Prêmio Nobel vai para ativistas combatentes da violência sexual como arma de guerra

 

Nesta edição, o Prêmio Nobel da Paz reconheceu a luta de ativistas contra a violência sexual. Nadia Murad, ex-escrava sexual do grupo extremista Estado Islâmico e o médico ginecologista Denis Mukuwege, foram os homenageados.

O anúncio foi realizado na manhã desta sexta-feira (5), em Oslo, na Noruega.  Aos olhos da comissão julgadora, os esforços para acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra e o conflito armado devem ser reconhecidos.

Com apenas 25 anos, Nadia Murad possui uma história de vida impressionante. A jovem se tornou ativista dos direitos humanos do povo yazidi depois sobreviver a três meses de escravidão sexual no Iraque. Ela escapou do cativeiro imposto por membros do Estado Islâmico em 2014.

Desde então, Nadia lidera uma campanha mundial para impedir o tráfico de seres humanos e combater a escravização sexual. Seu objetivo é libertar o grupo étnico-religioso yazidis, considerados ‘traidores’ pelo EI. Pelo menos 3 mil mulheres yazidis foram vítimas de estupro no Iraque.

Desde que se libertou, além do Prêmio Nobel Nadia Murad foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico Humano.

Denis Mukwege, de 63 anos, é o ‘doutor milagre’. O ginecologista dedicou grande parte de sua vida em combater a incidência de violência sexual na República Democrática do Congo. O médico tratou mais de 30 mil vítimas de ataques, se colocando como um dos grandes especialistas no tratamento de lesões sexuais graves.

Mukwege montou um hospital com mais de 300 leitos e um sistema para auxiliar financeiramente estas mulheres no recomeço de suas vidas. O médico chegou a sofrer um atentado, mas não se deixou abater.

O ‘doutor milagre’ não poupa críticas ao abuso sofrido por mulheres durante guerras. Para ele, o estupro é uma “arma de destruição em massa”. Estima-se que 6 milhões de pessoas tenham morrido desde o início da guerra civil na República Democrática do Congo.

Quando a notícia sobre o Nobel foi recebida, Denis estava em cirurgia. Logo depois, disse que podia “ver nas faces de muitas mulheres como estão felizes de serem reconhecidas”.

Para a presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen, a edição de 2018 do Nobel envia ao mundo a mensagem de que “as mulheres, que constituem metade da população, são usadas como armas de guerra e precisam de proteção. Os responsáveis devem ser responsabilizados e punidos”.

Fotos: Reprodução/fonte:via

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A emocionante comemoração da abertura desta fronteira após 20 anos de guerra

A Eritreia é um pequeno país africano, que entre 1952 e 1993 fez parte da Etiópia. Desde que a independência foi declarada, as duas nações debateram sobre a localização da fronteira que divide os territórios, resultando inclusive em dois anos de guerra declarada, entre 1998 e 2000.

Os conflitos cessaram, mas tanto Etiópia quanto Eritreia continuam oficialmente em guerra uma com a outra. A animosidade, que resultou em ao menos 80 mil mortos no começo do século, também afetou a vida de amigos e familiares que foram praticamente proibidos de se ver, já que a fronteira entre os país ficou fechada por 20 anos.

Voos comerciais também estavam proibidos desde 1998, mas foram retomados em julho. Tudo porque Abiy Ahmed assumiu o cargo de primeiro-ministro em junho, declarando que reconheceria os limites do território da Eritreia que foram propostos em 2002. Ahmed também libertou milhares de presos políticos na Etiópia, além de prometer mais respeito aos direitos humanos e abertura para a atividade da imprensa.

Em setembro, a fronteira entre os dois países foi oficialmente reaberta, levando centenas ou milhares de pessoas a festejar correndo, cantando e abraçando os moradores do país vizinho.

Confira no vídeo da Associated Press:

Fotos via BBC/fonte:via