E se 7 famosas ruínas históricas fossem restauradas?

Em um mundo que se move para frente de forma rápida e implacável, temos a sorte de ainda ter as ruínas de civilizações antigas para nos lembrar do nosso passado. Mas mesmo sendo inspirador visitar algo que foi construído há milhares de anos, nem sempre é fácil entender como seria a aparência dele.

Pegue o Parthenon, em Atenas, por exemplo. Hoje é principalmente uma coleção de pilares muito antigos sem teto, por causa de uma explosão que aconteceu no século 17. Todos os seus tesouros, incluindo uma enorme estátua da deusa Atena, desapareceram há muito tempo.

Felizmente, uma equipe de artistas se deu ao trabalho de recriar digitalmente o que, segundo os especialistas, seria o interior do Partenon teria parecido com seu melhor momento original – e é incrível de se ver. Eles fizeram o mesmo com outras seis ruínas famosas, de Angkor Wat, no Camboja, a algumas casas de banho romano na Inglaterra, e o resultado é o mais próximo que você pode chegar sem entrar em uma máquina do tempo.

Uma das coisas mais difíceis de imaginar quando se olha para as ruínas antigas é ver o tipo de enfeite incrustado de joias que certamente estava em uma sala tão grandiosa quanto a Corte Octogonal de Domus Aurea, em Roma. Ela remonta a cerca de 65 dC e era basicamente uma sala de festas para o Imperador Nero, então provavelmente viveu algumas coisas malucas.

Porém, ao visitá-lo hoje, você só verá um monte de paredes nuas e uma cúpula. Mas, com a ajuda de alguma magia digital, você pode realmente ver uma sala adequada para um imperador e sua turma, do mosaico da cúpula até as paredes cobertas de pedras e flores.

Role para baixo para ver todas as sete incríveis ruínas antigas trazidas de volta à vida:

#1 Casa Dourada do Imperador Nero – Roma, Itália

Construído entre 65 e 68 dC por um dos mais notórios imperadores de Roma, a Casa Dourada de Nero era um luxuoso complexo de palácios que abrigava festas e banquetes do imperador. A grande sala octogonal tinha uma cúpula de concreto, provavelmente coberta de mosaico de vidro. O historiador romano Suetônio nos fala de um "salão circular de banquetes, que girava incessantemente, dia e noite, como os céus". Ele descreve paredes incrustadas de pedras preciosas, decorações e tetos de marfim e madrepérola que banham os convidados com flores e perfumes. Luxo puro

#2 Parthenon – Atenas, Grécia

Sentado no topo da colina na Acrópole, o Parthenon foi construído em meados do século 5 aC para abrigar uma monumental estátua de ouro de Atena. Todos nós conhecemos o exterior deste templo icônico, mas o que aconteceu lá dentro? A gigantesca estátua tinha mais de 12 metros de altura e era esculpida em marfim e ouro - 1.140 quilos de ouro, para ser exato. Uma bacia de água estava na frente de Athena para fornecer umidade, que preservava o marfim. Essa demonstração óbvia de riqueza e poder enviou uma mensagem muito clara ao resto do mundo. E para aqueles sortudos o suficiente para ver o Partenon de dentro, no auge, a estátua deve ter sido nada menos do que inspiradora.

#3 Basílica de Constantino – Roma, Itália

Este majestoso edifício foi a maior de todas as basílicas romanas. Cobrindo 6.500 metros quadrados, atuou como uma casa de reunião, área comercial e prédio administrativo. Foi projetado em grande estilo, por sua localização privilegiada e importância para o governo e público romano. As espetaculares colunas, os pisos de mármore multicoloridos e as paredes de azulejos dourados de bronze fizeram deste um dos edifícios mais impressionantes da Roma Antiga. Os detalhes ornamentados podem ter desaparecido com o tempo, mas com essa reconstrução você pode ter uma ideia da antiga opulência da basílica

#4 Fortaleza de Massada – Massada, Iraque

Segundo Josefo Flávio, governador da Galiléia, Herodes, o Grande, construiu a fortaleza de Massada entre 37 e 31 aC. Ela fica no topo de um penhasco rochoso isolado com vista para o Mar Morto e é um lugar de beleza majestosa. O elegante e íntimo palácio residencial do Rei Herodes consistia em três terraços luxuosos. Aqui, reinventamos o terraço inferior, projetado especialmente para entretenimento e relaxamento. Era cercada por pórticos, com paredes cobertas de belos afrescos de padrões geométricos multicoloridos. Caso isso não pareça luxuoso o suficiente, havia também uma pequena casa de banho privada.

#5 Angkor Wat (Siem Reap, Camboja)

Este complexo foi originalmente um templo hindu dedicado ao deus Vishnu. Estima-se que levou cerca de 30 anos para ser construído. Passou para um templo budista no final do século XII e acredita-se ser o maior edifício religioso do mundo. De longe, Angkor Wat parece ser uma enorme massa de pedra. Uma vez lá dentro, no entanto, os visitantes encontrarão uma série de torres elevadas, varandas e pátios em diferentes níveis, ligados por uma série de escadas

6# Grande Kiva, ruínas astecas Monumento Nacional – Novo México, Estados Unidos

Essas ruínas foram descobertas pela primeira vez em 1859 e fornecem informações valiosas sobre o cotidiano do povo Pueblo. Espalhados por 27 hectares, as ruínas possuem mais de 450 quartos. Construídas em parte subterrâneas, as "grandes kivas" eram estruturas enormes e redondas, onde as pessoas se reuniam para socializar, discutir questões importantes do dia ou fazer uma festa comunitária. Os visitantes podem encontrar o kiva restaurado percorrendo as trilhas originais que passam pelas ruínas. E se você não conseguir chegar ao Novo México, essa reconstrução deve dar uma ideia de como essa grande civilização viveu

#7 Termas romanas de Bath – Inglaterra

Este complexo de casas de banho é um exemplo perfeito do estilo de vida romano luxuoso. Construído por volta de 70 dC, as termas eram parte integrante da vida cotidiana romana antiga. Oferecendo aos cidadãos a oportunidade de se misturar, fofocar e relaxar, a cultura dos banhos mostrou ao mundo inteiro o quão superiores (e limpos) os romanos eram. Enquanto está ao ar livre atualmente, as termas foram originalmente cobertas por um teto abobadado de 45 metros de altura. Esta reconstrução permite mergulhar os dedos dos pés para sentir um pouco do luxo

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Porque concreto romano de 2 mil anos é muito melhor do que o que produzimos hoje

Um dos mais fascinantes mistérios da Roma Antiga é a impressionante longevidade de suas estruturas portuárias.Apesar de ser bombardeado por ondas do mar há 2.000 anos, o concreto romano segue firme e até se fortalece com o tempo, enquanto nossas misturas modernas corroem em meras décadas.Agora, os cientistas estão mais perto de descobrir a receita incrível por trás desse fenômeno.

Composição

Pesquisadores liderados pela geóloga Marie Jackson, da Universidade de Utah, nos EUA, mapearam a estrutura cristalina de amostras de concreto romano coletado de vários portos ao longo da costa italiana, descobrindo com precisão como esse material antigo se solidifica ao longo do tempo.

O concreto moderno é tipicamente feito com cimento, uma mistura de areia de sílica, pedra calcária, argila, giz e outros ingredientes fundidos. Pedaços de rocha e pedra são agregados a esta pasta. Esse “agregado” tem que ser inerte, porque qualquer reação química indesejada pode causar fissuras no concreto, levando a erosão e desmoronamento. É por isso que o concreto não tem a longevidade das rochas naturais.

 

Mas não é assim que o concreto romano funciona. Ele é criado com cinzas vulcânicas, lima e água do mar, aproveitando uma reação química que os romanos podem ter observado em depósitos de cinzas vulcânicas naturalmente cimentadas, chamados de tufo ou pedra-pomes.

A essa mistura, os romanos adicionavam mais rocha vulcânica como agregado, o que continuava a reagir com o material, tornando o cimento muito mais durável.

O segredo

Usando técnicas avançadas como microscopia eletrônica, micro difração de raios-X e espectroscopia Raman, os cientistas identificaram os grãos minerais produzidos no antigo concreto ao longo dos séculos.Os pesquisadores estavam particularmente interessados na presença de tobermorita de alumínio, um mineral à base de sílica resistente, muito raro e difícil de fazer no laboratório, mas abundante no concreto antigo.

Na verdade, a tobermorita e um mineral relacionado chamado filipsita crescem no concreto romano graças à água do mar que desliza em torno dele, dissolvendo lentamente a cinza vulcânica e dando espaço para desenvolver uma estrutura reforçada a partir desses cristais interligados.

“Os romanos criaram um concreto parecido com uma rocha que prospera em troca química aberta com água do mar”, explica Jackson.

 

Substitutos

Isso é exatamente o oposto do que acontece no concreto moderno, que se desgasta quando a água salgada lava os compostos que mantêm o material unido.A concretização da forma como os romanos a faziam seria uma bênção para a indústria moderna da construção, especialmente para estruturas costeiras, como pilares constantemente maltratados pelas ondas ou marés.

Só que, infelizmente, não existe nenhuma receita pronta perdida por aí. Logo, os cientistas ainda precisam trabalhar duro para tentar recriar o material antigo através de engenharia reversa, ou seja, com base no que aprendemos sobre suas propriedades químicas. Além disso, as fontes que os romanos usavam não são exatamente acessíveis.

“Os romanos tiveram sorte no tipo de material disponível que tinham para trabalhar”, afirma Jackson. “Nós não temos essas rochas em grande parte do mundo, então teria que haver substituições”.

Fonte:via [ScienceAlert]