Poderosa série de instalações mergulha na vida dos refugiados

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Já não é de hoje que o mundo vive uma grave crise humanitária, que tem forçado milhares de pessoas a se refugiarem em outros países. Se ser imigrante em condições normais já não é simples, imagina então como deve ser quando as pessoas são obrigadas a deixar casa e família, para fugir da guerra? É sobre isso que fala a série de instalações UNPACKED: Refugee Baggage, do artista e arquiteto, Mohamad Hafez, de origem síria.

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Baseado em New Haven – Connecticut, ele vem colecionando sucata e objetos encontrados aleatoriamente para constituir paisagens e construções do Oriente Médio. Com a ajuda de Ahmed Badr – refugiado iraquiano, o objetivo é trazer um questionamento ácido, sobre as tristezas e perdas destas pessoas e todas as dificuldades causadas pelas guerras.

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Para desenvolver sua série, Mohamad se inspirou em testemunhos em áudio de refugiados do Afeganistão, Congo, Síria, Sudão e Iraque. Uma arte que não é fácil, porém a intenção é exatamente esta, afinal, chega de guerras, não é mesmo?

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Fotos: Mohamad Hafez /fonte:via

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Aposentada ensina português e ‘adota’ imigrantes africanos como filhos em SP

Se a língua pode ser a primeira barreira para um refugiado ou imigrante, a saudade e a distância da família são as barreiras incontornáveis e fundamentais para o recomeço em um novo país. Para alguns imigrantes que chegam em São Paulo, em especial no bairro da Mooca, a aposentada Sonia Altomar oferece uma calorosa e transformadora ajuda para amenizar essas duas questões: além de há seis anos dar aulas voluntárias de português para os imigrantes que vivem na casa de acolhida Arsenal da Esperança, Sonia indica aos alunos outros cursos, vagas de emprego, os visita doentes ou simplesmente oferece um ombro amigo em momentos difíceis.

O laço afetivo entre Sonia e seus alunos é tamanho que muitos a chamam de “minha mãe brasileira”. Tudo começou quando ela liderava um projeto de alfabetização para pessoas em situação de rua, e viu a chegada dos imigrantes haitianos. Por ser formada em português e francês, Sonia os pode ajudar especialmente, e a urgência com que precisavam aprender nossa língua comoveu a professora, que desde então não parou mais a ajudar quem chega ao Brasil.

Todos os seus ex-alunos, em especial os que melhoraram de vida e conseguiram um emprego, relatam o tratamento especial e carinhoso que Sonia oferece. No Arsenal da Esperança hoje são 1.200 pessoas que recebem cama, banho, alimentação, cuidados com a saúde, além de cursos – a maioria vive em situação de rua. Paradoxalmente o filho de Sonia vive na Alemanha, mas sua atribulada agenda por aqui a impede de visita-lo tanto quanto gostaria – são muitos os que precisam de suas aulas e ajudas em São Paulo. Sonia muitas vezes vai até o empregador, a fim de oferecer uma chancela especial para que seu aluno seja contratado.

Ela garante que só vai parar de ajudar quando seu corpo não mais permitir, se oferecendo como um exemplo perfeito de como melhor lidar com a questão dos imigrantes em qualquer lugar do mundo: com educação, empatia, dedicação e afeto. A humanidade, como um todo, agradece – em qualquer lugar do mundo.

© fotos: reprodução/fonte:via

Fotógrafo viajante registra uma Paris que os guias turísticos não mostram

Gente feliz tomando café em tranquilas alamedas, grandes lojas de grife vendendo produtos luxuosos e, claro, o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel. É difícil não pensar nesses elementos quando Paris vem à cabeça, mas é claro que a realidade de uma metrópole não é feita só disso.

David Tesinsky é um fotógrafo tcheco que se dedica a viajar registrando o que ele descreve como “subculturas, culturas urbanas, histórias de rua e de pessoas”, sempre com a fotografia documental de reportagem social como norte.

Em um de seus últimos trabalhos, David visitou a capital francesa para desafiar os estereótipos que tomam conta do imaginário em relação à Cidade Luz. Como praticamente todas grandes cidades do planeta, Paris precisa lidar com vários problemas, e o fotógrafo acredita que fazer refletir sobre eles é um dos primeiros passos na busca por soluções.

Na viagem por Paris, o que mais chamou a atenção de David foi a quantidade de pessoas vivendo em situação de rua, número que tem crescido muito nos últimos anos por conta da crise migratória na Europa, que tem levado milhares de africanos e asiáticos ao continente em busca de melhores condições de vida.

Fotos © David Tesinsky  /fonte via

Miles 4 Migrants: Pessoas estão doando milhas aéreas para reunir famílias de refugiados

O direito a uma vida digna, segura e feliz move a luta e o esforço dos muitos refugiados que migram de seus países a fim de tentar encontrar tal vida em outro país. Quando um refugiado enfim consegue asilo e um lugar melhor para recomeçar, no entanto, sua felicidade está ainda longe de ser garantida: muitas vezes, afinal, o resto de sua família permanece em locais de conflito e, além da imensa burocracia para conseguir trazer os familiares, há o custo que quase sempre se revela impeditivo. Foi para justamente ajudar a resolver tais casos que a ONG Miles 4 Migrants foi criada.

Fundada em 2016, a ONG trabalha reunindo doações de milhas aéreas convertidas em passagens para imigrantes e refugiados poderem trazer seus familiares a se reunirem – o trabalho da ONG, portanto, é o de reunir famílias separadas pela guerra. O projeto começou quando um de seus fundadores, o pesquisador estadunidense Nicholas Ruiz, enquanto morava na Europa, decidiu custear pela viagem de duas famílias paquistanesas.

Ao compartilhar essa história e perceber o entusiasmo das pessoas, compreendeu que na transferência de milhas havia uma excelente oportunidade de ajudar.

Desde então a Miles 4 Migrants já ajudou 151 pessoas em 57 famílias, vindas de países como Somália, Afeganistão, Síria, Irã e Etiópia. Foram doadas cerca de 5,8 milhões de milhas, convertidas em cerca de 9,3 milhões de quilômetros voados a partir da ONG. Quem quiser participar, a explicação detalhada está no site da instituição, que também aceita doações em dinheiro ou via Paypal.

© fotos: reprodução/fonte:via

Canadá está investindo 50 milhões em moradias temporárias para refugiados

A polícia canadense interceptou mais de 20.593 solicitantes de asilo em 2017. O número representa um enorme aumento quando comparado aos pouco mais de 2 mil requerentes de asilo registrados em 2016.

Em parte, essa busca crescente pelo país se explica pelas políticas adotadas pelo presidente americano Donald Trump. Em maio de 2017, Trump teria anunciado que não iria mais oferecer proteção a haitianos nos Estados Unidos. Dessa forma, muitos imigrantes vindos do Haiti tiveram que cruzar a fronteira rumo ao Canadá.

Para lidar com a questão da melhor maneira, o governo do país irá investir 50 milhões de dólares canadenses (cerca de R$ 150 milhões) na construção de moradias temporárias para refugiados. A medida foi anunciada em uma nota oficial emitida por Ahmed Hussen, Ministro de Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá, no dia 1 de junho:

O governo federal reconhece que um aumento no cruzamento irregular de fronteiras colocou novas pressões em algumas províncias para encontrar moradias temporárias para os solicitantes de asilo. (…) Tenho o prazer de anunciar que o Governo do Canadá irá oferecer um valor inicial de $ 5o milhões para as províncias do Quebec, Ontario e Manitoba, que suportaram a maior parte dos custos relativos à moradia temporária.

Além da ajuda às províncias, o governo anunciou ainda a criação de um fundo no valor de 173,2 milhões de dólares canadenses para outros custos relativos às imigrações. “O fundo será usado para apoiar o recebimento de novos pedidos de refúgio, procedimentos de triagem de segurança, processamento de elegibilidade, revisões e intervenções no Conselho de Imigração e Refugiados do Canadá, remoção de requerentes vencidos e detenção e remoção daqueles que representam um risco para a segurança dos canadenses“, declara a nota.

Fotos CC0 Creative Commons /fonte:via

Imagens chocantes retratam descaso com refugiados deixados para morrer no mar

ATENÇÃO: AS IMAGENS CONTIDAS NESSA MATÉRIA SÃO FORTES. 

Fotógrafos conseguiram captar o desespero de refugiados deixados para trás após o naufrágio de um inflável no Mar Mediterrâneo em território líbio, a 50 quilômetros da cidade de Trípoli, no dia 6 de novembro.

O barco da ONG alemã Sea-Watch foi o responsável pelo resgate, junto de uma embarcação do governo da Líbia. Segundo o que um porta-voz da ONG disse ao jornal Daily Mail, os líbios começaram a bater nos refugiados e ameaçá-los, isso tudo enquanto eles se afogavam.

O fotógrafo Alessio Paduano estava presente e registrou imagens horríveis.

“Enquanto eu tirava essa foto, podia ouvir a respiração dele ser interrompida pela água. Eu ainda ouço o barulho da respiração dele na minha cabeça”, disse ela à BBC. Paduano ressaltou, porém, que o homem foi resgatado pela Sea-Watch.

A equipe da ONG alemã observou o barco do governo da Líbia começar a se mover em partida enquanto alguns refugiados, ainda pendurados nos cascos, despencavam no mar.

Um helicóptero italiano foi levado até o local para ajudar no salvamento, mas já era tarde demais. 50 pessoas morreram afogadas no Mediterrâneo, incluindo crianças.

A Sea-Watch afirma que, caso o governo líbio permitisse que ela trabalhasse sozinha e em paz, todos teriam sido resgatados com vida. Em vídeos da operação, é possível ouvir soldados da Líbia batendo nas vítimas com cordas e vê-los empurrando resgatados do barco.

fonte:via

 
 
 

Deslocamentos anuais de refugiados do clima já chega a 25,3 milhões de pessoas

Não são somente os conflitos e locais constantemente em guerra que colocam pessoas na situação de se tornarem refugiados. Um outro processo, tão radical e ameaçador quanto as guerras – e que lamentavelmente um enorme grupo de poderosos ainda trata como se fosse um boato ou algo que ainda merece maior investigação e comprovação – obriga anualmente mais de 25 milhões de pessoas em média a deixarem seus países de origem e a se deslocarem para outros locais mais seguros: as mudanças climáticas. São aquelas pessoas que a ONU e seus parceiros chamam de “refugiados do clima”.

Esse é um dos elementos alarmantes e urgentes apresentados na Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climática (COP 23), acontecendo em Bonn, na Alemanha até o próximo dia 17. Segundo representantes, nesta temporada de furacões, 1,7 milhões de pessoas somente em Cuba – o equivalente a 15% da população – foram deslocadas de suas casas por conta dos efeitos climáticos. Em Bangladesh, esse número chega a 40%. Esse processo, porém, também acontece em países como os EUA e o Brasil.

Uma das questões debatidas na COP 23 a partir de tal debate é a da própria definição de refugiado. O status legal de tal termo é afirmado baseado em convenção de 1951, que o fornece somente do ponto de vista de perseguições. A necessidade de se criar essa nova “linha”, dos refugiados do clima, vem sendo debatida.

De toda forma, os vistos de proteção humanitária, estadias temporárias e novas leis migratórias podem realmente ajudar tais pessoas – além, é claro, da adesão e transformação urgente de todo o mundo no compromisso nada discreto de pararmos de destruir o planeta.

© fotos: divulgação/fonte:via