Para impedir deportação de família, igreja holandesa mantém 800 horas de reza

A religião a favor da diversidade: Trezentos pastores protestantes de toda a Holanda estão se revezando em um culto que já dura mais de 800 horas – mais de 33 dias – para impedir a deportação de uma família armênia que vive no país desde 2010 e tem medo de voltar ao país natal por causa da violência política.

Sasun Tamrazyan, sua esposa, Anousche, e os três filhos do casal vivem na Holanda há quase nove anos, desde que o homem recebeu ameaças de morte por razões políticas. Como o governo holandês voltou a considerar a Armênia um país seguro, eles perderam a o asilo político e estão ameaçados pela deportação.

A solução curiosa para ganhar tempo para que a família Tamrazyan siga lutando legalmente pelo direito de viver na Holanda veio da igreja protestante local, em Haia: a lei do país não permite que policiais entrem em templos durante a realização de serviços religiosos.

Desde o fim de outubro, centenas de pastores têm se voluntariado para manter as rezas 24 horas por dia, impedindo a ação da polícia, enquanto a família passa os dias vivendo provisoriamente em uma acomodação da Igreja. Hayarpi, uma das filhas, tem publicado algumas fotos dos cultos no Twitter.

Theo Hettema, presidente do Conselho Geral Holandês dos Reverendos Protestantes, disse que “o respeito à dignidade humana é dever da Igreja” e que a ação vai continuar “por todo o tempo que for necessário”.

A esperança da família de permanecer na Holanda se baseia em uma orientação da lei local que prevê o acolhimento de crianças e seus parentes depois de eles passarem ao menos cinco anos no país, pois a deportação afetaria profundamente seu desenvolvimento humano.

Apesar disso, o governo holandês tem julgado casos do tipo com mais rigidez nos últimos anos, especialmente desde que refugiados sírios começaram a chegar massivamente ao país, o que levanta dúvidas sobre a permanência dos Tamrazyan. Enquanto o governo não decidir, os pastores seguirão orando.

Fotos via Hayarpi Tamrazyan (Twitter) fonte:via

Refugiado sírio abre 2 restaurantes em São Paulo e fatura R$ 1 milhão

eyad, sírio (Foto: Arquivo Pessoal)

Eyad Abou Harb tem apenas 24 anos e muita história para contar. Em 2011, o jovem sírio teve que deixar o seu país e família para trás, em busca de uma nova vida longe da guerra e da triste realidade que ele vivia. Passou 2 anos na Jordânia, onde trabalhou em um restaurante e, em 2013, quando soube que o Brasil estava aceitando refugiados, decidiu atravessar o mundo para viver no ocidente.

Chegou em São Paulo sem conhecer a língua e ninguém, porém foi aconselhado a viver no bairro do Brás, lar de uma grande comunidade árabe. Conseguiu emprego em um restaurante árabe e passou um ano morando na casa de uma família brasileira, que o ensinou português e o ajudou a economizar o suficiente para que ele conseguisse abrir o seu próprio restaurante.

Sua especialidade é o shawarma, lanche típico do oriente médio, que faz sucesso nas movimentadas ruas da maior cidade do Brasil. Na icônica Avenida São João, bem em frente ao monumento da Mãe Preta, Eyad prepara diariamente o suculento  shawarma, que fez tanto sucesso, que ele precisou abrir uma outra unidade para dar conta do recado, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo.

Hoje, ele vende cerca de 200 unidades por dia, por 10 reais cada, faturando 1 milhão ao ano. Uma história que começou mal, porém após muita força de vontade, determinação e generosidade daqueles que cruzaram seu caminho, é um verdadeiro relato de superação.

Fotos: arquivo pessoal/fonte:via