MacRebur: empresa que constrói estradas com plástico retirado dos oceanos

Você provavelmente nunca refletiu sobre o assunto, mas o asfalto e o plástico são feitos do mesmo material.

Sim, o petróleo é a base de ambos. Portanto, não seria genial se usássemos todo o plástico que está poluindo nossas cidades e oceanos para criar estradas ao invés de extrair mais petróleo com essa finalidade?

A boa notícia é que já tem gente fazendo isso!

A empresa MacRebur, criada pelos britânicos Toby, Nick e Gordon, está usando resíduos plásticos para criar um novo tipo de asfalto.

O material ganhou os nomes de MR6, MR8 e MR10 e os compostos devem ser misturados à planta junto com o betume. Após 18 meses de testes, a tecnologia está pronta para ser utilizada e garante estradas 60% mais resistentes do que aquelas feitas com asfalto convencional.

Um outro benefício também deve incentivar o uso desta matéria-prima: o preço. Afinal, lixo é um material que temos em abundância pelo mundo (infelizmente) e, com isso, acaba sendo bastante econômico utilizá-lo em iniciativas como essa. Cada tonelada de asfalto utiliza de três a dez quilos de resíduos plásticos.

O vídeo abaixo, em inglês, fala sobre o surgimento da ideia:

https://player.vimeo.com/video/214836976

MacRebur website from Clay10 Creative on Vimeo./fonte:via

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Lego vai eliminar o plástico de seus produtos e substituir por material bem brasileiro

OK, o planeta está sofrendo várias consequências por causa do consumo humano desenfreado e o plástico é um grande vilão, mas não dá para simplesmente abandonar o material, afinal, há coisas que não existiriam se não fosse o plástico, como o Lego, certo?

Errado! Acredite, o CEO da Lego, Niels B. Christiansen, declarou que a família por trás dos brinquedos mais conhecidos do mundo está empenhada em substituir o material que, desde 1934, está presente nas casas de família ao redor de todo o mundo.

De acordo com Christiansen, o plano é que todas as linhas de Lego sejam fabricadas com materiais sustentáveis até 2030, e compostos à base de cana-de-açúcar são os favoritos para assumir o papel. Atualmente, a empresa já fabrica conjuntos feitos à base de plantas, mas o material não parece pronto para ser produzido em grande escala.

Ainda segundo o CEO, é cedo demais para prever se a mudança impactará nas margens de lucro da companhia e se isso acabaria significando um aumento nos preços para os consumidores.

Fotos: reprodução/LEGO /fonte via

Dispositivo de limpeza do inventor de 24 anos deve remover 80 mil toneladas de plástico do Pacífico

Foram necessários apenas cinco anos para que o jovem Boyan Slat, de 24 anos, desenvolvesse um dispositivo de limpeza capaz de remover 80 mil toneladas de plástico do Oceano Pacífico.

O System 001 vai atuar entre a costa do Haiti e da Califórnia, considerada uma das áreas mais sensíveis na luta contra a poluição causada pelo despejo de objetos de plástico. O desastre ambiental se deu por causa do movimento provocado pelas correntezas, resultando em um acúmulo superior a 1 trilhão de pedaços de plástico.

A máquina criada pelo jovem holandês possui 600 metros de extensão e opera por meio de movimentos circulares – aproveitando os movimentos da correnteza para formar uma espécie de filtro capaz de concentrar e depois coletar os itens, que são levados por uma embarcação. O equipamento conta ainda com uma tela sólida em sua base, que vai concentrar os detritos.

Se der certo, a ideia é fabricá-lo em grande escala e se concentrar neste ponto do Oceano Pacífico pelos próximos cinco anos. Apesar do otimismo, oceanógrafos estão preocupados com os possíveis impactos na vida marinha. O receio é que os animais possam se prender em alguma parte do filtro.

Por isso, o System 001, em um primeiro momento, vai passar por uma fase de testes de duas semanas próximo da costa de São Francisco, antes de receber sinal verde para atuar no ponto pretendido no Oceano Pacífico.  

Boyan Slat está animado com as possibilidades de sucesso e por isso já criou a The Ocean Cleanup Foundation, organização sem fins lucrativos responsável pelo desenvolvimento das tecnologias. A expectativa é que a invenção auxilie no salvamento de centenas de milhares de animais aquáticos, além de diminuir os poluentes que se integram na cadeia alimentar.

Fotos: Reprodução /fonte via

Patinhos de plástico vagando nos oceanos 26 anos após acidente alertam sobre poluição

A Caça dos Patinhos navegantes expôs as preocupações sobre o acúmulo de lixo nos oceanos. Em janeiro de 1992, um carregamento com 28 mil bichinhos de brinquedo acabou derramado no meio do Oceano Pacífico.

Por serem projetados para flutuar, eles foram guiados pela correnteza e se esparramaram em áreas diversas dos mares. Alguns deles chegaram a percorrer um trajeto de mais de 3 mil quilômetros, chegando por exemplo na costa do Alasca. Outros patinhos foram encontrados na Austrália e Escócia.

O fenômeno intrigou os cientistas e gerou a abertura de uma longa investigação para rastrear os passos destes brinquedos vendidos para divertir crianças durante banhos de banheira. A história proporcionou inclusive, um entendimento melhor sobre os principais pontos acumuladores de lixo nos oceanos.

Os patinhos foram vistos pela última vez há mais de 10 anos, em uma praia de Massachusetts, no leste dos Estados Unidos e para profissionais voltados para a pesquisa em oceanos, é provável que muitos estejam vagando por aí quase 30 anos depois do acidente.

A explicação para esta história curiosa se dá pelo local do acidente. Trata-se de um ponto específico do Oceano Pacífico conhecido pelo encontro de correntes marítimas, que envolvem diversos continentes.

Ali se encontram correntezas com o Giro Subártico, que faz uma volta completa entre a América e Ásia e se une com outra corrente, que atravessa o Estreito de Behring para por fim chegar ao Atlântico.

Apesar do frisson em torno dos patinhos, sonho de consumo de uma série de colecionadores, a história evidencia o tamanho do problema causado pela poluição no oceano. O entrave vem provocando uma mudança de postura de gigantes da indústria, que aos poucos estão diminuindo a dependência de produtos feitos a partir do plástico, caso dos canudinhos.  

Foto: Reprodução/fonte:via

Ele foi dar uma volta na praia e encontrou uma embalagem de Kolynos de mais de 20 anos

A Kolynos é uma das marcas de creme dental mais conhecidas entre os brasileiros. O produto desembarcou por aqui em meados de 1917 e até a década de 1990, reinou soberano.

Aposentada há mais de 20 anos, a Kolynos ainda pode ser encontrada por aí, mas, infelizmente, não no formato tradicional. Uma fotografia tirada por Alexandre Menezes, com o tubo de creme dental jogado na praia, viralizou e nos faz pensar sobre urgência da instauração de métodos sustentáveis de reciclagem de lixo.

Segundo matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, cerca de 56% dos municípios brasileiros utilizam depósitos inadequados para se livrar do lixo produzido. Com isso, cenas como a da praia não vão deixar de ser comuns tão cedo.

A inércia do poder público esbarra em uma questão vital, o tempo de decomposição. Por exemplo, 20 anos parece muito para nós humanos, entretanto para uma embalagem de alumínio não é nada. Um tubo como o da Kolynos demora 200 anos para desaparecer.

De olho na situação, a ONU Meio Ambiente e a Coalizão de Embalagens – formada por 23 associações signatárias do Acordo Setorial de Embalagens em Geral, lançaram o movimento Separe. Não Pare.

O intuito é de mobilizar a população brasileira a separar e descartar corretamente os resíduos domésticos. A expectativa do grupo é diminuir em 22% a quantidade de embalagens enviadas aos aterros sanitários do Brasil até o fim de 2018. Entre as medidas incentivadoras está a intensificação da coleta seletiva e dos pontos de entrega de lixo no bairros.

O plástico também está na mira dos ambientalistas. No Rio de Janeiro, a Câmara autorizou a proibição do uso de canudinhos plásticos em bares e outros estabelecimentos comerciais da capital fluminense. A tendência deve ser adotada por outras cidades brasileiras. O meio ambiente agradece.

Foto: Reprodução/fonte:via

Gana constrói estradas de sacolas plásticas e contribui para preservação dos oceanos

Atualmente, apenas 2% do plástico produzido em Gana é reciclado.

Entretanto, o país está encontrando uma maneira inteligente de lidar com este resíduo: construindo estradas feitas com sacolas plásticas que, de outra forma, poderiam parar nos oceanos.

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa de reciclagem Nelplast, que já emprega 200 pessoas no país, segundo um vídeo divulgado no Twitter pelo Fórum Econômico Mundial.

Antes de se tornarem asfalto, as sacolas são cortadas em pequenos pedaços e misturadas com areia. O produto dessa mistura é de longa duração e, segundo a empresa, até 8 vezes mais resistente que o asfalto produzido de forma convencional. Com isso, as mesmas características responsáveis por tornar o plástico um problema ambiental quando descartado incorretamente são usadas de maneira positiva pelo projeto.

Embora sejam usadas sacolas plásticas, praticamente qualquer tipo de plástico pode ser incorporado ao processo. Um dos distritos de Gana já utiliza os tijolos decorrentes dessa reciclagem através de uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do país.

A empresa espera expandir ainda mais seu impacto, com a expectativa de transformar 70% do plástico usado em produtos de longa duração – e nós ficamos na torcida para que esse objetivo seja alcançado.

Fotos: Divulgação Nelplast /fonte:via

Embalagem de salgadinho é achada dentro de peixe jurássico que vive no fundo do oceano

Não é por sua aparência somente que o celacanto é um peixe conhecido como “fóssil vivo”: estima-se que tal espécie exista no atual estado evolutivo há 400 milhões de anos. Mantendo há tanto tempo as mesmas características genéticas no fundo dos oceanos, onde o celacanto vive, é impossível mensurar a quantidade de adversidades que esse peixe enfrentou ao longo do tempo para sobreviver.

Pois o que a natureza consegue aprimorar e manter em milhões de anos, o ser humano consegue destruir em instantes: uma foto compartilhada pela ONG Blue Planet Society mostra um celacanto morto e, saindo de seu interior, um pacote plástico de um salgadinho.

A foto foi tirada por um pescador na Indonésia em 2016, mas somente veio a público agora. Apesar de viver nas profundezas – onde as alterações no habitat acontecem de forma radicalmente mais lenta do que em outras partes do oceano ou do planeta – até mesmo o celacanto parece enfim ameaçado pelo efeito da ação humana nos mares. Até então era justamente o estado inalterado do fundo dos oceanos, aliado a suas características genéticas, que faziam com que o celacanto venham sobrevivendo com tanta resiliência.

Tais características fizeram do celacanto um ponto fora da curva do processo evolutivo: as estimativas dos biólogos sugerem que tal espécie deveria ter sido extinta há 65 milhões de anos. Para se ter uma ideia da longevidade dessa espécie, acredita-se que o celacanto seja parente próximo do primeiro vertebrado a sair das água para a terra. Se o cenário atual já é apocalíptico no que diz respeito à poluição nos mares, o prognóstico é ainda mais terrível: pesquisas afirmam que até 2025 os oceanos estarão três vezes mais poluídos do que hoje. Pelo visto, nem mesmo o indestrutível celacanto será capaz de vencer a ignorância humana.

© fotos: reprodução/fonte:via