Por dentro do apartamento-ateliê vintage e psicodélico dos artistas Rafael Silveira e Flávia Itiberê

Difícil competir com artistas no que diz respeito à criatividade. Com talento praticamente nato, a dupla Flávia Itiberê e Rafael Silveira dorme e trabalha sob o mesmo teto em Curitiba há nove anos. Ao longo do tempo, o apartamento que começou minimalista foi se transformando num baú de memórias e peças artísticas.

Foi através de amigos em comum que a artista têxtil conheceu o artista plástico, a 11 anos atrás. “Sempre íamos nos mesmos circuitos, shows e bares de rock da cidade. Aí sempre acabávamos nos encontrando e desde então temos muitas afinidades”.

A primeira afinidade a ser notada é a arte, é claro. Os dois possuem mentes borbulhantes para trabalhos manuais que dialogam entre si, seja por linhas ou tintas. Os bordados dela são de cair o queixo, enquanto a pintura e ilustração surrealista dele traz um frescor divertido para a cultura pop.

Fotos: reprodução/fonte:via

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Com pinturas geométricas, neon e detalhes retrô, casal tira apê alugado da mesmice

Depois de um tempo morando fora da casa dos pais você aprende que mais importante do que ter uma casa financiada é ter um lugar para chamar de lar. Sem medo de arriscar, a jornalista Sheila Almendros tratou de arregaçar as mangas ao lado do marido Henrique Gios e da bulldog de seis anos Dora para deixar o apê alugado com a cara deles. A aposta em pinturas geométricas, detalhes retrô e um neon pra lá de estiloso deixaram o cantinho com muito mais personalidade, mesmo não apostando em grandes reformas.

Fotos por Sheila Almendros /fonte:via

Com 450 obras, mostra MASP-Tomie Ohtake exibe a linda herança cultural do povo africano

Museus e galerias são geralmente ambientados em um cubo branco. Das paredes ao público, essa é a cor que predomina nos espaços de arte. Em uma parceria, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e o Instituto Tomie Ohtake fazem o oposto ao reunir um enorme acervo de arte onde o povo negro é autor ou retrato exposto. Na mostra Histórias Afro-Atlânticas, que percorre cinco séculos em 450 obras de 210 artistas, questiona o lugar - literal, figurado e visceral  dos negros nas Américas. Os espaços te convidam a inverter papéis e a enxergar de uma vez por todas que ser latino é ter sangue negro fluindo nas veias.

Na exposição, os afrodescendentes são artistas que assinam as obras e/ou personagens retratados nas mesmas. Tapeçarias, esculturas, instalações e pinturas compõem a enorme coleção. O conjunto apresentado é, em sua maioria, oriundo de coleções diversas, particulares e mais de 40 museus internacionais, como o Metropolitan Museum de Nova York, Museo Nacional de Bellas Artes de Havana (que recomendo muito!) e a National Gallery da Jamaica. Dividida por núcleos, a mostra passa por Mapas e Margens, Cotidianos, Ritos e Ritmos, Retratos, Modernismos Afro-atlânticos e Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica e Bahia. No Tomie Ohtake, entram ainda Emancipações e Resistências e Ativismos.

A artista Loïs Mailou Jones pega referências egípcias para compor Egyptian Heritage (Legado Egípcio), uma tela forte que coloca Cleópatra e outras duas mulheres negras na posição central, sendo que uma delas pode ser a própria artista, que olha diretamente para o espectador. É também uma maneira de lembrar que os povos egípcios foram igualmente embranqueados por livros, filmes e demais representações.

Todas as fotos por © Brunella Nunes/fonte:via

Fotografia e empatia: o trabalho e a visão de um fotógrafo de natureza e conservação no Brasil

“Empatia. Essa é a palavra que define o foco de meu trabalho. O objetivo é tentar despertar a capacidade das pessoas em sentir o que sentiria um outro ser vivo. Gerar o sentimento de importar-se com os que coabitam conosco nesse pequeno pedaço de rocha “perdido” no espaço infinito. Esse é só um pequeno passo para que se entenda que além de estarmos juntos no mesmo ambiente, precisamos uns dos outros para sobreviver para que o ecossistema planetário seja relativamente estável, permitindo que todas as espécies, inclusive os humanos”afirma Leonardo , continuem por aqui.

Depois de passar grande parte do tempo dentro das florestas, em contato direto com suas maravilhas e, também, com o que ameaçava aquela biodiversidade, meu interesse foi despertado. Presenciei situações nas quais estive bem próximo à mamães com seus filhotes, de esquentar corações de pessoas mais sensíveis, assim como a caça, queimadas criminosas promovidas pela especulação imobiliária, dentre outras atividades que me arrepiam. Assim, comecei a entender meu papel neste grande jogo da vida.

Precisava tentar fazer com que o máximo possível de pessoas entendesse que a natureza vale mais do que dinheiro. Que desafio, hein!? Ao menos nós tentamos! E o único caminho que conheço é a cultura. Tendo isso em mente, em 2011, criei o Instituto Últimos Refúgios, uma ONG sem fins lucrativos que tem o foco em sensibilização ambiental através da cultura, tendo como orgulho nosso trabalho com as crianças nas escolas. Tem gente que faz através da política, através da escola ou através de ações de ativismo direto.

Não importa como, em minha humilde opinião, o importante é fazer.

Há décadas, fotógrafos como Sebastião Salgado, Araquém Alcântara, Luis Cláudio Marigo (que nos deixou há poucos anos), representam a natureza em fotografias, através de suas lentes. Dando visibilidade não só as belezas da natureza, mas também mostrando para a sociedade as ameaças que ela sofre. Trabalho importante não só para ajudar a preservar aquilo pelo qual somos todos apaixonados, mas também para inspirar toda uma nova geração de “defensores” da biodiversidade, muitos amigos, dos quais sou fã. Nomes como João Marcos Rosa, Luciano Candisani, Adriano Gambarini, Daniel De Granville, Zig Koch, dentre outros, são pessoas pelas quais tenho grande admiração. São fontes de inspiração. Cada um lutando, de sua maneira, para um bem comum. Recomendo aos leitores conhecerem um pouco do trabalho dessa galera.

Lutas épicas mostradas através da fotografia tornam-se uma memória de como conseguimos mudar o mundo por meio de imagens. Lembro-me de histórias como a do tamanduá em meio às chamas das queimadas no Cerrado, com foto de Luis Claudio Marigo, ou a fotografia de Araquém Alcântara contra a construção de usinas nucleares em uma região preservada. Ícones que, além de serem de grande ajuda para as causas ambientais específicas, também me inspiraram a tentar deixar minha contribuição.

Hoje em dia, tenho orgulho de ter influenciado (no ponto de vista ambiental) algumas lutas, como a questão de atropelamentos de animais nas estradas e a tragédia do Rio Doce (o Hypeness escreveu sobre isso), ambas com disseminação internacional. Porém, atualmente, o que tem me motivado é o apoio a projetos de conservação, que vêm conseguindo crescer tanto por competência dos profissionais envolvidos quanto pela abrangência que esses trabalhos conseguem ter com a ajuda de minhas imagens.

Um exemplo é o trabalho do Projeto Caiman com a conservação do Jacaré-de-papo-amarelo aqui na Mata Atlântica. Os jacarés são animais marginalizados por não serem carismáticos, porém, são de extrema importância para a manutenção do equilíbrio biológico dos ambientes nos quais se encontram. A Mata Atlântica só tem cerca de 10% de sua área original, então, se para animais carismáticos já está difícil sobreviver, imagina para os jacarés, que as pessoas não gostam muito.

Meu objetivo, nesse caso específico, é tentar fazer com que os dados obtidos pela equipe do projeto cheguem até as pessoas da melhor forma possível, mostrando a importância do animal para o ecossistema e que, no final das contas, é um animal super interessante. Vocês, que leem esse texto, precisavam ver os olhares de curiosidade das crianças quando levamos um jacaré de verdade para elas verem (óbviamente devidamente contido e com as devidas licenças). É perceptível a mudança de mentalidade dos pequenos em relação àquele animal.

Uma nova vertente de meu trabalho com a conservação é apoiar a tentativa de unir a pesquisa científica, o turismo e a cultura. Uma iniciativa super especial para mim é o Projeto Amigos da Jubarte, formado através de um “coletivo ambiental” do qual faço parte, que desde 2014 colhe dados em torno da concentração geográfica das baleias-jubarte no Espírito Santo. Agora, ganhando mais força, com a parceria do Instituto Baleia Jubarte, que tem 30 anos de experiência na Bahia. Problemas recentes são entraves para a recuperação das Jubartes, que sofrem todos os anos durante seu ciclo migratório com atropelamentos por embarcações, encalhes acidentais em redes de pesca, poluição marinha, sonares, prospecção de petróleo em águas profundas, caça ilegal, além das recentes mudanças climáticas.

Por isso, através do projeto Amigos da Jubarte, estamos desenvolvendo uma série de atividades que incluem ações envolvendo pesquisa científica, capacitação de agentes ligados ao turismo, educação ambiental nas escolas da rede pública e particular de ensino, além da sensibilização através da difusão de conteúdo em mídias gerais, para não somente proteger a espécie, mas também para criar uma interesse popular pelo turismo sustentável de observação de baleias adequado às normas de segurança e à legislação de proteção aos cetáceos. Mesmo como fotógrafo, é difícil apenas captar as imagens e não se envolver um pouco mais na causa.

Através de minhas imagens, os projetos que cito acima conseguem visibilidade perante a sociedade, ganhando reconhecimento sobre os assuntos nos quais são especializados. Aproximando as pessoas do bem imensurável presente nos ambientes naturais brasileiros, amplificando as ações para conservação das espécies e, consequentemente, de “grão em grão”, somando com resultados de outras iniciativas, podemos afetar positivamente todo o planeta.

Acredito que o fotógrafo de natureza que retrata uma realidade direcionando aquele material para caminhos nos quais acredita está numa missão árdua que, na maioria das vezes, cobra altos preços pessoais e profissionais. Horários não convencionais, recursos escassos e histórias de “cair suor nos olhos” fazem parte da rotina daqueles que escolheram dar voz à natureza. A natureza tem sim sua voz própria, mas a “reclamação” dela nunca é muito agradável para nós, humanos. Enchentes, tornados, secas e todo o leque de desastres naturais são manifestações dela que, acredito eu, preferimos evitar!

Leonardo já realizou diversas exposições no Brasil e também na Alemanha, Itália e França. Tem cinco livros publicados, quatro documentários em vídeo, séries para TV/YouTube e matérias veiculadas na BBC, National Geographic Brasil, Fantástico, Google Arts & Culture.

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