13 artistas que trabalham técnica milenar e delicada de cortes em papel




De formas dobradas a instalações gigantescas, a arte em papel é milenar, mas continua a inspirar os artistas até hoje. As dobraduras e o papel machê estão presentes desde a infância, criando brincadeiras, bonecos e esculturas. Mas uma prática que se tornou particularmente popular – e segue impressionando – é o Paper Cutting. A técnica de cortes minuciosos em papel produz obras incríveis e em dimensões bastante variadas.

Embora hoje muitos artistas explorem a prática do corte de papel, alguns se destacam, como as autodidatas Vanshika Agarwala, da Índia, e a brasileira Ariádine Menezes, que transformam folhas de papel inteiras em obras ou Patrick Cabral e Peter Callesen, com trabalhos que abusam da tridimensionalidade. Quer estejam usando uma tesoura simples, estilete ou bisturi, esses artistas provam as infinitas possibilidades oferecidas pelo papel.

No caso de Ariádine, o interesse pelo Paper Cutting surgiu das colagens. “Fui pegando gosto por cortar cada vez mais detalhado, usando até tesourinhas cirúrgicas. Com o tempo conheci pessoas que usavam o estilete de precisão, bisturi, e quando comecei com ele fui largando os outros materiais e focando mais no entalhe do papel como meio de expressão”, conta a artista. Seu processo de aprendizado foi de forma autônoma, na base da tentativa e erro. “Não haviam muitas referências dessa técnica no Brasil, então eu estudava na internet um pouco do que já havia sido explorado e testava sozinha coisas ‘novas’”, explica.

1. Ariádine Menezes

Ariádine começou de forma autodidata a trabalhar com papper cutting

Ariádine começou de forma autodidata a trabalhar com paper cutting

A primeira exposição individual de Ariádne, Prazerosa, aconteceu em São Paulo e reuniu um apanhado de obras com bastante geometria e abstração. Nela estavam trabalhos da série ‘Busca’, estilo que ela focava mais no início da carreira, e também da série mais atual, ‘Toque’, que explora a autonomia sexual feminina, o empoderamento e confiança adquirida através do auto-prazer.

“Acho que dentro de todas as discussões do feminismo ainda precisamos muito falar daquilo que podemos fazer por nós mesmas independente do que a sociedade espera. A exposição acabou me rendendo mais convites ligados à discussões feministas, como bate-papos, parcerias e até ilustrações de um livro que deve sair no início do ano que vem”, comemora.

Para conhecer mais as possibilidades do Paper Cutting, separamos aqui 13 artistas que vale conhecer e amar. As três primeiras dicas são da própria Ariádine. Confira:

2. Peter Callesen

Admiro pela tridimensionalidade que aplica nas peças, parecendo sempre que tem algo tomando vida no papel e vindo na sua direção.

3. Swoon (Caledonia Curry)

Artista mulher que usa Papper Cutting com vários outras técnicas como lambe, xilogravura, pintura e leva a delicadeza do recorte pra rua, pra arte urbana, um ambiente efêmero que contrasta com o afinco exigido na produção das obras.

4. Kako Ueda

Artista japonês (onde está berço da técnica) que faz instalações que trazem o papel pra algo bem orgânico e corpóreo até. Bem único o trabalho dele.

5. Vanshika Agarwala

Ela é uma artista autodidata e suas peças de arte são criadas em um processo orgânico de desenhar em grandes folhas de papel e fazer cortes com uma faca. Fortemente inspirada em viagens e arquitetura, ela adora adicionar elementos extravagantes e de conto de fadas ao seu trabalho. Os motivos são muitas vezes relacionados com plantas e folhas.

6. Kiri Ken

Conhecido como Cutting Sword (espada de corte), o artista japonês Kiri Ken cria recortes que vão desde criaturas marinhas a retratos expressivos. Inspirado em ilustrações com tinta, sua arte em papel exibe as linhas finas e os mínimos detalhes tipicamente encontrados nos desenhos.

7. Rogan Brown

Conhecido por seus peculiares microorganismos de papel, o artista anglo-irlandês usa “o prisma da imaginação” para criar suas obras de arte. Com cortes à mão e à laser, suas peças são feitas com uma impressionante atenção aos detalhes e mostram as principais fontes de inspiração de Brown: desenho científico e modelismo.

8. Patrick Cabral

Artista das Filipinas que cria retratos tridimensionais em papel de animais ameaçados de extinção. Com camadas de papel inspiradas em rendas, as elaborados obras mostram as interpretações estilizadas de cada animal.

9. Pippa Dyrlaga

A artista inglesa transforma lindamente pedaços de papel em elaborados recortes cheios de detalhes. Usando nada além de um lápis e uma faca, Dyrlaga é capaz de fabricar cenas inspiradas em seus arredores rurais. De pássaros e insetos a flores e penas, o assunto explorado mostra a vida selvagem britânica.

10. Tahiti Pehrson

Ao contrário de muitos outros artistas de corte de papel que se especializam em peças figurativas, este californiano trabalha em abstrato. Inspirado pelo guilloche, uma antiga técnica de gravura, ele fabrica hipnotizantes instalações de papel. Com padrões geométricos e motivos sinuosos em espiral, cada uma de suas peças esculturais apresenta a abordagem delicada do artista à forma de arte.

11. Suzy Taylor

A artista faz delicadas criações de papel inspiradas tanto pelo seu gosto pela arte folclórica quanto pelos motivos florais. Embora seja obsessivo, esse processo demorado atrai Taylor, que também trabalha com argila e como ilustradora.

12. Parth Kothekar

Inspirado pela vida cotidiana, o artista indiano cria recortes em pequena escala que se parecem com desenhos de linhas ou esboços estampados. Embora cada peça pareça inegavelmente precisa, sua abordagem artística é surpreendentemente fluida. “Se é um desafio, isso me motiva. A coisa com papercuts é que não se sabe o resultado final até o final. Eu tenho uma suposição do que pode parecer e é com isso que eu trabalho. É a curiosidade de descobrir se tenho aquilo que me faz continuar”, relatou no site Bored Panda.

13. Riu

O artista japonês autodidata é especialista em arte dos cortes em papel com formas geométricas e padrões repetitivos. Abrangendo uma variedade de influências, incluindo mandalas simbólicas e motivos Art Nouveau, as peças elaboradas exibem o interesse do artista em alcançar o equilíbrio e promover a harmonia através de sua arte.

Fotos destaque: reprodução/Ariádine Menezes/fonte:via

Gato gordo e fofo invade as obras mais famosas da história com muita atitude

A artista Svetlana Petrova transforma seu gato ruivo, Zarathustra, em muso inspirador e coloca o adorável felino gordo em algumas das obras mais conhecidas da história da arte. O bichano invade as pinturas para acrescentar sua própria dose de beleza, dando novo significado a elas.

Na explicação de Petrova sobre sua arte de gato, ela deu um giro divertido em como seu trabalho é feito. Ela apresenta como se Zarathustra fosse o verdadeiro gênio artístico que possui uma incrível capacidade de melhorar as pinturas. “Eu sou apenas uma assistente humilde de Sua Majestade Peluda”, ela diz, “que gentilmente me permite usar todas as minhas habilidades de pintura, fotografia e Photoshop para inserir suas preciosas imagens em obras-primas de renomados artistas do passado”.

Juntos, Petrova e Zaratustra “revisitaram” mais de 150 pinturas e as compilaram em um livro intitulado “Arte do Gato Gordo: Obras-primas famosas melhoradas por um gato ruivo com atitude”, disponível na Amazon.

Arte: Svetlana Petrova /fonte:via

Obra de Niemeyer em Milão completa 40 anos e fotógrafa brasileira registra sua imponência

Os edifícios de Oscar Niemeyer no Brasil são icônicos, e lá fora não é diferente. Nos idos de 1968, Georgio Mondadori, presidente da editora italiana Mondadori, uma das líderes de mercado no país europeu, encomendou a Niemeyer o projeto de arquitetura da sede da empresa que seria inaugurada. A ideia é que o prédio fosse inspirado no Palácio Itamaraty, ou Palácio dos Arcos, a sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Brasília.

Niemeyer aceitou o desafio e projetou este que seria um de seus projetos favoritos na Europa. Além desta, o artista assina a Sede do Partido Comunista Francês, a Bolsa de Trabalho de Bobigny, o Centro Cultural Le Havre e a Sede do Jornal l’Humanité, todos na França; a casa Oscar Niemeyer, na Alemanha, o Museu de Arte Contemporânea de Ponta Delgada, a Fundação Luso-Brasileira e o Pestana Casino Park, em Portugal; entre muitos outros.

Voltando ao edifício icônico em Milão, que celebra 40 anos de sua construção, a fotógrafa e artista visual Karina Castro foi convidada por Mondadori para registrar sua beleza e grandiosidade. As imagens aproveitam os formatos geométricos, sombras e reflexos da obra para reproduzir fielmente sua imponência.

Confia as série:

Fotos: Karina Castro/fonte:via

Pintura de Da Vinci encontrada em 2011 é vendida por US$450 milhões

 

O leilão da tela “Salvator Mundi” aconteceu na quarta-feira (15) de novembro de 2017 no Rockefeller Center, em Nova York, e durou apenas 19 minutos. A obra representa Jesus Cristo com uma mão em movimento de bênção e a outra segurando um globo de cristal (veja imagem completa abaixo).

Quatro compradores participaram por telefone e um pessoalmente na sede da casa de leilões Christie. Cada lance dos interessados provocava reações de surpresa nos presentes.

O preço alcançado foi de US$450,3 milhões, com as taxas de compra. Esta quantia foi radicalmente maior que o último recorde de obra de arte leiloada, o “Mulheres de Alger” de Picasso, vendida por US$179 em 2015. O comprador de “Salvatore Mundi” ainda não foi identificado publicamente.

Este preço pago pela obra de Da Vinci é ainda mais impressionante levando em conta que o mercado de obras de arte renascentistas está em contração por falta de peças disponíveis para venda. A venda astronômica também traz questionamentos sobre o valor de obras de arte, já que ainda há dúvidas de que o  “Salvatore Mundi” seja de Da Vinci e a obra está em más condições de preservação. Enquanto as mãos estão bem preservadas, o fundo foi manipulado e a superfície da tela foi limpo de forma incorreta, danificando a face e cabelo de Cristo.

Apesar de já ter sido chamada de “Mona Lisa masculino”, o quadro não tem muita semelhança com a composição e estilo de Da Vinci. Especialistas em investimentos em obras de arte se queixaram da demora da Christie em liberar um relatório sobre as condições da peça, e o certificado de garantia de que se trata de um Da Vinci vence em apenas cinco anos. Esta informação foi impressa em letras pequenas atrás do catálogo de venda da obra.

 

Mesmo assim, a pintura atraiu o interesse de muita gente, mostrando que o público não se importa se a pintura é original de Da Vinci ou se é de um de seus pupilos. Na fase de pré-leilão, a peça foi exposta em Hong Kong, Londres, São Francisco e Nova York, e atraiu 27 mil pessoas interessadas em conferir a tela feita no século XVI.

Linha do tempo da obra perdida


A obra foi feita ao redor de 1.500, e alguns estudos realizados por Da Vinci ligam a tela a ele. Em algum momento, o rei Charles I da Inglaterra, um grande colecionador de arte, comprou a pintura. Ela provavelmente ficava no quarto de sua esposa Henriqueta Maria. Charles I foi executado em 1.649 na Guerra Civil Inglesa. Depois de sua morte, a obra foi vendida em 1.651, para John Stone.

Stone ficou com a pintura por nove anos, quando o filho de Charles I voltou do exílio para retomar o trono inglês. A tela foi devolvida para Charles II, e ela provavelmente ficou no Palácio de Whitehall em Londres até o final do século XVIII, passando de Charles II para seu irmão James II. A partir daí sua localização ficou imprecisa.

A pintura ficou em local desconhecido até o século XX, quando foi vendida como um trabalho de Bernardino Luini, um dos pupilos de Da Vince. Em 1.958, a tela foi comprada por apenas mil dólares no valor atual (na época, apenas 45 libras esterlinas).

Apenas em 2005 a pintura acabou em um leilão nos Estados Unidos, mas ainda acreditava-se que se tratava de um trabalho de um dos pupilos de Da Vinci. Depois daquela venda, em 2007 a restauradora Dianne Modestini, do Instituto de Nova York de Belas-artes, lançou um projeto para recuperar a obra, removendo gotas de tinta que haviam sido adicionadas ao painel de madeira para disfarçar batidas e para restaurar tentativas ruins de colar uma rachadura na madeira.

Foi aí que ela percebeu que poderia ter em mãos uma obra de Da Vinci. Especialistas do mundo todo examinaram a peça e concordaram que o autor realmente foi Da Vinci. Em 2011, a tela foi exposta na Galeria Nacional em Londres.

Algo que acrescenta ainda mais valor à tela é a técnica de pintura da pele de Cristo, chamada sfumato. Nela, o artista usa a palma da mão para espalhar tinta na tela. Imagens em infravermelho mostraram que ainda há impressões da mão de Da Vinci na tela, especialmente na testa de Cristo.

Em 2013, a tela foi vendida por US$80 milhões para um negociante suíço, que a vendeu por US$127 milhões em 2014 para o investidor Russo Dmitry Rybolovlev. A obra anterior de Da Vinci vendida por maior preço foi a “Cavalo e Cavaleiro”, por US$11,4 milhões em 2001. fonte:via [Live Science,via New York Times]