Perseguindo a inovação, ela descobriu como transformar cocô de vaca em roupas

Todo mundo sabe que o esterco é importante para adubar terras e torna-las férteis para a produção de alimentos, mas uma startup holandesa descobriu uma utilidade inovadora e totalmente surpreendente para o cocô de vacas: tecido para roupas do dia a dia.

Acredite: é mais interessante e menos nojento do que você está pensando. A iniciativa é da Mestic, empresa criada por Jalila Essaïdi, especialista em biocultura que promete atacar dois problemas de uma só vez: a poluição de rios causada pelo excesso de excrementos animais ligado à pecuária e os efeitos ao meio ambiente trazidos pela indústria têxtil.

“Nós vemos o esterco como material residual, uma coisa nojenta e fedida. Mas os processo de fabricação de outros tecidos também não são nada limpos ou bonitos no começo. Você precisa mostrar às pessoas a beleza oculta na transformação da celulose”, disse Jalila ao Guardian.

A empreendedora explica que o esterco é composto por 80% de água, e o resto é basicamente celulosa, vinda do capim e dos grãos dos quais os animais se alimentam. O processo de fabricação separa o material líquido do sólido, e tira do primeiro os solventes que transformam o segundo em tecido.

O método é mais eficiente energeticamente do que o tradicional porque não precisa usar altas pressões para soltar as fibras, já que o estômago das vacas já iniciou esse processo.

Mas a pergunta que certamente passa pela cabeça de todo mundo que fica sabendo da empreitada da Mestic é a mesma: as roupas são fedidas? Bem, de acordo com este teste feito por uma rede de televisão holandesa, não.

Eles levaram as peças às ruas e pediram que transeuntes tentassem identificar qualquer coisa de diferente em seu odor. A resposta geral foi de que não, e as pessoas afirmaram que usariam as roupas, mesmo depois de saber do que elas eram feitas.

Por enquanto, as roupas da Mestic só foram criadas em coleções experimentais, mas a empresa está em contato com fabricantes que se mostraram dispostas a utilizar o tecido em seus produtos, mas ainda não sabem como contornar o efeito adverso que a ideia de vestir algo feito a partir de esterco causaria nos consumidores.

Para inovar e empreender, é preciso ter coragem, ousadia e acreditar na sua própria essência e potencial. Por isso, o Hypeness uniu forças com o programa Shark Tank Brasil, do Canal Sony, para contar histórias e dar dicas inspiradoras de quem conseguiu usar experiência de vida, muito trabalho e criatividade para ter sucesso com um negócio próprio. Para tentar convencer os investidores, que no programa procuram negócios originais e inovadores, os empreendedores precisam se superar e, fora dos estúdios, a realidade não é diferente. Acompanhe estas histórias e inspire-se!

Fotos: Divulgação/Mestic/fonte:via

Anúncios

Em experimento homem negro discute manifestação do racismo pela aparência

O que pensei enquanto estava todo arrumadinho: Eu estava muito mais confiante com o que eu estava vestindo. Fiquei aliviado sem o paletó porque com ele parecia que eu trabalhava no Serviço Secreto ou como um jornalista que cobre grandes conferências, e sem ele eu era apenas mais um executivo fazendo coisas de adulto. Esse conforto foi despedaçado assim que o barulho dos meus sapatos anunciou a minha chegada. Eu prefiro ser visto, não ouvido. Mas agora passei a respeitar mais o galope dos cavalos. Experiências: Eu fui para a academia, inseri meu número de telefone, entrei com a minha impressão digital e fui cumprimentado com um "Tenha uma ótima malhação, Pedro". Na farmácia, o caixa disse "Como está, chefe?" e eu recebi um "boa noite" do recepcionista na livraria The Last Bookstore, no centro. Como meu amigo Ice Cube diria, "Hoje foi um bom dia."

O racismo estende seus tentáculos de diferentes formas. Uma espécie de camaleão, esta horrenda manifestação preconceituosa exerce efeitos profundos na autoestima de uma pessoa.

Ao pensar nesta prática histórica e recorrente até os dias de hoje, são muitas as variáveis e formas de manifestação. Entre as nuances está a aparência. Durante décadas a pessoa negra, especialmente o homem, foi desenhado pelos veículos de comunicação e o senso comum como uma ameaça. Aquela cena clássica da pessoa mudar de calçada, esconder a bolsa ou ‘ficar de olho’ nos passos de um rapaz da pele cor da noite é uma verdade absoluta.

Para expor este hábito preconceituoso o jovem Pedro, de 24 anos, resolveu fazer um teste baseado no tipo de roupa que vestia. A ideia era estudar a reação das pessoas diante de uma escolha, digamos, mais aceitável socialmente e quando confrontadas com trajes mais informais. O resultado, infelizmente, não causou surpresa.

Abaixo você confere direitinho os resultados do experimento, que se estendeu por sete dias e foi publicado no BuzzFeed News.

“Por toda a minha vida, sofri uma série de micro-agressões. De funcionários me seguindo em lojas, a mulheres segurando suas bolsas com força ao me verem. Aos 13 anos de idade, fui detido por policiais que suspeitavam de algo que eu não fiz. Pouco tempo atrás, uma mulher agarrou seu filho e correu para uma loja para se afastar de mim quando eu estava andando pelo quarteirão. Eu não quero ser mais uma estatística e ter minha aparência culpada por isso.

Mas eu não vou me resignar e mudar minha aparência só para fazer as pessoas se sentirem mais confortáveis perto de mim. Eu me visto exclusivamente de acordo com o meu humor, e geralmente a minha escolha é algo “confortável / que me permita andar de skate” chique, ou alguma coisa assim. ¯\_(ツ)_/¯ Eu estou curioso para ver o efeito que minhas escolhas de vestuário têm na minha vida com um jovem homem negro de Los Angeles.

No primeiro dia, a escolha ‘socialmente aceita’ foi o clássico terno. Já a roupa ‘suspeita’ foi um inofensivo moletom.

Quando estava todo arrumadinho: Eu me sinto pretensioso, desconfortável e envergonhado, especialmente por causa do paletó. Um certo verso de Kanye West veio à mente “So I don’t listen to the suits behind the desk no more / You n****s wear suits ‘cause you can’t dress no more”, em “Last Call”. Eu tive que caminhar com cuidado, para tentar diminuir o barulho insuportável dos meus sapatos, meu cinto precisava ser constantemente ajustado e, somado a tudo isso, essas calças faziam minha cueca subir.

Experiências: A mulher que trabalhava na 7-Eleven me cumprimentou com um sorriso e instantaneamente perguntou “Por que isso? Reunião ou entrevista?” “É pro trabalho”, respondi enquanto pegava meu troco para o ônibus. Ela ergueu as sobrancelhas e sutilmente acenou com a cabeça. Isso tudo nos 10 minutos do meu dia e eu pensei comigo mesmo, caramba, essas duas semanas vão ter vários acontecimentos. Meu ônibus passou e meu cartão de passe não tinha crédito suficiente, mas antes que eu pudesse usar o troco que eu peguei na 7-Eleven, o motorista disse que não tinha problema. Foi por pouco. Consegui economizar meu troco.

Quando estava todo arrumadinho: Eu me senti uma nova pessoa! Gostei da gola rolê porque ela cobriu o meu pescoço, que é grande pra caramba. Não sou um fã de paletó, mas a gola rolê compensou. E após o terceiro dia, essas roupas elegantes não eram tão ruins.

Experiências: Eu tive que correr atrás do meu ônibus e embarcar no próximo cruzamento. A motorista sorriu para mim quando eu agradeci. Quando alguns adolescentes negros entraram no ônibus, eu me senti como o pai deles por causa das minhas roupas. Eu fui ao Beverly Center e imediatamente me senti muito formal e rígido, como um completo panaca. Eu decidi ir das lojas de nível intermediário para as luxuosas. Na Express Men, o funcionário foi bem cordial e me contou sobre as promoções e me deixou comprar.

Quando estava com uma roupa mais descontraída: Eu adorei esse moletom e ele provavelmente entraria no meu guarda-roupa se não fosse tão grande. Eu estava inseguro sobre como as pessoas me tratariam no shopping dessa vez, mas eu não estava tão auto-consciente como na semana anterior.

Experiências: Eu fui até a Express Men e não havia um funcionário à vista então eu fiquei andando por lá. Finalmente, uma mulher apareceu e perguntou se eu precisava de alguma coisa; eu disse que estava só dando uma olhada e a peguei me encarando algumas vezes enquanto eu olhava os itens. Quando eu pedi para ver o tamanho de uma peça na Club Monaco, a mulher pareceu irritada, mas finalmente encontrou a camisa.

Encerrada esta longa jornada, que exige um controle emocional daqueles, o norte-americano concluiu que para se sentir ‘sociável’ precisa optar pelos paletós, gravatas, cintos e sapatos. O que para ele era uma alternativa desconfortável.  

No caso das vestimentas casuais, Pedro, de 24 anos, se diz incomodado o pensamento coletivo de que homens negros, pelo simples fato de existirem são uma ameaça. Uma anormalidade.

Perceba também que o racismo está presente em outras características do rapaz, como o cabelo com dreadlocks. Quantas vezes não se ouviu por aí associações com este tipo de cabelo com o crime ou até piadas pejorativas ligando os dreads com o uso de drogas. Bingo, mais uma constatação do racismo! 

“Essa predisposição que as pessoas têm para pensar que homens negros podem ser criminosos violentos faz com que os maus-tratos que recebemos sejam vistos como algo normal, e não como preconceito ou injustiça”

Fotos: Reprodução/Pedro/BuzzFeed/fonte:via