros distorcem nazismo

O professor apontou ainda a falta de conhecimento histórico destes grupos. “Essa falsa polêmica demonstra que o ensino de história é profundamente falho no Brasil. Também mostra uma profunda manipulação dos fatos e um desprezo pela verdade entre alguns setores no Brasil”.

A necessidade de prestar os esclarecimentos devidos foi tão grande, que o Embaixador da Alemanha no Brasil teve que se pronunciar. Falando ao jornal O Globo, Georg Witschel, classificou como ‘besteira completa’ a ideia de que o nazismo não se relaciona com pensamentos extremamente conservadores.

“É uma besteira argumentar que o fascismo e o nazismo são movimentos da esquerda. Isso não é fundamentado, é um erro, é simplesmente uma besteira. Isso é um fato bem fundamentado na História. É um consenso entre os historiadores da Alemanha e do mundo que o nazismo foi um movimento de extrema direita”, salientou.

Segundo Witschel, a presença da palavra socialismo no nome do partido nazista (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), foi uma estratégia usada para gerar apelo aos trabalhadores e setores mais pobres da população.

“Lembremos de quantos regimes brutais usam a palavra ‘democrata’ em seu nome”.

O vídeo publicado na página da diplomacia alemã não pretendia dialogar com a direita brasileira. Na verdade, o conteúdo foi postado por causa das manifestações de extrema direita ocorridas na Alemanha entre o final de agosto e o início de setembro na cidade de Chemnitz, no Leste do país. A marcha contou com a presença de grupos xenófobos, que perseguiram estrangeiros depois da morte de um alemão, supostamente assassinado em uma briga com dois imigrantes.

O embaixador reforçou a obrigação do Estado de “informar sobre o nazismo, para nunca mais deixar nada parecido acontecer na Alemanha ou no mundo. A História está bem viva na Alemanha, com um alto consenso”.  

Mesmo assim,  historiadores seguem sem entender a insistência de alguns brasileiros em dar uma ‘aula de história’ sobre nazismo aos alemães.

Foto: Reprodução/fonte:via

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Freddie Oversteegen, que seduzia nazistas para depois matá-los, morre aos 92

Freddie Oversteegen tinha 14 anos quando se uniu aos grupos de resistência contra o nazismo e deu os primeiros passos na célula feminista mais famosa da Holanda. Considerada um símbolo de heroísmo do período da Segunda Guerra Mundial, ela morreu aos 92 anos, no último dia 5.

A holandesa ganhou notoriedade com a divulgação das táticas utilizadas para combater o regime de extrema direita imposto por Adolf Hitler. A então jovem seduzia os oficiais alemães em bares para depois assassiná-los.

Oversteegen nasceu em Haarlem, perto de Amsterdã, em 6 de setembro de 1925 e ao lado da irmã foi criada pela mãe comunista. A família se escondeu em grupos de judeus na Lituânia e ajudava crianças judias a escapar de campos de concentração.

Acompanhada pela irmã, ela matava oficiais nazistas usando uma arma de fogo escondida na cesta de sua bicicleta. O plano era o seguinte, primeiro elas seduziam os nazistas em bares e perguntavam se eles queriam ‘dar uma volta’. Na sequência, como a própria admitiu em entrevistas, eles eram ‘liquidados’.  

“Tínhamos que fazer isso. Era um mal necessário, matar aqueles que traíram as pessoas boas”, disse em entrevista à Vice.

Freddie Oversteegen morreu um dia antes de completar 93 anos, em função de complicações cardíacas. Ao longo da vida ficou marcada como a grande representante do movimento de resistência feminista holandês. Ela dedicou parte da existência na luta contra nazistas e traidores nas proximidades da capital Amsterdã.

Sua grande amiga, Hannie Schaft, acabou capturada e morta pelos nazis. Sua biografia foi a inspiração para o longa-metragem holandês A garota com cabelo vermelho. Ela foi (re)enterrada com honrarias e a presença da rainha Wilhelmina e do príncipe Bernhard da Holanda. Mais de 15 cidades dos Países Baixos têm ao  menos uma rua nomeada em sua homenagem. Em 1996, Freddie fundou uma organização celebrando a memória de Schaft.

Fotos: Reprodução/fonte:via

Filmes encontrados no lixo mostram a vida de oficiais poloneses prisioneiros dos nazistas

Era uma noite de inverno em 1999 e Olivier Rempfer, então com 19 anos, caminhava pela cidade onde vive, Cagnes-sur-Mer, no sudeste da França, depois de passar uma noite com amigos na cidade vizinha de Saint-Laurent-du-Var. Uma caixa de madeira em cima de um recipiente de lixo chamou sua atenção. Curioso, ele abriu a caixa e viu vários objetos cilíndricos embrulhados em papel.

Rempfer esperou até chegar em casa para desembrulhar os objetos e, quando ele o fez, encontrou antigos rolos de filme preto e branco de 35mm. Segurando as tiras de filme contra a luz, ele viu uniformes, quartéis, torres de vigia e homens em trajes no palco. Supondo que as fotos deviam ter sido tiradas durante as filmagens de um filme de guerra, e os homens neles para serem atores, Rempfer deixou a caixa de lado e tratou de esquecer da história.

Anos depois, seu pai, Alain Rempfer, encontrou a caixa. O velho Rempfer, um fotógrafo, também não tinha certeza do que os negativos do filme mostravam, mas em 2003, quando ele comprou um scanner de filme, resolveu dar uma olhada mais de perto nas cerca de 300 imagens. “Rapidamente percebi que eram fotos reais, históricas, tiradas durante a guerra em um campo de concentração”, disse. “O nome da marca ‘Voigtländer’ foi escrito na borda do filme. Esse nome não me era familiar em filmes, mas eu sabia que o Voigtländer era um fabricante alemão de câmeras”.

Rempfer procurou alguma pista sobre onde as fotos poderiam ter sido tiradas. Uma mostrava um caminhão com vários homens sentados dentro e, na parte de trás, era possível ler as palavras “PW CAMP MURNAU” em letras brancas, depois as letras “PL”. Uma pequena pesquisa mostrou que, de 1939 a 1945, a cidade alemã de Murnau era o local de uma prisão de guerra para oficiais poloneses.

Pai e filho estudaram as fotografias de perto e com fascínio. “Todos esses jovens olhavam diretamente para nós através da câmera, durante o tempo em que viviam no acampamento”, disse Alain. “E nós não sabemos seus nomes ou como era a vida diária deles, não sabemos nada sobre suas esperanças, seus sentimentos”. Foi uma experiência estranha, como se alguém tivesse desligado o som e os deixassem assistindo a um filme mudo.

O pai e o filho decidiram que um site seria a melhor maneira de mostrar as imagens ao mundo. Eles esperavam que as imagens atingissem qualquer um que pudesse estar interessado nelas, mas especialmente membros da família dos ex-prisioneiros de guerra que talvez estivessem procurando informações ou pudessem reconhecer alguém nas fotos.

Fotos: Arquivo/fonte:via

Matthias Sindelar, o jogador que ousou vencer a Alemanha e comemorar um gol contra Hitler

A seleção da Áustria não vai estar presente na Copa do Mundo da Rússia, assim como aconteceu nas últimas quatro edições. A participação mais recente aconteceu na França, em 1998, mas, mesmo com apenas sete participações em mundiais, o país merece ser lembrado ao revisitar as grandes histórias das Copas.

Tudo graças a Matthias Sindelar, o grande craque austríaco da década de 30. Alto e magro, o atacante se destacava em campo pela velocidade, leveza e habilidade, ganhando o apelido “Der Papierene”, ou “Homem de Papel”.

Sua presença foi fundamental para que a seleção austríaca recebesse o apelido Wunderteam, ou “Time Maravilha”. Campeã da Copa Internacional da Europa Central em 1932, espécie de torneio precursor da Eurocopa, a Áustria chegou à Copa de 1934 como uma das favoritas, tendo vencido ou empatado 28 das 31 partidas anteriores ao Mundial.

Apesar do bom futebol do Wunderteam, que bateu França e Hungria nas oitavas e quartas de final, respectivamente, a Áustria caiu frente à anfitriã e futura campeã Itália na semifinal, partida que os especialistas europeus definiram como final antecipada.

Nascido em 1903, a participação de Sindelar na Copa de 1938 poderia ser considerada improvável, afinal, a carreira dos atletas não era tão longeva naquela época. Apesar disso, aos 35 anos, o craque seguiu como titular da equipe, sendo importante na campanha vice-campeã da Olimpíada de 1936, novamente com derrota para a Itália.

A Áustria se classificou para a Copa de 1938, mas não pôde jogar. O motivo? A três meses do Mundial, a Alemanha de Hitler invadiu e anexou a Áustria ao território do Terceiro Reich.

Assim, os jogadores deveriam jogar pela Alemanha, que na época era uma seleção de segundo nível, mas ganharia muito com a presença dos atletas austríacos.

Os gols e a comemoração da revolta

Mas Sindelar foi um dos jogadores que se recusaram a vestir o uniforme alemão, que inclusive ostentava uma suástica como escudo. Não sem antes dar um jeito de expressar seu descontentamento com a questão política que marcava a Europa.

Um mês após a indexação, e dois antes da Copa, em 3 de abril, Hitler resolveu celebrar a anexação com uma partida entre Áustria e Alemanha, supostamente a última dos austríacos como nação soberana.

O resultado fora encomendado pelos generais alemães: há quem diga que eles foram ao vestiário austríaco exigir que a partida terminasse empatada, enquanto outra versão dá conta de que eles determinaram que os alemães sairiam vitoriosos.

Mas, em campo, Sindelar se recusou a se dobrar. Ele marcou o primeiro gol da partida, comemorando efusivamente – segundo relatos, ele fez questão de celebrar em frente à tribuna em que figuravam autoridades militares nazistas. A partida, que terminou 2 a 0, seria a última oficial do “Homem de Papel”.

Apesar da rebeldia, os alemães mantiveram o “convite” para que Sindelar atuasse por eles na Copa. Ele recusou, alegando estar lesionado ou velho demais para competir em alto nível, ainda que seu histórico recente indicasse o contrário. Quatro atletas austríacos (Josef Stroh, Rudolf Raftl, Johann Mock e Franz Wagner) acabaram jogando o Mundial pela Alemanha.

A recusa de Sindelar teve consequências: ele foi proibido de jogar futebol profissionalmente e de viajar para além das fronteiras alemãs. Para seguir a vida, o craque abriu uma cafeteria, mas há relatos de que membros do exército nazista atrapalhavam seu funcionamento com frequência.

Em 22 de janeiro de 1939, cerca de seis meses após o término da Copa, Sindelar e sua companheira, a italiana Camilla Castagnola, foram encontrados mortos no apartamento onde viviam, em Viena.

A versão oficial apontou a causa da morte como asfixia por vazamento de monóxido de carbono, um acidente relativamente comum naquela época. Apesar disso, não faltou quem suspeitasse que se tratara de suicídio por causa da pressão exercida pelos alemães, ou mesmo de assassinato cometido pelos nazistas – anos depois, foi revelado que a Gestapo investigou Sindelar por suspeitas de que ele fosse “”pró-judeu” e “social-democrata”.

Estima-se que o funeral do craque levou de 15 mil a 20 mil pessoas ao Cemitério Central de Viena. Em 1998, Sindelar foi eleito o maior atleta austríaco do século, e segue imortalizado na história do esporte. Há um vídeo no Youtube que reúne algumas das raras filmagens do Homem de Papel.

Fotos: Reprodução/fonte:via