MacRebur: empresa que constrói estradas com plástico retirado dos oceanos

Você provavelmente nunca refletiu sobre o assunto, mas o asfalto e o plástico são feitos do mesmo material.

Sim, o petróleo é a base de ambos. Portanto, não seria genial se usássemos todo o plástico que está poluindo nossas cidades e oceanos para criar estradas ao invés de extrair mais petróleo com essa finalidade?

A boa notícia é que já tem gente fazendo isso!

A empresa MacRebur, criada pelos britânicos Toby, Nick e Gordon, está usando resíduos plásticos para criar um novo tipo de asfalto.

O material ganhou os nomes de MR6, MR8 e MR10 e os compostos devem ser misturados à planta junto com o betume. Após 18 meses de testes, a tecnologia está pronta para ser utilizada e garante estradas 60% mais resistentes do que aquelas feitas com asfalto convencional.

Um outro benefício também deve incentivar o uso desta matéria-prima: o preço. Afinal, lixo é um material que temos em abundância pelo mundo (infelizmente) e, com isso, acaba sendo bastante econômico utilizá-lo em iniciativas como essa. Cada tonelada de asfalto utiliza de três a dez quilos de resíduos plásticos.

O vídeo abaixo, em inglês, fala sobre o surgimento da ideia:

https://player.vimeo.com/video/214836976

MacRebur website from Clay10 Creative on Vimeo./fonte:via

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Programa troca lixo reciclável por dinheiro em Santos

Quase todo mundo sabe da importância da reciclagem de lixo, mas, na prática, pouca gente adere ao hábito de separar os resíduos secos (sem falar nas áreas onde não há coleta seletiva): um estudo de 2017 aponta que apenas 13% do lixo que poderia ser reciclado no Brasil realmente tem esse destino.

Por isso é necessário destacar iniciativas que contribuem para mudar esse quadro. É o caso do Club do Condomínio, criado em Santos, no litoral de São Paulo, para incentivar síndicos de prédios a convencer os moradores a separar os resíduos.

Para isso foi criada uma espécie de moeda virtual, chamada bio-coin. A cada quilo de material recolhido por recicladores parceiros da iniciativa o prédio recebe 1 bio-coin, que equivale a 20 centavos. A cada 5000 bio-coins acumulados, o condomínio pode fazer o resgate de mil reais para ser usado nos serviços que o síndico considerar necessários.

O projeto foi lançado em julho deste ano e já conta com 372 condomínios cadastrados – a meta é chegar até 500 ao final de 2018 e 1000 antes de o Club completar um ano.

De acordo com o Club do Condomínio, prédios com 100 moradores geram 40 quilos de material reciclável por dia. Assim, em um mês o condomínio separaria 1200 kg de resíduo sólido, o equivalente a 1200 bio-coins. Em um ano, a quantia chegaria a 14.400 bio-coins, equivalente a R$2880.

Imagens: Marcelo Martins/Prefeitura de Santos/fonte:via

Gana constrói estradas de sacolas plásticas e contribui para preservação dos oceanos

Atualmente, apenas 2% do plástico produzido em Gana é reciclado.

Entretanto, o país está encontrando uma maneira inteligente de lidar com este resíduo: construindo estradas feitas com sacolas plásticas que, de outra forma, poderiam parar nos oceanos.

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa de reciclagem Nelplast, que já emprega 200 pessoas no país, segundo um vídeo divulgado no Twitter pelo Fórum Econômico Mundial.

Antes de se tornarem asfalto, as sacolas são cortadas em pequenos pedaços e misturadas com areia. O produto dessa mistura é de longa duração e, segundo a empresa, até 8 vezes mais resistente que o asfalto produzido de forma convencional. Com isso, as mesmas características responsáveis por tornar o plástico um problema ambiental quando descartado incorretamente são usadas de maneira positiva pelo projeto.

Embora sejam usadas sacolas plásticas, praticamente qualquer tipo de plástico pode ser incorporado ao processo. Um dos distritos de Gana já utiliza os tijolos decorrentes dessa reciclagem através de uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do país.

A empresa espera expandir ainda mais seu impacto, com a expectativa de transformar 70% do plástico usado em produtos de longa duração – e nós ficamos na torcida para que esse objetivo seja alcançado.

Fotos: Divulgação Nelplast /fonte:via

Projeto oferece coleta de lixo orgânico por assinatura e devolve adubo ou hortaliças

Manejar todo o lixo que é produzido é um dos grandes desafios da nossa sociedade. Ainda que a reciclagem não atinja níveis tão bons no Brasil, é um caminho a seguir. Mas e o que fazer com os resíduos orgânicos?

Montanhas de detritos se acumulam por lixões e aterros sanitários Brasil afora. Em Brasília, o Projeto Compostar tenta achar uma solução diferente, mostrando que resíduo orgânico não é lixo, e pode ser útil se for destinado corretamente.

Para isso, o projeto converte os resíduos em adubo através da compostagem, um conjunto de técnicas que estimulam a decomposição do material orgânico, criando fertilizantes ricos em nutrientes.

O Compostar oferece planos doméstico e empresarial. No primeiro, o assinante paga uma taxa mensal de R$65 através da Benfeitoria (contribuição que pode variar de acordo com as possibilidades do interessado), recebe um baldinho e uma sacolinha e instruções para separar o material que gera em casa.

A cada semana, a equipe do projeto recolhe o material e realiza a compostagem no pátio. Como recompensa, o assinante recebe, por mês, uma muda de planta ou um quilo de adubo orgânico.

Já no plano empresarial, os contratantes recebem tambores de 60 litros para fazer a separação dos resíduos e a equipe do estabelecimento é treinada sobre separação e descarte de resíduos. Frequência de coleta e recompensa variam de acordo com o perfil de cada cliente, mas o processo de compostagem no pátio do Projeto é basicamente o mesmo.

De acordo com o site do Projeto, com as 90 residências atendidas atualmente, são cerca de 80 kg de resíduos orgânicos que iriam para os lixões e aterros todos os dias, mas acabam se tornando adubo. Mais de 1200 mudas de hortaliças já foram entregues, e há potencial para muito mais.

Fotos: reprodução/fonte:via

7 países do Mundial que já são campeões em reciclagem

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Para além do futebol, o Mundial de futebol é também um grande encontro de diferentes culturas, hábitos e tradições de todo o mundo. Seja na maneira que as torcidas cantam e se comportam, seja em singularidades que dizem muito sobre o próprio país em questão (como a tradição da torcida japonesa de limpar sua sujeira das arquibancadas antes de deixar os estádios), o fato é que o campeonato é uma excelente oportunidade também para aprender mais sobre e com outros países.

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É esse o sentido mais claro e forte a respeito da importância de competir (de encontrar) em detrimento de quem será o campeão – pois, nesse ponto, realmente todos são. Dentre o que sempre há para crescer diante de novas culturas, no entanto, em um assunto fundamental em questão muitos países do mundial dão de goleada no Brasil: a reciclagem de lixo.

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Enquanto por aqui ainda engatinhamos, salvo raras exceções, em conseguir cumprir as metas que criamos, outros países já alcançam taxas de reciclagem acima de 50% – número que precisa ainda subir, mas que supera os 13% que nós reciclamos.

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Assim, separamos aqui 07 exemplos de países que estiveram no Mundial e que podem ensinar muito para o Brasil sobre reciclagem.

 

Alemanha

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Esqueçamos o 7 a 1 para podermos olhar com admiração e atenção para os dados de reciclagem alemães. Por lá, o índice de reciclagem subiu de 48,1% em 2001 para 61,8% em 2010 – uma das realidades mais promissoras de toda Europa.

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Bélgica

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Além de aprendermos no campo depois da eliminação para a Bélgica, podemos ficar de olho no país sobre o reaproveitamento de lixo. Por lá o crescimento nesse período foi de 7%, indo de 50,7% e 2001 para 57,6% em 2010.

Suíça

O crescimento suíço não foi tão expressivo quanto o alemão, mas seus números ainda impressionam: se em 2001 o índice de reciclagem no país era de 46,6%, em 2010 ele subiu 3,9%, chegando a 50,5%.

Suécia

Ganhamos a Copa de 1958 em cima deles, da mesma forma que nos classificamos para as finais de 1994 – mas em reciclagem a Suécia ganha de nós de lavada: de 38,7% em 2001, seus dados subiram mais de 10%, para 29,2% em 2010.

Reino Unido

A Inglaterra não foi para a final da Copa, e até pouco tempo também era derrotada na reciclagem: em 2001 seu índice era de 12,4%. De lá até 2010, no entanto, os números cresceram, e com 26,5% eles nos ganham pelo dobro.

França

Finalista desse mundial, a França não é campeã na reciclagem europeia, mas seus dados ilustram uma melhora quase tão sensível quanto se deu em seu futebol nas últimas décadas: dos 26,1% de reciclagem que tinham em 2001, o país, em 2010, alcançou 34,9%.

Espanha

 

Se a Espanha um tanto decepcionou na Copa da Rússia, na reciclagem ela vai muito bem, e melhorando. 17 anos atrás o país tinha uma taxa de 21,4% de reciclagem. Em 2010, esse número subiu para 33,1%, em um crescimento de 11,6%.

© fotos: reprodução/fonte:via

Embalagens plásticas viraram moeda e puderam ser trocadas por comida neste café

A ameaça ambiental causada pelo uso e descarte impensado de embalagens plásticas tem ficado cada vez mais perigosa, mas, ao mesmo tempo, há cada vez mais pessoas e empresas se dedicando a alertar para o problema.

A empresa belga Ecover foi fundada em 1980 para criar produtos de limpeza sem fosfato, um componente que poluía as águas. Por bastante tempo eles se dedicaram às fórmulas, mas recentemente perceberam que também era preciso prestar atenção nas embalagens.

Foi assim que surgiu o Rubbish Cafe (algo como “Café do Lixo”), uma ação promovida pela subsidiária da Ecover em Londres. Por dois dias, moradores da capital inglesa e turistas puderam ir ao local e trocar embalagens plásticas usadas por refeições.

O cardápio foi criado pelo Eco Chef Tom Hunt, conhecido por combater o desperdício de alimento e usar ingredientes naturais. Os pratos da ação foram criados com o compromisso de não gerar lixo algum. Já a decoração foi criada por MaxMcMurdo, designer especialista em reaproveitamento de materiais.

Além de distribuir alimentos e bebidas, o Rubbish Café também compartilhou informações para ajudar os interessados a diminuir sua produção de lixo e a dar a destinação correta para aquilo que for gerado.

A ação também mostrou que muitos dos residentes de Londres não sabem direito como separar os objetos que podem ser reciclados daqueles que não contam com essa opção: de acordo com a Ecover, de 20% a 50% dos objetos levados ao Rubbish Café não eram feitos de material reciclável.

Fotos: Divulgação/Ecover/fonte:via

China não sabe onde descartar 111 milhões de toneladas de plástico

Há 30 anos que praticamente metade do plástico jogado fora de todo o mundo é exportado para a China, onde o material é reciclado e transformado em novos produtos de plástico. No final do ano passado, no entanto, o governo chinês determinou o fim de tal processo, e proibiu a importação de lixo plástico para o país. A decisão cria um hiato prático assombroso: cerca de 110 milhões de metros cúbicos de lixo plástico produzido até 2030 por países europeus e pelos EUA, entre muitos outros, agora simplesmente não tem onde ser despejado.

O processo de limpeza e reciclagem é custoso e trabalhoso, e os 10 milhões de metros cúbicos que somente os EUA enviaram para a China nas últimas três décadas significarão, no futuro, um investimento que o país não querem gastar – conforme confirma estudo recente que a analisou a situação após a decisão do governo chinês. A proibição na China visa diminuir as emissões de gases poluentes no país – incluindo os emitidos pelo processo de destruição e processamento do plástico.

O paradoxo, porém, permanece: ainda que o desejo da China de se tornar um país menos poluído e poluente seja legitimo e importante, basta uma decisão como essa para desestruturar todo um sistema – que, na prática, significa um impacto tremendo, considerando que somente no ano passado o país importou mais de 7 milhões de toneladas de lixo plástico.

Novas soluções imediatas serão tomadas – como o envio para outros países ou a incineração, ambos processos, no entanto, poluentes e custosos. A verdadeira solução, portanto, permanece sendo o combate ao desperdício e ao uso de produtos plásticos que são utilizados somente uma vez – e a escolha por reutilizáveis como norte fundamental. O futuro, para existir, precisará ser livre do plástico – e exigirá que os países se responsabilizem diretamente pelo próprio lixo que produzem.

© fotos: divulgação/fonte:via